Tag Archives: Geraint Thomas

Cavendish vence em Copenhaga

Mark Cavendish atingiu o ponto alto da sua época (e talvez o objectivo máximo da sua época a níveis pessoais) ao vencer esta tarde a prova de estrada de elites do campeonato do mundo de ciclismo em Copenhaga, Dinamarca.

Foi uma corrida bastante interessante em que Cavendish, de certa forma, se começou a habituar ao trabalho daqueles que irão correr a seu lado na próxima época na Team Sky, ou seja, a selecção Britânica que correu esta prova à excepção de David Millar.

À partida, muitas expectativas. Começando pelo traçado: Copenhaga apresentava um traçado de 262 km em circuito fechado, com os primeiros 28 quilómetros a serem corridos por fora do circuito. Um traçado, que como bem referiu o antigo ciclista Américo Silva aos microfones dos comentários do canal Eurosport, deixava a desejar até pelo ponto de vista dos regulamentos. Se no outro dia, o ciclista Rui Costa me tinha dito que o circuito era demasiado plano, facto que lhe diminuía as hipóteses de ser bem sucedido, Américo Silva afirmou que até do ponto de vista dos regulamentos da própria UCI este traçado deixava em dúvida o cumprimento das regras em relação à percentagem de piso plano e de subidas.

Itália, Bélgica, Espanha, Alemanha, Grã-Bretanha, Austrália e Holanda eram as principais selecções na contenda. Com o máximo de ciclistas presentes em relação às quotas apresentadas anualmente pela UCI para a prova, todas elas escalaram os seus alinhamentos tendo em conta o objectivo da vitória.

A Itália comandada por Paolo Bettini (antigo campeão do mundo e como se sabe o melhor corredor de clássicas da história do ciclismo) trazia Bennati para a vitória ao Sprint. A Espanha tinha em Óscar Freire o seu melhor homem para um sprint final (Freire foi a Copenhaga procurar estabelecer o record de vitórias na prova caso vencesse pela 4ª vez o título mundial) e outros homens como Rojas (alternativa a Freire no Sprint) Barredo e Flecha para as fugas e ataques nos quilómetros finais.

A Alemanha jogava para Ciolek, André Greipel e Danilo Hondo. A Grã-Bretanha montava cerco em redor de Cavendish, colocando Christopher Froome, Bradley Wiggins e David Millar a trabalhar para o sprinter. A Bélgica apostava em Phillipe Gilbert para o sprint final ou para um ataque mortífero do Belga durante a prova. Greg Van Avermaet era outra das alternativas dos belgas mas o corredor ficou desde logo muito cedo afastado da corrida devido a uma queda que afastaria também da discussão o campeão do mundo Thor Hushovd. A Holanda tinha em Bauke Mollema uma das suas hipóteses para a prova. Os Australianos tinham esperança nas prestações de Matthew Goss, Simon Gerrans e Stuart O´Grady.

Avulso, corriam por fora ciclistas de nações menos poderosas como Edvald Boasson Hagen da Noruega, Peter Sagan da Eslováquia, Rui Costa e Manuel Cardoso de Portugal, Fabian Cancellara da Suiça, Frank Schleck do Luxemburgo, Roman Feillu e Thomas Voeckler da França, entre outros…

A turma portuguesa, presente com 6 ciclistas (André Cardoso, Filipe Cardoso, Rui Costa, Ricardo Mestre, Manuel Cardoso e Nélson Oliveira) andou sempre no grupo principal, mas não conseguiu um resultado de destaque.

O começo da corrida trouxe a fuga do dia. 7 corredores de várias selecções tentaram a sua sorte desde muito cedo na prova: entre eles encontravam-se Andre Roux da França, Roman Kiserlovski da Croácia e Maxim Iglinsky do Casaquistão. Eram portanto homens menores da Astana que tentavam a surpresa.

