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Título para Dallas!

Ao 6º jogo das finais, título para Dallas!

No princípio da época, ninguém mas mesmo ninguém previa um cenário final de campeonato que consagrasse como campeã a equipa do Estado do Texas, propriedade do efusivo Mark Cuban.

Nas palavras do comentador da Sporttv Luis Avelãs no final da partida de ontem “Esta vitória de Dallas é a vitória do tempo, da construção progressiva de uma equipa”. E o Mavs, tiveram esse mérito: há anos que lutavam por um campeonato, já tinham conseguido chegar às finais em 2006 (onde perderam na altura para Miami) e continuaram em busca de algo melhor do que vitórias em fases regulares de conferência Oeste e finais de conferência nos playoffs.

Até que o dia de ontem chegou, negando novamente o título a LeBron James.

Com a  liderança na série, Dallas tinha a hipótese de conquistar o primeiro título da sua história em Miami. Motivados, a turma de Rick Carlisle viu a equipa de Miami entrar melhor na partida. LeBron James, que tinha escrito na sua página pessoal de  twitter no dia da partida “now or never” entrou com a pica toda e nos primeiros minutos pontuou 9 pontos. Do lado de Dallas, Dirk Nowitzky (algo incomodado com as bocas que Wade e LeBron tinham mandado devido ao seu estado febril no jogo 4 em Dallas) não entrou bem e chegou a ter 1 lançamento em 12 tentativas a meio da partida. Nos minutos iniciais, quem “carregava o piano de Dallas” era o base porto-riquenho Barea, que à semelhança dos jogos anteriores voltou a fazer um excelente jogo 6.

Depois de um parcial inicial de 22-15 para Miami, entrou Jason Terry na partida. O 6º homem de Dallas voltou a ser determinante ao longo da partida. Rapidamente, Terry haveria de equilibrar a partida com 5 pontos seguidos. Triplo para aqui, triplo para ali, o 1º período do encontro fechava com Dallas na frente com 32-27 e 75% de eficácia no lançamento.

O início do 2º período haveria de ser catastrófico para os Heat. Em 3 minutos, Stevenson saíria do banco de Dallas para marcar 3 triplos. LeBron James estava apático e parecia estar a secar ao nível de pontos. Nos 3 minutos iniciais, Dallas (que a 9 minutos do fim do 2º período tinha pontos por todos os jogadores de banco utilizados) puxou o resultado por 40-28, sem que no entanto Dirk Nowitzky tivesse aparecido na partida (o Alemão haveria apenas de fazer 3 míseros pontos na 1ª parte).

Dallas apostava (e muito bem) no seu forte tiro exterior, enquanto Miami limitava-se a colocar a bola na mão das suas vedetas à espera que saísse magia.

O 40-28 marca um desconto de tempo pedido pelo técnico de Miami Erik Spoelstra e uma reviravolta espectacular no marcador, reviravolta essa que viria a marcar a partida pela negativa: Miami fez um parcial de 14-0 colmatado por um espectacular triplo do suplente Eddie House, que na euforia do lance fez um gesto nada positivo para o banco de Dallas que em peso levantou-se das cadeiras e entrou dentro do campo. O resultado do gesto viria a ser um “sururu” entre jogadores e elementos do staff técnico das duas equipas. A arbitragem, se tivesse cumprido as regras deveria ter expulsado (ejection) os intervenientes em campo da quezília assim como todos os suplentes que se levantaram no banco. Essa expulsão daria lugar a castigo para o próximo jogo. No entanto, a arbitragem optou por assinalar faltas técnicas a alguns dos intervenientes na discussão acalorada como Mário Chalmers e Udonis Haslem no lado de Miami (incível como House não levou técnica) e Stevenson no lado de Dallas (sendo que Chandler também merecia uma técnica).

A discussão parecia levar o jogo para picardias excusadas. No entanto os jogadores acalmaram e só foi marcada uma nova técnica a Dwayne Wade já no 3º período por ter reclamado com os árbitros de uma decisão.

Após o parcial de 14-0, o jogo equilibrou e até ao intervalo foi um jogo de parada e resposta. Miami apostava mais em Dwayne Wade e no lado dos Texanos, Dirk Nowitzky continuava a ser perdulário no acto do lançamento e Jason Kidd andava muito escondido da partida. Quem continuava on-fire era Jason Terry.

Dallas iria para o intervalo em vantagem com um dado estatístico muito proveitoso ao nível da eficácia no lançamento. Jason Terry era o sinal positivo da equipa com 19 pontos e apenas 2 lançamentos falhados em 10 (2 tentativas de triplo). Já Dirk Nowitzky era o sinal negativo com uma série de 11 lançamentos consecutivos falhados. Dwayne Wade acabaria a primeira parte com 14 pontos e LeBron (depois de um fantástico começo de partida) ia desaparecendo lentamente do jogo. Chris Bosh também não estava a ter a preponderância de outros dias.

A 2ª parte começaria com um lançamento concretizado de Nowitzky (o que era bom sinal para os Texanos) e com uma resposta de triplo de Chalmers, um dos melhores no lado dos Heat.

O 3º período mostrou uma nova debilidade para as equipas: a linha de lance livre. Mais perdulários os homens de Miami. No final da partida, os Heat saldaram-se em 13 lances livres falhados em 33 tentativas, enquanto Dallas acabaria por falhar 6 em 18.

Na luta das tabelas, Tyson Chandler, Dirk Nowitzky e Shaun Marion faziam o equilíbrio com Chris Bosh, Udonis Haslem e Dwayne Wade. Chandler era o mais lutador no lado de Dallas como é seu apanágio.

