Tag Archives: Desporto Olímpico

De Londres #26 – dos inacreditáveis e eternos campeões

Nos 100, nos 200, nas estafetas, futuramente nos 400 e nas esfetas de 4×400, o salto em comprimento e talvez o triplo-salto. De Bolt poderemos esperar tudo.

Bolt não é deste mundo. Ouros com recorde olímpico nos 100. Bateu Blake nos 200 contrariando todos os prognósticos. Já nos 100, bater homens como Gatlin ou Asafa Powell (teve uma despedida triste dos jogos com uma caibrã na final dos 100) não está ao alcance de todos.

Provou ser o melhor velocista de sempre. Compará-lo com Carl Lewis ainda é prematuro pois ainda não vimos o Jamaicano no salto. Estou seguro que veremos num futuro próximo.

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De Londres #25 – dos inacreditáveis e eternos campeões

O lado psicológico de Michael Phelps:

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De Londrs #24 – das belas fotografias olímpicas

Nikishori (Japan) – fotografia de Mark Blintch para a Reuters.

400 metros barreiras pela máquina de Max Rossi\Reuters

Shin A. Lam da Coreia do Sul chora a derrota na sua prova de esgrima – fotografia de Fabrizio Bensch para a Reuters.

Jules Bresset ganha o ouro olímpico para a França na prova feminina de cross-country. Fotografia de Cathal McNaughton para a Reuters.

Alexander Kristoff da Noruega vence o sprint pela medalha de bronze na prova masculina de ciclismo de estrada. Foto do site da União Ciclistica Internacional\Protour

Emanuel Silva e Fernando Pimenta mordem a medalha de prata como se ouro se tratasse. A Alegria dos heróicos portugueses. Foto de Kim Young para a Reuters.

O Britânico Ben Ainslee na Vela.

Jéssica Augusto – Fotografia de Eddie Keogh para a reuters.

Turquia vs Croácia em basquetebol feminino – Mike Segar – Reuters.

Fortunato Pacavira de Angola na prova de C1 1000 metros – Jim Young para a Reuters.

Dinamarca vs Coreia do Sul – Torneio masculino de andebol – Reuters

A espantosa Gabrielle Douglas dos EUA, novo mito da história da Ginástica – Brian Snyder para a Reuters.

O mais frágil dos irmãos Brownlee vence o Triatlo Olímpico depois de uma luta intensa com o seu irmão Jonathan e com o espanhol Jordi Gomez.

O mítico Chris Hoy no ciclismo de pista.

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De Londres #23 – dos portugueses

Ouvi hoje o chefe da missão olímpica Mário Santos fazer o balanço da participação dos Portugueses nos jogos olímpicos ontem encerrados e alinhar baterias para o início da próxima missão olímpica.

Há alguns dias atrás, ouvi o presidente do Comité Olímpico Português Vicente de Moura fazer vários statements que vão na mesma onda do que ontem foi dito por Mário Santos.

Santos reclama mais apoio, reclama uma mudança na programação da próxima missão olímpica e afirma que “alguns atletas voltam sem saber as regras do jogo” – é certo que esta última frase indica um mau-estar que se sentiu na aldeia olímpica londrina entre a comitiva portuguesa e indicia obviamente uma boca declarada para alguns atletas como Carolina Borges.

Já o presidente do Comité Olímpico afirmou que vai falar com o Governo para que juntos, a tutela e o organismo que preside (ad-eternum, diga-se) possam dialogar com vista a uma mudança de paradigma nos apoios que a tutela dá ao desporto português.

O que é que será preciso para que Portugal comece a ter rendimento desporto internacional de topo?

Depois do balanço da comezinha participação portuguesa em Londres, salva do grau de catástrofe por 2 guerreiros na canoagem, existe vários aspectos que devem ser realçados.

