Tag Archives: Giuseppe Bergomi

1000

gigs

Impressionante. Ontem, a meio do jogo entre o Manchester e o Real dei por mim a pensar quantos jogadores existiriam na história como semelhante registo de jogos. Equacionei Maldini, Baresi, Zanetti, Bergomi, Costacurta, Rush, Damas, Eusébio, Simões, Pelé, Zoff, Charlton. Fui ver um a um. Apenas o astro Brasileiro ultrapassou a marca dos mil jogos. Fez precisamente 1114 jogos pelos Santos entre 1956 e 1974 e mais 106 no New York Cosmos entre 1974 e 1976 Maldini é de facto o que está mais próximo destes dois. Tem mais de 100o jogos, somando os que fez no Milan (902) nas 26 épocas ininterruptas que realizou pela equipa rossoneri mais os 138 que somou ao serviço da selecção A de Itália mais os sub-21. O histórico capitão do Inter Javier Zanetti também ultrapassa a fasquia, mas com jogos internacionais (924 ao serviço de Talleres, Banfield e Inter de Milão em 21 épocas enquanto profissional) mais os 157 jogos que soma entre os sub-20 argentinos e a selecção A. Todos os outros oscilam entre os 500 e os 800 jogos ao serviço de clubes.

O registo do Galês ao serviço do United (Reforço: sempre ao serviço do United) são absolutamente inacreditáveis e duvido que hajam muitos jogadores, que, nos dias que correm e no futuro do futebol, com a exigência e rigor que concerne à alta competição, consigam atingir esta marca. Podem-me dizer que o uso da ciência e da tecnologia em prol do desporto poderá trazer uma maior longevidade às carreiras. Existem o exemplo do Milanello e do Milan LAB. É o maior centro de medicina desportiva do mundo. O Milan LAB é o verdadeiro responsável por uma das características que identificam o Milan das últimas épocas: como obter um rendimento desportivo de topo, coroado inclusive com vitórias na Liga dos Campeões com planteis de idade muito avançada. O Milan LAB dá a resposta: a fisiologia dos jogadores estudada ao milimetro, a própria vida dos jogadores estudada ao milimetro, o rendimento do atleta (dentro e fora de campo) é colocado em sucessivos relatórios, estatísticas e gráficos, a personalização do treino é feita à medida de cada jogador tendo em conta as suas capacidades físicas no momento com os objectivos centrados naquilo que se espera que o jogador faça em cada momento da temporada, excelentes programas e parcerias ao nível da nutrição desportiva e os avanços científicos feitos na descoberta de novas ferramentas que permitam melhorar a qualidade de vida do jogador, o rendimento do atleta e a própria longevidade do atleta num cenário de alta competição desgantante. Contudo, penso que nem só dos aspectos físicos se pode dizer que x jogador vai ter uma longevidade como as que tiveram Maldini, Zanetti ou Ryan Giggs.

O plano mental começa a contar mais nos dias que correm do que o próprio físico. Ter uma carreira profissional de mais de 20 anos não depende apenas do ponto de vista físico. A profissão futebolista sofre imensos desgastes mentais. É certo que a remuneração no futebol vale a pena. 20 anos num clube de topo europeu faz do jogador um milionário. No entanto, aguentar 20 anos ao mais alto nível inclui obrigatoriamente uma renúncia por parte do jogador à sua vida pessoal: são filhos que não se vêem crescer, são casamentos que não perduram por muitos anos, são juventudes que passam ao lado da vida do jogador e uma 3ª idade cheia de mazelas e tormentos vindos do relvado. A exigência vinda da vitória, do querer ganhar e do ganhar de facto, também leva à desmotivação. Um jogador que ganhe títulos por todos os clubes onde passe, chega a uma altura em que começa a sentir utilidade marginal mínima ao nível de prazer no que faz e tenderá a retirar-se. Quantos jogadores estão no presente e no futuro disponíveis a tamanhos sacríficios em prol de uma carreira?

