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Cavendish volta a brilhar

Até agora, a etapa mais calma do Tour. Sem grande aparato e problemas de maior, o pelotão limitou-se a anular uma fuga e a lançar um sprint onde o rocket humano Mark Cavendish voltou a confirmar as suas credenciais. Estará Cavendish disposto a ultrapassar as terríveis montanhas dos Alpes e dos Pirinéus em prol da vitória na verde ou teremos Cavendish a desistir já amanhã?

Indiferentemente da resolução que o ciclista Britânico e a sua equipa poderão tomar em relação ao dia de amanhã, a etapa 12 (com o seu terrível final em LuzArdiden) marca o primeiro dia de alta montanha. Vai começar o espectáculo e o bailado pela vitória na prova.

Contador, os irmãos Schleck, Cadel Evans, Andreas Kloden,  Tony Martin, Christian Vandevelde,  Ivan Basso, Damiano Cunego, Robert Gesink, Luis-León Sanchez e Samuel Sanchez e claro, o camisola amarela Thomas Voeckler – o grupo principal de candidatos à vitória e aos primeiros lugares da prova.

Como outsiders: Phillipe Gilbert (precisa de andar pela frente nos primeiros 100 km para poder somar pontos no sprint intermédio e quiçá tentar somar pontinhos nos finais de etapa)  Nicolas Roche, Tom Danielson, Maxime Monfort, Vladimir Karpets, Linus Gerdemann, David  Moncoutié e Sylvain Chavanel (mesmo com as limitações físicas que apresentam) David Arroyo (mesmo a somar tempos incríveis como tem vindo a somar) Roman Kreuziger, John Gadret e Leonardo Duque – todos estes espreitarão um lugar no top 10top 20 ou no caso dos mais atrasados uma vitória numa destas etapas.

Relembro distâncias para a etapa de amanhã:

1º Thomas Voeckler (FrançaEuropcar)
2º Luis-León Sanchez (EspanhaRabobank) a 1.49m
3º Cadel Evans (AustráliaBMC) a 2.26m
4º Frank Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 2.29m
5º Andy Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 2.37m
6º Tony Martin (AlemanhaHTC-Columbia) a 2.38m
8º Andreas Kloden (AlemanhaTeam Radioshack) a 2.43m
9º Phillipe Gilbert (BélgicaOmega Pharma-Lotto) a 2.55m
11º Ivan Basso (ItáliaLiquigás) a 3.36m
12º Damiano Cunego (ItáliaLampre) a 3.37m
13º Nicolas Roche (IrlandaAG2R) a 3.45m
15º Robert Gesink (HolandaRabobank) a 4.01m
16º Alberto Contador (EspanhaTeam Saxo Bank) a 4.07m
17º Tom Danielson (Estados UnidosGarmin) a 4.22m
19º Christian Vandevelde (Estados UnidosGarmin) a 4.53m
20º Samuel Sanchez (EspanhaEuskatel) a 5.01m
22º Vladimir Karpets (RussiaKatusha) a 5.05m
23º Maxime Monfort (BélgicaLeopard-Trek) a 5.07m
34º Linus Gerdemann (AlemanhaLeopard-Trek) a 6.40m
35º Levi Leipheimer (Estados UnidosRadioshack) a 7.15m
62º David Moncoutie (FrançaCofidis) a 22.51m
78º David Arroyo (EspanhaMovistar) a 30.05m
109º Sylvain Chavanel (FrançaQuickstep) a 44.16m
124º Leonardo Duque (ColômbiaCofidis) a 49.38m
130º Roman Kreuziger (Rep ChecaAstana) a 52.13m

Nos pontos, fase de interregno com Mark Cavendish na liderança com 251 pontos. Daí que se coloque a questão se o Britânico está disposto a um esforço suplementar para superar as montanhas. Cavendish lidera contra os 235 pontos de Rojas da Movistar e 231 de Phillipe Gilbert que é o único ciclista candidato a esta camisola capaz de pontuar nos sprints intermédios das etapas de montanha e quiçá chegar entre aqueles que pontuam no final das etapas. André Greipel com 164 pontos e Thor Hushovd com 163 ainda são candidatos a esta camisola, sendo bastante difícil que a vençam.

