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RWC (8)

A Namíbia despediu-se do mundial com mais uma derrota volumosa. 81-7 contra Gales foi o resultado do adeus dos africanos aos campos da Nova Zelândia. Não há muito a dizer sobre este jogo. No entanto, o comportamento dos Namibianos tem melhorado de campeonato em campeonato: os Namibianos já não perdem jogos por mais de 100 e deram um excelente espectáculo na primeira jornada contra as Ilhas Fiji.

Gales entrou em campo com uma equipa onde não contavam as suas maiores estrelas, principalmente na linha dos 34 e o seleccionar Warren Gatland aproveitou inclusive para dar minutos ao abertura Stephen Jones (vindo de lesão) e para descansar na 2ª parte o 3ª linha flanqueador Sam Warburton, para já, o jogador em mais evidência na equipa Galesa.

Gales acelerou rapidamente o jogo e causou dificuldades aos Namibianos: Stephen Jones testou o seu pontapé com exito logo aos 3″ e até aos 18 minutos, os galeses haveriam de chegar a 3 ensaios por intermédio de Scott Williams, Aled Brew e do 3ª linha centro Toby Faletau.

Na 2ª parte, dois ensaios a abrir: o 2º de Scott Williams e o do pilar Gethin Jenkins. Na resposta, a Namíbia marcou o seu ensaio de honra aos 53 minutos por intermédio do 2ª linha Henry Kohl. Até ao final, a selecção africana ainda haveria de ser penalizada com um cartão amarelo ao pilar Raoul Larsson e haveria de sofrer mais 7 ensaios, todos por cansaço, 3 dos quais motivados pelo cansaço e ausência de um jogador em campo.

Para as estatísticas, os ensaios foram marcados por Georg North (2), Jonathan Davis, Scott Williams (3º) Lloyd Williams, Lee Byrne e Alun Wyn Jones.

No encontro de despedida da selecção Japonesa deste mundial, Canadá e Japão empataram a 23 pontos num jogo bastante bem disputado e emocionante até ao final. A selecção nipónica despede-se com honra de uma participação  (3 derrotas e 1 empate) que deve ser encarada como mais uma experiência positiva para o seu rugby.

Estas equipas já se tinham defrontado no campeonato do mundo de França em 2007 tendo-se registado na altura um empate a 12 pontos.

No campo, as duas equipas jogaram sempre para ganhar. Aos 5 minutos depois de uma melée para o lado canadiano, vários jogadores do pack avançado Canadiano ultrapassaram a linha de ensaio japonesa. O árbitro da partida, o sul-africano Jonathan Kaplan teve que recorrer ao videoarbitro para decidir se haveria de conceder ou não ensaio aos Canadianos. O Australiano Matt Goddard negou o ensaio aos representantes do continente norte-americano. Todavia, estes não se ficaram a lamentar no chão e na melée a 5 metros da linha de ensaio que lhes seria concedida por Kaplan, jogaram a bola para o lado esquerdo e em superioridade numérica nesse flanco construíram uma excelente plataforma para o ensaio do ponta dos Glasgow Warriors McKenzie marcar o primeiro ensaio da partida.

Passados 3 minutos, Aos 9 minutos, uma jogada japonesa também obrigou o arbitro principal a chamar o videoarbitro, mas este, ao contrário daquilo que tinha acontecido na área japonesa, deu ensaio ao Japão. Marcado por intermédio de Shota Horie.
Os Japoneses tomavam vantagem na partida por intermédio das boas intervenções de James Arlidge. Passados 3 minutos, o defesa japones Shaun Webb (de origem neozelandesa) arrancou pela esquerda e parou a 1 metro da linha de ensaio. Isto porque antes de pressionar a bola contra o chão foi placado por um jogador canadiano. Mais uma vez Jonathan Kaplan teve que pedir a ajuda do videoarbitro, e como de facto, nota-se no lance que Webb sai fora do campo, o australiano Goddard não teve dúvidas em anular o 2º ensaio aos japoneses.

Aos 38″, com clara superioridade japonesa na partida, o flanqueador Japonês Ryan Nicholls (outro jogador de origem neozelandesa) arrancou em pick and go e gerou uma situação de toque curto para os flancos que quase dá ensaio para a equipa japonesa. A bola sai fora. No alinhamento, o saltador Japonês foi mais lesto a roubar a bola e Alridge combina primeiro como ryan nicholls e depois com Kosuke Endo, rumando posteriormente o ponta Endo para um brilhante ensaio debaixo dos postes do Canadá.

O Japão ia para o intervalo com uma vantagem de 17-5.

