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Francesco Gavazzi vence na Vuelta

Depois da vitória de Froome em Peña Cabarga que aproximou (em 7 segundos) o ciclista da Sky da liderança de Cobo (2º em Peña Cabarga) hoje foi a vez de Francesco Gavazzi vencer na Vuelta (italiano da Lampre que esteve em destaque na Volta a Portugal com algumas vitórias em etapas) culminando em grande estilo uma fuga de vários ciclistas entre os quais novamente o Português Sérgio Paulinho, tendo sido novamente infeliz nos quilómetros finais da tirada.

A etapa entre Solaris e Noja tinha algumas dificuldades a meio do percurso, entre as quais uma contagem de 1ª categoria. Desde cedo, um grupo de fugitivos de 8 elementos com homens como Gavazzi, Paulinho, Joaquin Rodriguez, Gustov e Matteo Montaguti  (entre outros) trilhou o seu caminho sem grande oposição por parte do pelotão até à chegada, onde o italiano da Lampre foi mais forte.

No pelotão, o duo da frente da corrida chegou ao mesmo tempo. Mesmo com 13 segundos de atraso, Christopher Froome acredita que será possível roubar a camisola a Juan Cobo antes da etapa de consagração em Madrid. Resta-lhe portanto jogar amanhã ou no sábado.

Classificação Geral:

1º Juan José Cobo (EspanhaGeox)
2º Christopher Froome (Team SkyGrã-Bretanha) a 13s
3º Bradley Wiggins (Grã-BretanhaTeam Sky) a 1.41m
4º Bauke Mollema (HolandaRabobank) a 2,05m
5º Denis Menchov (RussiaGeox) a 3.48m
6º Maxime Monfort (BélgicaLeopard) a 4.13m
7º Vincenzo Nibali (ItáliaLiquigás) a 4.31m
8º Jurgen Van der Broeck (BélgicaOmega-Pharma Lotto) a 4.45m
9º Daniel Moreno (KatushaEspanha) a 5.20m
10º Mikel Nieve (EuskatelEspanha) a 5.33m

Nas outras camisolas:

– Com a fuga de hoje, Joaquin Rodriguez atingiu o seu objectivo e recuperou a camisola verde depois de a ter perdido ontem para Mollema. 8 pontos nos sprints especiais e 8 pontos na chegada valem com que “Purito” lidere a classificação com 106 pontos contra os 101 do Holandês. Juan Cobo tem 92. Iremos decerto assistir a uma enorme luta pelos sprints bonificados até ao final da prova entre estes dois ciclistas.

– Na montanha, Monteo Montaguti fez um assalto final à camisola de David Moncoutie. O italiano da AG2R andou na fuga com o propósito de pontuar na montanha que se foi ultrapassando no decorrer da etapa. Montaguti marcou 13 pontos. Moncoutie lidera com 63 com os 56 do italiano e os 42 de Cobo. Desengane-se quem pensa que esta luta está fechada. Amanhã e sábado ainda existem montanhas para ultrapassar e estes dois ciclistas irão fazer marcação cerrada entre si, sendo expectável que saiam em fuga.

– No prémio combinado, Cobo é 1º, Froome 2º e Mollema 3º.

– Por equipas, a Geox já assegurou praticamente a vitória. Tem 10 minutos de avanço para a Leopard e quase 18 para a Euskatel.

Em relação à etapa de amanhã (Noja-Bilbao):
– Etapa com grau médio de dificuldade com uma parte final onde até podem ser trilhadas diferenças. Começa com 2 contagens de 3ªa categoria e acaba com 2 de 2ª categoria, sendo que a última termina precisamente a 14km da meta. Será portanto um bom dia para Froome tentar o assalto à 1ª posição da prova assim como Mollema irá querer contrariar o actual 3º lugar de Wiggins.
Tem 2 sprints bonificados pelo meio.

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Cobo vence no Anglirú

parte 1

parte 2

Juan José Cobo deu show no Alto do Anglirú. Na etapa raínha da Vuelta deste ano, o homem da Geox deu um salto triunfal para a vitória na prova, roubando a camisola vermelha a Wiggins durante a subida final.

A história da etapa começa na subida anterior ao Anglirú. No alto do Cordal, regista-se logo a primeira baixa entre o top-10 da prova. O Sueco Kessiakoff da Astana ficou muito cedo em dificuldades e hipotecou a sua hipótese de chegar ao top-10. No Cordal saíram alguns ciclistas. Quase todos atrasados em relação ao líder Wiggins. Sastre e Moncoutie foram os homens mais importantes a sair. Moncoutie saiu com o proposito de reforçar a sua liderança no prémio da montanha.

Depois da descida para o Anglirú, foi a Liquigás de Vincenzo Nibali a pegar na corrida com uma aceleração protagonizada por Peter Sagan. O ciclista Italiano estava com ideias de atacar na subida e recuperar o tempo perdido na etapa de ontem, tempo que Nibali justificou por um erro pessoal na alimentação durante a parte final da etapa.

A 12 km do fim, na entrada oficial da subida do Anglirú, o grupo restrito de homens começa a perder as primeiras unidades. Chris Sorensen foi o primeiro a ceder terreno. Jurgen Van der Broeck da Omega-Pharma Lotto também ameaçava cair do grupo principal. No entanto, o experiente belga manteve-se entre os primeiros e acabou por fazer uma etapa interessante.

Sastre continuava com os seus ataques. Na altura, pensei que o veterano estaria interessado em vencer no alto do Anglirú. Tal ataque não seria mais do que uma tentativa de desgaste da Liquigás, pois o seu colega de equipa Juan José Cobo iria atacar de seguida. Denis Menchov da Geox também se encontrava num grupo onde Tiago Machado não era por mim identificado. Maxime Monfort era outra das ausências no grupo de Wiggins. O Belga fez no entanto uma excelente corrida pois conseguiu entrar nos primeiros da etapa. Já Wiggins ia bem acompanhado pelo seu gregário Christopher Froome. 1º e 2º da geral eram rodeados por homens como Cobo e Joaquin Rodriguez.

