Tag Archives: crise económica e financeira

Perdão?

Foi com espanto que ouvi pela 2ª vez alguém do governo (neste caso o primeiro-ministro) voltar a apelar à emigração.

Antes de tecer o meu argumento crítico, cumpre-me apresentar algumas notas prévias sobre a emigração.

Do que estudei na escola acerca do léxico em si, do que aprendi da experiência do meu pai, e dos relatos que vou ouvindo de alguns amigos e conhecidos que decidem emigrar, a emigração não é um fenómeno que se possa ser “atirado” sem mais nem menos.

Do saber escolástico, sempre me ensinaram que a emigração é um fenómeno que ocorre sempre que o ser humano, numa dada área do globo, se sente desmotivado em relação à sua vida ou procura melhorar as condições da mesma. A emigração tem obviamente vários vértices motivacionais que vão desde a criação de riqueza pessoal num outro território por parte de quem emigra, melhoramento das condições de vida das pessoas, realização profissional do emigrante ou migração para um território por razões familiares e afectuais.

A emigração não é propriamente um fenómeno que se possa decidir de um dia para o outro. Quem emigra sabe perfeitamente as consequências duras que advêm do acto: a deslocalização territorial, a mudança de clima e fuso horário, as barreiras linguísticas e culturais, os entraves sociais, a possibilidade de atitudes hostis e racistas por parte dos nacionais dos países para onde se emigra, a distância em relação aos entes mais queridos e em algumas situações, o isolamento, a ilegalidade e a frustração resultante de um sonho que não correu da melhor maneira.

A emigração é portanto um acto que requer muito pensamento, muito planeamento e muito conhecimento do local para onde se vai emigrar, para que nada corra mal.

As palavras do nosso primeiro-ministro são portanto, palavras muito duras para o seu povo. Para aquele povo que está a pagar os erros de governantes e banqueiros. São declarações despropositadas.

Pedro Passos Coelho e o seu governo estão literalmente a expulsar o seu povo do país. Pedro Passos Coelho e o seu governo estão a atirar para fora do sistema aqueles que por culpa da saturação do mercado de trabalho deveriam ser auxiliados pelo estado, facto que deve ser ainda mais negativizado se tomarmos em conta que maior parte (espero) daqueles que Pedro Passos Coelho se referiu são cidadãos portugueses que tem as suas obrigações em dia perante o Estado Português e, no seu percurso académico, honraram os benefícios que lhes foram granjeados pelo mesmo.

Quando um governo coloca a hipótese de apelar para que os seus cidadãos vão procurar a fortuna fora do país, mostra um claro sinal que  é um governo que está a ficar sem soluções para resolver a crise que abala o país. Mostra que quando na oposição a solução dos problemas do país é uma tarefa fácil, mas que quando se está no governo tudo se complica.

Ainda para mais, acrescento que estamos perante um governo que desde Julho deste ano não tem pedido mais que os valores da exigência, da eficácia, do profissionalismo, da união e do sacríficio aos seus cidadãos. Onde é que esses valores cabem no discurso do Primeiro-Ministro? Será largando a vida em Portugal, as famílias, os hábitos, o conforto, o bem-estar e aventurando-se para o Brasil, para a Guiné, para Angola, para Timor para países com rotinas de vida completamente diferentes das que observamos na Europa, que serão cumpridos esses valores? Ou será que os mesmos serão cumpridos a partir de um corte de cima para baixo, obrigando a redistribuição justa dos sacríficios entre os que mais têm e os que menos têm?

Atesto estes últimos parágrafos com uma distinção clara sobre a qual tenho vindo a reflectir nos últimos dias: enquanto em outros Estados da Europa temos vindo a assistir a políticas que visam essa mesma redistribuição justa em prol da saúde das contas estatais e a discursos ministeriais duros para os mercados (culpabilizando-os pela crise mundial instalada) e para os grandes problemas que assolam o mundo e motivam a recessão, em Portugal assistimos a discursos ministeriais negativos que motivam a carga dos mercados sobre o nosso pobre país e discursos recheados de dureza para com um povo fustigado por impostos, taxas, crescendo da criminalidade, fome e insolvência. Até quando? Até quando continuará essa negatividade?

Para finalizar, deixo outra missiva ao primeiro-ministro: um licenciado em economia saberá perfeitamente que a teia que move os mercados é recheada de boatos, de sinais negativos e de comentários negativos propositados para que tudo se desregule por completo e alguém possa lucrar que a desregulação. Não consigo perceber como é que um licenciado em economia continua a insistir em discursos negativistas, sabendo de antemão que os mesmos serão escutados internacionalmente e tenderão a piorar a relação entre o nosso país e os mercados e o abuso destes perante a nossa frágil posição? Não consigo perceber por mais que tente.

