Tag Archives: Francisco Louça

diz-se que é o interesse do partido

Esta decisão de Louçã abandonar o comando do Bloco de Esquerda em prol de uma liderança bipartida e feminista não deixa de ser caricata.

Como se sabe, um dos motivos que levou a Ruptura\FER de Gil Garcia (e do meu amigo, amigom, estás a ler a amigo?) Manuel Afonso, a, primeiro insurgir-se contra a hegemonia do PSR nas Convenções do Bloco, foi precisamente a utilização do argumento que o Bloco estava viciado para que Louçã se mantivesse ancorado ao poder, fruto da união entre as 3 maiores facções do mesmo: PSR, Política XXI e UDP.

A FER abandonou a Mesa Nacional do Bloco e transformou-se em partido: o MAS. Os Bloquistas do triunvirato Louça, Fazenda, Drago e do vice-rei conimbricense José Manuel Pureza, em certa medida, agradeceu o abandono. Gil Garcia, o homem da arrentela e os seus manifestantezinhos profissionais estavam a tornar-se incómodos, visto que todas as tomadas de posição do partido estavam a esbarrar com as suas posições radicais (sim, ainda mais radicais!). E meses depois do acontecimento, Louçã decide sair e decide propor a liderança do partido a dois militantes do Porto, utilizando uma ideia lançada uma vez na Convenção pelo falecido Miguel Portas.

Louça, na nota que disponibilizou via facebook aos militantes do partido afirma que “O argumento de que esta hipótese é de meios líderes é uma tentativa fracassada de os vulnerabilizar. Esta solução ganhou consenso e ganha força. Tenho muita confiança nesta solução. A decisão não compete ao núcleo de direcção, podem surgir outras opções…” – ou será que Louça, sabendo que o partido está a perder força devido ao seu bipolarismo (um excelente economista, um péssimo político) saberá que a melhor decisão para manter a coesão do partido não passa só por abandonar a sua liderança como entregá-la a quem poderá satisfazer todos os interesses nele presentes e assim apaziguar as tensões de conflito que podem surgir entre as facções na próxima Convenção?

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faz o que eu digo; não faças o que eu faço

“Lembro-me de o Dr. Paulo Portas [na oposição] ir a Espanha encher o seu depósito para demonstrar a indignação com os aumentos dos combustíveis em Portugal. Por isso, queria trazer um momento de simpatia para com o ministro dos Negócios Estrangeiros, que todo o fim de semana, coitadinho, tem que ir com o seu carrinho até Badajoz continuar coerentemente a sua batalha contra o aumento do preço dos combustíveis.”

Francisco Louçã

 

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não existem telemóveis. nem assessores

Este governo cai no descrédito dia-após-dia. São umas atrás das outras.

Primeiro o desvio era e não era colossal.

Segundo, há uns meses atrás o primeiro-ministro afirmou que os cortes nos subsídios de férias e de natal eram uma medida temporária. Agora já são para manter até 2015 segundo a sua óptica, óptica diferente do Ministro das Finanças.

Pedro Passos Coelho afirmou há uns meses atrás que Portugal regressaria aos mercados de emissão de dívida em 2013. Agora já é em 2014. Para Miguel Relvas continua a ser em 2013. É Relvas quem comanda os destinos do país ou o Primeiro-Ministro voltou a revelar a sua veia de mentiroso compulsivo?

Se não houvessem os meios de comunicação que existem hoje, até poderiamos desculpar estes lapsos. Ou então isto é sinónimo que já ninguém se entende no governo. Ou então é sinal que estes temas cheiram a esturro. Querem continuar a acreditar nestes vendedores de pesadelos?

Francisco Louça, indivíduo que prezo bastante enquanto economista (e odeio como político) teve hoje uma das afirmações mais acertadas que lhe ouvi: “se portugal receber um segundo pacote de ajuda durante esta legislatura, o governo terá que cair” – nada mais acertado poderia ter saído do líder do Bloco de Esquerda. Até na possibilidade de um 2º resgate a doutrina diverge. A Fitch, no seu relatório sobre Portugal afirma essa possibilidade caso a recessão prevista para o ano 2012 seja superior à esperada. Tanto o BCE como o FMI como Vitor Gaspar negam a possibilidade de se consumar um 2º pacote de ajuda, mas Vitor Constâncio (aquele que no banco de Portugal nunca acertava uma previsão de crescimento económico) afirmou que essa hipótese nunca poderá ser descartada. Outros economistas vêem como inevitável uma 2ª ajuda a Portugal pelo simples facto das medidas de austeridade não estarem a ser acompanhadas de um sólido plano de crescimento económico. Ou seja, estamos a cortar em tudo para no fim se atingir um estado económico pior daquele em que estavamos quando Sócrates pediu ajuda externa.

