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O meio-dia serve é para bocejar em frente ao monitor

O Governador do Banco Central Cipriota Panicos Demetriades fez juz ao seu nome e lançou mais o “Panicos” na Zona Euro ao afirmar numa entrevista ao Financial Times que o Chipre estará segundo palavras do mesmo “próximo de pedir um resgate financeiro”  à Europa.

Se há coisa que tenho aprendido nos últimos anos é que os mercados não dormem perante este tipo de afirmações.

Em primeiro lugar porque os líderes europeus tem a estranha mania em serem desbocados sempre que se tratam de assuntos soberanos ao nível orçamental e financeiro como é o caso deste caso específico e de outras centenas de afirmações ditas ao longo deste período de crise por outros chefes de estado e agentes com responsabilidades na área estatal dos países da zona euro.

Em segundo lugar, porque os líderes  europeus (caso de Sócrates e Teixeira dos Santos no anterior governo português; caso actual de Rajoy no governo espanhol) tendem por outro lado a tentar segurar a panelinha tendo em conta o atraso de um resgate que para Bretton Woods e para Bruxelas já é dado como um facto consumado que só necessita da assinatura dos visados para se por em marcha.

E por panelinha entenda-se algo que Portugal não terá acesso até setembro de 2013 que é o acesso aos mercados. Isto é,  o acesso livre aos mercados de emissão de dívida, facto que Portugal tem acesso de facto, mas de forma faseada e mediada pela União Europeia como aconteceu no passado mês de Abril. Um dos grandes problemas factuais da dupla Teixeira dos Santos\José Sócrates foi de facto o recurso aos mercados de forma sistemática no final do seu mandato, forma que devemos considerar como errónea tendo em conta o desfecho que já era como disse facto consumado entre aqueles que nos resgataram financeiramente.

Para corroborar a ideia de que os mercados não dormem, vem-me à memória uma analogia futebolistica. A 22 de Março de 1982, António Oliveira (ex-seleccionador nacional) em vésperas de mais um derby contra o Benfica haveria de tecer uma das frases mais marcantes da história do Sporting: “Por cada leão que cair outro se levantará” – Os mercados operam de forma semelhante: por cada especulador que adormeça antes da afirmação de ruína num país da zona euro, 10 se levantarão para especular contra a ruína desse mesmo país, capitalizando os erros dos seus governantes ou dos seus agentes reguladores.

Panicos “Panicou” e o Chipre segundo começam a rezar internacionalmente estará próximo de levar uma injecção de capital nunca inferior a 42 mil milhões de euros, que servirá não só para regular o excessivo défice das contas públicas gerado pelos anteriores executivos cipriotas como será para regularizar as contas dos principais bancos do país que só este ano já deverão ter perdido de forma irremediável algo como 3 a 4 mil milhões de euros entre crédito mal parado e investimentos não sucedidos.

Em Espanha, o cenário também não está famoso. A Espanha de Rajoy enfrenta uma das mais perigosas taxas de desemprego a que o ocidente assiste desde o crash de 1929: 22% da população activa está no desemprego (cerca de 5,5 milhões de pessoas) não tendo Rajoy dados indicativos (mesmo apesar de ter feito algumas reformas a nível fiscal e de ter feito os já indispensáveis cortes orçamentais) que lhe permitam sonhar com uma redução do número de desempregados  e com a respectiva bitola de crescimento económico\aumento de coesão social visto que para além do excessivo défice herdado de Zapatero, da falta de crescimento e do aumento a olhos vistos da taxa de desemprego, terá que lidar agora com uma falência massiva dos seus principais bancos motivados pelo buraco financeiro de 8 a 12 mil milhões descoberto no Bankia.

Quando o nosso principal parceiro comercial está na situação em que está, precisamos de rezar para que não caia o carmo e a trindade neste país nos proximos meses.

E Portugal segue a toque de caixa da troika e do medo que é cada vez mais evidente do estoiro de uma multiplicidade de factores: da saída descontrolada do euro cada vez mais eminente no caso grego (provavelmente já para o final do mês), de um resgate aos cipriotas, de um resgate aos espanhóis, das fragilidades pelas quais também passam o estado italiano e o estado francês e da incapacidade da Alemanha (que tanto fez sonhar Frau Merkel na busca do desejo de país hegémon da europa) em gerar uma solução que alivie toda esta europa vendida ao défice das contas públicas e ao saque desmedido dos mercados e dos sanguessugas que dele se alimentam.

Portugal atravessa neste momento uma frase crítica.

Faz daqui a uns dias um ano em que o povo português confiou a sua governação na mão de meia dúzia de liberais mascarados da social-democracia ali do eixo Avenida de Roma-Restauradores-Massamá. O preço a pagar em ter colocado na liderança de um país na europa num queque de Massamá cujo livro que mais adorou em vida foi o inexistente “Metafísica dos Costumes” de Hegel (palavras do próprio) quando qualquer acéfalo com dois palminhos de testa sabe perfeitamente que a obra é de Kant está à vista…

Na “Metafísica dos Costumes” Kant afirma que a razão deverá ser a base de todos os actos morais, ou seja, a causa maior que guia a acção humana a um estado de moralidade para que esta justifique não só a acção humana mas a própria dignidade dos homens.

É na Metafísica dos Costumes que Kant insere aquele que é talvez um dos seus maiores conceitos:  o imperativo categórico. Um imperativo é uma ordem, é algo que impera sobre todas as vontades ou sobre todos os comportamentos, desde que tenha consigo uma mensagem expressa que deverá ser acatada por todos. Um imperativo categórico segundo o pensamento Kantiano deverá ser entendido como uma ordem racional, ordenada como boa em si, não-hipotético e não-deduzido de forma artificial, que perante dado problema deverá ser aplicada com severidade para que se atinja uma determinada finalidade e só essa finalidade.

Pedrito (o Passos Coelho) é o governante oposto da “Metafísica dos Costumes”, algo que realmente me coloca a dúvida se o primeiro-ministro leu ou não o tal livro que não é de Hegel mas sim de Immanuel Kant.

Primeiro porque é o líder que não justifica moralmente as suas decisões.