Por equipas continua a liderar a Europcar, mas amanhã esta classificação irá mudar para outra equipa.

Johnny Hoogerland da Vacansoleil continua líder da montanha com 22 pontos, contra os 17 de Voeckler. Será desejo do Francês obter a camisola às bolinhas, que decerto amanhã também irá mudar de dono.

Robert Gesink continua a liderar a Juventude e muito dificilmente irá perder esta classificação até Paris, a não ser que tenha algum percalço.

Quanto à etapa de amanhã: Cugnaux – LuzArdiden na distância de 211 km.

A primeira etapa de alta-montanha à 12ª etapa. Os Pirinéus ao rubro.

Os sprinters terão oportunidade de pontuar no sprint especial de Sarrancolin aos 119 km se ainda tiverem pernas para chegar lá visto que este sprint especial já se encontra a 600 metros de altitude em relação ao nível do mar. A partir daí, o inferno total: uma contagem de 1ª categoria em L´Hourquette de Ancizan que fará a primeira escolha ao nível do pelotão. Consequente descida para a subida para o inferno do Tourmalet (categoria especial) onde decerto passarão na frente 6 ou 7 elementos e depois, a subida final de categoria especial para LuzArdiden com término em alto. Uma etapa duríssima, que marcará muito tempo entre os ciclistas.

Candidato: para mim Andy Schleck.

Grande teste a Contador (tem-se queixado muito do joelho) e à força com que se tem apresentado Cadel Evans.Kloden, Basso e Cunego também tem aqui uma etapa a seu gosto.

Outsiders: Samuel Sanchez, se estiver realmente em forma. John Gadret, caso a estratégia de se deixar ficar para trás nas últimas etapas tenha sido propositada para guardar forças para este dia. Nicolas Roche, Monfort, Leipheimer e Chavanel, Duque, Arroyo e Gerdmann, caso entrem numa fuga com dois ou três ciclistas de trabalho. No entanto, duvido que o pelotão deixe Leipheimer sair escapado.

Voeckler perderá a amarela. Ou para Evans, ou para um dos irmãos Schleck ou para Contador caso este consiga atacar com precisão.

Flops: Gesink – duvido que consiga aguentar o ritmo da frente no Tourmalet, assim como o seu colega Léon Sanchez. Karpets, será para mim o primeiro a descolar.

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André Greipel vence 10ª etapa

Punho esquerdo cerrado no ar, punho direito cerrado no ar. A vitória de Greipel tem significado extra para o ciclista Alemão: bateu sobre a linha de meta Mark Cavendish, antigo colega de equipa com quem manteve muita rivalidade e muitos conflitos internos aquando da sua estadia como profissional na HTC.

Depois de cumprirem o 1º dia de descanso (dia de descanso que ficou marcado pelo controlo positivo do ciclista russo da Katusha Alexander Kolobnev) o traçado da  10ªetapa sugeria um dia bastante calmo no pelotão até à última subida, uma 4ª categoria que à priori não iria trazer grandes dificuldades entre os grandes favoritos e aos sprinters. Os últimos, tinham aqui uma grande oportunidade de vencer uma etapa e marcar mais uns pontos para a verde antes da alta montanha.

Depois de uma fuga que durou mais de 100 km e que seria anulada em cima da contagem de 4ª categoria pelo grande trabalho da HTC de Cavendish (instalada perto da meta em Camaux) seria a Lotto a acelerar o ritmo do pelotão a um nível vertiginoso durante a súbida de modo a levar Phillipe Gilbert (viria a atacar durante a subida com Thomas Voeckler, Tony Martin e mais 2 ciclistasdepois continuaria sozinho até ser alcançado já dentro dos 5 km finais) à vitória na etapa. Phillipe Gilbert admitiu no dia de descanso (perante a ausência por queda do chefe-de-fila da equipa Jurgen Van Der Broeck) uma postura lutadora na montanha de modo a procurar um bom lugar na geral. Será um teste às capacidades do Belga.