Quando se pensava que era altura do homem da Katusha lançar o seu ataque, começam os ataques decisivos desta etapa. Sastre ia lá na frente. Juan Manuel Garate da Rabobank saiu com o propósito de abrir caminho para um possível ataque de Bauke Mollema. Igor Antón saiu com o propósito de dar a vitória na etapa à Euskatel e Cobo saiu posteriormente com a vontade decidida de vencer a etapa e chegar à liderança da prova. Em poucos quilómetros, quando a etapa já ditava uma rampa de subida na ordem dos 20%, Cobo acabou por ficar sozinho a ganhar tempo a todos os outros concorrentes. Sastre, Garate e Antón seria ultrapassados pelo homem da Geox. Pelo meio, o Irlandês Daniel Martin da Garmin tambem iria tentar a sua sorte.

Com o ataque de Cobo, o grupo Wiggins acabou por ficar muito reduzido. Com ele seguiram Christopher Froome, Joaquin Rodriguez, Denis Menchov, Walter Poels da Vacansoleil e Vincenzo Nibali. O Italiano haveria de ser o primeiro a ceder. Mollema o 2º. Rodriguez iria ceder a cerca de 5 km da meta. Quem estava ligeiramente mais atrás do grupo Wiggins era Van der Broeck.

Com os olhos na vitória e uma cadência incrível, seria Juan José Cobo a vencer a etapa e a chegar à liderança. Cobo amealhou 48 segundos para Christopher Froome, que nos últimos quilómetros teve ordens para deixar Wiggins sozinho e avançar para perder o mínimo tempo possível para o ciclista espanhol da Geox, para Walter Poels e para Denis Menchov. Este último entrou no top-10, mas já não luta pela vitória na prova. Será o grande braço direito de Cobo para a defesa da vermelha na próxima quarta-feira, altura em que o pelotão ultrapassa a última grande dificuldade de montanha desta Vuelta.

A estes tempos somamos a bonificação de 20 segundos ganha por Cobo.

A 1,21 chegaram Wiggins e Antón. A 1,35m Rodriguez com Mollema, Monfort e Sergey Lagutin, ciclista Uzebeque da Vacansoleil.

Daniel Martin da Garmin perdeu 1,41m. Jurgen Van der Broeck chegou em 14º a 2.17m, tempo que lhe permite entrar no top-10. Seguiu-se a chegada de Vincenzo Nibali com 2.37 de atraso – o italiano pode estar fora da luta pelo pódio. 5 segundos depois chegou Jakob Fulsang.

Chris Sorensen chegou com 3,32 de atraso e disse adeus ao top-10. Sastre perdeu quase 4 minutos. Tiago Machado chegou na 27ª posição com quase 5 minutos e meio de atraso, sendo o primeiro Radioshack a entrar. A radioshack perdeu hoje hipóteses de chegar à liderança colectiva.

Haimar Zubeldia e Janez Brajkovic perderam 9.40. Até à hora deste post, a organização ainda não tinha actualizado as perdas de Kessiakoff.

Na classificação geral, as coisas ficaram assim ordenadas:

1º Juan José Cobo (EspanhaGeox)
2º Christopher Froome (Grã-BretanhaTeam Sky) a 20s
3º Bradley Wiggins (Grã-BretanhaTeam Sky) a 48s
4º Bauke Mollema (HolandaRabobank) a 1.46s
5º Maxime Monfort (BélgicaLeopard-Trek) a 2.37m
6º Denis Menchov (RússiaGeok) a 3.01m
7º Jakob Fulsang (DinamarcaLeopard-Trek) a 3.06m
8º Vincenzo Nibali (ItáliaLiquigás) a 3.27m
9º Jurgen Van der Broeck (BélgicaOmega-Pharma Lotto) a 3.58m
10º Walter Poels (HolandaVacansoleil) a 4.07m
11º Daniel Moreno (EspanhaKatusha) a 4.32m
13º Joaquin Rodriguez (EspanhaKatusha) a 5.17m
15º Chris Sorensen (DinamarcaSaxo Bank) a 6.08m
16º Daniel Martin (IrlandaGarmin) a 6.42m
20º Nicolas Roche (IrlandaAG2R) a 9.16m
21º Carlos Sastre (EspanhaGeox) a 10.07m
22º Janez Brajkovic (EslovéniaRadioshack) a 14.47m
26º Frederik Kessiakoff (SuéciaAstana) a 22.33m
28º Sylvain Chavanel (FrançaQuickstep) a 26.51m
29º Tiago Machado (PortugalRadioshack) a 28.56m

Juan José Cobo tem uma magra vantagem. Terá que se defender nas próximas etapas e se possível ganhar mais tempo para a dupla da Sky. Froome e Wiggins terão que fazer pela vida na próxima quarta-feira para poderem ousar chegar á vitória na prova. Caso contrário, só apenas um milagre nas etapas planas poderá garantir aos ciclistas britânicos a vitória na prova.

Bauke Mollema não é uma carta descartada para a vitória na geral, mas a vida do Holandês está muito difícil. Terá que fazer uma etapa fenomenal na quarta. O Holandês irá querer chegar ao pódio, tomando partido ora de Froome ora de Wiggins.

Com os olhos postos no pódio também estarão Denis Menchov (irá acompanhar Cobo na etapa de montanha e poderá subir mais na geral) e Maxime Monfort. Nibali e Fulsang serão homens que perderão mais tempo até Madrid e pelo meu prisma não tenho dúvidas ao excluí-los da possibilidade de atingirem o pódio final.

Jurgen Van der Broeck, Walter Poels, Daniel Moreno e Joaquin Rodriguez irão lutar pelo top-10. Poels é o único ciclista em que acredito não só manter-se nos 10 primeiros como até poder subir alguns lugares na classificação.

A radioshack deu novamente provas da péssima época que está a fazer. Brajkovic, Zubeldia e até Tiago Machado já andam fora do top-20. A instabilidade quanto ao futuro abala a equipa fundada por Lance Armstrong. Prova disso são as possíveis saídas de alguns ciclistas, entre os quais Paulinho, Zubeldia e Kloden.

Nas outras camisolas:

– Na verde, Rodriguez lidera com 90 pontos contra os 85 de Mollema, os 75 de Peter Sagan e os 71 de Walter Poels. A luta pela camisola está em aberto. Rodriguez não irá querer ficar fora do pódio final. Mollema, Sagan e Poels terão o mesmo intuito que o ciclista espanhol.

– Na montanha, Moncoutie marcou alguns pontos no Cordal e reforçou a sua liderança. Tem 60 pontos e vê o italiano Mattia Montaguti com 38, Daniel Moreno e Cobo com 32. Se nada de excepcional acontecer, o Francês da Cofidis irá levar a montanha para casa.

– No prémio combinado, Cobo é o novo líder. Mollema é 2º e Daniel Moreno o 3º.

– Por equipas, a Geox assegurou praticamente a vitória colectiva. Tem 6,49m de avanço para a Leopard e 25 minutos para a Euskatel.

Amanhã teremos o 2º dia de descanso.

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E Paulinho esteve tão perto

Depois do dia de descanso, a etapa 11 (com final em alto) prometia bastante. Os 167 km que ligavam Verin a Estación de Montaña Manzaneda prometiam mais uma vez a luta pela camisola vermelha, cuja pertença mudou no final da etapa entre ciclistas da Team Sky: Christophe Froome não aguentou a etapa e cedeu a camisola ao seu chefe-de-fila Braddley Wiggins.

A etapa em si foi protagonizada por uma fuga precoce de ciclistas mal-classificados na geral mas de enorme qualidade, onde um dos animadores chamou-se Sérgio Paulinho. O Português andou muito bem até que na súbida final parafraseando-o numa entrevista concedida ao Jornal Record acabou por “pagar o esforço”.

Como companheiros de fuga, Paulinho teve entre outros David Moncoutie, Luis León-Sanchez, Matteo Montaguti e Amets Txurruca. Como podereis ver nas imagens, foi o francês da Cofidis o vencedor da etapa, tendo deixado para trás toda a concorrência. Paulinho terminou na 5ª posição a quase 2 minutos.

Na luta dos homens da frente quem ganhou mais tempo para a geral foi Joaquin Rodriguez. Recuperado do desaire pessoal sofrido no contra-relógio, o espanhol da Katusha conseguiu ganhar 7 segundos a Wiggins, Cobo, Mollema, Kessiakoff, Nibali, Jurgen Van der Broeck e Haimar Zubeldia. Vantagem escassa a meu ver até para voltar ao top-10.

Janez Brajkovic continua a confirmar a época para esquecer. Ontem, perdeu 23 segundos para Rodriguez e 16 para o grupo do camisola vermelha. O esloveno arrisca-se a sair do top-10. Não foi o único a perder tempo. O Dinamarquês Jakob Fulsang perdeu 34 segundos para Rodriguez e 27 para o grupo Wiggins, terminando num grupo atrasado com o belga Maxime Monfort, Marzio Bruzeghin, Christopher Froome, Denis Menchov, Carlos Sastre, Michele Scarponi.

O Português Tiago Machado também baqueou nas suas intenções de assaltar o top-10 da prova, tendo perdido 1,05m para Rodriguez e 58 segundos para o grupo principal. O objectivo do top-10 estará muito mais difícil daqui em diante.

No entanto, a extrema competitividade da prova pode fazer com que tudo se altere a qualquer momento. Note-se a classificação geral até ao 14º que é Joaquin Rodriguez Oliver.

Classificação Geral após a 11ª etapa:

1º Braddley Wiggins (Grã-BretanhaTeam Sky)
2º Christopher Froome (Grã-BretanhaTeam Sky) a 7s
3º Vincenzo Nibali (ItáliaLiquigás) a 11s
4º Frederik Kessiakoff (SuéciaAstana) a 14s
5º Jakob Fulsang (DinamarcaLeopard-Trek) a 19s
6º Bauke Mollema (HolandaRabobank) a 47s
7º Maxime Monfort (BélgicaLeopard-Trek) a 1.06m
8º Juan José Cobo (EspanhaGeok) a 1.27m
9º Haimar Zubeldia (EspanhaRadioshack) a 1.53m
10º Janez Brajkovic (EslovéniaRadioshack) a 2.00m
11º Jurgen Van der Broeck (BélgicaOmega-Pharma Lotto) a 2.01m
12º Marzio Bruseghin (MovistarItália) a 2.22m
13º Denis Menchov (RússiaGeox) a 2.42m
14º Joaquin Rodriguez Oliver (EspanhaKatusha) a 2.56m
19º Tiago Machado (PortugalRadioshack) a 4.06m

Nas outras classificações:

– Joaquin Rodriguez Oliver reforçou a liderança nos pontos. Tem 81 pontos contra os 62 de Mollema e aumentou a vantagem em 6 pontos em virtude da sua classificação na etapa.

– Em virtude de ter entrado na fuga, o italiano da AG2R Matteo Montaguti marcou pontos para a montanha mas só lidera por 1 ponto. David Moncoutie tem 32 pontos contra os 33 do Italiano. Daniel Martin continua com 25 e Daniel Moreno com 20.

