Tag Archives: gestores públicos

raspadinha pé-de-meia

vasconcelos-erse

Consta-se que este indivíduo, de nome Jorge Viegas Vasconcelos, ex-presidente da ERSE (Entidade Reguladora do Sector Energético), organismo de fachada de um sector monopolizado onde a principal prestadora de serviços (recentemente privatizada a um grupo chinês) impõe o preço ao cliente que bem lhe apetecer por via do chamado “contrato de adesão” demitiu-se depois de ter pedido aumentos ainda maiores na factura da electricidade do que aqueles que foram feitos recentemente.

Não tivesse bastado o pedido de aumento e a demissão (quando alguém se demite do seu emprego tem que ter a noção que não irá receber quaisquer direitos da entidade patronal para a qual trabalha), vai para casa com 12 mil euros por mês durante dois anos ou num período até arranjar um novo emprego. Isto é, vai, porque segundo o Ministério da Economia “o regime aplicado aos membros do conselho de administração da ERSE foi aprovado pela própria ERSE” e «de acordo com artigo 28 dos Estatutos da ERSE, os membros do conselho de administração estão sujeitos ao estatuto do gestor público em tudo o que não resultar desses estatutos»

Ou seja: sempre que os estatutos da ERSE forem mais vantajosos para os seus gestores, o estatuto de gestor público não se aplica.

Dizendo ainda melhor: o senhor Vasconcelos (que era presidente da ERSE desde a sua fundação) e os seus amigos do conselho de administração, apesar de terem o estatuto de gestores públicos, criaram um esquema ainda mais vantajoso para si próprios, como seja, por exemplo, ficarem com um ordenado milionário quando resolverem demitir-se dos seus cargos. Com a benção avalizadora, é claro, dos nossos excelsos governantes.

Tiro várias conclusões:

1. A ERSE não serve para mais do que dar emprego a meia dúzia de boys do sistema e gastar mais uns milhões ao estado.

2. Este tipo de situações são uma afronta a todos os trabalhadores que se despedem de empresas onde são constantemente pressionados e chantageados para o efeito pelos seus patrões e não tem acesso a quaisquer direitos dos anos em que trabalharam nessas empresas, são uma afronta para os trabalhadores que estão desempregados e não conseguem ou já não podem receber qualquer ajuda social do estado e, dado o salário chorudo deste senhor, a todo um grupo de trabalhadores que cria riqueza para este país a troco de um salário de 485 euros mensais.

3. O governo continua a atirar o número de 4 mil milhões e afirma que não sabe onde cortar mais na despesa. Pois é aqui, nestes organismos fantasmas que tem muito para cortar e não corta. Fazendo um exemplo: se existirem 20 organismos com 10 gestores\cada, com cada gestor com uma remuneração de 12 mil euros mensais, falamos de uma despesa anual para o estado de 31.200.000 euros. Este é só um exemplo, cabendo portanto analisar os casos concretos dentro do funcionalismo público português.

4. Cada vez mais tenho a certeza que neste país só se safa que opta por caminhar por esquemas paralelos.

Anúncios
Com as etiquetas , , , , , , , ,

Sobre a limitação da remuneração dos gestores públicos

Ao comum trabalhador, legislou-se sobre um aumento de 10 euros, ao mesmo nível da inflação prevista para este ano. Diz-se (ainda estou para ver o cumprimento real da medida) que o salário mínimo vai chegar aos 500 euros até ao final deste ano. Diz-se.

Quanto aos “gatos gordos” da Sociedade Portuguesa (leia-se gestores públicos) jamais se poderá limitar as suas “gordas” remunerações.

O exemplo da TAP é o mais crasso. Fernando Pinto, é um dos que mais leva para casa e nunca li uma notícia em que a TAP desse lucro. Estamos a falar de prejuízos que se acumulam há mais de 10 anos sob a égide desse senhor. Sempre ouvi dizer que a porta da rua é a serventia da casa.

Se uns levam migalhas para casa e estão a pagar a crise, a outros é permitido que levem fortunas para casa. Não consigo encaixar nessas medidas o constante discurso do Primeiro-Ministro e do Ministro das Finanças. Afinal de contas e troca o passo, estará a crise a ser paga por todos os Portugueses? Nem de perto, nem de longe.

Não é uma das bandeiras da justiça distributiva colher mais aqueles que mais rendimentos tem em prol da solidariedade aqueles que menos tem? Toda a Europa pensa e actua desta maneira. Em Portugal, a sua aplicação é contrária. Ou se calhar, quem sabe, sou eu que penso ao contrário.


Com as etiquetas , , , , , , , ,