Na 2ª parte, as hostilidades começaram com um brilhante ensaio aos 44″ novamente por Phil McKenzie, a léguas o melhor jogador desta selecção do Canadá! McKenzie terminou com uma poderosa arrancada! Dão-se três penalidades pelo meio que colocam o jogo a 23-13: Arlidge marcou 2 penalidades para o Japão enquanto Adan Munroe marcou uma para o Canadá.
Os canadianos acordaram tarde e tarde foram para a frente e tentaram resolver a partir dos seus avançados. O médio de abertura Munro haveria de marcar o ensaio que colocaria o Canadá a 3 pontos do Japão a 5 minutos do fim. Não chegava para que os Canadianos pudessem chegar à vitória. Os homens do Canadá não desistiram e continuaram a pressionar a defensiva Japonesa em busca do ensaio ou de uma falta que desse uma penalidade e como tal um pontapé aos postes que pudesse evitar a derrota. Conseguiram-no a 3 minutos do fim depois de assinalada uma falta por fora-de-jogo de um jogador japonês. Adan Munroe empataria o jogo a 23 pontos. No último minuto, Arlidge ainda tentou um drop kick mas este acabaria por sair ao lado.

Com a missão de ganhar para acalentar a possibilidade de discutir com a Irlanda a passagem aos quartos-de-final e a praticar um rugby de bastante qualidade, o seleccionador italiano de nacionalidade sul-africana Nick Mallett entrou em campo com uma selecção próxima da melhor combinação de jogadores que a Itália pode dar. Mallett não se podia dar ao luxo de arriscar perante uma equipa cuja selecção irlandesa apenas tinha conseguido vencer por 22-10.

Muita luta de avançados nos primeiros minutos. A Itália dominava e tentava estender os seus jogadores no campo. Os EUA eram acutilantes mas Sergio Parisse, à medida daquilo que tinha feito contra a Rússia inaugurava o marcador com um belíssimo ensaio depois de uma assistência do 2ª linha italiano de origem sul-africana Cornelius Van Zyl.
Os EUA partiram imediatamente para o ataque em busca dos pontos para que os italianos não avançassem muito mais no marcador. Aos 16″, uma falta fazia com que os Norte-Americanos colocassem o jogo fora. Depois de ganhar o alinhamento, Paul Emmery entrou numa investida pessoal contra a defesa italiana e depois de ganhar vantagem deu o ensaio ao defesa Chris Wyles para o empate com os Italianos.

A vantagem seria desfeita até ao intervalo: primeiro com um pontapé de penalidade de Mirco Bergamasco. Depois com três ensaios: aos 30″, depois de um mull, o formação italiano Fabio Semenzato iria soltar a bola para o abertura Luciano Orquera furar por completo a bem urdida defesa Norte-Americana; dentro dos descontos e após uma excelente perfuração no chão dos avançados italianos seria Martin Castrogiovani a marcar o seu primeiro ensaio num mundial. Um bom prémio para o pilar que cumpre na Nova Zelândia o seu 3º campeonato do mundo pela selecção italiana. No lance, metade dos créditos pertencem a Luke McLean. O ponta de origem Australiana iria ser decisivo na obtenção deste ensaio.

A 2ª parte seria de claro domínio Italiano. Jogando ora com os avançados ora com os 34, a Itália estava desejosa de obter mais ensaios. Aos 68″ viria o último ensaio da partida para os europeus: novamente através de um mull dinâmico, os avançados italianos empurraram a turma Norte-Americana para a sua área de ensaio tendo clamado por ensaio. O Irlandês George Clancy teve que pedir a ajuda do videoarbitro, o Sul-Africano Shaun Veldsman, que rapidamente disse que não tinha visibilidade suficiente para avaliar a validade do lance. Lance anulado e melée a 5 metros. Novo mull dos italianos que os EUA partiram em falta – como o recurso à falta por parte dos americanos neste tipo de situações já estava a ser recorrente e com um grau elevado de anti-jogo facto que já tinha inclusive punido por Clancy com um cartão amarelo 9 minutos antes ao 3ª linha asa Louis Stancil, levou que o Irlandês assinalasse um ensaio de penalidade a favor dos Italianos.

A Itália ainda sonha com a passagem à fase final da prova. Vencer a Irlanda será uma tarefa complicada, mas, se tiver que o ser será agora graças ao volume de jogo que os italianos tem construído e mesmo à forma física com que se apresentaram neste mundial.

