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A morte lenta do Serviço Nacional de Saúde – O caso ideal med

Como é de conhecimento público, no passado mês de Maio abriu em Coimbra aquele que é até hoje o mais empreendimento privado de saúde da região Centro do país: a Ideal Med.

Surgida da Ideal Tower S.G.P.S do empresário Carlos Dias, a Ideal Med, como pode ser vista a partir deste link, tem como cartão de apresentação o facto de  contar “com Especialistas em Medicina Geral e Familiar, Medicina Interna e Anestesiologia, o Atendimento Permanente da IdealMed UHC é efectuado numa área física própria, estruturada para melhor acolher todos os seus utilizadores.

Visando dar resposta a todas as situações não programadas, a Equipa Clínica do Atendimento Permanente está apoiada por todos os meios complementares de diagnóstico, como Análises Clínicas e Imagiologia, podendo recorrer a todos os equipamentos de cuidados diferenciados da IdealMed UHC.

Segundo o que foi veiculado à imprensa, o novo complexo de saúde de Coimbra teve um financiamento inicial de 35 milhões de euros e apresenta-se como “Uma unidade de medicina familiar, análises clínicas, radiologia e medicina nuclear são algumas das 43 valências clínicas da nova unidade com capacidade para 52 camas de internamento, duas camas pediátricas, cinco salas operatórias, 124 gabinetes médicos e 26 salas de espera.

Nesta unidade, a Ideal Med reservou também espaço para a formação e I&D, criando a Unidade de Medicina Interativa, onde simuladores humanos de ultima geração e avançadas plataformas servirão para formar profissionais de saúde, ou não tivesse a instituição uma parceria com a Harvard Medical School.”que por sua vez tem neste momento protocolos ao nível de pós-graduações e conferências com a Faculdade de Medicina e com a Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, ressalve-se.

Este investimento de 35 milhões, antes de mais, surge na sequência de dois acontecimentos na área da saúde, um deles promovido publicamente pelo Ministro da Saúde Paulo Macedo (com ligações à gestão de uma seguradora de saúde, a Médis) e outro à escala regional, mais propriamente em Coimbra, com o encerramento nocturno das urgências hospitalares do Hospital dos Covões:

1. Paulo Macedo anunciou em Dezembro de 2011 (prestando declarações a 21 do mesmo mês na AR) um aumento das taxas moderadoras de 9,6 euros para 20 nas urgências hospitalares polivalentes e de 2,25 euros para 5 euros nas consultas nos centros de saúde. No entanto, a lei especifica que 4 milhões de portugueses (por motivos relacionados com baixos rendimentos\isenção por doença) estão isentos do pagamento de taxas moderadoras, mas por exemplo não estão isentos do pagamento integral de medicamentos que agora não são comparticipados pelo Estado.

Dado o histórico do ministro na administração de uma seguradora privada, a medida soou e com toda a assertividade, numa medida que visa desflexibilizar a escolha do comum cidadão pelo sistema nacional de saúde em opção clara da feitura de apólices privadas de seguros de saúde.

2. Dados os cortes previstos no Serviço Nacional de Saúde perante as exigências e metas estabelecidas no Memorando de Entendimento assinado com a Troika, o Ministério achou por racional fechar com as urgências nocturnas do Hospital dos Covões, passando o banco na íntegra para os Hospitais da Universidade de Coimbra.

Não é estranho que o Ministério da Saúde encerre um serviço público numa semana e na outra se inaugure um hospital privado?

É nesta conjuntura de cortes no público que nasce a marca UHC – Unidade Hospitalar de Coimbra (a Ideal Med) – repare-se que a escolha da sigla é bastante curiosa pois foneticamente tem analogia clara a uma “marca” registada do SNS, os HUC – Hospitais da Universidade de Coimbra. Nada é escolhida ao acaso.

A UHC não tem como missão apenas funcionar como alternativa ao público. Tem também a missão de substituir o público, principalmente nos exames complementares. Temos em conta a certeza que a Ideal Med (ou UHC) terá a ambição de estabelecer mais uma ruinosa parceria público-privada com o Ministério da Saúde de modo a roubar doentes aos HUC e assim lucrar com a comparticipação estatal na feitura dos ditos exames complementares, de operações e consultas de especialidade, promovendo assim mais um rombo nas contas do “pobre” SNS e enfraquecendo ainda mais a sua qualidade enquanto serviço universal e tendencialmente gratuito.

Por demais, ainda existe outro detalhe que passa em claro aos olhos do público em geral que é o caso do licenciamento do Hospital na Administração Regional de Saúde.

De acordo com o site daAdministração Regional de Saúde do Centro esta é a legislação que legitima a constituição de unidades de saúde privadas e a legislação que lhes é aplicável: I, II, III, IV,

Como podemos ver noutro link da referida página, a Ideal Med (ou UHC) não aparecem para já nas unidades de saúde licenciadas pela entidade que supervisiona toda a saúde regional.

Não sou de intrigas nem de meias verdades: terão porventura os administradores da ARS esquecido a existência de mais uma unidade de saúde privada em Coimbra ou a UHC funciona para já sem qualquer licença do estado?

Se funciona, do que é que está à espera a ARS\Centro e o Ministério da Saúde para actuarem na situação e punirem a ilegalidade?

Passamos a outro ponto muito curioso de toda esta história:

A 14 de Maio de 2012, o Ministério da Saúde dá mais um passo histórico nas pretensões do Ministro Paulo Macedo, publicando um concurso público em Diário da República que é danoso para a classe médica, particularmente gravíssimo e danoso para os jovens médicos deste país.

Fala-se que o país precisa de médicos e que em especial o Serviço Nacional de Saúde precisa de médicos. Tanto se precisa que o Ministério tem que ir recrutar constantemente médicos de clínica geral e outras especialidades a países como a Ucrânia, a Costa Rica, Espanha e Colômbia. No entanto, por outro lado, assiste-se a uma migração estranha ($) de médicos (dos melhores especialistas deste país) para o privado. Compreende-se porquê não é?

O procedimento nº 1921\2012 de 14 de Maio dá conta de um contrato público que visa dar mais uma machadada no SNS, aprovando expressamente a ideia de contratação de médicos a recibos verdes e a contratos temporários para suprir necessidades correntes do SNS em vários locais deste país. Ou seja, contrata-se um médico a 6 meses ou 1 ano porque se precisa dele para depois se recambiar de volta ao desemprego esse médico sem lhe pagar um tostão de indeminizações ou pagando-lhe uma migalha de indeminização, já vigente de acordo com os novos trâmites da reforma do código laboral. Os jovens médicos deste país, alunos de excelência máxima, são chutados e inseridos novamente no SNS a bel-prazer das necessidades correntes.

Quando o Estado publica algo assim…

Temos Horácio Firmino, que se bem se lembram era o psiquiátra que referia neste post, médico psiquiátra dos HUC e coordenador da Unidade de Gerontopsiquiatria do Serviço de Psiquiatria dos Hospitais da Universidade de Coimbra, a ser coordenador ao mesmo tempo da Unidade de Psiquiatria e Psicologia da UHC, do serviço da Ideal Med

E então? É deontológicamente correcto que seja coordenador unidades no público e no privado? A resposta é não…

Porquê perguntam os leitores mais cépticos?

Lei das Incompatibilidades dos profissionais do Serviço Nacional de Saúde e o despacho Ministerial de 5 de Dezembro – pdf

Pode-se ler no referido documento as seguintes frases que abaixo transcrevo:

“Só existe incompatibilidade entre o exercício de empregos e cargos públicos e o de actividades privadas nos casos em que a lei o determinar (1)
Nos termos do artº 269º, nº 5 da Constituição da República Portuguesa,” a lei determina as incompatibilidades entre o exercício de empregos ou cargos públicos e o de outras actividades”

(…)

“” Aos profissionais dos quadros do Serviço Nacional de Saúde é permitido, sem prejuízo das normas que regulam o regime de trabalho de dedicação exclusiva, exercer a actividade privada, não podendo daí resultar para o Serviço Nacional de Saúde qualquer responsabilidade pelos encargos resultantes dos cuidados por esta forma prestados aos seus beneficiários.”

(…)

““ 1 – Aos profissionais dos quadros do SNS é permitido, nos termos da lei, o exercício de actividade privada, desde que dela não resultem, designadamente em virtude de contrato ou convenção, quaisquer responsabilidades do SNS pelos encargos correspondentes aos cuidados prestados aos beneficiários.
2 – Em qualquer caso, o exercício de actividades exteriores depende sempre da compatibilidade de horário, do não comprometimento da isenção e imparcialidade do funcionário ou agente e da inexistência de prejuízo efectivo para o interesse público”.

Adenda: Dr. Firmino pode-me dizer como é que consegue aguentar os dois serviços? É divisível e pode estar nos dois ao mesmo tempo? A sua actividade na Ideal Med não acarreta prejuízo para o Serviço Nacional de Saúde, na medida em que pode levar os seus doentes para o privado e deixar o público vazio, ou seja, à mercê de mais cortes no financiamento da unidade por falta de utentes?

