Tag Archives: electricidade

pela porta do cavalo

os chineses aproveitam-se da confusão teórica destes neoliberais da tanga e sabem perfeitamente que o sector em questão jamais será liberalizado. por isso, toca a investir no que jamais deveria ser privatizado para pagar contas atrasadas do estado, perdão, do sócrates. juro que tento perceber a cartilha neoliberal em Portugal mas confesso que tenho dificuldades: privatiza-se o indevido, não se liberalizam os monopólios. cartilha neoliberal decente será aquela que aplicar a receita da liberalização para que haja concorrência. no entanto, sabendo que a cartilha friedminiana também prevê que neoliberal que se preze, tenderá a baixar os impostos face à posição redutora do estado na economia, está tudo, a bom ver, desregulado. não só nos mercados como nas cabeças pensantes dos ministérios das finanças e da economia.

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curtir o annus no seu melhor

Os Portugueses andaram dias a empanturrarem-se de bacalhau, perú, leitão, filhozes, sonhos (ironia), rabanadas, leite creme, aletria (não alegria) vinho tinto e champagne do bom e do melhor.

Outros, pelas vicissitudes da pobreza encoberta não se empanturraram de nada: comeram à mingua, deram as prendas que puderam aos seus filhos e não dormem descansados com as contas que o carteiro dos CTT põe em casa para pagar.

Acordaram no 2º dia do ano. Num único ímpeto, sobe o preço da água, do gás, da electricidade, das taxas moderadoras, dos medicamentos, do IVA nos bens alimentares e de higiéne (muitos que deveriam ser considerados de 1ª necessidade e não são catalogados como tal) do tabaquito (que deveria subir para os 50 euros por maço; tenho dito) do IMI e de outros impostos que se mantem como é o caso do imposto sobre audiovisual que a meu ver são impostos que se devem considerar como roubo.

E os ordenados não esticam na mesma proporção destes aumentos. Estica sim o trabalho em mais meia-hora ou em pacotes de trabalho gratuito aos fins-de-semana como alguns de Lisboa querem aconselhar o patronato a por em marcha.

2012 começa como o annus mirabilis que se previa. Escolhi bem a palavra pela ironia. Annus. Este 2º dia do ano em Portugal começa com uma bola enrabadela anal aos portugueses.

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A explicação de Vitor Gaspar

Tento compreender mas não consigo.

Vitor Gaspar, o primeiro-ministro de Portugal, perdão, o Ministro das Finanças, ou será Paul Rasmussen o primeiro-ministro de Portugal e o ministro das finanças em simultâneo sabe perfeitamente o alcance destas medidas, não fosse ele um mestre da economia.

O que o estado irá arrecadar com a sobretaxa especial incidente sobre o subsídio de natal mais a passagem do IVA da electricidade e gás (11 euros de aumento em média para cada Português, já contando com aqueles que irão beneficiar das tarifas sociais anunciadas pelo Ministro da Economia Alberto dos Santos Pereira) apenas irão garantir 1000 milhões de euros aos cofres do tesouro público. Tal valor, segundo o mesmo, apenas servirá para cobrir o desvio (para  não criar mensagens subliminares foi dito apenas como desvio, não-colossal) das contas públicas.

Se estas receitas apenas servirão para cobrir metade do desvio, prefiro nem imaginar o que vem por aí. Culpa do memorando da troika. A culpa de qualquer medida será sempre exigida pelo rigor do memorando assinado pela troika. Qualquer dia, o governo irá querer que os portugueses deixem todo o seu salário para pagar a dívida contraída pela classe política. Só falta anunciar uma medida tirânica desse género.

Como referi, Vitor Gaspar sabe muito bem qual o alcance destas medidas, não fosse o próprio um entendido das leis com que se rege o mercado.

Imaginemos a situação em que o preço da gasolina aumenta abruptamente.

Por norma, a elasticidade da procura diz-nos que se um bem como a gasolina aumentar de preço, dado o facto de ser um bem complementar a outro (um carro não anda sem gasolina) e como existe uma extrema dependência do uso de automóveis por parte das pessoas para os mais variados usos resultantes dos hábitos ou necessidades do seu quotidiano, a procura de gasolina irá manter-se ao mesmo nível, indiferentemente do aumento do seu preço. A gasolina é portanto um bem rígido.