Segundo porque é o líder que não justifica moralmente as suas decisões e não respeita a dignidade humana do seu povo na sua tomada de decisões.

Terceiro porque é o líder que não sabe os limites que devem servir de balizas às suas tomadas de decisão. Ir ao parlamento dizer que o seu governo é o reflexo da “ética social da austeridade” é a mesma coisa que ir comprar um cavalo à feira da golegã e o bicho cair ali de morto para os lados de Vila Franca meia-hora depois. É portanto um discurso morto e sem objectivos práticos senão entreter a sua bancada e a bancada dos hipócritas pertencentes ao partido que com o seu partido faz coligação.

O Imperativo Categórico que é lançado a Passos Coelho é simples: ou obedeces ao Memorando de Entendimento ou então és posto fora da carruagem. Nada mais nada menos que um argumento ad-hominem que é tão falso e tão cínico como aquele mito que existe na praxe coimbrã de que “caloiro que não se submete à praxe não poderá usar capa e batina”.

Passos Coelho, o seu sombra frankenstein (sim, o primo direito do Louçã) e o Alvarinho-que-suou-todo-quando-lhe-fiz-uma-pergunta sobre austeridade no ensino superior, conseguiram cometer uma proeza fenomenal que foi ir para além do Memorando de Entendimento em matéria de desflexibilização laboral.

Proeza fenomenal, digo eu. Despedir em Portugal tornou-se mais barato e nem nos tempos da velha senhora em que patronato e trabalhadores eram obrigados a praticar uma velha prática anti-comunista que se chamava alinhamento em coligação nas corporações de forma a evitar o choque de interesses e por conseguinte a luta de classes, o patronato em Portugal sonhou estar melhor ao nível de leis laborais em 2012 do que alguma vez esteve no regime salazarista.

Para acentuar um código do trabalho que extrapolou as páginas do memorando, resta mencionar que o acordo de Concentração Social que o Alvarinho-Vancouveriano lá arranjou teve a mácula de um sindicato ter virado as costas à defesa dos seus ideais e de outro (mais ligado ao Partido Socialista) ter virado o cú para o Ministro em troca de 5 tostões e de um chuto, acto criminoso que ainda hoje deverá envergonhar publicamente João Proença e os seus sindicatos afiliados.

A falar em Partido Socialista, faz também um ano do desaparecimento desse grande charlatão que dava pelo nome de José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa para Paris, onde hoje estuda dívidas que não se pagam de uma vez mas gerem-se e onde hoje vive à grande e à francesa (literalmente) com a choruda pensão que os portugueses lhe pagam pelos seus exímios serviços enquanto governante.

Desde o seu desaparecimento, o Partido Socialista mais se assemelha a um corso funebre. Não se motiva apenas pelo olhar tristonho de António José Seguro nas suas aparições e declarações públicas, mas também pelo facto da vergonha ser tão grande que o partido (principal partido da oposição) só é capaz de participar na morte do país dizendo amén a todas as facadas que o governo vai dando no defunto.

Dr. Frankenstein veio hoje falar em sucesso no 1º ano de implementação do Memorando. O défice baixou, as previsões afinal não eram tão baixas como se esperavam, Portugal vê um furinho para o crescimento económico e a reposição dos rácios de capital de alguns bancos levarão a que o Estado tenha que lhes depositar mais 7 mil milhões, valor esse que fica abaixo daquilo que a troika previa numa fase inicial… o bla bla bla bla do costume, a vitória moral do governo… a vitoria moral de sempre.

Victor Hugo afirmava num dos seus escritos uma frase que me pareceu talhada de uma inteligência que só pertence aos melhores desta espécie: “Saber exactamente qual a parte do futuro que pode ser introduzida no presente é o segredo de um bom governo”.

Um ano passou e nada mudou neste país.

A coesão social foi ameaçada com desemprego, com cortes nos apoios sociais, com cortes severos no provimento dos bens sociais que em larga escala são usufruídos por aqueles cuja carga tributária é a maior e a mais atacada neste país por este governo: o rendimento dos trabalhadores.

Existe fome declarada neste país que não aparece transporta em numeros no Ministério das Finanças.

O desinvestimento é de larga escala e em vários sectores: saúde, educação, segurança social, três sectores fundamentais onde o estado não pode fugir às responsabilidades que lhe são exigidas ao nível de correcção dos desiquilíbrios naturais provocados pela acção dos mercados no rendimento dos cidadãos.

Na relação banca\trabalho, o código laboral não se ficou apenas por um mecanismo de despedimento fácil. A banca e o estado não são capazes em conjunto ou de forma isolada de criar soluções que ponham em marcha uma nova redistribuição do capital que possa fomentar a criação empresarial, o investimento privado e o aumento produtivo com vista a uma necessidade que a economia portuguesa atravessa e é que clara como a água que reside na necessidade de produzir mais, de alimentar mais o consumo interno e de alimentar mais a exportação entre as empresas portuguesas.

A economia portuguesa não crescerá a meu ver com a baixa de salários (será uma medida ruinosa ao nível de coesão social), não crescerá com eurobonds e não crescerá com outros mecanismos que andam a ser associados a muitas analogias que se andam a fazer aí de acordo com parábolas respeitantes a falsos exercícios que visam estender uma ponte entre a economia doméstica e a macroeconomia. A economia portuguesa só crescerá quando existir liquidez para investir, liquidez para arriscar e liquidez para conseguir chegar onde os outros actualmente não chegam.

A liquidez é inclusive um dos problemas que a troika menciona no seu relatório publicado hoje, tanto ao nível estatal como ao nível da banca. Nada de estranhar visto que a remessa que nos foi enviada de Washington e Bruxelas para pouco mais serviu do que pagar umas contas atrasadas de vários governos e tentar manter as contas públicas minimamente em dia.

A troika também aproveitou a ocasião para mostrar o seu descontentamento pela venda ao desbarato do maior activo do estado aos Chineses: a EDP. Mais uma medida que em Dr. Frankenstein apenas pensou a curto prazo, numa tentativa declarada de amenizar o excessivo défice na balança de pagamentos do estado português, vendendo um enorme activo ao desbarato.

