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Tour de France – Review

Começo pela análise às etapas mais importantes:

etapa 2 mapa – Visé\Tournoi

Corrida ainda na Bélgica. 207.5 km muito difíceis, ao estilo Belga. Será uma etapa interessante pois irá misturar as típicas colinas das clássicas belgas e o incómodo pavé. Será uma etapa propícia aos corredores de clássicas presentes e onde os principais líderes terão que estar muito bem posicionados dentro do pelotão para não serem apanhados pelas quedas. Uma queda nesta etapa poderá significar perdas entre 3 e 6 minutos, algo que nenhum candidato pretende à 2ª etapa. A etapa termina a cerca de 30 km de Roubaix, localidade conhecida pelo término da clássica mais dura do mundo: o Paris-Roubaix (l´enfer du nord).

etapa 7 mapa – Tomblaine\La Planche de Belles Filles

A primeira etapa de média montanha. Contagem de 1ª montanha no final em La Planche de Belles Files, subida que tem inclinações médias de 6% e rampas de 8,5 e 13% pelo meio. Primeiro teste a sério para os candidatos.

etapa 8 mapa – Belfort\Porrentruy

157.5 km daquilo a que os ciclistas chamam “rasga pernas” – a dureza desta etapa reside no facto de ter 7 contagens de montanha – uma de 1ª categoria, 4 de 2ª categoria, 2 de 3ª e 1 de 4ª – etapa propícia a ataques e contra-ataques e à formação de grupos.

etapa 9 mapa – Arc-et-Senans / Besançon

Primeiro contra-relógio individual, na distância de 43.5 km. Oportunidade para todos aqueles que perderam tempo na montanha recuperarem diferenças para os principais trepadores.

etapa 10 mapa – Mâcon\Bellegarde-sur-Valserine

A primeira etapa com uma contagem de categoria especial, posicionada a meio da etapa.

etapa 11 mapa – Albertville\Le Toussuire-Les Sybelles

Os Alpes no seu esplendor. A etapa abre com duas categorias especiais, categorias que irão pré-seleccionar um grupo restrito de ciclistas. A etapa termina em alto com uma 1ª categoria em La Toussuire. Teremos aqui uma etapa espectacular.

etapa 12 mapa – Saint-Jean-de-Maurienne / Annonay Davézieux

A etapa mais longa deste tour. Duas contagens de 1ª categoria a meio da etapa e uma de 3ª a abrir a etapa. É pena que não termine em alto.

etapa 14 mapa – Limoux / Foix

Rampas de 11% nas contagens intermédias de montanha. Peca também pelo defeito de não terminar em alto.

etapa 15 mapa – Samatan / Pau

Antes do 2º dia de descanso, a primeira abordagem aos pirinéus, que nesta edição foram escolhidos para os últimos esforços. Etapa sem grande montanha mas com o handicap de ter estradas muito sinuosas e de difícil grau técnico.

etapa 16 mapa – Pau / Bagnères-de-Luchon

A etapa raínha da prova. As 4 piores contagens de montanha da prova: Aubisque, Tourmalet, Aspin e Peyresourde. 4 dos 10 mais difíceis topos da volta à França na ausência de topos como Mont Ventoux, Alpe D´Huez, Col Du Telegraphe ou La Madeleine.

etapa 17 mapa – Bagnères-de-Luchon / Peyragudes

Mais uma etapa duríssima. Chegada em alto com uma 1ª categoria, depois de duas contagens de montanha especiais, uma de 2ª e uma de 3ª. As grandes decisões poderão acontecer nesta etapa visto que se trata da última etapa de alta montanha.

etapa 19 mapa – Bonneval / Chartres

53.5 km num contra-relógio duro às portas de Paris. A última oportunidade para a vitória.

Equipas e corredores:

Cadel Evans e a sua BMC.

Evans parte para este Tour com o objectivo de renovar a vitória do ano passado. Sem a presença de Contador e Andy Schleck na prova, Evans é obviamente o candidato nº1 à vitória na prova.

Evans irá querer manter a sua habitual estratégia: na montanha irá optar por andar na frente junto aos candidatos, sem atacar, para depois estabelecer as diferenças para os trepadores nos dois contra-relógios individuais. Um pouco à semelhança daquilo que fez nos anos anteriores.

O Australiano apresenta-se em boa forma na competição num ano onde já venceu o Critério Internacional em Abril e onde foi 3º na geral do Dauphiné-Libère, prova que como se sabe é uma das provas de preparação para o Tour. No Dauphiné, Evans venceu uma etapa.

Para ajudar o ciclista australiano de 35 anos, a BMC apresenta uma autêntica equipa de trabalho: Marcus Burghardt, Stephen Cummings, Manuel Quinziato e o eterno George Hincapie, que aos 39 anos bate este ano o record de participação no Tour com a sua 17ª participação na prova. Hincapie foi um dos escudeiros das vitórias de Lance Armstrong no TLanour.

Fora da ajuda a Evans estará Phillippe Gilbert. Gilbert é actualmente (na minha opinião) o melhor corredor de clássicas e provas de um dia. Gilbert é um corredor fantástico, fazendo do seu forte o ataque e contra-ataque, a leitura de corrida, o sprint e a capacidade que tem de brilhar em colinas e até na média montanha. Não deverá ser requerido a Gilbert que ajude na alta-montanha. Gilbert deverá ser o sprinter da equipa nas etapas em linha e o homem para as fugas. Acredito que poderá inclusive dar um ar da sua graça na alta montanha caso o deixem fugir no início da etapa.

Gilbert entra no Tour depois de uma época que tem estado muito aquém do que o Belga tinha feito na Lotto em 2010 e 2011. O eterno campeão Belga ainda não venceu esta época e terá que melhorar de forma pois aproximam-se os jogos olímpicos, onde Gilbert será um dos líderes da selecção belga em conjunto com Van Avermaet.

A Radioshack-Nissan, equipa que resultou da fusão da equipa criada por Lance Armstrong para o seu regresso com a Leopard-Trek dos irmãos Schleck no final de 2011, apresenta-se no Tour com uma das formações mais fortes da prova.

Andy Schleck não participará no Tour por lesão mas já está confirmado para a Vuelta, assim como Alberto Contador e Joaquin Rodriguez Oliver. A Vuelta estará muito mais forte ao nível de nomes do que o Tour.

Para líderar equipa (em teoria) estará presente o irmão mais velho Franck Schleck. O mais velho dos luxemburgueses conseguiu um 2º lugar na Volta à Suiça, apenas superado pelo português Rui Costa. Na prática, as soluções da Radioshack para a alta-montanha vão muito além do Luxemburguês. Andreas Kloden, Maxime Monfort, Haimar Zubeldia e Yaroslav Popovych poderão ser homens capazes de substituir o trepador caso este falhe. Kloden está fora de forma e encontra-se em sub-rendimento há vários anos. Monfort é um ciclista a ter em conta visto que tem feito excelentes resultados nas últimas edições. O Belga quererá consolidar uma posição no top-10. Zubeldia e Popovych serão em princípio homens de trabalho.

A equipa conta também com dois gregários de luxo (Christophe Horner e Jens Voigt; Voigt voltou atrás na ideia de terminar a carreira e aos 40 anos poderá ser um trunfo bastante importante nas etapas de alta-montanha para promover acelerações muito duras para os adversários nas subidas).

O joker da equipa será o suiço Fabian Cancellara. Nos dois contra-relógios e nas etapas em linha, onde o suiço começa a ser um nome a ter em conta em fugas.

Thomas Voeckler, o eterno camisola amarela de primeira semana e um dos principais depositários da fé dos franceses na vitória na geral, facto quThe não acontece desde 1985 (Bernard Hinault).

A particular história de Thomas Voeckler no Tour começa em 2004 quando o Francês na 5ª etapa da edição desse ano assumiu a camisola amarela e só a largou nos Alpes à 14ª etapa. Nesse ano Voeckler esteve próximo de vencer o prémio da juventude, prémio reservado para ciclistas abaixo dos 25 anos de idade.

Em 2008, Voeckler voltaria a aparecer no Tour. Com uma vitória de etapa e com a liderança na classificação da montanha da 1ª à 5ª etapa. Em 2010, no ano em que venceu o título de estrada Francês, Voeckler voltaria a vencer no Tour, na 15ª etapa, nos Alpes. No ano passado, Voeckler, em virtude de um bom trabalho de preparação na alta montanha haveria de ficar numa honrosa 4ª posição, o que me faz crer que o seu objectivo deste ano passa pela luta pelo pódio.

