Tag Archives: Índia

às vezes pareço bruxo

escrevi aqui a 4 de Março de 2012, propósito dos planos de Putin para a Rússia Moderna, em estricta colaboração com os países da BRIC: “Com Putin, apoiado pelo sucesso económico desta década dos BRIC, assistimos à tentativa (que decerto será concretizada) de reactivar um estado neoeslavo, apoiado pela tentativa de crescimento hegemónico na região, tanto a nível económico como geopolítico. Para isso Putin, apontou como bandeiras o apoio incondicional aos planos da BRIC, a monitorização dos planos nucleares do Irão, a tentativa de conquista da região através de acordos comerciais (como é o caso da Síria) e da hostilidade a antigas repúblicas (Geórgia; Ucrânia) em determinados casos desta década, a partir de um crescente rearmamento e a partir da  tentativa de com os países da BRIC instaurar um novo mercado de transacção de petroleo com sede em Moscovo.”

A fundação de um banco comum pelos países da BRIC (Brasil, Rússia, India e China) mais propriamente um banco de desenvolvimento que irá estabelecer uma actuação paralela às Instituições de Bretton woods e que irá resolver com problemas de liquidez no sistema financeiro mundial, segundo nota própria hoje apresentada pelos 4 líderes de estado envolvidos. Numa altura em que se discute novamente o falhanço das políticas macroeconomicas aplicadas pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário, não considero que seja uma “invenção” virgem. É efectivamente mais um passo para que estes 4 países tomem de assalto a hegemonia Norte-Americana no presente, mais um passo da falsa política multilateral de cooperação da República Popular da China tendo como principais clientes os países de 3º mundo e os países periféricos da União Europeia e acredito que o próximo passo será estabelecer o tal mercado internacional de transacção de petróleo. A ver vamos…

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pela grandeza da fotografia

exército indiano

o exército indiano nas comemorações do aniversário de independência.

1,2 milhões de activos, sendo que a base de recrutamento é um jovem por família.

2,3 milhões de reservistas com idade máxima até aos 35 anos.

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mais transparente que a água é impossível

pontos auge de toda esta aldrabice:

1. quando o taxista em Washington encaminha o realizador para a sede do Banco Mundial e afirma que não faz a mínima ideia do que é que eles lá fazem.

2. O negócio do Algodão no Burkina Faso e a explicação de que o algodão produzido no continente dava para alimentar todos os cidadãos africanos.

3. A conversa do empresário austríaco na Índia, a distorcida realidade do sistema político e social indiano e os irreais valores dos salários nominais dos seus trabalhadores apontados na conversa que tem com o engenheiro de produção.

4. O sistema de privatização e posterior locação financeira aos investidores americanos, criado pelas Câmaras de Insbruck e Viena quanto ao Metro da cidade.

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Irão confronta a realidade

Por Javier Solana, Ex-Alto Representante dos Negócios Estrangeiros da UE e ex-secretário-geral da NATO

“Quem é que nunca viu aquela espécie de miragem, que parece água na estrada, num dia quente de Verão? Ou uma imagem tridimensional que na verdade era uma figura numa superfície plana? A natureza da ilusão leva-nos a confundir o que percebemos com a realidade.

Isso é verdade caso a ilusão seja cognitiva ou política. Dependendo de como um determinado evento se desenvolve, pode levar-nos a formular interpretações erróneas sobre o que está realmente a acontecer.

Tais percepções são muitas vezes mediadas por ideias e experiências anteriores. E, tal como Robert Jervis argumentou em Perception and Misperception in International Politics, publicado durante a Guerra Fria, as ilusões que criamos têm uma enorme influência na tomada de decisões – tornando-se até mesmo numa causa fundamental de conflito.

Até certo ponto, isto foi o que aconteceu com a análise da recente 16.ª Cimeira do Movimento dos Países Não-Alinhados (MNA), realizada no final de Agosto em Teerão – a primeira vez que o Irão organizou o encontro. A cimeira realizou-se num contexto de pouco progresso nas negociações com o Irão, em relação ao seu programa nuclear, e com a crescente pressão de Israel para a comunidade internacional estabelecer um “gatilho” – uma linha que a República Islâmica não deva transpor.

Além disso, as tensões regionais aumentaram a percepção da importância da cimeira do MNA e do seu anfitrião. No Médio Oriente, apenas o Irão e Hezbollah apoiam o regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, numa guerra civil que está a chegar a uma situação de não retorno e a desestabilizar o Líbano e a Jordânia.

O MNA desempenhou um papel importante durante a Guerra Fria. A sua visão foi moldada pelas recentes lutas pela independência, de muitos dos seus países membros, e a sua agenda promoveu a soberania nacional, a não-interferência, um reequilíbrio nas relações Norte-Sul e o apoio aos movimentos de libertação nacional.

Mas a realidade que uniu o MNA no passado mudou. As estruturas do governo bipolar da Guerra Fria e o período seguinte de unilateralismo norte-americano – no qual os Estados não-alinhados tentaram agir como um contrapeso – deram lugar a um mundo multipolar muito mais complexo e interdependente. Enquanto os Estados Unidos e a Europa ainda lutam para superarem uma grave crise económica, muitos membros do MNA, nomeadamente a Índia, Chile e Singapura, mantiveram um forte crescimento proporcional e fazem parte das novas estruturas de governação mundial, como o G-20.

Da mesma forma, muitos dos problemas que hoje enfrentamos – a alteração climática, a crise financeira, os desafios do desenvolvimento, o terrorismo ou a proliferação nuclear – reflectem a crescente interdependência mundial. Administrá-los de forma eficaz obriga-nos a repensar o conceito de soberania.

Estas mudanças transformaram não só as estruturas tradicionais de poder, mas também o leitmotiv do MNA e o destino dos seus membros. A globalização tem impulsionado, de uma forma cada vez mais ampla, as disparidades entre os seus membros – basta comparar a Colômbia com o Afeganistão ou o Chile com o Sudão – que têm dificuldade em transformar os números absolutos em influência coerente.

O impacto da cimeira de Teerão, e a quem possa ter beneficiado, não está totalmente claro. O Irão certamente considerou o encontro como uma oportunidade de propaganda, prometendo uma vasta cobertura dos media, numa altura em que estava no centro de um furacão diplomático. Mas a incapacidade dos participantes chegarem a uma posição comum, em relação ao programa nuclear do país anfitrião ou à violência na Síria – duas das questões fundamentais que confrontaram a cimeira –, obviamente prejudicou o esforço do Irão para demonstrar que, apesar de enfrentar severas sanções económicas e diplomáticas, permanece um interveniente internacional eficaz.

De facto, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, criticou o Irão por não assegurar ao mundo que não está à procura de armas nucleares, na altura em que a Agência Internacional de Energia Atómica publicou um novo relatório, a sugerir que está. E, num discurso de grande intensidade, Mohamed Morsi, o primeiro presidente egípcio a visitar o Irão desde o nascimento da República Islâmica em 1979, rejeitou firmemente o regime sírio, tal como fez numa intervenção posterior na Liga Árabe. Além disso, Morsi recomendou ao Irão a juntar-se ao Egipto, à Turquia e à Arábia Saudita – todos os países de maioria sunita – para pressionar o processo da transição política na Síria (um papel que a oposição síria rejeitou, antes mesmo de o Irão poder dizer não).

Por outras palavras, a realidade traiu a percepção que o Irão procurou criar ao organizar a cimeira MNA. Em vez disso, o discurso de Morsi proporcionou o momento mais memorável da cimeira. E a busca nuclear do Irão continua a ser uma realidade que não deve ser ignorada durante os próximos três anos chave, quando a República Islâmica comandar o MNA, ao mesmo tempo que continua a ser um dos problemas mais graves da agenda internacional.”

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O problema “Europa” dos mercados emergentes

Por Dominique Moisi, autor do livro “Geopolitics of emotion”

“De Hong Kong a São Paulo, e todos os pontos que ficam no meio, uma palavra domina todas as outras, entre os grandes investidores: Grécia. Será que os gregos permanecem na zona euro? O que irá acontecer com a União Europeia e com a economia global se não permanecerem?

Até recentemente, a Europa era uma espécie de espelho que confirmava às principais economias emergentes a natureza espectacular dos seus sucessos. Elas podiam contrastar as suas altas taxas de crescimento com os elevados níveis de endividamento da Europa. Elas podiam opor a sua “energia positiva” ao pessimismo que domina as mentes europeias. Elas só gostavam de aconselhar a Europa a trabalhar mais e a gastar menos, à medida que o legítimo orgulho se misturava com um desejo compreensível de resolver os resultados históricos e de atenuar os seus legados de submissão colonial e de humilhação.