Só que em Bretton Woods a venda da EDP aos Chineses contrariou uma das principais regras das reformas estruturais praticadas pelos livre fundamentalistas de mercado: liberalizar sim, mas desde que a liberalização seja sempre em prol de uma empresa amiga como vencedora dos concursos.

Tanto é que depois da venda da EDP às três gargantas, a Goldman Sachs (bem representada pelo nosso amigo António Borges, recentemente entachado com o cargo de consultor no que toca à analise das criminosas parcerias público-privados que o governo herdou de outros governos e quer reduzir) anda por aqui a cheirar a ver o que é lhes pode caber da fatia do bolo que a troika ordena à venda por parte do Estado Português.

Goldman Sachs rules the world, já dizia o outro.

Ate porque uma eventual baixa dos salários não irá resolver a nossa crassa pequenez ao nível de competitividade nos mercados internacionais. O nosso produto é caro (tendo em conta o preço dos produtos dos países do Sudeste Asiático, da América Latina e dos países emergentes), é mal produzido, é produzido em séries minúsculas tendo em conta a produção de países industrializados e emergentes, e ainda por cima carece de aplicação nos mercados dos outros porque nos vários mercados mundiais, antes do Português conseguir negociar a venda do seu produto já os Chineses (por exemplo) estão a entafulhar o mercado desse país com o seu produto. Daí que outra das coisas que considere inúteis são aquelas faustosas viagens governamentais com empresários de algibeira a toque de caixa (sim, aqueles empresários que tiveram tudo para se modernizar nos tempos dos fundos comunitários) ao estrangeiro, cujo resultado final da visita redunda sempre no empresário x ou y a dizer que “até correu bem a viagem, beberam-se umas caipirinhas com os empresários locais e até se estabeleceram umas portas de entrada no país ao nosso material” mas “não temos capacidade para aumentar a produção” ou porque “não existe capital para investir” ou porque “as linhas concedidas pelo estado para a exportação ou para as PME´s não chegam para que possamos aumentar a produção e exportar mais daquilo que actualmente exportamos” – a conversa termina quase sempre onde começou…

Outro dos pontos que é visado no relatório da troika e que eu acho muita piada é a necessidade que eles vêem de nós efectivarmos uma reforma que eles há muito pedem que é a reforma no sistema judicial. Mexer na justiça para quê meus senhores? Para prenderem de vez gente honesta e trabalhadora como o José Eduardo Simões?

Ao oposto do que Vitor Hugo afirmava, este governo português não consegue vislumbrar a decisão do futuro no presente porque está condicionado por terceiros a dar um passo de cada vez… como dizia o ronaldo para o queiroz “ó carlos, assim não vamos lá”…

Assim não vamos lá…

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Verdades

““Estou a marimbar-me que nos chamem irresponsáveis. Temos uma bomba atómica que podemos usar na cara dos alemães e franceses. Essa bomba atómica é simplesmente não pagarmos. Se não pagarmos a dívida e se lhes dissermos as pernas dos banqueiros alemães até tremem” – Pedro Nuno Santos, demissionário vice-presidente da bancada parlamentar do PS e presidente da Distrital de Aveiro.

Afinal de contas não sou apenas eu aquele que não concorda com a política do bom aluno.

O professor Marcelo até tem razão. Este PS parece o CDS\PP (Partido aos pedaços) dos anos 90. As semelhanças começam a ser muitas:

1. Mudam-se os estatutos de forma a proteger a ténue liderança de quem alinha pacificamente com o governo por via de sucessivas abstenções parlamentares. Paulo Portas eliminou pessoas do partido é certo.
Será Seguro capaz de criar o exílio à sua oposição interna? Estará Seguro a embarcar pelo uso de toques outrora usados por José Sócrates?

2. No Partido Socialista não existe actualmente uma linha de raciocínio quanto mais uma linha de actuação própria quanto mais uma linha de oposição. Existe sim um conjunto de falsos moralismos e uma vasta gama de comportamentos e declarações hipócritas. Paulo Portas transfigurou a linha do CDS\PP que vinha sido traçada até então. Começou a descer ao povo por intermédio de feiras e festas populares. Prometeu ajuda aos reformados e aplicou os seus dotes de populismo. No governo, tudo soa a nacionalismos bacocos.

3. O primeiro que saiu a público em defesa destes novos estatutos do PS foi precisamente Vitor Baptista, antigo governador civil de Coimbra, antigo presidente da Distrital do PS de Coimbra. Vitor Baptista sabe do que fala não fosse ele o mestre dos cambalachos. Em política, quem comete cambalachos, protege cambalachos. Faz-me lembrar Paulo Portas quando protegeu o “exemplo” de Celeste Cardona enquanto ministra da justiça e quando deu palmadinhas nas costas ao então Ministro do Turismo “Telmo Correia” pelos célebres despachos assinados ao domingo. Continua Baptista. Com o Seguro ainda chegarás a Ministro.

4. Ou se é oposição ou… não se anda a fazer rigorosamente nada no parlamento! Estes patetas do PS dormem de espinha direita? Assinaram o Memorando de Entendimento? Aguentem-se com ele. O grande problema coloca-se quando o maior partido da oposição diz amén a tudo o que é proposto pelo governo dentro ou fora do Memorando. Não é apenas um problema. É viver sem ideais. É viver a política com a espinha dobrada. É sinal de fraqueza. É dizer ao governo “façam tudo o que quiserem” porque a “malta está cá mas é como se não estivesse”. É uma profunda falta de respeito pelos eleitores que votaram PS nas últimas legislativas.

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Socratinices

Não acham estranho o facto dos dois processos que envolvem José Sócrates e as famosas escutas terem audiência no mesmo dia e voltarem a repetir a ideia de que as escutas do Sócrates ainda não são um caso encerrado?

 

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José Sócrates errou

Quando o ex primeiro ministro acusou Cavaco Silva de “deslealdade pessoal” queria dizer “senilidade pessoal e institucional”.

