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Extinção da HTC-Highroad

Nem as 5 vitórias em etapas de Mark Cavendish no Tour, a vitória de Tony Martin no contra-relógio em Grenoble e a vitória na classificação dos pontos no Tour do Britânico fizeram demover os patrocinadores da equipa que apanhou os restos da T-MobileDeutsche Telekom a terminar com a equipa.

A direcção da HTC-Highroad decidiu ontem por fim à sua equipa profissional de ciclismo. Uma decisão que há muito vinha sido veículada na comunicação social.

Assim sendo, corredores como Mark Cavendish (deverá assinar pelo projecto Britânico da Team Sky) Mark Renshaw (deverá rumar também à Sky) Matthew Goss, Tony Martin, Lars Bak, Alex Rasmussen, Bernard Eisel, Michael Albasini, Danny Pate, Marco Pinotti, Tejay Van Garderen, Peter Velits, Martin Velits estão livres para procurar uma nova equipa.

Se o Britânicos deverão trilhar o seu caminho pela Sky, Tony Martin já foi apontado a várias equipas como a BMC, GarminCérveloQuickstep (na próxima época) e Team Radioshack. Tejay Van Garderen também é apontado à equipa de Sérgio Paulinho.

Incógnita ainda é o futuro de Matthew Goss (excelente lançador de sprints, bom corredor de clássicas) Lars Bak e Bernard Eisel (excelentes gregários para sprinters) Michael Albasini (um bom contra-relogista) Pate, Pinotti e os irmãos Velits, que como se sabe, apesar da sua juventude são excelentes corredores de colinas e média montanha.

Segundo o que vi no ranking da UCI e como as regras do protour fazem com que quem se transfira possa transferir os pontos ganhos para o ranking para a equipa contratante, existem corredores muito apetecíveis para que as equipas que os contratem reforcem a sua posição no ranking Protour e como tal, obtenham mais facilmente as suas licenças.

São os casos de Tony Martin (11º do Ranking UCI com 227 pontos esta época) Matthew Goss (12º com 217 pontos) Mark Cavendish (19º com 152 pontos) e Marco Pinotti (30º com 110 pontos).

Esta época até estava a correr de feição à equipa ao nível de vitórias:

– A equipa do Giro venceu colectivamente o contra-relógio por equipas do Giro.
– Michael Albasini venceu o prémio da montanha da Volta ao País Basco.
– Mark Cavendish venceu 5 etapas do Tour, a camisola dos pontos da mesma prova e 2 etapas do Giro.
– O Alemão Jakob Degenkolb venceu 2 etapas do Critério Dauphinè-Libèrè.
– O Australiano Matthew Goss venceu o Milão-São Remo, 1 etapa do Paris-Nice, 1 etapa no Tour da Califórnia.
– O Alemão Bert Grabsch foi campeão nacional Alemão de contra-relógio e venceu uma etapa da Volta à Àustria.
– Tony Martin venceu uma etapa no Dauphinè-Libère, outra no Paris-Nice onde venceu a geral da prova, uma etapa na Volta ao País Basco e outra no Tour de France.
– O Checo Frantisek Rabon sagrou-se campeão de contra-relógio da República Checa assim como venceu na geral e uma etapa da Volta a Murcia.
– Mark Renshaw venceu a geral e uma etapa da Volta ao Qatar.
– O Neo-Zelandês Hayden Roulston tornou-se campeão nacional de estrada do seu país.
– O Bielorrusso Sivtsov foi campeão nacional de contra-relógio e 10º na geral do Giro.

Vitórias simples que somadas deram uma noção de competitividade à equipa. Talvez a competitividade da equipa seja mesmo o motivo que levou os seus patrocinadores a cancelar o patrocínio para a próxima época. Se é certo que a HTC foi até agora uma potência em bruto no que toca a discussão de vitórias em etapas em plano e em contra-relógios, sempre lhes faltou um homem que pudesse discutir grandes voltas. Não é portanto o caso de Tony Martin ou de Peter Velits. Martin terá que melhor em muito nas montanhas, assim como Velits para poderem um dia ousar discutir as grandes provas por etapas.