O grande problema da não existência de um plano de crescimento económico para o país não advém da falta de soluções governamentais. O nosso Álvarinho Canadiano está tão confuso daquela cabecinha (nem os livros de economia portuguesa o podem salvar) que no meio de tanta papelada no seu super-ministério apenas consegue sacar como virtude a possibilidade de tornar o país apelativo a investimento externo, seguindo mais uma vez a opinião exterior dos megacorporativistas do Fundo Monetário Internacional. Tanto é que esta nova revisão do Código do Trabalho não foi mais do que tornar “sexy” o nosso país para a entrada de investimento estrangeiro ao jeito de “entrás cá, investes algum e a gente trata de meter o preguiçoso operário portuga a produzir para ti a níveis aceitáveis a troco de uma malga de arroz como os Chineses. Não te preocupes se tiveres de despedir porque no mesmo dia não só não te fica tão cara a indeminização do trabalhador em causa como terás mais 15 à disposição com um salário ainda mais baixo do que aquele que despediste”.

Onde é que entra a hipocrisia neste post?

Relembramos a estratégia do Álvaro quando este dizia que o crescimento português também se deveria assentar no empreendorismo jovem. Com que meios pergunto eu?

Nas Universidades, são mais os excluídos que os incluídos.

Nas Universidades não há dinheiro para desenvolvimento tecnológico.

Os cérebros que saem das Universidades são convidados pelo governo a emigrar.

Os bancos fecham as suas linhas de crédito para investimentos a partir do zero. Teremos que ir bater às portas da Cofidis para montar a nossa empresa?

As linhas de apoio do Estado à iniciativa empresarial e às existêntes PME´s está longe de ser o desejável.

Os números relativos ao aforro, poupança e investimento dos portugueses são os piores desde 1993 (se bem que o Estado só os irá apresentar em Junho).

O consumo diminui a olhos vistos, principalmente entre os produtos de fabrico nacional. Medidas proteccionistas? Já lá vai o tempo disso. Um país que não é capaz de escoar a sua produção poderá manter o emprego existente e poderá efectivamente pensar no crescimento empresarial a médio prazo?

Continuo a afirmar que este Ministro da Economia deverá ser demitido rapidamente. Já se viu que não tem conhecimento de causa nem capacidade para desenvolver soluções que visem o crescimento económico.

Apesar disso, o Álvaro pensa que o investimento externo em Portugal poderá resolver todos esses problemas. Quem é que poderá pensar nisso quando olhamos a bons e apelativos modelos vindos da europa de leste como a Polónia ou como a República Checa? Quem é que poderá pensar em investir em Portugal quando Portugal é um país com índices de produtividade inferiores aos países da europa do leste e com salários substancialmente superiores?

Nesse ponto entra Abebe Selasssie e o FMI. Baixem os salários. Flexibilizem ainda mais as vossas leis laborais. Mais? Já vendemos a nossa força de trabalho por um preço inferior aquele que um trabalhador necessita para se alimentar a si e à sua família. O que é que querem dizer com isso? Trabalhar por 300 euros? Trabalhar 12 horas a troco do salário actual?

Ainda que existissem telemóveis e telefones nos ministérios. Estamos definitivamente a entrar num caso perdido.

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A Grécia já está a arder

“Já lá vai mais de um ano e a população grega não suporta mais. Há um momento em que nenhuma mentira basta para enganar os factos: depois de tantos cortes nos salários, nas pensões, de tantos aumentos de impostos e de tarifas, a dívida agigantou-se e engole o país. Esse momento chegou hoje de noite, quando o parlamento vota a destruição da Grécia e ignora o seu povo.

O voto do novo pacote de austeridade é a prova dessa indignidade. O Partido Socialista aliou-se ao principal partido da direita para esventrar a economia grega e para a entregar aos credores: por isso, o PS tem hoje 8% nas sondagens e a direita seria incapaz de governar se se confirmassem as previsões eleitorais. Mas nem há tempo para esperar pelas próximas eleições: agora tudo se decide. Decide-se o emprego, decide-se a vida, decide-se a bancarrota. Ou a Grécia ou a ganância financeira. Ou as pessoas ou os juros.

