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ora vamos lá ver se nos entendemos

“Com o desemprego já muito elevado e a economia em recessão, as escolhas políticas difíceis que estão a ser feitas estão a testar o consenso politico alargado em torno do programa que existia até à data” – Abebe Selassie, avaliador do Fundo Monetário Internacional para o programa Português.

Perdão? Este senhor não sabe a realidade política do nosso país? Este senhor não sabe que este programa foi negociado por 3 dos 5 partidos? Este senhor não sabe que este programa não foi debatido sequer com 2 partidos políticos que fazem representar a vontade popular na Assembleia da República? Este senhor não sabe que o próprio programa não teve a aprovação do sindicato que representa 95% dos trabalhadores nacionais? Este senhor não sabe que as decisões importantes da vida de um país, principalmente no que toca a ingerência de organizações terceiras nas matérias internas de um país é uma matéria que constitucionalmente terá direito a um referendo? Este senhor não sabe que a democracia é popular é constituída do povo para quem os representa e não, uma obrigação posta pelos representados aos seus representantes? Mas qual consenso político? E já agora, o que é que pensa Abebe Selassie da falta de consenso social em relação a todas as políticas posteriores à assinatura do memorando? Não contam?

Mas em Bretton Woods, eles ainda acham que o povo está satisfeito com a sobretaxa no IRS:

No mesmo relatório, o Fundo Monetário Internacional avisa os governos portugueses (sim porque o nosso governo está a tentar sacudir a água do capote ao nível de responsabilidades) que em 2013 teremos o pico mais alto da dívida pública portuguesa: 123,4% do PIB.

A confirmar-se será o número mais negro da nossa história. Questiono: como é que vamos criar riqueza para podermos pagar esta dívida? e se criarmos, quantos anos andaremos refens desta mesma dívida?

Selassie dá a resposta a partir de Nova Iorque: “A pobreza nos últimos anos é mais efeito do crescimento do desemprego que dos cortes na despesa e dos aumentos de impostos em si mesmos. (…) “Com o desemprego já muito elevado e a economia em recessão, factores dos quais já tínhamos avisado o Estado Português na quinta avaliação do Programa. (…) Tentámos seguir o conselho do Governo quanto às áreas onde se poderia cortar despesa sem sobrecarregar os mais pobres (…)”

“a gente avisou, vocês é que nã nos deram ouvidos, tá? quem criou esse mesmo desemprego? não foi o próprio Fundo através do Memorando e da hedionda medida de revisão do Código Laboral para tornar mais flexíveis as leis laborais neste país de forma que se pudesse despedir de forma mais gratuita? ou será que o Fundo já está a sacudir a água do capote para o governo português como fez nos exemplos da Argentina e do Brasil?

mas no entanto, o governo não soube dizer onde poderia cortar na despesa sem sobrecarregar os mais ricos mas sobrecarregou e de maneira os mais pobres com a subida de escalões do Imposto Sobre o Rendimento.

E o relatório de Bretoon Woods vai mais longe quando se lê:

e…

é o que dá não negociar um programa paralelo que pudesse fomentar a economia de forma a criar riqueza para pagar esta dívida. parece a armadilha da qual a direita (do governo) utiliza para afirmar que o país está no bom caminho: “calma que as exportações aumentaram este ano” – quando de facto, o superavit criado na balança comercial português no ano 2012 não chegará sequer para pagarmos os juros do resgate que nos foi concedido pelos nossos amigos de Bretton Woods e Bruxelas.

prodigiosa também é a última frase. o nosso sucesso a depender do que for construído a nível europeu, quando Merkel, Hollande, Draghi, Monti e companhia ainda não sabem bem o que fazer\não estão em sintonia em diversos aspectos. quando não se sabe o que dizer, atiram-se culpas e responsabilidades para outros organismos.

continuando.

Não iremos voltar aos mercados em 2013 porque tal será perigoso dado o aumento da nossa dívida pública. Recordando o primeiro-ministro lá em Nova Iorque aos gurus da Economia em Abril deste ano:

No entanto Selassie diz “a sobretaxa de 5% sobre o IRS manter-se-à até 2014”

e o relatório do Fundo diz:

Arriscaremos a ir aos mercados em 2013 a 7,5% ou mais, gerando ainda mais dívida que não poderemos pagar durante gerações e gerações…

Cruzando Passos:

quando a nossa recuperação será mais pronunciada a partir de 2014? Quando Selassie afirma que a sobretaxa terá que vigor até 2014

Entra em Cena, Gaspar, o neoliberal:

na comissão de orçamento. com a economia portuguesa a acelerar o crescimento, dizem, só em 2014.

no entanto, era este mesmo ministro que dizia publicamente horas antes a uma rádio:

confesso que até eu me sinto confuso com tanto contrasenso. se o financiamento do estado será feito com recurso ao mercado (na primeira afirmação do ministro; mas já não será, com base na 2ª) porque é que o estado português carregou com os contribuíntes com um escalões tributários mais severos para aumentar a receita pela via de impostos?

a resposta também pode ser dada pelo relatório do Fundo, quando neste se lê:

que as parcerias publico-privadas vão custar muito mais do que as previsões que as projecções do Ministério das Finanças previam…

2013 já não é o ano do crescimento, contrariando aquelas vezes em que ouvimos o primeiro-ministro a dizer que “2013 é que é”, discurso que já vem desde 2011 a dizer que 2012 é que era…

aproveitando a deixa, enquanto como umas torradinhas, para o post não ficar tão duro, esta situação parece aquela situação das contas do Guterres:

continuando.