– Bauke Mollema continua a liderar na camisola do prémio combinado. Daniel Moreno é 2º e Joaquin Rodriguez 3º.

– Por equipas, a entrada de Paulinho na fuga e a sua classificação final permitiram à Radioshack voltar à liderança e gozar alguma vantagem para a Rabobank e Leopard-Trek. A diferença é de 2.08m para a equipa holandesa e de 2.23m para a equipa luxemburguesa.

A etapa de amanhã ligará Ponteareas a Pontevedra, sendo a etapa de descanso entre as montanhas galegas. Tem 2 contagens de 3ª categoria de fácil superação a meio da etapa e dois sprints especiais. Será uma etapa talhada para as fortes pontas finais de homens como Peter Sagan, Alessandro Petacchi, Luis León-Sanchez (caso decida entrar numa fuga) Pablo Lastras, Carlos Barredo, Sebastian Lang, Greg Van Avermaet, Tom Boonen, Stuart O´Grady ou Heinrich Haussler.

Por curiosidade só vi agora que alguns dos ciclistas que deram cartasforam desilusão do Tour deste ano estão na Vuelta, mas com um rendimento de descompressão. São os casos de Rein Taaramae da Cofidis (112º) Andreas Kloden (130º) e Kevin De Weert (138º). Deverá ser uma estratégia clara de treino em alta competição tendo em vista os mundiais de estrada da UCI.

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Quem és tu Christophe Froome?

É a interrogação que é feita por meio mundo ligado ciclismo.

O “semi-desconhecido” Christopher Froome da Team Sky (digo semi-desconhecido visto que na sua página da wikipédia diz que nasceu no Quénia, viveu na África do Sul mas tem nacionalidade Britânica e aos 27 anos a vitória mais importante que alcançou foi numa etapa da Volta ao Japão) lidera a Vuelta quando estão cumpridas 10 das 20 etapas. Hoje foi dia de descanso.

Froome surpreendeu todo o mundo do ciclismo ontem ao ser o único homem no contra-relógio em Salamanca a perder menos de 1 minuto (59 segundos precisamente) para o veloz Tony Martin da HTC. Outros contra-relogistas de classe como o seu companheiro de equipa Braddley Wiggins (perdeu 1.22m) Fabian Cancellara (1.27m) ou Janez Brajkovic (1.57) acabaram por perder mais tempo.

No contra-relógio, os Portugueses surpreenderam. Tiago Machado foi 7º a 1.37m de Martin, tempo que lhe garante para já o 16º lugar a 3.28m de Froome e a escasso minuto e quinze segundos do 10º classificado da prova, o seu companheiro de equipa Haimar Zubeldia.

O jovem bairradino Nélson Oliveira foi 12º no contra-relógio, confirmando as credenciais que o apontam como um dos melhores contra-relogistas do futuro do ciclismo mundial. Perdeu 2 minutos e 19 segundos para Martin.

Na geral individual, é este o panorama à 10ª etapa:

1º Christopher Froome (Grã-BretanhaTeam Sky)
2º Jakob Fulsang (DinamarcaTeam Leopard) a 12 s
3º Braddley Wiggins (Grã-BretanhaTeam Sky) a 20s
4º Vincenzo Nibali (ItáliaLiquigás) a 31s
5º Frederik Kessiakoff (SuéciaAstana) a 34s
6º Maxime Monfort (BélgicaLeopard-Trek) a 59s
7º Bauke Mollema (HolandaRabobank) a 1.07m
8º Juan José Cobo (EspanhaGeox) a 1.47m
9º Janez Brajkovic (EslovéniaRadioshack) a 2.04m
10º Haimar Zubeldia (EspanhaRadioshack) a 2.13m
11º Marzio Bruzeghin (ItáliaMovistar) a 2.15m
12º Jurgen Van der Broeck (BélgicaOmega Pharma-Lotto) a 2.21m
13º Denis Menchov (RússiaGeox) a 2.35m
14º Joaquin Rodriguez Oliver (EspanhaKatusha) a 3.23m
16º Tiago Machado (PortugalRadioshack) a 3.38m
17º Nicolas Roche (IrlandaAG2R) a 3.47m
19º Daniel Moreno (EspanhaKatusha) a 3.59m
22º Michele Scarponi (ItáliaLampre) a 4.22m
28º Carlos Sastre (EspanhaGeox) a 6.48m
33º Luis Léon-Sanchez (EspanhaRabobank) a 10.10m
34º David Moncoutie (FrançaCofidis) a 10.28m
36º Sylvain Chavanel (FrançaQuickstep) a 10.51m
39º Vladimir Karpets (RússiaKatusha) a 14.37m

Froome, Fulsang e Kessiakoff são para mim as grandes surpresas do top-10. Estão a fazer uma excelente Vuelta e pelo que tenho visto, os dois últimos arriscam-se a lutar pelo pódio. Já o actual líder da prova é um homem “semi-desconhecido” cujo potencial ninguém conhece muito bem – veremos se conseguirá aguentar o peso da camisola, a exigência e dureza da prova e a concorrência ou se este resultado foi fruto do acaso.

Maxime Monfort – Estará em grande condição de forma? Se estiver, é um sério candidato à vitória.

Bauke Mollema – Não é à toa que ocupa o 7º lugar da classificação. Na razia que acabou por constituir o Tour para a equipa da Rabobank, foi Mollema o único corredor da equipa a dar nas vistas. É um homem que se sente bem na média montanha e defende-se de forma razoável no contra-relógio. Já envergou a camisola vermelha e o minuto e sete segundos que o separa da liderança não é uma barreira intransponível.

Janez Brajkovic continua por perto. Tem andado algo escondido. No entanto, creio que até Joaquin Rodriguez que é 15º (já venceu nesta Vuelta e já envergou a camisola vermelha) tudo é possível.