Durante a categoria, o trabalho da Lotto viria a fazer cortes no pelotão. Suspeitava-se da presença de alguns sprinters, algo que não veio a acontecer na linha da meta. A primeira vítima da aceleração provocada lá na frente era o Francês John Gadret (4º na passada edição do Giro). O Francês tem vindo a acumular muito tempo (18 minutos à entrada para esta etapa) não sendo esta 10ª etapa uma excepção. Gadret voltou a desc0lar-se, colocando-se a questão se o Francês está com claras dificuldades ou se o fim do objectivo de obter uma boa classificação final em Paris faz com que receba instruções para se poupar ao máximo para as etapas de montanha de modo a atacar para as vitórias de etapa.

Como já disse anteriormente, o ataque de Gilbert coincidiu com o fim do trabalho da Lotto na etapa e com a impressão que o grupo principal estava a ficar bastante reduzido. O camisola verde atacou, arrastando consigo Tony Martin e o camisola amarela Thomas Voeckler, entre outros… Martin não colaborava no ataque o que indiciava que estava ali colocado de forma estratégica: prevenia uma eventual quebra de rendimento de Cavendish lá atrás (o principal favorito à vitória na etapa) e em caso de quebra do sprinter Britânico deveria ter ordens para discutir a etapa caso o ataque vingasse.

Até que Gilbert tentou uma nova investida por sua conta. Seria apanhado a 4,8 km do fim. Deu-se portanto o lançamento do sprint, com quase todos os sprinters dentro do grupo principal excepto Stuart O´Grady (está completamente ausente da prova) Alessandro Petacchi, Ryder Hesjdal (também ainda não apareceu na corrida) e Gerald Ciolek.

Depois do lançamento do sprint, Mark Cavendish acabaria por lançar o seu sprint bastante cedo, sendo vencido em cima da linha por Greipel da Omega Pharma-Lotto. Rojas da Movistar foi 3º e conseguiu diminuir a diferença na verde em relação a Phillipe Gilbert.

Sérgio Paulinho chegou na 75ª posição integrado no pelotão. Rui Costa perdeu quase 6 minutos, chegando na 115ª na posição.

Na geral, nada de novo.

Na classificação por pontos, Phillipe Gilbert lidera com 226 pontos contra 209 de Rojas, 197 de Cavendish e 163 de Hushovd. Vem aí as etapas de montanha e com elas deverá vir uma “suspensão temporária” da luta por esta camisola. Amanhã é a última oportunidade para Cavendish (deverá decerto abandonar) e para Rojas tentar alcançar o Belga. Phillipe Gilbert parece ser o único capaz de marcar pontos nas etapas de alta montanha.

Na classificação da montanha, Johnny Hoogerland continua com 22 pontos contra 17 de Thomas Voeckler. Esta camisola deverá representar o objectivo prioritário do francês que neste momento transporta a amarela.

Na juventude, nada de novo.

Por equipas, continua a Europcar a liderar com 32 segundos de avanço sobre a Leopard Trek e 1 minuto e 2 segundos sobre a Radioshack.

Depois da etapa de amanhã, acabou-se a brincadeira: a última hipótese para os sprinters. Etapa muito simples, com 1 contagem de 3ª e outra de 4ª categoria e chegada totalmente em terreno plano.

Para quinta-feira está reservada a chegada em alta montanha a LuzArdiden.

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Cavendish a brilhar

À 5ª etapa, Mark Cavendish mostrou o porquê de ser o melhor sprinter da actualidade, triunfando na chegada a Cap Frehel.

Numa etapa corrida na região da Bretanha (a edição deste ano fez efectivamente questão de passar a caravana pela terra de Bernard Hinault) a antevisão desta tirada previa (apesar do percurso ser de dificuldade baixa) uma etapa que poderia trazer complicações devido ao vento (o traçado andou sempre paralelo à costa da Bretenha) e devido às imensas rotundas e curvas no traçado que poderiam ditar quedas ou quebras no pelotão.

Se ao nível de tempo esta etapa 5 não fez grandes mossas entre os principais candidatos à vitória, teve alguns momentos determinantes para a condição física e psicológica dos atletas. Desde logo, 3 candidatos à vitória e 1 sprinter tiveram quedas: os primeiros foram Janez Brajkovic e Robert Gesink, ainda bem longe da meta. O esloveno da Radioshack que era apontado como o principal chefe-de-fila da equipa acabou por ter alguns ferimentos que o impediram de continuar em prova. A liderança na equipa Norte-Americana passará agora para a dupla Kloden-Leipheimer, tal e qual eu previa nos últimos posts que escrevi sobre o Tour.(ver a antevisão). Já o Holandês da Rabobank não sofreu grande aparato e em poucos minutos estaria de volta ao pelotão.