É pena que Sócrates não saiba o léxico dos contextos que utiliza. Decerto que lá na Science Po de Paris ainda não teve aulas de linguística, semântica e semiótica. Ou pelos menos os comportamentos não batem certo com os actos: um tipo que não avisou a Presidencia da República de um Plano de Estabilidade e Crescimento, que negociava às escondidas o dito plano na Europa, que não avisou os grupos parlamentares dessas negociações e que deu de frosques depois de assinar um memorando de entendimento, decerto que não conhece a sua própria língua.

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O louco viciado na austeridade

É inadmissível que o Primeiro-Ministro tome o papel de supremo carrasco de uma sociedade asfixiada pelas medidas do seu governo.

Pedir aos sufocados portugueses que sejam “menos piegas”, quando todos os dias é uma autêntica batalha pela sobrevivência é de loucos.

Do alto do seu pedestral em São Bento, o louco viciado na austeridade que nos tira a educação, o futuro, a saúde, o dinheiro no bolso, a casa, a comida que vinha para o prato e a roupa no corpo não consegue raciocinar de acordo com estes dados históricos:

Na última década, melhor, nos últimos 15 anos as necessidades líquidas de financiamento externo da economia portuguesa (défice da balança corrente e de capitais) aumentaram de 1996 para 2005 de 1,6% do PIB para 8,1%.

Estes dados, sendo supervisionados pelo Banco de Portugal, foram durante esses anos (governos do Eng. Guterres, de Durão Barroso e no início do mandato do Eng. Sócrates) tratados como irrelevantes. Numa monetária como a zona euro, onde todo o mundo económico e financeiro têm os olhos postos em nós, o significado da balança de pagamentos de Portugal significa que tirando os constrangimentos externos causados pelas fases de preparação que nos foram impostas pela adesão ao euro, que cumprimos ainda no tempo do governo socialista do Eng. Guterres, fizeram supor a ideia que depois da adesão ao euro tudo nos seria permitido uma vez desaparecidos esses constrangimentos perante os nossos parceiros monetários externos.

E foi assim que o país se comportou até ultrapassar a barreira dos 10% de PIB de défice.

Durante os últimos 15 anos, os Portugueses foram incentivados a consumir. Principalmente nos governos do Eng. Guterres. Ah Belle Époque! Casas novas, carros com farturas, TV em cabo, charuto a seguir ao jantar.

Durante os últimos 15 anos, Portugal (quer ao nível das famílias, administração pública e parcerias público-privadas) viveu 10 furos acima do tamanho das suas calças. Viveu acima das suas possibilidades. As famílias endividaram-se, o desemprego aumentou, e ninguém acreditou que uma crise financeira despoletada na América com duas falências de seguradoras, nos iria a meter a pedir trocos ao FMI para pagar despesas imediatas. Ninguém em São Bento se preocupou em executar reformas que não fossem as vindas do exterior. Porque as reformas vindas do exterior foram sempre tidas em conta como melhores que as  dos nossos economistas. Ninguém em São Bento se preocupou em reformar o nosso tecido empresarial, em expandir a inovação, as pequenas, médias e grandes empresas, em incutir novas mentalidades educativas e culturais e novas mentalidades empresariais.

As necessidades de financiamento externo da nossa economia agravaram-se a partir de 2009. Com este agravamento, cresceu o endividamento externo do país, sem que cá dentro se pensassem soluções para reduzir despesa ou para renegociar a dívida. Veio o FMI. Veio a tecnocracia. E o zé povinho passou obrigatoriamente a gastar menos, porque não têm por onde gastar.

Ao nível de balança financeira, Portugal continuou a reflectir a manutenção de um elevado deficit de poupança e investimento. Esse deficit foi financiado por uma redução de activos sobre o exterior de aproximadamente 13% do PIB, verificando-se uma queda nos passivos face ao exterior de cerca de 2% do PIB. Esta nova forma de financiamento, conjugada com as alterações feitas nos fundos de pensões contrasta com a dos anos anteriores e reflecte uma alteração de vulto no papel das instituições financeiras não-monetarizadas no financiamento da balança de pagamentos, sem excluir a intervenção da troika, que dizem os de São Bento ter equilibrado a mesma nos anos 2011 e 2012.

Perante tais factos, o PM deveria ter mais cuidado quando nos apelida de piegas. A competitividade não é algo que se mude a curto prazo quando a nossa balança de pagamentos deu em 2010 e 2011 sinais muito negativos aos mercados. A competitividade não se alcança com desemprego, cortes nas prestações sociais e aumentos. Não se alcança com austeridades. A competitividade alcança-se sim com sinais de euforia económica vinda de São Bento e com optimismos.

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Ele é que sabe andar nisto!

Conheci uma turma em Paredes de Coura em 2010 que repetia em tons de gozo sempre que alguém fazia uma coisa espantosa algo como “ele é que sabe andar nisto!”

José Sócrates vê constado o seu nome em 3 mega processos: Face Oculta, Freeport, Universidade Independente. Um como testemunha de um arguido (que acabou por prescindir da sua presença em tribunal) e com escutas que acabaram por ser dadas como irrelevantes para o processo e consequentemente destruídas, outro como prova de acusação (a referida licenciatura que ficou bem guardadinha a 7 chaves numa gaveta) e outro como acusado de acto ilícito por parte de dois arguídos.

É caso para dizer que “José Sócrates é que sabe andar nisto” – 3 processos e ainda não colocou os pés em Portugal. Cá para mim já nem se considera como cidadão português. 3 processos. Costuma-se dizer que onde há fumo há fogo. Será que este caso foge à regra? Ou será que José Sócrates tem bons anjos da guarda?

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Se…

Se as escutas de Armando Vara foram validadas pelo juiz Raul Cordeiro do Tribunal de Aveiro “com vista à descoberta da verdade e boa decisão da causa” porque é que as que envolvem José Sócrates foram destruídas por ordem do Supremo Tribunal de Justiça?

Ah, já sei. Temos dois critérios distintos dentro da Justiça Portuguesa. O critério de “quando se é primeiro-ministro” e o critério de “quando não se é primeiro-ministro”.