Desportivamente, existiram alguns atletas in e outros out:

Dos in, destaco Emanuel Silva e Fernando Pimenta (em particular) e a delegação da canoagem em geral no topo de pirâmide da participação lusa nos Jogos.
Heróis. Fernando Pimenta, Emanuel Silva, Teresa Portela, Beatriz Gomes, Joana Vasconcelos e Helena Rodrigues. Cada tiro cada melro. Uma medalha espectacular que por poucos centésimos não deu em ouro olímpico e várias finais. Temos que ter em pano de fundo o contexto da evolução da canoagem em Portugal.

A Federação Portuguesa de Canoagem tinha em 2010 2270 atletas federados, espalhados por vários clubes do norte para o sul, números equiparáveis a um número mais ou menos idêntico em 1996. Apesar de ser uma estável federação, há 20 anos atrás quem dissesse que um canoísta português conseguiria atingir uma medalha em 1992 seria acusado de louco. Lentamente todo este cenário viria a mudar. No inicio de século, a federação que um dia viu-lhe ser retirada o regime jurídico de instituição de utilidade pública (regime que só lhe seria devolvido em 2004 depois de um 7º lugar de Emanuel Silva nos Jogos de Atenas em k1) avançou-se para a construção de infra-estruturas que permitissem criar uma fábrica de campeões. Falo do centro de alto rendimento de Montemor-o-Velho no Mondego e para a contratação de um técnico de elite, o polaco Ryzhard Hoppe. Os títulos começaram a chegar lentamente: Emanuel Silva nos juniores e seniores, uma final olímpica, títulos e medalhas mundiais por intermédio de Emanuel, Fernando, Teresa Portela, Beatriz Gomes e Joana Vasconcelos nos mundiais séniores e sub-23. Estou certo que a canoagem portuguesa não ficará por aqui ao nível de evolução visto que as bases do sucesso para o futuro estão construídas.

A minha segunda nota positiva continua na água. A dupla Fraga\Mendes quase fez história no Remo. Sem apoios nem ajudas, esta dupla teve inclusive que mudar de clube do Sport Club do Porto para o Sporting para poder competir a alto-nível. Da final B de Pequim saltaram para um honroso 5º lugar em Atenas. Devidamente apoiados poderão saltar do 5º lugar de Londres para uma medalha olímpica daqui a 4 anos.

A terceira nota positiva vai para o Ténis de Mesa portugues. Marcos Freitas foi longe no torneio individual e por equipas, conjuntamente com João Pedro Monteiro e Tiago Apolónia, protagonizou outro dos momentos altos da participação nacional em Londres ao bater o pé nos quartos-de-final à selecção Sul-Coreana (2ª no ranking mundial, medalha de bronze em Pequim e medalha de Prata nos jogos) e colocando um pavilhão inteiro onde só se ouvia a palavra Portugal. Os três portugueses deram o que puderam e o que não puderam contra asiáticos, todos eles bem melhor colocados no ranking mundial (o melhor português é Marcos Freitas; ocupa a 24ª posição do ranking mundial) – estes três atletas, pela sua juventude, também poderão evoluir muito para os Jogos de 2016.
No ténis de mesa podemos constatar como a partida dos nossos melhores atletas para o estrangeiro trouxe mudanças significativas na sua evolução. Marcos Freitas tem 23 anos e joga num clube da 1ª divisão francesa (Pontoise Cergy) depois de 5 anos a representar um clube Alemão e galgou 7 posições no ranking mundial com a participação olímpica, sendo um dos melhores europeus nesse mesmo ranking). Tiago Apolónia e João Pedro Monteiro jogam na Bundesliga Alemã e já ganharam títulos pelos seus clubes.

A quarta nota positiva vai para o triatleta João Silva. Um honroso 9º lugar numa prova difícil para a qual o Português não se preparou devidamente, fruto de várias lesões que teve nos últimos 2 anos. Com uma preparação séria poderá lutar por mais daqui a 4 anos.

