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lata

Juro que tento perceber mas não consigo.

Vitor Constâncio, o 3º governador de um banco central mais bem pago do mundo, aquele que comandou o Banco de Portugal numa das fases mais negras da sua história, que falhou previsões de crescimento económico atrás de previsões durante anos, que falhou previsões de apuramento do défice das contas públicas, que não soube avisar certos governos da sua cor partidária de que a entrada do euro não significava que a partir dali tudo nos fosse permitido, que fechou os olhos ao envolvimento do BPN em escândalos financeiros internacionais, que autorizou os ruinosos negócios do referido banco em Cabo Verde com o Banco Insular (por exemplo) quando deveria de facto proteger os interesses da agência estatal cuja função é a de regular todo o sector financeiro ainda vem, com toda a lata deste mundo e do outro, avisar-nos que teremos que seguir um plano cujo guião já está escrito desde há muito tempo e cuja aplicação prática desse mesmo plano foi um profundo fracasso na Argentina, na Rússia, no Brasil, na Indonésia, nas Filipinas, na Bolívia, na Grécia, na Turquia, no México e que agora se prepara para culminar num enorme fracasso em Portugal.

“Como noutros países acontece o que importa é que haja um Governo e uma maioria parlamentar que executem os programas e as medidas e o ajustamento continue a ser feito” – cita.

Juro que tento perceber mas não consigo.

Já sabemos que a ida para Bruxelas muda muita gente. Mas não será que este Constâncio porventura estará a esquecer-se (ou provavelmente está a ter um surto epidémico de anacronismo histórico em relação ao seu trabalho enquanto governador do banco de portugal) que estas reformas às quais se designa por “planos de ajustamento” (eu diria que são planos de liberalização de um capitalismo selvagem que está doente) já deveriam ter sido feitas, sem cargas de esforço dramáticas para os cidadãos portugueses, no tempo, em que este Constâncio deixava que governantes do seu partido (e do outro que é igual ao seu partido) esbanjavam rios de dinheiro em parcerias público-privadas, em subvenções estatais completamente ocas e sem qualquer efeito de crescimento para a economia portuguesa mas com largos efeitos de crescimento para a economia daqueles que hoje enriqueceram à custa do estado português?

Será que este Constâncio não foi o mesmo que deveria ter alertado os governos portugueses de António Guterres e Durão Barroso para a necessidade da aplicação em prática de um orçamento de estado que fosse cumprido à risca? Será que este Vitor Constâncio não deveria ter sido aquele que deveria ter estado mais atento à possível hecatombe que o colapso do BPN provocou no sistema financeiro português? Não deveria ser este Vitor Constâncio que deveria ter avisado os referidos governos que a eventualidade de uma crise capitalista global (como a que vivemos) poderia ter uma repercussão estonteante no nosso país em derivado da nossa situação de país atrasado, periférico, e incapaz de conseguir estabilidade ou ganhos nas suas balanças (de pagamentos e comercial)? Não deveria ter sido este Constâncio que deveria ter alertado os referidos governantes sobre os efeitos que um possível colapso da zona euro poderia provocar na nossa realidade?

Quem é este Constâncio?

O falhado Constâncio do Banco de Portugal ou um novo Constâncio que defende os interesses alemães a partir do BCE contra o seu próprio país? 

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O louco viciado na austeridade

É inadmissível que o Primeiro-Ministro tome o papel de supremo carrasco de uma sociedade asfixiada pelas medidas do seu governo.

Pedir aos sufocados portugueses que sejam “menos piegas”, quando todos os dias é uma autêntica batalha pela sobrevivência é de loucos.

Do alto do seu pedestral em São Bento, o louco viciado na austeridade que nos tira a educação, o futuro, a saúde, o dinheiro no bolso, a casa, a comida que vinha para o prato e a roupa no corpo não consegue raciocinar de acordo com estes dados históricos:

Na última década, melhor, nos últimos 15 anos as necessidades líquidas de financiamento externo da economia portuguesa (défice da balança corrente e de capitais) aumentaram de 1996 para 2005 de 1,6% do PIB para 8,1%.