A Grécia somos nós. Somos nós amanhã, mas também já somos nós hoje. Quando o governo corta 100 euros a uma pensão de 300, é a Grécia e a bancarrota. Quando o ministro das finanças sussurra com o congénere alemão uns trocos para o futuro, é da Grécia e da nossa bancarrota que eles estão a falar. Quando o governo corta feriados e Carnaval, é porque vale tudo e o trabalho não vale nada. Quando determina a facilitação dos despedimentos, com o apoio da UGT, é porque a bancarrota já se instalou nos programas para o futuro da economia.

Por isso, não alinho com a medida do medo: eles que reajustem o programa da troika, eles que consolidem a economia, dizem e eu não acredito. Dessa proposta só vem miséria. O país só responderá se puser na rua a sua força e a trouxer a democracia para o lugar da república”

Por Francisco Louça em Nota no Facebook.

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Louçã não se desculpou e Tavares bazou…

Rui Tavares, até hoje deputado europeu independente eleito pelas listas do Bloco de Esquerda desvinculou-se do partido e continua no Parlamento Europeu como independente.

Na questão dos fundadores do Bloco de Esquerda, Tavares e Louça travaram-se em discussão e o eurodeputado exigiu ao líder do Bloco um pedido de desculpas, pedido que Louçã não correspondeu. Tavares desvincula-se da família europeia GUENL e mantem a sua actividade na família dos Verdes Europeus. O eurodeputado alega falta de confiança política para a sua mudança: “É-me impossível manter confiança pessoal e política no Coordenador Nacional do BE e, em consequência, continuar a fazer parte da delegação no Parlamento Europeu do partido por ele liderado, passando simplesmente à condição de deputado independente, integrado no grupo dos Verdes europeus.”

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As polémicas internas do Bloco de Esquerda

O deputado europeu independente eleito pelo Bloco de Esquerda e Historiador Rui Tavares fez chegar a Francisco Louçã uma nota em que exigiu um pedido de desculpas por parte do líder do partido em relação a umas declarações relacionadas com a fundação do partido.

Tavares afirmou “conhecer muito bem a história do Bloco de Esquerda”. Louçã conta a sua versão dos factos numa nota publicada na sua página pessoal do facebook.

Como Historiador, Tavares já deveria estar a pensar escrever um ensaio sobre os motivos que irão levar ao desmembramento do partido num futuro próximo. Quiçá estas últimas eleições e o facto do Bloco estar completamente desprovido de uma ideologia (ou será que têm várias ideologias rotativas) sejam boas perguntas de partida para achar uma explicação para a solução.

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Breve resumo das eleições legislativas

Da noite eleitoral de ontem, é mais que certo e assimilado que o grande derrotado é José Sócrates.

Depois de uma campanha em que o líder do PS se limitou a ir espiando a casa alheia, a mandar as suas bocas à oposição e a truques de propaganda que foram desde as arruadas com os emigrantes aos comícios que arrastavam multidões apenas pelo cheiro do tinto e das bifanas, o resultado não poderia ser outro.

Política zero. Medidas a efectivar na prática: zero. Os Portugueses limitaram-se a assistir um Sócrates queixinhas: ora queixinhas sobre as propostas do PSD, ora queixinhas sobre a falta de tempo de antena concedido pelas televisões à campanha do PS, ora queixinhas pelo facto de se apresentar a novas eleições depois de dois anos de governação muito desgastantes e em situações adversas.

Se o actual panorama do país era adverso para José Sócrates, este deveria ter respondido com a “confiança e determinação” do costume. Limitadas as opções do Partido Socialista nesta campanha pelo acordo feito com a troika do FMI, BCE e Comissão Europeia, o líder do Partido Socialista não podia fazer muito e do pouco que poderia dizer aos Portugueses, limitou-se a fazer contra campanha contra o PSD de Passos Coelho.

Chegado o dia das eleições e a derrota (que já estava antevista pelo PS) Sócrates acaba por sair pela porta pequena da governação, deixando um partido sem grandes perspectivas de uma liderança forte para ocupar o lugar da oposição, ciente que terá que lidar com as críticas de um acordo de resgate internacional que o partido assinou enquanto governo e enfraquecido ao nível ideológico depois de uma governação ruinosa que foi pautada por uma divergência quanto ao rumo a seguir: ora neoliberal, ora defensora do Socialismo, ora defensora de um falso Estado-Social.