A quinta nota positiva vai para o Badminton Português. Telma Santos conquistou para a modalidade a primeira vitória portuguesa em 20 anos de participação. É mais uma modalidade que carece de apoios e que acima de tudo carece de clubes onde os atletas que começam principalmente no desporto escolar possam dar seguimento ao trabalho de iniciação que é feito nas escolas. Nos masculinos, Pedro Martins foi eliminado por um dinamarquês, 5º do ranking mundial mas fez um jogo bastante agradável.

A sexta nota positiva vai para a Vela. As duplas de 49er e 470 fizeram uma participação bastante interessante, discutindo os lugares do pódio em várias regatas e chegando à respectiva medal race onde não puderam competir pelas medalhas devido ao facto da prova ser por pontos e de nem a vitória na medal race garantir possibilidades aos portugueses de alcançar as medalhas. Creio que este sistema olímpico está mal formulado. Não pelas regras classificativas mas pelo formato da medal race. Deveria efectivamente fazer-se uma qualificatória para a medal race no regime vigente mas a medal race deveria ser aberta aos 10 melhores da qualificatória não importando para tal os pontos acumulados.

A última nota positiva vai para a Equitação e Hipismo. Gonçalo Carvalho e o cavalo lusitano mostraram o que de melhor se faz em Portugal na modalidade. O atleta mostrou um discurso humilde e sempre afirmou que não estava em Londres para lutar pelas medalhas mas sim para aprender, ganhar experiência e mostrar o lindo cavalo de raça portuguesa ao mundo. Já a luso-brasileira Luciana Diniz também se exibiu ao mais alto nível com o seu cavalo Lenox no concurso de saltos. Teve azar na última prova. No entanto as duas finais também demonstram que é necessário investir mais na modalidade num país com recursos (o cavalo lusitano é uma das mais prestigiadas raças do mundo) para se fazer mais e melhor nas grandes competições mundiais.

Completamente out:

Telma Monteiro – a desilusão de alguém que era a nossa principal favorita a uma medalha. Para uma atleta tão experiente, é inexplicável o facto de ter caído logo na primeira ronda contra uma atleta menos cotada no ranking mundial e cuja atleta lusa já tinha vencido todos os combates em que tinha lutado contra a atleta norte-americana. Os grandes campeões vêem-se nos Jogos. Os grandes campeões são aqueles que não vacilam no momento da decisão. Telma vacilou no primeiro combate e acabou fora de um lugar de prestigio. Que lhe sirva de lição para o futuro.

João Pina – idem. Apesar de não ser candidato às medalhas, esperava-se que fosse pelo menos até ao combate de repiscagem para as meias-finais.

Atletismo – a pior participação de sempre. É certo que os três últimos medalhados não participaram por lesão. Nélson Évora cumpriu um autêntico marasmo no seu ciclo olímpico enquanto campeão de Pequim. Várias lesões impediram o atleta do Benfica de competir ao mais alto nível. Naide Gomes foi mais um exemplo de lesões. Rui Silva tentou mudar de variante e saltou dos 1500 metros para os 10 mil e dos 10 mil para a maratona. O atleta do Sporting não se deu bem com as mudanças e não viajou para Londres.

Das participações portuguesas no atletismo, a maratona foi satisfatória. O 7º lugar de Jéssica Augusto na prova máxima do evento feminino abre boas sensações para o futuro. Jéssica cumpriu a sua primeira grande maratona e ainda é algo inexperiente na prova. Daqui a 4 anos poderá fazer muito mais. O mesmo acontece com Ana Dulce Félix. Fugiu do favoritismo das africanas nos 10 mil metros onde se sagrou campeã europeia recentemente e cumpriu a sua primeira maratona da carreira em Londres. Não tenho dúvidas em afirmar que a vimaranense tem a fibra suficiente para daqui a 4 anos lutar pelas medalhas com as africanas.

Marco Fortes, o da “caminha”, voltou a desiludir, falhando a final do lançamento do peso num ano onde estava a demonstrar uma excelente forma e bons resultados em meetings internacionais.