Para o ajudar, a Europcar  traz à prova dois ou três bons gregários: Pierre Roland, Christophe Kern e Cyril Gautier, homens que andam bem na montanha e que poderão ser até candidatos a uma vitória de etapa. Voeckler terá que melhorar o seu desempenho no contra-relógio. O Francês fez uma boa preparação para o Tour, tendo estado muito bem nas clássicas da primavera.

Samuel Sanchez, a esperança dos bascos da Euskatel para a geral e para mim, um dos principais candidatos.

O campeão olímpico em título tem um palmarés que fala por si. Vitórias em etapas na Volta à Espanha, no Tour, em clássicas, nos jogos olímpicos e um 5º e 6º lugar no Tour, tendo no ano passado vencido a Montanha. Este ano venceu a geral na Volta ao País Basco e esteve muito bem nas clássicas da primavera. Este deverá ser o ano em que tentará a vitória no Tour, numa edição em que a prova privilegia um traçado que é muito a seu jeito.

Samuel Sanchez é o combinado perfeito de um ciclista que se quer para as provas por etapas: aguenta-se e ataca quando pode na alta-montanha, é excelente a descer e a rolar e é um bom contra-relogista.

Para o ajudar terá uma equipa completamente virada para a montanha, tímbre que é característico da própria Euskatel-Euskadi. A equipa basca orientada pela dupla Gorka Gerrikagoitia e Inaki Isasi apresenta excelentes homens de montanha como Mikel Asterloza, Egoi Martinez (alternativa a Sanchez para a geral) Ruben Perez Moreno, Amets Txurruka e Pablo Urtasun. Qualquer um destes também será capaz de se escapar numa etapa com vista a uma vitória individual.

Penso que a estratégia de Sanchez deverá ser identica à de Cadel Evans: aguentar ataques na alta-montanha e tentar estabelecer diferenças para os trepadores no contra-relógio.

Michelle Scarponi e a Lampre.

Contem com ele para as etapas de média-montanha, contem com ele para a geral como outsider. Scarponi deverá querer vingar o 4º lugar no Giro deste ano no Tour, mas desconfio das suas capacidades nas etapas de alta-montanha. No contra-relógio, Scarponi poderá perder muito tempo. No entanto, as suas características de ataque surpresa poderão render-lhe vitórias na montanha e poderão semear o pânico entre os candidatos.

A Lampre não traz Damiano Cunego. Cunego tem sido uma das maiores desilusões do ciclismo italiano. No 3º ano como profissional, Cunego venceu o Giro. Depois de 2004, Cunego não só não conseguiu vencer mais nenhuma vez a prova italiana como tem desiludido em França. Em 2012, conseguiu o 6º lugar no Giro, lugar que precisamente conquistou em França na época passada. A Lampre deverá estar a guardá-lo para a Vuelta.

A Lampre apresenta-se com uma equipa mais virada para o plano. Scarponi estará sozinho na montanha. Homens como Danilo Hondo, Grega Bole, Matthew Lloyd e Davide Vigano são excelentes gregários para provas em linha, onde a Lampre tem um duque de copas chamado Alessandro Pettachi, homem que também tem estado em sub-rendimento desde a temporada de 2010. Pettachi apenas venceu por 3 vezes este ano, precisamente em 3 etapas corridas na Alemanha na prova Bayern-Rundfart.

A participação no Tour põe em causa um objectivo que ainda é perseguido por Pettachi: liderar a selecção italiana nos Jogos Olímpicos de Londres. O currículo de Petacchi mostra um palmarés impressionante, do qual destaco 22 vitórias em etapa no Giro, 20 na Vuelta, 6 no Tour, diversas camisolas dos pontos, 2 vitórias em etapa no Paris-Nice e em várias clássicas de um dia como a Milão-São Remo.

No entanto, o seleccionador italiano Paolo Bettini, ávido de experiência nesse tipo de provas, já afirmou que não vai levar a Londres uma selecção cheia de vedetas. E vedetas a Itália tem muitas. Desde Alessandro Ballan, a Pozzatto, Pozzovivo, Cunego, Enrico Gasparotto a Pettachi. Bettini afirmou que irá levar uma ou duas vedetas, compondo o resto da equipa com bons gregários e ciclistas que abdiquem do sucesso pessoal em prol do sucesso nacional na prova. Nessa medida, o Tour serve para Petacchi se afirmar como uma boa alternativa para o seu seleccionador. E Petacchi não poderá voltar a falhar…

Ivan Basso e Vincenzo Nibali: a dupla da Liquigás para este Tour.

Basso esteve presente no Giro, onde foi 5º classificado. Basso falhou o assalto ao seu 3º Giro com uma péssima etapa na duríssima etapa de Bormio. No Tour, Basso tem a defender bons resultados: o 2º lugar de 2005 e o 3º de 2004.

Basso é um grande trepador. Não tenho dúvidas que é o melhor da actualidade. Apesar de ter vencido por duas vezes o Giro, o seu problema no Tour reside em duas características (uma de leitura de corrida e motivação\outra técnica): Basso anda lá na frente nas altas montanhas mas é incapaz de atacar quando necessita de o fazer para retirar tempo à concorrência; Basso é péssimo no contra-relógio e nunca conseguiu amenizar perdas neste departamento da modalidade, facto que aliado à dificuldade de Basso cavar tempo na montanha para ciclistas melhores no contra-relógio faz com que não tenha grandes hipóteses de vencer o Tour. Creio que neste ano 2012, não teremos um Basso mais interventivo na Montanha.

Já Nibali, consegue ter o talento do velho Basso na montanha, ataca, cava tempo mas ainda é pior que o mestre no contra-relógio. No entanto, um bom dia de Nibali na alta-montanha poderá significar 2 minutos para a concorrência, tempo que lhe poderá ser precioso nas abordagens frente ao cronómetro por exemplo contra Evans e Sanchez.

Vincenzo Nibali já venceu a Vuelta em 2010 e no Tour já conseguiu atingir 0 7º lugar no Tour. Deverá (em conjunto com Basso) ambicionar a vitória ou um lugar no top-3. Está em forma e já venceu no Tirreno-Adriático este ano, tendo também feito um incaracterístico 2º lugar na clássica Liège-Bastogne-Liège.

A Liquigás também apresenta no Tour Peter Sagan, candidato ao sprint da equipa e homem capaz de se escapar muito bem. Aos 22 anos, o prodígio eslovaco também estará no Tour para preparar a prova de estrada dos jogos olímpicos. Tem sido uma época em cheio para Sagan. Em 2012 já venceu uma etapa e a camisola por pontos no Tour de Oman, uma etapa no Tirreno-Adriático, 5 etapas e a camisola dos pontos na Volta à Califórnia, 4 etapas e a camisola dos pontos na Volta à Suiça e a prova de estrada do Nacional Eslovaco, isto para além de prestações de altíssimo nível em provas de topo como a Milão-São Remo, a Gent-Welvegem, a Amstel Race e a Volta à Flandres. Sagan será portanto mais um homem a querer abater Mark Cavendish. Palpito que poderá vencer ao sprint uma ou duas etapas.

Outra das equipas interessantes em prova é a Garmin.

Ryder Hesjedal é o seu chefe-de-fila. O Canadiano entra motivado no Tour em virtude da recente vitória no Giro. Hesjedal é aos 31 anos um forte outsider na prova e deverá tentar repetir a receita que aplicou no Tour: andar na frente na montanha e tentar dar o máximo no contra-relógio, factor que foi claramente decisivo na última etapa do Giro. Porém, volto a repetir que Hesjedal é apenas um outsider no Tour.

O Canadiano terá homens interessantes para o ajudar na alta-montanha. Daniel Martin, David Zabriskie, Christian Vande Velde (2ª aposta da equipa para a montanha ou para uma vitória em etapa na alta montanha) e David Millar. Millar e Zabriskie serão armas para os contra-relógios. O Norte-Americano já venceu por 7 vezes a prova Norte-Americana de contra-relógio. O Britânico é mais que conhecido na especialidade.

Quem também irá beneficiar do trabalho desses homens e do outro mais importante em terreno plano (o sul-africano Robert Hunter) é Tyler Farrar. O explosivo sprinter americano também estará de olhos postos nos JO e em Mark Cavendish. Farrar tem feito um ano atípico: apenas uma vitória no Giro e outra no Qatar. No entanto vale-lhe a capacidade de finalização e a garra que incute nos seus sprints, disputando-os até à linha de meta. Robert Hunter, outro ex-sprinter, será o seu lançador neste Tour.

A seguir à Garmin aparece-nos a AG2R.