O jogo mantinha-se equilíbrado a 5 minutos do fim. 68-62 para Dallas. Nowitzky subia de rendimento, Kidd marcava 2 triplos de rajada e no lado de Miami, LeBron James tinha medo e não lançava. A equipa de Miami estava pouco agressiva no ataque e na defesa: precisava-se um melhor contributo de James e Wade. No 2º período, Jason Terry abrandou mas mesmo assim terminou a partida com 27 pontos.

No final do 3º período, novo triplo de Kidd e um lançamento do Francês Mahinmi colocavam Dallas a vencer por 9 na recta final do campeonato. Cheirava a título.

Dallas haveria de recomeçar a partida com aumento de vantagem. A 9 minutos do fim do jogo liderava por 12. Miami tinha que fazer pela vida e o melhor que conseguiu foi reduzir para 7 pontos a 5 minutos e meio do fim. Renascia a esperança que no fundo era uma esperança de pouca dura visto que nos minutos que se seguiram a bola queimava nas mãos das estrelas. Com o contar do relógio, Miami praticamente desistiu da partida e os Mavs foram campeões.

Individualmente:

– No lado de Dallas, Dirk Nowitzky começou mal (3 pontos na primeira parte1 em 12 nos lançamentos) mas acabaria a partida com 21 pontos (8 em 15 na 2ª parte). Foi considerado o MVP das finais, merecidamente, visto que nos jogos em Dallas carregou a equipa e teve o mérito de fazer uma excelente exibição no jogo em que alinhou doente.

– Shaun Marion deu o seu contributo habitual. 12 pontos, os lances esquisitos mas eficazes e muita luta nas tabelas com 8 ressaltos. Foi uma das peças chaves na conquista do título nas finais, pela agressividade, pela crença na vitória e por ter marcado bastantes pontos quando a equipa parecia estar algo adormecida. O título premeia uma carreira bastante interessante.

– Tyson Chandler. A grande contratação para esta época. Deu aos Dallas em um só ano, aquilo que Dampier não conseguiu em muitos anos. Dampier mudou-se de armas e bagagens para Miami no início da época e voltou a ver o título por um canudo, não tendo alinhado nas finais devido a lesão à semelhança de Zydrunas Ilgauskas.

– Jason Kidd. 9 pontos, 3 triplos, 8 assistências. Precisou do descanso ao intervalo para acertar o seu jogo.

– Jason Terry. Jet. O mago. Uma capacidade enorme para um 6º jogador de luxo. Foi decisivo em todos os jogos das finais. 27 pontos nesta partida, numa eficácia estonteante (11 em 16 em lançamentos de campo3 triplos).

– DeShawn Stevenson. Cedeu o lugar no 5 base a Barea e passou a render mais. Saiu do banco em todos os jogos para marcar triplos. É um lançador a ter em conta para o futuro. Neste jogo, 3 em 5 no lançamento de triplo valeu-lhe 9 pontos.

– Barea. Excelente completo a Kidd no transporte de bola e extremamente eficaz. Nesta partida somou 15 pontos (7 em 12) e mostrou-se mais uma vez afoito tanto no lançamento exterior como nas incursões para o cesto onde a altura do porto-riquenho pode ser um handicap.

Pela negativa, Peja Stojakovic e Brendan Haywood. Perante as soluções de Dallas, perderam lugar para Cardinal e Mahinmi que são jogadores com menos potencial mas que mostraram mais espírito de luta que o poste e que o extremo sérvio. Num título construído à base de um excelente jogo exterior, o melhor “shooter” de Dallas teve escassos segundos de utilização nos 6 jogos da final.

No lado de Miami:

– LeBron James. O maior derrotado da noite. Mais uma vez não conseguiu o seu objectivo, facto que regozijou todos os adeptos que não gostam da sua personalidade e principalmente todos os fans dos Cavaliers.

Fez 21 pontos e 6 assistências (9 em 15) mas precisava-se de um LeBron na casa dos 30 para uma vitória de Miami. Pecou por escasso e tremeu novamente na altura das decisões, optando por não encarar o cesto.

– Chris Bosh. 19 pontos (7 em 9 no lançamento). Com Bosh a lançar bem nesta partida, merecia mais bola. O vedetismo de James e Wade assim não o permitiu. Ganhou 8 ressaltos na intensa luta com Chandler.

– Wade. 17 pontos, 8 ressaltos, 6 assistências. É um jogador fantástico. Teve uma boa exibição colectiva, mas a equipa precisava de um ponto mais de pontos por parte de Dwayne Wade. Não foi nada eficaz na hora de atirar (6 em 16).

– Mario Chalmers. Subiu de rendimento de jogo para jogo e é claramente o 4º homem desta equipa de Miami. 17 pontos e uma clara demonstração de bravura e luta. Foi o base da equipa, perante a desilusão que é Mike Bibby.

No final a festa de Dallas:

No American Airlines Center.

Aos 38 anos, 17 épocas depois de Dallas (1994-96, 2008-), Phoenix e New Jersey, 10 All-Star Games, Rookie do Ano em 1995, 5 vezes o melhor assistente da NBA, um dos melhores marcadores de sempre de triplos, o jogo em actividade com mais triplos-duplos e um dos melhores de sempre nesse capítulo, 1409 jogos, 18758 pontos e 12793 assistências, Jason Kidd é finalmente campeão da NBA.

Agora falta Steve Nash.

Um prémio merecido para um dos melhores bases de sempre.

A NBA não termina por agora. Em breve, no dia 23, teremos a escolha anual de draft, assunto do qual escreverei nos próximos dias. Nos próximos dias também se começarão a falar em trocas e free-agents. A WNBA também já anda por aí e terá algumas transmissões na Sporttv ao longo do verão.

Quanto à competição a sério, essa volta a 30 de Outubro.

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