Existem excepções comprovadas a esta regra. Se o preço da gasolina aumentar abruptamente num país onde a população vive com baixos rendimentos e mal consegue fazer face a despesas mais essenciais à sobrevivência do que a gasolina para fazer o seu carro andar e a população (principalmente a população urbana) conseguir encontrar outras formas de transporte capazes de não criar alterações a esses hábitos ou necessidades, tendencialmente procurarão diminuir a dependência do seu automóvel e a procura de gasolina irá diminuir. Se a procura de gasolina diminuir (um bem por norma rígido) dar-se-à uma mudança de atitude por parte dos revendedores do produto:

1. Como a procura do seu produto desceu, as planificações empresariais previstas para as mais variadas ondas de procura em relação aos preços poderão falhar. Logo, para se atingirem os lucros desejados, os revendedores poderão optar por despedir pessoal ou reduzir os custos de produção (manobra que é impossível a curto-prazo).

2. Como a procura do seu produto desceu devido ao aumento do preço, o mercado poderá obrigá-los a ter que reajustar em baixo o preço do produto para que a empresa continue a dar os lucros mínimos esperados pela planificação.

3. A empresa pode até ter que se retirar do mercado em último caso.

No caso em concreto das duas novas tributações propostas pelo Ministro das Finanças podem dar-se os seguintes cenários. Ambos são obviamente catastróficos para a economia portuguesa:

1. Com o imposto extraordinário sobre o subsídio de natal, as pessoas que utilizavam o mesmo para o gastar em prendas de Natal (nas grandes superfícies, nas pequenas superfícies de comércio tradicional) não irão gastar tanto dinheiro como gastavam nos anos anteriores.

2. As pessoas que usavam o subsídio de natal (com o valor gastos nas festividades) e usavam o restante para fazer face às suas despesas de médio e longo-prazo como o pagamento de empréstimos, deverão ter mais dificuldade em consolidar os seus processos nessas instituições.

1.1 Se as grandes superfícies, pelo seu privilégio em serem as principais vendedoras nas festividades ou pelo seu cariz universal, onde as compras de natal apenas representam uma pequena percentagem do bolo que é transacionado durante o ano poderão sobreviver a uma crise de consumismo nessa altura do ano, o pobre comércio tradicional que se queixa ano após ano que os natais estão cada vez menos rentáveis pela falta de poder de compra da população portuguesa, tenderão a fechar portas. Menos produtos serão transacionados, menos riqueza será criada pelo comércio.

1.2 Se as grandes superfícies e o comércio tradicional entrarem em recessão no Natal, os seus fornecedores de produtos irão ver os seus produtos pouco escoados e os contratos de fornecimento diminuídos ou até mesmo cancelados. Logo, também entrarão em crise e terão que despedir.

2. No caso das pessoas que utilizam parcialmente o subsídio de natal para fazer face a despesas (principalmente com a banca) a banca irá defender-se com a procura de mais receita em novos empréstimos feitos pela sua clientela. Levará a que a banca perca os seus lucros e precise de encontrar receitas extraordinárias noutros pontos. Logo, tal atitude resultará em investimentos mais caros e em dificuldade ao crédito por parte das famílias. Resultará também na diminuição na procura desses produtos financeiros por falta de liquidezpoder de compra da população, diminuição do fomento industrial agrícola e comercial através do crédito e consequentemente numa retracção da economia portuguesa grave.

São as consequências menos graves desta medida.

Passando para o aumento do IVA no gás e na electricidade.

Previamente, temos que ver que as empresas de fornecimento destes serviços são empresas das que mais lucro dão em portugal e as que pagam melhor aos seus gestores. Gestores públicos, ressalve-se. Gestores públicos que levam prémios anuis na ordem dos milhões de euros. Talvez fosse melhor começar a cortar por aí.

Juntando ao facto da diminuição clara da procura e gasto desses serviços por falta clara de dinheiro nas carteiras das pessoas, estas tendencialmente irão poupar mais no uso destes serviços ou procurar alternativas a este tipo de consumos. No caso da electricidade, as energias renováveis não são uma alternativa credivel para as carteiras dos cidadãos pelo simples facto de serem pouco acessíveis, dependerem muito do crédito (menos acessível) e dos parcos incentivos dados pelo estado à compra dos equipamentos.

Por outro lado, haverão muitas suspensões de serviço por esse país fora por falta de dinheiro para o seu pagamento.

Irá resultar claramente numa diminuição dos lucros dessas empresas, consequentemente em falhas na planificação empresarial quanto aos lucros a obter e consequentemente numa mudança de postura por parte dessas empresas em situações onde a economia portuguesa sai sempre em retracção.

Vale a pena colocar o povo a pagar esses sacríficios ou vamos aumentar ainda mais?

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Tento compreender mas não consigo

Um governo que prometeu lançar para um breve um plano de tarifas sociais, passadas duas semanas da medida, decide também  aumentar o IVA do gás e da electricidade, serviços que estão pela hora da morte para o comum cidadão da classe média portuguesa.



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