A meio da tirada estes homens chegaram a ter 7 minutos de vantagem perante um pelotão comandado sempre pelos Britânicos e por Alemães. Para ser mais específico, mais por Britânicos do que por Alemães. Só nos últimos quilómetros finais, por atitude de tentativa de desgaste dos homens da Grã-Bretanha e por tentativa de colocar os seus sprinters bem posicionados para a entrada da recta da meta é que Italianos, Espanhois e Australianos tentaram assumir o topo do pelotão, mas sem efeito…

Pelo meio da prova, vários ciclistas tentaram a sua sorte (inclusive Rui Costa tentou sair) mas o resultado acabaria por ser sempre o mesmo: com maior ou menor esforço, a armada Britânica apanhava todas as investidas que saiam do pelotão de modo a levar Cavendish à meta.

Também pelo meio, uma queda a meio do pelotão fragmentou o mesmo em dois. Van Avermaet e Thor Hushovd iam mal colocados e acabaram por perder o contacto com os grupo dos favoritos muito cedo.

Nos quilómetros finais, as selecções mais poderosas (como referi) tentaram chegar-se à frente para lançar os seus favoritos. Com um excelente posicionamento, Geraint Thomas lançou em boa posição Mark Cavendish e o relampago não perdoou no sprint final perante a oposição de todos os outros candidatos principais, sucendo a Thor Hushovd na posse da camisola do arco iris.

O seu colega de equipa na HTC Matthew Goss deu a prata à HTC. O Alemão André Greipel (Omega Pharma-Lotto) deu o bronze à Alemanha depois de bater Cancellara por milímetros.

Anúncios
Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Samuel Sanchez vence no alto de LuzArdiden

Com os bascos a inundarem os quilómetros finais da subida para LuzArdiden, Samuel Sanchez deu uma alegria aos seus adeptos, vencendo no alto da primeira etapa dos Pirinéus.

No dia nacional de França, Thomas Voeckler deu uma alegria aos franceses, fazendo uma excelente etapa e segurando a amarela por mais um dia.

Uma etapa muito dura, com uma contagem de 1ª categoria e duas de categoria especial: o inferno do Tourmalet, seguido de LuzArdiden. A selecção natural entre quem está e quem não está para discutir esta volta e muitos pontos para o prémio de melhor trepador.

Uma fuga de 6 ciclistas começou por animar a etapa. Entre os 6 ciclistas, o Britânico Geraint Thomas da Sky, um homem que à partida estava na luta pela camisola da juventude. A fuga, condenada ao insucesso na transição do Tourmalet para LuzArdiden, chegou a ter a meio da tirada uma vantagem de 7 minutos.

Na primeira contagem do dia, a de 1ª categoria, seria a Europcar do camisola amarela Thomas Voeckler a assumir as despesas da perseguição, num ritmo ainda lento e com uma espécie de “contrato entre os principais candidatos de não atacarem não só na 1ª contagem como no Tourmalet”, contrato esse que seria cumprido.

Com os sprinters, a descolarem muito cedo do pelotão, o líder da montanha à partida para este dia (Johnny Hoogerland) atacaria na contagem de 1º categoria, tendo em vista reforçar a liderança que acabaria por perder no fim da etapa para Samuel Sanchez. Hoogerland tinha vontade, mas cedo se percebeu que não é homem para andar por estes terrenos. Mesmo perante as limitações físicas claras, o líder da montanha levou consigo outro homem com desejo de atacar esta camisola: Sylvain Chavanel. O campeão Francês também haveria de ser facilmente alcançado e demonstrou que também não tem pernas para atacar esta camisola.

Com o grupo de 6 na frente (Gutierrez da Movistar, saía, reentrava) e os dois ciclistas no posto intermédio, rapidamente tiveram a companhia de Roman Kreuziger. O checo, irreconhecível nas primeiras 11 etapas (estava a cerca de meia hora de Voeckler) e com a ausência do seu líder Vinokourov, tentou saltar com o intuito não só de também ele lutar pela montanha como quiçá tentar a luta pela etapa. O checo também haveria de quebrar, mostrando-se muito frágil em relação a outras prestações em edições anteriores do Tour, onde foi top-10.

Cedo Hoogerland haveria de ceder ao ritmo de Kreuziger e Chavanel, que tentavam alcançar os homens da frente para pontuarem na 1ª categoria, feito que não iria conseguir pois no topo, seria Mangel a alcançar os 10 pontos da 1ª categoria.

