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Breve resumo das eleições legislativas

Da noite eleitoral de ontem, é mais que certo e assimilado que o grande derrotado é José Sócrates.

Depois de uma campanha em que o líder do PS se limitou a ir espiando a casa alheia, a mandar as suas bocas à oposição e a truques de propaganda que foram desde as arruadas com os emigrantes aos comícios que arrastavam multidões apenas pelo cheiro do tinto e das bifanas, o resultado não poderia ser outro.

Política zero. Medidas a efectivar na prática: zero. Os Portugueses limitaram-se a assistir um Sócrates queixinhas: ora queixinhas sobre as propostas do PSD, ora queixinhas sobre a falta de tempo de antena concedido pelas televisões à campanha do PS, ora queixinhas pelo facto de se apresentar a novas eleições depois de dois anos de governação muito desgastantes e em situações adversas.

Se o actual panorama do país era adverso para José Sócrates, este deveria ter respondido com a “confiança e determinação” do costume. Limitadas as opções do Partido Socialista nesta campanha pelo acordo feito com a troika do FMI, BCE e Comissão Europeia, o líder do Partido Socialista não podia fazer muito e do pouco que poderia dizer aos Portugueses, limitou-se a fazer contra campanha contra o PSD de Passos Coelho.

Chegado o dia das eleições e a derrota (que já estava antevista pelo PS) Sócrates acaba por sair pela porta pequena da governação, deixando um partido sem grandes perspectivas de uma liderança forte para ocupar o lugar da oposição, ciente que terá que lidar com as críticas de um acordo de resgate internacional que o partido assinou enquanto governo e enfraquecido ao nível ideológico depois de uma governação ruinosa que foi pautada por uma divergência quanto ao rumo a seguir: ora neoliberal, ora defensora do Socialismo, ora defensora de um falso Estado-Social.

Pedro Passos Coelho capitalizou todos os erros de Sócrates. O PSD tanto desgastou na oposição o governo socialista, que acabou por chegar de rompante ao poder.

Numa campanha marcada por uma certa confusão ideológica do seu líder e por alguns “tiros nos pés” como foi por exemplo a questão polémica em torno de Fernando Nobre, o PSD (que também apostou numa estratégia de bate-boca directa com o PS) soube explanar melhor as suas ideias.

O programa pode não ser o melhor, mas numa coisa Passos Coelho teve o mérito: prometeu estabilidade para o país e mostrou-se mais empenhado em conquistar os votos dos portugueses. Só o futuro poderá dizer que se as ideias de Passos Coelhos contribuirão por um Portugal melhor.

O CDSPP de Paulo Portas entrou nestas eleições com a clara noção que seria o partido-joker para quem ganhasse as eleições de modo a constituir maioria absoluta.

Portas foi claro. Não revelou alianças a nenhum dos partidos nem desmentiu possibilidades de efectuar uma com o partido vencedor. Na expectactiva, o CDS foi trilhando a sua campanha pensando em atingir o objectivo dos 14% – as sondagens pela primeira vez davam uma percentagem acima do que era esperado pelo líder do CDS. Ao contrário das eleições anteriores onde as sondagens eram criticadas por Portas como escassas em relação ao resultado que este pretendia atingir, desta vez, as sondagens provaram o contrário. Mesmo assim, o esforço dos populares ficou bem traduzido em votos e mandatos. O CDSPP formará governo com o PSD e decerto tenderá a ocupar pastas bastante importantes no novo governo.

A CDU aumentou em 1 deputado. Depois de uma excelente campanha em que as políticas do partido (há muito traçadas e anunciadas) foram enunciadas com o rigor e coerência que se conhecem, a CDU voltou a reconquistar um deputado em Faro.

Em relação à CDU e ao Bloco de Esquerda, não creio que o facto de se terem colocado à margem das negociações com a “troika” tenham sido nefastas aos dois partidos: há muito que os dois partidos já tinham anunciado que não estavam predispostos a pactuar com um resgate que em nada beneficiará Portugal. E nesse aspecto, devido às ideologias e às soluções que defendem para o nosso país, manteram a coerência.