Mas, hoje, os países emergentes crescem muito preocupados com aquilo que eles avaliam, e com razão, de graves riscos para as suas próprias economias, implícitos na fraqueza excessiva na Europa, que continua a ser o líder mundial do comércio. Além disso, o mal-estar da Europa ameaça a estabilidade política de muitos desses países, bem como, dada a estreita ligação – especialmente na China – entre a legitimidade dos acordos existentes e a continuação do crescimento económico rápido.

Se a crise na Europa fizesse com que o crescimento anual do PIB caísse abaixo dos 7% na China, 5% na Índia e 3% no Brasil, os cidadãos mais vulneráveis desses países seriam os mais atingidos. Eles nunca fizeram parte da “cultura da esperança”, baseada principalmente no sucesso material, que desempenhou um papel fundamental no sucesso destes países. Se as desigualdades sociais servissem para atingir novos patamares, a sua frustração e ressentimento poderiam manifestar-se plenamente.

Nesse caso, a Europa podia tornar-se subitamente num espelho muito diferente para os países emergentes, revelando, se não acentuando, as suas próprias debilidades estruturais. E é por isso que, assim como a Europa deve salvar a economia grega ou os bancos de Espanha a todo o custo, os países emergentes devem fazer tudo o que puderem para contribuírem para o resgate da economia europeia. Tal como a Europa aprendeu, quanto mais se espera, maior é o custo – e menor é a oportunidade de sucesso.

Infelizmente, é improvável que um grupo de países que estão unidos, acima de tudo, por uma negação comum das suas responsabilidades globais, chegue a tal conclusão. Na verdade, a maioria dos países emergentes mostraria relutância perante a ideia de participar no resgate financeiro da Europa, por várias razões.

Em primeiro lugar, não existe um bloco de países emergentes. Eles não estão unidos por uma visão comum do seu futuro ou por um ideal político comum, como a democracia no mundo ocidental. Quaisquer que sejam os limites e as contradições dos valores partilhados, seria ingénuo destituir a sua importância. A Europa e os Estados Unidos permanecerão aliados, mesmo que Barack Obama, à semelhança de Nicolas Sarkozy em França, acabe por ser um presidente de um mandato.

Em segundo lugar, os países emergentes são mais rivais da Europa do que seus parceiros. Eles estão unidos apenas pela desconfiança partilhada em relação à China. Em tal contexto, uma estratégia comum a longo prazo é extremamente difícil de conceber.

Os chineses podem proclamar que tendem a pensar numa duração mais “longa” do que os americanos, que pensam mais ”amplamente”, e os europeus, que pensam mais “profundamente”, tal como um conhecido especialista em relações internacionais chinês colocou. Mas, quando se trata da crise financeira europeia, o comportamento da China parece ser determinado puramente por considerações tácticas, a curto prazo, mesmo que os investimentos chineses na Europa tenham triplicado em 2011. Comprar metade do porto de abrigo Piraeus, a um preço chocante pode parecer mais vantajoso do que investir na consolidação a longo prazo da economia grega e das suas finanças, mas será que é mesmo assim?

Em terceiro lugar, o oportunismo a curto prazo dos países emergentes é baseado numa desconfiança dupla: na Europa, é claro, mas também, paradoxalmente, neles próprios. Ou seja, eles não têm confiança na sua capacidade de fazer a sua parte para salvar o homem doente da economia global, no qual a Europa se tornou.Para ter a certeza, isto contraria o triunfalismo que emana da Ásia, em particular. Kishore Mahbubani, um pensador vanguardista, de Singapura, da política externa, proclamou recentemente em Viena, numa conferência organizada pelo meu instituto, que o próximo milénio seria asiático. E ainda assim se percebe, entre as elites dos países emergentes, algo semelhante à dúvida existencial, que a crise europeia serviu para reforçar. Esta insegurança manifesta-se de muitas maneiras: desde a acumulação de riqueza líquida como um seguro contra as incertezas externas e internas, até à escolha de muitos, se não da maioria, em educar os seus filhos no exterior.

Na verdade, o homem doente – inegavelmente europeu, se não ocidental – poderia revelar-se ser mais resistente, devido à força das suas próprias defesas naturais: a democracia e o Estado de Direito. É por isso que a actual crise europeia pode muito bem vir a ser um teste crucial para os países emergentes que estão mais dinâmicos do que a Europa economicamente, mas em última análise, mais frágeis politicamente.”

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Os maus ventos do Ocidente

Por Jaswant Singh, Ex-ministro das Finanças, dos Negócios Estrangeiros e da Defesa indianos

“Há quatro anos, no nadir da crise financeira, muitos governos asiáticos acreditaram que o seu crescimento robusto levara a uma quase-“dissociação” das suas economias relativamente ao Ocidente e aos seus problemas persistentes. Mas agora, à medida que a zona euro vacila e a recuperação da América enfraquece, também a Ásia mostra sinais de fraqueza.

Alguns políticos asiáticos culparão, convenientemente, o Ocidente por quaisquer abrandamentos do crescimento. Mas o seu falhanço em concretizar as necessárias reformas estruturais e oportunidades económicas é igualmente responsável, se não mais, pelas crescentes dificuldades da região.

Consideremos a Índia. De acordo com o boletim International Market Assessment (Avaliação Internacional de Mercados – NdT), “os fluxos de capital que secaram não são… um reflexo das condições de mercado globais”, mas de uma perda de confiança entre investidores, decorrente principalmente da má gestão fiscal, que levou a “instabilidade de preços, investimentos em queda e eventualmente a um declínio no… crescimento”. Com o “governo em dormência”, conclui o IMA, “A Índia está rapidamente a perder o rumo”.

A situação da Índia é deveras preocupante. A inflação de dois dígitos no preço dos produtos alimentares tem sido acompanhada pelo debate sobre a parte de indianos que vive abaixo da linha de pobreza e, até, sobre onde a linha da pobreza deveria ser traçada. As estatísticas oficiais usam um rendimento diário médio de 32 rupias (0,57 dólares) para separar os meramente pobres dos desesperadamente empobrecidos.

Em vez de abordar o paradoxo central da sociedade indiana contemporânea – pobreza no meio da abundância – o governo da Índia enterrou a cabeça na areia. Proclama reformas ousadas, que depois repudia antes de a tinta secar. Ainda pior, a crescente corrupção oficial está a minar o dinamismo do sector privado.

Mas a Índia não é a única em dificuldades. A China também teme um abrandamento do crescimento e uma inflação salarial crescente. Em resposta, o banco central da China está a diminuir as taxas de juro para incentivar o investimento interno, e a resultante desvalorização da taxa de câmbio do renminbi tem ajudado a manter o nível das exportações. Mas os números das importações chinesas para a primeira metade deste ano chegaram a um patamar, sugerindo que as empresas chinesas não estão a investir em novos equipamentos – e que a economia da China pode estagnar em breve.

Embora os seus sistemas políticos sejam opostos especulares, há paralelos marcantes em alguns dos mais profundos problemas estruturais da China e da Índia. Ambos os países encetaram reformas – a China na década de 1980 e a Índia na década de 1990 – que descentralizaram a tomada de decisão, e ambos progrediram rapidamente. A Índia foi compelida pela sua democracia a perseguir uma rota politicamente descentralizadora, enquanto muita da autoridade de tomada de decisão económica permaneceu implantada na burocracia ossificada de Nova Deli, atrasando o crescimento. Em contraste, a China conseguiu a descentralização económica, mas preservou o poder político centralizado, transferindo as responsabilidades da gestão económica em grande medida para funcionários provinciais, o que criou os seus próprios desequilíbrios.

Portanto, mesmo quando a China é compelida a reorientar-se das exportações para o consumo interno de modo a sustentar o crescimento, a Índia continua a depender no investimento interno, exportação de serviços e matérias-primas e menores défices fiscais e de contas correntes para manter o seu crescimento. Mas o seu défice mais danoso reside no governo, tal como no caso da China, onde o escândalo de Bo Xilai expôs a patológica face obscura da apregoada liderança tecnocrática da China.

No resto da Ásia, os problemas estruturais também estão a crescer. No Vietname, a inflação tem pairado pelos 20% ou mais, com o governo aparentemente relutante a abraçar reformas mais profundas. O interminável imbróglio político da Tailândia deixou a sua economia em velocidade zero; o zelo reformista do Presidente indonésio Susilo Bambang Yudhoyono tem vindo a desaparecer no seu segundo mandato, após a partida do ministro das Finanças Sri Mulyani Indrawati; e o Japão parece continuar num estado de animação suspensa.

O mal-estar da Europa, e o resultante aumento de políticas populistas, sugere que os governos da Ásia não se possam dar ao luxo de aproveitar os louros do seu crescimento. Na verdade, deviam atentar num recente comentário de Pavlos Eleftheriadis, da Universidade de Oxford, sobre um eleitorado grego “lívido por ser conduzido por aqueles que desonestamente causaram o problema”. Na verdade, de acordo com Eleftheriadis, os cobradores de impostos na Grécia deparam-se hoje com cidadãos armados de chicotes. Essa situação é parecida com a que se vive hoje na Índia.Há ideias usadas a circular pela Ásia que poderiam sustentar e promover o crescimento. A decisão recente dos líderes da China, do Japão e da Coreia do Sul para iniciar conversações num acordo trilateral de comércio livre entre, respectivamente, a segunda, a terceira e a décima-segunda maiores economias mundiais é certamente audacioso, embora conseguir um acordo entre duas das grandes democracias da Ásia e a China certamente fará parecerem simples as conversações falhadas da Ronda de Doha sobre o comércio global.