Entretanto, no pelotão, o azar bateria à porta de Luis-León Sanchez a 70 km da meta com uma avaria que ao princípio até indiciava que o corredor da Rabobank estaria a passar mal. Sanchez viria a passar mal numa fase posterior, num dia muito negro para a Rabobank que também veria Gesink a descolar do grupo do camisola amarela muito cedo e não só a hipotecar a hipótese de ficar no top 10 como a perder definitivamente a camisola branca da juventude.

Por falar em azares, no início da descida para o Tourmalet, em menos de 1 km Geraint Thomas haveria de cair por duas vezes: a primeira quando se tentou desviar de um ponto molhado do terreno e a 2ª numa curva com pouca visibilidade. No entanto, em ambos os percalços, o Galês da Sky haveria de passar sem um arranhão e continuar na fuga.

Mais tarde, seria uma queda colectiva no sítio exacto onde Thomas tinha caído. Andreas Kloden acabaria por ficar com algumas marcas numa queda onde o amarela Voeckler também haveria de cair. O respeito imposto no pelotão pela Leopard-Trek para que ninguém atacasse até que Voeckler e Kloden reentrassem levou os dois a reentrarem  no pelotão, mas Kloden também haveria de ceder uns quilómetros mais tarde, já dentro da subida para o Tourmalet. O azar também bateria à porta de Peter Velits da HTC no Tourmalet, que depois de um furo na subida nunca mais viria reentrar no grupo principal. Hoje foi um dia negro para os homens da equipa de Cavendish, visto que tanto Velits como Tony Martin acabaram por perder muito tempo, Tony Martin ainda precisa de muito para poder andar a alto nível na montanha.

No ínicio da subida para o Tourmalet, a situação de corrida mantinha-se com Mangel, Roy, Thomas e 2 companheiros de fuga na frente, Kreuziger e Chavanel em posição intermédia e o pelotão lá atrás ainda liderado pela Europcar de Voeckler.O Tourmalet seria obviamente, pela sua dureza, a selecção natural de quem ficaria e de quem abandonaria a luta pela vitória ou por um lugar de destaque nesta volta.

Logo no ínicio da subida, ficaria Gesink. Carlos Barredo ainda ficou para trás para tentar ajudar o seu chefe-de-fila, mas cedo o Holandês pediu ao espanhol que avançasse para o grupo principal de modo a ajudar Luis-León Sanchez. Em vão, pois numa única etapa, a Rabobank perderia Gesink e Sanchez pela geral, Gesink e Sanchez pela vitória na etapa e Gesink pela luta na liderança da juventude.

Com a aceleração do pelotão no Tourmalet para fazer a selecção natural de candidatos a LuzArdiden, ficaria não só Sanchez para trás como homens como Vandevelde da Garmin, Tony Martin e Linus Gerdemann. Em posição intermédia, continuava Kreuziger e Chavanel, sendo que o Checo facilmente se iria despojar do campeão Francês em prol de uma tentativa de alcançar o grupo da frente e marcar pontos no Tourmalet para o prémio da montanha, o que não viria a acontecer pois seria Roy da Française des Jeux a marcar pontos e a vencer um prémio de 5 mil euros agregado à passagem na primeira posição nesta dura subida.

Sylvain Chavanel, haveria de rapidamente ser alcançado pelo grupo do camisola amarela e passado para trás deste. O campeão Francês não está em forma, definitivamente. Kloden também era a meio da subida para o Tourmalet um homem em apuros, ficando cada vez mais para trás. Ao princípio desconfiava-se de uma avaria mecânica visto que na descida para LuzArdiden Kloden (em conjunto com Karpets) viriam a entrar no grupo principal, mas a subida para a meta haveria de confirmar que Kloden está completamente fora da discussão pela Volta a França. Restavam portanto Leipheimer e Zubeldia da Radioshack neste grupo principal. O basco e o Norte-Americano ainda andaram por ali na subida final, mas com os esticões do fim de tirada haveriam também de perder mais tempo.