Natação – Nenhum atleta passou da primeira fase ou constituiu recordes nacionais. Uma lástima. Com tantos clubes de natação, tantos praticantes e tantas piscinas em Portugal são incompreensíveis os resultados dos portugueses. Creio que a melhor solução para a modalidade passa realmente pela formação de parcerias com grandes universidades norte-americanas para que atletas portugueses possam conseguir scolarships para estudar e treinar nos EUA e assim evoluírem entre os melhores.

Sobre Vicente de Moura:

Vicente de Moura interrogou o que era preciso fazer para que o desporto português começasse a resultados nos Jogos tendo em conta aquilo que tem sido feito pelas missões olímpicas nas últimas edições do jogo. Parece-me bastante simples que a primeira acção que se deve fazer para que o desporto português comece a “arrumar-se” é a demissão do próprio Vicente de Moura. Está mais que visto que o presidente do COP está gasto no lugar. Necessita-se portanto de uma evolução no COP e da entrada de novas ideias para o desporto português.

Sobre Carolina Borges:

Tudo envolto em polémica. A troca de acusações nos últimos dias foi imensa e não estou aqui para julgar quem tem razão ou não no celeuma. Ambas as partes agiram de forma amadora. A comitiva autorizou que a velejadora dormisse fora da aldeia de Weymouth e a velejadora errou no acto de comunicação à missão que não ia para a água. Numa missão séria, Carolina Borges teria que ficar na aldeia olímpica visto que esta existe para que os atletas lá pernoitem. Uma missão que não consegue controlar o paradeiro de uma atleta é uma missão que trabalhou de forma amadora quando os jogos obrigam-na a trabalhar no top do profissionalismo.

Infra-estruturas, condições de treino, bolsas olímpicas, projecto olímpico e investimento no desporto:

É cada vez mais notório que o desporto português passa por gravissimas deficiências.

É importante que os portugueses tenham a noção disto e não tentem cobrar em demasia a sua ansia de vitórias neste tipo de eventos a atletas que fazem o que podem com o pouco que tem e com o pouco que tem em relação a adversários que tem muito mais condições para poder evoluir.

Em algumas modalidades parece-me difícil que Portugal se faça representar nos Jogos. Falo do basquetebol, do andebol, do voleibol, do hoquei em campo, do tiro ao arco, do halterofilismo e do ténis. Por quezílias abertas nas federações num passado recente (andebol; voleibol), pela evolução do basquetebol estar a ser gradual mas insuficiente para colocar a nossa selecção nas grandes provas internacionais (só recentemente é que pusemos a nossa selecção a participar num Eurobasket) e pela inexistência de clubes\infra-estruturas no nosso país, outras como o hóquei em campo e o halterofilismo acabam por ser modalidades com poucos praticantes em Portugal. No Ténis, apesar do Jamor possuir um complexo desportivo interessante, não existe qualificação abundante ao nível de treinadores e os atletas portugueses raramente conseguem arranjar condições financeiras que lhes permitam

Noutras modalidades, o investimento em infra-estruturas é claramente insuficiente. No atletismo, na vela, no Remo, no Triatlo. Necessita-se portanto de se criar nessas modalidades aquilo que por exemplo foi criado na canoagem com a construção do centro de alto rendimento e com a contratação de profissionais estrangeiros ou nacionais que possam monitorizar e dar experiência à formação de atletas. O exemplo espanhol, aqui bem ao lado do nosso país, é o exemplo mais concreto de um país que se reforçou ao nível de infra-estruturas de topo e conseguiu lentamente colocar quase todas as modalidades existentes no país nos píncaros do desporto mundial. Basta só observar a quantidade de títulos europeus que a espanha ganhou desde o futebol, passando pelo basquetebol, andebol, futsal e hoquei até aos grandes resultados das nadadoras espanholas nos jogos olímpicos e da selecção espanhola de hóquei em campo.