Perguntas que só o Dr. Firmino talvez me possa responder…

” O Despacho nº 289/06 do Ministro da Saúde, datado de 5 de Dezembro de 2006 determina:

“1 – O exercício efectivo de funções de coordenação e direcção, independentemente da sua natureza e forma jurídica, em instituições privadas prestadoras de cuidados de saúde, por profissionais pertencentes a instituições integradas no Serviço Nacional de  Saúde (SNS), sujeitos ou não, ao regime da administração pública, deve ser sempre considerado incompatível.”

O Dr. Horácio Firmino está portanto a incorrer numa incompatibilidade desta lei, cujo Provedor de Justiça (ver a partir desta página no fundo da mesma) já se pronunciou a favor das pretensões da Ordem dos Médicos, como se pode ler clicando na hiperligação dos dois órgãos.

” Provedor de Justiça dá razão à Ordem na questão das incompatibilidades

O Provedor de Justiça recomenda ao Ministro da Saúde que altere o teor dos despachos sobre incompatibilidades, que visavam impedir a generalidade dos médicos do SNS de desempenharem funções de coordenação e direcção em serviços de saúde privados.
A recomendação de que seja modificada a medida do Governo consta de um parecer sobre a matéria que a Provedoria enviou já ao Ministro da Saúde no dia 14 de Maio e de que deu igualmente conta ao Presidente da Ordem dos Médicos.
Na prática, o regime de avaliação de incompatibilidades, tal como a Ordem dos Médicos sempre defendeu, é o que está definido no decreto-lei n.º 11/93 (Estatuto do Serviço Nacional de Saúde) e cujo princípio geral é o de que «os profissionais do SNS podem, nos termos da lei, acumular o exercício destas funções com o exercício da actividade privada, desde que da acumulação não resultem, designadamente em virtude de contrato ou convenção, responsabilidades do SNS pelos encargos relativos aos cuidados prestados aos beneficiários daquela actividade privada (n.º 1), e desde que o exercício desta não gere incompatibilidade de horário, comprometa a isenção e imparcialidade do funcionário, e inexista prejuízo efectivo para o interesse público (n.º 2)», tal como refere o parecer.
Este princípio, segundo o Provedor de Justiça, corresponde, de resto, ao que está disposto na Base XXXI, n.º 3, da Lei de Bases da Saúde (Lei n.º 48/90, de 24 de Agosto), segundo a qual, «aos profissionais dos quadros do Serviço Nacional de Saúde é permitido, sem prejuízo das normas que regulam o regime de trabalho de dedicação exclusiva, exercer a actividade privada, não podendo dela resultar para o Serviço Nacional de Saúde qualquer responsabilidade pelos encargos resultantes dos cuidados por esta forma prestados aos seus beneficiários».
Depois de recordar esta e outra legislação aplicável a estes casos, e de tecer considerações várias sobre o despacho n.º 725/2007 e sobre o despacho n.º 7921/2007, que alterou o primeiro, o Dr. Nascimento Rodriques recomenda então: «Parece-me imperioso que seja modificada a solução constante nos actuais despachos, no sentido de se respeitar a autonomia de decisão das entidades competentes, nos termos da lei, para autorizarem ou não as acumulações».
No ofício que enviou ao Ministro da Saúde, o Provedor de Justiça considera que a legislação em vigor aplicável a estes casos, incluindo o que está estabelecido constitucionalmente, é impeditiva das normas que o Governo estabeleceu através de despacho. No texto de nove páginas assinado por Nascimento Rodrigues, refere-se a certo passo: «Os Despachos de Vossa Excelência, abstraindo das situações concretas e de uma apreciação casuística sobre as mesmas, exigida pela previsão da discricionariedade administrativa, e exceptuando a possibilidade a que alude o n.º 2 do Despacho mais recente [7921/2007], determinam que são sempre incompatíveis – isto é, independentemente das circunstâncias do caso concreto – o exercício efectivo de funções de coordenação e direcção em instituições privadas prestadoras de cuidados de saúde por profissionais pertencentes a instituições do SNS».
Desta forma, segundo o Provedor de Justiça, altera-se o princípio estabelecido pela lei, que define explicitamente os casos em que a incompatibilidade é gerada. A ser seguido pelas administrações o que está determinado nos despachos em causa, tudo mudaria radicalmente. «De facto, e como disse acima, os pedidos de autorização de acumulação que, nos termos da actual lei poderiam ser decididos favoravelmente, na medida em que, em concreto, não se verificaria qualquer das incompatibilidades legalmente previstas, terão de ser agora decididos sempre negativamente», refere o ofício.
Em síntese, segundo Nascimento Rodrigues, a solução que decorre do que determinam os despachos «gera a dificuldade inerente ao facto de ter sido criada, por via regulamentar, uma nova incompatibilidade, que só por lei formal poderá ser criada». Neste passo, recorda-se o que define a Constituição da República Portuguesa (CRP), no n.º 5 do seu art.º 269.º, segundo o qual «a lei determina as incompatibilidades entre o exercício de empregos ou cargos públicos e o de outras actividades».
De acordo com o parecer do Provedor de Justiça, «a lei a que se refere o mencionado dispositivo constitucional é uma lei em sentido formal, isto é, uma lei da Assembleia da República ou um decreto-lei autorizado, aliás em consonância com o regime forma dos direitos, liberdades e garantias, designadamente constante do art.º 18.º da CRP, que impõem que eventuais restrições ao mesmos – neste caso estamos perante uma medida restritiva a um desses direitos, o de liberdade de escolha de profissão (art.º 47.º, n.º 1, da CRP) – devam ser feitas por lei da Assembleia da República ou por decreto-lei por esta autorizado».
A carta enviada ao Ministro da Saúde não podia ser mais clara. Nela se defende, em síntese, que os despachos emitidos para alterar o regime de avaliação das incompatibilidades não estão de acordo com a lei e só com uma peça legislativa do tipo o Governo o poderia fazer.”

