Tag Archives: João Pinto

sportinguices (parte II)

Na sexta-feira escrevia eu neste blog em relação à exibição de Anderson Polga no jogo contra o Nacional: “Só me ocorre algo a este propósito: Anderson Polga.

A exibição do brasileiro contra o Nacional da Madeira deu-me um sentimento misto: nojo e comicidade.”

Hoje foi Rodriguez, Oneywu, João Pereira e Evaldo: em 2 jogos o Sporting sofre 4 golos devido a um único denominador que é o facto de ter uma defesa fraca, fraquíssima, horrível.

Ontem, noutro post, escrevi com relação à justiça do 1º lugar ocupado pelo Benfica e às expectativas do Sporting para o resto da época: “Quanto ao meu Sporting, restará talvez o contentamento de tentar o 3º lugar (dá acesso à 3ª pré-eliminatória da Champions do próximo ano) construir uma espinha dorsal para atacar o título no próximo ano e tentar ganhar as taças internas em que está inserido e ir o mais longe possível na Liga Europa.”

Se construir uma equipa para a próxima época é algo em que acredito, a conquista do 3º lugar no campeonato deixou de ser uma realidade com esta derrota em Braga.

Muitas críticas e gozos já se têm urdido contra o Sporting – o mais fraco dos grandes, o eterno 3º, o 1º dos pequenos, o 4º grande. Todas elas vem de pessoas que se assemelham a cobras: urdem os gozos nos seus mais profundos covis, sem respeito por pessoas que dedicam a sua vida, a sua actividade profissional ou até os seus tempos de lazer a uma instituição que é secular e que presta utilidade pública a milhares de jovens neste país.

Dou-vos um exemplo bem pessoal: quando eu era miúdo, passei a minha infância e a minha adolescência sem ver o Sporting campeão (só vi pela primeira vez poucos dias antes de completar 13 anos) – os meus colegas portistas que viam o Porto de Jardel a erguer titulo sobre titulo e os meus colegas benfiquistas (que também nunca tinham visto nada como eu) passavam a vida a gozar-me por ser o único da turma que era do Sporting.

Até que em 1999\2000 o Sporting foi campeão e o Benfica durante essa altura passou 2 épocas sem ir às competições europeias, levou 7 em Vigo de um tal de Celta, esteve à beira da falência, promoveu uma acção de misericórdia e caridade intitulada de “Operação Coração” para sobreviver, teve um dos seus mais marcantes jogadores (João Pinto) a sair a custo zero para o rival e teve um presidente corrupto como João Vale e Azevedo – em todos esses episódios poderia ter uma postura cínica como a que os meus colegas de turma tinham comigo e ter tirado partido da situação. Não, apenas me limitei a continuar a torcer pelo Sporting e a dizer a alguns benfiquistas que um dia as coisas iriam melhorar para o seu clube.

É certo que o Sporting volta a capotar. Saídos de 2 épocas claramente miseráveis pensavamos claramente que esta poderia ser a época de turning point. Pensamos mal, a não ser que algo de extraordinário venha a acontecer nas 4 frentes em que o Sporting ainda está envolvido. Saímos da luta pelos 2 primeiros lugares no campeonato com uma derrota em Braga que denotou mais uma vez fragilidades e tonterias defensivas, jogo a passo, falta de criatividade, um João Pereira fraquíssimo, demora na finalização, perda de domínio no meio-campo a meio do jogo e muito nervosisimo\intranquilidade.

Desde o jogo da Luz, que este Sporting não está muito longe do Sporting de Paulo Sérgio, de Carvalhal e de Couceiro. Está uma lástima portanto…

O problema deste clube é que treinadores passam, jogadores passam, passam presidentes, funcionários, sócios e adeptos mas a filosofia continua a mesma: falta de ambição, falta de investimento, erros sobre erros na prospecção de reforços e consequentes contratações. E os velhos do resto como esse tal de Dr. Eduardo Barroso e como esse tal de Jorge Gabriel continuam a ser enviados para programas de televisão e para os jornais para dizerem as mais profundas bacoradas sobre futebol e prejudicar a alma de um clube que por si já é atormentada.

Começo a desconfiar que o Sporting precisa urgentemente de mudar de objectivos e de estratégias. Se a gastar pouco não vai lá e a gastar 20 milhões acaba também por não ir lá mais vale não se assumir como candidato a nada e jogar com jogadores formados nas suas escolas. Mas esta é apenas a minha perspectiva – a perspectiva de um sportinguista mais que apaixonado.