Longe do protagonismo que teve noutras épocas, esta equipa francesa irá procurar lutar por uma vitória de etapa, pela camisola da montanha e pela colocação de um dos seus líderes no top 15 da prova.

Jean-Christophe Perraud, Christophe Riblon e o irlandês Nicolás Roche (filho de Stephen Roche, vencedor do Tour nos anos 80) costumam andar bem na montanha e quererão vencer uma etapa ou o prémio da montanha. Roche é candidato ao top-20 assim como Riblon. Sebastién Hinault (filho de Bernard Hinault) será uma ameaça nas fugas em etapas planas.

Da AG2R passamos à Cofidis.

Rein Taaramae é o sprinter de sprinter. O ciclista da Estónia ainda não venceu este ano mas estará sempre no lote dos possíveis vencedores de etapa. O estoniano é um razoável trepador e à pala disso ainda se arrisca a vencer a geral da Juventude.

Samuel Dumoulin e o veterano David Moncoutie serão outros candidatos a uma vitória de etapa. Não se espere muito mais desta equipa, que é, sem dúvida a mais fraca em prova em conjunto com a Saur.

A Saur tem dois ciclistas interessantes: Brice Feillu e Jerome Coppel. Mas pouco ou nada veremos da equipa durante a prova.

Das equipas mais fracas em prova, passo a uma das mais fortes: a Sky.

Desde logo pelas ambições à geral do seu líder Bradley Wiggins.

Este é o ano do Inglês, dizem os especialistas e as casas de apostas. As apostas em Wiggins quadruplicaram na última semana e os motivos são óbvios: o ciclista Inglês apresenta-se em boa forma no Tour e com uma grande máquina por detrás.

Wiggins é aquele homem que pode vingar na montanha e no contra-relógio caso perca os receios que tem de um dia mau ou de não responder devidamente aos adversários. Por detrás tem homens fantásticos como Edvald Boasson Hagen (candidato à vitória numa etapa) Bernard Eisel (um escudeiro de luxo) Richie Porte (um homem que pode surpreender numa fuga) Michael Rogers (candidato à vitória nos contra-relógios mais longos que a prova oferece) e Christopher Froome, jovem ciclista britânico que surpreendeu todo o mundo na Vuelta do ano passado. Froome é um all-rounder que pode servir tanto às pretensões de Wiggins como de Mark Cavendish ao nível de lançamento de sprint, sem esquecer que é um nome válido para substituir o próprio Wiggins caso este falhe.

Para finalizar este capítulo relativo à Sky não posso deixar de escrever sobre o melhor sprinter da actualidade e actual campeão do mundo de estrada Mark Cavendish.

Cavendish está no Tour com a ambição de vencer o máximo número de etapas e preparar-se para a prova de estrada dos Jogos Olímpicos, testando a capacidade actual dos seus mais directos adversários.

No início da época, após o término da HTC-Columbia, era mais que certo que o destino do velocista britânico fosse a Team Sky. No entanto, a Sky não fez questão de ceder às suas exigências essenciais que eram a de contratar os seus lançadores: os dois australianos Matthew Goss e Mark Renshaw, ciclistas que rumaram respectivamente à Saxo Bank e à Rabobank e tem tido resultados muito interessantes enquanto sprinters dessas mesmas equipas.

Nesta primeira metade de época, Cavendish tem sido algo discreto ao nível de resultados: 5 vitórias de destaque, sendo 1 uma na Volta ao Qatar e outra no Giro.

A Omega-Pharma-Quickstep surge neste 2012 como mais uma fusões de equipas do ProTour que resultararam do final da época de 2011.

Duas das maiores equipas ao nível de potencial para clássicas e corridas de um dia decidiram fundir-se por motivos financeiros.

A Omega-Pharma perdeu Phillipe Gilbert para a BMC mas foi pescar os irmãos Velits e Tony Martin à extinta HTC. Da Quickstep vieram nomes como Jerôme Pineau ou Levi Leipheimer.

Leipheimer aparece no Tour como o veterano chefe-de-fila, mas está longe do Levi Leipheimer de outros tour e do Leipheimer que era um dos principais gregários de Lance Armstrong nas primeiras vitórias do americano em França. No entanto, esta equipa Belga aparece com uma formação na prova francesa que não deixa nada a dever às melhores formações da prova. Com corredores como Sylvain Chavanel, Jerôme Pineau, os irmãos Velits, Kevin De Weert, Bert Grabsch ou Tony Martin, pode-se dizer que poderá fazer bons resultados e ganhar 1 ou 2 etapas visto que tem homens para a alta-montanha, homens para fugas e dois homens fantásticos para os contra-relógios longos, caso de Tony Martin, que para mim é o melhor contra-relogista da actualidade.

No entanto, Leipheimer e Chavanel são muito escassos para a geral da prova. Não terão grandes hipóteses de se colocarem no top-1o a não ser que hajam surpresas.

Da equipa Belga passo para um projecto novo: a Australiana Orica Greenedge, projecto que tem sido bastante apludido pelo pelotão internacional, visto que apostou essencialmente em ciclistas australianos e em talentosos de ciclistas de nações menos desenvolvidas no mundo das duas rodas.

Entre os australianos, esta equipa apostou em bons ciclistas australianos que andavam espalhados pelas equipas europeias: Simon Clarke, Baden Cooke, Allan Davis (um sprinter que foi muito promissor nos seus primeiros anos como profissional mas que nunca correspondeu às expectativa que por si pendiam) Simon Gerrans (um excelente corredor ao nível de fugas que também tem a vantagem de ser um excelente finalizador) Matthew Goss (o líder da equipa e antigo gregário de luxo de Mark Cavendish; um homem que finaliza muito bem) e Brett Lancaster (um homem muito forte no contra-relógio). Entre os estrangeiros que pontuam na equipa conta-se o experiente all-rounder suiço Michael Albasini, o neo-zelandês Julian Dean, o sprinter sul-africano Daryl Impey, entre outros ciclistas menos conhecidos vindos de lugares tão distintos e tão pouco desenvolvidos na modalidade como o Japão ou a Eritreia.

Como grandes resultados desta equipa no ano 2012 contam-se as vitórias de Matthew Goss na prova de austrália dos campeonatos australianos, vitórias em etapa no Tirreno-Adriático, no Milão – São Remo, na Volta à Catalunha, na Volta ao País Basco, na Volta à Suiça e no Giro por intermédio de Goss, ainda por cima contra o mestre Cavendish. Nada mau para uma equipa que está a dar este ano os primeiros passos.

No Tour, a Orica traz homens capazes de lutar por vitórias em etapa como Gerrans, Goss, Albasini, Lancaster, Baden Cooke ou o veterano Stuart O´Grady, que já andou por várias vezes de amarelo na prova francesa na década passada.

De um projecto novo vindo da Australia para um projecto consolidado do ciclismo Russo: a Katusha.

Apesar do investimento em ciclistas que tem sido feito pela equipa russa nas últimas épocas, a Katusha deixa a desejar ao nível de resultados, principalmente no Tour. Sem qualquer vitória no Giro e na Vuelta em 3 anos de existência, apesar do grande esforço do seu principal ciclista (o virtuoso Joaquin Rodriguez) a Katusha apareceu no Tour munida de um ciclista que já venceu a prova espanhola por duas vezes e o Giro por uma: o russo Denis Menchov. Menchov tem andado muito discreto neste ano de 2012 e no Tour, dele, só se conta uma vitória na classificação da Juventude em 2002. Será portanto um das últimas oportunidades que o russo terá de discutir o Tour.

No entanto a formação russa apresenta-se em França com uma equipa muito limitada ao nível de alta montanha: apenas dois gregários (Joan Horrach e Vladimir Gusev) e um sprinter fora do prazo de validade (Oscar Freire). Menchov será praticamente abandonado à sua sorte na alta-montanha e não prevejo que o russo consiga entrar no top-5 da prova.

No mesmo tímbre está a holandesa Vacansoleil. Poderá no máximo discutir algumas etapas com homens como Gustaf Larsson ou o azarado Johnny Hoogerland.

Com ambições muito diferentes das últimas 4 equipas neste post enunciadas, aparece-nos a Astana, equipa com sede na homónima capital do Casaquistão mas com base de treino em Espanha.

A Astana apresenta-se na prova francesa com o objectivo de lutar pela geral, de lutar por vitórias nas grandes etapas de montanha e com a ambição de ser a vencedora na geral de equipas.