O relatório do Fundo entra em contradição com as próprias palavras do avaliador da nossa missão Abebe Selassie:

todos já sabíamos que pode haver retrocesso económico caso a Espanha dê, como se diz na gíria “o badagaio” visto que é o nosso maior importador e a economia com o maior fluxo de capital investido no nosso país.
no entanto, é de surprender que o Fundo escreva isto logo a seguir:

então mas… Selassie não dizia que tudo se mantinha de pé graças ao “consenso político e social existente?”

A Solução passará portanto por… típicas privatizações ao estilo Bretton Woods:

que não serão mais do que mais financiamento (empresas a troco de feijões) para o Estado Português!

Perguntam vocês, porque é que a Economia não cresce? O Fundo sacode a responsabilidade para as fracas políticas do Álvaro Canadiano e do Gaspar, o neoliberal:

tendo que ser o estado falido a conceder crédito não-bancário a novos investimentos. Como? não sei. Se é visto frequentemente? não.

ah pois, ainda são formas a serem exploradas pelo estado português! Ou seja: a concessão de crédito para fomento empresarial, criação de emprego, criação de riqueza, e consequente pagamento desta dívida ainda é coisa que está a ser explorada pelo estado português numa conjuntura de autêntico desatre económico e social.

A compreensão do resto deste relatório, a outros níveis, fica para abordagens futuras!

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macrocorporações

Na Standard & Poor´s, o corte do rating dos EUA  já fez estragos. A McGraw-Hill, empresa que detém o controle da agência de rating Norte-Americana, anunciou a mudança de presidência na mesma. Devem Sharma deverá ser substítuído dentro de 2 semanas por Douglas Peterson, actual CEO do Citibank N.A, maior banco de uma das maiores macrocorporações do mundo, o Citygroup.

Sabendo da existência clara de promiscuídade e rotatitividade nos membros do governo norte-americano e das grandes macrocorporações mundiais, esta rotação na presidência da Standard & Poor´s não se trata de nem mais nem menos do que uma manobra do governo Americano, de tentar contornar não só a descida de rating da qual foi alvo, como evitar a possibilidade de uma nova descida de rating. A dificuldade acrescida que o país sente no que toca à sua dívida e até à sua liquidez para investir, exige portanto, que se ponham homens de confiança nestes postos.

À boa maneira macrocorporativista Norte-Americana.

Com a descida de rating dos EUA, o feitiço virou-se contra o feiticeiro.

Quando as agências cortam os ratings dos países europeus, os Estados Unidos olham para os cortes como problemas que devem ser resolvidos pela Europa. Quando cortam o rating dos EUA, há que investigar quem ataca a Nação. A doutrina moderna dos Norte-Americanos é recheada de complexos de inferioridade. “São os países que nos querem atacar o país (países emergentes) e os terroristas que ameaçam o nosso país”. Ao lado dos EUA, todos os países são maus, alguns deles vivem apenas com o interesse de derrubar os Estados Unidos

A grande dor de cabeça surge quando a dificuldade vem de dentro do país e o próprio governo tem que levantar alguns cadáveres do passado para conseguir defender os interesses dos seus.

As investigações no caso da Standard & Poor´s assumiram um patamar bastante interessante. Pela primeira vez, o aparelho estatal norte-americano está interessado em saber quem inflacionou a nota das obrigações hipotecárias designadas como subprimes, principal causa da falência em 2008 da Lehman Brothers e de outras instituições de cariz financeiro.

O que é engraçado em toda esta história é o facto de alguns elementos importantes na gestão destas macrocorporações e até algumas entidades com responsabilidade na vigilância do sistema económico e financeiro dos EUA,  ainda há poucos meses terem afirmado publicamente que não viam qualquer ilegalidade neste negócio de subprimes e até considerarem que as agências de rating estavam a promover um investimento que seria proveitoso para todos, quando todos sabiamos de antemão que os subprimes eram um investimento de altíssimo risco. Alan Greenspan, antigo presidente da Reserva Federal Norte-Americana foi um dos que considerava o investimento fidedigno e não via um risco tão elevado na assumpção do investimento. Greenspan foi também um dos maiores culpados na crise.  Falamos de alguém cujo currículo traz agregado um salto de várias macrocorporações directamente para os organismos com responsabilidade de supervisão da economia norte-americana: Greenspan assumiu cargos na Aluminium Company of América, JP Morgan, Morgan Guaranty Trust Company e na Mobil.

As agências de rating, como seria de esperar, desempenhavam o papel de proliferadoras da vontade de investir. Na altura, não estavam interessadas no corte do rating de um país em franca ascenção com os novos truques de investimento no mercado e a especulação tinha a conivência dos principais orgãos supervisores da economia norte-americana, orgãos esses constituídos por antigos elementos das grandes corporações, que por sua vez, eram as maiores interessadas no sistema especulativo. 

Actualmente, o corte no rating virou o feitiço contra o feiticeiro. As agências de rating deixaram de apoiar o investimento na dívida norte-americana e no próprio país. Os subprimes passaram ao passado que a economia mundial ainda está há 3 anos a tentar esquecer. As agências de rating passaram de aliadas a inimigos, mas pelo meio já ajudaram a enterrar a europa. Agora, são modificadas, são adulteradas a favor do macrocorporativismo norte-americano e são investigadas.

São assim as macrocorporações norte-americanas… 

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