Anúncios
Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

10 anos

Da Weasel — “Entra e representa” — Álbum: Podes Fugir Mas não te podes esconder (2001)

O tempo é uma merda que não perdoa. Hoje lembrei-me que passa uma década desde a primeira edição deste álbum. Parece que foi ontem que ouvi isto pela primeira vez, num walkman da Sony ainda em versão cassette.

Eramos putos, viviamos numa era dourada em que os nossos pais não tinham os problemas financeiros que tem hoje, o Sporting tinha o João Pinto e o Mário Jardel, os Limp Bizkit eram reis e os putos apresentavam-se na escola munidos do seu cap dos Yankees. Maior parte deles falsificados, sempre tive os originais e em várias cores. Sempre tive sorte e agradeço todos os dias aos meus pais a educação e as oportunidades que me deram.

As letras eram agressivas, as guitarras também. O Carlão e o Pac Man apresentavam-se em palco com a corda toda e ainda cheguei a vê-los duas vezes nesse ano. Já havia o Sam, o Boss, os Mind, e outros tantos, mas o que é certo é que nenhum deles tinha batido tanto na juventude do país até então. O Carlão, o Pac, o Quaresma, o Jay e o Glue eram fortíssimos e creio que depois deste álbum perderam-se irremediavelmente. É certo que tiveram mais sucesso nos dois álbuns que se seguiram, mas nunca voltaram a ser os mesmos.

Depois era a verve da cena. Quem imaginaria na altura que os nossos tugas conseguiriam gravar um som com os cubanos Orishas, cena bem apreciada na altura.

Já passaram 10 anos. Sinto saudades desses tempos.

Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Cromos da bola #2

“Como os americanos dizem: um artista, an artistre” – estas palavras podiam ter sido ditas por Lauro Dérmio, caricatura do professor Lauro António que Herman José celebrizou no final dos anos 90 na mítica “Herman Enciclopédia”.

Também, poderiam em todo o caso, ser palavras desse grandioso comentador de nome Gabriel Alves.

Pai aos 16 anos, João Pinto apenas se aventurou por uma vez no estrangeiro no Atlético de Madrid, onde foi relegado para a equipa de reservas (já na altura o Atlético era o brilhante destrutor de carreiras que tão bem conhecemos). No Benfica celebrizou o que é ser um diabo vermelho e por uma vez, colocou várias crianças deste país a chorar (inclusive eu) quando foi espetar 6 a Alvalade ao Sporting de Figo, Balakov e companhia, destroçando milhões de almas sportinguistas que viam naquele jogo a brilhante oportunidade de quebrar, na altura, um jejum que já ia em longos 12 anos.

Mestre no mergulho, tanto em mar como no relvado, era um autêntico catedrático na arte de bem ludibriar a arbitragem. No entanto, os seus dotes eram amplos: conduzia a bola como ninguém em autênticas cavalgadas estilo um-contra-todos, o seu 1 para 1 era fenomenal e por mais cachaporras que levasse dos defesas, todos sabíamos que João Pinto se levantava com toda a arte e depois ainda era menino de entrar na área com bola, tropeçar na bola e sacar uma grande penalidade.

Não eram apenas as grandes penalidades que Pinto sacava. Sacava grandes golos de cabeça, e no fim da carreira de dinossauro futebolístico ainda sacou a Marisa Cruz.

Toni venceu o campeonato para o seu Benfica nesse ano e quem diria, que anos mais tarde, João Pinto, idolatrado como “menino de ouro” lá para os lados do Estado da Luz, onde um presidente larápio chegou inclusive a propor um vínculo vitalício para o avançado, seria apelidado de “vaca velha” por um velho alemão de nome Heynckes e dispensado a custo zero para o rival de Alvalade.

Corria o ano de 2000, ano que ficou marcado pelo Euro 2000 e por conseguinte pelo salto de peixe contra a Inglaterra que colocou o mesmo Heynckes afónico num relato para uma televisão alemã.

João Pinto pegou de estaca no sporting e na época de 2001\2002 seria como o “pai” que Jardel nunca teve. Dizia-se que era João Pinto no céu e Jardel nas alturas entre os centrais. Depois veio  o mundial da Coreia e do Japão, e para fazer rima, o adeus à selecção. Expulso contra  a Coreia num jogo de má memória para a alma lusa, culminado no ponto de vista individual do jogador com uma murraçada em cheio no estômago de Angel Sanchez, também ele, um árbitro de má memória.

Seria o adeus à selecção.

João Pinto manteve-se no Sporting mais dois anos, antes de rumar ao seu Boavista. Tanto no Boavista como posteriormente no Sporting de Braga ainda haveria de se mostrar a bom nível. Mas, aos 35 anos, era o fim.

 

Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , ,