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Impressionante

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Impressionante é ver jogadores sul-americanos pegar de estaca em qualquer parte do mundo.

Brasileiros, Argentinos e Uruguaios são claros exemplos de jogadores que demoram bastante tempo a assimilar os conceitos técnicos, tácticos e físicos do futebol europeu. Aliado a esse facto, está obviamente agregada a dificuldade que por vezes sentem em adaptar-se ao estilo de vida europeu e a ausência notada dos seus familiares e amigos.

Ao longo deste tempo todo em que vejo, sigo e estudo o futebol, foram imensos os exemplos de jogadores dessas 3 nacionalidades que vieram para a Europa com “rótulo de craque” declarado mas que demoraram imenso tempo a impor o seu espaço e presença no futebol europeu ou que infelizmente passaram completamente ao lado do mesmo.

Esteban Cambiasso saiu do River Plate para o Real Madrid em 1996 (nas camadas jovens) voltando a Espanha definitivamente em 2002. Foram precisos 2 anos turtuosos na capital espanhola e uma transferência para o Inter (como quem diz tomem lá este gajo porque a gente já não acredita nele) para que no clube Italiano se tornasse uma das peças mais influentes da história recente da equipa.

Juan Román Riquelme foi sem dúvida um dos brilhantes organizadores de jogo que alguma vez vi jogar. Riquelme era lento e era vagaroso ao nível de processos e de coordenação mas tinha uma visão de jogo, um posicionamento e uma qualidade de passe perfeita para um excelente número 10. Jogando especificamente numa área limitada de campo, era nessa área que se sentia confortável para manobrar todo o jogo de ataque de uma equipa.

Chegado ao Barcelona em 2002, o melhor jogador da história do Boca Juniores (segundo votação oficial no site do clube, onde foi considerado melhor que Maradona) passou um ano terrível onde não se conseguiu afirmar na equipa catalã, sendo automaticamente descartado na época que se seguiu para o Villareal onde fez boas épocas, mas, onde sendo estrela da equipa nunca conseguiu ser um jogador regular (106 jogos36 golos) e onde em 2006 haveria de falhar uma grande penalidade nos minutos finais da 2ª mão das meias-finais da Liga dos Campeões contra o Arsenal (finalista derrotado nesse ano) que segundo Riquelme haveria de ser o momento mais trágico da sua carreira. Na altura, Riquelme afirmou que esse momento tinha mexido irremediavelmente com a sua confiança, optando então por voltar meses mais tarde para o seu querido Boca.

Diego Forlán e Robinho são outros exemplos recentes de como os Sul-Americanos demoram a explodir no futebol europeu.

O Uruguaio, contratado pelo Manchester em 2002 ao Independiente para fazer dupla com Ruud Van Nistelrooy, nunca se conseguiu afirmar no United. Em duas épocas, Alex Ferguson colocou-o em campo por 63 vezes (46 das quais como suplente) tendo o Uruguaio marcado apenas 10 golos. Já o Brasileiro, grande promessa do futebol Brasileiro, ainda não mostrou as credênciais de “fenómeno” com que vinha do Brasil – contratado pelo Real Madrid por 25 milhões de euros, aquele que um dia bateu o record salarial do Brasil (cerca de 1,5 milhões de eurosano na última época de Santos) passou 3 anos na capital espanhola onde efectuou 101 jogos e marcou apenas 25 golos. Vendido ao Manchester City em 2008, a sua passagem por Manchester seria ainda mais ruinosa e efémera (41 jogos em duas épocas14 golos) sendo de seguida emprestadovendido definitivamente ao Santos. Depois de uma época no Brasil, voltaria ao Milan, onde muitos pensavam que seria o espaço onde Robinho se iria finalmente impor. Depois de um bom arranque de campeonato, o Brasileiro caiu para o banco de suplentes e em 25 jogos marcou 10 golos.

Como estes, já vi dezenas de casos. Desde Ariel Ortega, passando por Pablo Aimar, Adriano (contratado pelo Inter em 2001 só haveria de participar no clube a partir de 2005) Álvaro Recoba, Guillermo Barros Schelloto, Martin Palermo, Fernando Gago, Mario Bolatti, Alexandre Pato (as duas primeiras épocas de Milan foram desastrosas) Nilmar, Diego Souza, Breno, Gabriel Heinze (ninguém dava nada por ele quando esteve no Sporting) Aldo Duscher (a saída do Sporting para o Depor foi um erro declarado) Andrés D´Alessandro, Juan Pablo Sorín (nunca chegou a merecer o destaque que a qualidade lhe granjeava) Claudio Cannigia, Bruno Gimenez, Cicinho, Lucas (o do Liverpool) Elano, Renato Augusto, Edmundo (o que passou pelo Benfica) Amaral (idem)…

Para que não me alargue mais, também é passível de ser dito que houve jogadores destas 3 nacionalidades, que chegando à europa sem o estatuto de “craques” afirmaram-se na europa como tal.

Os exemplos de Lisandro Lopez, David Luiz, Fernando Redondo, Javier Zanetti (saiu do Banfield directamente para o Inter) Daniel Alves, Hernanes, Mauro Zarate (era reconhecido na Argentina mas não era um craque como agora o conhecemos) Thiago Silva (chegou a andar pelo Porto B) Hulk, Jádson, Jonás Gutierrez, Luis Fabiano, Álvaro Pereira, entre outros, são exemplos de jogadores que chegaram a clubes europeus sem a distinção e que com trabalho e evolução, passaram a ser reconhecidos como jogadores de top.

Outros, limitaram-se a confirmar o estatuto de vedeta que detinham nos seus países de origem: Ronaldo, Romário, Bebeto, Verón, Aguero, Simeone, Walter Samuel, Cafú, Rivaldo, Zé Roberto, Emerson, entre outros…

Luis Suárez é inevitavelmente um dos destes exemplos. Era aqui onde queria chegar com todo este discurso.

Suárez era uma das grandes promessas do futebol Uruguaio jovem. Prova disso foi o facto de ter sido contratado aos 19 anos pelo modesto Groningem da Holanda e de passado um ano ter sido contratado pelo Ajax, que como sabemos, é uma das maiores escolas de talento da europa.

Se no Ajax Luis Suárez detinha o estatuto de estrela da equipa, o mundial que fez na África do Sul, cativou muito boa gente a colocar-se na rota do jogador. Falou-se de uma eventual transferência para o Milan, mas o que é certo é que o Liverpool vendeu Torres e foi de imediato assegurar o talento Uruguaio. Com razão e mérito. Suárez não só pegou de estaca nos Reds como lhes deu aquilo que o seu ataque estava órfão (na minha opinião) desde os tempos áureos de Michael Owen: criatividade.

Suárez, como bem sabemos, não é um grande matador. Nunca o será. No entanto, o seu recorte técnico assente numa excelente condução de bola em drible e a fantasia que lhe é imanente é uma delícia para os olhos e é extramamente profícua quando executada no futebol inglês.

Prova disso foi o jogo que Suárez fez ontem contra o Manchester. A jogada que fez para o 1º golo dos Reds é do outro mundo – estamos a falar obviamente da defesa do United.

Mais que impressionante, foi magistral.


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