Foto: The Huffington Post

Imagem da queda de Brajkovic, Gesink e Carlos Barredo. Com o Esloveno estendido no chão em dores pensou-se numa grave lesão. No entanto, o mesmo não acabou por ficar em prova sendo transportado de ambulância para o hospital mais próximo com algumas feridas nas coxas, nos braços e no sobrolho.

Depois foi Alberto Contador a cair. O espanhol também acabaria por recolar rapidamente ao pelotão, se bem que no momento da queda viu-se uma imagem de Contador algo nervoso. Com as quedas, o nervosismo apoderou-se do pelotão e os próximos seriam Tom Boonen (ficaria impedido de disputar o sprint final) John Gadret (a aposta da AG2R para a montanha) e Yaroslav Popovych da Radioshack, que entretanto seria rebocado por Sérgio Paulinho. O sprinter Belga ficou com algumas marcas no corpo pela queda. Gadret perdeu muito tempo na etapa de hoje.

Os quilómetros finais foram marcados também pelo risco dos chamados “abanicos” – por momentos, o vento forte que se fazia sentir poderia dar a noção de corte no pelotão. Tal não veio a acontecer.

Até que chegados ao quilómetro final, o camisola amarela Thor Hushovd bem tentou lançar o seu colega de equipa Tyler Farrar, mas Mark Cavendish haveria de fazer um sprint de trás para a frente, suplantando Rojas da Movistar e Phillipe Gilbert. A luta pela camisola verde, com a nova pontuação está claramente ao rubro e o Belga confirma estar dentro dessa luta em detrimento de um bom lugar na geral onde ele poderá claramente entrar pelo menos no top 20.

No que toca à camisola amarela, Thor Hushovd mantem-a e não é expectavel (em situação normal de corrida) que a perca nos próximos dois dias:

– 1 segundo separa-o do australiano Cadel Evans, 4 de Frank Schleck (3º) 10 de Andreas Kloden (5º) e também 10 do 6º que é Bradley Wiggins da Sky. Andy Schleck fecha o top 10 a 12 segundos do Norueguês que é campeão do mundo de estrada da UCI.
– No top 20 Levi Leipheimer é 14º a 18 segundos, Robert Gesink 15º a 20 segundos, Alexandre Vinokourov 16º a 32 segundos e Phillipe Gilbert 17º a 33.
– Mais atrasados estão Ivan Basso (21º a 1 minuto e 3 segundos) Damiano Cunego (25º a 1 minuto e 13) Alberto Contador (39 a 1.42m) mesmo tempo de Luis Leon-Sanchez (42º). Dois lugares mais atrás está Christian Vandeveld já a 1 minuto e 57.
– Samuel Sanchez já perdeu algum tempo nesta primeira semana. O líder da Euskatel está em 53º a 2 minutos e 37. John Gadret também saiu muito penalizado desta etapa: já está a mais de 7 minutos de Hushovd e muito dificilmente lutará por um lugar no top 10. Resta ao Francês lutar por uma vitória de etapa.

– Quanto aos Portuguêses, Rui Costa é 73º a sensivelmente 3 minutos e meio de Hushovd, enquanto Paulinho está na 131ª posição a mais de 9 minutos.

Na camisola verde, o Belga Phillipe Gilbert lidera com 120 pontos sendo o 2º o espanhol da Movistar Jose Joaquim Rojas com 112 pontos. Amanhã, devido ao novo sistema de pontuação, a camisola poderá novamente mudar de dono. Cadel Evans é 3º com 90 pontos, Cavendish 4º com 84 e Hushovd 4º com 82 pontos. Todos eles terão hipótese de chegar à verde amanhã.

Na camisola da montanha, Cadel Evans é o líder com 2 pontos. Seguem-se 5 ciclistas com 1. A etapa de amanhã tem uma 3ª categoria que poderá dar a liderança a um novo ciclista.

Na juventude, lidera Geraint Thomas da Sky.