Mas a Índia não é vista em nenhum destes cenários. Na verdade, com a economia da Birmânia a abrir-se ao mundo, a Índia devia estar a tomar a dianteira na procura do estímulo do crescimento e da integração económica da Ásia Meridional, pois apenas fazendo isso poderá ancorar o seu vizinho na região. Contudo, quando o primeiro-ministro Manmohan Singh visitou recentemente a Birmânia, tinha pouco a oferecer para além das propostas de investimento usuais. Uma iniciativa ousada na direcção do Bangladesh também provocaria um impacto fortemente positivo no crescimento, e no entanto também nada está a acontecer aí.

Com os maiores países emergentes, especialmente a China e a Índia, já em apuros, a Ásia pode esperar ser duramente atingida se o euro afundar. Antes de isso acontecer, os governos devem tomar a iniciativa política, fortalecendo assim a confiança dos mercados financeiros globais na capacidade da Ásia em suportar os maus ventos do Ocidente.”

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O meio-dia serve é para bocejar em frente ao monitor

O Governador do Banco Central Cipriota Panicos Demetriades fez juz ao seu nome e lançou mais o “Panicos” na Zona Euro ao afirmar numa entrevista ao Financial Times que o Chipre estará segundo palavras do mesmo “próximo de pedir um resgate financeiro”  à Europa.

Se há coisa que tenho aprendido nos últimos anos é que os mercados não dormem perante este tipo de afirmações.

Em primeiro lugar porque os líderes europeus tem a estranha mania em serem desbocados sempre que se tratam de assuntos soberanos ao nível orçamental e financeiro como é o caso deste caso específico e de outras centenas de afirmações ditas ao longo deste período de crise por outros chefes de estado e agentes com responsabilidades na área estatal dos países da zona euro.

Em segundo lugar, porque os líderes  europeus (caso de Sócrates e Teixeira dos Santos no anterior governo português; caso actual de Rajoy no governo espanhol) tendem por outro lado a tentar segurar a panelinha tendo em conta o atraso de um resgate que para Bretton Woods e para Bruxelas já é dado como um facto consumado que só necessita da assinatura dos visados para se por em marcha.

E por panelinha entenda-se algo que Portugal não terá acesso até setembro de 2013 que é o acesso aos mercados. Isto é,  o acesso livre aos mercados de emissão de dívida, facto que Portugal tem acesso de facto, mas de forma faseada e mediada pela União Europeia como aconteceu no passado mês de Abril. Um dos grandes problemas factuais da dupla Teixeira dos Santos\José Sócrates foi de facto o recurso aos mercados de forma sistemática no final do seu mandato, forma que devemos considerar como errónea tendo em conta o desfecho que já era como disse facto consumado entre aqueles que nos resgataram financeiramente.

Para corroborar a ideia de que os mercados não dormem, vem-me à memória uma analogia futebolistica. A 22 de Março de 1982, António Oliveira (ex-seleccionador nacional) em vésperas de mais um derby contra o Benfica haveria de tecer uma das frases mais marcantes da história do Sporting: “Por cada leão que cair outro se levantará” – Os mercados operam de forma semelhante: por cada especulador que adormeça antes da afirmação de ruína num país da zona euro, 10 se levantarão para especular contra a ruína desse mesmo país, capitalizando os erros dos seus governantes ou dos seus agentes reguladores.

Panicos “Panicou” e o Chipre segundo começam a rezar internacionalmente estará próximo de levar uma injecção de capital nunca inferior a 42 mil milhões de euros, que servirá não só para regular o excessivo défice das contas públicas gerado pelos anteriores executivos cipriotas como será para regularizar as contas dos principais bancos do país que só este ano já deverão ter perdido de forma irremediável algo como 3 a 4 mil milhões de euros entre crédito mal parado e investimentos não sucedidos.

Em Espanha, o cenário também não está famoso. A Espanha de Rajoy enfrenta uma das mais perigosas taxas de desemprego a que o ocidente assiste desde o crash de 1929: 22% da população activa está no desemprego (cerca de 5,5 milhões de pessoas) não tendo Rajoy dados indicativos (mesmo apesar de ter feito algumas reformas a nível fiscal e de ter feito os já indispensáveis cortes orçamentais) que lhe permitam sonhar com uma redução do número de desempregados  e com a respectiva bitola de crescimento económico\aumento de coesão social visto que para além do excessivo défice herdado de Zapatero, da falta de crescimento e do aumento a olhos vistos da taxa de desemprego, terá que lidar agora com uma falência massiva dos seus principais bancos motivados pelo buraco financeiro de 8 a 12 mil milhões descoberto no Bankia.

Quando o nosso principal parceiro comercial está na situação em que está, precisamos de rezar para que não caia o carmo e a trindade neste país nos proximos meses.

E Portugal segue a toque de caixa da troika e do medo que é cada vez mais evidente do estoiro de uma multiplicidade de factores: da saída descontrolada do euro cada vez mais eminente no caso grego (provavelmente já para o final do mês), de um resgate aos cipriotas, de um resgate aos espanhóis, das fragilidades pelas quais também passam o estado italiano e o estado francês e da incapacidade da Alemanha (que tanto fez sonhar Frau Merkel na busca do desejo de país hegémon da europa) em gerar uma solução que alivie toda esta europa vendida ao défice das contas públicas e ao saque desmedido dos mercados e dos sanguessugas que dele se alimentam.

Portugal atravessa neste momento uma frase crítica.

Faz daqui a uns dias um ano em que o povo português confiou a sua governação na mão de meia dúzia de liberais mascarados da social-democracia ali do eixo Avenida de Roma-Restauradores-Massamá. O preço a pagar em ter colocado na liderança de um país na europa num queque de Massamá cujo livro que mais adorou em vida foi o inexistente “Metafísica dos Costumes” de Hegel (palavras do próprio) quando qualquer acéfalo com dois palminhos de testa sabe perfeitamente que a obra é de Kant está à vista…

Na “Metafísica dos Costumes” Kant afirma que a razão deverá ser a base de todos os actos morais, ou seja, a causa maior que guia a acção humana a um estado de moralidade para que esta justifique não só a acção humana mas a própria dignidade dos homens.

É na Metafísica dos Costumes que Kant insere aquele que é talvez um dos seus maiores conceitos:  o imperativo categórico. Um imperativo é uma ordem, é algo que impera sobre todas as vontades ou sobre todos os comportamentos, desde que tenha consigo uma mensagem expressa que deverá ser acatada por todos. Um imperativo categórico segundo o pensamento Kantiano deverá ser entendido como uma ordem racional, ordenada como boa em si, não-hipotético e não-deduzido de forma artificial, que perante dado problema deverá ser aplicada com severidade para que se atinja uma determinada finalidade e só essa finalidade.

Pedrito (o Passos Coelho) é o governante oposto da “Metafísica dos Costumes”, algo que realmente me coloca a dúvida se o primeiro-ministro leu ou não o tal livro que não é de Hegel mas sim de Immanuel Kant.

Primeiro porque é o líder que não justifica moralmente as suas decisões.

Segundo porque é o líder que não justifica moralmente as suas decisões e não respeita a dignidade humana do seu povo na sua tomada de decisões.

Terceiro porque é o líder que não sabe os limites que devem servir de balizas às suas tomadas de decisão. Ir ao parlamento dizer que o seu governo é o reflexo da “ética social da austeridade” é a mesma coisa que ir comprar um cavalo à feira da golegã e o bicho cair ali de morto para os lados de Vila Franca meia-hora depois. É portanto um discurso morto e sem objectivos práticos senão entreter a sua bancada e a bancada dos hipócritas pertencentes ao partido que com o seu partido faz coligação.

O Imperativo Categórico que é lançado a Passos Coelho é simples: ou obedeces ao Memorando de Entendimento ou então és posto fora da carruagem. Nada mais nada menos que um argumento ad-hominem que é tão falso e tão cínico como aquele mito que existe na praxe coimbrã de que “caloiro que não se submete à praxe não poderá usar capa e batina”.

Passos Coelho, o seu sombra frankenstein (sim, o primo direito do Louçã) e o Alvarinho-que-suou-todo-quando-lhe-fiz-uma-pergunta sobre austeridade no ensino superior, conseguiram cometer uma proeza fenomenal que foi ir para além do Memorando de Entendimento em matéria de desflexibilização laboral.