Ainda no Tourmalet começaria o carrossel Voigt. O veterano Alemão de 40 anos pode ser letal no trabalho para os irmãos Schleck visto que acelera bastante o pelotão neste tipo de etapas. Perdurou na frente durante largos quilómetros, até ser rendido por colegas de equipa, homens da Saxo Bank de Contador e homens da Europcar que ainda tinham pernas para segurar o seu líder.

Já no final do Tourmalet, Andy Schleck tem uma avaria mas desta feita ninguém ataca no pelotão. Mal Schleck reentra, existe o ataque de Ten Dam da Rabobank para salvar “a honra do convento da equipa Holandesa” num dia muito duro para os seus líderes.

Na descida para LuzArdiden, a situação de corrida era a seguinte: na frente Roy e Thomas. Intermédio Kreuziger, a seguir Ten Dam, depois o grupo Voeckler e Kloden mais atrás. Kloden viria a recolar na descida. A distância do grupo Voeckler para os homens da frente era de 30 segundos e a meio da descida, um momento que iria marcar a subida final e a própria etapa: Phillipe Gilbert (que incrivelmente ainda se mantinha por ali) arrisca na descida e ganha alguns segundos, levando consigo homens como Riblon e Samuel Sanchez. Ao princípio ganham cerca de 25 segundos, tempo que seria letal para Sanchez ampliar a sua vantagem na subida e assim ganhar a etapa.

Mesmo perante os 13,3 km de LuzArdiden a uma inclinação média de 8% e depois de um Tourmalet muito difícil, Gilbert estava a pagar a promessa das afirmações em que “queria estar na frente da corrida da montanha como teste às suas capacidades” – lá está claro também a ideia do Belga em estar na frente para ver se conseguia mais uns pontitos para a verde visto que os Sprinters há muito estavam para trás.

Com a subida final, Kreuziger seria rapidamente alcançado assim como Roy e Thomas. A aceleração lá atrás não perdoava aos escapados. No grupo Voeckler, estavam todos os candidatos excepto Kloden que logo no início da subida haveria de descolar definitivamente.

A 11 km da meta, os ciclistas começam a olhar uns para os outros. Podem surgir ataques a qualquer momento, o que não acontece até aos 3km finais. Samuel Sanchez aproveitava lá na frente na companhia de um homem da lotto amealhar o máximo de tempo possível não só para vencer a etapa como para reentrar na luta pela Volta à França.

A Liquigás passava para a frente do pelotão com Sylvestre Szmid. Esta passagem subita para a frente era indicador que Basso queria o ritmo certo e estava bem para atacar, acto que muito raramente faz na montanha apesar da sua qualidade inegável como um dos melhores trepadores da actualidade. Com a subida da Liquigás para o comando do grupo Voeckler, os dois homens da Radioshack presentes no grupo (Leipheimer e Zubeldia) começaram a perder terreno. A radioshack fora da competição.

Samuel Sanchez e o homem da lotto (Vandendert) continuavam na frente da corrida, com mais de 1 minuto de vantagem, o que era tempo suficiente para vencer no alto. Ou pelo menos pensava-se assim até ao ataque ded Frank Schleck. Gilbert e Ten Dam acabariam por ser apanhados pelo grupo do camisola amarela e ultrapassados pelo mesmo, se bem que o Belga acabaria por cruzar a meta muito perto do grupo principal. Foi uma excelente etapa do campeão de estrada da Bélgica. Ao mesmo tempo que Gilbert era alcançado pelo grupo do camisola amarela, descolava o Irlandês Nicolas Roche, filho do antigo vencedor do Tour nos anos 80 Stephen Roche. Christophe Riblon também descolava, assim como Ten Dam.

Até que veio o momento essencial da tirada: os ataques dos irmãos Schleck já perto da meta. Frank começou com 2 largos esticões que ameaçaram partir o grupo e fizeram a selecção final da subida para um grupo constituído por Contador, Evans, Andy Schleck, Ivan Basso, Damiano Cunego e Thomas Voeckler acompanhado do seu colega de equipa Pierre Roland, que fez um trabalho incansável para o seu líder de equipa. Daí que na linha de meta, assegurado o objectivo da manutenção da amarela, Voeckler tenha logo abraçado o seu colega de equipa por o ter acompanhado.

