Tag Archives: Johan Cruyjff

tudo ao molho e fé em deus

roquette

a sondagem do Jornal Record dá a vitória a Bruno de Carvalho no acto eleitoral do sporting. o fim da era croquette. aleluia.

neste mês e meio que passou entre a demissão da actual direcção do clube e o acto eleitoral, preferi, à excepção de um ou outro apontamento, manter o silêncio para ver o desaguar dos acontecimentos. não posso dizer que fico feliz pela vitória de Bruno de Carvalho porque fico. dos 3 candidatos, acho sem dúvida que Bruno de Carvalho era, à partida, depois de ponderar bem o programa das 3 listas a sufrágio, o candidato mais sensato para ocupar a presidência (e a presidência da SAD como o próprio manifestou em entrevista à RTP Informação nos últimos dias). porém decidi embarcar no silêncio, porque de botabaixismo já se encontravam cravadas as páginas dedicadas pelos jornais às ditas listas.

a confirmar-se a eleição de Bruno de Carvalho, fica reposta a vergonha que se deu lugar no último acto eleitoral para a direcção do clube em que por via do actual sistema eleitoral do sporting, o voto qualitativo por antiguidade de associado deu na altura a vitória a um Godinho Lopes sufragado por menos sócios que Bruno de Carvalho.

dos 3 candidatos, Carvalho era aquele que para mim satisfazia com melhor discurso e com melhores ideias aquilo que se precisa para o sporting. mais sensato, mais ponderado nas suas afirmações e nas habituais revelações de nomes e investidores para o clube e para a SAD, Carvalho mostrou nestas últimas semanas ser o candidato que afiança a promessa de maior rigor para a gestão desportiva e financeira do clube e da SAD e mostrou que é o candidato com melhor conhecimento daquilo que é a realidade do sporting, daquilo que o sporting precisa de ser no futuro e das estratégias que o sporting precisa para voltar a ser aquilo que já não é desde 2009 para cá: uma grande instituição da vida portuguesa.

de josé couceiro não esperava muito mais do que ser a continuidade da dinastia croquette no clube. não esperava mais do que um programa pouco ambicioso, resultante de uma dinastia de presidentes que afundaram o sporting tanto a nível desportivo como a nível financeiro, que empurraram o futebol do sporting para fora dos 3 primeiros da liga, que alienaram todo o património que o clube e a SAD detinham, que empurraram o sporting para uma posição de subserviência a outros grandes do futebol português, que empurraram o sporting para um lugar de menor relevo no panorama das modalidades, que empurraram o sporting para uma posição de subserviência à banca credora do clube e que consequentemente, empurraram o sporting para uma profunda posição de gozo entre a sociedade portuguesa que passou a tratar o sporting como autêntico lixo em vez de tratar o sporting como aquilo que ele é: uma instituição secular, que tira muitas crianças dos maus caminhos para a prática de uma modalidade desportiva, que os torna homens e que tem uma história riquíssima e ímpar, tanto em Portugal como no mundo, de vitórias nacionais e internacionais.

na análise à candidatura de carlos severino apliquei o ditado “de espanha nem bom vento nem bom casamento” – severino apareceu como o um daqueles cromos repetidos que costumam aparecer nos actos eleitorais do clube leonino. sem noção de realidade da casa, sem noção de como se gere um clube, sem noção de mais do que alimentar um puro protagonismo durante um mês. prova disso foi a cartada final da candidatura de severino que previa um acordo de parceria com a fundação cruyjff, que por si, já tinha escrito nas entrelinhas uma jogada de bastidores que iria delapidar a jóia da coroa do futebol de alvalade que é a formação. se carlos severino tivesse sido eleito do clube, sabendo das relações entre o técnico holandês actual seleccionador da selecção da catalunha e o FC Barcelona, qualquer ignorante com dois palminhos de testa saberia do que se estava ali a alinhavar. como os sportinguistas não tem memória curta, nem é preciso recuar muitos meses no passado para perceber que a direcção de Godinho Lopes cometeu um atentado no passado verão ao deixar sair dois dos mais promissores jogadores da cantera do sporting (os internacionais sub-20 Agostinho Cá e Edgar Ié) para o Barcelona a troco de 2 milhões de euros. com severino e cruyjff metidos ao barulho, quantos mais poderiam sair no futuro para a catalunha caso o candidato tivesse sido eleito.

por falar em vendas, o sporting já confirmou a venda de Ricky Van wolfsinkel aos ingleses do Norwich por 10 milhões de euros. a história dos fundos e das vendas de percentagens dos passes dos jogadores do clube aos fundos fará com que o sporting não receba grande parte da verba. o que eu não consigo perceber é o seguinte aspecto: como é que uma direcção demissionária e consequentemente em mandato de gestão até novas eleições tem o poder de vender um importante activo da SAD a poucos dias das eleições que irão constituir um novo presidente e um novo alinhamento na SAD?

