Tag Archives: Filosofia

Sócrates (XVI)

“vós que entrais, abandonai toda a esperança” – Sciences Po de Paris a fazer milagres. um mestrado, diz ele. 

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boa pergunta

via Alexandre Lemos.

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Verdades

Rob Riemen, filósofo Holandês em entrevista ao Jornal i na edição de ontem.

“E o interessante é que a classe dominante só entra em pânico quando perde a autoridade moral. Sem a autoridade moral, só lhe resta o poder que se transforma em violência.”

“A actual classe dominante nunca será capaz de resolver a crise, porque ela é a crise! E não falo apenas da classe política, mas da educacional, da que controla os media, da financeira, etc… Não vão resolver a crise porque a sua mentalidade é extremamente limitada e controlada por uma única coisa: os seus interesses. Os políticos existempara servir os seus interesses, não o país”

“a identidade das pessoas não depende do que elas são, mas do que têm. Quando se torna tão importante ter coisas, serves um mundo comercial porque pensas que a tua identidade está relacionada com isso. Estamos a criar seres humanos vazios que querem consumir e ter coisas e que acabam por se vestir e falar todos da mesma forma e pensar as mesmas coisas…”

“Existe uma elite comercial e política interessada em manter as pessoas estúpidas. E isso é vendido como democracia…”

“Porque não está interessado na pessoa que tu és, mas no tipo de profissões que a economia precisa…”

“O medo da elite comercial é que as pessoas comecem a pensar. Porque é que os regimes fascistas querem controlar o mundo da cultura ou livrar-se dele por completo?”

“A geração mais jovem tem que questionar as elites do poder.”

“O espírito democrático é mais do que ir às urnas e se eles (políticos eleitos) não se baseiam nessa nobreza (de espírito) os sistemas colapsam, como estão a colapsar.”

“É extremamente esperançoso que estejamos a livrar-nos da passividade. Finalmente temos uma nesga de ar, mas precisamos de um novo passo, protestar não basta. A História mostra-nos que as mudanças vêm sempre de um de três grupos: mulheres, jovens ou minorias. Acho que agora vai ter de vir dos jovens. Se isto continuar por mais três ou cinco anos, o seu futuro estará arruinado, não haverá emprego, casas, segurança social, nada. É tempo de reconhecer isto, de o dizer publicamente, de parar e depois avançar. Se os jovens pararem os jornais, os jornais acabam. Se os jovens decidirem que não vão à universidade, ela fecha.”

“O perfeito disparate de que todas as nações europeias não podem ter um défice superior a 3% é pura estupidez económica. Temos de investir no futuro. Como? Investindo numa educação como deve ser, que garanta seres humanos bem pensantes e não apenas os interesses da economia.”

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parlamentarices

Heloísa Apólonia questionou, e muito bem o primeiro ministro, acerca dos limites que eram consideráveis da “sua austeridade” para o povo português.

Mansinho, o primeiro-ministro respondeu: “os meus limites para estas medidas de austeridade são os limites da ética social”

Desmístifico os termos “ética” e “social” e de seguida passo a uni-los.

Segundo o dicionário da Porto Editora que possuo, ética é “o domínio da filosofia que procura determinar a finalidade da vida humana e os meios de a alcançar; a moral; a ciência da moral.

Já social, designa-se no mesmo como “pertencente ou respeitante à sociedade; sociável; referente a sociedade comercial ou industrial; diz-se dos problemas que visam à organização e à satisfação das necessidades dos indivíduos em sociedade; relações sociais; convivência.

Adequamos portanto as premissas ao todo.

As premissas que interessam para a afirmação do primeiro-ministro são “o domínio da filosofia que procura determinar a finalidade da vida humana e os meios de a alcançar” e “a moral” no caso do termo ética, e, “diz-se dos problemas que visam à organização e à satisfação das necessidades dos indivíduos em sociedade” no que resta ao termo “social”.

Se o limite da austeridade deste primeiro-ministro e do seu governo é o limite da ética social, pelas premissas com que me guio e pelas medidas ontem apresentadas, a sua ética está a caminhar por moldes errados, os problemas que visam as suas soluções não estão a ser resolvidos e muito menos estão a ser atendidas as satisfações das necessidades dos indíviduos na sociedade portuguesa.

Qual é afinal o limite?


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“O Anticristo”

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Há um espectáculo doloroso, horrível que se me ofereceu: corri a cortina que ocultava a perversão do ser humano. Esta palavra, na minha boca, está pelo menos a salvo de uma suspeita: a de inclua uma acusação moral do homem. Ela vai ser entendida – gostava de sublinhar isso mais uma vez – como isenta de moralina; e isto até ao ponto em que essa perversão é por mim sentida, precisamente, com mais força, ou seja, onde até agora se aspirava mais conscientemente à “virtude”, à “divindade”. Entendo a perversão isso já se adivinha no sentido de decadência: a minha asserção é que todos os valores, em que, hoje em dia, a humanidade condensa tudo quanto se lhe afigura superiormente desejável, são valores de decadência.

Chamo pervertido a um animal, a um género, a um indivíduo, quando este perde os seus instintos, quando escolhe, quando prefere o que lhe é mais prejudicial. Uma história “dos sentimentos mais elevados, dos “ideais da humanidade” – e é possível que tenha de narrá-la, quase seria também a explicação dos motivos pelos quais o homem está tão pervertido. A própria vida, considero-a eu como instinto de crescimento, de duração, de acumulação de energias,  de poder: onde faltar vontade de poder há decadência. A minha asserção é que a todos os valores supremos da humanidade falta essa vontade – que são valores de decadência, valores niilistas, que reinam, sobre os nomes mais sagrados.

(…)                                                                                                                      ”


Friederich Nietzsche in “O Anticristo” – 6 –  Edições Relógio de Água.


Sem mais palavras, despeço-me por hoje.

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