Proeza fenomenal, digo eu. Despedir em Portugal tornou-se mais barato e nem nos tempos da velha senhora em que patronato e trabalhadores eram obrigados a praticar uma velha prática anti-comunista que se chamava alinhamento em coligação nas corporações de forma a evitar o choque de interesses e por conseguinte a luta de classes, o patronato em Portugal sonhou estar melhor ao nível de leis laborais em 2012 do que alguma vez esteve no regime salazarista.

Para acentuar um código do trabalho que extrapolou as páginas do memorando, resta mencionar que o acordo de Concentração Social que o Alvarinho-Vancouveriano lá arranjou teve a mácula de um sindicato ter virado as costas à defesa dos seus ideais e de outro (mais ligado ao Partido Socialista) ter virado o cú para o Ministro em troca de 5 tostões e de um chuto, acto criminoso que ainda hoje deverá envergonhar publicamente João Proença e os seus sindicatos afiliados.

A falar em Partido Socialista, faz também um ano do desaparecimento desse grande charlatão que dava pelo nome de José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa para Paris, onde hoje estuda dívidas que não se pagam de uma vez mas gerem-se e onde hoje vive à grande e à francesa (literalmente) com a choruda pensão que os portugueses lhe pagam pelos seus exímios serviços enquanto governante.

Desde o seu desaparecimento, o Partido Socialista mais se assemelha a um corso funebre. Não se motiva apenas pelo olhar tristonho de António José Seguro nas suas aparições e declarações públicas, mas também pelo facto da vergonha ser tão grande que o partido (principal partido da oposição) só é capaz de participar na morte do país dizendo amén a todas as facadas que o governo vai dando no defunto.

Dr. Frankenstein veio hoje falar em sucesso no 1º ano de implementação do Memorando. O défice baixou, as previsões afinal não eram tão baixas como se esperavam, Portugal vê um furinho para o crescimento económico e a reposição dos rácios de capital de alguns bancos levarão a que o Estado tenha que lhes depositar mais 7 mil milhões, valor esse que fica abaixo daquilo que a troika previa numa fase inicial… o bla bla bla bla do costume, a vitória moral do governo… a vitoria moral de sempre.

Victor Hugo afirmava num dos seus escritos uma frase que me pareceu talhada de uma inteligência que só pertence aos melhores desta espécie: “Saber exactamente qual a parte do futuro que pode ser introduzida no presente é o segredo de um bom governo”.

Um ano passou e nada mudou neste país.

A coesão social foi ameaçada com desemprego, com cortes nos apoios sociais, com cortes severos no provimento dos bens sociais que em larga escala são usufruídos por aqueles cuja carga tributária é a maior e a mais atacada neste país por este governo: o rendimento dos trabalhadores.

Existe fome declarada neste país que não aparece transporta em numeros no Ministério das Finanças.

O desinvestimento é de larga escala e em vários sectores: saúde, educação, segurança social, três sectores fundamentais onde o estado não pode fugir às responsabilidades que lhe são exigidas ao nível de correcção dos desiquilíbrios naturais provocados pela acção dos mercados no rendimento dos cidadãos.

Na relação banca\trabalho, o código laboral não se ficou apenas por um mecanismo de despedimento fácil. A banca e o estado não são capazes em conjunto ou de forma isolada de criar soluções que ponham em marcha uma nova redistribuição do capital que possa fomentar a criação empresarial, o investimento privado e o aumento produtivo com vista a uma necessidade que a economia portuguesa atravessa e é que clara como a água que reside na necessidade de produzir mais, de alimentar mais o consumo interno e de alimentar mais a exportação entre as empresas portuguesas.

A economia portuguesa não crescerá a meu ver com a baixa de salários (será uma medida ruinosa ao nível de coesão social), não crescerá com eurobonds e não crescerá com outros mecanismos que andam a ser associados a muitas analogias que se andam a fazer aí de acordo com parábolas respeitantes a falsos exercícios que visam estender uma ponte entre a economia doméstica e a macroeconomia. A economia portuguesa só crescerá quando existir liquidez para investir, liquidez para arriscar e liquidez para conseguir chegar onde os outros actualmente não chegam.

A liquidez é inclusive um dos problemas que a troika menciona no seu relatório publicado hoje, tanto ao nível estatal como ao nível da banca. Nada de estranhar visto que a remessa que nos foi enviada de Washington e Bruxelas para pouco mais serviu do que pagar umas contas atrasadas de vários governos e tentar manter as contas públicas minimamente em dia.

A troika também aproveitou a ocasião para mostrar o seu descontentamento pela venda ao desbarato do maior activo do estado aos Chineses: a EDP. Mais uma medida que em Dr. Frankenstein apenas pensou a curto prazo, numa tentativa declarada de amenizar o excessivo défice na balança de pagamentos do estado português, vendendo um enorme activo ao desbarato.

Só que em Bretton Woods a venda da EDP aos Chineses contrariou uma das principais regras das reformas estruturais praticadas pelos livre fundamentalistas de mercado: liberalizar sim, mas desde que a liberalização seja sempre em prol de uma empresa amiga como vencedora dos concursos.

Tanto é que depois da venda da EDP às três gargantas, a Goldman Sachs (bem representada pelo nosso amigo António Borges, recentemente entachado com o cargo de consultor no que toca à analise das criminosas parcerias público-privados que o governo herdou de outros governos e quer reduzir) anda por aqui a cheirar a ver o que é lhes pode caber da fatia do bolo que a troika ordena à venda por parte do Estado Português.

Goldman Sachs rules the world, já dizia o outro.

Ate porque uma eventual baixa dos salários não irá resolver a nossa crassa pequenez ao nível de competitividade nos mercados internacionais. O nosso produto é caro (tendo em conta o preço dos produtos dos países do Sudeste Asiático, da América Latina e dos países emergentes), é mal produzido, é produzido em séries minúsculas tendo em conta a produção de países industrializados e emergentes, e ainda por cima carece de aplicação nos mercados dos outros porque nos vários mercados mundiais, antes do Português conseguir negociar a venda do seu produto já os Chineses (por exemplo) estão a entafulhar o mercado desse país com o seu produto. Daí que outra das coisas que considere inúteis são aquelas faustosas viagens governamentais com empresários de algibeira a toque de caixa (sim, aqueles empresários que tiveram tudo para se modernizar nos tempos dos fundos comunitários) ao estrangeiro, cujo resultado final da visita redunda sempre no empresário x ou y a dizer que “até correu bem a viagem, beberam-se umas caipirinhas com os empresários locais e até se estabeleceram umas portas de entrada no país ao nosso material” mas “não temos capacidade para aumentar a produção” ou porque “não existe capital para investir” ou porque “as linhas concedidas pelo estado para a exportação ou para as PME´s não chegam para que possamos aumentar a produção e exportar mais daquilo que actualmente exportamos” – a conversa termina quase sempre onde começou…

Outro dos pontos que é visado no relatório da troika e que eu acho muita piada é a necessidade que eles vêem de nós efectivarmos uma reforma que eles há muito pedem que é a reforma no sistema judicial. Mexer na justiça para quê meus senhores? Para prenderem de vez gente honesta e trabalhadora como o José Eduardo Simões?

Ao oposto do que Vitor Hugo afirmava, este governo português não consegue vislumbrar a decisão do futuro no presente porque está condicionado por terceiros a dar um passo de cada vez… como dizia o ronaldo para o queiroz “ó carlos, assim não vamos lá”…

Assim não vamos lá…

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Reinventar o banco mundial outra vez

Por Ana Palácio, Ex-ministra dos Negócios Estrangeiros de Espanha e antiga Vice-Presidente do Banco Mundial

Nota minha: este texto vem na sequência deste.

 

Actualmente, com três candidatos na corrida ao lugar do próximo presidente do Banco Mundial – a ministra das Finanças nigeriana, Ngozi Okonjo-Iweala, o ex-ministro das Finanças colombiano, José Antonio Ocampo, e o candidato dos Estados Unidos, Jim Yong Kim, presidente da instituição de ensino Dartmouth College – é chegado o momento para dar um passo atrás e avaliar a trajectória do Banco. A menos que o/a próximo/a presidente do Banco tenha uma visão clara do caminho a seguir e a seriedade para resistir às pressões internas da instituição, ele ou ela será engolido/a pela sua complexa maquinaria e pelos seus processos pesados.

A atenção mundial tem-se centrado em analisar os pontos fortes e as qualificações dos três candidatos, particularmente as suas credenciais económicas e financeiras. Mas o verdadeiro desafio está em dar ao Banco Mundial, o rumo que reflecte o mundo, tal como ele é, e recalibre as suas ferramentas em conformidade. Inevitavelmente, a nova rota depende, em parte, em reconhecer que a economia e as finanças, enquanto elementos integrantes de todas as áreas de actividades do Banco, já não são os principais condutores da instituição.

