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Beira-Mar 2-2 Nacional da Madeira

Mês e meio depois de ter visto o Beira pela última vez no estádio, voltei ao EMA. Voltei por descargo de consciência. Nos bons e nos maus momentos temos de ser adeptos do nosso clube.

Uma primeira nota para o público. Não sei se foi minha impressão mas teve mais público no estádio que o habitual. Bom sinal para o clube em tempos de crise económica e desportiva. Também não sei se foi impressão mas vi um publico Aveirense mais entusiasta que o habitual. Famílias inteiras a ir à bola, todos de amarelos, todos com cachecóis do clube, alguns deles que sobressaíam claramente o cheiro a mofo e naftalina. De uma vez por todas, a direcção e a SAD (também consigo dizer bem de alguns aspectos trabalhos por esta SAD) estão a conseguir cativar mais gente ao estádio, fruto dos bilhetes a 5 euros para 2 acompanhantes por sócio. Se colocassem o bilhete para não sócio a 5 euros talvez teriam mais 500 ou 1000 pessoas. Disso estou certo.

Se o público afluiu em peso para ver se puxava pelos da casa, mal entrei no estádio tive ali um pique em que me julguei novamente no Mário Duarte. O bairrismo beiramarista, os cânticos da claque, os bruás do público a cada lance na área do nacional e as habituais picardias na linha lateral ao fiscal de linha fizeram-me lembrar outros tempos. Costinha pediu que os adeptos escondessem os cachecóis dos grandes e os aveirenses bem que lhe fizeram a vontade. Penso que só não fica bem ao treinador do Beira-Mar salutar a permanência do clube na liga para que os borlas (é como a malta dos UAN lhes chama) venham apenas visitar o clube quando este joga em casa com o respectivo grande. Penso que é errado proferir tais afirmações quando um dos problemas com que o clube se debate desde 2003 é precisamente a fraca mobilização e a fraca capacidade de realizar novos sócios. Tenho como certo quem é de Aveiro, indiferentemente das preferências por um grande, como eu as tenho, tem que ser em primeiro lugar do grande da cidade: o Sport Clube Beira-Mar. Os primeiros da partida minutos fizeram-me lembrar aquele inferno do Mário Duarte. Fizeram-me lembrar aquele pequeno rectângulo de jogo plantado entre o campus da Universidade de Aveiro, o Bairro Santiago e o Hospital Infante D. Pedro V onde, pequeno, furava os torniquetes só para ver actuar o Dinis. Se bem que ver actuar o Dinis implicava para as equipas adversárias um montão de contusões e pernas partidas. Mas, de facto, eram outros tempos. Ali, no Mário Duarte, respirava-se Beira-Mar da cabeça aos pés. As peixeiras insultavam bem alto os árbitros, os super dragões só se podiam portar bem ou então levavam na fuça e ainda existiam os comandos duros, a antiga claque do Beira-Mar. Eram mesmo duros. Histórias são mais que muitas no meu imaginário infantil. Lembro-me de uma vez estar a ver o Sporting. Não escondo que também sou sportinguista. Lembro-me do Emmanuel Amunike ter feito uma jogada de mestre para golo e de ter ido acirrar os comandos duros. O resultado foi uma calhoada em cheio que deixou o nigeraniano estatelado no chão durante largos minutos. Saudades.

Segunda nota: a arbitragem. Não serve para desculpar a ingenuidade da defesa do beira-mar nos lances dos dois golos do Nacional. Depois de Majid e seus pares terem lançado um comunicado a meio da semana a exigir à liga que a verdade desportiva prevaleça depois do roubo de catedral da última semana em Paços de Ferreira e de no dia seguinte se terem dirigido à Liga para pedir explicações ao seu director-executivo Mário Figueiredo e de terem solicitado uma reunião com o chefe do conselho de arbitragem Vitor Pereira, a própria liga escarrou (desculpem os mais sensíveis) na cabeça da SAD ao nomear para este jogo um árbitro que ascendeu a meio da época à 1ª categoria (Luis Ferreira; era o seu 2º jogo na 1ª categoria) e que ainda por cima era natural de Barcelos. Ou seja, se para mim já me causa confusão, quando está a permanência de um clube em risco, quando esse clube é sistematicamente prejudicado durante toda uma época e quando está o futuro de muitas famílias em jogo como é o caso das famílias dos mais de 100 empregados do Sport Clube Beira-Mar nomear um inexperiente árbitro para um jogo que se pode considerar decisivo para a equipa aveirense, mais me confusão me estranha que depois de uma semana em que os elementos da SAD do Beira-Mar fizeram barulho junto da liga como se lhes exigia (ao contrário dos elementos da direcção do clube que se mantêm calados que nem ratos no fundo dos seus cadeirões na sede social do clube à espera que o clube seja despromovido) a própria liga ainda tenha o descaramento de nomear um árbitro de Barcelos (AF Braga) sabendo que dois dos rivais directos do Beira-Mar na luta pela manutenção são precisamente duas equipas do distrito de Braga: Moreirense e Gil Vicente, a última, a precisamente de Barcelos.