Anúncios
Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

clássicos (de final de tarde)

Uma desbunda de futebol! O voo de Santillana no prolongamento a dar a passagem à final ao Real! Provavelmente a meia final de UEFA com mais vedetas da história do futebol: Santillana, Manuel Sanchis, Chendo, Butragueño, José António Camacho, Gordillo, Hugo Sanchez e Michel no lado do Madrid. Destes todos só vi jogar Sanchis. Era um líbero à moda antiga. Não era muito rápido, contrastando por exemplo com o colega de “zaga” no final da sua carreira (Fernando Hierro, a locomotiva) mas era um central muito inteligente no posicionamento e muito forte no desarme.
No lado do Inter: Zenga, Bergomi, Tardelli, Altobello e Karl Heinz-Rummenigge. De todos estes também só vi actuar Bergomi, já no final da sua carreira nos anos 90, não como defesa esquerdo mas como líbero. Em conjunto com Franco Baresi (Milan), Danny Blind (Ajax) e Marcel Desailly, foram os melhores centrais da década. De Rummenigge tenho o testemunho do meu pai que o viu actuar na Suiça ao serviço do Servette de Genebra, numa fase muito adiantada da sua carreira, ironicamente já como líbero à moda Beckenbaueriana.

Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

História do Futebol #5

Carnaval de Veneza no dia em que tudo esperava um carnaval no Rio.

De um lado, a Itália daquela caixa fechada do Catenaccio puro e duro (mais fechada que a Caixa de Dahl na Ciência Política) onde pontuavam jogadores como Dino Zoff, Baresi, Giuseppe Bergomi (os dois centrais mais elegantes que tive o prazer de ver jogar, se bem, já no final das suas carreiras) Gentile, Scirea, Vierchwood (ainda o vi jogar pela Juventus) Tardelli, Massaro, Altobelli, Galli e está claro, do imortal Paolo Rossi.

Do outro lado, samba no pé. Mais que samba no pé: uma história de bom futebol. Aquele escrete que nem o mais belo dos poetas de então, Chico Buarque de Hollanda, por mais magnificiência dos seus poemas, se atraveria a escrever uma quadra descritiva tão linda. O Brasil de Zico, Sócrates, Luizinho (passaria no final da carreira pelo Sporting) Júnior, Falcão, Batista, Roberto Dinamite e Dirceu.

De um lado, uma Itália matreira que tinha feito algo extraordinário em Espanha que hoje é quase impensável acontecer num campeonato do mundo: passar a1ª  fase de grupos (a segunda ronda era uma 2ª fase de grupos a 3) com 3 empates e com um score de 2 golos marcados e 2 sofridos. Do outro lado, um Brasil dominador: 3 vitórias na fase-de-grupos com um score de 10 marcados e 2 sofridos (grupo: União Soviética, Escócia de Souness e Nova Zelândia).

Estamos então no jogo decisivo da 2ª fase. Depois da Itália vencer a Argentina por 2-1 e do Brasil ter feito o mesmo por 3-1 decidia-se quem iria passar às meias-finais da prova.

Ao Brasil bastava um empate para o conseguir. Até que Paolo Rossi apareceu vindo do nada (na altura era um modestíssimo avançado que cumpria a sua primeira época a sério na Juventus depois de ter passado por empréstimos a clubes modestos como o Como, o Perugia e o Lanerossi Vicenza. Curiosamente seria no último onde marcaria mais golos). Paolo Rossi nunca atingiria o estatuto de grande matador em Itália: de 81 a 86 cumpriu 83 jogos pela Juventus tendo marcado 24 golos. No ano seguinte seria dispensado para o Milan, onde iria actuar em 20 partidas e marcar apenas 2 golos.

Mas Rossi haveria de ficar para a eternidade. Não só por ter sido o obreiro desta inigualável vitória contra o Brasil, mas por ter sido o principal obreiro de um título quase impossível para a Itália.

Este jogo é portanto algo completamente inacreditável: perante um Brasil que tinha tudo para se sagrar campeão do mundo, Paolo Rossi mascarou-se daquilo que nunca foi e gelou os adeptos canarinhos.

Isto no dia, em que o futebol brasileiro ficou claramente mais pobre com a morte de um dos seus principais artistas: Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, mais conhecido no mundo como o Doutor.

Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,