Pedro Passos Coelho capitalizou todos os erros de Sócrates. O PSD tanto desgastou na oposição o governo socialista, que acabou por chegar de rompante ao poder.

Numa campanha marcada por uma certa confusão ideológica do seu líder e por alguns “tiros nos pés” como foi por exemplo a questão polémica em torno de Fernando Nobre, o PSD (que também apostou numa estratégia de bate-boca directa com o PS) soube explanar melhor as suas ideias.

O programa pode não ser o melhor, mas numa coisa Passos Coelho teve o mérito: prometeu estabilidade para o país e mostrou-se mais empenhado em conquistar os votos dos portugueses. Só o futuro poderá dizer que se as ideias de Passos Coelhos contribuirão por um Portugal melhor.

O CDSPP de Paulo Portas entrou nestas eleições com a clara noção que seria o partido-joker para quem ganhasse as eleições de modo a constituir maioria absoluta.

Portas foi claro. Não revelou alianças a nenhum dos partidos nem desmentiu possibilidades de efectuar uma com o partido vencedor. Na expectactiva, o CDS foi trilhando a sua campanha pensando em atingir o objectivo dos 14% – as sondagens pela primeira vez davam uma percentagem acima do que era esperado pelo líder do CDS. Ao contrário das eleições anteriores onde as sondagens eram criticadas por Portas como escassas em relação ao resultado que este pretendia atingir, desta vez, as sondagens provaram o contrário. Mesmo assim, o esforço dos populares ficou bem traduzido em votos e mandatos. O CDSPP formará governo com o PSD e decerto tenderá a ocupar pastas bastante importantes no novo governo.

A CDU aumentou em 1 deputado. Depois de uma excelente campanha em que as políticas do partido (há muito traçadas e anunciadas) foram enunciadas com o rigor e coerência que se conhecem, a CDU voltou a reconquistar um deputado em Faro.

Em relação à CDU e ao Bloco de Esquerda, não creio que o facto de se terem colocado à margem das negociações com a “troika” tenham sido nefastas aos dois partidos: há muito que os dois partidos já tinham anunciado que não estavam predispostos a pactuar com um resgate que em nada beneficiará Portugal. E nesse aspecto, devido às ideologias e às soluções que defendem para o nosso país, manteram a coerência.

A luta continua na mesma bitola. A CDU continuará a pautar a sua intervenção política pelos mesmos valores, na busca dos mesmos objectivos. Continuará a defender uma política patriótica e de esquerda de forma a que este país seja um país mais justo, mais solidário e mais desenvolvido.

O Bloco sai efectivamente como o maior derrotado destas eleições. “Onde param os votos de 2009?” é a pergunta que os Bloquistas fazem neste momento. Na minha opinião, muito do seu eleitorado flutuou para o PSD, outra parte votou em branco e outros nem sequer fizeram questão de ir às urnas.

José Manuel Pureza não foi eleito por Coimbra, facto que me deixa triste, não sendo o Bloco o partido da minha ideologia. Quem perde é Coimbra. Perde um político competente que fez uma excelente legislatura enquanto líder parlamentar do Bloco. Perde um político acutilante na defesa dos interesses do distrito.

A abstenção voltou a ser altíssima. Não censuro quem votou em branco. É uma opção de cidadania que traduz o descrédito legítimo à actuação da classe política. Censuro quem não vai votar. Censuro quem não vai votar e queixa-se dos governantes e deputados que não elege. Censuro quem parece não ter a mínima noção do exercício de direitos e do cumprimento de deveres que é adstrito ao seu estatuto de cidadania.

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Mas o líder ainda está crente que vai ser eleito primeiro-ministro

Na Sede do PS, Vitalino Canas já assume a hipótese (mais que confirmada) da derrota do Partido Socialista. “Uma derrota honrosa” segundo as palavras do antigo ministro é uma derrota onde o Partido Socialista fique perto do vencedor.

Os Socialistas já parecem abandonar o barco antes de ele se afundar. A 1 hora de fechar o escrutínio, o grande líder ainda está crente que vai ser eleito primeiro-ministro.

Já na sede nacional do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã afirmou que o “Bloco vai ter os votos que merece” – nunca acreditei que o líder do Bloco acreditasse numa teoria de justiça divina. 

