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Excessivo

Durante esta semana, a televisão portuguesa esteve inundada de directos, reportagens e histórias para todos os géneros sobre o casamento do Principe William e de Kate Middleton.

O excessivo tempo de antena dada à faustosa festa Britânica parece tentar esconder o facto do país ter sido “invadido” por uma comissão de técnicos do Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia. O excessivo tempo de antena dado a um conto de fadas aos quadradinhos que em nada abona a bom do nosso país, tenta camuflar que aqui bem dentro do nosso Portugal está um país na bancarrota, derrotado ao liberalismo desmedido de um dos maiores flagelos da regulação económica moderna e instável politicamente graças ao tiroteio que os líderes dos dois maiores partidos teimam em continuar em manter vivo em vésperas de eleições.

Até as vitórias europeias de Porto e Benfica, o sui-géneris futebol português que ontem fez história numa competição europeia pelos mais vistosos motivos passou para 2º plano perante o casamento dos princípes britânicos. Facto, que desde já, considero raro neste país de Fado, Fátima e Futebol.

O cenário económico-social português está tão negro e o cenário político tão desgasto e repetitivo ao ponto de grande parte da Comunicação Social aproveitar estes contos de fadas para tentar entreter o coração dos pobres portugueses, fustigados pela insegurança sobre o futuro.

Um país que insiste em olhar para o que de superficial se vai passando lá fora, não poderá de maneira alguma concentrar-se no presente do país e ter uma visão próspera sobre o futuro. É a sina do povo português: um povo que não evoluiu no tempo. É a sina de um povo que entrega a governação aos partidos do bloco central, e que como tal, é sucessivamente fustigado pelas hediondas políticas de sucessivos governos que em nada têm acrescentado progresso económico e social ao povo. É um povo, que pelo voto inconsciente merece sofrer para que um dia finalmente aprenda a exercer um direito cívico em plena consciência ideológica.

Daqui a uns dias já ninguém se deverá lembrar que o herdeiro ao trono Britânico casou com uma plebeia. Regressam portanto as notícias que dão contas de mais austeridade quer por parte do governo, quer por parte da troika internacional presente em Lisboa. Regressam os ataques dos principais rostos do Bloco Central. Regressa a mesquinhez da política e a mesquinhez da caça barata ao voto. Regressa o populismo, regressa a demagogia que cria estratégias populistas. Apenas não regressa o melhor de Portugal: cá pela Tuga continuamos todos na fossa. E neste espírito, da fossa não iremos sair.

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