Luis Ferreira acaba por ter o dedo no resultado. Se a expulsão já na 2ª parte do jogador nacional foi justíssima e mais que merecida (Moreno fartou-se de dar pau na primeira parte, não se calava junto do árbitro e no lance em questão fez uma entrada muita feita sobre Serginho) Luis Ferreira e os seus assistentes deixaram passar muitos lances onde havia fora-de-jogo nítido por parte dos jogadores do Nacional, deixaram passar uma obstrução clara à minha frente sobre Camará quando o resultado estava em 1-1 (o fiscal de linha do lado da superior não se sabia posicionar na linha do último defensor, logo via os lances de um ângulo inconclusivo) e o 1º golo do Nacional procede de uma falta clara a meio campo sobre Nildo, que, depois de meter o meio campo do Nacional no pacote com um tremendo slalom é completamente ceifado por um dos laterais do Nacional.

Terceira Nota – O Rendimento dos jogadores do Beira-Mar – Tudo bem feito excepto dois ou três pormenores.

O primeiro, os erros defensivos. Há 1 ano que o Beira-Mar não acaba uma partida sem sofrer golos. É coisa que não consigo perceber, muito menos lances como o 2º golo do Nacional. Com 2 duplas de centrais do melhor que existe na Liga (Jaime, Bura, Tonel, Hugo) todos eles fortes no jogo de cabeça (como é o caso do Bura e do Jaime, os que alinharam na partida de hoje) não faz sentido sofrer golos em lances de bolas paradas como hoje se veio a verificar. Se no primeiro golo do Nacional, existe o tal lance em que o Nildo sofre uma valente sarrafada por parte de um jogador do Nacional à qual Luis Ferreira passou vista grossa, nos dois golos do Nacional existem duas clamorosas falhas de marcação dos centrais.

Segundo, a falta de uma referência de área. Yazalde e Camará tem o mérito de serem jogadores dotados de alguns pormenores técnicos de classe mas são jogadores que não se constituem como referências de área visto que o seu jogo predomina nas linhas. Não são verdadeiros pontas-de-lança. Quanto mais são avançados ao estilo nº9 ou extremos. Recebendo jogo dos laterais ou da malta do meio campo nas alas acabam quase sempre a centrar para a cabeça dos centrais da equipa contrária sem que ninguém do Beira lá esteja para finalizar.

Terceiro, a apatia com que alguns jogadores do Beira-Mar jogam e a apatia do seu treinador. Rui Sampaio é o expoente máximo dessa apatia. Parado, paradinho e sem qualquer criatividade a sair daqueles pés maravilhosos. Desrotinado e a a anos-luz da época da subida de divisão. Os ares de Cagliari fizeram-lhe mal. No banco, Costinha tarda em mexer na equipa. O que por um lado até é compreensível pois as alternativas viáveis no plantel escasseiam. No entanto, com 13 minutos pela frente não soube colocar logo Balboa em campo e Balboa era o único capaz de fazer a diferença naquele banco. Balboa entra aos 88″ quando pouco havia a fazer.

De resto, exibição agradável do Beira-Mar. A começar em Nildo. É o patrão desta equipa em todos os sentidos. Só é pena que não consiga ser um jogador consistente a este nível durante toda época. Nildo manda no jogo aveirense. É uma formiguinha a correr atrás dos adversários no miolo quando a equipa defende. Quando a equipa tem em bola, em conjunto com Serginho (hoje entrou na 2ª parte; tem que ser titular visto que é um jogador que incute maior velocidade e arte ao jogo aveirense) são os únicos que conseguem dar um toque fantasioso ao futebol do Beira-Mar. Grande exibição para o capitão Pedro Moreira. Fez praticamente o flanco todo com a raça que se lhe conhece. Do outro lado, Hélder Lopes também não destoou.

Quarta Nota: os episódios lamentáveis do jogo de Paços de Ferreira. Alguns elementos da claque que foram a Paços de Ferreira descreveram o cenário vergonhoso que a equipa da capital do movel oferece às equipas visitantes. Desde intimidação directa a jogadores, insultos e escarradelas na entrada e saída dos balneários. Um estádio sem segurança para uma equipa que se vale desse facto para obter resultados desportivos. Agora com as novas regras do policiamento em recintos desportivos, em Paços de Ferreira e em outros campos deste país, sem polícia no terreno de jogo, vale tudo.