Os irmãos Schleck estavam obviamente ao ataque, sabendo que Contador não estava a passar bem. Ora Voeckler, ora Basso, ora Evans iam fazendo o elo de ligação do grupo a estes ataques. No entanto, à 3ª Frank haveria de descolar em busca do duo da frente, duo que chegou mesmo a ver a cerca de 500 metros da meta. Por momentos pensou-se que o mais velho dos Schleck seria capaz de discutir a vitória na etapa, só que um safanão do belga Vandedert em Samuel Sanchez (numa excelente leitura da corrida) acabaria por despertar o espanhol na linha de meta, após 6 horas de uma dura, muito dura etapa.

Numa de parada e resposta continuava o grupo lá de trás, até que o trio composto por Basso, Evans e Andy Schleck haveria de livrar-se de Alberto Contador e ganhar-lhe uns segundos.

Síntese da etapa feita, vamos ver as distâncias ao nível do cronómeto nesta primeira etapa de montanha:

1º Samuel Sanchez (EspanhaEuskatel)
2º Jelle Vanendert (BélgicaOmega Pharma-Lotto) a 7s
3º Frank Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 10s
4º Ivan Basso (ItáliaLiquigás) a 30s
5º Cadel Evans (AustráliaBMC) a 30s
6º Andy Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 30s
7º Damiano Cunego (ItáliaLampre) a 35s
8º Alberto Contador (EspanhaTeam Saxo Bank) a 43s
9º Thomas Voeckler (FrançaEuropcar) a 50s
10º Pierre Roland (FrançaEuropcar) a 50s
11º Tom Danielson (EUAGarmin) a 1.03m
12º Arnold Jeanesson (FrançaFDJ) a 1.19m
14º Levi Leipheimer (EUATeam Radioshack) a 1.25m
17º Nicolas Roche (IrlandaAg2R) a 2.02m
18º Laurens Ten Dam (HolandaRabobank) a 2.10m
20º Haimar Zubeldia (EspanhaTeam Radioshack) a 2.53m
24º Phillipe Gilbert (BélgicaOmega Pharma-Lotto) a 3.19m
25º Rein Taaramae (EstóniaCofidis) a 3.25m
28º David Moncoutie (FrançaCofidis) a 3.55m
31º Peter Velits (EslováquiaHTC) a 4.15m
32º Christophe Riblon (FrançaFDJ) a 4.15m
35º Vladimir Karpets (RussiaKatusha) a 4.57m
36º Geraint Tomas (Grã-BretanhaSky) a 5.20m
44º Andreas Kloden (AlemanhaRadioshack) a 8.26m
46º Maxime Monfort (BélgicaLeopard-Trek) a 8.26m
48º Tony Martin (AlemanhaHTC) a 9.03m
53º Christian Vandevelde (Estados UnidosGarmin) a 10.20m
60º Sylvain Chavanel (FrançaQuickstep) a 15.03m
73º Roman Kreuziger (Rep. ChecaAstana) a 17.28m
74º Luis-León Sanchez (EspanhaRabobank) a 17.28m
75º Sérgio Paulinho (PortugalRadioshack) a 17.28m
77º Robert Gesink (HolandaRabobank) a 17.44m
163º Rui Costa (PortugalMovistar) a 33.05m

Sinal positivo:

– Samuel Sanchez: Acreditou que era o seu dia depois de alguns azares na 1ª semana. Aproveitou a boleia de Gilbert na descida para se colocar em ponto intermédio entre os da frente e o grupo do camisola amarela e aproveitou claramente a confusão no grupo da frente nos quilómetros da frente para vencer a etapa e mostrar que está presente pelo menos para lutar pelo top-3. É um bom trepador e aguenta-se muito bem no contra-relógio. Vamos ver como se porta amanhã sem o efeito surpresa.

– Jelle Vanendert: Desconhecido de uma equipa que perdeu o seu chefe-de-fila (Van der Broeck) e que tem a sua grande inspiração na pele de Phillipe Gilbert. Andou por ali à procura de qualquer coisa e não fosse o facto de apanhar o campeão olímpico de estrada pela frente teria ganho mais uma etapa para a Omega-Pharma-Lotto.