Os instrumentos tradicionais do Banco Mundial foram (e ainda são) os empréstimos com juros baixos, os créditos sem juros e as concessões. Mas a filosofia central do Banco apoiou-se nos empréstimos, com juros, aos países de rendimento médio e canalizou os fundos subsequentes para os países mais pobres, elegíveis para apoio. Hoje, devido à condicionalidade dos seus empréstimos, o Banco está a perder competitividade face à pletora de intervenientes, públicos e privados, que exercem pressão no cenário do desenvolvimento. Enquanto isso, o Banco está a emergir como uma fonte vital – de facto, indispensável – de conhecimentos especializados e de assistência técnica, bem como um fornecedor de bens públicos mundiais.

Com base nestes pontos fortes, o Banco deve estar disposto a compreender as realidades dos países que são seus clientes, em vez do seu pontificado, e equilibrar o seu trabalho baseado no país com as suas funções mundiais. Enquanto os empréstimos são progressivamente desbastados e reservados apenas para os países mais pobres, o Banco deve adoptar a magra estrutura radial de uma consultoria estratégica ou de um “banco de conhecimento”. A organização deve reformular a sua missão, afastando-se da ideia de ser o “Banco Ocidental”, o “Banco dos BRIC”, ou, nesse caso, de nem sequer ser um banco.

O que é inequívoco, nos dias de hoje, é a crescente intolerância à má governação e corrupção – uma rejeição coletiva evidente em países tão diversos como a Birmânia, o Congo, a Rússia e a Bolívia, já para não mencionar os países árabes desde a Síria até Marrocos. Ao mesmo tempo, a maior ameaça para a ordem internacional vem do fracasso, da falência, do pós-conflito e dos estados devassados pelos conflitos.

Nas duas últimas décadas, como parte do exame de consciência despoletado pelo colapso do comunismo, o Banco Mundial tem vindo a procurar tornar os esforços na governação e na anti-corrupção parte integrante do seu trabalho, no crescimento económico e na redução da pobreza no mundo em desenvolvimento. Mas, para além da retórica eloquente, estas mudanças têm sido graduais e têm sido sobrepostas nas operações do Banco,em vez de se tornarem parte do seu DNA organizacional.

O Banco tem estado muito focado em si mesmo, e na sua reputação, e não tem estado focado o suficiente nos países que aconselha e nos quais opera, enquanto o fortalecimento institucional tem sido considerado ser inserido na agenda do crescimento. Como consequência, o direito, que constitui a base do fortalecimento institucional, tem sido considerado como não mais do que uma caixa de ferramentas. Os direitos de propriedade, a execução de contratos, as condições empresariais e os produtos e os mercados de trabalho livres e competitivos foram proclamados para fazerem parte do quadro económico – um equívoco recentemente reiterado pelo ex-economista do Banco Mundial e actual especialista em desenvolvimento William Easterly.

Além disso, a interpretação tradicional de Estatutos do Banco impôs uma enunciada “neutralidade” que se traduziu numa prontidão para ignorar a natureza dos regimes dos países, seus clientes, e da sua falta de responsabilidade popular. Ironicamente, o mesmo Banco Mundial cujo ex-presidente, Robert McNamara, transformou há quase cinco décadas, na altura da descolonização, num instrumento chave na luta contra o comunismo, hoje vê o tão chamado “Consenso de Pequim”, pelo qual o Partido Comunista Chinês mantém uma mão de ferro no país, como um modelo de desenvolvimento viável.Neste contexto, um “banco de conhecimento” deve abordar três desafios. Deve reforçar o apoio ao sector privado e dar prioridade às infra-estruturas, em sentido lato, de acordo com a sua importância para a iniciativa individual. Deve também fortalecer o seu know-how na criação de capacidades, particularmente capacidades administrativas, com ênfase nos seus aspectos jurídico-institucionais. Finalmente, deve colocar programas de combate à corrupção e de boa governação no centro da sua missão.

A comunidade internacional não pode suportar um Banco Mundial que, ao estar ancorado no mundo do passado, perde a sua relevância. Nenhuma outra instituição pode executar o formidável potencial do Banco, como um centro de conhecimento e um coordenador de políticas de desenvolvimento. O mandato do/a próximo/a presidente do Banco será crucial para fazer, ou desfazer, uma instituição que o mundo precisa desesperadamente no próximo século.

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Suavização das relações entre a Índia e o Paquistão?

Por Shashi Tharoor, Ex-ministro de Estado indiano para os Assuntos Externos e subsecretário geral da Nações Unidas

A Índia e o Paquistão estão a desfrutar de um dos melhores períodos na sua relação atribulada. Nos últimos meses não se registaram incidentes terroristas, não houve escaladas retóricas nem focos de conflito diplomático. O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari acaba de fazer uma breve e bem-sucedida visita pessoal à Índia (principalmente para visitar um santuário famoso, mas que incluiu um almoço com o primeiro-ministro Manmohan Singh). Dezasseis anos depois da Índia conceder ao Paquistão o estatuto comercial de nação mais favorecida (NMF), o Paquistão está prestes a retribuir. O processo de paz está a recomeçar e as duas partes estão a dialogar de forma cordial, a todos os níveis.

E no entanto, é importante compreender que os problemas que há muito afligem a relação bilateral não serão resolvidos de um dia para o outro. Mesmo se, por algum milagre, o aparelho civil e militar paquistanês de repente tivesse um rasgo de iluminação, concluísse que o terrorismo era prejudicial e decidisse seguir pelo mesmo caminho que Índia na sua erradicação, a tarefa não se conseguiria realizar num estalar de dedos. O extremismo não é uma torneira que se possa fechar arbitrariamente. A proliferação de ideologias extremistas, as organizações militantes e os campos de treino adquiriram uma dinâmica própria. Como refere Satyabrata Pal, antigo alto-comissário indiano para o Paquistão: “Estes grupos da jihad fazem os seus recrutamentos a partir dos milhões de jovens paquistaneses que emergem das escolas vernáculas e madrassas, imbuídos de um ódio pelo mundo moderno, no qual não têm competências para trabalhar. Assim, enquanto os jovens indianos vão para o Vale do Silício e fazem eles próprios as bombas, os jovens paquistaneses vão para o Vale do Swat e fazem de si próprios a bomba, a mesquinhez das suas vidas justifica o fim. O Paquistão traiu a sua juventude, que é a sua tragédia.”

Este conselho não é de desespero. Em vez disso, é um argumento para oferecer ajuda. Um país vizinho repleto de jovens desesperados, sem esperança ou perspectivas, liderado por um militar mal-intencionado e que se auto-engrandece, é uma ameaça permanente para a Índia. Se a Índia conseguir ajudar o Paquistão a ultrapassar estas circunstâncias e a desenvolver uma aposta num progresso mutuamente benéfico, estará ajudando-se a si própria também. É aí que reside a esperança de persuadir o Paquistão de que o sucesso da Índia pode beneficiá-lo também – que, ao invés de tentar prejudicar a Índia e impedir o seu crescimento, o Paquistão deve reconhecer as vantagens que podem advir de uma parceria com uma Índia cada vez mais próspera.

A Índia pode apoiar-se na generosidade que já demonstrou várias vezes – por exemplo, com a atribuição unilateral do estatuto de NMF ao Paquistão -, oferecendo um mercado aos comerciantes e industriais paquistaneses, uma égide criativa para os seus artistas e cantores e um lar longe de casa para aqueles que procuram um refúgio face às realidades da vida paquistanesa. A criação de mais pontos de contacto – diplomacia de bastidores conduzida por enviados especiais (uma fórmula usada de forma eficaz por Singh e pelo ex-presidente paquistanês Pervez Musharraf), contacto directo entre as duas forças armadas (que é escasso) e um contacto abrangente entre as pessoas – é indispensável para o esforço de paz.

Infelizmente, a Índia respondeu aos ataques de Bombaim em Novembro de 2008 e a outras provocações do Paquistão, tornando mais rígidas as restrições de vistos e restringindo outras possibilidades de contacto cultural e social. Esta pode ser uma área na qual vale a pena correr riscos, uma vez que as vantagens de aumentar as oportunidades para os paquistaneses na Índia superam os perigos, afinal, os terroristas de Bombaim não solicitaram vistos indianos antes de se infiltrarem no país com as suas armas e bombas.

Sou fortemente a favor de um regime de vistos liberal, o que exigiria que a Índia levantasse as actuais restrições relativamente aos pontos de entrada e saída que podem ser utilizados pelos titulares de vistos de origem paquistanesa, ao número de locais que podem ser visitados e às exigências onerosas em matéria de apresentação de relatórios de polícia. Para começar, os paquistaneses proeminentes no mundo dos negócios, entretenimento e meios de comunicação poderiam ser elegíveis para obter um processamento mais rápido de vistos e para a emissão de vistos de entradas múltiplas.