A liderar a equipa aparece-nos a figura do Esloveno Janez Brajkovic, trepador que foi dado como o grande prodígio do ciclismo para esta época. Apesar de ter vencido a gerar do Critério Dauphiné-Libère em 2012 e de ter outras vitórias de destaque em provas de categoria média, o esloveno de 28 anos tem ficado muito aquém do que a imprensa falava dele nas grandes voltas, tendo conseguido como melhor resultado de carreira um top-10 na Vuelta. No Tour, azares (quedas, principalmente) tem impedido uma afirmação na prova.

No ano de 2012, Brajkovic tem apenas uma vitória e não parece estar em grande forma, visto o 7º lugar na prova de preparação para o Tour (o Dauphiné). Ou pelo menos não aparenta ser capaz de lutar por um pódio no Tour. No entanto, o esloveno terá a seu lado bons trepadores como os casaques Andrey Kascheskin, Dimitry Fofonov, Maxim Iglinsky e o quase eterno Vinokourov, para além do Sueco Kessiakoff e do croata Kiserlovski.

A Astana é mesmo isto: uma boa junção de ciclistas do leste europeu.

E o joker da equipa é o eterno Vino.

Outrora gregário de luxo de um mítico Jan Ullrich, Vino conta com mais de 12 anos de experiência do Tour e 4 vitórias em etapa, algumas delas absolutamente espectaculares.

Vino já não é um corredor que possa lutar pela geral, mas é homem de ataque nas montanhas e ainda é capaz de surpreender nas grandes etapas.

Com grandes aspirações à vitória na prova também se apresenta a Holandesa Rabobank.

A comandar o sonho de domínio da formação Holandesa (a 2ª mais antiga do pelotão internacional atrás da basca Euskatel) está um trio de luxo: Robert Gesink, Luis León-Sanchez e Bauke Mollema.

Gesink é claramente o chefe-de-fila. O trepador de 26 anos atingiu a maioridade ciclistica. Depois de um 5º lugar no Tour de 2010 e de um 33º no tour de 2010, onde mostrou o bom e o mau do seu ciclismo, juntando ao 6º e 7º lugar nas Vueltas de 2010 e 2011, estamos perante um corredor que aparece no tour de 2012 com ambições redobradas rumo à vitória final ou ao pódio do certame. Gesink é um trepador puro e promete espectáculo nas montanhas. No entanto, como qualquer trepador, o seu handicap continua a ser o contra-relógio, onde, neste Tour, deverá perder no mínimo 3 minutos em cada contra-relógio para homens como Wiggins ou Cadel Evans. Terá portanto que atacar na montanha para poder armazenar tempo suficiente que lhe permita em Besançon estar em condições de lutar pela amarela em Paris.

Gesink aparece no Tour com dois bons resultados: venceu a geral da Volta à Califórnia e foi 4º no passado Tour da Suiça.

Luis León-Sanchez é um incontornável nome do ciclismo actual. O espanhol aparece no Tour disposto a ajudar o seu chefe-de-fila e a fazer as suas inevitáveis proezas em fuga isolada. Apesar de Sanchez ser um ciclista que não se dá mal com a montanha, não é um corredor para provas por etapas de 3 semanas. Todavia, creio que iremos ouvir falar do seu nome nas tiradas mais difíceis da prova.

Sanchez (irmão do jogador do Real Madrid Pedro León) por sua vez aparece no Tour com uma etapa muito modesta, um pouco à semelhança do que foi 2011 em relação ao seu palmarés em 2010. Neste ano, Sanchez venceu o campeonato espanhol de contra-relógio e venceu duas etapas em provas intermédias: Paris-Nice e Volta a Castilla e León.

Bauke Mollema é o 3º da lista apresentada pelos Holandeses. O all-rounder de 25 anos é a 2ª alternativa da equipa para a geral individual. Depois de ter conseguido um portentoso 4º lugar na Vuelta de 2011 e de ter vencido a camisola dos pontos na referida competição, aparece no Tour predisposto a andar na frente com os melhores. Mollema tem a seu favor o facto de ser um interessante contra-relogista e a vantagem de ser um homem que gosta de atacar de surpresa na montanha.

A Holandesa Rabobank ainda apresenta duas boas soluções para vitórias em etapas: Mark Renshaw e Ten Dam.

O Australiano saiu da HTC onde era gregário de Mark Cavendish. Neste ano já venceu uma etapa na Volta à Turquia e outra no Giro. Decerto que irá querer intrometer-se na luta dos sprinters. Ten Dam é um corredor de fugas. Se o deixarem fugir e lhe derem tempo, será um ciclista favorito à vitória numa etapa de média montanha.

Da Holandesa Rabobank passo para a Gaulesa Française des Jeux.

Pouca capacidade desta equipa.

Sandy Casar, Pierrick Fèdrigo, Yauheni Hutarovich, Anthony Roux e Jeremy Roy poderão no máximo vencer uma etapa ou então lutar pelo prémio dos franceses: a camisola de melhor trepador.

O regresso do eterno candidato ao Tour.

Alejandro Valverde volta à prova francesa, regressa aos 32 anos à prova francesa, 4 anos depois da última participação que se cifrou no 9º lugar na geral.

Depois de ter parado uma época por controlo positivo de EPO dizem os especialistas que o espanhol aparece no Tour com ganas de vitória. A justificar a motivação também se dão como motivos as ausências de ciclistas com os quais Valverde jamais poderá ombrear em alta montanha: Schleck e Contador.

O Espanhol voltou à Movistar (antiga Caisse D´Epagne) em Dezembro e nesta época já fez alguns resultados interessantes: venceu a Volta à Andaluzia e foi 3º no Paris-Nice.

Valverde é sem dúvida o mais espectacular all-rounder desta geração. É forte no sprint, em etapas de um dia, no plano e na média montanha. Tem algumas lacunas na alta-montanha mas não é mau contra-relogista. No entanto, também tem como handicap o facto de tremer sobre pressão e de por defeito, ter um dia mau na alta-montanha, dia esse que quase sempre põe em causa a sua vitória numa grande prova de 3 semanas.

O melhor resultado de Valverde num Tour foi em 2008 onde conseguiu o 6º lugar. Já venceu a Vuelta por uma vez em 2009.

Para o ajudar está a super formação escalada por Yvon Ledanois e José Luis Arrieta, este último um ciclista que teve muita experiência de Tour enquanto ciclista da extinta Banesto (antiga detentora dos direitos da Caisse D´Epagne e da Movistar)7

Uma equipa construída com pés e cabeça. Desde do nº2 à geral: Juanjo Cobo, campeão em título da Vuelta – acredito que Cobo virá ao Tour preparar a Vuelta e ajudar Valverde, se bem que se o seu líder falhar na alta-montanha poderá ter que assumir as despesas da equipa para a geral.

O nº3 da equipa é claramente Rui Costa. O Português (como se pode constatar na Volta à Suiça) melhorou e muito na alta-montanha. Estará na prova para ajudar Valverde e pode tirar dividendos dessa ajuda, ora numa vitória em etapa, ora numa posição muito abonatória (para o nosso ciclismo, obviamente) no top-20 da prova. Costa estará interessadíssimo em escolher uma etapa de montanha para brilhar novamente no Tour. Relembro os mais desatentos que o ciclista português venceu uma etapa na edição passada e venceu recentemente a Volta à Suiça, dando uma autêntica lição de montanha a Franck Schleck numa das etapas.

Para ajudar Valverde e Cobo, a Movistar apresenta gregários de luxo em terrenos montanhosos: Vladimir Karpets (um ciclista que não aguentou a pressão de ser líder uma equipa) Ruben Plaza, Basil Kyryienka e Imanol Erviti. Teremos a Movistar a endurecer ritmos na montanha.

José Joaquin Rojas é o sprinter de serviço da equipa. O espanhol poderá sair da prova com uma vitória ao sprint, não na primeira semana mas sim na última, caso os Sprinters principais em prova abandonem a prova nos primeiros terrenos montanhosos. É um fortíssimo candidato à camisola dos pontos pela sua regularidade enquanto ciclista.

Com ambições muito diferentes está a Holandesa Team Argus-Shimano.

Sem grandes nomes no mundo actual do ciclismo, esta equipa tentará fugas para mostrar a marca que a patrocina.

A dinamarquesa Saxo Bank apresenta-se desfalcada neste tour.Kar

Com o castigo de Alberto Contador, a equipa comandada por Dan Frost, apresenta uma equipa que tentará vencer o máximo de etapas na prova e tentará lutar pelo melhor lugar na geral possível ou por uma camisola menor em Paris.