Carlos Sastre – Devia mudar o nome para Carlos (De)Sastre. Depois da vitória no Tour e das sucessivas mudanças de equipa, não acerta uma para a caixa. Qualquer dia, anda por aí a correr em estradas portuguesas.

Luis-León Sanchez – Alguém não se apercebe que o espanhol não é corredor para as grandes voltas e que colocá-lo nas grandes voltas mesmo que seja para ganhar etapas é desperdício?

David Moncoutie e Sylvain Chavanel – Mais do mesmo; prometem muito e cumprem pouco. Ainda bem que os franceses tem uma geração melhor a despontar.

Vladimir Karpets – Horrível. Há 10 anos atrás era este o grande talento do ciclismo mundial. Uma carreira que não é mais do que um tiro ao lado.

Nas outras classificações:

– Fruto das vitórias que obteve em duas etapas, Joaquin Rodriguez Oliver da Katusha tem a camisola verde dos pontos. Lidera com 74 pontos contra os 62 pontos de Bauke Mollema e os 50 do Eslovaco Peter Sagan da HTC. Estamos perante uma classificação estranha onde o primeiro sprinter puro é o espanhol Pablo Lastras da Movistar na 6ª posição com 48 pontos.

– A camisola da montanha é pertença do Irlandês Daniel Martin da Garmin com 25 pontos. Lidera contra os 23 do italiano Matteo Montaguti AG2R com 23 pontos e os 20 de Daniel Moreno da Katusha. As grandes etapas de montanha ainda estão para vir.

– A camisola do Prémio Combinado pertence a Bauke Mollema da Rabobank.  O 2º é Joaquin Rodriguez e o 3º Daniel Moreno.

– Por equipas lidera a Leopard-Trek. Roubou a liderança à Radioshack após o contra-relógio. A equipa dos portugueses Tiago Machado, Nélson Oliveira e Sérgio Paulinho está a 7 segundos. A 2.07 está a Rabobank.

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Vuelta

Não tenho postado mas tenho mantido alguma atenção nas primeiras etapas da prova. Vamos na 6ª etapa.

Nibali, Chavanel, Sagan, Sastre, Joaquin Rodriguez Oliver, Daniel Moreno, Jakob Fulsang, Maxime Monfort, Jurgen Van der Broeck, Marzio Bruzeghin, Michele Scarponi, Haimar Zubeldia, Braddley Wiggins, Nicolas Roche, Tiago Machado, Carlos Sastre, David Moncoutie, Dennis Menchov, Christophe Le Mevel, Bauke Mollema, Luis Leon-Sanchez, Janez Brajkovic – uma 2ª linha do ciclismo mundial bastante interessante, excepto os casos de Sastre, Nibali, Chavanel, Zubeldia, Wiggins e Leon-Sanchez, que são atletas de 1ª linha das grandes provas.

Uns aparecem na Vuelta depois de azares no Tour, cass de Wiggins, Van der Broeck e Brajkovic.

Outros aparecem na Vuelta depois de terem andado desaparecidos no Tour, casos de Chavanel, Fulsang, Monfort, Zubeldia, Roche, Moncoutie, Mollema e Leon-Sanchez.

Outros aparecem na Vuelta depois de lhes terem negado a participação no Tour, casos de Sastre e Tiago Machado. Aproveitando o facto de ter mencionado o Português, este está a portar-se bastante bem e para já está na 23ª posição da geral a 1,43m de Chavanel, mostrando-se bastante em forma. É possível um lugar pelo menos no top-20 caso se mostre em estar perto do seu chefe-de-fila (Janez Brajkovic) nas etapas de montanha. O que acredito desde já serem os planos da Team Radioshack para o Português. 

Nelson Oliveira é o outro português em prova, também ele a correr pela Radioshack. O atleta da Anadia está muito atrasado na classificação com mais de 50 minutos para o líder. Não se pode pedir muito a quem aos 23 anos está a realizar a sua primeira grande volta da carreira. Nelson Oliveira correu quase toda a época pela equipa de estagiários sub-23 da Radioshack.

Outros aparecem mesmo para ganhar: Nibali, Joaquin Rodriguez e Daniel Moreno.

Chavanel está neste momento na liderança. É o novo Jalabert. No Tour, nicles de forma. Apareceu esporadicamente nas etapas de montanha, sempre em fugas, tentando pescar qualquer coisa. Na Vuelta, aparece com outro ânimo. Muito à semelhança daquilo que Jaja fazia.

Ainda a procissão vai no adro. Até ao 36º (Le Mevel) a diferença até Chavanel é de 3 minutos. Já passamos uma das dificuldades (Sierra Nevada-Baza) é certo. Faltam ainda etapas duríssimas como a 9 (Sierra de BejanLa Covatilla) a 10 (contra-relógio em Salamanca), a 11 (chegada a Estacion de Montaña Manzaneda) e a 15 (o terrível Anglirú)

Para já, tivemos o abandono de Matthew Goss e consequentemente de Cavendish. O Britânico ficou sem o seu lançador de sprints, o que comprova a minha teoria de que a Sky terá que mudar os seus estatutos na próxima época na próxima época: Cavendish não irá sem o australiano para a equipa cujos estatutos só permitem contratar ciclistas nascido na Grã-Bretanha. A HTC-Highroad despede-se das grandes provas por etapas com um amargo dissabor. A equipa extingue-se em Dezembro.

Estão os dados lançados.

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Cavendish e Evans vencem em Paris

E assim terminou a edição deste ano da Grand Boucle. Nos campos elísios em Paris, Mark Cavendish somou a sua 5ª vitória em etapas na edição deste ano e Cadel Evans da BMC logrou sagrar-se o primeiro australiano a vencer a maior prova da época ciclista internacional, obrigando a primeiro-ministro Australiano Julia Gilliard a cumprir o que tinha prometido ontem: conceder feriado nacional no dia 23 de Julho de todos os anos aos cidadãos Australianos pelo feito nacional do seu compatriota em França.

