Tag Archives: doping

mais três

Rasmussenschleck 2

e… até no Golfe!

Singh

qualquer dia até no Curling.

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Fuentes dixit

Jesus Manzano mandava cocaína e bufou o antigo médico da ONCE por medo que este revelasse que ele era um drogado:

“Manzano me pidió tratamiento, pero consumía cocaína y eso es muy peligroso en el deporte de alta competición. Lo sabía porque su madre me llamó para informarme. El consumo de cocaína puede producir daños cardiovasculares serios, por eso no lo incluí entre mis pacientes”

mas no caso de Manzano, para Fuentes, era tudo uma questão de saúde:

“Si el deportista tenía la sangre muy viscosa, le sacábamos la sangre para evitar ese peligro y la congelábamos. Luego, si el deportista venía con el nivel de hematocrito bajo o con anemia, le devolvíamos esa sangre por una cuestión de salud”.

Tudo por uma questão de comodidade:

“Sobre por qué las bolsas de sangre eran identificadas por apodos y no con nombres propios, Fuentes dijo: “Simplemente por comodidad. Era más corto que poner el nombre y los dos apellidos”, señaló el médico, que es juzgado en España por el delito contra la salud pública. Si es encontrado culpable podría pagar dos años de cárcel.”

e a irmã Yolanda Fuentes, outra das acusadas na Operación Puerto revela:

“”Eufemiano me puso al día de cómo se llevaba un equipo, pero de sus actividades médicas no, siempre me dejó al margen del tema de las extracciones, de las máquinas que usaba… De todo eso me enteré por la prensa”

E o irmão responde que salvava a vida a muitos ciclistas pelo esforço desumano de subir montanhas dia sim dia sim.

Acho que se pusesse estar neste julgamento, comprava um balde de pipocas, sentava-me e estava ali a divertir-me à brava.

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hoje

hoje

fonte: Marca

Recomeça hoje em Espanha o julgamento do médico Eufemiano Fuentes, médico envolvido no maior escândalo de doping até hoje revelado. Fuentes vai começar hoje o seu testemunho.

É de relembrar que entre os clientes de Fuentes não estavam só ciclistas.

A lista famosa de clientes do médico da antiga ONCE e da Kelme incluía:

1. Ciclismo:

– Alberto Contador, Allan Davis, Joseba Beloki, Isidro Nozal, David Bernabéu, David Blanco, Eladio Jimenez, Ruben Plaza e o nosso Sérgio Paulinho (se bem que no exemplo destes 9 a justiça espanhola retirou-os dos ficheiros do processo por falta de provas de ligação com o médico mas alguns destes corredores, como é o caso de Contador já foram suspensos por uma ou mais que uma vez) Unai Osa, Michele Scarponi (dito em espanha como o “gerente\angariador” dos negócios de Fuentes em Itália). 

Alberto Contador, apesar de suspenso por 2 vezes sempre negou conhecer o Dr. Fuentes. A justiça espanhola retirou-o dos processos do caso mas eventualmente poderá inseri-lo novamente, estando essa condição dependente do que disser o médico. Alegadamente, Contador dopava-se segundo as ordens do médico quando estava na Discovery Channel.

– Marcos Serrano, Angel Vicioso, Francisco Mancebo, Constantino Zaballa, Alejandro Valverde (entretanto já suspenso por controlos positivos), Ivan Basso (já suspenso quando estava na Discovery Channel em 2007), Franck Schleck (admitiu em 2007 que transferiu 700 euros para uma conta de Fuentes mas negou qualquer envolvimento com o médico pois não prosseguiu o seu método, algo que ainda está por provar neste julgamento), Santiago Botero, Óscar Sevilla, Jan Ullrich (embora tenha dado positivo em 2006 a um teste feito ao sangue, sempre negou envolvimento com o médico espanhol), Michele Bartoli, Santiago Perez, Roberto Heras e Marco Pantani.

basso

Oscar Sevilla e Jan Ullrich chegaram a ser suspensos preventivamente em 2006 pela sua equipa de então, a T-Mobile.

ullrich

Nota de culpa de Franck Schleck:

Schleck

Apesar de ter dito que pagou a referida verba ao médico espanhol sem nunca ter usado os seus serviços e substâncias, o luxemburguês acusou xypamine, um diúrético muito usado na modalidade para expelir mais rapidamente substâncias dopantes pelo organismo em 2012.