– Frank Schleck: Se Andy está marcado, Frank avançou. Contador e os restantes tem um duplo problema com os irmãos Schleck: não podem acorrer ao ataque de um e depois ao outro. É desse facto que os luxemburgueses se aproveitam. Se Andy é o principal candidato, não dêem muita corda a Frank, pois não é muito diferente do seu irmão mais novo. Quase disputou com Sanchez o final de etapa, não fosse o Belga Vandendert ter lido bem a corrida e ter lançado o sprint mais cedo. Ganhou tempo à concorrência e está merecidamente na 2ª posição da prova.

– Ivan Basso, Andy Schleck e Cadel Evans: tiveram pernas, foram pacientes e livraram-se de Contador, ganhando-se 13 segundos. Qualquer segundo agora é precioso. Podemos contar com o Italiano e com o Australiano na discussão da prova. 

– Thomas Voeckler: o menino bonito dos Franceses por ora. Superou com distinção esta etapa e continua com uma margem interessante sobre os seus rivais. Vamos ver como se comporta amanhã. Se é certo que quebre fisicamente pois não é homem para aguentar a pressão nestes dias, o que é certo é que hoje com a ajuda do seu colega de equipa esteve à altura do desafio, respondendo rapidamente a todos os ataques da concorrência. É sério candidato ao Top-10.

– Arnold Jeanesson: excelente corrida do jovem francês que dentro em diante lutará pela juventude. É sério candidato a ostentar a branca na final em paris com a quebra de Gesink hoje e é um diamante em bruto que os franceses devem lapidar para o futuro do seu ciclismo.

Sinal Negativo:

Uma dose para Kloden, Vandevelde, Karpets, Gesink, León-Sanchez e Kreuziger. Se bem que o checo tem desculpa.
Não tiveram pernas. Estão fora. Kloden não creio que desista porque devido à redução pelo que passa a Radioshack é necessária a sua presença para tentar uma fuga ou uma etapa em que ande entre os melhores e tente almejar a vitória, de modo a salvar a honra da equipa de Armstrong. Karpets andará no mesmo objectivo, assim como León Sanchez. Gesink deverá abandonar para começar a preparar a Vuelta. Kreuziger também não tem margem de manobra: perante a desfalcadíssima Astana é um dos únicos homens capazes de vencer numa etapa.

Alberto ContadorTeam Saxo Bank: Acredito perfeitamente que as dores no joelho de que o Espanhol se tem queixado nos últimos tempos sejam motivo suficiente para não ter força para atacar e o impeçam de ir mais longe do que ido agora. No entanto, notou-se um Contador muito nervoso na 1ª semana aquando das quedas ligeiras que teve e nota-se um Contador algo desconfortável e lento a reagir aos ataques adversários. Se Contador quiser a 4ª, terá que atacar já amanhã. Para o seu estado actual em muito contribuiu a falta de ajuda da sua equipa, que até tem homens talhados para lhe fazer o serviço como Daniel Navarro, ou Richie Porte. No entanto, até a sua equipa desapareceu. Já que Contador não pode fazer a diferença por si, ao menos que a equipa o prepare nas subidas.

Classificação-geral:

1º Thomas Voeckler
2º Frank Schleck a 1,49m
3º Cadel Evans a 2.06m
4º Andy Schleck a 2.17m
5º Ivan Basso a 3.16m
6º Damiano Cunego a 3.22m
7º Alberto Contador a 4.00m
8º Samuel Sanchez a 4.11m
9º Tom Danielson a 4.35m
10º Nicolas Roche a 4.57m
11º Kevin DeWeert (BélgicaQuickstep) a 5.07m
12º Phillipe Gilbert a 5.24m
13º Arnold Jeanesson a 5.50m
14º Peter Velits a 6.03m
15º Haimar Zubeldia a 7.17m
16º Rein Taaramae a 7.23m
17º Levi Leipheimer a 7.51m

Para amanhã:

– Vamos ver novamente a prestação de Voeckler na alta-montanha. Poderá o Francês aguentar o peso da amarela, ou cedê-la aos irmãos Schleck, a Cadel Evans ou a Ivan Basso? Alberto Contador, pelo que tem mostrado não chegará a amarela amanhã. Teremos ataque de Contador? Voltaremos a ter uma postura de ataque dos irmãos Schleck?

