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Os Imigrantes

Como demonstra a caricata imagem, em 1979, um grupo de cidadãos Mexicanos jogaram um jogo de Voleibol junto a um muro que marca a fronteira entre os Estados Unidos da América e o México. Uns do lado Americano e outros do lado Mexicano, sendo o referido muro a rede do jogo.

Há uma regra no Voleibol que penaliza quem tocar na rede ou quem ultrapassar com qualquer parte do corpo para o lado adversário. Fazendo analogia ao actual panorama das leis de imigração dos Estados Unidos da América, há quem esteja super interessado em pura e simplesmente restringir a imigração para o país. É o caso do Xerife Joe Arpaio, xerife de Phoenix que lançou uma autêntica cruzada à imigração ilegal nos Estados Unidos da América.

A imigração para o país é um dado que remonta há mais de 3 séculos quando os peregrinos Ingleses chegaram ao território Norte-Americano a bordo do “Mayflower”. Décadas depois (devido à existência de possessão territorial por outras potências Europeias) começaram a chegar os primeiros espanhóis e os primeiros Franceses junto com os escravos africanos que estes usavam para a mão-de-obra necessária para desenvolver a exploração que era feita nos territórios.
Com o advento do capitalismo e com a progressiva descoberta e ocupação da totalidade do actual território Norte-Americano, os sucessivos Governos do país começaram a precisar de pessoas não só para ocupar território como para o explorar. Abriram-se caças ao Oeste, onde o Governo incentivava a que novos emigrantes escolhessem livremente um sitio para se fixarem. Com o advento industrial dos Estados Unidos no final do século XIX, começaram a chegar ao país milhares de emigrantes dos mais variados destinos: Italianos principalmente, Sul-Americanos, alguns Portugueses, Chineses, Espanhóis, Cubanos, Mexicanos… Com a chegada destes, a cultura Norte-Americana passou a ser um autêntico “melting pot”, uma autêntica miscenização étnico-cultural: dezenas de povos diferentes, com culturas e tradições diferentes no mesmo território. Não descurando a ideia do patriotismo Norte-Americano, a ideia de identidade nacional nos EUA não existe. Existe sim, uma cultura composta pelas práticas, comportamentos e tradições de vários povos, de várias raças, de vários credos, de vários valores…

Muitos desses povos chegaram à América de forma ilegal, e de forma ilegal gerações trabalharam de modo a enriquecer e a aumentar a grandiosidade do lema do “sonho americano”…

Dado essencial em tudo isto é o facto de ainda hoje, ser benéfico para a economia paralela que é desenvolvida no país o factor da imigração ilegal. Nos Estados Unidos, há milhares senão milhões de imigrantes ilegais que tem uma profissão e que ajudam ao crescimento (actualmente à retoma) da economia Norte-Americana, sem que nada ou ninguém os impeça de o fazer. Os serviços de estrangeiros e fronteiras, sabem quem são os imigrantes ilegais, onde vivem, onde trabalham e em milhares de casos nem sequer põem uma única objecção quanto à prestação de cuidados de saúde e educação aos imigrantes e aos seus filhos. Estamos portanto numa situação em que a imigração ilegal é algo completamente consentida pelas autoridades Norte-Americas e tida como altamente benéfica para o país.

Por outro lado não se deve descurar dizer que entre as pequenas comunidades de imigrantes (como noutros sectores da sociedade Norte-Americana) existem aqueles que vivem sem quaisquer tipos de regras, usando e abusando de formas ilícitas de actuação como ganha-pão. É o caso da Máfia. Engane-se quem pensa que o fenómeno da Máfia é um fenómeno intrinsecamente ligado à cultura Italiana. As formas e os esquemas mafiosos estão em todo o lugar e no caso específico dos Estados Unidos também existem organizações mafiosas de Cubanos, de Mexicanos, de Chineses e até de Judeus. Dúvido até que entre os Portugueses não exista qualquer tipo de Máfia.

Dos sectores altamente conservadores do país aparecem homens como Joe Arpaio. Xerife em Phoenix, 78 anos. Altamente conservador. Crente que são os imigrantes no país a causa da grossa fatia da taxa de criminalidade.
Arpaio é totalmente contra a imigração. Nos Estados Unidos é idolatrado por todos os conservadores e por todos os nacionalistas. Do outro lado, o sector da esquerda Norte-Americana não se cansa de divulgar os métodos pouco ortodoxos de conduta profissional do senhor que chegam a roçar o sádismo, violando assim os Direitos do Homem. Tudo, porque o Xerife Arpaio “pensa que pode livrar a América de todos os males que a afectam. Exclusivamente causados por imigrantes!”

A lei de imigração SB1070 no Estado do Arizona, uma lei que restringe ainda mais a imigração para o referido Estado foi bloqueada na semana passada pela juíza Susan Bolton, um dia antes de entrar em vigor. Para descontentamento de Arpaio e do sector conservador do país.
Jurídicamente esta pode ser uma manobra incipiente. A criação legislativa nos Estados Unidos é o que vulgarmente se chama de “pau de dois bicos”. Por um lado temos as emendas da constituição. Por outro lado, para a mesma matéria, os 50 Estados poderão ter dentro do seu território diferentes legislações em vigor. Qual delas deverão os Norte-Americanos respeitar? A federal ou a estatal?
Arpaio manifestou a sua indignação perante as camaras de TV. Disse que continuaria a trabalhar com o mesmo método, lançando uma autêntica caça à imigração no seu condado.

Os Estados Unidos estão a apertar o cerco à imigração. Seja ela de índole legal ou ilegal. Os Norte-Americanos pura e simplesmente não irão querer mais imigração não-qualificada. Progressivamente, as políticas de imigração Norte-Americanas estão a desenvolver acções que visam sobretudo um encerramento total de brechas existentes na fronteira com o México. Como uma das maiores comunidades enraizadas no país, qualquer Mexicano que tente entrar de forma legal ou ilegal no país será considerado de forma preconceituosa (diria irracional) como mais um que deverá querer entrar no país para estabelecer uma ponte maior para o tráfico de estupefacientes.  Daí que os Estados Unidos estejam a pressionar o governo Mexicano a encetar uma verdadeira luta contra os barões dos cartéis de droga. Como se não os houvesse entre os nacionais Norte-Americanos e Como se por exemplo, o Presidente dos Estados Unidos não fosse só por acaso o maior vendedor de armas do planeta. Não directamente, mas através de intermediários…

Daí que esteja a ser construído o maior muro fronteiriço desde o Muro de Berlim na fronteira entre o México e os Estados Unidos. Um muro ao estilo de Berlim e da Faixa de Gaza. Para que ninguém jamais tente passar a fronteira do México para os Estados Unidos.

A pergunta que vos deixo hoje é esta: se a população Norte-Americana é constituída por um fenómeno de miscenização e convivência de várias culturas, vindas de fenómenos de imigração, que moral têm os americanos para impedir que cidadãos de outros países tentem procurar a fortuna e a felicidade no seu país? Não será isto racismo e xenofobia?

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