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O que é que podemos esperar?

O resgate do Fundo Monetário Internacional (femi para Passos Coelho) Banco Central Europeu e Comissão Europeia à Grécia está a ter resultados catastróficos no país Helénico. Nem perante o resgate, as sucessivas medidas de austeridade promovidas por interesse do Primeiro-Ministro Papandreou e as medidas impostas pelos homens fortes da comitiva que negociou com os Gregos travam a necessidade do Governo Grego renegociar novamente a sua dívida, poder vir a ter que pedir um novo resgate financeiro e acima de tudo, não conseguem travar o avanço de mais pacotes de medidas de austeridade que não estão a ser aceites pelo povo Grego.

É de salientar que as agências de rating voltaram a ter um papel fundamental no agravar de situação do país Helénico, com novas cotações em baixa dos ratings de praticamente toda a banca Grega e do próprio Estado Grego.

O Governo de Papandreou já afirmou que apesar de todas as medidas impostas necessita de um novo resgate financeiro internacional para que o Estado Grego não tenha de se declarar insolvente perante o mundo. Estamos a falar obviamente de um “pedido de oxigénio urgente” por parte do Governo Grego para não declarar o estado financeiro de bancarrota no país.

À semelhança do exemplo Grego encontra-se o exemplo Português. A troika concedeu-nos um resgate financeiro de 78 mil milhões de euros e impôs mais medidas de austeridade do que as que eram previstas no PEC IV que foi chumbado pelo Parlamento, a juntar está claro, às medidas já estão a ser executadas dos restantes PEC´s aprovados e incentivados pelo Governo Socialista em parceria com o PSD.

O Governo Português necessita urgentemente de renegociar a dívida para poder olhar o futuro com mais clareza. Nesse aspecto, um pequeno texto que li de Francisco Louçã dá plena razão à opinião do economista candidato a Primeiro-Ministro pelo Bloco de Esquerda: “Se aceitarmos o FMI, receberemos uma factura gigante, passada aos mais pobres para que os bancos possam manter a sua boa vida. (…) Podemos dizer não ao país, resignados perante as ordens de Bruxelas, como propõem PSPSD e CDS ou dizer SIM à justiça económica, à distribuição da riqueza e ao investimento público para alterar o rumo de Portugal. Um povo que se ergue conquista respeito e capacidade de resposta”

Ora bem, esse respeito e essa capacidade de resposta só podem ser conseguidos se o plenipotenciários poderes de resposta apresentarem com determinação a renegociação da dívida ou uma amostra firme de não pagamento da mesma, à semelhança daquilo que por exemplo fizeram os Islandeses no caso dos erros cometidos pela sua banca contra o Reino Unido e a Holanda.

Caso contrário, se o povo português aceitar de ânimo leve a ajuda pedida pelo bipartidarismo de centro, arrisca-se a ver o seu país insolvente perante 500 mil milhões de dívida no futuro e como tal, gerações atrás de gerações terão que pagar essa mesma dívida durante décadas. Arrisco-me a dizer que com este espectro em cima das nossas cabeças, o que está actualmente a acontecer à Grécia acontecerá na mesma tarimba a Portugal dentro de alguns anos. Pela primeira vez em muitas décadas, a nossa geração viverá pior que a dos nossos pais e as gerações seguintes viverão cada vez pior que a nossa.

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Campa”nhas” de merda

Penso sinceramente que no dia 5 de Junho, caso esteja bom tempo, muitos milhares de portugueses deixarão de votar para ir à praia.

Numa altura crucial para o futuro de um país, a descrença nos políticos acentua-se e aquilo que se julgava ser descrença no Estado por parte do povo português, já não é descrença mas sim raiva.

De um lado, temos um Partido Socialista com um líder que afirma que o “partido do povo” não deixa ninguém para trás. Sócrates volta a defender o “Estado Social” de todos e para todos, imagine-se, rodeado de imigrantes de várias nacionalidades a transportar bandeiras do Partido Socialista na campanha quando nem sequer podem exercer o seu direito de voto.

Do outro lado, o PSD mais “africanista de sempre” farto de dar coices atrás de coices em jogos de parada e resposta às declarações dos Socialistas.

O Paulo do CDS só quer é feiras e feirantes. Promete o mesmo de sempre: aumento de reformas, aumentos de pensões, aumentos, aumentos e aumentos que quando se chega aos aumentos, aumenta-se a frota de submarinos no nosso país e a carga fiscal aos cidadãos.

Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã têm sido os mais coerentes ao nível de discurso para o país: reduzir as desigualdades sociais, taxar os rendimentos daqueles que mais têm em prol do aumento da qualidade de vida dos que menos têm, a renegociação da dívida como combate ao resgate financeiro que nos foi imposto por iniciativa do governo com o apoio do PSD, aumento dos salários, aumento das reformas e das pensões para que os reformados e pensionistas não tenham carências básicas por falta de recursos financeiros, aumento da produção nacional para estimular mais emprego.

Só tenho a apontar um defeito aos camaradas da CDU: aquilo que a CDU fez nas escadas monumentais de Coimbra é um acto criminoso. É um puro acto de vandalismo que já não se pode utilizar ou sequer tolerar nos dias que correm. A democracia exige o respeito pelas ideias. Vence quem tiver mais votos, e pressupostamente, deveria vencer quem apresentar as melhores ideias para a governação do país. Não é com pinturas grotescas de apelo ao voto na via pública que se deverão conquistar mais votos, se bem, que para algumas direcções-gerais da AAC, funcionou.

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A moção de censura fantasma

Francisco Louçã apresentou de manhã a conhecida moção de censura do Bloco de Esquerda ao Governo Socialista, que dentro de alguns minutos será rejeitada na Assembleia da República.

Louça rejeitou desde logo que esta moção de censura seja uma derrota – “Se a moção de censura for recusada, ouçam o que dirá o país na rua porque, onde está a democracia, ela vencerá”

E a contestação começará a sair às ruas este sábado, em Lisboa e no Porto, no protesto da “Geração à Rasca”

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Moção de censura a caminho…


Primeiro, foi o PCP quem ameaçou apresentar uma moção de censura na Assembleia da República. Há poucas semanas, a ameaça de Jerónimo de Sousa era apoiada directamente pelo CDSPP.

Hoje, Francisco Louçã e o Bloco de Esquerda admitem a possibilidade de tentar fazer cair o governo Socialista. Não deverá ser difícil que obtenham os votos dos deputados do CDSPP e do Partido Comunista Português. Quanto ao PSD tenho as minhas reservas, visto que Passos Coelho continua muito imbuído no jogo “ora hoje estou para governar, agora amanhã aconselho aos meus co-partidários que esperem pelos próximos meses e deixem o governo assentar”.

Se o Bloco apresentar a moção em breve, cabe ao maior partido das eleições decidir se vai ou não avançar para eleições.  Neste imenso jogo político, caberá a Passos Coelho a decisão de enfrentar José Sócrates já (com o Governo Socialista enfraquecido) ou daqui a dois anos, com a possibilidade de um Sócrates reforçado por eventuais medidas que possam cair no agrado do povo Português.

É neste cenário que vamos ver se o líder do PSD passa do habitual blá blá blá blá para os actos em concreto ou se continua no mesmo jogo…


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E mais uma vez Sócrates esquivou-se

Francisco Louçã questionou o Primeiro-Ministro quanto aos cortes de financiamento no ensino básico e secundário privado e quanto à devolução de bolsas provisórias que milhares de alunos estão a efectuar no ensino superior devido ao facto de terem visto indiferidos os seus processos de candidatura a bolsa de estudo.

Louçã, defendeu a continuação do investimento estatal nos estabelecimentos de ensino privados que sejam exemplos únicos em certas regiões, ou seja, que não tenham por perto uma rede escolar pública. Quanto às bolsas de estudo do ensino superior, pegou no argumento de Mariano Gago a 27 de Outubro de 2010 onde o Ministro da Ciência e do Ensino Superior afirmava que este ano ninguém seria obrigado a devolver o valor total das suas bolsas provisórias caso não tivesse direito a bolsa.

Sócrates, bem ao seu jeito respondeu (bem) que o Estado não poderia continuar a sustentar o ensino privado para além das verbas que dá ao ensino público, alimentando assim os lucros das entidades que geram o ensino privado. Decretou o investimento de 80 mil euros por turma a cerca de 2200 turmas do ensino privado.

Sócrates mostrou gráficos, estabeleceu comparações,  continuou vezes sem conta à volta do mesmo argumento, das mesmas frases e antes de acabar a sua intervenção não respondeu absolutamente nada a Louçã quanto ao ensino superior e à questão da devolução das bolsas. Porquê?

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