Quinta Nota: Com a vitória do Moreirense começo a ver as alminhas a rezarem pela intervenção divina do São Gonçalinho. Entre o 12º (Vitória de Setúbal) e o último (Beira-Mar) estão 4 pontos de diferença, sendo que 2 são os pontos que separam o Beira-Mar do Gil Vicente. O calendário do Beira-Mar não se avizinha fácil até ao final da temporada. Olhanense em casa na próxima semana num jogo de mata-mata entre aflitos onde a vitória é fulcral, Vitória de Guimarães fora naquele ambiente difícil com os vimaranenses a lutar pela europa, Gil Vicente em casa noutro jogo de aflitos que o Beira tem obrigatoriamente que vencer, Rio Ave fora com os vilacondenses também a lutar pela europa, Marítimo em casa com os madeirenses a lutar pela europa, Estoril fora com os estorilistas a jogar possivelmente o tudo ou nada pelo último lugar europeu e Sporting em casa na última partida do campeonato com a turma leonina também capaz de ter que vencer em Aveiro para ir à Europa. Ou seja, resumindo e concluíndo com dois jogos contra adversários directos onde os 6 pontos são o objectivo principal e mais 5 jogos para conseguir mais 5 pontos no mínimo visto que os 26 pontos que usualmente garantem matematicamente a manutenção não vão chegar este ano. Contudo, estou confiante que a rapaziada vai dar a volta por cima.

sexta e última nota: é a primeira vez em meses que escrevo um post sem bater no Majid. o seu a seu tempo.

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vercauterens desta vida e afiliados

há uns dias atrás escrevia aqui que já via o sporting a custo, cheio de ciática, movido por uma fé inabalável.

todo o jogo mudou. ontem tentei ver o sporting mas acabei os 90 minutos sem ter visto nada do jogo porque estive mais preocupado em explicar a um político local em que consistia de facto a nossa dívida. de vez em quando lá espiava a televisão, mas as imagens que vinham de setúbal feriam-me os olhos.

nem os vercauterens desta vida mudam o fado de um triste clube. ao menos vercauteren já assumiu um discurso humilde de que demorará 2 meses a colocar a equipa a jogar à bola. talvez ainda não lhe tenham contado que 8 meses depois será posto na rua. continuo a interrogar-me de que é que está à espera o presidente para se por a andar.

já estavamos habituados (nós os sportinguistas) a chegar à 9ª jornada completamente arredados do título. nem nas minhas melhores previsões poderia imaginar que chegamos a essa mesma jornada a 1 ponto da linha de água, eliminados da Taça e praticamente eliminados das competições europeias. mau demais para uma equipa que nos últimos 2 anos gastou quase 40 milhões de euros em contratações e cujo orçamento previsto para a época são precisamente 40 milhões de euros.

no final do jogo, as declarações do Belga foram elucidativas de que a estrutura do plantel terá que sofrer um abanão forte: “Estou satisfeito com a reação e qualidade de alguns jogadores, mas desapontado com a qualidade de outros. Não preciso dizer nomes, eles sabem se jogaram bem ou não. Cabe-lhes a eles tentarem reagir e aos que não jogam tentarem ganhar o lugar. Se não digo os nomes? Nunca! Eles nem sabem. Quando ganhamos ganhamos todos, quando perdemos passa-se o mesmo. Mas temos de aprender com os erros. É com estes que nos tornamos melhor” – eu digo os nomes. chamam-se Cedric, Rojo, Insúa, Elias, Ricky Van Wolfswinkel, Izmailov. dos que não jogaram em Setúbal, junta-se a esta lista um Capel (a anos luz do ano passado), um Carrillo (pelos vistos anda mais interessado em embebedar-se no Bairro Alto do que em ser jogador de futebol) um Bouhlarouz (não sei para que é foram buscar este empecilho; nunca vi uma equipa onde Bouhlarouz tenha actuado com consistência a ser sucedida) um Pereirinha (outra inutilidade) um Gelson (aquele indivíduo que quer fazer tudo no meio campo e acaba por nem saber onde se posicionar) e um Pranjic (veio passear-se e ganhar dinheiro para Lisboa?).

menos tristezas, mais alegrias.

o meu beira-mar está a um ponto de sporting. se em 7 jogos só tinha 3 pontos resultantes de 3 empates, na Madeira, num terreno onde teoricamente seria impossível sacar um ponto ao Nacional, Ulisses Morais conseguiu mais um balão de oxigénio com uma estrondosa vitória. com 1-o (golo de Balboa) pensava eu cá para os meus botões enquanto ouvia o relato da Terranova que assinava aquele resultado por baixo. o são gonçalinho (não confundir com o autocarro do clube que esteve perto de ser penhorado por um antigo técnico da formação do clube) saiu do bairro da Beira-Mar directamente para a Choupana e abençoou-nos com uma estrondosa vitória por 4-2.