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Le Tour de France 2011 (Preview)

Ultrapassadas algumas memórias passadas da competição, aceito o desafio lançado pelo meu amigo Aron Von Meurs para fazer um preview da edição deste ano do Tour de France, cuja apresentação das equipas realizou-se hoje e cuja competição começa no sábado (contrariamente ao tradicionalismo de começo de competição) com uma etapa em linha que liga Gois La Barre-de-Monts a Mont des Alouettes Les Herbiers.

Em primeiro lugar quanto às etapas:

– O Tour começa com uma etapa em linha e logo no domingo teremos o espectáculo de um contra-relógio por equipas que poderá estabelecer as primeiras diferenças entre favoritos. Serão 23 km em Les Essarts.

– Até à 12ª etapa nada de montanha. A 9 e 10  de Julho, as primeiras etapas acidentadas. No dia Nacional de França, a chegada à terrível estância de Sky de LuzArdiden no primeiro teste de alta-montanha nos Pirinéus. Na etapa seguinte, a Ligação entre Pau e Lourdes cruza os Pirinéus e no dia seguinte o mais duro dos testes com chegada final a Plateau de Beille. Estas 3 etapas farão perceber quem está e quem não está na prova.

– Nos Alpes, a chegada a Gap na 16ª etapa pode causar problemas assim como as etapas seguintes (Pinerolo, Serre Chevalier e o mítico Alpe D´Huez). Este ano a prova não vai ao terrível Mont Ventoux.

– Para terminar e antes da equipa da consagração, um contra-relógio de 42,5 km em Grenoble que promete ser de uma dureza ímpar.

Para fazer esta preview, em vez de enunciar os eventuais favoritos à vitória e às respectivas camisolas prefiro fazer uma cobertura equipa a equipa.

Assim sendo:


Alberto Contador parte o Tour de 2011, em busca da sua 4ª vitória na prova, num ano que foi muito conturbado para o ciclista Espanhol.

Primeiro pela mudança mais que prevista da Astana para a Team Saxo Bank, após a contratação (também prevista há muito) dos irmãos Schleck por parte de uma nova equipa do pelotão pro-tour chamada Team Leopard-Trek, cuja sede é no Luxemburgo.

Depois pelas sucessivas interrogações sobre a presença do Espanhol no Tour devido aos escândalos de doping em que pressupostamente existiram provas de que esteve envolvido, mas cujo ciclista espanhol saiu ilibado das acusações que pendiam sobre si. O arrastar das batalhas judiciais que Contador travou este ano só deram frutos quanto a uma participação no Tour há poucos meses atrás, mas nem por isso deixa cair o favoritismo principal do Espanhol à vitória até porque venceu a passada edição do Giro de Itália com uma facilidade que espantou toda a gente.

Atrás de si, traz uma excelente equipa da Team Saxo Bank, preparada para auxiliar o seu chefe de fila nesta missão. Bons aguadeiros como Benjamin Noval, Daniel Navarro, o Australiano Richie Porte (poderá ser o plano B da equipa caso Contador falhe na montanha, visto que o Australiano tem-se mostrado um ciclista bastante completo e embora tenha a missão de ajudar o espanhol à vitória neste Tour, andará sempre ali por perto à semelhança do trabalho que já tinha feito para Contador no Giro onde seria 7º classificado e camisola da Juventude) os irmãos Sorensen e Matteo Tosatto.

Uma equipa muito forte aquela que Contador leva para terras francesas. O seu director desportivo é o antigo ciclista Britânco Bradley McGee.

Inseparáveis. Irmãos Schleck.

Contra Contador, correrão os irmãos Schleck. Andy é o 2º favorito à conquista da prova e quererá desforrar-se da vitória do Espanhol do ano passado, tendo todas as capacidades para tal visto que é um excelente trepador como Contador e ao nível do contra-relógio as suas forças equilibram-se.

A sua nova equipa (Leopard-Trek) também apresenta uma equipa capaz de trabalhar em prol do seu líder, com Linus Gerdemann (um homem que para além de ter a missão de ajudar Schleck é capaz de ter ordens para fazer umas escapadas em algumas tiradas com o intuito de vencer etapas) Jens Voigt (um veterano de luxo para trabalhar para Contador e com a mesma missão de Gerdemann) Frank Schleck (inseparável do irmão) e o veterano sprinter Stuart O´Grady para as etapas em linha (poderá em muito beneficiar do excelente trabalho que Voigt faz no final dessas equipas) e para a discussão da camisola dos pontos, onde o Australiano não sendo um dos principais favoritos poderá muito bem ter uma palavra a dizer.