Estes dados, sendo supervisionados pelo Banco de Portugal, foram durante esses anos (governos do Eng. Guterres, de Durão Barroso e no início do mandato do Eng. Sócrates) tratados como irrelevantes. Numa monetária como a zona euro, onde todo o mundo económico e financeiro têm os olhos postos em nós, o significado da balança de pagamentos de Portugal significa que tirando os constrangimentos externos causados pelas fases de preparação que nos foram impostas pela adesão ao euro, que cumprimos ainda no tempo do governo socialista do Eng. Guterres, fizeram supor a ideia que depois da adesão ao euro tudo nos seria permitido uma vez desaparecidos esses constrangimentos perante os nossos parceiros monetários externos.

E foi assim que o país se comportou até ultrapassar a barreira dos 10% de PIB de défice.

Durante os últimos 15 anos, os Portugueses foram incentivados a consumir. Principalmente nos governos do Eng. Guterres. Ah Belle Époque! Casas novas, carros com farturas, TV em cabo, charuto a seguir ao jantar.

Durante os últimos 15 anos, Portugal (quer ao nível das famílias, administração pública e parcerias público-privadas) viveu 10 furos acima do tamanho das suas calças. Viveu acima das suas possibilidades. As famílias endividaram-se, o desemprego aumentou, e ninguém acreditou que uma crise financeira despoletada na América com duas falências de seguradoras, nos iria a meter a pedir trocos ao FMI para pagar despesas imediatas. Ninguém em São Bento se preocupou em executar reformas que não fossem as vindas do exterior. Porque as reformas vindas do exterior foram sempre tidas em conta como melhores que as  dos nossos economistas. Ninguém em São Bento se preocupou em reformar o nosso tecido empresarial, em expandir a inovação, as pequenas, médias e grandes empresas, em incutir novas mentalidades educativas e culturais e novas mentalidades empresariais.

As necessidades de financiamento externo da nossa economia agravaram-se a partir de 2009. Com este agravamento, cresceu o endividamento externo do país, sem que cá dentro se pensassem soluções para reduzir despesa ou para renegociar a dívida. Veio o FMI. Veio a tecnocracia. E o zé povinho passou obrigatoriamente a gastar menos, porque não têm por onde gastar.

Ao nível de balança financeira, Portugal continuou a reflectir a manutenção de um elevado deficit de poupança e investimento. Esse deficit foi financiado por uma redução de activos sobre o exterior de aproximadamente 13% do PIB, verificando-se uma queda nos passivos face ao exterior de cerca de 2% do PIB. Esta nova forma de financiamento, conjugada com as alterações feitas nos fundos de pensões contrasta com a dos anos anteriores e reflecte uma alteração de vulto no papel das instituições financeiras não-monetarizadas no financiamento da balança de pagamentos, sem excluir a intervenção da troika, que dizem os de São Bento ter equilibrado a mesma nos anos 2011 e 2012.

Perante tais factos, o PM deveria ter mais cuidado quando nos apelida de piegas. A competitividade não é algo que se mude a curto prazo quando a nossa balança de pagamentos deu em 2010 e 2011 sinais muito negativos aos mercados. A competitividade não se alcança com desemprego, cortes nas prestações sociais e aumentos. Não se alcança com austeridades. A competitividade alcança-se sim com sinais de euforia económica vinda de São Bento e com optimismos.

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É? Não sabia…

Durão Barroso está bem e recomenda-se. Está vivo, e melhor que nunca.