No dia da consagração dos dois atletas, os nossos portugueses em competição Sérgio Paulinho e Rui Costa tentaram a vitória na etapa e consequente ida ao pódio final da Volta à França mas sem sucesso: a HTC-Columbia lá atrás não dava hipótese a qualquer tentativa de fuga na tirada de 95 km que ligou Cretéil (sim, a pequena cidade nos arredores de Paris que é cheia de Portugueses e serve de abrigo à antiga equipa lusa em terras gaulesas dos Lusitanos de Saint-Maur que actualmente se chama Cretéil-Lusitanos) até Paris.

Depois das habituais voltas ao circuito habitual de Paris, Evans superiorizou-se no Sprint a Fabien Cancellara (saiu do Tour sem aparecer na corrida) Edvald Boasson Hagen, André Greipel e Tyler Farrar.

Depois do sensacional contra-relógio ontem em Grenoble, em que Cadel Evans voou para a vitória no Tour. Antes dos comentários finais sobre a classificação-geral, esta ficou assim ordenada na chegada a Paris:

1º Cadel Evans (AustráliaBMC)
2º Andy Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 1.34m
3º Frank Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 2.30m
4º Thomas Voeckler (FrançaEuropcar) a 3.20m
5º Alberto Contador (EspanhaSaxo Bank) a 3.57m
6º Samuel Sanchez (EspanhaEuskatel) a 4.55m
7º Damiano Cunego (ItáliaLiquigás) a 6.05m
8º Ivan Basso (ItáliaLampre) a 7.23m
9º Tom Danielson (EUAGarmin) a 8.15m
10º Jean-Christophe Perraud (AG2RFrança) a 10.15m
11º Pierre Roland (FrançaEuropcar) a 10.43m
12º Rein Taaramae (EstóniaCofidis) a 11.29m
13º Kevin De Weert (BélgicaQuickstep) a 16.29m
14º Jerome Coppel (FrançaSAUR) a 18.36m
15º Arnold Jeanesson (FrançaFDJ) a 21.20m

Há quantos anos é que a França não metia tantos no top-15 na geral final da prova?

Na classificação dos pontos, classificação muito renhida este ano devido às mudanças no sistema de pontuação, Mark Cavendish confirmou o favoritismo que lhe previa no meu post de previsão do Tour ao vencer esta categoria “categoricamente” com 5 vitórias em etapas. Todavia, a prova ficou marcada pela “ausência” de sprinters como Boonen ou Petacchi: estiveram em pouca evidência na prova.

Cavendish venceu com 334 pontos contra os 272 de José Joaquim Rojas da Movistar, 236 de Phillipe Gilbert da Omega Pharma-Lotto (esta equipa animou tanto a corrida que acabou por chegar a Paris sem um lugar no pódio final) 208 para Cadel Evans e 195 de Thor Hushovd.

Samuel Sanchez festeja a vitória da camisola da montanha em Paris. Um bom prémio para a atitude do atleta da Euskatel nas etapas de montanha. Sanchez, leva a camisola das bolinhas e a vitória em LuzArdiden numa prova onde não fosse uma 1ª semana de loucos poderia ter lutado pelo pódio.

Na montanha, Samuel Sanchez confirmou em Alpe D´Huez a vitória na classificação do melhor trepador do Grand Boucle.

Sanchez pontuou 108 pontos contra os 98 de Andy Schleck, os 74 de Jelle Vanendert da Omega Pharma-Lotto, os 58 de Cadel Evans e 56 de Frank Schleck numa categoria que este ano não teve grande interesse devido às mudanças executadas pela organização e mesmo pelo traçado da prova que não privilegiou a montanha como tem privilegiado.

Na habitual foto dos vencedores antes da partida para a última etapa, Pierre Roland mostrou a camisola branca com o símbolo da Europcar como vencedor do prémio da juventude. Se o principal candidato a esta camisola era naturalmente Robert Gesink, tendo como principal rival Roman Kreuziger da Astana, esta classificação acabou por ficar marcada pela intensa luta entre 4 ciclistas que vão dar bastantes cartas no futuro: Pierre Roland (vè o seu esforço e dedicação à preservação da amarela de Voeckler durante 11 dias premiado com a vitória na juventude) Rein Taaramae da Cofidis, Rigoberto Uran e Arnold Jeanesson. Todos poderão ser ciclistas com carreiras bastante interessantes.

Pierre Roland venceu a classificação com 46 segundos de vantagem para o Estoniano Rein Taaramae, 7 minutos e 53 para Jerome Coppel da SAUR e 10 minutos e 37 para Arnold Jeanesson da Française des Jeux.

Tal como tinha afirmado no post de preview, a Garmin apresentava-se nesta volta como a equipa mais completa entre as presentes. Completa porque tinha homens para tudo: Farrar e Hushovd para os sprints e fugas, Vandeveld e Danielson para a montanha. Se Christian Vandeveld desiludiu na alta montanha, Danielson foi destemido e assumiu os gastos da casa ficando no top-10 da prova. Farrar venceu uma etapa e para ele muito trabalhou Hushovd, que à sua conta também lucrou vencer duas etapas com a especialidade de uma delas ter sido em Lourdes depois da difícil passagem pelo Col D´Aubisque onde Hushovd provou ser um ciclista que passa muito bem as montanhas apesar de ser um sprinter, atacando sem dó nem piedade.

Colectivamente, a GarminCervélo, logo no primeiro ano da fusão entre as duas equipas venceu com 11 minutos e 4 segundos de vantagem sobre a Leopard-Trek e 11.20 sobre a AG2R.