Noutras modalidades, existe carência de clubes. O exemplo do Badminton é o mais paradigmático.

Certos atletas privam-se de muita coisa nas suas vidas para tentar melhorar a sua condição. Mas no entanto, até a própria formulação do projecto olímpico não é feita de acordo com critérios adequados. As bolsas olímpicas são escassas e não são pagas a horas. Tendo em conta exemplos de outros países onde os atletas são profissionais com as bolsas e condições que os governos e organismos lhes dão para focar a sua actividade no desporto de alto rendimento, em Portugal, o atleta que falhe no projecto olímpico poderá não receber nem mais um cêntimo no novo ciclo. Obviamente que desistirá. Além do mais, o projecto olímpico acompanha na maior parte atletas que já estão consolidados na sua posição nacional e internacional quando realmente deveria começar em atletas em formação, para que estes pudessem começar a competir lá fora desde cedo para ganhar experiência internacional.

O investimento no desporto em Portugal é nulo. Aliás, vivemos num país onde a tutela da saúde e do desporto apresentam inclusive várias carências na criação de políticas que incentivem à prática de desporto entre a população. Não podemos exigir mais dos nossos atletas. Desportos como o Hipismo, como o ténis ou a vela estão vedados a 95% da população por serem desportos que exigem forte investimento em equipamentos, alugueres de barcos\espaços, despesas altíssimas ao nível de manutenção de equipamentos e ao nível de participação em competições nacionais e internacionais.

Estou em crer que se for feito um esforço piramidal de construção de infra-estruturas, sediação de clubes, sediação de competições regulares, apoios aos atletas promissores com cabeça tronco e membros e contratação de profissionais experientes ao nível de metodologia de treino para competição, poderemos ter mais e melhor desporto em Portugal. Os resultados aparecerão com o tempo. Basta olhar para o exemplo espanhol.

Quando assim o é, qualquer participação portuguesa a alto nível está condenada à mediocridade…

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De Londres #21 – brasileiradas

Romário afirmou que Mano Menezes é um péssimo seleccionador nacional porque não sabe fazer convocatórias.

Eu afirmo que “errar é o mano”.

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De Londres #20 – O ouro olímpico para o novo Dream Team

Como se esperava. O novo dream-team americano arrebatou o ouro, de forma fácil e como se esperava.

Deron Williams, LeBron James, Anthony Davis, Andre Iguodala, Carmelo Anthony, Chris Paul, Kevin Love, Kobe Bryant, James Harden, Kevin Durant, Tyson Chandler e Russell Westbrook são os nomes que Londres irá recordar para a eternidade. Nomes que a nada devem ao nível de talento na modalidade ao Dream Team original de 1992, equipa que continha elementos como Michael Jordan, Magic Johnson, Scottie Pippen, Dennis Rodman, Larry Bird ou Charles Barkley.

No entanto, muitos outros jogadores poderiam pertencer a esta equipa. Alguns não viajaram para Londres por lesão: Derrick Rose, Dwayne Wade, Blake Griffin e Dwight Howard. Outros como Paul Pierce, Rajon Rondo, Joe Johnson, Andrew Bynum, Greg Munroe ou Carlos Boozer também poderiam ter sido opções na selecção norte-americana.

Em Londres, um passeio.