No entanto, o Dr. Firmino ainda se faz valer do seu estatuto de Presidente da Associação Europeia de Gerontopsiquiatrica para promover a marca UHC com uma convenção que se irá realizar na Ideal Med, usando ainda por cima o apoio do CHUC (Centro Hospital) para uma acção que deveria ser realizada em local público e de facto o é em local privado e não licenciado pela ARS. Estamos perante mais um problema que coloca em prejuízo o serviço público de saúde em prol da divulgação de uma marca privada.

No entanto, o Dr. Firmino não é o único que combina ao nível de coordenadorias na dicotomia HUC\UHC (Ideal Med)

Cruzando estes dois links (HUC\Ideal Med) ao nível de coordenadores de serviços das duas entidades(…)

huc – link

ideal med – link

reparamos que o Dr. Nascimento Costa é ao mesmo tempo coordenador do Serviço de Medicina Interna dos HUC e de Oncologia da UHC\Ideal Med…

reparamos que o Dr. Páscoa Pinheiro é ao mesmo tempo coordenador do Serviço de Medicina Física e de Reabilitação dos HUC e de uma pasta identica na Ideal Med

reparamos que a Dr. Isabel Torgal costa é ao mesmo tempo coordenadora do Serviço de Medicina Ginecológica dos HUC e coordenadora de Medicina da Reprodução da Ideal Med

que o Dr. Filipe Caseiro Alves é ao mesmo tempo coordenador do serviço de radiologia dos HUC e ocupa uma coordenadoria na UHC\Ideal Med como Imagem Médica.

Estamos portanto 5 ilegalidades crassas à lei das incompatibilidades.

Poderão haver indícios claros de lesão do SNS e do interesse público? A resposta é sim.

Perante estes factos, pergunta-se: O que pretende a UHC\Ideal Med? Mais uma PPP que pode colocar em xeque o financiamento à saúde pública? Um xeque-mate à já de si fraca qualidade dos SNS? Privatizar urgências para depois privatizar as especialidades e os HUC?

A resposta só o futuro a dirá. No entanto, como bom cidadão coube-me alertar para esta triste realidade. É a saúde que temos, são os profissionais que temos, é o país que temos. Infelizmente.

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estou um bocado desapontado, são 5 da manhã e a saúde em Coimbra está a morrer lentamente com este tipo de artistas

“Além da transcendência social e económica, a saúde mental é uma das principais dimensões da saúde e bem-estar(OMS), em sentido inverso os mais recentes dados epidemiológicos mostram serem os problemas de saúde mental a principal causa de incapacidades.

A OMS baseando-se em estudos de efectividade e custos dos serviços de saúde mental (SSM), defende que estes devem garantir a acessibilidade a todas as pessoas, assegurando estes cuidados sem que as pessoas se tenham de afastar significativamente do seu local de residência, e integrando um conjunto diversificado de unidades e programas, incluindo o internamento em hospital geral.

Nesta resposta devem ser respeitados os Direitos Humanos: pessoas com perturbações mentais devem ver respeitados todos os seus direitos, incluindo o direito a cuidados adequados… assim como protecção contra todos os tipos de discriminação.

Há quem procure minorar a importância da Psiquiatria, tentando afastá-la da estrutura próxima do Hospital, e existem sectores que olham para cada Hospital como tradutor apenas de virtudes, esquecendo as limitações.