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silêncios e outras conversas repetitivas

Cavaco Silva voltou a dizer mais do mesmo.

Sacríficios, união, avisos ao Governo de Sócrates quanto ao estado da económia portuguesa e à necessidade de ajuda externa. 

Da boca do presidente da república não se ouviu nem uma palavra de aviso a Alberto João Jardim. O respeitinho é muito bonito. Deve ser o presidente da república a incuti-lo. O Sr. Silva mostrou mais uma vez que teme Alberto João Jardim. Pelo meio, são insinuosas as declarações que faz e nem a questão da “independência” levou um cartão vermelho em público do presidente.

Faz-me lembrar aquele dia em que Alberto João deitou o charuto ao lixo e aos microfones da RTP disse que os da Comunicação Social lá de Lisboa “eram uns bastardos, para não lhes chamar filhos da puta.”

Brincar com a integridade do estado português é algo que não assiste a um puxão de orelhas. E assim continuamos…

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As mentiras de Pedro Passos Coelho

1. A mais crassa de todas. Livro favorito: “A Metafísica dos Costumes” de Hegel quando toda a gente sabe que a “A Fundamentação Metafísica dos Costumes” foi escrita por Immanuel Kant. Nem no nome completo do livro, Passos conseguiu acertar.

Era na altura este o candidato que o PSD pretendia lançar contra José Sócrates. Será que Passos algum dia virá desmentir esta como veio tentar desmentir a declaração do “desvio colossal”.

2. “O passe social dos transportes para que todos possam andar de transportes públicos”

“O passe de Coelho” – um passe para trás é certo (sublinhado meu)

Passos Coelho quer um passe social só para pobres. Como os que nos têm governado, não fez as contas certas. Ao subsidiar o transporte coletivo o Estado poupa dinheiro. À sociedade, à economia e a si próprio.” ín Expresso, 8 de Fevereiro de 2011.

No fim de Julho, após reunião de Conselho de Ministros, o governo de Coligação decide aumentar em média 15% o preço dos transportes públicos. Passos Coelho faz-se refém do Memorando de Entendimento assinado pela troika (ver aqui).

O Ministro das Finanças Álvaro Santos Pereira, sim, aquele bacalhau que o PSD foi buscar ao Canadá para o Movimento Mais Sociedade, lança as tarifas sociais. Quais tarifas sociais? Ver aqui. Estão contempladas nos transportes Públicos? Em quais? Nos que sofreram aumento?

Fonte: i online.

3. “O BPN”

Ver aqui, a 10 de Dezembro do ano transacto.

Pedro Passos Coelho pedia ao executivo Sócrates, em particular ao Ministro Teixeira dos Santos, informação clara e concisa sobre o estado do BPN e os custos que as decisões do estado em relação ao banco iriam custar aos cofres públicos.

“Em dever de lealdade, transparência e rigor, era importante que, depois de terem falhado as operações que o governo tinha destinado para o BPN ainda este ano, nomeadamente a sua reprivatização, houvesse uma informação clara e concisa ao país quanto à intenção que tem para futuro e sobretudo ao custo que essa intervenção representa nos dias de hoje” – defendeu perante os jornalistas.

fonte: Jornal de Notícias

A 30 de Julho de 2011, 7 meses e 20 dias depois, já como primeiro ministro deu autorização ao seu ministro das Finanças para vender o BPN à pior proposta possível, feita por um banco cuja cara principal é um gestor que já foi ministro de um Governo Constitucional do PSD (Mira Amaral) e ainda por cima para além dos 2360 milhões de euros que custou aos contribuíntes portugueses, a proposta vencedora ainda contempla que o estado tenha que pagar indeminizações aos funcionários que o BIC irá reduzir no banco, acartar com as custas de metade da totalidade do crédito mal parado e acartar com os custos do fecho de dependências e agências do banco.

Uma intervenção brilhante.

Juntando a isto, o facto de Pedro Passos Coelho e do seu ministro das finanças ainda não terem disponibilizado publicamente as ofertas dos outros interessados à compra do banco. Revela uma clareza e uma transparência formidável, estando praticamente esmiuçadas pela Comunicação Social as melhores ofertas tanto de Montepio como dos investidores que fizeram proposta para comprar o banco.

Mais uma mentira, portanto.

4. “Passos Coelho e os impostos”

A 21 de Março: “devem descer, porque Portugal tem uma carga tributária e fiscal excessiva.” – era candidato, precisava obviamente deste trunfo para se fazer ao povo.

Expresso

A 24 de Março: “devem subir para o Estado obter receitas extraordinárias”  – em Bruxelas.

No mesmo dia à TVI: “Não posso prometer que não aumente os impostos”


A 5 de Maio: “não irão aumentar. Isso é uma invenção do PS” – era candidato, estava na recta final da caça ao voto.

Jornal de Notícias

O Governo toma posse e o que é que acontece? Imposto extraordinário sob 50% do subsídio de Natal dos que auferem rendimentos superiores ao salário mínimo.

Estamos perante um conjunto de mentiras cujo pior facto de realmente o serem, é a bipolaridade das declarações de Passos Coelho. Essa bipolaridade política que só os candidatos em vésperas de eleições conseguem manobrar: dizer sim e não conforme lhes convém, dançar ao som da música que lhes tocam e atirar as culpas para o principal adversário na contenda.

5. “O mercado de trabalho. Flexibilizar ou não flexibilizar. Criar emprego ou aumentar o estigma do desemprego”

“As políticas de emprego mais profundas, para combater o desemprego” – disse a 10 de Dezembro. Já liderava o PSD e já se sabia que seria candidato.

JN

“Aposta na criação de emprego para voltar a trazer a esperança às novas gerações” – a 11 de Maio, em plena campanha eleitoral.

Fonte: ‘PSD´

No Governo, aprova em conselho de ministros e faz uso da sua maioria parlamentar para aprovar a redução das indeminizações pagas por cada ano de trabalho aos novos contratos laborais de 30 para 20 dias.

Mais uma mentira, portanto.