Não subestimando valores individuais, corredores como Juan José Haedo (sprinter) Nick Nuyens, Sérgio Paulinho, Karsten Kroon, Anders Lund e Nicky Sorensen só me parecem ser capazes de lutar por uma vitória em etapa ou por uma vitória numa classificação como a da montanha. Kroon é definitivamente o homem que tentará um lugar no top-10 da prova.

No que toca ao ciclista português, este declarou à saída de Liège que lutará por uma vitória em etapa, feito que recordo ter sido conseguido pelo ciclista luso na edição de 2010 depois de uma fuga cheia de sucesso numa etapa.

Para finalizar, urge-me escrever sobre a Lotto.

A equipa Belga apresenta um conjunto muito interessante de corredores na prova. Liderados pelo trepador Belga Jurgen Van Der Broeck, esta equipa saiu da composição Omega-Pharma-Lotto do ano passado, equipa que vivia claramente dos sucessos de Phillippe Gilbert. É uma equipa que pode dar cartas na alta montanha ora com o trepador belga, ora com Jelle Vanendert ou Francis De Greef, como pode discutir sprints com André Greipel, um dos discipulos de Mark Cavendish.

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Samuel Sanchez vence no alto de LuzArdiden

Com os bascos a inundarem os quilómetros finais da subida para LuzArdiden, Samuel Sanchez deu uma alegria aos seus adeptos, vencendo no alto da primeira etapa dos Pirinéus.

No dia nacional de França, Thomas Voeckler deu uma alegria aos franceses, fazendo uma excelente etapa e segurando a amarela por mais um dia.

Uma etapa muito dura, com uma contagem de 1ª categoria e duas de categoria especial: o inferno do Tourmalet, seguido de LuzArdiden. A selecção natural entre quem está e quem não está para discutir esta volta e muitos pontos para o prémio de melhor trepador.

Uma fuga de 6 ciclistas começou por animar a etapa. Entre os 6 ciclistas, o Britânico Geraint Thomas da Sky, um homem que à partida estava na luta pela camisola da juventude. A fuga, condenada ao insucesso na transição do Tourmalet para LuzArdiden, chegou a ter a meio da tirada uma vantagem de 7 minutos.

Na primeira contagem do dia, a de 1ª categoria, seria a Europcar do camisola amarela Thomas Voeckler a assumir as despesas da perseguição, num ritmo ainda lento e com uma espécie de “contrato entre os principais candidatos de não atacarem não só na 1ª contagem como no Tourmalet”, contrato esse que seria cumprido.

Com os sprinters, a descolarem muito cedo do pelotão, o líder da montanha à partida para este dia (Johnny Hoogerland) atacaria na contagem de 1º categoria, tendo em vista reforçar a liderança que acabaria por perder no fim da etapa para Samuel Sanchez. Hoogerland tinha vontade, mas cedo se percebeu que não é homem para andar por estes terrenos. Mesmo perante as limitações físicas claras, o líder da montanha levou consigo outro homem com desejo de atacar esta camisola: Sylvain Chavanel. O campeão Francês também haveria de ser facilmente alcançado e demonstrou que também não tem pernas para atacar esta camisola.

Com o grupo de 6 na frente (Gutierrez da Movistar, saía, reentrava) e os dois ciclistas no posto intermédio, rapidamente tiveram a companhia de Roman Kreuziger. O checo, irreconhecível nas primeiras 11 etapas (estava a cerca de meia hora de Voeckler) e com a ausência do seu líder Vinokourov, tentou saltar com o intuito não só de também ele lutar pela montanha como quiçá tentar a luta pela etapa. O checo também haveria de quebrar, mostrando-se muito frágil em relação a outras prestações em edições anteriores do Tour, onde foi top-10.

Cedo Hoogerland haveria de ceder ao ritmo de Kreuziger e Chavanel, que tentavam alcançar os homens da frente para pontuarem na 1ª categoria, feito que não iria conseguir pois no topo, seria Mangel a alcançar os 10 pontos da 1ª categoria.

Entretanto, no pelotão, o azar bateria à porta de Luis-León Sanchez a 70 km da meta com uma avaria que ao princípio até indiciava que o corredor da Rabobank estaria a passar mal. Sanchez viria a passar mal numa fase posterior, num dia muito negro para a Rabobank que também veria Gesink a descolar do grupo do camisola amarela muito cedo e não só a hipotecar a hipótese de ficar no top 10 como a perder definitivamente a camisola branca da juventude.

Por falar em azares, no início da descida para o Tourmalet, em menos de 1 km Geraint Thomas haveria de cair por duas vezes: a primeira quando se tentou desviar de um ponto molhado do terreno e a 2ª numa curva com pouca visibilidade. No entanto, em ambos os percalços, o Galês da Sky haveria de passar sem um arranhão e continuar na fuga.

Mais tarde, seria uma queda colectiva no sítio exacto onde Thomas tinha caído. Andreas Kloden acabaria por ficar com algumas marcas numa queda onde o amarela Voeckler também haveria de cair. O respeito imposto no pelotão pela Leopard-Trek para que ninguém atacasse até que Voeckler e Kloden reentrassem levou os dois a reentrarem  no pelotão, mas Kloden também haveria de ceder uns quilómetros mais tarde, já dentro da subida para o Tourmalet. O azar também bateria à porta de Peter Velits da HTC no Tourmalet, que depois de um furo na subida nunca mais viria reentrar no grupo principal. Hoje foi um dia negro para os homens da equipa de Cavendish, visto que tanto Velits como Tony Martin acabaram por perder muito tempo, Tony Martin ainda precisa de muito para poder andar a alto nível na montanha.

No ínicio da subida para o Tourmalet, a situação de corrida mantinha-se com Mangel, Roy, Thomas e 2 companheiros de fuga na frente, Kreuziger e Chavanel em posição intermédia e o pelotão lá atrás ainda liderado pela Europcar de Voeckler.O Tourmalet seria obviamente, pela sua dureza, a selecção natural de quem ficaria e de quem abandonaria a luta pela vitória ou por um lugar de destaque nesta volta.

Logo no ínicio da subida, ficaria Gesink. Carlos Barredo ainda ficou para trás para tentar ajudar o seu chefe-de-fila, mas cedo o Holandês pediu ao espanhol que avançasse para o grupo principal de modo a ajudar Luis-León Sanchez. Em vão, pois numa única etapa, a Rabobank perderia Gesink e Sanchez pela geral, Gesink e Sanchez pela vitória na etapa e Gesink pela luta na liderança da juventude.

Com a aceleração do pelotão no Tourmalet para fazer a selecção natural de candidatos a LuzArdiden, ficaria não só Sanchez para trás como homens como Vandevelde da Garmin, Tony Martin e Linus Gerdemann. Em posição intermédia, continuava Kreuziger e Chavanel, sendo que o Checo facilmente se iria despojar do campeão Francês em prol de uma tentativa de alcançar o grupo da frente e marcar pontos no Tourmalet para o prémio da montanha, o que não viria a acontecer pois seria Roy da Française des Jeux a marcar pontos e a vencer um prémio de 5 mil euros agregado à passagem na primeira posição nesta dura subida.

Sylvain Chavanel, haveria de rapidamente ser alcançado pelo grupo do camisola amarela e passado para trás deste. O campeão Francês não está em forma, definitivamente. Kloden também era a meio da subida para o Tourmalet um homem em apuros, ficando cada vez mais para trás. Ao princípio desconfiava-se de uma avaria mecânica visto que na descida para LuzArdiden Kloden (em conjunto com Karpets) viriam a entrar no grupo principal, mas a subida para a meta haveria de confirmar que Kloden está completamente fora da discussão pela Volta a França. Restavam portanto Leipheimer e Zubeldia da Radioshack neste grupo principal. O basco e o Norte-Americano ainda andaram por ali na subida final, mas com os esticões do fim de tirada haveriam também de perder mais tempo.

Ainda no Tourmalet começaria o carrossel Voigt. O veterano Alemão de 40 anos pode ser letal no trabalho para os irmãos Schleck visto que acelera bastante o pelotão neste tipo de etapas. Perdurou na frente durante largos quilómetros, até ser rendido por colegas de equipa, homens da Saxo Bank de Contador e homens da Europcar que ainda tinham pernas para segurar o seu líder.

Já no final do Tourmalet, Andy Schleck tem uma avaria mas desta feita ninguém ataca no pelotão. Mal Schleck reentra, existe o ataque de Ten Dam da Rabobank para salvar “a honra do convento da equipa Holandesa” num dia muito duro para os seus líderes.