– Tyler Hamilton, o mesmo que denunciou Armstrong na investigação da USADA. Pelo acordo que fez na justiça norte-americana no caso Armstrong, Hamilton não terá quaisquer problemas com a justiça norte-americana. No entanto, as autoridades espanholas investigam as suas ligações a Fuentes. Em causa está a época de 2003, onde o americano supostamente terá usado EPO, esteróides, transfusões de sangue,  hormonas de crescimento e testosterona durante 114 dos 200 dias da sua temporada. Alegadamente, o Norte-Americano contribuiu com 43 mil euros para o médico espanhol nesse ano. Nesse mesmo ano Hamilton fez 3º no Tour com uma prova “heróica”: caiu na primeira etapa,  fracturou a clavícula e ainda conseguiu o 4º lugar na geral, resistindo o mais que pode na alta-montanha a Armstrong e Ullrich.

– O antigo director desportivo da ONCE Manolo Saiz,
– O antigo director desportivo Vicente Belda.

Futebol:

O antigo ciclista da Kelme Jesus Manzano denunciou às autoridades espanholas que o Dr. Fuentes fazia visitas esporádicas aos balneários do Real Madrid e do Barcelona. O antigo presidente da FIFA Sepp Blatter chegou a dizer que estava na posse de documentos que o comprovavam. Nenhum dos rumores e testemunhos foi dado como provado até hoje. Em 2011, o Jornal Francês Le Monde também acusou a equipa catalã de promover uma rede de dopagem dentro das suas portas com a ajuda e monitorização técnica de Fuentes. A justiça espanhola não deu nenhuma das acusações do diário francês como provadas e o Barcelona pediu uma indeminização de 15 mil euros e um pedido de retratamento público do jornal.

Atletismo:

Ligações claras entre Fuentes e atletas olímpicos espanhóis desta modalidade.

Ténis:

Rafa Nadal também foi acusado de envolvimento neste escândalo. Recentemente, o seu colega de profissão Christopher Rochus acusou o espanhol e o sueco Roger Soderling do uso de substâncias dopantes.

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é tudo ilusão das nossas cabeças

“Frankie Andreu, Michael Barry, Tom Danielson, Tyler Hamilton, George Hincapie, Floyd Landis, Levi Leipheimer, Stephen Swart, Christian Vande Velde, Jonathan Vaughters e David Zabriskie são os ciclistas que colaboraram com a USADA e denunciaram o esquema de dopagem de Lance Armstrong e da equipa US Postal.”

in Diário de Notícias

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ainda ninguém se interrogou

como é que Alberto Contador não conseguiu retirar um único segundinho a Purito Rodriguez nas etapas de alta montanha da Vuelta e, numa misera 2ª categoria posterior a um dia de descanso onde não foi controlado pelos agentes anti-dopagem da UCI (como não foi controlado Valverde, ciclista que também fez uma etapa bruta e que nas etapas de alta montanha parecia incapaz de ganhar tempo a Contador e Rodriguez) consegue atacar com um enorme poder e assim ganhar a Vuelta ao seu compatriota da Katusha?

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notas e memórias

Lembro-me perfeitamente desta etapa como se fosse hoje.

Lance Armstrong e Joseba Beloki estavam isolados a um grupo que compunha Mayo, Hamilton, Ulrich, Azevedo e mais uns quantos. Joseba Beloki, apesar de ser um excelente trepador, tinha medo de descer.

Beloki e Ulrich estavam em grande forma e ameaçavam o reinado  de Armstrong.

Armstrong viu Beloki a cair com gravidade e nem sequer parou para ver se o colega de profissão estava vivo. Beloki foi imediatamente transportado para um hospital da região, tendo sido operado 3 vezes numa semana a múltiplas fracturas. O então ciclista da Once tinha 30 anos e era sem dúvida o melhor trepador de então em conjunto com Iban Mayo da Euskatel. Foi precisamente o basco que parou a bicicleta para se acercar que o antigo colega de equipa na Euskatel em 98 e 99 estava vivo.

Para Armstrong não interessavam valores de camaradagem. O pelotão tinha-lhe respeito. Sempre que Armstrong parava para urinar, para comer ou para ser assistido por um carro médico, pelotão e fugitivos se os houvessem abrandavam a marcha até que o Norte-Americano entrasse no pelotão. Mas Armstrong não tinha qualquer respeito pelo pelotão.

Prova disso foi o tour de 2003. Não só no episódio Beloki. Etapas depois deste incidente, nos Alpes, Armstrong teve uma queda quando atacava numa contagem de montanha a finalizar a etapa. Mayo e Ulrich, apercebendo-se da queda do camisola amarela, continuaram a correr mas negociaram (contra a vontade do espanhol e a pedido do alemão; relembre-se que Ulrich seria o maior beneficiado desta queda) parar para esperar pela reentrada no grupo do norte-americano. Este viria a reentrar, sendo as imagens esclarecedoras do que fez a seguir à sua reentrada.