Depois de todas estas declarações e da sua análise ao nível das primeiras intervenções feitas pelo Governo liderado por Passos Coelho, apenas posso concluir que o nosso primeiro-ministro é um mentiroso. Um mentiroso compulsivo de um calíbre e artimanhas comparáveis às do seu antecessor. Artimanhas das quais Passos Coelho tanto reclamava quando estava na oposição.

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O desvio colossal

É ou não é colossal? Quem? O desvio. É ou não é colossal?

Todos sabemos que sim. É colossal. Não é preciso perceber de engenharia financeira para interpretar o crescendo da curva de Yield da dívida portuguesa resultante dos 6 anos da governação socialista. É certo que a crise económica e financeira também remou contra o esforço de Sócrates e Teixeira dos Santos. No entanto, a lógica diz-me que se estamos reféns da inenarráveis e ineficazes reformas estruturais ordenadas pelos senhores dessa organização internacional democrática que dá pelo nome de FMI, algo extravasou para além dos limites aceitáveis no que toca às contas públicas e às execuções orçamentais nos últimos anos.

É colossal, portanto. Ninguém sabe quanto. O segredo ficou trancado a sete chaves entre os senhores da troika e os ministros do bloco central.

E já agora, esse liberal que dá pelo nome de Vitor Louçã Rabaça Gaspar é extremamente engraçado. Primeiro pelas olheiras de quem não dorme pelo menos há uns 5 anos. Depois pelas explicações rápidas onde o mesmo recorrer invariavelmente a uns gracejos manuais que mais fazem lembrar a explicação da táctica dos treinadores barrigudos dessas equipas dos distritais. Portanto nada admira que uma figura de Frankenstein assustado pelo colossal débito da sua pasta a terceiros seja capaz de ir à Europa apresentar o seu plano para por as contas portuguesas na linha em cerca de 180 segundos, com recurso a gestos.

“Merkel, jogas na direita da defesa e se tiveres que mandar uma sarrafada na Grécia para ganhar a bola, manda. Sarkozy, jogas no miolo a distribuir jogo para os teus parceiros privados nas alas, Berlusconi, ah Berlusconi que és cá um maroto…”

Numa dialéctica deste calíbre, até eu ficava assustado.

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António José Seguro vs Francisco Assis

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Fonte: SIC Notícias

A meu ver, o Partido Socialista procura o seu líder de transição entre a era Sócrates e o candidato que há de vir para as próximas legislativas.

Pela teia argumentativa demonstrada neste debate, temos de um lado um António José Seguro mais sóbrio do ponto de vista ideológico contra um Assis que volta a mostrar que fala demasiado com o coração na boca e não tem o perfil desejado para promover a união entre os socialistas.

No entanto, qualquer um dos dois não fará mais do que manter a estoica oposição socialista fiel ao perfil trilhado pelo desaparecido José Sócrates até que um determinado presidente da câmara decida terminar o seu mandato e chefiar alegremente o partido até às próximas eleições. O vencedor terá uma liderança no máximo de 2 anos.

Para terminar, revelo o resultado da sondagem que coloquei neste espaço sobre as eleições internas do Partido Socialista.
Os leitores, respondendo à questão “Quem vencerá as eleições para Secretário-Geral do Partido Socialista?” deram a vitória a António José Seguro com 23 votos contra os 5 obtidos por Francisco Assis.

Creio que o resultado desta sondagem irá correr no trilho correcto nas eleições para o Secretariado-Geral do PS, que como se sabe, acontecem nos dias 22 e 23 deste mês.

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Que futuro para o PS?

A meu ver, a vitória do PSD nas eleições legislativas trouxe outro factor que o partido não estava habituado: uma liderança coesa.

Depois de uma série de anos em que o PSD não conseguia encontrar um líder que reunisse consenso entre os principais rostos (Menezes, Manuela Ferreira Leite, Marques Mendes) ao vencer, Passos Coelho tornou-se o líder que reúne (bem ou mal) o consenso dos principais rostos dirigentes do partido.

Já com o PS deu-se o efeito contrário. Saídos da forte liderança de José Sócrates, o futuro começa a tornar-se muito negro para o partido na oposição.

Se por um lado torna-se necessário ao PS a eleição de um líder forte, capaz de assumir perante o governo os compromissos que o partido estabeleceu na éra Sócrates e capaz de se mostrar como alternativa ao governo na discussão de determinadas políticas, não creio que Francisco Assis ou António José Seguro sejam os líderes que o partido necessita.

Nunca fui fã de Assis. Assis fala demais e quando fala opta por discursos completamente ridículos, deixando as pessoas na dúvida se ele acredita mesmo no que está a dizer ou se as declarações não passam de mais um período pouco lúcido de confusão intelectual da sua cabeça.

Seguro é um pão sem sal do Partido Socialista. É um dos “boys” que a bom da verdade mais promete fazer do Partido Socialista uma “mosquinha morta” no Parlamento do que num partido “acutilante” a fazer oposição.

E a bom da verdade, perante estas duas opções venha o diabo e escolha.

António Costa, Ferro Rodrigues, Augusto Santos Silva ou Pedro Silva Pereira seriam melhores opções para a liderança do Partido Socialista. Mas…

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Não consegui perceber

Ler aqui.

Consigo perceber os argumentos da Dra. Ana Gomes no que toca à falta de responsabilidade governativa demonstrada por Paulo Portas “no célebre caso da compra dos submarinos” e a falta de idoneidade para governar.

Não consigo é perceber a sua analogia com o caso de Dominic Strauss-Kahn.

Uma coisa é a responsabilização política e jurídica por actos que causem prejuízo ao estado. É reprovável e merece ser alvo de investigação por parte das autoridades judiciais. Outra coisa é a responsabilização jurídica de um indíviduo com altas funções numa instituição mundial devido a um pressuposto cometimento de um crime na esfera da vida privada de qual Dominic Strauss-Kahn até prova e sentença em contrário ainda se encontra inocente.

A Dra. Ana Gomes, intelectual pela qual eu tenho a maior estima (o que não impede de lançar uma ou outra crítica como já efectuei neste blog) quando opina publicamente “dá uma no cravo e outra na ferradura”.