Na descida para LuzArdiden, a situação de corrida era a seguinte: na frente Roy e Thomas. Intermédio Kreuziger, a seguir Ten Dam, depois o grupo Voeckler e Kloden mais atrás. Kloden viria a recolar na descida. A distância do grupo Voeckler para os homens da frente era de 30 segundos e a meio da descida, um momento que iria marcar a subida final e a própria etapa: Phillipe Gilbert (que incrivelmente ainda se mantinha por ali) arrisca na descida e ganha alguns segundos, levando consigo homens como Riblon e Samuel Sanchez. Ao princípio ganham cerca de 25 segundos, tempo que seria letal para Sanchez ampliar a sua vantagem na subida e assim ganhar a etapa.

Mesmo perante os 13,3 km de LuzArdiden a uma inclinação média de 8% e depois de um Tourmalet muito difícil, Gilbert estava a pagar a promessa das afirmações em que “queria estar na frente da corrida da montanha como teste às suas capacidades” – lá está claro também a ideia do Belga em estar na frente para ver se conseguia mais uns pontitos para a verde visto que os Sprinters há muito estavam para trás.

Com a subida final, Kreuziger seria rapidamente alcançado assim como Roy e Thomas. A aceleração lá atrás não perdoava aos escapados. No grupo Voeckler, estavam todos os candidatos excepto Kloden que logo no início da subida haveria de descolar definitivamente.

A 11 km da meta, os ciclistas começam a olhar uns para os outros. Podem surgir ataques a qualquer momento, o que não acontece até aos 3km finais. Samuel Sanchez aproveitava lá na frente na companhia de um homem da lotto amealhar o máximo de tempo possível não só para vencer a etapa como para reentrar na luta pela Volta à França.

A Liquigás passava para a frente do pelotão com Sylvestre Szmid. Esta passagem subita para a frente era indicador que Basso queria o ritmo certo e estava bem para atacar, acto que muito raramente faz na montanha apesar da sua qualidade inegável como um dos melhores trepadores da actualidade. Com a subida da Liquigás para o comando do grupo Voeckler, os dois homens da Radioshack presentes no grupo (Leipheimer e Zubeldia) começaram a perder terreno. A radioshack fora da competição.

Samuel Sanchez e o homem da lotto (Vandendert) continuavam na frente da corrida, com mais de 1 minuto de vantagem, o que era tempo suficiente para vencer no alto. Ou pelo menos pensava-se assim até ao ataque ded Frank Schleck. Gilbert e Ten Dam acabariam por ser apanhados pelo grupo do camisola amarela e ultrapassados pelo mesmo, se bem que o Belga acabaria por cruzar a meta muito perto do grupo principal. Foi uma excelente etapa do campeão de estrada da Bélgica. Ao mesmo tempo que Gilbert era alcançado pelo grupo do camisola amarela, descolava o Irlandês Nicolas Roche, filho do antigo vencedor do Tour nos anos 80 Stephen Roche. Christophe Riblon também descolava, assim como Ten Dam.

Até que veio o momento essencial da tirada: os ataques dos irmãos Schleck já perto da meta. Frank começou com 2 largos esticões que ameaçaram partir o grupo e fizeram a selecção final da subida para um grupo constituído por Contador, Evans, Andy Schleck, Ivan Basso, Damiano Cunego e Thomas Voeckler acompanhado do seu colega de equipa Pierre Roland, que fez um trabalho incansável para o seu líder de equipa. Daí que na linha de meta, assegurado o objectivo da manutenção da amarela, Voeckler tenha logo abraçado o seu colega de equipa por o ter acompanhado.

Os irmãos Schleck estavam obviamente ao ataque, sabendo que Contador não estava a passar bem. Ora Voeckler, ora Basso, ora Evans iam fazendo o elo de ligação do grupo a estes ataques. No entanto, à 3ª Frank haveria de descolar em busca do duo da frente, duo que chegou mesmo a ver a cerca de 500 metros da meta. Por momentos pensou-se que o mais velho dos Schleck seria capaz de discutir a vitória na etapa, só que um safanão do belga Vandedert em Samuel Sanchez (numa excelente leitura da corrida) acabaria por despertar o espanhol na linha de meta, após 6 horas de uma dura, muito dura etapa.

Numa de parada e resposta continuava o grupo lá de trás, até que o trio composto por Basso, Evans e Andy Schleck haveria de livrar-se de Alberto Contador e ganhar-lhe uns segundos.

Síntese da etapa feita, vamos ver as distâncias ao nível do cronómeto nesta primeira etapa de montanha:

1º Samuel Sanchez (EspanhaEuskatel)
2º Jelle Vanendert (BélgicaOmega Pharma-Lotto) a 7s
3º Frank Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 10s
4º Ivan Basso (ItáliaLiquigás) a 30s
5º Cadel Evans (AustráliaBMC) a 30s
6º Andy Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 30s
7º Damiano Cunego (ItáliaLampre) a 35s
8º Alberto Contador (EspanhaTeam Saxo Bank) a 43s
9º Thomas Voeckler (FrançaEuropcar) a 50s
10º Pierre Roland (FrançaEuropcar) a 50s
11º Tom Danielson (EUAGarmin) a 1.03m
12º Arnold Jeanesson (FrançaFDJ) a 1.19m
14º Levi Leipheimer (EUATeam Radioshack) a 1.25m
17º Nicolas Roche (IrlandaAg2R) a 2.02m
18º Laurens Ten Dam (HolandaRabobank) a 2.10m
20º Haimar Zubeldia (EspanhaTeam Radioshack) a 2.53m
24º Phillipe Gilbert (BélgicaOmega Pharma-Lotto) a 3.19m
25º Rein Taaramae (EstóniaCofidis) a 3.25m
28º David Moncoutie (FrançaCofidis) a 3.55m
31º Peter Velits (EslováquiaHTC) a 4.15m
32º Christophe Riblon (FrançaFDJ) a 4.15m
35º Vladimir Karpets (RussiaKatusha) a 4.57m
36º Geraint Tomas (Grã-BretanhaSky) a 5.20m
44º Andreas Kloden (AlemanhaRadioshack) a 8.26m
46º Maxime Monfort (BélgicaLeopard-Trek) a 8.26m
48º Tony Martin (AlemanhaHTC) a 9.03m
53º Christian Vandevelde (Estados UnidosGarmin) a 10.20m
60º Sylvain Chavanel (FrançaQuickstep) a 15.03m
73º Roman Kreuziger (Rep. ChecaAstana) a 17.28m
74º Luis-León Sanchez (EspanhaRabobank) a 17.28m
75º Sérgio Paulinho (PortugalRadioshack) a 17.28m
77º Robert Gesink (HolandaRabobank) a 17.44m
163º Rui Costa (PortugalMovistar) a 33.05m

Sinal positivo:

– Samuel Sanchez: Acreditou que era o seu dia depois de alguns azares na 1ª semana. Aproveitou a boleia de Gilbert na descida para se colocar em ponto intermédio entre os da frente e o grupo do camisola amarela e aproveitou claramente a confusão no grupo da frente nos quilómetros da frente para vencer a etapa e mostrar que está presente pelo menos para lutar pelo top-3. É um bom trepador e aguenta-se muito bem no contra-relógio. Vamos ver como se porta amanhã sem o efeito surpresa.

– Jelle Vanendert: Desconhecido de uma equipa que perdeu o seu chefe-de-fila (Van der Broeck) e que tem a sua grande inspiração na pele de Phillipe Gilbert. Andou por ali à procura de qualquer coisa e não fosse o facto de apanhar o campeão olímpico de estrada pela frente teria ganho mais uma etapa para a Omega-Pharma-Lotto.

– Frank Schleck: Se Andy está marcado, Frank avançou. Contador e os restantes tem um duplo problema com os irmãos Schleck: não podem acorrer ao ataque de um e depois ao outro. É desse facto que os luxemburgueses se aproveitam. Se Andy é o principal candidato, não dêem muita corda a Frank, pois não é muito diferente do seu irmão mais novo. Quase disputou com Sanchez o final de etapa, não fosse o Belga Vandendert ter lido bem a corrida e ter lançado o sprint mais cedo. Ganhou tempo à concorrência e está merecidamente na 2ª posição da prova.

– Ivan Basso, Andy Schleck e Cadel Evans: tiveram pernas, foram pacientes e livraram-se de Contador, ganhando-se 13 segundos. Qualquer segundo agora é precioso. Podemos contar com o Italiano e com o Australiano na discussão da prova. 