Os Norte-Americanos não vacilaram. Dos 156-73 à Nigéria veio um recorde olímpico ao nível de pontuação de uma equipa num jogo olímpico. França, Austrália, Lituânia (a selecção que melhor se portou contra a Norte-Americana, perdendo apenas por 5 pontos) Tunísia, Argentina e Espanha sucumbiram perante o maior potencial dos fundadores da modalidade. Na final de hoje, apesar da Espanha ter jogado dois furos acima do que tinha jogado na fase de grupos (onde em 5 jogos perdeu dois frente a Russia e Brasil, classificando-se no 3º posto; onde sentiu imensas dificuldades para bater uma medíocre anfitriã Britânica apenas por 1 ponto) e nos quartos-de-final\meias frente a França e Rússia, os Americanos acabaram por fazer uma 2ª parte mais consistente. Porém, deve ser dado mérito aos Espanhois pela 1ª parte que fizeram, pelo portentoso jogo interior que tiveram (a partir de Ibaka e dos irmãos Gasol) um pouco ao contrário dos jogos contra Rússia e França (o seu jogo interior foi bem controlado por estas selecções) e pelas fantásticas exibições de Rudy Fernandez e Juan Carlos Navarro, sendo este último um jogo que acho incompreensível como é que só conseguiu aguentar dois anos ao mais alto nível na NBA.

Foi um torneio olímpico com muita qualidade. Desde os Estados Unidos até à fraca Tunísia. O resultado final pareceu-me normal: EUA com o Ouro, Espanha com a prata, Rússia com o bronze. Argentina e França também mereciam as medalhas. Os Argentinos fizeram tudo o que estava ao seu alcance para travar os russos no Bronze. Ginobili e Scola exibiram-se a bom nível. A França de Parker, Batum e Turiaf caiu nos quartos-de-final contra uma Espanha mais forte na parte final da partida. No final da partida também se podem lamentar do extravasar da tristeza de Nicolas Batum, quando agrediu Navarro com um murro na barriga, gesto que deverá ser alvo de punição para o atleta por parte da FIBA. Os Russos, liderados por alguns jogadores recheados ao nível de experiência passada na liga norte-americana (Khryapa, Mozgov, Kirilenko) e por outros que fazem maravilhas na europa (Fridzon) acabaram por ser uma selecção que me cativou muito e que promete dar luta aos americanos no futuro (a rússia foi a única selecção de topo que pelo sorteio não defrontou os EUA).

Por outras paragens podemos constatar que a modalidade terá um futuro mais equilibrado. A Grã-Bretanha montou uma equipa para os jogos. Recrutou dois atletas interessantes na NBA que não nasceram em solo inglês: o Sudanês Luol Deng e o Jamaicano Ben Gordon. Ambos “passaram” por Inglaterra: Deng tinha passaporte britânico quando fugiu do conflito somali rumo aos EUA. Gordon é filho de uma inglesa Tunísia e Nigéria foram bons representantes do continente africano, continente que está a exportar bons talentos para a europa e para as universidades americanas. O Brasil quedou-se pelos quartos-de-final, saboreando uma vitória contra a Espanha na fase de grupos. A Argentina, apesar da experiência acumulada das suas principais vedetas nos campeonatos americanos, espanhol e italiano (Ginobili, Scola, Nocioni) poderá passar por alguns problemas de renovação na sua equipa. A China foi um interessante participante em representação do continente asiático. No entanto, o basket chinês poderá desaparecer de cena nos próximos anos visto que não tem aparecido grandes talentos desde Yao Ming e Yi Jianlian.

Para os próximos olímpicos estou seguro que outras selecções irão aparecer. Israel e Irão terão boas selecções no futuro, a primeira comandada por Omri Cassipi. Na velha europa, outras também começam a despontar como o caso da Dinamarca, Irlanda e Ucrânia. Grécia, Itália, Croácia e Sérvia, pelo passado glorioso que ostentam também deverão ser candidatas a um regresso aos jogos olímpicos.

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De Londres #19 – provavelmente o melhor jogador de andebol da minha geração

William Accambray, lateral-esquerdo do Montpellier.

Suécia vs França em directo na RTP 1. Tem sido uma delícia para mim ver este torneio olímpico do qual escreverei mais tarde.

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De Londres #17

E quem diria há 3 semanas atrás que o modesto México sub-23 contrariou o Ouro “no papo” da Selecção A Brasileira?

 

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De Londres #15

O “sargento” do badminton mundial.