Não defendendo as políticas de Paulo Portas e do seu partido (a verdade sobre a operação de compra dos submarinos deveria ser investigada a fundo para que se desmascarem algumas verdades sobre a legalidade dos contratos assinados pelo Estado Português e os lucros que reverteram a um determinado banco privado resultante do empréstimo de capitais ao Estado Português) tenho a dizer à Dra. Ana Gomes que o líder do seu partido (um tal de José Sócrates) também não dispunha de idoneidade para governar. Basta relembrar que o “falso engenheiro” obteve uma licenciatura com uma assinatura dominical (dia de trabalho raro nas universidades portuguesas)e esteve ligado directamente e indirectamente a 3 casos de corrupção envolvendo entidades públicas: Face Oculta, Tagus Park e Freeport.

Politicamente, a Dra. deve-se lembrar que há poucos meses atrás, José Sócrates não comunicou a nenhum dos outros órgãos de soberania uma ida a Bruxelas para apresentar o PEC, num claro desrespeito pelos princípios democráticos instaurados neste país pela revolução de Abril.

Politicamente, a Dra. deverá lembrar-se que o governo da sua cor partidária baixou o IVA dos produtos relacionadosutilização dos campos de Golfe e por outro lado aumentou as taxas moderadoras de utilização do Serviço Nacional de Saúde e limitou a comparticipação estatal numa alta variedade de medicamentos.

Poderia estar aqui uma tarde inteira a digitar mais exemplos de falhas graves na governação socialista que deveriam ser alvo de responsabilidade política e quiçá de investigação pelas autoridades judiciais competentes. Com isto, não estou a defender o Dr. Paulo Portas – muito pelo contrário – tenho medo do que possa vir naquela cabeça para o futuro do país.

Compreendo perfeitamente as palavras da Sra. Dr. em relação ao “estranho caso dos submarinos” – agora, associar essa questão ao problema de Strauss-Kahn é uma piada de muito mau gosto.

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Breve resumo das eleições legislativas

Da noite eleitoral de ontem, é mais que certo e assimilado que o grande derrotado é José Sócrates.

Depois de uma campanha em que o líder do PS se limitou a ir espiando a casa alheia, a mandar as suas bocas à oposição e a truques de propaganda que foram desde as arruadas com os emigrantes aos comícios que arrastavam multidões apenas pelo cheiro do tinto e das bifanas, o resultado não poderia ser outro.

Política zero. Medidas a efectivar na prática: zero. Os Portugueses limitaram-se a assistir um Sócrates queixinhas: ora queixinhas sobre as propostas do PSD, ora queixinhas sobre a falta de tempo de antena concedido pelas televisões à campanha do PS, ora queixinhas pelo facto de se apresentar a novas eleições depois de dois anos de governação muito desgastantes e em situações adversas.

Se o actual panorama do país era adverso para José Sócrates, este deveria ter respondido com a “confiança e determinação” do costume. Limitadas as opções do Partido Socialista nesta campanha pelo acordo feito com a troika do FMI, BCE e Comissão Europeia, o líder do Partido Socialista não podia fazer muito e do pouco que poderia dizer aos Portugueses, limitou-se a fazer contra campanha contra o PSD de Passos Coelho.

Chegado o dia das eleições e a derrota (que já estava antevista pelo PS) Sócrates acaba por sair pela porta pequena da governação, deixando um partido sem grandes perspectivas de uma liderança forte para ocupar o lugar da oposição, ciente que terá que lidar com as críticas de um acordo de resgate internacional que o partido assinou enquanto governo e enfraquecido ao nível ideológico depois de uma governação ruinosa que foi pautada por uma divergência quanto ao rumo a seguir: ora neoliberal, ora defensora do Socialismo, ora defensora de um falso Estado-Social.

Pedro Passos Coelho capitalizou todos os erros de Sócrates. O PSD tanto desgastou na oposição o governo socialista, que acabou por chegar de rompante ao poder.

Numa campanha marcada por uma certa confusão ideológica do seu líder e por alguns “tiros nos pés” como foi por exemplo a questão polémica em torno de Fernando Nobre, o PSD (que também apostou numa estratégia de bate-boca directa com o PS) soube explanar melhor as suas ideias.

O programa pode não ser o melhor, mas numa coisa Passos Coelho teve o mérito: prometeu estabilidade para o país e mostrou-se mais empenhado em conquistar os votos dos portugueses. Só o futuro poderá dizer que se as ideias de Passos Coelhos contribuirão por um Portugal melhor.

O CDSPP de Paulo Portas entrou nestas eleições com a clara noção que seria o partido-joker para quem ganhasse as eleições de modo a constituir maioria absoluta.

Portas foi claro. Não revelou alianças a nenhum dos partidos nem desmentiu possibilidades de efectuar uma com o partido vencedor. Na expectactiva, o CDS foi trilhando a sua campanha pensando em atingir o objectivo dos 14% – as sondagens pela primeira vez davam uma percentagem acima do que era esperado pelo líder do CDS. Ao contrário das eleições anteriores onde as sondagens eram criticadas por Portas como escassas em relação ao resultado que este pretendia atingir, desta vez, as sondagens provaram o contrário. Mesmo assim, o esforço dos populares ficou bem traduzido em votos e mandatos. O CDSPP formará governo com o PSD e decerto tenderá a ocupar pastas bastante importantes no novo governo.

A CDU aumentou em 1 deputado. Depois de uma excelente campanha em que as políticas do partido (há muito traçadas e anunciadas) foram enunciadas com o rigor e coerência que se conhecem, a CDU voltou a reconquistar um deputado em Faro.

Em relação à CDU e ao Bloco de Esquerda, não creio que o facto de se terem colocado à margem das negociações com a “troika” tenham sido nefastas aos dois partidos: há muito que os dois partidos já tinham anunciado que não estavam predispostos a pactuar com um resgate que em nada beneficiará Portugal. E nesse aspecto, devido às ideologias e às soluções que defendem para o nosso país, manteram a coerência.

A luta continua na mesma bitola. A CDU continuará a pautar a sua intervenção política pelos mesmos valores, na busca dos mesmos objectivos. Continuará a defender uma política patriótica e de esquerda de forma a que este país seja um país mais justo, mais solidário e mais desenvolvido.