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Memórias do Tour (Marco Pantani)

Na foto, Pantani segue na cola de Lance Armstrong. Esta foto pertence ao Tour de 2000 se não estou em erro.

Marco Pantani já nos deixou fazem 7 anos. O “Pirata” (cognome pelo qual era conhecido na alta roda do ciclismo devido ao facto de ser careca, dos piercings na orelha e do seu estilo de corrida agressivo na montanha onde Pantani atacava sem dó nem piedade) deixa-nos saudade e um legado rico em vitórias. Foi talvez o melhor trepador que vi correr, em conjunto com Indurain, Armstrong, Heras, Mayo e José Maria Jimenez. 

Venceu o Tour em 1998 perante Jan Ullrich. O meu amigo, antigo vizinho e antigo colega de equipa Luis Coelho (na altura a pessoa com quem eu via estas vibrantes etapas de montanha do Tour) relembrou-me de dois episódios marcantes dessa vitória no Tour: o dia em que Ullrich ficou a pé perante um ataque demolidor do Italiano e perdeu 8 minutos e o contra-relógio final em que o Alemão conseguiu reduzir a desvantagem em 6 minutos mas não chegou para destronar o Italiano às portas de Paris.

Quando falo do estilo de corrida agressivo do já falecido ciclista, falo obviamente daqueles ataques tresloucados em que pura e simplesmente Pantani descolava dos grupos principais sem querer obedecer a qualquer regra estratégica dos seus directores de corrida ou sem ter a mínima noção de gestão de esforço. Atacava, ia por lá a cima como um leão e era crente na vitória. Tal falta crassa de estratégia na sua corrida, tornava-o perigoso para os grandes ciclistas de provas por etapas, mesmo tomando em consideração o facto de ser um péssimo contra-relogista. No entanto, na montanha, era capaz de sugar minutos em meia dúzia de quilómetros a toda a concorrência.

Pantani fazia-o sozinho. Nos seus tempos áureos, a Mercatone Uno (uma equipa bastante modesta na qual Pantani correu nos anos 90) não tinha recursos suficientes para contratar bons “aguadeiros” (há quem utilize o termo gregários; designa a categoria de ciclista que tem como função trabalhar para os seus chefes-de-fila) para preparar o caminho para o trepador Italiano.

Surgindo no Tour e no Giro em 1994 com 1,72m e 57 kg (altura e peso ideal para um grande trepador) destacou-se logo pela vitória no mítico Alpe D´Huez, subida onde Agostinho também venceu em 1979 e cuja placa comemorativa da sua vitória se pode ver na curva onde atacou. Nesse mesmo ano fez 2º no Giro e 3º no Tour.

Em 1997, após duas quedas que colocaram em risco a sua carreira voltou a disputar o Tour, perdendo para Ullrich nos contra-relógios. Seria a única vitória do Alemão e o primeiro 3º lugar do Italiano que no ano seguinte viria a dar a paga ao ciclista da então reputada Deutsche Telekom. Depois de 1998, vieram os escândalos de doping. Pantani foi apanhado nas malhas do doping no Giro de 1999 (EPO) e jamais viria a voltar à ribalta.

Viria a ser internado em 2003 numa clínica de reabilitação por sucessivas depressões e acabaria por morrer de forma trágica em 2004 num quarto de hotel em rimini, vítima de paragem cardíaca por overdose de cocaína, abalando o mundo do ciclismo nesse ano.

Ao todo Pantani somou 1 vitória no Giro e outra no Tour, um 2º lugar no Giro, 2 3ºs no Tour, 10 vitórias em etapas de média e alta montanha no Tour e 8 vitórias em etapas no Giro (4 viriam a ser anuladas após a sua morte). Conseguiu também um brilhante 3º lugar na prova individual de estrada nos campeonatos do mundo de ciclismo em 1995. Também venceu o prémio da juventude do Tour em 1994 e 1995 e o Prémio da Montanha do Giro em 1998.

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