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sportinguices

Luis Freitas Lobo com Bruno Carvalho: vamos ter a poesia de Homero a cada drible de Carrillo e a filosofia de Espinoza a cada defesa de Patrício. Carlos Severino com uma empresa de Johan Cruyjff para potenciar a academia. Ou melhor, para fazer o que esta direcção cessante fez com os passes de Agostinho Cá e Edgar Ié, dois jogadores promissores da cantera leonina que rumaram a Barcelona a custo do pagamento de salários em atraso do plantel principal. Do Peyroteu não falo. Toda a gente sabe o que é ele anda lá a fazer. Os próprios métodos que a sua campanha utiliza para limpar adversários são sobejamente conhecidos pela sua utilização noutros candidatos (vencedores presidentes) da dinastia. Há momentos no Sporting em que o algodão não engana… Ganhe o que ganhar (todos sabemos que quem vai ganhar é José Couceiro) tudo no feudo de Alvalade continuará igual… ou pior!

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Honrar os vivos (e já agora os mortos)

Messi é um jogador fantástico. Leva a bola nos pés como se tivesse manteiga. Dribla como ninguém. É esguio, é rápido, é letal a finalizar. Em quase todos os jogos, leva equipas inteiras à frente e finaliza fintando o guarda-redes. Messi é aquele jogador que executa tão rapidamente que assume o seu jogo na base do risco. Basta um pedaço de terreno e Messi faz Magia. Até quando temos a noção que o defesa vai ser mais lesto a desarmá-lo ou a fazer falta, Messi surpreende com um toque mágico de ouro. É disciplinado e não treme perante a pressão. Já ganhou a Liga Espanhola, a Liga dos Campeões, a Supertaça Europeia e o Campeonato do Mundo de Clubes.

No entanto, Messi ainda não conseguiu aquilo que o pode comparar a El Pibe: ser campeão do mundo pela Argentina e chegar (como El Diez chegou) a uma cidade do Sul de Itália como Napoles, cujo clube clube estava na altura na 2ª divisão italiana e contrariar todos os arranjinhos que a Federação Italiana de Futebol fazia até então para que o dono do scudetto oscilasse entre Milão, Roma e Turim.

Costumo dizer que quando Messi chegar à categoria de um clube como a Cremonese ou o Macclesfield Town e levar essa equipa ao título máximo dos respectivos países, aí sim, Messi será para mim iconizado como o melhor jogador da história do futebol.

Não quero com isto tirar brilho aquele que para mim é o melhor jogador da actualidade. Não é aquele que mais gosto. Pelo meu gosto, adoro um Zlatan Ibrahimovic que finaliza constantemente em força, um Ronaldo que é esquivo, um Luka Modric que pensa todo o jogo de ataque de uma equipa e um Gareth Bale locomotiva. Entre outros…

Deixo-me de blá blá blá e passo de seguida aquilo que me motivou a escrever este post.

Nunca fui um fã do Barcelona. Fui sempre daqueles que simpatizei com a equipa consoante os craques que ia contratando. Nas eras Robson\Cruyff\Van Gaal gostava do Ronaldo (quando ainda era magro) do Couto, do Figo, do Baía, do Nadal e do De La Peña. No final da era Van Gaal e na estadia do Carles Rexach, adorava a manada de Holandeses que o clube tinha, com especial destaque para o Philip Cocu, um dos médios mais inteligentes que vi jogar na minha infância\adolescência. Também admirava o Cavalo Manco. Para leigos, era o nome pelo qual o Rivaldo era tratado carinhosamente pelos seus colegas da selecção Brasileira. O Cavalo Manco era elegante no passe, finalizava luxuosamente à entrada da área e fazendo jus ao ditado popular “cada tiro cada melro” podia-se traduzir que era “cada tiro, cada golo” de livre. Sempre ao canto num estilo de pés inconfundível.

Depois veio a era Rijkaard e a simplificação do modelo implantado 15 anos antes no clube pelo mítico Rinus Michells. A cantera começou a fornecer talentos e o Barça começou (pela necessidade de assimilação da unificada táctica de jogo da equipa) a capturar talentos a olho: Ronaldinho Gaúcho, Deco, Eric Abidal, Daniel Alves, Samuel Eto´o, David Villa, etc Todos eles já tiveram o seu tempo de “partir tudo” na Catalunha.

A estética bonita do futebol do Barcelona (diria eu à passagem dos anos 2006, 2007 e 2008) começou a soar-me como coisa feia nos dias que correm. Costumo dizer que quando o Barça joga, vou tirar uma soneca, tal é o grau de sono que aquele modelo de contenção de bola meu causa.

Fora-de-campo, o Barça é um clube com uma gestão de doidos e com um objectivo expresso.