Em 2003, Ullrich haveria de perder o Tour com uma queda no contra-relógio final, num contra-relógio disputado num dia chuvoso onde o alemão evaporava o minuto e cinquenta que o separava do americano nos quase 60 km que ligavam Pornic a Nantes. Era o dia anterior a Paris.

Será isto possível sem doping? Na altura a resposta já me soava como não.

Não é possível. Estamos a falar do Mont Ventoux, subida de cerca de 22 km de comprimento a uma pendente média de 7,43% durante toda a subida e com vários locais onde as rampas ascendem aos 14%. Estamos a falar de uma subida onde Merckx venceu duas vezes, uma das quais, tendo que receber oxigénio no final da etapa por intermédio de uma mascara depois de desmaiar. Falamos de uma subida onde o britânico Tom Simpson morreu em 1967 devido ao consumo de anfetaminas com álcool, estamos a falar de uma subida que chega aos 1911 metros de altitude e onde o ar mais rarefeito impede os ciclistas de ter um rendimento metabólico regular.

Como podemos ver no vídeo, Armstrong atacou e segundo os dados da época, fez 115 pedaladas completas ao carreto por minuto, algo que nem Hinault, Merckx ou Indurein tinham alguma vez feito na mesma ascenção.

Pelo meio Armstrong apanha Pantani. Marco Pantani era o melhor trepador da altura. Pantari foi (para mim) o melhor trepador de sempre. A história no ciclismo de Pantani acabou com o suicídio do italiano, cansado de sucessivas investigações e processos judiciais que pendiam sobre falsas acusações de doping que nunca se chegaram a provar. Pantani foi inúmeras vezes castigado e a sua carreira foi estragada por completo. Pantani entrou em sucessivas depressões e em sucessivos programas de reabilitação derivado ao seu consumo de cocaína. Acabou por se suicidar, algo previsível na altura.

Quando no outro lado,

Armstrong fazia 135 pedaladas por minuto em Plateau de Beille, num ritmo que nem o melhor trepador da sua equipa (Roberto Heras) aguentava:

Doping? Não tenho dúvidas. É certo que a luta que Armstrong travou contra o cancro fortaleceu-lhe o espírito de sofrimento e a capacidade de resistência à dor. É certo que a quimioterapia deu-lhe a possibilidade de ter a fisionomia ideal para ser um excelente trepador. Mas como é que se explica o facto de Armstrong, mesmo apesar das suas características, ser também um excelente contra-relogista quando a maioria dos grandes trepadores perdem imenso tempo no contra-relógio? Como é que Ullrich e Santiago Botero, os melhores contrarelogistas da altura, perdiam para o Americano na sua especialidade?

Armstrong sabe que não tem a mínima hipotese de provar a sua inocência neste caso visto que todas as provas o incriminam. A casa de Granada, os métodos utilizados, os sucessivos controlos positivos de Floyd Llandis e as declarações deste, as declarações de Vinokourov, de Hincapie, de Tyler Hamilton, Rubiera, Beltrán, Zubeldia acerca dos conteúdos apreendidos na casa que servia de base aos treinos de preparação para o tour do americano.

Todavia, este escandalo não me serve de contentamento. Foram 7 anos a desejar que alguém vencesse Armstrong, dopado ou não. Acreditei em Pantani, em Mayo, em Ullrich, em Virenque, Jalabert, Beloki, Hamilton, Menchov e em muitos outros. Só queria mesmo que alguém se superiorizasse ao americano e à US Postal. Esta verdade desportiva tardia sabe a muito pouco.

 

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Já vi desculpas piores

A edição do tour, como não poderia deixar de ser, já ficou manchado por casos relacionados com o doping.

Nos dois dias de descanso, dois controlos surpresa por parte de técnicos especializados da UCI (federação internacional de ciclismo) colectaram duas recolhas muito suspeitas: no primeiro dia de descanso a Remy Di Gregório da Cofidis e no 2º ao luxemburguês Franck Schleck, líder da Radioschack-Nissan que ocupava o 12º lugar na geral.

Schleck acusou uma substância proibida chamada Xipamine, um diurético, que no mundo do ciclismo poderá servir para disfarçar ou esconder uma outra designada por EPO (cera de 3ª geração), substância que serve para aumentar o rendimento do ciclista através da aceleração do seu metabolismo.