A luta continua na mesma bitola. A CDU continuará a pautar a sua intervenção política pelos mesmos valores, na busca dos mesmos objectivos. Continuará a defender uma política patriótica e de esquerda de forma a que este país seja um país mais justo, mais solidário e mais desenvolvido.

O Bloco sai efectivamente como o maior derrotado destas eleições. “Onde param os votos de 2009?” é a pergunta que os Bloquistas fazem neste momento. Na minha opinião, muito do seu eleitorado flutuou para o PSD, outra parte votou em branco e outros nem sequer fizeram questão de ir às urnas.

José Manuel Pureza não foi eleito por Coimbra, facto que me deixa triste, não sendo o Bloco o partido da minha ideologia. Quem perde é Coimbra. Perde um político competente que fez uma excelente legislatura enquanto líder parlamentar do Bloco. Perde um político acutilante na defesa dos interesses do distrito.

A abstenção voltou a ser altíssima. Não censuro quem votou em branco. É uma opção de cidadania que traduz o descrédito legítimo à actuação da classe política. Censuro quem não vai votar. Censuro quem não vai votar e queixa-se dos governantes e deputados que não elege. Censuro quem parece não ter a mínima noção do exercício de direitos e do cumprimento de deveres que é adstrito ao seu estatuto de cidadania.

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O porquê de votar na CDU (video)

Os 50 compromissos para a mudança.

Os Compromissos eleitorais de uma política patriótica e de esquerda.

Tempo de Antena (1)

Tempo de Antena (2)

Tempo de Antena (3)

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Campa”nhas” de merda

Penso sinceramente que no dia 5 de Junho, caso esteja bom tempo, muitos milhares de portugueses deixarão de votar para ir à praia.

Numa altura crucial para o futuro de um país, a descrença nos políticos acentua-se e aquilo que se julgava ser descrença no Estado por parte do povo português, já não é descrença mas sim raiva.

De um lado, temos um Partido Socialista com um líder que afirma que o “partido do povo” não deixa ninguém para trás. Sócrates volta a defender o “Estado Social” de todos e para todos, imagine-se, rodeado de imigrantes de várias nacionalidades a transportar bandeiras do Partido Socialista na campanha quando nem sequer podem exercer o seu direito de voto.

Do outro lado, o PSD mais “africanista de sempre” farto de dar coices atrás de coices em jogos de parada e resposta às declarações dos Socialistas.

O Paulo do CDS só quer é feiras e feirantes. Promete o mesmo de sempre: aumento de reformas, aumentos de pensões, aumentos, aumentos e aumentos que quando se chega aos aumentos, aumenta-se a frota de submarinos no nosso país e a carga fiscal aos cidadãos.

Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã têm sido os mais coerentes ao nível de discurso para o país: reduzir as desigualdades sociais, taxar os rendimentos daqueles que mais têm em prol do aumento da qualidade de vida dos que menos têm, a renegociação da dívida como combate ao resgate financeiro que nos foi imposto por iniciativa do governo com o apoio do PSD, aumento dos salários, aumento das reformas e das pensões para que os reformados e pensionistas não tenham carências básicas por falta de recursos financeiros, aumento da produção nacional para estimular mais emprego.

Só tenho a apontar um defeito aos camaradas da CDU: aquilo que a CDU fez nas escadas monumentais de Coimbra é um acto criminoso. É um puro acto de vandalismo que já não se pode utilizar ou sequer tolerar nos dias que correm. A democracia exige o respeito pelas ideias. Vence quem tiver mais votos, e pressupostamente, deveria vencer quem apresentar as melhores ideias para a governação do país. Não é com pinturas grotescas de apelo ao voto na via pública que se deverão conquistar mais votos, se bem, que para algumas direcções-gerais da AAC, funcionou.

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