Passando à minha opinião geral sobre a Volta:

– Ao nível de traçado o Tour ficou um pouco além das expectativas que desejava para esta edição. Muitas etapas planas acidentadas que desde cedo começaram a tirar candidatosanimadores das etapas de montanha de prova e que começaram a cavar fossos para os principais candidatos como Contador e Samuel Sanchez. Pelo mesmo raciocínio, se a montanha chegou tarde, chegou em força. 4 grandes etapas, 2 etapas de média dificuldade. Por uma questão de competitividade, deveriam ser mais as etapas de montanha, havendo espaçamento entre os pirinéus e os Alpes como se fazia antigamente.

Na geral:

– Muitos dissabores, muitas surpresas. Começando por Contador, acabando em Gesink. Começando pela vitória de Evans acabando no azarado Wiggins. Prefiro personalizaragrupar este comentário:

Abraço colectivo da BMC. Bem podem estar felizes. Evans é o abono de família para esta jovem equipa, da qual o Australiano não precisou para vencer o Tour. Mesmo que precisasse, eles não estariam lá.

Cadel Evans – Tem aqui o seu prémio de carreira. Não foi de todo o ciclista que mais fez para merecer a vitória, porque nesse campeonato quem acabaria por vencer seria um dos Schleck. Pelos menos foram os Luxemburgueses aqueles que mais tentaram a vitória e que mais jogaram ao ataque. No entanto, Evans aproveitou-se da regularidade para fazer forte o que por si e pela sua equipa (BMC) o fazia fraco. Sem equipa e sem argumentos para pedalar nos intensos ataques dos homens da Leopard-Trek geriu muito bem as diferenças que ia tendo para estes e para Alberto Contador. Em Grenoble não perdoou concretizar aquilo que já vinha tentando nos últimos 56 anos.

Andy SchleckFrank Schleck – Saem novamente do Tour como derrotados, ou moralmente, como os primeiros dos últimos. Mais uma vitória moral para os Luxemburgueses que teimam em executar na perfeição o seu jogo de corrida na montanha mas continuam a falhar de forma redundante nos contra-relógios. O treino pelo qual tem passado para melhorar a sua condição nesta variante assim como os seus resultados está a fazer efeito de ano para ano mas continua a ser escasso para vencer a Grand Boucle.

Alberto Contador – Ano difícil para Contador no ano da mudança da Astana para a Saxo Bank. Os intermináveis escândalos de doping que ainda o terão de levar à barra dos tribunais, a dúvida quanto à participação na Volta à França, a vitória folgorosa no Giro que lhe causou algum cansaço na preparação para o Tour, a mudança de equipa que se veio a provar que diminuiu em muito as chances do italiano revalidar o título visto que a sua nova equipa foi uma sombra daquilo que a poderosa Astana lhe oferecia nos últimos anos e sem dúvida a penosa lesão no joelho que o impedia de pedalar no seu estilo cómodo e veloz foram vários dos factores essenciais para a primeira grande derrota do Espanhol no Tour.

Contador nunca esteve ao seu nível, nunca atacou e nunca pode mostrar o seu enorme potencial enquanto ciclista. O 5º lugar é penoso para o Espanhol. E a Saxo Bank terá que pensar em contratar alguém que consiga estar com o homem na montanha, visto que Navarro e Porte falharam redondamente. 

Samuel Sanchez – Não fosse uma primeira semana azarada e o campeão olímpico de Pequim seria pódio com toda a certeza. Acordou na hora certa em LuzArdiden e nunca mais saiu da companhia dos grandes do pelotão internacional. Apanha a camisola da montanha como bónus e dá à Euskatel aquelas vitórias que continuam a moralizar a agora mais antiga equipa em actividade do pelotão internacional em continuar na sua política de investimento em ciclistas da casa.

Ivan BassoDamiano Cunego – O que escrevo para um serve para o outro. São corredores iguais. Sem tirar nem por. A única diferença é a da idade. Enorme potencial na montanha. Não atacam. Parecem não ter ambição e são ambos péssimos no contra-relógio. Não têm equipa que os leve lá acima e endureça o ritmo. Tem uma grande carreira que ficará para sempre recordada como aqueles que nunca levantaram uma palha para vencer um Tour.

Thomas Voekcler- No início da prova quem acreditava em Voeckler para o top-10? Ou se calhar para o top-20? Para a 4ª posição alguém? Não. Voeckler é um excelente ciclista e já tinha andado de amarela, mas, ninguém acreditava que o líder da Europcar voltaria a vestir a amarela e a resistir com ela envergada durante 11 longos dias com enormes etapas de montanha pelo meio. O espírito de sacríficio deste Francês para dar uma alegria aos seus compatriotas foi algo inacreditável e para isso muito contou com a ajuda do seu fiel escudeiro Pierre Roland. As etapas de montanha em que esteve na defesa intransigente da sua camisola elevaram-no ao nível de Virenque. Merecia o pódio.

Peter VeltisTony Martin – São bons ciclistas, ambos ainda muito roladores e muito frescos para atacar os primeiros lugares desta volta. Precisam de amadurecer e treinar em alta montanha para se afirmarem nas grandes voltas.

Vladimir Karpets – Mais uma decepção. Volta a confirmar que é um ciclista que passa ao lado de uma grande carreira.

Levi Leipheimer – O espelho da Radioshack durante a prova. Azarada, escondida, em baixo de forma, sem uma liderança firme após a saída de Brajkovic. Saisaem pela porta do cavalo e é melhor que preparem muito bem a Vuelta senão será uma época para esquecer tendo em conta o investimento feito.

