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Chipre

Chipre

Como aqui afirmei, devido aos interesses geopolíticos da Rússia, Putin foi o primeiro a manifestar-se. Os bancos russos tem interesses económicos na ilha e podem perder até 40 mil milhões de euros se as sobretaxas sobre os depósitos bancários forem avante. Para além do mais a desconfiança sobre o governo de Nicósia e esta medida já fizeram alguns investidores russos mudarem a rota dos seus investimentos para a vizinha Letónia visto que o primeiro-ministro Cipriota Nicos Anastasiades já veio afirmar que os investidores russos também poderão sofrer uma pequena taxa sobre o valor dos seus investimentos para tornar sustentável a banca cipriota. Se bem que o primeiro-ministro grego só irá falar à nação cipriota esta terça-feira. Se por um lado se começa a ver que a europa desistiu por completo de Chipre, ao ponto de se equacionar a saída dos cipriotas da zona euro (eu continuo a achar que a saída dos cipriotas do euro é o fim da europa) por outro lado, a própria europa parece dar sinais de desistência, ao acreditar que o problema cipriota poderia ser facilmente resolvido por outras forças presentes na ilha, caso dos Russos. As consequências perigosíssimas destas medidas estão salientes nas underlines. Corrida aos bancos massiva em toda a europa? Não tenho as menores dúvidas que pode existir uma nas próximas semanas, principalmente nos países periféricos. Um Português não se sente descansado com a possibilidade de acordar um dia e ter os bancos fechados e a mão do estado em cima de parte do seu dinheiro. Está mais que visto que estamos a ser governados a partir de um bando de loucos em Bruxelas.

A crítica à decisão do eurogrupo fez-se sentir ontem e hoje de forma massiva nos principais órgãos de comunicação social que versam sobre a análise económica:

Tim worstall escreve na Forbes sobre a possibilidade de colapso dos bancos através desta medida e relaciona o caso cipriota com a Grande Depressão de 1929 e a visão de Friedman sobre a Grande Depressão, originária nos bancos e nos erros de regulação da Reserva Federal Norte-Americana da altura. E worstall atira como key-point da sua crítica quando afirma:The actual process was the series of bank runs that happened through the early 1930s. The problem is that in a fractional reserve banking system banks are inherently unstable. The fractional refers to the fact that when you deposit $100 with one they don’t then keep that $100 in the safe. They take a guess at how much they need in the safe (OK, it’s an informed guess, but it is a guess) for when people turn up demanding their cash and the rest of it they lend out to other people” –

Felix Salmon na Reuters escreve sobre o precedente aberto em Chipre e vai de encontro ao lance de desespero e loucura dos líderes europeus quando afirma: “Don’t for a minute believe that this decision is part of some deeply-considered long-term strategy which was worked out in constructive consultations between the EU, the IMF, and the new Cypriot government. Instead, it’s a last-resort desperation move, born of an unholy combination of procrastination, blackmail, and sleep-deprived gamesmanship. (…)” 

no Business Insider Raúl Ilargi Meijer escreve sobre pressões alemãs ao governo cipriota e sobre a possibilidade de retirada de depósitos por parte de cidadãos de outros países europeus da banca. Caso Chipre saia da zona euro, Meijer interroga:And that would be the end of the Eurozone; if Cyprus leaves, so will others. Are they really going to take that risk after 5 years, 500 emergency meetings and €5 trillion in bailouts? Hell no, you kidding?, but they still threaten to do it, and in such a transparent fashion? Why would Anastasiades, or anyone else for that matter, fall for that? Something doesn’t add up here.” 

Outra interessante opinião que li foi no site da BBC através do seu editor para assuntos europeus Gavin Hewitt de onde retiro estes pontos chave: “The Germans, however, were not prepared to support a larger bailout. They suspected that half of the deposits in the island’s banks were held by Russians with much of the money being laundered. Rescuing high-rolling Russians could not be sold to German taxpayers.