Haveria quem argumentasse que o Paquistão não iria retribuir uma tal generosidade unilateral. Até pode ser verdade, mas a Índia não deveria preocupar-se. A paridade com o Paquistão iria reduzir os padrões da Índia. A Índia deve mostrar uma generosidade de espírito que consiga convencer os paquistaneses a repensar a sua atitude face aos indianos.Também se podem fazer concessões em questões que não envolvam interesses nacionais vitais. Problemas específicos como o comércio, o impasse militar no Glaciar de Siachen, o limite territorial de Sir Creek, a disputa pela água na barragem Wullar e muitas outras divergências são passíveis de resolução através do diálogo. Parece absurdo o facto dos furores públicos no Paquistão estarem a ser agitados por falsas alegações de que a Índia está a desviar água do rio Indo; um diálogo sincero e aberto com o público paquistanês por parte das autoridades indianas iria ajudar a dissipar estas suspeitas.

A Índia devia aproveitar, de forma mais imediata, a disposição recente do Paquistão para retribuir a concessão da Índia do estatuto de NMF, tomando medidas concretas para reduzir as barreiras não pautais, tais como inspecções de segurança e permissões, que têm limitado as exportações do Paquistão para a Índia. A indústria de serviços financeiros da Índia e os seus profissionais de software podiam oferecer as suas competências aos clientes paquistaneses. Ganhariam um mercado vizinho, enquanto prestavam serviços que o Paquistão poderia usar para desenvolver a sua própria economia. Tudo isto são “vitórias fáceis” à espera de serem conquistadas.

As grandes questões – o conflito da Caxemira e o recurso ao terrorismo por parte do Paquistão como instrumento de política – exigirão muito mais trabalho de base e uma acção gradual para se poderem realizar progressos. Ao adoptar uma posição de acolhimento, sensibilidade e generosidade pragmática, a Índia poderá ser capaz de alterar uma relação bilateral que conta com 65 anos de uma lógica de hostilidades intratável.

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Governação mundial sem liderança

Dani Rodrik — Professor de Economia Política Internacional na Universidade de Harvard (Boston, Massachussets) – autor de um livro que estou a ler intitulado de: “The Globalization Paradox: Democracy and the Future of the World Economy.”

A economia mundial está a entrar numa nova fase, na qual o alcance da cooperação global tornar-se-á cada vez mais difícil. Os Estados Unidos e a União Europeia, agora sobrecarregados pelo elevado endividamento e o baixo crescimento – e, portanto, preocupados com questões internas – já não são mais capazes de definir regras mundiais e esperar que outros alinhem.

A agravar esta tendência, potências emergentes, como a China e a Índia, atribuem muita importância à soberania nacional e à não interferência em assuntos internos. Isso faz com que não estejam dispostas a submeter-se a regras internacionais (ou a exigir que outros respeitem tais regras) – sendo assim improvável que invistam em instituições multilaterais, tal como os EUA fizeram no rescaldo da II Guerra Mundial.

Como resultado, a liderança e a cooperação mundial permanecerão com uma oferta muito limitada, exigindo uma resposta cuidadosamente ponderada na governação da economia mundial – mais especificamente, um magro conjunto de regras que reconheça a diversidade das circunstâncias e exigências nacionais em prol de uma autonomia política. Mas as discussões do G-20, da Organização Mundial do Comércio e de outras instâncias multilaterais prosseguem como se o remédio santo fosse mais do mesmo – mais regras, mais harmonização e mais disciplina nas políticas nacionais.

No que diz respeito ao essencial, o princípio da “subsidiariedade” oferece a forma correcta de pensar sobre as questões de governação mundial. Diz-nos quais os tipos de políticas que devem ser coordenadas ou harmonizadas a nível mundial e quais devem ser maioritariamente destinadas aos processos de decisão internos. O princípio demarca as áreas onde precisamos de uma governação mundial extensa, daquelas onde apenas uma fina camada de regras globais é suficiente.

As políticas económicas baseiam-se aproximadamente em quatro variantes. Num extremo estão as políticas internas que não criam (ou criam muito poucas) repercussões além das fronteiras nacionais. As políticas de educação, por exemplo, não necessitam de qualquer acordo internacional e podem ser deixadas, com segurança, entre os processos de decisão internos.

No outro extremo estão as políticas que implicam o “património comum mundial”: o resultado de cada país é determinado não pelas políticas internas, mas pela (soma total das) políticas dos outros países. As emissões de gases com efeito de estufa são o caso arquetípico. Em tais domínios políticos existem fortes argumentos para se estabelecer regras vinculativas mundiais, uma vez que cada país, entregue a si próprio, tem interesse em negligenciar a sua parte na preservação do património comum mundial. A incapacidade de obter um acordo global condenaria toda a gente a uma catástrofe colectiva.

Entre os extremos estão outros dois tipos de políticas que criam repercussões mas que precisam de ser tratadas de forma diferente. Primeiro, existem as políticas “prejudicar o vizinho”, por meio das quais um país retira benefícios económicos à custa de outros países. Por exemplo, os seus líderes limitam o fornecimento de um recurso natural, no sentido de aumentar o seu preço nos mercados mundiais ou prosseguem com políticas mercantilistas, na forma de grandes excedentes comerciais, sobretudo em situações de desemprego e de excesso de capacidade.

Uma vez que as políticas “prejudicar o vizinho” criam benefícios, através da imposição de custos sobre os outros, também necessitam de ser reguladas a nível internacional. Este é o argumento mais forte para submeter as políticas monetárias da China ou os fortes desequilíbrios macroeconómicos, como o excedente comercial da Alemanha, de forma a existir uma maior disciplina global, em relação à que existe actualmente.

As políticas “prejudicar o vizinho” devem ser distinguidas das políticas que se poderiam chamar de “prejudicar-se a si mesmo”, cujos custos económicos são suportados principalmente em casa, embora possam também afectar os outros.

Considere os subsídios agrícolas, a proibição de organismos geneticamente modificados ou uma regulação financeira negligente. Embora estas políticas possam impor custos a outros países, elas não são utilizadas para se extrair vantagens mas sim porque outros motivos políticos internos – tais como os distributivos, os administrativos ou as preocupações de saúde pública – prevalecem sobre o objectivo da eficiência económica.O argumento da disciplina global é bastante mais fraco com as políticas “prejudicar-se a si mesmo”. Afinal de contas, não deve ser da responsabilidade da “comunidade mundial” dizer a cada país como deve agir para influenciar os objectivos concorrentes. Impor custos a outros países não é, por si só, um motivo para a regulação mundial. (Na verdade, os economistas dificilmente reclamam quando a liberalização comercial de um país prejudica os concorrentes). As democracias, em particular, devem ter o direito de cometer os seus próprios “erros”.

Naturalmente, não há nenhuma garantia de que as políticas internas reflictam com exactidão as exigências da sociedade; até mesmo as democracias são feitas reféns por interesses especiais, com alguma frequência. Sendo assim, o argumento da regulamentação mundial assume uma forma bastante diferente com as políticas “prejudicar-se a si mesmo” e exige requisitos processuais destinados a melhorar a qualidade das políticas internas. Os padrões globais referentes à transparência, à ampla representação, à responsabilidade e à utilização de provas empíricas, por exemplo, não limitam o resultado final.

Diferentes tipos de política exigem diferentes respostas a nível mundial. Actualmente é desperdiçado bastante capital político a nível mundial para harmonizar as políticas “prejudicar-se a si mesmo” (principalmente nas áreas do comércio e da regulação financeira) e não é gasto o suficiente nas políticas “prejudicar o vizinho” (tais como os desequilíbrios macroeconómicos). Esforços demasiado ambiciosos e mal direccionados na governação mundial não serão benéficos para nós numa altura em que a oferta de uma liderança e de uma cooperação mundial continua limitada.

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europeíces

Dizem os estudos que a França (5ª maior economia do mundo) e a Alemanha (4ª) serão ultrapassadas pelo Brasil e pela Índia no top-5 das economias mundiais até 2020, ano em que a União Europeia não terá uma única economia no top-7 das maiores economias do mundo. O Brasil ultrapassou na 6ª posição o Reino Unido. Em 2020, a Alemanha será a 8ª economia mundial, a França a 9ª e o Reino Unido a 10ª. Pelo andar da carruagem dentro de 30 anos, a Europa não terá uma única economia no top-10 mundial.

Os grandes europeístas querem melhores dados que estes para começarem a alterar as coisas?

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Pelos jogos internacionais

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Em Chipre, os tugas lá ganharam e ultrapassaram o assunto da ordem: Ricardo Carvalho!

Não foi um jogo propriamente fácil. Os Okkas e os Charalambides não fizeram lembrar Guimarães nem nada que se pareça… No entanto, a nossa selecção (mesmo a jogar com 10 depois de uma expulsão certíssima de um jogador cipriota que se decidiu armar em guarda-redes) esperou até às últimas para confirmar a vitória e dar um toque de goleada que não ilustra aquilo que se passou em campo.