A manutenção do internamento de doentes com patologia psiquiátrica aguda no Hospital Geral já é hoje uma realidade e constituiria um acto de discriminação a sua retirada da estrutura física, não aceite por nenhum profissional de saúde mental e muito menos pela população.

Urge incrementar as unidades de saúde mental comunitária, permitindo uma melhoria da acessibilidade e qualidade dos cuidados, com respostas mais próximas das populações, numa maior articulação com centros de saúde e outras estruturas da comunidade, reduzindo riscos de descompensação dos casos de patologia mais severa, por um melhor e regular seguimento desses utentes e evitando o recurso à Urgência e diminuindo substancialmente, a necessidade de camas hospitalares de agudos.

Estas estruturas devem ser constituídas por equipas multidisciplinares: psiquiatras, psicólogos, enfermeiros, técnicos de serviço social e outros profissionais não médicos.

Numa senda de progresso é importante desenvolver projectos que granjearam prestígio: Gerontopsiquiatria, Psicoterapia, Stress, Distúrbios Alimentares, Violência Doméstica, Prevenção de Suicídio, Sexologia, Estimulação Cerebral… a manutenção do serviço regional de internamento para doentes inimputáveis e a criação de unidades de internamento para os casos de patologia mental grave.

Depois de se terem dado passos importantes na reorganização prévia dos Hospitais Psiquiátricos (Sobral Cid, Lorvão e Arnes), a grande maioria dos psiquiatras está de acordo que é agora a altura de promover a transferência progressiva dos cuidados dos utentes, ainda internados no Lorvão e Arnes, para unidades que possam prestar cuidados continuados de Psiquiatria (Dec-lei n.º 8/2010).

Dado as características dos utentes que ainda aí se encontram, numa larga maioria terão de se enquadrar em residências de apoio máximo, localizadas na comunidade, destinada a pessoas clinicamente estabilizadas com elevado grau de incapacidade psicossocial, impossibilitadas de serem tratadas no domicílio por ausência de suporte familiar ou social adequado.

Todos os que conhecem as instalações do Lorvão terão de reconhecer que se tratam de hospitais obsoletos sem condições adequadas, pois grades nas janelas, más condições climática… numa acumulação de pessoas sem as tentarem reabilitar, não possam ser consideradas como o pressuposto de atendimento médico com condições humanas adequadas.

Esta inserção em unidades mais pequenas, apoiados por técnicos diferenciados numa procura de reabilitação e integração no meio social contribuirá para a solidificação dos princípios dos Direitos Humanos a que anteriormente aludíamos.

Aos profissionais das diversas unidades espera-se: manutenção da qualidade assistencial; melhoria respostas integradas aos doentes e famílias; continuação do ensino aos estudantes e colegas mais novos; incremento da investigação numa contínua manifestação de se quererem (re)afirmar, não só no país, como internacionalmente como centro de excelência.”

Publicado pelo Diário As Beiras no dia 12 de Maio de 2012

Eu João Branco me confesso:

1. Sempre tive aversão a hospitais. Desde pequeno que morro de medo sempre que entro num e fico meio hipocondríaco sempre que me vêm às narinas aquele cheiro a líxivia tão característico dos hospitais.

2. Dado o primeiro ponto, assumo humildemente que nada percebo de psiquiatria e nada quero perceber. Muito menos depois da leitura deste curioso texto publicado nesse pasquinzeco desta cidade.

3. Vamos por partes:

3.1 Horácio Firmino, o brilhante autor deste churro à espanhola em língua dita portuguesa, é antes de mais um médico psiquiatra licenciado pela Universidade de Coimbra, actual coordenador da Unidade de Gerontopsiquiatria do Serviço de Psiquiatria dos Hospitais da Universidade de Coimbra (que não é unidade nenhuma graças às explicações que me foram dadas por uma fonte no serviço mas antes uma Consulta Externa na área de psiquiatria para idosos) e presidente de uma Associação que também me foi dita como inexistente (ou como quem diz para inglês ver) chamada Associação Europeia de Psiquiatria Geriátrica. 

3.2 Como podemos depreender do texto, existem partes do mesmo em que qualquer leitor leigo na matéria se pode regozijar por nada ter aprendido com o mesmo.

Começamos pela frase inicial: “Além da transcendência social e económica, a saúde mental é uma das principais dimensões da saúde e bem-estar.”