– Estou curioso também para ver Samuel Sanchez amanhã. Acabou-se o efeito surpresa. Será o homem da Euskatel homem para andar entre os primeiros?

– Quanto à Radioshack: Será que depois de um dia mau poderemos ter Kloden ou Leipheimer dispostos a honrar a casa e vencer uma etapa? A mesma pergunta ponho à Rabobank.

Na camisola dos pontos, nenhuma alteração em relação a ontem. Cavendish primeiro com 260, Rojas 2º com 242 e Gilbert terceiro com 234.

Na camisola da montanha, Samuel Sanchez sucede a Johnny Hoogerland. Quiçá o bonus de hoje pela vitória no alto de LuzArdiden seja mais um objectivo para a equipa basca: levar Sanchez ao pódio como homem da montanha. Sanchez lidera com 40 pontos, Jelle Vanendert é 2º com 32 pontos e terá também a ambição de pontuar nas contagens de montanha e em 3º Jeremy Roy com 24 pontos, fruto da fuga de hoje.

Na Juventude, Arnold Jeanesson sucede a Robert Gesink. Está com 1 minuto e 37 de diferença para Rein Taaramae da Cofidis e a luta à priori será entre estes dois. À espreita, estará o Colombiano Rigoberto Uran da SAUR (a 2.05) e o seu colega de equipa Jerome Coppel a 3.17m. Robert Gesink disse adeus a esta camisola.

Por equipas, como se previa a Leopard-Trek passou para a frente. Soma 1 minuto e 5 perante a Europcar (muito dificilmente ficará em 2º amanhã) e 2 minutos e 21 segundos sobre a AG2R La Mondiale.

Amanhã, etapa de montanha entre Pau e Lourdes na distância de 152 km. Mais uma etapa duríssima nos Pirinéus, embora com menos dificuldade que a de hoje e sem chegada ao alto.
Nos primeiros 65 km, duas contagens de montanha e 1 sprint especial: uma de 3ª e uma de 2ª categoria. A meio da etapa, contagem especial no sempre difícil Col d´Aubisque, faltando depois uma descida e uma fase em plano de cerca de 40 km até à meta, sabendo que tudo se irá decidir no Col D´aubisque com um grupo já reduzido, podendo até eventualmente haver ciclistas a recuperar na descida.

É portanto uma etapa propícia a que um dos homens que perdeu hoje muito tempo acabe por tentar uma fuga.

Para finalizar, os highlights do fim da etapa de hoje no único vídeo para já disponível no Youtube. Se me for possível tentarei colocar um video mais alargado ainda esta noite:

Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Cavendish a brilhar

À 5ª etapa, Mark Cavendish mostrou o porquê de ser o melhor sprinter da actualidade, triunfando na chegada a Cap Frehel.

Numa etapa corrida na região da Bretanha (a edição deste ano fez efectivamente questão de passar a caravana pela terra de Bernard Hinault) a antevisão desta tirada previa (apesar do percurso ser de dificuldade baixa) uma etapa que poderia trazer complicações devido ao vento (o traçado andou sempre paralelo à costa da Bretenha) e devido às imensas rotundas e curvas no traçado que poderiam ditar quedas ou quebras no pelotão.

Se ao nível de tempo esta etapa 5 não fez grandes mossas entre os principais candidatos à vitória, teve alguns momentos determinantes para a condição física e psicológica dos atletas. Desde logo, 3 candidatos à vitória e 1 sprinter tiveram quedas: os primeiros foram Janez Brajkovic e Robert Gesink, ainda bem longe da meta. O esloveno da Radioshack que era apontado como o principal chefe-de-fila da equipa acabou por ter alguns ferimentos que o impediram de continuar em prova. A liderança na equipa Norte-Americana passará agora para a dupla Kloden-Leipheimer, tal e qual eu previa nos últimos posts que escrevi sobre o Tour.(ver a antevisão). Já o Holandês da Rabobank não sofreu grande aparato e em poucos minutos estaria de volta ao pelotão.