Cristiano Ronaldo acabou por ser a figura do jogo com 2 golos, mesmo apesar dos cânticos do cipriotas em homenagem a Lionel Messi.

Continuamos no bom caminho e tivemos quase quase a descolar da Noruega, que em casa, esteve quase a patinar no gelo frente à Islândia. Só aos 87 minutos é que o avançado do Hannover da Alemanha Mohammed Abdellaoue conseguiu “cravar” uma grande penalidade aos islandeses e consequentemente concretizá-la.

Terça-Feira teremos os olhos postos em Copenhaga onde a Dinamarca nos poderá dar uma ajuda caso vença ou empate com a Noruega:

1. Em caso de vitória Dinamarquesa, ficarão as 3 selecções com 13 pontos, mas a Noruega terá um jogo a mais, logo cairá para o 3º lugar. A Dinamarca ultrapassa Portugal caso consiga bater os Noruegueses por uma diferença de 7 golos.

2. Em caso de empate, a Noruega lidera com 14 pontos e mais um jogo. Portugal será 2º com 13. Dinamarca 3ª com 11 e os mesmos jogos de Portugal.

3. Em caso de vitória Norueguesa, a Noruega irá liderar com 16 pontos, Portugal ficará com 13 e menos um jogo e a Dinamarca com 10 estará impossibilitada de chegar à 1ª posição do grupo.

Nos restantes grupos:

– No grupo A, David Alaba (jogador talentoso do Bayern Munique) viu a sua Áustria ser goleada pelo rolo compressor da Mannschaft por 6-2.

Os meninos da Mannschaft continuam a maravilhar o mundo com o seu bonito futebol. Uma noite para nunca mais esquecer para Mezut Ozil. O 10 do Madrid apontou o seu primeiro hat-trick pela selecção e em todos os golos teve nota artística elevada. Andre Schurrle (3º golo em 2 jogos), Podolski e Mario Gotze marcaram os restantes golos da Mannschaft. Mesmo apesar de ter mudado de armas e bagagens para a Lázio de Roma, Miroslav Klose continua a ser chamado à selecção e teve grande preponderância no 1º golo da sua selecção.

Mário Arnautovic e Harnik marcaram os tentos de honra dos pobres Austríacos.

Nos outros jogos do grupo, a Turquia bateu o Cazaquistão com muitas dificuldades em Instambul. Arda Turan, jogador recentemente contratado pelo Atlético de Madrid ao Galatasaray marcou aos 90+6″ o golo da vitória turca, golo que recoloca os turcos no 2º lugar do grupo com 13 pontos, num grupo em que a Alemanha assegurou matematicamente a qualificação.

A Bélgica de Defour e Witsel patinou no Azerbeijão. Os Belgas estiveram a vencer até aos 86 minutos. Os Belgas estão na 3ª posição com 12 pontos. Como a Turquia tem menos um jogo e a Bélgica tem que ir jogar à Alemanha em Outubro, os Belgas poderão ter dito adeus ao europeu.

Terça, a Áustria recebe a Turquia.

– No Grupo B, a competição está feroz. A Rússia sofreu para bater em Moscovo a Macedónia. Semshov foi o autor do golo russo e recoloca a Rússia na liderança com 16 pontos.

A Irlanda e a Eslováquia empataram a 0 em Dublin e continuam ambas com 11 pontos. Quem também espreita o 2º lugar é a modesta Arménia. Os Armenos marcam 11 pontos depois de terem batido Andorra por 3-0 fora.

A próxima jornada promete ser importante para o desfecho deste grupo. Na próxima terça-feira, a Rússia recebe a Irlanda e pode trilhar o seu caminho rumo à PolóniaUcrânia. A Eslováquia terá que medir forças com a Arménia. Caso os Armenos vençam e a Irlanda perca, o 2º lugar fica ao rubro com as 3 selecções com 14 pontos na ida para as últimas 2 jornadas.

– No grupo C a Itália foi fazer o resultado do costume às modestas Ilhas Faroe. 1-0, golo do regressado António Cassano.
O central do Inter Rannochia foi titular nos italianos, assim como foi novamente Thiago Motta e Christian Maggio. Alberto Aquilani e Mario Balotelli também voltaram a jogar pela Squadra Azzurra.

Os italianos lideram com 19 pontos e estão a 1 ponto da qualificação.

A Eslovénia marcou passo na Estónia por 1-2 e a Sérbia capitalizou o erro, vencendo a Irlanda do Norte em Belfast por 1-0 com golo de Pantelic.
A Eslovénia continua em 2º com 11 pontos, os mesmos da Sérvia. A Estónia relançou o sonho de marcar presença no europeu, estando em 4º com 10 pontos. Já a Irlanda do Norte passou para o quinto lugar com 9 pontos mas ainda poderá conseguir vaga para o playoff.

Na próxima jornada, a Itália poderá qualificar-se e baralhar ainda mais as contas do grupo se vencer a Eslovénia no Artémio Franchi em Florença. A Sérvia terá pela frente as Ilhas Faroe em Belgrado e poderá aproveitar um deslize da sua antiga república. No jogo do mata-mata, em Tallinn, a Estónia recebe a Irlanda do Norte e pode manter bem vivo o sonho dos playoffs.

– No grupo D, a França está a fazer uma qualificatória menos sofrida que as anteriores. Na Albânia, os Franceses venceram por 2-0 com Benzema a abrir o marcador.

A Bósnia deu um passo importante rumo aos playoffs, ao bater a Bielorrussia em Minsk por 2-0. Os Bósnios são 2ºs com 13 pontos enquanto os Bielorrussos (com 12 pontos em 8 jogos) disseram praticamente adeus à possibilidade do playoff. A Roménia (11 pontos com 7 jogos) venceu o Luxemburgo fora com dois golos do extremo Gabriel Torje e continua a lutar pelos playoffs.

Na próxima jornada, a Bósnia recebe a Bielorrussia enquanto a Roménia se tentará defender contra a França.

Abrem-se aqui alguns cenários:

1. Se a Bósnia bater a Bielorrussia, não só tira os Bielorrussos do caminho como poderá passar para a frente do grupo com uma vitória acima de 4 golos caso os Franceses percam (p.e 1-0 com os Romenos)

2. Se a Bósnia perder com a Bielorrussia e a França bater a Roménia, os Franceses dão um passo em frente com 19 pontos contra os 15 dos Bielorusssos (+1 jogo), os 13 Bósnios e os 11 Romenos.

3. Se a Bósnia empatar com a Bielorrussia e os Romenos baterem a França, a Roménia passa para o 2º lugar do grupo com 14 pontos em igualdade com os Bósnios.

4. Se a Bósnia vencer a Bielorussia e os Franceses empatarem com Romenos, a França lidera com 17 pontos contra os 16 de Bósnios, 12 de Bielorussos e Romenos.

– No grupo E

Os Holandeses ofereceram o Happy Meal do dia aos pobres jogadores amadores de São Marino.

11-0 com poker de Van Persie (para esquecer os 8 que apanhou no fim-de-semana anterior com o Manchester) bis de Klaas-Jan Huntelaar e Wesley Sneijder e outros golos de Heitinga, Wijnaldum e Dirk Kuyt.

A Holanda lidera com 7 vitórias.

A Suécia escorregou em Budapeste. A Hungria (embora com mais um jogo que os suecos) igualou-os a 15 pontos com uma vitória por 2-1. Mesmo com um jogo a mais, os Húngaros torcem para que na próxima jornada algo possa correr mal com a Suécia nas últimas jornadas. Dificilmente poderá ser na próxima, pois a turma Sueca irá a São Marino. No jogo de hoje, o avançado do Bari Gergely Rudolf foi o herói da partida ao apontar o golo da vitória magiar aos 90″.

A Finlândia bateu a Moldávia em casa por 4-1 num resultado que pouco importa visto que as chances finlandesas são nulas.

Na terça-feira, a Finlândia recebe a Holanda, a Moldávia recebe a Húngria e a Suécia vai a São Marino. A Holanda poderá confirmar já na terça-feira o apuramento.

– No Grupo F, Fernando Santos e a sua Grécia continuam a liderar depois da vitória por 1-0 em Israel. Sotiris Ninis marcou o único golo da partida.

A Grécia tem 17 pontos contra os 16 da Croácia, que foi vencer a Malta com facilidade (3-1). Israel (13 pontos; +1 jogo) hipotecou a sua campanha nesta jornada.
No outro resultado do grupo, a Letónia foi vencer á Geórgia por 1-0.

Na próxima jornada teremos a Cróacia a receber Israel e a Grécia a defrontar a Letónia. Creio que o cenário mais certo seja a vitória das duas equipas da frente do grupo. Se tal acontecer, ambas garantem pelo menos o playoff e deixam a discussão da qualificação para as últimas 2 jornadas.