Afinal de contas o que é que é transcendente para a saude e bem-estar? A palavra transcendência significa “estar acima de”; “ir para além de um limite”, “ir para além de”;  a religião considera Deus transcendente aos homens. A primeira frase aparece-nos desde logo algo confusa e contraditória: à transcendência social e económica, expressão que é utilizada de forma vaga, supera a saúde mental como uma das principais dimensões. Se o social e o económico é transcendente, não existem outras dimensões nem principais nem secundárias, digo eu…

“A OMS baseando-se em estudos de efectividade e custos dos serviços de saúde menta” – Sr. Doutor, não deveria escrever que a “OMS” baseando-se em estudos custo\efectividade…”

MUST or MUST SEE:

“Há quem procure minorar a importância da Psiquiatria, tentando afastá-la da estrutura próxima do Hospital, e existem sectores que olham para cada Hospital como tradutor apenas de virtudes, esquecendo as limitações.

A manutenção do internamento de doentes com patologia psiquiátrica aguda no Hospital Geral já é hoje uma realidade e constituiria um acto de discriminação a sua retirada da estrutura física, não aceite por nenhum profissional de saúde mental e muito menos pela população.

Urge incrementar as unidades de saúde mental comunitária, permitindo uma melhoria da acessibilidade e qualidade dos cuidados, com respostas mais próximas das populações, numa maior articulação com centros de saúde e outras estruturas da comunidade, reduzindo riscos de descompensação dos casos de patologia mais severa, por um melhor e regular seguimento desses utentes e evitando o recurso à Urgência e diminuindo substancialmente, a necessidade de camas hospitalares de agudos.”

Primeiro afirma como prejudiciais aqueles que tentam afastar a Psiquiatria dos Hospitais e assim acentuar discriminações e depois afirma que é necessário incrementar unidades de saúde mental comunitária com a implantação de psiquiatras nos centros de saúde, ou seja, promovendo uma maior descentralização das unidades de psiquiatria. Mais uma vez, o Sr. Dr. contradiz-se com uma profundidade no mínimo “severa”.

para depois nos brindar com mais uma pérola…

“Estas estruturas devem ser constituídas por equipas multidisciplinares: psiquiatras, psicólogos, enfermeiros, técnicos de serviço social e outros profissionais não médicos.”

Os psicólogos formam-se na faculdade de medicina ou na faculdade de psicologia? E os técnicos de serviço social? Que outro tipo de pessoal não-médico incluiria? Palhaços, canalizadores, pedintes profissionais?

“Numa senda de progresso é importante desenvolver projectos que granjearam prestígio: Gerontopsiquiatria, Psicoterapia, Stress, Distúrbios Alimentares, Violência Doméstica, Prevenção de Suicídio, Sexologia, Estimulação Cerebral… a manutenção do serviço regional de internamento para doentes inimputáveis e a criação de unidades de internamento para os casos de patologia mental grave.”

Haja dinheiro no Ministério da Saúde para tanto projecto caramba!!! Gerontopsiquiatria, 1 projecto. Psicoterapia, 2 projectos. Stress, 3 projectos, Violência Doméstica, 4 projectos….

Soma e Segue

“Depois de se terem dado passos importantes na reorganização prévia dos Hospitais Psiquiátricos (Sobral Cid, Lorvão e Arnes), a grande maioria dos psiquiatras está de acordo que é agora a altura de promover a transferência progressiva dos cuidados dos utentes, ainda internados no Lorvão e Arnes, para unidades que possam prestar cuidados continuados de Psiquiatria (Dec-lei n.º 8/2010).

Dado as características dos utentes que ainda aí se encontram, numa larga maioria terão de se enquadrar em residências de apoio máximo, localizadas na comunidade, destinada a pessoas clinicamente estabilizadas com elevado grau de incapacidade psicossocial, impossibilitadas de serem tratadas no domicílio por ausência de suporte familiar ou social adequado.”

O que são maioria dos casos!!! Vai entregá-los a quem? À Santa Casa da Misericórdia? Ao clube dos Unidos do Barreiro? À CP? À Refer? Como irão prover ao seu sustento se praticamente todos estarão incapacitados de gozo de direitos pela lei ou impedidos à recepção de ajudas sociais por parte do Estado? Quem é que irá sustentar esses doentes? Quantas são as famílias neste momento pré-dispostas (ao nível de formação; ao nível material; ao nível pessoal) para receber nos seus lares aqueles que muitas vezes acabaram por depositar no Hospital Psiquiátrico?

“Todos os que conhecem as instalações do Lorvão terão de reconhecer que se tratam de hospitais obsoletos sem condições adequadas”

Mentira.

” numa acumulação de pessoas sem as tentarem reabilitar, não possam ser consideradas como o pressuposto de atendimento médico com condições humanas adequadas.”

