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À 6ª foi de vez

De que vale vencer a mesma equipa 5 vezes se à sexta uma derrota dá de bandeja o título à outra equipa?

Assim aconteceu em Nou Camp. De um lado, um Mourinho inteligente aplicou a receita que já tinha dado frutos nas meias-finais da Champions em 2010 em Nou Camp com o Inter e que Roberto DiMatteo limitou-se a copiar no encontro de quarta-feira em Stamford Bridge. Do outro lado, Pep Guardiola foi traído por uma equipa que batalhou muito, que criou muito mas que não foi capaz de concretizar as oportunidades, também um pouco à semelhança do que o Barça (não) fez em Londres a meio da semana.

Mourinho desenhou a táctica perfeita. Colocou a equipa num estilo ultra-defensivo, numa cópia clara do que já tinha feito 2 anos antes com o Inter na Catalunha. Em 4x5x1 desdobrável para 4x3x3, apostou num meio campo coeso formado por Alonso, Ozil e Khédira. Nas alas, Ronaldo e DiMaria tinham ordens para fechar as alas perante as intromissões ofensivas de Dani Alves, Tello, Adriano e Iniesta e para sair para o contra-ataque sempre que possível. Na frente, Benzema era o único que tinha ordens para não defender e tinha como missão fazer pressão alta aos jogadores lá de trás (Mascherano e Puyol) de modo a evitar, pressionar e complicar a construção que é feita de trás pelo Barcelona.

O ataque do Madrid resumia-se exclusivamente ao contra-ataque.

Já Pep foi traído nas suas escolhas. Muito se pode dizer sobre este Barcelona. Certo parece-me dizer que psicologicamente começa a ser difícil a Guardiola motivar os seus púpilos para vencer. O ciclo do futebol é mesmo este: quando uma equipa constituída genericamente pelos mesmos jogadores (como o Barça) vence tudo o que tem para vencer (variadas vezes em variadas competições) na última década, começa a necessitar de caras novas, de um novo ciclo.

De Mourinho já se esperava o que aconteceu em Nou Camp. Os primeiros minutos mostraram um Real retraído, defensivo, pressionante no meio campo e capaz de resolver os problemas de maior que o ataque do Barça ia causando esporadicamente para numa 2ª fase partir em velocidade para cima da defensiva do Barça, ora por Benzema ora pelas intensas arrancadas de Cristiano Ronaldo. Iniesta e Xavi tentavam construir mas Sérgio Ramos e Pepe não davam veleidades no último reduto dos madridistas. Messi andou dentro e fora do jogo. Quando esteve dentro tentou as suas incríveis jogadas pelo centro do terreno. Quando isolado na cara de Casillas não foi capaz de finalizar ao seu jeito.

E o Madrid aproveitou logo nos primeiros minutos da partida, num lance onde Victor Valdés acaba por ter culpas partilhadas com os seus centrais: o guardião do Barça saiu em falso e Khédira, embrulhado na pequena-área conseguiu (parece-me em fora-de-jogo) dar o toque desejado ao cabeceamento de Pepe.

E o Real começava a surpreender.

O Barça enervou-se com a ousadia do Real e tentou sair para o meio-campo Madridista em busca do empate. À “ausência” de Messi em certas partes do jogo, Iniesta tentou fazer de Messi e por várias vezes tentou ele furar a defesa madridista. No entanto, exceptuando as perdidas de Messi e Aléxis na 2ª parte, Casillas não teve grande trabalho durante a partida.

Na 2ª parte, um pouco mais do mesmo. O Barça carregou muito no ataque, mas no fim, o jogo dos catalães resume-se ao ditado de “muita parra e pouca uva”. O Real continuou fechadinho na defesa e assente no contra-ataque. A eficácia do Barça foi escassa. Tello teve tudo para o empate mas atirou muito por cima. Aléxis entrou e marcou com alguma sorte. Fabrègas (encostado injustamente a uma ala) e Pedro Rodriguez (entrado numa fase de desespero) foram soluções infeliz que vieram do banco catalão.

Até que Ronaldo calou o camp-nou num lance de jogador.

Mourinho e os seus jogadores geriram a vantagem com muita tranquilidade. Do banco madridista, o português colocou Granero em campo para continuar a segurar o reforçado meio-campo Catalão. Callejón entrou para segurar a bola lá na frente e Higuaín já entrou para queimar tempo em período de descontos. No campo, os que lá estavam continuaram a segurar os ímpetos do ataque catalão e pelo meio, ora Coentrão ora Ronaldo iam quebrando o ritmo de jogo do Barça com algum anti-jogo.

E Mourinho vence justamente o título.

Guardiola assumiu a derrota e deu os parabéns ao português pelo “campeonato” – o Barça atira literalmente a toalha ao chão no que diz respeito a Liga Espanhola. E deve recuperar rapidamente pois na quarta-feira terá Di Matteo e o Chelsea a praticar mais um pouco da receita Mourinho.

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