Por falar em sargentos, ocorre-me dizer algumas considerações no que toca à relação entre o desporto e o exército em países como a Rússia, China, Cuba ou Sérvia.

Maior parte dos atletas olímpicos destes países pertencem aos seus exércitos. Não são soldados comuns. São soldados patenteados cuja missão é treinar em rígidas (ao nível de mentalidade) e bem equipadas academias militares. Esta é a estratégia que estes países encontram ao nível do investimento no desporto e das sinergias de alto rendimento desportivo. Pelos vistos dá resultado. A disciplina combinada com o devido apoio logístico e financeiro dos órgãos que tutelam o desporto nesses países e com infra-estruturas de qualidade estão a dar os seus resultados.

Até o que foi feito pela Espanha na década de 90 (investimento em quadros técnicos qualificados e infra-estruturas para a prática desportiva de alto nível) tem feito colher os seus frutos por parte do país de nuestros hermanos, que a meio dos Jogos, já leva 2 medalhas de prata e 1 de bronze, estando mais na calha na canoagem, no basquetebol e no andebol.

Enquanto o atleta Português (por exemplo) entra em acção pressionado pelo facto de ter feito um bom trabalho de preparação nos últimos 4 anos mas receoso de falhar na prova derivado do facto do projecto olímpico português ser talhado em vários escalões consoante o rendimento dos atletas nas grandes provas internacionais (por exemplo, um atleta que falhe nos olímpicos poderá sair fora do projecto olímpico para os próximos jogos e assim não ter boas condições de treino e possibilidade de competir ao mais alto nível nos anos vindouros; outros que não atinjam x posição nos jogos correm o risco de ver a sua bolsa diminuída, numa conjectura onde muitos dos nossos atletas dependem da bolsa que recebem do COP para pagar as contas lá de casa e terem dinheiro para competir no estrangeiro), o atleta dos países que citei na 2ª frase deste post, cientes que serão apoiado pelo seu país em caso de fracasso, entram muito mais relaxados na prova e conseguem excelentes resultados.

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De Londres #14

O Dream Team arrasa tudo o que agarra:

A Nigéria provou recorde olímpico ao nível de pontos sofridos. Carmelo Anthony, LeBron James e Anthony Davis passearam a altíssimo nível. O homem dos Knicks fez 37 pontos em apenas 14 minutos de utilização. Não é que a Nigéria tenha jogado mal. Para uma equipa da sua dimensão portou-se bastante bem. Não havia era nada a fazer contra aquela força desigual.

A outra selecção do grupo (Tunísia) também haveria de ser esmagada por 110-63.

A própria França, calejada com vedetas da como Joakim Noah, Tony Parker ou Nicolas Batum foi impotente na 1ª jornada do grupo A do Torneio Olímpico.

A Lituânia conseguiu hoje quebrar o furacão Norte-Americano, perdendo por apenas 5 pontos (94-99). Amanhã, os Norte-Americanos tem o seu teste de fogo frente à Argentina de Ginobili.

Ainda no Grupo A:

1. A França venceu a Argentina por 71-64 e a Lituânia por 82-74 mas sentiu dificuldades perante a Tunísia, vencendo a equipa africana por apenas 4 pontos de diferença. (73-69). Os Franceses e Argentinos estão apurados. À Lituânia bastará um empate contra a Tunísia ou até a derrota caso a Nigéria não vença a França.

No Grupo B:

1. Percurso interessante da Rússia. Venceu a Grã-Bretanha e a China com grande folga, o Brasil (2º no grupo) por 1 ponto e a Espanha por 3, num jogo em que o seleccionador russo fez uma marcação apertada aos irmãos Gasol (anulando por completo o forte jogo interior dos espanhóis) e em que jogadores como Viktor Krhyapa (já alinhou nos Bulls) ou Timofey Mozgov (jogadores que tem alguma experiência de NBA pois já lá actuaram nas épocas passadas) estiveram de mão quente no ataque russo.