A Eskautel Euskadi aparece em cenário no Tour com Samuel Sanchez como chefe-de-fila. Sanchez é sempre um nome a ter em conta para a geral, mesmo sabendo que logo no 2º dia devido às condições da sua equipa deverá perder algum tempo no contra-relógio por equipas.

No entanto Samuel Sanchez está em grande forma, é um trepador nato e não se dá mal com contra-relógios longos. Já venceu a Vuelta e já provou ser capaz de bater Contador em várias ocasiões durante os últimos anos. Caso não lute pela geral por qualquer motivo que o impeça, é sempre um nome a ter em conta para vitórias individuais em tiradas de montanha.

Terá companhia de uma renovada Euskatel, que tem como 2º corredor Egoi Martinez. A equipa é dirigida por Igor Gonzalez Galdeano, outro ex-ciclista que conhece muito bem as etapas e a dureza do Tour.

A Omega Pharma-Lotto é uma equipa completamente virada para a discussão das etapas em linha e da camisola dos pontos. Aparecendo Jurgen Van Der Broeck como falso chefe-de-fila, as principais vedetas são o Sprinter André Greipel (um dos principais candidatos à vitória na camisola verde dos pontos) o Belga Phillipe Gilbert, que poderá ser candidato a fugir numa etapa e a vencer e que decerto será o melhor classificado da equipa na geral visto que é um homem que consegue andar sempre pelos 20 primeiros na montanha

A Rabobank traz Robert Gesink. O Holandês já provou em outras grandes voltas (caso das últimas 3 edições da Vuelta) ser um homem talhado para a discussão das mesmas. É um excelente trepador que pode andar ali pelas primeiras posições mas dúvido que seja capaz de lutar taco a taco pela vitória na geral visto que é pior no contra-relógio que Contador e Schleck. No entanto, as suas hipóteses de chegar ao pódio final em Paris são imensas: tanto nos 3 primeiros como com a camisola da Montanha envergada. Deverão ser esses os propósitos da equipa Holandesa para Gesink: camisola da montanha, lugar no pódio e vitórias individuais em etapas de montanha.

Para acompanhar o ciclista Holandês, a equipa montou uma interessante equipa que compõe Juan Manuel Garate, Carlos Barredo (corredor que pode surpreender numa fuga; se bem se lembram foi aquele que uma vez deu um murro no nosso ciclista Rui Costa) e Luis-Leon Sanchez que saiu da acabada Caisse D´Epargne para a Rabobank. O Espanhol poderá ter um contributo interessante para Gesink ou poderá ser alternativa a Gesink visto que também é um corredor que se safa muito bem na média e alta montanha. Leon Sanchez era até à uns meses atrás o líder do ranking UCI.

Thor Hushovd – Um dos melhores sprinters da última década. O meu favorito.

Outras das equipas mais fortes e sobretudo mais completas é a americana Garmin.

A Garmin traz como chefe-de-fila o experiente sprinter Norueguês Thor Hushovd. Embora os resultados de Hushovd tenham vindo a decair este ano após a vitória em 2010 no campeonato do mundo de estrada, o experiente sprinter de 32 anos é sempre favorito à vitória no sprint e à camisola verde. No entanto os resultados do Noruguês tem deixado a desejar no ano 2011 onde apenas ganhou a 4ª etapa da Volta à Suiça e ficou no 8º lugar do Paris-Roubaix e não existem certezas quanto à possibilidade de vermos um Hushovd ao seu melhor nível.

Se olharmos para os restantes nomes de Garmin vemos porque é que é a equipa mais completa da prova. Hushovd não é o único sprinter de renome na Garmin, existindo também as hipóteses Tyler Farrar (este em melhor forma depois de ter vencido uma etapa no Tirreno-Adriático, a classificação por pontos da Volta ao Algarve, o Troféu de Palma de Maiorca e de ter sido 3º na clássica Gent-Welwegem) e Ryder Hesjdal que em princípio trabalhará para Hushovd e Farrar não esquecendo que também é um bom rolador e um bom finalizador de etapas.