Robert Gesink – Sempre admitiu que não era candidato e acabou mesmo por não o ser. Está a recuperar de lesão e usou o Tour para preparar a Vuelta, prova onde costuma estar forte. Creio que este ano não fugiu à regra. A Rabobank teve um Tour para esquecer – provavelmente um dos piores de sempre dos Holandeses.

Sandy CasarDavid MoncoutieSylvain Chavanel – Quantos mais velhos, estes Franceses não mudam o seu estilo de sempre. O único contra é que estão claramente piores ao nível de performances. Praticam a luta do gato e do rato, limitando-se a escapar e a tentar fazer a diferença vencendo uma ou outra etapa. Serão claramente engolidos pela nova geração do ciclismo Francês constituída por Jeanesson, Roland, Gadret, Riblon ou Perraud. No fim de contas, a sua tarefa também já está cumprida: aparar as pontas e fazer honras à casa na ligação de duas gerações que prometem ser mais importantes que a sua, ou como quem diz, ligar Virenque, Brochard, Jalabert e Moreau à nova geração talentosa que está a emergir no ciclismo Francês.

Luis León Sanchez – Quer andar na montanha mas não tem pernas. Corre bem colinas e devia dedicar-se mesmo a isso: clássicas! Jamais será um corredor da geral e devido a essa consciencialização é que homens como Bettini ou Bartoli nunca correram grandes provas.

Jens Voigt – Não é um homem importante para a geral, mas acaba por ser um homem importante para a geral. Contraditório mas explicável: não é homem de vencer, é homem de ajudar a vencer. 40 anos bem medidos no corpo de um ciclista que até tem umas vitórias muito interessantes como a própria geral da Volta à Alemanha. Até mete pena ver este homem sair, porque no fundo todos gostaríamos que fosse eterno.

Roman Kreuziger – Fez uma única aparição na montanha envolvido numa fuga. Não parece o mesmo corredor dos tempos da Liquigás. Também sofreu da patologia que está a afectar o desempenho da Astana. Deverá fazer melhor na Vuelta, ou pelo, esperemos que sim.

Andreas Kloden – Viu que não estava em forma, desistiu. A Vuelta será objectivo para o Alemão.

– Vinokourov, Wiggins, Brajkovic, Van der Broeck,  – Não chegaram a conhecer o sabor da prova por infelicidade nas primeiras etapas. Com os 4 em prova, a montanha seria bem mais animada, o top-10 diferente e a classificação da montanha ganharia mais vivacidade. Disso estou seguro.

Rui Costa – Cumpriu objectivos para a equipa, cumpriu objectivos para o país, cumpriu o seu objectivo. Venceu a sua etapa, atacou na montanha e ainda tentou a gracinha em Paris. Mais um corredor talhadinho para clássicas e cá entre nós, menino para seguir as pisadas de Paulinho nos Olímpicos e quiçá tentar a sua sorte nos mundiais, nas clássicas de colinas na Bélgica, pavé Francês ou em São Remo e San Sebastien. Ele já ameaçou nos últimos jogos olímpicos.

– Sérgio Paulinho: Muito apagado, cumprindo de certa maneira a espécie de fado que foi talhado para a sua equipa neste Tour após a perda dos seus líderes.

Na luta pela verde:

– Mark Cavendish – Palavras para quê? Se realmente a HTC não arranjar um patrocinador para o ano, não faltarão convites ao Britânico.

– José Joaquin Rojas – Uma agradável surpresa. Pode ser um nome interessante para os campeonatos do mundo.

– Phillipe Gilbert – Começou com a corda toda mas perdeu a pica quando começou a subir e rapidamente desistiu da ideia louca de apostar na geral. Não conseguiu a verde mas fica na história desta edição com uma excelente prestação. Também deverá atacar os campeonatos do mundo.

Thor Hushovd – É uma classe de ciclista, como já tinha referido num dos posts que escrevi sobre as suas vitórias em etapa.

Tyler Farrar – Venceu uma etapa, mas teve muito apagado no resto da prova. Nem com a ajuda de Hushovd conseguiu parar o furacão Cavendish.

André Greipel – O mesmo de Farrar, exceptuando o facto do Alemão ter vencido o seu rival e antigo colega de equipa por uma vez, facto que festejou como se de uma Volta se tratasse. Ficou muito tapado pelo protagonismo de Gilbert. 

Edvald Boasson Hagen – Cumpriu o que tinha a fazer. Certinho que nem um motor, tem um futuro enorme e brilhante pela frente. Candidato a campeão do mundo e quem sabe olímpico na companhia de Hushovd, está mais que visto.

Alessandro Petacchi, Stuart O´Grady e Tom Boonen – Estiveram em França nestas últimas duas semanas? Petacchi foi avistado uma vez. Na alta montanha, por mais estúpido que pareça!

Na montanha:

– Jelle Vanendert – O homem que surpreendeu meio mundo ao vencer na montanha e ser segundo noutra etapa atrás de Samuel Sanchez. Aproveitou o protagonismo que lhe foi concedido pela equipa após o abandono de Van der Broeck.

– Jeremy Roy – O mais combativo do Tour. Disso não tenho dúvida. Faltou apenas a vitória numa etapa. Leva 10 mil euros para casa por ter passado no Alto do Tourmalet e do Aubisque. Isto é, se não tiver que dividir os prémios com toda a equipa Française des Jeux.

Para terminar, aqui ficam em vídeo, os highlights da etapa de hoje assim como algumas opiniões expressas por membros da corrida à mesma. Para o ano há mais:

Cavendish fala da vitória em Paris:

Cadel Evans, visivelmente emocionado na chegada a Paris:

Andy Schleck cai de pé no Tour onde novamente se portou como um grande campeão:

Passagem de testemunho entre Contador e Evans:

Momentos felizes: a valente murraçada de Contador no “doutor” como sinal de amizade com o homem que lhe queria fornecer o doping:

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