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descubra as diferenças da tecnocracia

Limiar da dignidade em Portugal: 500 euros\ mensais.

Limiar da dignidade em Itália: 900 euros\mensais.

Salário médio em Portugal: 777 euros\mensais

Salário médio em Itália: 2300 euros\mensais

Sobre o custo de vida, tomamos Itália com um custo de vida com uma variável de 0,8 vezes superior a Portugal.

Salário Mínimo em Portugal: 500 euros\mensais, negociados há cerca de um ano pelos parceiros sociais do estado e não indexados a um aumento inflaccionário anual.

Salário Mínimo em Itália: embora não existindo uma lei que o defina, e condicionantes quanto ao salário dependentes da região do trabalhador, o comum acordo é de sensivelmente 900 euros\mensais, sendo que esse valor aumenta sempre que existe um aumento inflaccionário anual.

Imposto sobre Valor Acrescentado em Portugal: 6%, 13% e 23%.

Imposto sobre Valor Acrescentado em Itália: 10% e 22%.

Imposto  Rendimento de Pessoas Singulares e Colectivas em Portugal:

Imposto sobre Rendimento de Pessoas Singulares em Itália:

Pessoas cujo rendimento seja até 15 mil euros anuais: 22%

Pessoas cujo rendimento seja num gap entre 15001 e 28 mil euros anuais: 26%

O que é Monti fez que Gaspar não fez?

Simples:

Aliviou os impostos à classe média para lhes devolver condições para o consumo.

Se repararmos, um cidadão português que tenha um rendimento de 18375 mil euros está a pagar mais 9,5% de impostos que um cidadão italiano que tenha o mesmo rendimento. Ou seja, para um cidadão português com um rendimento em semelhante escala, terá que descontar mais 124 euros (os adicionais 9,5%) que um cidadão italiano, perdendo portanto um enorme poder de compra perante o cidadão italiano, cujo rendimento é superior. Se atendermos a um cidadão que tenha um rendimento anual de 28 mil euros, a carga adicional será de 190 euros anuais em relação ao cidadão italiano. Para além do mais, um cidadão nacional que tenha um rendimento de 7410 euros estará a descontar mais 3,5% do que um cidadão italiano que ganhe o dobro do exemplo português, não podendo haver comparação com um italiano que aufira esse valor porque em Itália ninguém tem um rendimento anual de 7410 euros. Mesmo um Italiano que tenha o rendimento mínimo de 9 mil euros, irá descontar menos 2,5% que um Portugal que tenha um rendimento de 7410. E um cidadão que tenha rendimentos de 61244 euros estará a descontar apenas mais 2,5% do que um cidadão que tenha um rendimento de 42258 euros. Falamos de 2,5% num gap salarial de aproximadamente 19 mil euros. E outro que tenha um rendimento de 66045 euros terá um desconto superior em 6,5% a um cidadão que tenha um rendimento de 18 mil euros, sendo que aqui o gap salarial é de aproximadamente 48 mil euros. Não existe portanto uma distinção tributária entre quem vive bem e entre quem vive mais ou menos quando de facto seria justo que existisse. Ou seja, Monti sabe que para sair da crise necessita de ter um mercado interno forte que devolva a confiança e poder de compra aos cidadãos. Gaspar continua a insistir na ideia do arraso completo do seu mercado interno. Infelizmente.

Ao nível do IVA, Gaspar subiu bens imensos essenciais para 13% enquanto Monti manteve-os nos 10%. Os bens supérfluos são taxados são taxados a 23% em Portugal e a 22 em Itália. O que é igual a dizer que por cada 500 euros que um cidadão italiano gaste em bens supérfluos, deixará de receita no estado italiano 110 euros. E cada português, em semelhante medida deixará 115. Logo, pode-se aplicar a curva de Laffer. A partir de um dado aumento de impostos… o cidadão português com o encarecimento da vida, diminuição do rendimento por via de aumento de impostos e medo de cair numa situação de desemprego tenderá a não gastar os 500 euros que tem disponíveis, enquanto o italiano, pela via da descida de impostos, pelo facto de ter um imposto sobre valor acrescentado mais baixo e pelo fomento do emprego é aliciado a gastar mais rendimento.