Ao nível da montanha e da classificação geral, os Norte-Americanos trazem Christian Vandevelde, David Zabriskie e David Millar. Vandevelde e Zabriskie são homens para andar nos terrenos mais duros e quiça espreitar a vitória em etapas de montanha e o top 5. Millar será aposta nos contra-relógios.

A Astana aparece com outra face no Tour deste ano após saída de Contador. Alexandre Vinokorouv, actual rosto da Astana teve de montar uma nova equipa de modo à equipa sem competitiva depois de anos em que ter super-esquadras com Contador, Armstrong, Kloden e Leipheimer.

Vinokourov será sempre um nome a ter em conta para as etapas de montanha, para a geral e para a equipa lutar por um ou outra etapa. No entanto, creio que toda a equipa estará em torno do verdadeiro líder que é o Checo Roman Kreuziger, um ciclista em ascensão no panorama ciclista mundial que já provou estar incluído no lote dos possíveis favoritos à vitória. Para o ajudar terá Vinokourov, Di Gregório, Fofonov e Paolo Tiralongo.

Kloden – Qual o seu papel na Radioshack. Suporte a Brajkovic, suporte a Leipheimer ou correrá por conta própria?

A seguir aparece a Radioshack, outra das fortíssimas formações nesta prova.

Basicamente, quase toda a Astana dos últimos 2 anos à excepção de Contador e do retirado Armstrong.

Uma equipa muito forte que promete dar luta na montanha. Como chefe de fila o Eslovaco Janez Brajkovic, à semelhança de Kreuziger outra das promessas confirmadas do ciclismo mundial. O Eslovaco tem imenso talento e pertence à nova geração de ciclistas daquele país, mas experiencias passadas na Vuelta mostraram que pode liderar provas por etapas mas que falha nos momentos decisivos. Veremos se Brajkovic (com a super equipa que dispõe) aguenta-se neste tour. A equipa não dependerá apenas de Brajkovic para atingir os seus objectivos (vencer o Tour, vencer o maior número de etapas) visto que tem homens como Levi Leipheimer, Andreas Kloden (qualquer um deles poderá discutir a prova) Christopher Horner, Murayev, Sérgio Paulinho, Popopych e Haimar Zubeldia – estes últimos trabalharão para os primeiros 3 mas qualquer um é capaz de dar ares da sua graça na prova numa vitória em etapa, por exemplo.

A Team Radioshack é de longe a equipa mais virada para a montanha. Johann Bruyneel assume o comando da equipa.

Rui Costa – espero que o possamos ver na montanha ou numa fuga. Esperamos que possa dar uma vitória numa etapa ao nosso país como deu Sérgio Paulinho no ano transacto.

A Movistar (ainda Caisse D´Epargne) surge à semelhança da sua antecessora como uma equipa outsider no meio de tanta qualidade que se pode evidenciar aqui no Tour.

David Arroyo é o seu líder. É um corredor que já fez sucesso em Portugal ao serviço da extinta LA-PECOL e da sua sucessora. Um bom corredor de montanha, razoável contra-relogista que poderá entrar facilmente no top 10 da prova. Mais que isso será pedir demasiado ao ciclista espanhol.

Para além de Arroyo, a Movistar tem alguns corredores interessantes como o Português Rui Costa, Imanol Erviti, Vasil Kirienka e Jose Joaquim Rojas, todos eles muito talhados para fugas (especialmente o Português e Rojas).


Segue-se a Liquigás de outro dos principais candidatos: Ivan Basso. Melhor, de um dos eternos candidatos: Ivan Basso. As características de Basso na montanha são inegáveis; no Contra-Relógio tem melhorado em muito. Este é um dos anos do “now or never” para o Italiano.

Para o secundar, estarão o polaco Maciej Bodnar, Fabio Sabatini e Sylvestre Szmid.

A AG2R Mondiale entra no Tour com o propósito do costume: vencer etapas! Para isso conta com o Irlandês Nicolas Roche (filho do mítico vencedor Stephen Roche) um homem talhado para fugas e que mesmo na média montanha não se dá nada mal.

Para a montanha, a AG2R apresenta dois homens: Christophe Riblon e John Gadret. Este último tem conseguido resultáveis bastante aceitáveis na alta montanha, estando no top 10 do Giro deste ano. Poderá ser um joker a usar para uma classificação no top 10 e quem sabe algumas vitórias na alta montanha.