O Bloco sai efectivamente como o maior derrotado destas eleições. “Onde param os votos de 2009?” é a pergunta que os Bloquistas fazem neste momento. Na minha opinião, muito do seu eleitorado flutuou para o PSD, outra parte votou em branco e outros nem sequer fizeram questão de ir às urnas.

José Manuel Pureza não foi eleito por Coimbra, facto que me deixa triste, não sendo o Bloco o partido da minha ideologia. Quem perde é Coimbra. Perde um político competente que fez uma excelente legislatura enquanto líder parlamentar do Bloco. Perde um político acutilante na defesa dos interesses do distrito.

A abstenção voltou a ser altíssima. Não censuro quem votou em branco. É uma opção de cidadania que traduz o descrédito legítimo à actuação da classe política. Censuro quem não vai votar. Censuro quem não vai votar e queixa-se dos governantes e deputados que não elege. Censuro quem parece não ter a mínima noção do exercício de direitos e do cumprimento de deveres que é adstrito ao seu estatuto de cidadania.

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Game-Over?

José Sócrates deverá ainda hoje demitir-se do cargo de Secretário-Geral do Partido Socialista?

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Vitória para o PSD

Passos Coelho será o próximo primeiro-ministro.

37% a 42% poderão dar entre 104 a 114 deputados na Assembleia da República ao Partido Social Democrata.

Sócrates é derrotado em toda a linha pelas projecções – 26 a 30% vai contra as piores provisões dos Socialistas. 77 é o número máximo de deputados que as sondagens dão aos Socialistas.

O CDSPP aparece com 10 a 14%. Os Democratas-Cristãos poderão chegar aos 25 deputados. Uma coligação com o PSD será capaz para governar em maioria absoluta.

Na esquerda, a CDU poderá chegar aos 1516 deputados. O Bloco vai perder 67 mandatos em relação aos 16 eleitos de 2009.

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Mas o líder ainda está crente que vai ser eleito primeiro-ministro

Na Sede do PS, Vitalino Canas já assume a hipótese (mais que confirmada) da derrota do Partido Socialista. “Uma derrota honrosa” segundo as palavras do antigo ministro é uma derrota onde o Partido Socialista fique perto do vencedor.

Os Socialistas já parecem abandonar o barco antes de ele se afundar. A 1 hora de fechar o escrutínio, o grande líder ainda está crente que vai ser eleito primeiro-ministro.

Já na sede nacional do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã afirmou que o “Bloco vai ter os votos que merece” – nunca acreditei que o líder do Bloco acreditasse numa teoria de justiça divina. 

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Olha que dá barraca!

No problema dos contratos de associação com as escolas privadas, sou da mesma opinião que José Sócrates: não se devem dar mais fundos ao ensino privado do que aqueles que são dados pelo Estado ao ensino público. No entanto, sou da opinião que devem ser passíveis excepções a esta problemática, quando considerados casos específicos de alunos que não possam frequentar o ensino público na sua área de residência por falta de existência numa determinada área de estudos e como tal só encontrem no ensino privado essas valências. Nessa excepção, deve ser o estado a assegurar a escolaridade mínima obrigatória gratuita. 

Vou mais longe na discussão: existindo uma rede pública escolar na área de residência e tendo em conta o corte de financiamento do Estado aos privados, deve ser dada em consideração aos encarregados de educação a mudança de escola dos seus filhos ou a continuidade nos estabelecimentos de ensino privados por sua conta e risco. Existindo uma rede escolar pública que assegure a escolaridade aos alunos e uma continuada vontade dos encarregados de educação em persistir na rede privada, estes terão que compreender que o estado não está em condições de oferecer caprichos ou luxos adicionais aos cidadãos. Porque muitas vezes, para os encarregados de educação cujos filhos estudam nos privados, tal não passa de um capricholuxo pessoal e de uma vontade de afirmação social pela vanglória assente na premissa “ah, o meu filho estuda no colegio x ou y”

Dito isto, escusavam de andar à pancada à porta do restaurante em Torres Vedras! Parece que já é sintomático haverem sessões de pancada durante a campanha do Partido Socialista. Deixem o grande líder falar, porque ele já entrou num desespero tal que só falta gerar no domingo uma rede de transportes do partido que vá buscar reformados às suas casas e encaminhá-los às urnas para votar na sua continuidade.

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Sócrates promete

Sócrates promete! Sócrates promete algo novo todos os dias!

Ao prometer que  não existirão novas medidas de austeridade num futuro próximo, Sócrates ainda não se apercebeu (Passos Coelhos também ainda não deve estar completamente ciente) que o Estado Português está neste momento dependente da ajuda de terceiros e como tal, não está em condições de fazer executar o quer que seja. 

Sócrates mente ao povo português. Pior que a mentira, é o facto de continuar a ignorar aquilo que se têm passado na Grécia nas últimas semanas. É a mentira descarada, populista. É a mentira utilizada em fase de desespero para caçar votos ao PSD quando as novas sondagens apontam para uma vitória mais folgada dos Sociais-Democratas.

A meu ver, a única solução para resolver este impasse terá que passar forçosamente pela renegociação da dívida. Caso contrário, o resgate financeiro concedido ao Estado Português em conjunto com as medidas aplicadas no documento assinado pelo Governo Português com os enviados da “troika” não serão suficientes para impedir um novo resgate futuro e a aplicação de novas medidas de austeridade caso o nosso país se torne insolvente, à semelhança daquilo que se está a verificar com os Gregos. 

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Oh Menezes, Oh Menezes

Oh Sr. Dr! E eu que julgava que o Sr. Dr. era o menos mau desses Sociais-Democratas Portugueses.

Se a Lady Gaga e a Madonna viessem dar um beijinho ao Sócras, era o pandemónio. Juntava-se ali o Tony Carreira e umas toneladas de bifanas para alimentar toda aquela gente nacional e estrangeira que anda atrás do “grande homem” e e estava o caldinho entornado: era mais gente nos comícios do PS do que nas urnas dia 5.

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