Mentira. Agora se me falasse que algum do pessoal auxiliar não respeita a ética e a deontologia da profissão no tratamento destes doentes até acreditava em si…

“Esta inserção em unidades mais pequenas, apoiados por técnicos diferenciados numa procura de reabilitação e integração no meio social contribuirá para a solidificação dos princípios dos Direitos Humanos a que anteriormente aludíamos.”

“Aludia” Sr. Dr., diz-se “aludia” – primeira pessoa. Sem acento. Do verbo “aludir”. 

4. Como puderam ler, o tratamento da língua de camões por parte deste Dr, é uma coisa que roça a excelência. No início deste texto fui bem expresso ao ponto de admitir que nada percebo de psiquiatria e nada fiquei a perceber depois da leitura deste texto. Depois da leitura deste texto alicercei ainda mais a crença de que a Universidade de Coimbra dá canudos a quem não domina os assuntos da linguística, da semiótica e da sintaxe. Passam-me pela cabeça outros termos, uns ligeiramente ácidos, outros a roçar a linguagem de imberbe, algo que não me apetece escarrapachar aqui sob pena de me encontrar com este dito senhor numa situação desconfortável… no banco da psiquiatria está claro…

5. A página online onde se encontra este testemunho clínico de craveira tyranossaurica tem algumas respostas que são bastantes interessantes e que passo a transcrever:

RIP – “com certeza este senhor só foi visitar o lorvão uma vez, pois se tivesse por lá permanecido mais dias, teria a oportunidade de verificar que as equipas multidisciplinares nesta instituição, há muito que são uma realidade!!
ao tentarem deslocar estas pessoas que vivem aqui há mais de trinta anos, é retirá-las de sua casa e das pessoas que sempre conviveram com eles, os funcionários e os habitantes da vila, estes sim a sua verdadeira família!!!”

Joana Seco: “Sem as tentarem reabilitar??????? Sr dr Horácio…..nota-se, pelo seu discurso…..que de facto não conhece o Hospital do Lorvão……Enfermeira Joana Seco”

José Cunha-Oliveira: “Tenho muita dificuldade em compreender em que diferiam as condições de alojamento, de clima, de reabilitação e dignidade humana do hospital de Lorvão, relativamente às condições do hospital de Sobral Cid ou do Centro de Arnes ou, até, de certos Departamentos de Psiquiatria e Saúde Mental, designadamente da Zona Centro e, mesmo, das existentes nas impecáveis e amplas instalações do HUC.
Tenho também muita dificuldade em compreender em que diferem as respetivas equipas multidisciplinares, e as coisas que fazem, das que são feitas em setting universitário.
Pois, mas a questão não é essa, obviamente. A questão é de hegemonia, de toma dos lugares de direção e de fuga às filas de excedentários e da mobilidade anunciada. Tudo o mais são sofismas e coisas que se dizem por dizer.
É claro que o futuro será dirigido por quem tem mais estatuto e títulos do que propriamente diferenças de fazer. E está certo, sempre assim foi e há de ser. Pelo menos, têm mais entrada nos centros decisórios.
Porém, do muito que se tem dito sobre o tema, não houve ainda uma única referência ao que se fará de diferente. Apenas se promete, vagamente, que se fará melhor, ou se calha com mais “ciência”, o que sempre se tem feito.
Unidades de Cuidados Continuados de Psiquiatria, isso é o quê: asilos velhos com nome novo? Aonde vai o tempo em que se falava de residências comunitárias, reabilitação cívica (“empowerment”), formação profissional, emprego protegido, enfim, essas coisas diferentes. E, é claro, aonde vai a Psiquiatria Comunitária, agora transformada em Consultas de psiquiatria nos Centros de Saúde…
Acabar com os velhos hospitais psiquiátricos, sim, concerteza. Mas se apenas mudamos os doentes, internados ou ambulatórios, de serviços velhos, onde estão adaptados, para serviços novos, onde terão de se adaptar, e transferi-los de uns sítios para os outros, muito pouco mudará efetivamente no modelo de abordagem da doença mental e menos ainda na dignidade humana dos doentes.
Acrescentarei, para terminar, que mais do que o genuíno interesse pelo bem estar dos doentes nesta transferência dos hospitais psiquiátricos públicos para instituições privadas, estão prioritariamente em causa interesses de natureza orçamental, já que sai muito mais barato tê-los internados em instituições privadas. E que, por sua vez, sai muito mais barato manter o mesmo modelo de intervenção, agora dirigido pelo hospital universitário, do que por em marcha uma reforma profunda dos serviços de psiquiatria e saúde mental.”