no entanto, os 6 pontos do Beira-Mar em 8 jogos revelam algo que começa a ser óbvio: a farsa de Majid Pishyar (SIM, A FARSA DA QUAL JÁ ESCREVI AQUI, AQUI, AQUI e AQUI), farsa que levou muitos sócios do clube a criticar-me  (porque acreditavam mesmo que o iraniano vinha com boas intenções) está a chegar ao fim. Não sei se se lembram do que aconteceu ao Servette de Genebra quando este mesmo senhor prometeu mundos e fundos e ao Admira Wacker da Áustria, clube do qual foi proprietário este charlatão dos tempos modernos antes do Servette. Faliram os dois e Pishyar deixou um reino de dívidas aos que se seguiram. Parece que o guião está a ser re-escrito novamente em Aveiro. Só não abre os olhos quem quer.

menos tristezas, mais alegrias.

Em Firenze, O GIGANTE ACORDOU!

Vincenzo Montella põe o meu grande amor a jogar a um nível excitante! O 3x5x2 de Montella é absolutamente fantástico: começa num seguríssimo Emiliano Viviano, continua na defesa com alas de classe mundial (Juan Guillermo Quadrado e Manuel Pasquale; diga-se que os dois deixam a pele em campo se assim for preciso) e com 3 centrais que parecem autênticas rochas (Gonzalo, Tomovic, Facundo Roncaglia; este último tem uma capacidade de sair a jogar e incorporar-se no ataque descomunal), continua no meio com os relógios de precisão Borja Valero (não falha um passe) e David Pizarro e termina no ataque com o futebol açucarado de Matias Fernandes (desde que saiu do Sporting está a jogar 3 vezes melhor do que aquilo que cá jogava) e Adem Ljajic (outro que anda a jogar uma barbaridade depois daquele célebre momento em que levou um soco do Delio Rossi)

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Acontece porém que o mágico agora tem ao seu lado o “regressado do mundo dos mortos”

50º golo na Série A pela camisola da Fiorentina. Aos 35 anos, Luca Toni tem sido a peça chave que faltava num ataque cujos dissabores foram notórios Parma e no Artémio Franchi contra a Juventus. Se a Viola é agora 4ª com 21 pontos, caso não se tivesse deixado empatar nos últimos minutos em Parma e caso tivesse concretizado em golos o banho de bola que deu na Vecchia Signora em Firenze, seria agora 3ª a apenas 3 pontos do 1º lugar.

Recordo para os mais desatentos que o plantel de Montella é um plantel que está quase todo ele a jogar junto pela primeira vez. Foram 17 as caras novas que chegaram esta temporada ao Artémio Franchi . Isto para não falar que alguns jogadores preponderantes do plantel estão lesionados ou regressaram recentemente à competição. Falo de Stefan Savic, Juan Vargas, El Hamdaoui ou Alberto Aquilani. Para a semana, estou curioso para ver o quanto esta equipa pode subir na Serie A. A Fiorentina joga em San Siro contra um Milan que está em crescendo e que conta com um puto maravilha chamado Stephen El-Shaarawy, menino cujas dúvidas que tinha dissiparam-se rapidamente: é jogador e será o maior da próxima década do futebol italiano.

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pesadelo

Tudo apontava para uma noite de gala. O nosso pior inimigo era completamente esmagado em Aveiro. Duelo de claques na mesma bancada, na noite em que a SAD Beiramarista (com o proprietário na bancada) decidiu fechar os topos do estádio, retirando o lugar habitual da sua claque. Tudo indicava o melhor. Aos 7″ João Real castigava um Nildo esforçado com uma entrada por trás e o Beira inaugurava de penalty por Balboa. O 2º estava mais próximo que o primeiro dos coimbrinhas. Marinho era a única sombra que pontuava do lado de lá ao bonito futebol dos aveirenses. Abel Camara haveria de chutar de longe e ser feliz. Golo de carreira so far, golo para mostrar seguramente numa retrospectiva da época quando esta terminar. Intervalo. Balboa abre a 2ª parte com uma bola na barra que merecia ser muito mais do que uma bola na barra. O Beira-Mar jogava um futebol rectilineo, bastante flanqueado, os laterais subiam com confiança no terreno. Na defesa, Sasso e Hugo permitiam poucas veleidades a homens como Cissé ou Afonso. 3-0. Era o fim, pensava. Não poderia pedir melhor aos 56″. Eram os tais 5 que pedia para o arranque da época.

E tudo mudou em 12 minutos. Inacreditável. Infantilidade. Como é Ulisses?

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