A gestão do Barça oscila entre a captação de recursos e o esbanjamento puro e duro. É uma máquina de fazer dinheiro mas também é uma máquina de o gastar. Nou Camp chega a ter uma política em que os lugares lá de cima são comprados por várias pessoas na espécie de bilhete anual, cabendo aos primeiros milhares a chegar ao estádio a possibilidade de ver os jogos. Interrogados por mim, catalães disseram que não se importam de dar 1000 euros por um bilhete anual onde sabem que se chegarem atrasados vão ver a bola ao café no centro comercial. Querem sim é dar dinheiro ao clube porque o clube representa toda uma cidade, toda uma região e todo um sentimento separatista a Madrid. Dizem que se ultrapassaram o tempo do franquismo enquanto clube (os adeptos do Barça eram proíbidos de levar bandeiras e tarjas alusivas à equipa para Nou Camp) tem orgulho em mostrar a Madrid que são os mais fortes em território espanhol. Subliminarmente, até o próprio futebol catalão mostra uma ideia separatista ao criar aquela coisa estranha a que chamam Selecção da Catalunha.

O presidente do Barcelona Sandro Rosell, ligeiramente antes das eleições para o clube e ainda na pele de vice-presidente para a área financeira afirmou no final da época passada que o Barcelona não possuía um euro de capital próprio nas suas contas, estando para tal dependente do empréstimo de bancos. Rosell, banqueiro, sabe perfeitamente que existem poucos bancos no mundo que neguem um empréstimo a um dos mais endividados clubes mundiais. O Barcelona clube optou então que uma das soluções para enfrentar a austeridade seria fechar modalidades, o que acabou por não acontecer. A austeridade de Rosell era tanta que no defeso, o Barça não se importou de gastar 75 milhões de euros em 2 reforços: Cesc e Aléxis. Curioso.

Outro dado que já me fez escrever uma vez aqui no blog é o carácter exemplar do dirigismo barcelonista quanto ao patrocínio da UNICEF. Mais uma vez pego em Rosell. Em 2007 Rosell afirmava em tempos de vacas gordas que o Barça pagava o que fosse preciso para que a UNICEF tivesse um patrocínio na frente da camisola do clube. Anos passaram e a UNICEF passou para o dorso da camisola e deu lugar à Qatar Foundation a troco de 30 milhões\ano. A hipócrisia sem limites.

O separatismo Catalão é uma coisa dura como bem sabemos. O ódio a Madrid é visceral. No Barcelona, todos os produtos da cantera são dados como deuses porque lhes corre sangue catalão nas veias. Maradona vinha rotulado de Deus mas acabou por ser rapidamente chutado para Itália. Diziam eles que fazia um jogo genial por cada 5 maus. Maradona justificou-se que o tratamento que lhe davam em Barcelona era bastante inferior a paupérrimos colegas que saiam da cantera. Rivaldo, Cruyjff, Figo (antes de trocar para Madrid) Kubala, Ronaldinho e Messi são das raras excepções entre os estrangeiros que actuaram em Barcelona e que conseguiram ter um estatuto superior a qualquer jogador catalão. Se bem que Messi partilha o mesmo estatuto com Xavi, Iniesta, Piqué e Puyol. Figo partilhava-o com Guardiola e De La Peña.

É fantástico comparar este dado separatismo com o separatismo Basco. O Athletic de Bilbao tem como obrigatoriedade nos seus estatutos alinhar todos os jogos com jogadores nascidos no País Basco: tanto no do lado espanhol (inclui jogadores nascidos em Navarra, caso de Urzaiz) como do lado francês de onde já veio Bixente Lizarazu, antigo internacional Francês.  O Athletic Bilbao é inegavelmente uma das maiores escolas de formação do mundo. De Bilbao já saíram para o mundo jogaores como Rafael Alkorta, Belauste, Joseba Exteberria, Goikotxea, Ismael Urzaiz, Julen Guerrero, José Angel Iribar, Javier Irureta, Aitor Karanka, Andoni Zubizarreta, Uriarte e Júlio Salinas. Meia selecção espanhola dos últimos 2o anos portanto. Actualmente tem outros: Markel Susaeta, Iraola, Oscar de Marcos, Iker Muniain, Joseba Llorente, Javi Martinez. O Athletic de Bilbao tem uma gestão perfeita: só gasta aquilo que pode, tudo em ordenados pois raramente contrata um jogador e quando o contrata, contrata a clubes pequenos da periferia como o Deportivo Alavés, Baskonia, San Fermín ou a clubes fortes da região como o Osasuna ou Real Sociedad. O Athletic de Bilbao não tem 1\7 do potencial financeiro que ostenta o Barcelona e faz história (muita história) com aquilo que produz internamente.

Já o Barça gaba os títulos aos seus catalães de meia tigela e vence-os com os estrangeiros que compra a potes. Messi é só mais um exemplo.

Para finalizar, é bom ver como um clube adultera a sua própria história. Cliquem aqui.

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