Os EUA despedem-se do mundial com uma excelente prestação. Ganharam o o jogo que lhes competia à russia e bateram-se devidamente contra Italia e Irlanda. Conseguiram um ensaio contra a Austrália, feito que merece ser sempre recordado por qualquer colectivo. Precisam (assim como precisa o Japão, a Namíbia, as Tonga, a Roménia, Rússia a Geórgia, Canadá e outras selecções que não estão aqui presentes mas cuja evolução na modalidade tem sido positiva como são os casos de Portugal, Uruguai, China, Chile, Hong Kong, Moldávia, Zimbabwe, Espanha, Ucrânia, República Checa, Alemanha, Brasil, Coreia do Sul, Holanda e Lituânia, Quénia e Marrocos) de mais jogos contra selecções competitivas (sejam elas as principais, secundárias, sub-23, universitárias ou apenas um XV escalonado pelas respectivas federações) para que o jogo possa evoluir e tornar-se mais competitivo.

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RWC 2011 (2)

O 2º dia de jogos, trouxe partidas bem interessantes. Os países emergentes do rugby mundial (outros chamam-lhes os países de 2ª e 3ª divisão mundial) conseguiram fazer resultados brilhantes contra as equipas de topo do ranking da IRB.

Tanto a Roménia como o Japão estiveram a 10 minutos de provocar duas surpresas históricas.

De forma breve, sucinta e não rebuscada, pedindo desculpa pela não colocação de highlights das partidas (estou-me a ver grego para arranjar highlights; se algum leitor mais sapiente me arranjar um site onde possa ter as highlights da partida, agradeço que me coloque os links na barra de comentários):

– No primeiro jogo da noite, a Roménia esteve a um passo de garantir um resultado histórico contra a Escócia. Foi um jogo bastante interessante de ver.

O seleccionador Romeno Romeo Gotineac, pedia na antevisão da partida contra a forte selecção escocesa (forte tendo em conta o potencial romeno; fraca perante as restantes nações de top-10 inclusive a Itália) respeito pela selecção romena. Apenas respeito.

A Escócia acusou o pedido e iniciou o jogo com a corda toda. Em combate, dois jogos completamente distintos: o Escocês, um jogo pragmático, de perímetro largo, onde os 34 assumem mais preponderância que os avançados. Daí que os verdadeiros jogadores da turma escocesa sejam os formações ParksCusiter, o abertura Jackson, o centro Shaun Lamont e o arrière Paterson. Do outro lado, o típico jogo romeno que nós portugueses tão bem conhecemos – a força de avançados no jogo de avançados, ou seja, no pick and go, no jogo no chão, nos mulls, nas melées e nos alinhamentos. Um jogo de paciência no perímetro curto, desgaste e desaceleração, protagonizado pelos nossos bem conhecidos Tonita, Tincu, Dumbrava, Dumitras, Gal, Petre, Sirbu e Dimofte. 

Se os Escoceses começaram a jogar de forma rápida e pragmática em busca dos pontos nos minutos iniciais, rapidamente os romenos foram igualando a partida e chegaram mesmo a empatar nos minutos finais à custa do seu poderosíssimo jogo de avançados. Arrisco-me a dizer que a Roménia tirou a melhor Escócia da cartola na 2ª parte, obrigando os Escoceses a processos simples para vencer a partida. Do 24-21 incómodo para a Escócia e histórico para a Roménia (falamos de uma selecção poucos furos acima dos nossos Lobos e cujos Lobos já venceram recentemente em Bucareste) a 10 minutos do fim, obrigaram os Escocês a mentalizar-se que não podiam perder o jogo (foram assim as declarações do capitão Paterson no flash-interview realizado no fim da partida). Os Escoceses não perderam, mas tremeram.

– Namíbia – Fiji – Partida com história até aos 10 minutos. Todavia, previa-se uma vitória mais folgada para o lado Fijiano. 45-25 acaba por ser um bom resultado para a modesta Namíbia.

Theunes Kotze, o médio de abertura da selecção africana que ainda hoje detem o record negativo de pontos sofrido num campeonato do mundo (0-142 contra a Austrália no RWC de 2003) decidiu brincar um pouco com as emoções dos Fijianos ao colocar uma grande penalidade atrás do meio-campo (sensivelmente a 55 metros) e 3 drops de rajada logo no início da partida. A Namíbia chegou inclusive a liderar por 12-7, causando o gáudio de todos os seus adeptos que se deslocaram à Nova Zelândia.

As Fiji não se ficaram e até ao intervalo, com o seu jogo típico de rapidez (tanto dos avançados como dos 34) foram para o intervalo a vencer por 25-12. Na 2ª parte, a Namíbia ainda deu um ar de sua graça ao apontar 2 históricos ensaios, mas as Fiji responderam com mais 3, gerindo o seu resultado e pontuando o bónus sempre importante para poderem combater a passagem aos quartos-de-final com o País de Gales, selecção que hoje testa os Springbooks em Wellington.

O médio de abertura Bai e o ponta Goneva foram os homens da partida para as Fiji. O ponta é para já o lider em ensaios do mundial. Apontou 4 contra a Namíbia.