6. Para finalizar, cumpre-me escrever Directamente para o Doutor:

6.1 Sr. Doutor, com todo o respeito, uma professora primária decente fazia-lhe jeito. Sei que é de outros tempos assim como de outros tempos são os meus pais por exemplo. O meu pai fala-me que nos vossos tempos, as professoras primárias usavam as ditas “meninas de 5 olhos” para castigar os meninos que não escreviam bem os ditados… Essa tal menina não deverá ter feito milagres na sua escrita.

6.2 Para o pessoal do pasquim: Se o artigo de opinião não vem bem escrito, ao menos, que cumpra aos redactores ou aos editores a função de lhe dar um toque de português com conta, peso e medida. Até nestes pequenos pormenores se denota um mau profissionalismo do jornal para quem os sustenta: os seus clientes.

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Académica 3-3 Beira-Mar


Resumidamente, faço a minha observação sob o desenrolar deste Académica 3-3 Beira-Mar por tópicos:

Em primeiro lugar, faço do relato do jogo o relato que o Pedro Alcaide e o Zé Ribeiro nos deixaram no Beira-Mar 1922 e no Bancada Norte. Eu próprio não conseguiria exprimir tão bem aquilo que se passou dentro das 4 linhas.

Aproveito também para publicamente deixar o recado à futura direcção do Beira-Mar para a próxima época: contra a Académica, bilhetes a 1 euro para o pessoal de Coimbra com entrada barrada a todos aqueles que não se apresentem com uma camisola do Beira-Mar. Se vamos brincar no preço dos bilhetes, vamos brincar a sério desta vez.

Em segundo lugar, quero perguntar quem é a Mancha Negra? É alguma seita? É que a única mancha negra que conheço é a do petróleo que foi derramado no Golfo do México há uns meses atrás pela Exxon Mobil. Em Coimbra não há nenhuma mancha negra. Se existe, não se viram, não se ouviram…

Em terceiro lugar, quero agradecer publicamente ao Artur Cruz (presidente dos Auri-Negros), ao Nuno Quintaneiro Martins, a todos os Ultras e a todo o público que povoou aquele pedaço de bancada do Topo Sul e que não se calou durante 90 minutos. O esforço deles para que esta verdadeira Invasão fosse um sucesso foi inegável, altruísta e de um amor tremendo pelo clube.

Em quarto lugar, quero agradecer aos jogadores e equipa técnica por mais 90 minutos à beira-mar. A raça, a crença na vitória, o espírito de luta,  parece nunca acabar neste grupo, que a bom da verdade não merece o 8º lugar mas sim o 3º da Liga. Honram Aveiro, honram-nos a nós em todos os campos onde vão jogar esta época.

Em quinto lugar, gostaria de abrir o dicionário para vos dar o significado do apelido do árbitro: Gralha.

Segundo o dicionário de língua portuguesa que disponho aqui em casa, gralha significa “um passáro negro muito ruidoso um texto cheio de erros ortográficos ou no calão, o ataque a alguém que comete muitos erros deliberadamente”

Penso que está tudo explicado em relação ao Gralha (André), árbitro desta partida.

Talvez, os pais do referido senhor deveriam ter o apelido Graça, visto que o filho fez com que pela obra e graça do Sr. a Académica empatasse esta partida.

Aos fiscais de linha de André Gralha, só lhes posso recomendar uma ida ao Dr. Louceiro (atende nos HUC, em Águeda e em Aveiro)  para fazer um check-up rigoroso à visão pois não compreendo como é que em dois lances iguais conseguiram assinalar um golo e anular outro. Talvez o facto de ser o 4-3 (sim porque no final considero que o Beira ganhou 5-3) e de ser aos 89″ deverá ter influenciado a sua decisão.

Já agora, caso necessitem de óculos, vão ao presidente arguido apresentar a factura, visto que quem paga o jantar é sempre o aniversariante.

Em sexto lugar, tenho a referir como o futebol faz com que apareça gente burra na blogosfera. A tendência clubística exacerbada de alguns senhores que andam sempre ali pelos lados do Estádio Municipal de Coimbra torna-os acéfalos e impede-os de ver a bola com uma ponta de brio e verdade desportiva. O Administrador do Académica Sempre e um tal de Rui Rodrigues que comentou aqui no Record Online são o exemplo de pessoas cujas palas na cabeça os impedem de ver o futebol como ele é para além do Bairro Norton de Matos.

Em sétimo lugar e por último, como sou uma pessoa que preza o fairplay no futebol, lamento o acidente que aconteceu ao JP líder da tal mancha negra que hoje caiu ao festejar o golo da Briosa e partiu o cotovelo, desejando-lhe rápidas melhoras.

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