– No grupo G,

A Inglaterra foi a Sófia resolver o encontro na 1ª parte. 3 golos no 1º tempo por intermédio de Gary Cahill e 2 de Wayne Rooney chegaram para reforçar a liderança inglesa no grupo com 14 pontos. A Bulgária de Lothar Matthaus é uma selecção muito descolorida sem Berbatov, necessitando que apareça um novo jogador que seja excepcional.

Os Ingleses aproveitaram a solidariedade Britânica concedida por Gales. Gales estava a fazer uma campanha frustrante até hoje, momento em que a selecção galesa bateu Montenegro por 2-1 em casa. Craig Bellamy, Aaron Ramsey e Gareth Bale foram titulares na selecção de Gales; Simon Vukcevic, Stevan Jovetic, Stefan Savic e Mirko Vucinic titulares em Montenegro; Ramsey foi decisivo ao marcar o 2º golo dos Galeses e Gareth Bale fez um jogão segundo o site da UEFA; Jovetic marcou o golo montenegrino.
Montenegro, continua na 2ª posição com 11 pontos.

A Suiça folgou e continua com 5 pontos, ou seja, muito longe do apuramento.

Na próxima jornada, Montenegro folga. Se os Suiços quiserem ter uma réstia de esperança terão que bater a modesta Bulgária. O mesmo se aplica aos Bulgaros (têm 5 pontos como a Suiça). A Inglaterra poderá alcançar a qualificação caso vença Montenegro.

No grupo I, a Espanha folgou e já veremos o jogo que os espanhois fizeram esta noite mais à frente neste post.

No único jogo de hoje, a pobre Lituânia empatou a 0 bolas com o Liechstenstein em casa. Não chegará à República Checa, que amanhã jogará na Escócia. Os checos tem 9 pontos, poderão aumentar para 12 caso vençam mas ficarão com um jogo a mais que a Espanha que tem 15. Já os Escoceses tem apenas 4 pontos em 4 jogos, podendo passar para 7 caso vençam a República Checa e como tal relançar a luta pelos playoffs.

Na próxima jornada, a Escócia irá receber a Lituânia enquanto a Espanha irá confirmar a qualificação em Logroño diante do Liechstenstein.

Outras zonas:

Zona Ásiatica

Já a pensar no mundial de 2014, iniciou-se a 1ª fase de grupos:

– Grupo A – A China venceu 2-1 Singapura. A Jordânia bateu o Iraque por 2-0.
– Grupo B – – A Coreia goleou o Libano em casa por 6-0. O Kuwait foi vencer fora os Emirados por 3-2.

– Grupo C – Vitória suada do Japão frente à Coreia do Norte por 1-0. Em Saitama, o Japão de Zaccheroni com muitas ausências de jogadores que actuam na Europa suou para bater os norte-coreanos. O Uzbequistão também levou de vencido o Tadjiquistão pelo mesmo resultado.

– Grupo D – A jogar em casa e com poucos atletas da convocatória normal, os Australianos bateram a Tailândia por 2-1. Joshua Kennedy e Alex Brosque resolveram um jogo muito difícil para os Australianos. A Arábia Saudita cedeu terreno em Omã, empatando a 0.

– Grupo E – O Irão não deu hipóteses à Indonésia (3-0). Qatar e Bahrein empataram a 1 bola.

Amigáveis:

Venezuela e Argentina foram testar jogadores e promover o futebol à India. Num amigável disputado em Calcutá, a Argentina levou a melhor por 1-0. Otamendi marcou o golo da Argentina na estreia do novo seleccionador Alejandro Sabella. Os Indianos ficaram porém maravilhados com Lionel Messi e com as suas boas arrancadas.

A Argentina provou não ter conseguido superar as falhas defensivas da era Maradona e Batista. A Venezuela podia ter ganho, não fosse o avançado do Málaga Rondón ter desperdiçado algumas chances de golo.

Ucrânia e Uruguai protagonizaram um bom ensaio. 3-2 para a selecção Uruguaia.

Depois da difícil vitória espanhola no mundial de 2010 por 2-1, a selecção espanhola voltou a demonstrar dificuldades perante a interessante selecção sul-americana.

O jogo desta noite, realizado em St. Gallen na Suiça, ficou marcado pelas cenas de violência que podemos ver no video que postei.

A Espanha iniciou o jogo a perder. Ao intervalo perdia por 2-0, fruto do golaço de Maurício Isla a abrir a partida. Irritado, Del Bosque colocou Iniesta e Fabrègas, jogadores que viriam a ser os obreiros da reviravolta espanhola.

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Sinal de perigo para o Ocidente

Após 35 anos de construção sob direcção Russa, a central nuclear de Bushehr no Irão irá iniciar nos próximos dias o seu funcionamento.

O Bric, que para quem não sabe, é uma sigla que estabelece um pacto formal de comércio feito entre as 4 maiores potências emergentes do novo século (Brasil, Índia, Russia e China) poderá passar a ser um actor na cena internacional dotado de objectivos não só comerciais como políticos e estratégico-militares. Uma espécie de aliança entre os 4 países que pode muito bem vir a ser uma nova Organização Internacional do futuro.

Toda esta evolução pode ser um claro sinal de perigo para o Ocidente. Para além do facto de serem os detentores de 40% do território mundial e estarem em acelerado crescimento económico (prevê-se por exemplo que a Economia Chinesa possa ultrapassar a Norte-Americana a meio do século XXI) exceptuando o Brasil, todos os outros países são enormes potências militares. Juntando o Brasil numa questão específica, os 4 países detém de grosso modo a hegemonia regional da parte que lhes corresponde no mapa mundi.

É num cenário de execução de alianças políticas e de alianças estratégico-militares, que a Russia irá fornecer combustível e recolher os dejectos nucleares na nova central nuclear do Irão, algo que já mereceu comentários por parte da administração Norte-Americana, que não vê com bons olhos tal facto. Mesmo perante as ameaças da AIEA (Agência Internacional para a Energia Atómica) e dos Estado Norte-Americano que pretendiam ver e saber mais sobre o funcionamento e o propósito desta nova central nuclear Iraniana, tanto o Governo de Mahmoud Ahmadinejad como a fonte do Governo Russo através da ROSATOM (Agência Atómica da Rússia) garantem que a central nuclear irá funcionar segundo os trâmites esclarecidos pelo acordo da Agência Internacional para a Energia Atómica, respeitando todas normas internacionais quanto à questão da não-difusão de armas nucleares.

Pessoalmente  creio que toda este desenvolvimento de acontecimentos seja um bom sinal para o Ocidente. Decerto que não o será para o Estado de Israel, um dos principais inimigos políticos do Irão nos últimos anos. O Governo Israelita deve estar nestes dias a temer por completo que esta central nuclear seja o móbil para o Irão poder tentar executar um plano de ataque nuclear ao Estado de Israel. Nesse sentido, o Estado Judaico veio nos últimos dias encetar novos esforços de paz com os palestinianos num claro mecanismo político que indica que Israel pretende acalmar a situação na Faixa de Gaza de modo a não ter problemas com o Irão, que como se sabe, exerce de certa maneira hegemonia nos países à volta de Israel (Siria, Líbano).

Não é de hoje que o primeiro-ministro do Irão faz ameaças verbais ao Estado de Israel. Em 2005, o líder dos Iranianos afirmou que “o Estado de Israel deveria ser varrido da face da terra”.

Nesta questão, os restantes parceiros da BRIC (China, Índia e Brasil) ainda não se manifestaram públicamente quanto à ajuda Russa nesta nova central nuclear Iraniana. Certo é que estes três países poderão beneficiar desta central nuclear. Obstante disso, não creio que o pacto vá acolher um Estado como o Irão no seu seio. A acontecer tal facto, poderia ser uma medida que pudesse levar a uma intensa quebra no volume de exportações destes países principalmente para os Estados Unidos da América e para a Europa. Com uma possível entrada do Irão, tanto os Norte-Americanos como a União Europeia iriam obviamente refrear os negócios com os países do BRIC de modo a não engrandecer ainda mais países que constituem ameaça como o Irão. Mais certo será num cenário a médio prazo que o BRIC venha a acolher outra grande potência emergência como é Angola. Com as sucessivas descobertas de reservas petrolíferas no territóriozona económica exclusiva Angolana (juntando ao desenvolvimento maciço da exploração petrolífera na Russia e no Brasil) José Eduardo dos Santos pode ser um enorme aliado aos países do BRIC contra a exploração do preço do petróleo que é feita em Nova Iorque e em Londres. Estes países poderão até criar uma entidade que sirva referência paralela aos Estados Unidos e ao Reino Unido para a transacção do ouro negro.

Em suma, tudo isto não é um bom sinal para a civilização ocidental. Toda esta questão fez soar os alarmes do Governo Norte-Americano e da União Europeia. Torna necessário um controlo eficaz o que vai ser produzido nesta nova central de Bushehr. Obama e a sua administração sabem perfeitamente disso e não tenho dúvidas que estarão sempre em cima do acontecimento nos próximos meses.

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