– Thomas Voeckler: o menino bonito dos Franceses por ora. Superou com distinção esta etapa e continua com uma margem interessante sobre os seus rivais. Vamos ver como se comporta amanhã. Se é certo que quebre fisicamente pois não é homem para aguentar a pressão nestes dias, o que é certo é que hoje com a ajuda do seu colega de equipa esteve à altura do desafio, respondendo rapidamente a todos os ataques da concorrência. É sério candidato ao Top-10.

– Arnold Jeanesson: excelente corrida do jovem francês que dentro em diante lutará pela juventude. É sério candidato a ostentar a branca na final em paris com a quebra de Gesink hoje e é um diamante em bruto que os franceses devem lapidar para o futuro do seu ciclismo.

Sinal Negativo:

Uma dose para Kloden, Vandevelde, Karpets, Gesink, León-Sanchez e Kreuziger. Se bem que o checo tem desculpa.
Não tiveram pernas. Estão fora. Kloden não creio que desista porque devido à redução pelo que passa a Radioshack é necessária a sua presença para tentar uma fuga ou uma etapa em que ande entre os melhores e tente almejar a vitória, de modo a salvar a honra da equipa de Armstrong. Karpets andará no mesmo objectivo, assim como León Sanchez. Gesink deverá abandonar para começar a preparar a Vuelta. Kreuziger também não tem margem de manobra: perante a desfalcadíssima Astana é um dos únicos homens capazes de vencer numa etapa.

Alberto ContadorTeam Saxo Bank: Acredito perfeitamente que as dores no joelho de que o Espanhol se tem queixado nos últimos tempos sejam motivo suficiente para não ter força para atacar e o impeçam de ir mais longe do que ido agora. No entanto, notou-se um Contador muito nervoso na 1ª semana aquando das quedas ligeiras que teve e nota-se um Contador algo desconfortável e lento a reagir aos ataques adversários. Se Contador quiser a 4ª, terá que atacar já amanhã. Para o seu estado actual em muito contribuiu a falta de ajuda da sua equipa, que até tem homens talhados para lhe fazer o serviço como Daniel Navarro, ou Richie Porte. No entanto, até a sua equipa desapareceu. Já que Contador não pode fazer a diferença por si, ao menos que a equipa o prepare nas subidas.

Classificação-geral:

1º Thomas Voeckler
2º Frank Schleck a 1,49m
3º Cadel Evans a 2.06m
4º Andy Schleck a 2.17m
5º Ivan Basso a 3.16m
6º Damiano Cunego a 3.22m
7º Alberto Contador a 4.00m
8º Samuel Sanchez a 4.11m
9º Tom Danielson a 4.35m
10º Nicolas Roche a 4.57m
11º Kevin DeWeert (BélgicaQuickstep) a 5.07m
12º Phillipe Gilbert a 5.24m
13º Arnold Jeanesson a 5.50m
14º Peter Velits a 6.03m
15º Haimar Zubeldia a 7.17m
16º Rein Taaramae a 7.23m
17º Levi Leipheimer a 7.51m

Para amanhã:

– Vamos ver novamente a prestação de Voeckler na alta-montanha. Poderá o Francês aguentar o peso da amarela, ou cedê-la aos irmãos Schleck, a Cadel Evans ou a Ivan Basso? Alberto Contador, pelo que tem mostrado não chegará a amarela amanhã. Teremos ataque de Contador? Voltaremos a ter uma postura de ataque dos irmãos Schleck?

– Estou curioso também para ver Samuel Sanchez amanhã. Acabou-se o efeito surpresa. Será o homem da Euskatel homem para andar entre os primeiros?

– Quanto à Radioshack: Será que depois de um dia mau poderemos ter Kloden ou Leipheimer dispostos a honrar a casa e vencer uma etapa? A mesma pergunta ponho à Rabobank.

Na camisola dos pontos, nenhuma alteração em relação a ontem. Cavendish primeiro com 260, Rojas 2º com 242 e Gilbert terceiro com 234.

Na camisola da montanha, Samuel Sanchez sucede a Johnny Hoogerland. Quiçá o bonus de hoje pela vitória no alto de LuzArdiden seja mais um objectivo para a equipa basca: levar Sanchez ao pódio como homem da montanha. Sanchez lidera com 40 pontos, Jelle Vanendert é 2º com 32 pontos e terá também a ambição de pontuar nas contagens de montanha e em 3º Jeremy Roy com 24 pontos, fruto da fuga de hoje.

Na Juventude, Arnold Jeanesson sucede a Robert Gesink. Está com 1 minuto e 37 de diferença para Rein Taaramae da Cofidis e a luta à priori será entre estes dois. À espreita, estará o Colombiano Rigoberto Uran da SAUR (a 2.05) e o seu colega de equipa Jerome Coppel a 3.17m. Robert Gesink disse adeus a esta camisola.

Por equipas, como se previa a Leopard-Trek passou para a frente. Soma 1 minuto e 5 perante a Europcar (muito dificilmente ficará em 2º amanhã) e 2 minutos e 21 segundos sobre a AG2R La Mondiale.

Amanhã, etapa de montanha entre Pau e Lourdes na distância de 152 km. Mais uma etapa duríssima nos Pirinéus, embora com menos dificuldade que a de hoje e sem chegada ao alto.
Nos primeiros 65 km, duas contagens de montanha e 1 sprint especial: uma de 3ª e uma de 2ª categoria. A meio da etapa, contagem especial no sempre difícil Col d´Aubisque, faltando depois uma descida e uma fase em plano de cerca de 40 km até à meta, sabendo que tudo se irá decidir no Col D´aubisque com um grupo já reduzido, podendo até eventualmente haver ciclistas a recuperar na descida.

É portanto uma etapa propícia a que um dos homens que perdeu hoje muito tempo acabe por tentar uma fuga.

Para finalizar, os highlights do fim da etapa de hoje no único vídeo para já disponível no Youtube. Se me for possível tentarei colocar um video mais alargado ainda esta noite:

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Cavendish volta a brilhar

Até agora, a etapa mais calma do Tour. Sem grande aparato e problemas de maior, o pelotão limitou-se a anular uma fuga e a lançar um sprint onde o rocket humano Mark Cavendish voltou a confirmar as suas credenciais. Estará Cavendish disposto a ultrapassar as terríveis montanhas dos Alpes e dos Pirinéus em prol da vitória na verde ou teremos Cavendish a desistir já amanhã?

Indiferentemente da resolução que o ciclista Britânico e a sua equipa poderão tomar em relação ao dia de amanhã, a etapa 12 (com o seu terrível final em LuzArdiden) marca o primeiro dia de alta montanha. Vai começar o espectáculo e o bailado pela vitória na prova.

Contador, os irmãos Schleck, Cadel Evans, Andreas Kloden,  Tony Martin, Christian Vandevelde,  Ivan Basso, Damiano Cunego, Robert Gesink, Luis-León Sanchez e Samuel Sanchez e claro, o camisola amarela Thomas Voeckler – o grupo principal de candidatos à vitória e aos primeiros lugares da prova.

Como outsiders: Phillipe Gilbert (precisa de andar pela frente nos primeiros 100 km para poder somar pontos no sprint intermédio e quiçá tentar somar pontinhos nos finais de etapa)  Nicolas Roche, Tom Danielson, Maxime Monfort, Vladimir Karpets, Linus Gerdemann, David  Moncoutié e Sylvain Chavanel (mesmo com as limitações físicas que apresentam) David Arroyo (mesmo a somar tempos incríveis como tem vindo a somar) Roman Kreuziger, John Gadret e Leonardo Duque – todos estes espreitarão um lugar no top 10top 20 ou no caso dos mais atrasados uma vitória numa destas etapas.