Foto: The Huffington Post

Imagem da queda de Brajkovic, Gesink e Carlos Barredo. Com o Esloveno estendido no chão em dores pensou-se numa grave lesão. No entanto, o mesmo não acabou por ficar em prova sendo transportado de ambulância para o hospital mais próximo com algumas feridas nas coxas, nos braços e no sobrolho.

Depois foi Alberto Contador a cair. O espanhol também acabaria por recolar rapidamente ao pelotão, se bem que no momento da queda viu-se uma imagem de Contador algo nervoso. Com as quedas, o nervosismo apoderou-se do pelotão e os próximos seriam Tom Boonen (ficaria impedido de disputar o sprint final) John Gadret (a aposta da AG2R para a montanha) e Yaroslav Popovych da Radioshack, que entretanto seria rebocado por Sérgio Paulinho. O sprinter Belga ficou com algumas marcas no corpo pela queda. Gadret perdeu muito tempo na etapa de hoje.

Os quilómetros finais foram marcados também pelo risco dos chamados “abanicos” – por momentos, o vento forte que se fazia sentir poderia dar a noção de corte no pelotão. Tal não veio a acontecer.

Até que chegados ao quilómetro final, o camisola amarela Thor Hushovd bem tentou lançar o seu colega de equipa Tyler Farrar, mas Mark Cavendish haveria de fazer um sprint de trás para a frente, suplantando Rojas da Movistar e Phillipe Gilbert. A luta pela camisola verde, com a nova pontuação está claramente ao rubro e o Belga confirma estar dentro dessa luta em detrimento de um bom lugar na geral onde ele poderá claramente entrar pelo menos no top 20.

No que toca à camisola amarela, Thor Hushovd mantem-a e não é expectavel (em situação normal de corrida) que a perca nos próximos dois dias:

– 1 segundo separa-o do australiano Cadel Evans, 4 de Frank Schleck (3º) 10 de Andreas Kloden (5º) e também 10 do 6º que é Bradley Wiggins da Sky. Andy Schleck fecha o top 10 a 12 segundos do Norueguês que é campeão do mundo de estrada da UCI.
– No top 20 Levi Leipheimer é 14º a 18 segundos, Robert Gesink 15º a 20 segundos, Alexandre Vinokourov 16º a 32 segundos e Phillipe Gilbert 17º a 33.
– Mais atrasados estão Ivan Basso (21º a 1 minuto e 3 segundos) Damiano Cunego (25º a 1 minuto e 13) Alberto Contador (39 a 1.42m) mesmo tempo de Luis Leon-Sanchez (42º). Dois lugares mais atrás está Christian Vandeveld já a 1 minuto e 57.
– Samuel Sanchez já perdeu algum tempo nesta primeira semana. O líder da Euskatel está em 53º a 2 minutos e 37. John Gadret também saiu muito penalizado desta etapa: já está a mais de 7 minutos de Hushovd e muito dificilmente lutará por um lugar no top 10. Resta ao Francês lutar por uma vitória de etapa.

– Quanto aos Portuguêses, Rui Costa é 73º a sensivelmente 3 minutos e meio de Hushovd, enquanto Paulinho está na 131ª posição a mais de 9 minutos.

Na camisola verde, o Belga Phillipe Gilbert lidera com 120 pontos sendo o 2º o espanhol da Movistar Jose Joaquim Rojas com 112 pontos. Amanhã, devido ao novo sistema de pontuação, a camisola poderá novamente mudar de dono. Cadel Evans é 3º com 90 pontos, Cavendish 4º com 84 e Hushovd 4º com 82 pontos. Todos eles terão hipótese de chegar à verde amanhã.

Na camisola da montanha, Cadel Evans é o líder com 2 pontos. Seguem-se 5 ciclistas com 1. A etapa de amanhã tem uma 3ª categoria que poderá dar a liderança a um novo ciclista.

Na juventude, lidera Geraint Thomas da Sky.


Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,