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Deturpação linguística?

” Twittar, Googlar, ebook, biocombustivel, parentalidade, audiolivro” entre outros 6 mil termos do “brasileirismo” e das culturas lusófonas como “lanchonete, café-da-manhã, brabeza ou morabeza, canimambo e palmeira-de-andim” são hoje palavras que fazem parte do Grande Dicionário da Língua Portuguesa. Aquele dicionário que venderá em toda a lusofonia, excepto no seio do povo que originou a língua Portuguesa.

Como se não bastasse o facto de nos obrigarem a escrever como os Brasileiros, ainda temos que dar de caras nos dicionários com termos que nunca disseram respeito à língua Portuguesa, como os termos vindos por exemplo do Crioulo Cabo-Verdiano que ainda não tem a sua escrita totalmente padronizada.

Quanto aos neologismos inseridos no Grande Dicionário, estes não passam de termos inventados pelas novas gerações, graças à evolução da World Wide Web e das novas invenções ao nível científico. Muito embora estes termos já sejam utilizados com alguma frequência nas conversas entre as pessoas das novas gerações, creio que no fim de contas, a Língua Portuguesa (como a conhecemos) sai completamente “enrabada” da situação.

Um povo teve a inteligência de criar uma língua que perdura durante séculos. Actualmente, esse povo parece estar completamente submetido “à linguagem utilizada” por aqueles que outrora foram educados segundo o nosso padrão linguístico.

O Novo Acordo Ortográfico – Uma ainda se tolera. Considero-me livre de escrever em Português da maneira que melhor sei, da maneira pela qual fui ensinado. Agora duas (inserção de novos neologismos bacocos) é algo ridículo que cada vez mais me cria surpresa…

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Digam que estou louco

Por favor digam-me que estou louco e que o anúncio publicitário que vi na televisão foi fruto de alucinações na minha cabeça.

Hoje estava a ver televisão e não é que há uma certa marca de refrigerantes (cujo nome não me interessa aqui publicitar) que criou uma petição online para reinvindicar a inserção de um termo completamente estupido no dicionário da Língua Portuguesa? Já não bastava o facto de termos que levar com o Novo Acordo Ortográfico?
A mesma marca (cuja equipa de Marketing só pode ser composta por um bando de iluminados) foi mais longe na verborreia intelectual e oferece um dicionário da Língua Portuguesa na compra de um pack de 6 sumos.

Os argumentos do referido movimento podem ser vistos aqui.

Depois de ler toda a teia argumentativa utilizada pelos criadores da petição online acima referida, só me apetece rir. Como é possível que um bando de dementes ponham em causa uma coisa tão séria como é a Língua de um país?

Gosto principalmente desta linha “Trata-se, de facto, de uma palavra que se impôs no léxico da nova geração e cujo significado já está enraizado na cultura popular portuguesa.”

Será que estes senhores tem a noção do que estão a dizer? Que eu tenha reparado, desde que saiu o primeiro anúncio com a inserção da palavra em causa, nunca ouvi ninguém utilizar o termo. Estes senhores não têm a mínima noção que uma nova palavra demora anos, talvez décadas a ficar completamente enraizada na cultura linguística Portuguesa. Lembro-me por exemplo de certas expressões no calão como “porra, bué, pila” que utilizadas há décadas pelo povo Português, só há poucos anos tiveram a sua incorporação no dicionário por parte da Academia de Ciências de Lisboa, que espero para bem da preservação da língua Portuguesa que não viabilize as loucuras de gente atrasada. Porque para referir esse termo, já existe a palavra “mudaste”. Chega perfeitamente para expressar a ideia. Sem recurso a estratégias comerciais de marca A, B, C ou D.

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