A Sky apresenta-se com o chefe-de-fila do costume: o Britânico Braddley Wiggins – muito regular, Wiggins poderá intrometer-se na luta pelo pódio. Mais que isso creio ser improvável.

Na sua equipa tem Flecha (um especialista nas fugas e consequentemente excelente finalizador de etapas nesse aspecto) Simon Gerrans (idem aspas) o Sprinter Edvald Boasson Hagen (um homem que se pode intrometer nos Sprints e quiçá lutar pela verde) e Xavier Zandio, um homem para acompanhar Wiggins na montanha.

A Quickstep apresenta  novamente como seu chefe-de-fila Sylvain Chavanel, o homem em que todos os Franceses depositam a confiança de vitória no 14 de Julho, dia nacional Francês. Chavanel dispensa apresentações e todos sabemos o que é capaz de fazer. No entanto, creio que não será desta que os Franceses poderão sonhar em ver em Francês vestido de amarelo em Paris. Chavanel será um forte candidato à camisola de melhor trepador. 

A Quickstep tem também dois dos melhores sprinters em prova: Tom Boonen e Gerald Ciolek, dois favoritos a etapas discutidas ao sprint e à camisola verde.

A BMC tem Cadel Evans, outro dos crónicos candidatos ao Tour. Evans terá aqui também uma das últimas oportunidades de se consagrar vencedor em Paris. A sua equipa tem uma equipa interessada montada à sua volta com Burghardt, Hincapie, Moinard e Quinziato. Terão que se redobrar em esforços para levar o seu líder ao máximo onde puderem.

A Française Des Jeux não apresenta nada de novo. Uma equipa totalmente francesa com o líder a ser novamente Sandy Casar. Objectivo: vencer pelo menos uma etapa.

A Cofidis apresenta-se em prova com o Estoniano Rein Taraamae como chefe-de-fila. É mais um para se envolver nas lutas com os mais fortes dessa variante e quiçá trazer uma vitória de etapa para a equipa Francesa. Será muito difícil a tarefa do Estoniano tendo em conta nomes como Boonen, Cavendish, Petacchi, Ciolek…

Ao nível da montanha, a equipa poderá contar com o Colombiano Leonardo Duque (terá interesse na camisola da montanha e quiçá numa boa classificação na geral) e David Moncoutie, à partida um homem para ficar nos 20 primeiros e tentar a sua sorte numa fuga.

A Italiana Lampre apresenta-se com Damiano Cunego, outro dos homens a ter em conta para a montanha. As últimas prestações de Cunego no Tour deixaram a desejar. Vamos ver se é desta que o ciclista Italiano confirma as suas credenciais de trepador.

Petacchi é o homem da equipa para a luta pela vitória nas etapas em linha e quem sabe a camisola verde, se o Italiano desta vez tiver com disposição para ultrapassar as montanhas, coisa que raramente acontece.

O mesmo se pode dizer de Mark Cavendish, o principal candidato a limpar as primeiras etapas de Tour. Dispensa apresentações.

Numa equipa com bons ciclistas de trabalho (HTC Columbia) como Bernard Eisel (talvez mais que um homem de trabalho) Peter Velits (também finaliza muito bem) Mathew Goss (pode  ganhar uma etapa caso entre em fugas) Mark Renshaw e Tony Martin, a Columbia tentará sair do Tour com o máximo de vitórias possíveis. 

Para terminar, as 4 formações mais débeis do pelotão do Tour:

– a Francesa Team Europcar com Thomas Voeckler, um nome sempre a ter em conta para umas vitórias de etapa, visto que já chegou a andar de amarelo em duas edições do Tour.

– A Team Katusha líderada por Vladimir Karpets, talvez um dos ciclistas que mais potencial apresentava na última década e que passou ao lado de uma grande carreira. Karpets também é um nome a ter em conta para uma eventual etapa de montanha. A Katusha também traz Mikail Ignatiev e Alexandr Kolobnev, dois homens muito perigosos no que toca a fugas.

– A Vacansoleil e a SAUR-Sojasun, equipas que me são desconhecidas ao nível de potencial.

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