Kotze foi o homem forte da Namíbia no seu jogo de estreia no mundial e 3ª selecção. Factos que ainda tornam mais incrível a prestação deste médio de abertura de 23 anos que actua nos Leopards, modesto clube do seu país. Está aqui um abre-olhos às equipas europeias. Kotze talvez merecesse uma hipótese de evoluir numa equipa dos principais campeonatos europeus.

– A França soou e de que maneira para bater o Japão. 47-21 é um resultado muito enganador e injusto para os Japoneses.

Perante um Japão muito bem comandado por um inglês naturalizado, o médio de abertura do Nottingham James Arlidge, a França chegou ao desespero. Arlidge marcou todos os pontos do Japão e foi justamente considerado pela organização o MVP do jogo.

A equipa comandada por Marc Lièvremont (aquele que não sabe muito bem o que quer; aquele que na minha perspectiva tem colocado a França a jogar o pior rugby da sua história recente com o melhor potencial atlético em bruto dos últimos anos do Rugby Francês; aquele que já sabe que vai ser despedido no final do mundial indiferentemente do resultado da selecção francesa) entrou a matar no jogo e começou a pontuar como se lhe era exigido.

Com um início marcado por processos muito simples do ponto de vista ofensivo, os Franceses marcaram e tentaram desgastar a selecção japonesa pelo cansaço. Esse cansaço, à semelhança do que tinha acontecido com os Romenos contra os Escoceses não apareceu e a selecção Japonesa, a perder por escassos pontos ao intervalo, entrou com a corda toda na 2ª parte e à base de uma boa coordenação entre a sua dupla de médios Tanaka-Arlidge e o resto da equipa, imprimiu um ritmo veloz na partida ao ponto de chegar a empatar a partida aos 68″. A França, selecção mais experiente, teve de superar a apatia com que se exibia na 2ª parte (o Japão dominou territorialmente e encostou praticamente os franceses na sua área de 22 durante todo 2º tempo) voltando novamente aos processos de jogo simples e de finalização por parte dos seus homens mais recuados. Daí que só nos 10 minutos finais tenham garantido a vitória e o ponto de bónus. Para isso, muito contribuíram as tomadas de decisões do experiente capitão frances Thierry Dusatoir, que nada se importou de jogar aos postes “em tempos de dificuldade” para os franceses em vez de meter os seus colegas a lutar para o 4º ensaio, garante do ponto de bónus. 

Pelo que vi deste jogo creio que Lièvremont e os franceses não terão muitas hipóteses de erguer a William Webb Ellis Cup. Não é que tivessem grandes hipóteses à partida, não é…

– Argentina 9 vs 13 Inglaterra

O jogo que se previa. Cínico como tudo. A renovada Argentina deu conta do recado e encostou à parede os cínicos Ingleseses. Tinha lido ontem no site da BBC as declarações do jogador Toby Flood. Flood mostrava-se interessado em contribuir para a vitória do jogo Wilkinson (chamo ao jogo Wilkinson o modelo de jogo inglês. cavar o máximo número de faltas para os pontapés de Johnny Wilkinson; um jogo pragmático onde o médio-de-abertura dita os tempos e as decisões como se o rugby fosse um tabuleiro de xadrez). Wilkinson e Ben Young acabaram por decidir um jogo que pendeu mais para o lado argentino.

Como se esperava foi um jogo pouco aberto, de muita luta entre os avançados e conquistado pela eficácia. Os Ingleses conseguiram um ensaio que os salvou de um jogo asfixiante. Os Argentinos ficaram-se pelas penalidades. 3 em 6 contra as 2 em 5 dos Ingleses. Um pouquito mais de eficácia em Contepomi poderia ter dado a vitória aos Argentinos em tempo útil. Depois, a sorte e o querer ditaram a vitória inglesa. Não é bom nem mau augúrio para a equipa de Martin Johnson. O seu jogo é mesmo esse, o jogo Wilkinson.Já os Argentinos mereciam bastante mais que o ponto bónus defensivo e calaram o meu cepticismo. Irão aos quartos-de-final e se mantiverem o mesmo espírito de luta, poderão repetir as meias-finais quem sabe… A Escócia será presa fácil. O trio da 3ª linha (Cabello, Fernandez Lobbe e Leguizámon) é um trio esfomeado. Não falham uma única placagem. Coisa incrível de se ver. Do lado inglês, salvas para James Haskell (para mim é o 2º melhor flanqueador do mundo) para o regressado Johnny Wilkinson (não está tão certeiro como antigamente mas a estadia em Toulon tem lhe feito muito bem)  para Delon Armitage (não marcou, mas a sua estrelinha irá aparecer noutros jogos) e para Ben Young (se a Inglaterra venceu, agradeçam-lhe).


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