Tag Archives: Entidade Reguladora para a Comunicação Social

“Ensaio sobre o luxo”

http://sic.sapo.pt/online/flash/playerSIC2009.swf?urlvideo=http://videos.sapo.pt/HeiLA3wE1jYB2SIVvulT/mov/1&Link=http://sic.sapo.pt/online/video/informacao/Reportagem+SIC/2010/12/ensaio-sobre-o-luxo26-12-2010-22497.htm&ztag=/sicembed/info/&hash=29E6AEC0-D992-47D3-AEA4-3489AAE4DC81&embed=true&autoplay=false

Fonte: SIC (transmitido ontem após o Jornal da Noite)

Não podia deixar passar esta reportagem transmitida ontem na SIC após o Jornal da Noite.

Em plena quadra natalícia marcada por uma época de crise, onde os indíces de taxa de desemprego, pobreza e fome disparam, achei de mau tom que uma televisão generalista em canal aberto ousasse passar esta reportagem para 10 milhões de Portugueses. Dos quais, 600 mil estão desempregados e 2 milhões passam extremas necessidades no seu dia-a-dia.

“Ensaio sobre o luxo” foi uma reportagem da Jornalista Cristina Boavida com imagem de Odacir Júnior e montagem de Ricardo Piano. Como tema, a jornalista analisou várias pessoas que neste momento vivem luxuosamente. Uma ofensa a quem menos tem. Uma ofensa a quem não tem para alimentar os seus filhos. Uma ofensa vergonhosa a quem trabalha 8 e mais horas numa fábrica em troca do ordenado mínimo.

Roupas caras, milhares de sapatos sem serem utilizados, joias, casas de férias, veleiros milionários, avionetes, jactos privados, vários carros de alta cilindrada, carros telecomandados, karts, carros de competição,  – é onde esta gente gasta o dinheiro. Era onde o Estado deveria apostar em tributações pesadas para depois redistribuir por aqueles que mais necessitam, por aqueles que não tem pão para comer. Os exemplos desta reportagem, são os exemplos em que a força tributária de um Estado se deveria sentir pesada. Por cada produto comprado um imposto. Afinal de contas, quem tem milhares de euros para gastar neste tipo de futilidades, pode bem aguentar com impostos sobre os produtos comprados.

Trata-se de uma questão de justiça social, modalidade da justiça que parece estar adormecida neste país. Ainda mais, num tempo em que todos os Portugueses estão ser votados a sacríficios impostos pelos sucessivos pacotes de medidas de austeridade do Governo.

De entre os casos que foram citados na reportagem, o que mais me chocou foi obviamente o da “socialite” Jó Caneças. Como é possível que se venha a público mostrar tudo aquilo que acima podemos ver? Auto promoção individual? Pior que isso, não consegui compreender como é que a pessoa em causa ainda considera que tem semanas em que não para visto que não tem qualquer ocupação profissional.

No que toca a Jó Caneças, gostei particularmente do facto de esta ter dito que “chegar onde actualmente está foi muito difícil”. Relembrando as suas origens humildes dos campos da régua, diz “ter dias muito ocupados” – que passam essencialmente por andar numa passadeira, andar a pé no Estoril e ir às compras de sapatos, vestidos e malas. Não se lembra portanto de praticar actos de solidariedade para com aqueles que menos tem.

Gasta milhares de euros em frivolidades sem importancia. No entanto, tem tanto dinheiro que nem sequer um dia ousou querer aprender a falar correctamente a sua língua. Tais são as calinadas que dá no Português durante a reportagem… Jó Caneças considera “luxo o seu marido andar com uma camisa bem passada” .Ao contrário dos outros intervenientes, que de certa forma, gastaram o seu dinheiro através dos ganhos da sua actividade produtiva e que consideram “luxo” a saúde, o emprego, a qualidade de vida dos seus.

Nota Final: Dada a minha indignação sobre a reportagem nos tempos que correm, decidi enviar um email para a Entidade Reguladora da Comunicação a pedir esclarecimentos para apresentar queixa sobre a SIC pela reportagem.

Dada a alinea D do  artigo 7º dos Estatutos da ERC (Assegurar que a informação fornecida pelos prestadores de serviços de natureza editorial se pauta por critérios de exigência e rigor jornalísticos, efectivando a responsabilidade editorial perante o público em geral dos que se encontram sujeitos à sua jurisdição, caso se mostrem violados os princípios e regras legais aplicáveis) e o artigo 55º dos mesmos estatutos no que toca à apresentação de uma queixa sobre a SIC, irei fundamentar uma queixa por escrito sobre esta reportagem para a ERC, pedindo que a SIC se retrate publicamente perante os seus espectadores sobre esta reportagem, que fere as susceptibilidades das famílias que actuamente passam por graves carências económicas.

Quanto à SIC, já fiz chegar um email onde justifico o meu descontentamento sobre a reportagem. Aguardo então por respostas.

Com as etiquetas , , , , , , , , ,