O que é que Gaspar fez? Diminuição do poder de compra da classe média, o principal motor da economia portuguesa. O que é que Monti fez? Incentiva ao consumo que por sua vez será o motor de reequilibrio da economia italiana. Preservará empregos, criará novos empregos, aumentará as receitas nos cofres do estado por via do consumo e do emprego e diminuirá os encargos do estado em apoios sociais por via do emprego. O que é que Gaspar fez? Precisamente o contrário.

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Taxar ganhos financeiros

Em Itália, evita-se o colapso económico do país e um eventual pedido de resgate financeiro ao Fundo Monetário InternacionalBanco Central EuropeuComissão Europeia através de uma medida (entre várias) que taxa os ganhos financeiros entre 12,5% a 15%.

De modo a reduzir o seu défice das contas públicas que pode levar o país à bancarrota, os Italianos (cujo movimento financeiro é um ínfimo de vezes superior ao nosso) não tem quaisquer problemas em arranjar receitas entre aqueles que mais tem. No entanto e como a notícia mostra, já andam a ser aconselhados para aplicar as reformas estruturais (exigidas na maioria das vezes aquando de uma intervenção) da organização democrática internacional cujo nome todos nós sabemos.

Na notícia, outro dos conteúdos que me causa choque é o facto do Ministro da Economia Italiano já ter recebido informações para aplicar as tais reformas estruturais no país. Mostra claramente uma zona euro dividida em dois pesos e duas medidas. Pelo menos no que toca a esta crise da dívida.

Por um lado, ao trio de afundados, os mercados, os economistas de vários países da zona euro e a comunicação social alemã e francesa trataram logo de afundar as suas economias aumentando a taxa de juro dos títulos de dívida pública no caso dos mercados e alimentando o ciclo vicioso negativo em volta de Portugal, Grécia e Irlanda de modo a que para a crise da sua dívida pública não encontrassem outra solução para além do resgate financeiro. Empurraram-nos portanto para uma solução penosa, sem que as instituições europeias se preocupassem de comprar (a tempo) a nossa dívida ou até propor soluções introdutórias para combater o problema.

Por outro lado, as crises da Itália e da Espanha mostraram que os mercados não pretendem desencadear uma grave crise na zona euro com o aumento das taxas de juro dos títulos de dívida pública dos respectivos países, os economistas calaram-se de vez e temem que o pedido de resgate se alastre aos dois países, as instituções europeias anteciparam-se no aconselhamento ao nível de medidas aos mesmos assim como está a comprar antecipadamente títulos de dívida através do Banco Central Europeu.

A partir deste comportamento, podemos afirmar com todo o pejo que o objectivo da União Económica e Monetária (nas suas 3 fases) não passa de um objectivo oco que é destruído sempre que as instituições cometem erros com uns e tentam redimir-se desses erros com os países mais poderosos da Europa. O erro no tratamento dos países periféricos é quase sempre desculpável sempre que se consegue salvar um dos mais poderosos. Qualquer coordenação das políticas monetárias ou convergência económica entre os estados-membros e entre os estados-membros e as instituições é portanto por este ponto de vista uma autêntica miragem no meio do deserto. A União Económica e Monetária mais assemelha a algo do género: luto pelo meu país, estou-me nas tintas pelo meu vizinho. Esse pensamento constitui um dos problemas que está a matar a Europa dos 27.

A existência de uma super-potência na União Europeia (Alemanha) faz com que todos os países que dependem da Alemanha sejam prejudicados com as suas quedas ou com as suas decisões.

Já nós, continuamos a praticar políticas fiscais  políticas económicas em sentido contrário. Aumentam-se os impostos para quem menos tem. Reduzem-se as comparticipações nos serviços e contrapartidas garantidas pelo Estado de quem mais precisa. A culpa é do memorando de entendimento assinado pela troika. Qualquer decisão tomada pelo Governo Português terá sempre como base o memorando de entendimento assinado com a troika.


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