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História do Futebol #5

Carnaval de Veneza no dia em que tudo esperava um carnaval no Rio.

De um lado, a Itália daquela caixa fechada do Catenaccio puro e duro (mais fechada que a Caixa de Dahl na Ciência Política) onde pontuavam jogadores como Dino Zoff, Baresi, Giuseppe Bergomi (os dois centrais mais elegantes que tive o prazer de ver jogar, se bem, já no final das suas carreiras) Gentile, Scirea, Vierchwood (ainda o vi jogar pela Juventus) Tardelli, Massaro, Altobelli, Galli e está claro, do imortal Paolo Rossi.

Do outro lado, samba no pé. Mais que samba no pé: uma história de bom futebol. Aquele escrete que nem o mais belo dos poetas de então, Chico Buarque de Hollanda, por mais magnificiência dos seus poemas, se atraveria a escrever uma quadra descritiva tão linda. O Brasil de Zico, Sócrates, Luizinho (passaria no final da carreira pelo Sporting) Júnior, Falcão, Batista, Roberto Dinamite e Dirceu.

De um lado, uma Itália matreira que tinha feito algo extraordinário em Espanha que hoje é quase impensável acontecer num campeonato do mundo: passar a1ª  fase de grupos (a segunda ronda era uma 2ª fase de grupos a 3) com 3 empates e com um score de 2 golos marcados e 2 sofridos. Do outro lado, um Brasil dominador: 3 vitórias na fase-de-grupos com um score de 10 marcados e 2 sofridos (grupo: União Soviética, Escócia de Souness e Nova Zelândia).

Estamos então no jogo decisivo da 2ª fase. Depois da Itália vencer a Argentina por 2-1 e do Brasil ter feito o mesmo por 3-1 decidia-se quem iria passar às meias-finais da prova.

Ao Brasil bastava um empate para o conseguir. Até que Paolo Rossi apareceu vindo do nada (na altura era um modestíssimo avançado que cumpria a sua primeira época a sério na Juventus depois de ter passado por empréstimos a clubes modestos como o Como, o Perugia e o Lanerossi Vicenza. Curiosamente seria no último onde marcaria mais golos). Paolo Rossi nunca atingiria o estatuto de grande matador em Itália: de 81 a 86 cumpriu 83 jogos pela Juventus tendo marcado 24 golos. No ano seguinte seria dispensado para o Milan, onde iria actuar em 20 partidas e marcar apenas 2 golos.

Mas Rossi haveria de ficar para a eternidade. Não só por ter sido o obreiro desta inigualável vitória contra o Brasil, mas por ter sido o principal obreiro de um título quase impossível para a Itália.

Este jogo é portanto algo completamente inacreditável: perante um Brasil que tinha tudo para se sagrar campeão do mundo, Paolo Rossi mascarou-se daquilo que nunca foi e gelou os adeptos canarinhos.

Isto no dia, em que o futebol brasileiro ficou claramente mais pobre com a morte de um dos seus principais artistas: Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, mais conhecido no mundo como o Doutor.

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