A Europa é de facto uma potência emergente. Nos calcanhares. Nos 27 países, três receberam a visita e a lei do Fundo Monetário Internacional: um, a contas com um conjunto de factores que vai desde a falta de rigidez na gestão orçamental até ao pûs que sai ao nível de corrupção vinda dos negócios estatais com privados, necessita de aprovar mais medidas de austeridade quase todas as semanas ainda continua KO ano e meio depois do resgate financeiro do FMI. De tão virulento que é, assusta o facto de poder contagiar todos os outros. O outro viveu durante anos acima das suas reais possibilidades, não deu um bom destino a fundos comunitários, não se modernizou, continua com leis de emprego injustas, beneficiou privados, e tem governantes que ocultam buracos nas contas públicas, acabou por receber ajuda e nem depois de uma autêntica terapia de choque neoliberal se sabe se vai endireitar. O outro mais a norte cresceu a uma velocidade louca dentro do espaço europeu durante mais de um década, construiu desmesuradamente e agora sofre o flagelo do desemprego e da miséria social.

Das grandes potências, a maior está em crescimento negativo. A 2ª maior está a zeros. A 3ª maior, teve que desvalorizar imenso a sua moeda (conhecida por ser forte ao nível cambial ao ponto de nunca se desvalorizar) cortar na administração pública e no sistema de saúde e há dois meses atrás enfrentou um tumulto social de 5 dias. As semi-potências do Sul tiveram que aumentar os impostos, encontrando-se neste momento a passar por crises de desemprego que ninguém acreditava há 10 anos atrás.

Sublime também acaba por ser esta frase – ““éramos países europeus, que não estavam unidos” – Será que estão agora? A europa vive das decisões do eixo franco-alemão. O Banco Central Europeu prestou-se rapidamente a comprar dívida espanhola e italiana para que esta não fosse negociada nos mercados secundários a 90% como foi a dívida grega. As regras do jogo e as linhas de actuação dentro da União mudam consoante o país que se apresenta em dificuldade. Dentro da Alemanha, da Holanda, da Finlândia, da Áustria, alguns partidos políticos com assento parlamentar afirmavam que os seus países não deveriam ajudar as economias em bancarrota esquecendo por completo as linhas de cooperação entre os estados que trilharam as comunidades desde o seu acto de criação. Outros especialistas desses mesmos países afirmavam que a melhor solução era mesmo deixar cair a Grécia. De que união falamos? De que potencia emergente falamos? Que competitividade tem a Europa perante países como a China, o Brasil, Angola, Venezuela, México, Rússia, Índia e Turquia?

Estará o presidente da Comissão Europeia a sonhar ou será mesmo que acredita realmente naquilo que diz?

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O yuppie

Créditos: Agostinho Gonçalves

Estão a ver como eles se vendem?

Quem diria, que o primeiro-ministro do pior governo constitucional que há memória era um intenso líder estudantil maoísta (MRPP) na sua juventude e agora é o presidente da Comissão Europeia?

Ainda ontem, me lembrei que daqui a 5 anos deverá ser a vez de Durão Barroso se candidatar à Presidência da República Portuguesa. A Presidência da República é o nicho perfeito para alguns acabarem a sua carreira política. Principalmente para aqueles que falharam enquanto primeiros-ministros. É tudo uma questão de timings.

Quando acabam os seus mandatos enquanto primeiros-ministros andam por aí uns anos até as pessoas esquecerem de vez as suas trapalhadas, voltando posteriormente quando sentirem que tudo aquilo que fizeram de mal ao povo já se encontra no baú da memória. Pelo menos com Cavaco Silva resultou!

Quanto ao vídeo em questão, já na altura Durão Barroso mostrava sinais de uma péssima oratória. Era a luta, a luta, o operariado, o ensino burguês e a arte de não dizer um caralho em muitas palavras. Com o tempo, alguém lhe deve ter dito que o MRPP não o levava a lado e nenhum na política e Barroso tratou de virar a casaca para o lado do partido do tio Balsemão. Como também o fez Santana Lopes, seu grande amigo…

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