But there are an estimated 25,000 British residents in Cyprus. Many of them have bank accounts in Cypriot banks. There are 3,500 British troops stationed there with savings in Cypriot banks. It is estimated that British savers have 2bn euros on deposit. They too will see their funds taxed – although Chancellor George Osborne has said he will compensate UK government employees and service personnel.” – Hewitt já refere o seu artigo a medida decretada pelo governo britânico a todos os seus cidadãos que trabalham em Chipre ao serviço da Função pública.

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Em Londres (2)

Autêntica anarquia, autêntica lei marcial.

A morte do Taxista do bairro de Tottenham Mark Duggan já não é propriamente o acontecimento que marca os dias agitados na capital do Reino Unido. É caso mesmo para dizer que a ocasião fez o ladrão.

Os actos de violência, vandalismo e pilhagem já se alastraram para vários pontos da cidade e até outras cidades como Bristol, Birmingham, Liverpool e Manchester. A confusão instalada já levou mesmo o Primeiro-Ministro David Cameron a ter que interromper as suas férias para accionar um plano de segurança interna de mais 16 mil policias para as ruas de Londres com ordens expressas para disparar balas de borracha por quem se atreva a continuar os estragos. De facto, este também era uma das queixas dos comerciantes assaltadose dos próprios moradores dos bairros onde aconteceram tumultos: a polícia londrina pura e simplesmente não acorreu aos locais de saque desmedido, continuando a executar as suas tarefas noutras áreas da cidade.

A registar, 1 vítima mortal, dezenas de feridos e mais de 500 detidos.

Outra das questões que para mim marca esta problemática é as várias declarações que tenho visto nos noticiários por parte da voxpopuli.

Alguns cidadãos queixam-se do facto dos actos de roubo e vandalismo serem praticados na sua maioria por emigrantes africanos. Chocou-me o facto de uma cidadã ter dito perante as câmaras da Sky News que “jamais estaria envolvido qualquer cidadão nacional porque a criminalidade no Reino Unido pertence aos emigrantes”. Um comentário puramente xenófobo.

No caso do Reino Unido não posso opinar sobre esta questão visto não ter conseguido arranjar dados que permitam tirar ilacções quanto ao nível de criminalidade praticado por emigrantes em relação ao nível ou percentagem de crimes que são praticados por cidadãos nacionais.

No caso Português, embora uma grande falange de cidadãos portugueses pense exactamente nesse sentido, a grossa parte da criminalidade em Portugal não é praticada por emigrantes. Quem o pensa, incorre num mito e não num facto. “Mitos e factos sobre a Imigração” foi 1º módulo um colóquio promovido pelo ACIDI (Alto-Comissariado para a Imigração E Diálogo Intercultural) e pela Secção de Defesa dos Direitos Humanos da AAC na qual participei no ano passado e na qual fiquei elucidado desse mito muitas vezes atribuído exclusivamente aos imigrantes que vivem no nosso país. A proporção de crimes praticados por imigrantes em Portugal tendo em conta a população imigrante que vive em Portugal e o número de crimes praticados por cidadãos nacionais mostra que os imigrantes de outras nacionalidades em Portugal não praticam mais crimes que os cidadãos nacionais.

No Jornal da Tarde da SIC, o prestigiado sociólogo da UC Boaventura Sousa Santos, enumerou e bem os problemas pelos quais passa a Grã-Bretanha e algumas das medidas que geraram insatisfação por parte dos cidadãos:

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Declínio económico (a libra desvalorizou muito nos últimos meses em relação ao euro e ao dolár) medidas de austeridade, o Desemprego, cortes no ensino superior que motivaram o aumento das propinas, as dificuldades de coesão sociais derivadas da experiência multiculturalista falhada no Reino Unido, os jovens estão sem horizonte, falta de poder de compra de pessoas com hábitos enormes de consumo…

Boaventura Sousa Santos disse tudo…

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