Relembro distâncias para a etapa de amanhã:

1º Thomas Voeckler (FrançaEuropcar)
2º Luis-León Sanchez (EspanhaRabobank) a 1.49m
3º Cadel Evans (AustráliaBMC) a 2.26m
4º Frank Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 2.29m
5º Andy Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 2.37m
6º Tony Martin (AlemanhaHTC-Columbia) a 2.38m
8º Andreas Kloden (AlemanhaTeam Radioshack) a 2.43m
9º Phillipe Gilbert (BélgicaOmega Pharma-Lotto) a 2.55m
11º Ivan Basso (ItáliaLiquigás) a 3.36m
12º Damiano Cunego (ItáliaLampre) a 3.37m
13º Nicolas Roche (IrlandaAG2R) a 3.45m
15º Robert Gesink (HolandaRabobank) a 4.01m
16º Alberto Contador (EspanhaTeam Saxo Bank) a 4.07m
17º Tom Danielson (Estados UnidosGarmin) a 4.22m
19º Christian Vandevelde (Estados UnidosGarmin) a 4.53m
20º Samuel Sanchez (EspanhaEuskatel) a 5.01m
22º Vladimir Karpets (RussiaKatusha) a 5.05m
23º Maxime Monfort (BélgicaLeopard-Trek) a 5.07m
34º Linus Gerdemann (AlemanhaLeopard-Trek) a 6.40m
35º Levi Leipheimer (Estados UnidosRadioshack) a 7.15m
62º David Moncoutie (FrançaCofidis) a 22.51m
78º David Arroyo (EspanhaMovistar) a 30.05m
109º Sylvain Chavanel (FrançaQuickstep) a 44.16m
124º Leonardo Duque (ColômbiaCofidis) a 49.38m
130º Roman Kreuziger (Rep ChecaAstana) a 52.13m

Nos pontos, fase de interregno com Mark Cavendish na liderança com 251 pontos. Daí que se coloque a questão se o Britânico está disposto a um esforço suplementar para superar as montanhas. Cavendish lidera contra os 235 pontos de Rojas da Movistar e 231 de Phillipe Gilbert que é o único ciclista candidato a esta camisola capaz de pontuar nos sprints intermédios das etapas de montanha e quiçá chegar entre aqueles que pontuam no final das etapas. André Greipel com 164 pontos e Thor Hushovd com 163 ainda são candidatos a esta camisola, sendo bastante difícil que a vençam.

Por equipas continua a liderar a Europcar, mas amanhã esta classificação irá mudar para outra equipa.

Johnny Hoogerland da Vacansoleil continua líder da montanha com 22 pontos, contra os 17 de Voeckler. Será desejo do Francês obter a camisola às bolinhas, que decerto amanhã também irá mudar de dono.

Robert Gesink continua a liderar a Juventude e muito dificilmente irá perder esta classificação até Paris, a não ser que tenha algum percalço.

Quanto à etapa de amanhã: Cugnaux – LuzArdiden na distância de 211 km.

A primeira etapa de alta-montanha à 12ª etapa. Os Pirinéus ao rubro.

Os sprinters terão oportunidade de pontuar no sprint especial de Sarrancolin aos 119 km se ainda tiverem pernas para chegar lá visto que este sprint especial já se encontra a 600 metros de altitude em relação ao nível do mar. A partir daí, o inferno total: uma contagem de 1ª categoria em L´Hourquette de Ancizan que fará a primeira escolha ao nível do pelotão. Consequente descida para a subida para o inferno do Tourmalet (categoria especial) onde decerto passarão na frente 6 ou 7 elementos e depois, a subida final de categoria especial para LuzArdiden com término em alto. Uma etapa duríssima, que marcará muito tempo entre os ciclistas.

Candidato: para mim Andy Schleck.

Grande teste a Contador (tem-se queixado muito do joelho) e à força com que se tem apresentado Cadel Evans.Kloden, Basso e Cunego também tem aqui uma etapa a seu gosto.

Outsiders: Samuel Sanchez, se estiver realmente em forma. John Gadret, caso a estratégia de se deixar ficar para trás nas últimas etapas tenha sido propositada para guardar forças para este dia. Nicolas Roche, Monfort, Leipheimer e Chavanel, Duque, Arroyo e Gerdmann, caso entrem numa fuga com dois ou três ciclistas de trabalho. No entanto, duvido que o pelotão deixe Leipheimer sair escapado.

Voeckler perderá a amarela. Ou para Evans, ou para um dos irmãos Schleck ou para Contador caso este consiga atacar com precisão.

Flops: Gesink – duvido que consiga aguentar o ritmo da frente no Tourmalet, assim como o seu colega Léon Sanchez. Karpets, será para mim o primeiro a descolar.

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André Greipel vence 10ª etapa

Punho esquerdo cerrado no ar, punho direito cerrado no ar. A vitória de Greipel tem significado extra para o ciclista Alemão: bateu sobre a linha de meta Mark Cavendish, antigo colega de equipa com quem manteve muita rivalidade e muitos conflitos internos aquando da sua estadia como profissional na HTC.

Depois de cumprirem o 1º dia de descanso (dia de descanso que ficou marcado pelo controlo positivo do ciclista russo da Katusha Alexander Kolobnev) o traçado da  10ªetapa sugeria um dia bastante calmo no pelotão até à última subida, uma 4ª categoria que à priori não iria trazer grandes dificuldades entre os grandes favoritos e aos sprinters. Os últimos, tinham aqui uma grande oportunidade de vencer uma etapa e marcar mais uns pontos para a verde antes da alta montanha.

Depois de uma fuga que durou mais de 100 km e que seria anulada em cima da contagem de 4ª categoria pelo grande trabalho da HTC de Cavendish (instalada perto da meta em Camaux) seria a Lotto a acelerar o ritmo do pelotão a um nível vertiginoso durante a súbida de modo a levar Phillipe Gilbert (viria a atacar durante a subida com Thomas Voeckler, Tony Martin e mais 2 ciclistasdepois continuaria sozinho até ser alcançado já dentro dos 5 km finais) à vitória na etapa. Phillipe Gilbert admitiu no dia de descanso (perante a ausência por queda do chefe-de-fila da equipa Jurgen Van Der Broeck) uma postura lutadora na montanha de modo a procurar um bom lugar na geral. Será um teste às capacidades do Belga.

Durante a categoria, o trabalho da Lotto viria a fazer cortes no pelotão. Suspeitava-se da presença de alguns sprinters, algo que não veio a acontecer na linha da meta. A primeira vítima da aceleração provocada lá na frente era o Francês John Gadret (4º na passada edição do Giro). O Francês tem vindo a acumular muito tempo (18 minutos à entrada para esta etapa) não sendo esta 10ª etapa uma excepção. Gadret voltou a desc0lar-se, colocando-se a questão se o Francês está com claras dificuldades ou se o fim do objectivo de obter uma boa classificação final em Paris faz com que receba instruções para se poupar ao máximo para as etapas de montanha de modo a atacar para as vitórias de etapa.

Como já disse anteriormente, o ataque de Gilbert coincidiu com o fim do trabalho da Lotto na etapa e com a impressão que o grupo principal estava a ficar bastante reduzido. O camisola verde atacou, arrastando consigo Tony Martin e o camisola amarela Thomas Voeckler, entre outros… Martin não colaborava no ataque o que indiciava que estava ali colocado de forma estratégica: prevenia uma eventual quebra de rendimento de Cavendish lá atrás (o principal favorito à vitória na etapa) e em caso de quebra do sprinter Britânico deveria ter ordens para discutir a etapa caso o ataque vingasse.

Até que Gilbert tentou uma nova investida por sua conta. Seria apanhado a 4,8 km do fim. Deu-se portanto o lançamento do sprint, com quase todos os sprinters dentro do grupo principal excepto Stuart O´Grady (está completamente ausente da prova) Alessandro Petacchi, Ryder Hesjdal (também ainda não apareceu na corrida) e Gerald Ciolek.

Depois do lançamento do sprint, Mark Cavendish acabaria por lançar o seu sprint bastante cedo, sendo vencido em cima da linha por Greipel da Omega Pharma-Lotto. Rojas da Movistar foi 3º e conseguiu diminuir a diferença na verde em relação a Phillipe Gilbert.

Sérgio Paulinho chegou na 75ª posição integrado no pelotão. Rui Costa perdeu quase 6 minutos, chegando na 115ª na posição.

Na geral, nada de novo.

Na classificação por pontos, Phillipe Gilbert lidera com 226 pontos contra 209 de Rojas, 197 de Cavendish e 163 de Hushovd. Vem aí as etapas de montanha e com elas deverá vir uma “suspensão temporária” da luta por esta camisola. Amanhã é a última oportunidade para Cavendish (deverá decerto abandonar) e para Rojas tentar alcançar o Belga. Phillipe Gilbert parece ser o único capaz de marcar pontos nas etapas de alta montanha.

Na classificação da montanha, Johnny Hoogerland continua com 22 pontos contra 17 de Thomas Voeckler. Esta camisola deverá representar o objectivo prioritário do francês que neste momento transporta a amarela.

Na juventude, nada de novo.

Por equipas, continua a Europcar a liderar com 32 segundos de avanço sobre a Leopard Trek e 1 minuto e 2 segundos sobre a Radioshack.

Depois da etapa de amanhã, acabou-se a brincadeira: a última hipótese para os sprinters. Etapa muito simples, com 1 contagem de 3ª e outra de 4ª categoria e chegada totalmente em terreno plano.

Para quinta-feira está reservada a chegada em alta montanha a LuzArdiden.

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