Schleck poderia continuar em prova, de acordo com a organização do Tour. O Luxemburguês acabou por sair da prova pelo seu pé, afirmando que foi “envenenado” – a desculpa do costume. A desculpa do Luxemburguês foi claramente pior que a desculpa mais esfarrapada que alguma vez ouvi num caso de doping, caso da desculpa de Fernando Couto, que, aquando de um controlo positivo a nandrolona em 2000 quando estava ao serviço da Lazio afirmou que a substância vinha do uso de um “shampoo”.

Schleck já pediu uma contra-análise à UCI e arrisca-se (em novo controlo positivo) a uma suspensão que vai até aos 2 anos.

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Memórias do Tour (Marco Pantani)

Na foto, Pantani segue na cola de Lance Armstrong. Esta foto pertence ao Tour de 2000 se não estou em erro.

Marco Pantani já nos deixou fazem 7 anos. O “Pirata” (cognome pelo qual era conhecido na alta roda do ciclismo devido ao facto de ser careca, dos piercings na orelha e do seu estilo de corrida agressivo na montanha onde Pantani atacava sem dó nem piedade) deixa-nos saudade e um legado rico em vitórias. Foi talvez o melhor trepador que vi correr, em conjunto com Indurain, Armstrong, Heras, Mayo e José Maria Jimenez. 

Venceu o Tour em 1998 perante Jan Ullrich. O meu amigo, antigo vizinho e antigo colega de equipa Luis Coelho (na altura a pessoa com quem eu via estas vibrantes etapas de montanha do Tour) relembrou-me de dois episódios marcantes dessa vitória no Tour: o dia em que Ullrich ficou a pé perante um ataque demolidor do Italiano e perdeu 8 minutos e o contra-relógio final em que o Alemão conseguiu reduzir a desvantagem em 6 minutos mas não chegou para destronar o Italiano às portas de Paris.

Quando falo do estilo de corrida agressivo do já falecido ciclista, falo obviamente daqueles ataques tresloucados em que pura e simplesmente Pantani descolava dos grupos principais sem querer obedecer a qualquer regra estratégica dos seus directores de corrida ou sem ter a mínima noção de gestão de esforço. Atacava, ia por lá a cima como um leão e era crente na vitória. Tal falta crassa de estratégia na sua corrida, tornava-o perigoso para os grandes ciclistas de provas por etapas, mesmo tomando em consideração o facto de ser um péssimo contra-relogista. No entanto, na montanha, era capaz de sugar minutos em meia dúzia de quilómetros a toda a concorrência.

Pantani fazia-o sozinho. Nos seus tempos áureos, a Mercatone Uno (uma equipa bastante modesta na qual Pantani correu nos anos 90) não tinha recursos suficientes para contratar bons “aguadeiros” (há quem utilize o termo gregários; designa a categoria de ciclista que tem como função trabalhar para os seus chefes-de-fila) para preparar o caminho para o trepador Italiano.

Surgindo no Tour e no Giro em 1994 com 1,72m e 57 kg (altura e peso ideal para um grande trepador) destacou-se logo pela vitória no mítico Alpe D´Huez, subida onde Agostinho também venceu em 1979 e cuja placa comemorativa da sua vitória se pode ver na curva onde atacou. Nesse mesmo ano fez 2º no Giro e 3º no Tour.

Em 1997, após duas quedas que colocaram em risco a sua carreira voltou a disputar o Tour, perdendo para Ullrich nos contra-relógios. Seria a única vitória do Alemão e o primeiro 3º lugar do Italiano que no ano seguinte viria a dar a paga ao ciclista da então reputada Deutsche Telekom. Depois de 1998, vieram os escândalos de doping. Pantani foi apanhado nas malhas do doping no Giro de 1999 (EPO) e jamais viria a voltar à ribalta.

Viria a ser internado em 2003 numa clínica de reabilitação por sucessivas depressões e acabaria por morrer de forma trágica em 2004 num quarto de hotel em rimini, vítima de paragem cardíaca por overdose de cocaína, abalando o mundo do ciclismo nesse ano.

Ao todo Pantani somou 1 vitória no Giro e outra no Tour, um 2º lugar no Giro, 2 3ºs no Tour, 10 vitórias em etapas de média e alta montanha no Tour e 8 vitórias em etapas no Giro (4 viriam a ser anuladas após a sua morte). Conseguiu também um brilhante 3º lugar na prova individual de estrada nos campeonatos do mundo de ciclismo em 1995. Também venceu o prémio da juventude do Tour em 1994 e 1995 e o Prémio da Montanha do Giro em 1998.

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