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Voltamos definitivamente ao tempo do fascismo

Volta o mítico exame da 4ª classe de que os nossos avós falavam.

Sempre defendi que um dos problemas do ensino português são as constantes reformas. Estamos num país em que ao nível da educação as mudanças que se verificam são efectuadas com um espaço temporal de um ano lectivo. Ora se mudam os manuais escolares, ora se mudam os programas de cada disciplina, ora se muda a duração das aulas, ora se impõem novos métodos de avaliação. Só eu, nos 12 anos de ensino primário, básico e secundário fui beneficiário de 4 reformas no ensino.

No ensino português passamos do 8 ao 80. Com a pouco saudosa Maria de Lurdes Rodrigues, tudo era permitido. Os alunos até ao 9º ano só chumbam de ano se os pais assim o consentirem. Com Nuno Crato assistimos a medidas hediondas. Esta medida de colocar miúdos de 9 e 11 anos a fazer exames nacionais com um peso considerável na nota final é uma medida muito pouco pedagógica. Um aluno de 4ª classe ainda não tem maturidade para se sentar numa carteira e resolver um exame como se estivesse no 12º. É uma ideia estapafúrdia. Um aluno que tenha um aproveitamento de 60% durante um ano lectivo poderá efectivamente chumbar um ano se baquear psicologicamente num destes exames. Será um exame pertinente para desavaliar um aluno que cumpiu os trâmites de aprovação até então?

Este Ministro continua a pautar o seu discurso pela necessidade da excelência no ensino. Será que a excelência comporta colocar em stress crianças de 9 anos?

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Acesso ao ensino superior 2011

Uma amiga, disse-me há pouco, que as médias de entrada do ensino superior diminuíram.

Respondi-lhe com tranquilidade que não obstante o facto por ela enunciado, creio que as médias dos alunos é que eram demasiado altas tendo em conta a relação com a qualidade dos mesmos. 

Não estou aqui para argumentar o típico cliché de “no meu tempo é que era difícil”. Não era difícil, mas era mais exigente. Outra geração de professores, creio. Os putos de hoje não são só armados em hipsters e em posers. São alunos de média 16, no mínimo. Chegam às universidades e pouco ou nada sabem. Mal ou bem, não sabem expor uma ideia, muitos não sabem articular uma frase e outros tantos nem sabem descodificar o que lhes é pedido num enunciado. Não comprovam a excelência e vivem numa redoma de clara mediocridade.

Algo está mal no ensino português. Ou são todos génios, ou toda essa genialidade da geração do conhecimento e da informação se esvai na passagem do secundário para o ensino superior.

Tenho a certeza que as novas gerações tem mais oportunidades para receber melhor formação, mais conhecimento e mais informação do que as condições que a minha geração alguma vez teve. Basta dar o exemplo do meu irmão. No 1º ciclo do ensino básico, para além de vários livros, tem direito a DVD´s interactivos, a CD´s com jogos vocacionados para uma melhor aprendizagem das matérias leccionadas e tem computadores, que por sinal foram suspensos pelo governo – no meu tempo, existiam três livros: um de matemática, um de língua portuguesa e um de estudo do meio. No meu tempo existia uma professora sem qualquer pachorra para repetir o ensino da tabuada. Se não sabes que 6×8 é 48 e não tens boa memória para trautear a cantiga, levas nas mãos com uma régua de madeira de 30 cm de comprimento e 5 de largura e pode ser que aprendas. Actualmente, um simples aluno do 1º ciclo na minha região, tem aulas extra-curriculares de Inglês, de música, de dança e até de religião e moral, caso os seus encarregados de educação o pretendam.

Para além disso, os miúdos tem jornais, televisão por cabo e internet para se manterem informados e para cultivarem gostos e hobbies. No meu tempo (falo do período pré-histórico antes da internet chegar a minha casa compreendido entre 1997 e 2003) ir à internet na escola durante míseros 10 minutos era o êxtase do dia. É certo que eramos mais felizes. Iamos usando mais aquilo que o estado nos colocava à disposição em matéria de conhecimento que era a Biblioteca Municipal. Iamos lendo muito mais do que aquilo que os adolescentes de hoje em dia lêem. Iamos aproveitando todos os fragmentos de informação que pescavamos por aqui e por ali para compreender os factos e a história do passado, o nosso presente e o futuro.

Não fomos alunos de média 16, tomando na generalidade. Mas poderíamos bem ter sido. Arrisco-me a dizer que o nosso medíocre 13 equivale a um 19 de hoje. Somos uma geração mais culta, mais informada e com melhor calíbre argumentativo. Isso não nos podem tirar.

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