2. A Espanha de Scariollo está a sentir muitas dificuldades em impor o seu jogo nestes Jogos. A derrota contra a Rússia e as magras vitórias sobre Austrália (82-70) e Grã-Bretanha (79-78) não tem dado bons sinais para a fase final. O jogo de amanhã contra o Brasil será fulcral para os espanhóis perceberem se estão à altura da final contra os Norte-Americanos ou não.

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De Londres #13 – das alegrias britânicas

Mo Farah nos 10 mil metros masculinos, numa prova fantástica!

Bradley Wiggins amenizou no contra-relógio a perda britânica na prova de estrada, aproveitou o balanço ganho nos contra-relógios do Tour e venceu naturalmente a prova de Londres. O nosso “Nélson Oliveira” ficou em 18º e apesar da tenra idade, estou certo que poderá fazer muito melhor no Rio em 2016.

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De Londres #12

Telma Santos. A primeira vitória do Badminton Português em Jogos Olímpicos. Num jogo dominado por asiásticos, a Portugal venceu uma partida contra uma atleta do sri-lanka.

Num jogo onde o posicionamento, o jogo de pés e o equilíbrio mental são características determinantes, Portugal ainda tem muito para evoluir. Não vejo como, pela falta de clubes e pela falta de apoio aos grandes talentos que surgem no nosso país, maior parte deles vindo do excelente trabalho que é feito no desporto escolar, onde eu por exemplo me sagrei campeão distrital por altura do secundário.

 

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De Londres #11 – Foram enormes

Não necessita de comentários adicionais. E mesmo assim, fica atravessada na garganta aquela falsa partida criminosa dos Britânicos, cientes do facto que a dupla dinamarquesa estava mais forte e que um acto desse género poderiam causar distúrbios anímicos aos adversários.

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De Londres #9

Foram heróis, tanto na competição individual como na prova por equipas. A missão de bater a Coreia do Sul (2ª melhor mundial e medalha de bronze em 2008) não era fácil, mas Tiago Apolónia, João Pedro Monteiro e Marcos Freitas bateram-se taco-a-taco até ao último ponto e tiveram bem perto o sonho de se qualificarem para o top-4 do ténis de mesa mundial.

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De Londres #7

A Holandesa Marianne Vos deu a primeira medalha de ouro ao país das Tulipas nestas Olimpíadas. Na prova de estrada de ciclismo feminina, Vos fugiu do pelotão a 40 km da meta em conjunto com a Britânica Elizabeth Armitstead (medalha de prata) e a russa Olga Zabelinskaya (bronze). Vos de 25 anos, também irá competir na pista na próxima semana. Na estrada, para além de diversos títulos nacionais de estrada, ja venceu diversas etapas do Giro de Itália feminino e já foi por uma vez campeã do mundo de estrada da UCI.

Eis um resumo da prova no Diário Espanhol Marca.

Duelo intenso de porta-estandartes na 1ª jornada do torneio de basquetebol. A Espanha bateu a China por 97-81. O Porta-estandarte Pau Gasol apontou 21 pontos para o lado espanhol. O congolês naturalizado espanhol Serge Ibaka também esteve a altíssim nível com 17 pontos. Do outro lado, o porta-estandarte Chinês Yi Jianlian (Dallas Mavericks) fez 30 pontos.

Noutro prisma, outra das notícias do dia é ausência da Britânica Paula Radcliff na prova da maratona, prova marcada para dia 12. A Britânica que nos habituou aquele estilo estranho de corrida (abana a cabeça enquanto corre) perde mais uma oportunidade (talvez a última) para conquistar diante dos seus compatriotas a medalha de ouro. Radcliff já tinha desistido na prova de Pequim em 2008 devido a problemas físicos.

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De Londres #6

O novo Dream Team iniciou o torneio de basquetebol com uma vitória sobre a França por 98-71. Deron Williams e Kevin Durant marcaram 22 pontos cada.

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