Mas consigo entender que o nosso primeiro-ministro para além de hipócrita e mentiroso, é burro… E para bom entendedor, meia palavra basta.

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macrocorporações

Na Standard & Poor´s, o corte do rating dos EUA  já fez estragos. A McGraw-Hill, empresa que detém o controle da agência de rating Norte-Americana, anunciou a mudança de presidência na mesma. Devem Sharma deverá ser substítuído dentro de 2 semanas por Douglas Peterson, actual CEO do Citibank N.A, maior banco de uma das maiores macrocorporações do mundo, o Citygroup.

Sabendo da existência clara de promiscuídade e rotatitividade nos membros do governo norte-americano e das grandes macrocorporações mundiais, esta rotação na presidência da Standard & Poor´s não se trata de nem mais nem menos do que uma manobra do governo Americano, de tentar contornar não só a descida de rating da qual foi alvo, como evitar a possibilidade de uma nova descida de rating. A dificuldade acrescida que o país sente no que toca à sua dívida e até à sua liquidez para investir, exige portanto, que se ponham homens de confiança nestes postos.

À boa maneira macrocorporativista Norte-Americana.

Com a descida de rating dos EUA, o feitiço virou-se contra o feiticeiro.

Quando as agências cortam os ratings dos países europeus, os Estados Unidos olham para os cortes como problemas que devem ser resolvidos pela Europa. Quando cortam o rating dos EUA, há que investigar quem ataca a Nação. A doutrina moderna dos Norte-Americanos é recheada de complexos de inferioridade. “São os países que nos querem atacar o país (países emergentes) e os terroristas que ameaçam o nosso país”. Ao lado dos EUA, todos os países são maus, alguns deles vivem apenas com o interesse de derrubar os Estados Unidos

A grande dor de cabeça surge quando a dificuldade vem de dentro do país e o próprio governo tem que levantar alguns cadáveres do passado para conseguir defender os interesses dos seus.

As investigações no caso da Standard & Poor´s assumiram um patamar bastante interessante. Pela primeira vez, o aparelho estatal norte-americano está interessado em saber quem inflacionou a nota das obrigações hipotecárias designadas como subprimes, principal causa da falência em 2008 da Lehman Brothers e de outras instituições de cariz financeiro.

O que é engraçado em toda esta história é o facto de alguns elementos importantes na gestão destas macrocorporações e até algumas entidades com responsabilidade na vigilância do sistema económico e financeiro dos EUA,  ainda há poucos meses terem afirmado publicamente que não viam qualquer ilegalidade neste negócio de subprimes e até considerarem que as agências de rating estavam a promover um investimento que seria proveitoso para todos, quando todos sabiamos de antemão que os subprimes eram um investimento de altíssimo risco. Alan Greenspan, antigo presidente da Reserva Federal Norte-Americana foi um dos que considerava o investimento fidedigno e não via um risco tão elevado na assumpção do investimento. Greenspan foi também um dos maiores culpados na crise.  Falamos de alguém cujo currículo traz agregado um salto de várias macrocorporações directamente para os organismos com responsabilidade de supervisão da economia norte-americana: Greenspan assumiu cargos na Aluminium Company of América, JP Morgan, Morgan Guaranty Trust Company e na Mobil.

As agências de rating, como seria de esperar, desempenhavam o papel de proliferadoras da vontade de investir. Na altura, não estavam interessadas no corte do rating de um país em franca ascenção com os novos truques de investimento no mercado e a especulação tinha a conivência dos principais orgãos supervisores da economia norte-americana, orgãos esses constituídos por antigos elementos das grandes corporações, que por sua vez, eram as maiores interessadas no sistema especulativo. 

Actualmente, o corte no rating virou o feitiço contra o feiticeiro. As agências de rating deixaram de apoiar o investimento na dívida norte-americana e no próprio país. Os subprimes passaram ao passado que a economia mundial ainda está há 3 anos a tentar esquecer. As agências de rating passaram de aliadas a inimigos, mas pelo meio já ajudaram a enterrar a europa. Agora, são modificadas, são adulteradas a favor do macrocorporativismo norte-americano e são investigadas.

São assim as macrocorporações norte-americanas… 

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Em Atenas (2)

Situação caótica nas ruas, onde os milhares de polícias não tem mãos a medir para controlar a ordem na capital grega.

O Parlamento Grego tomou a decisão. Para receber a última tranche do primeiro resgate acordo com o Fundo Monetário InternacionacionalComissão EuropeiaBanco Central Europeu e para se ponderar um novo resgate ao Governo Grego no valor de 12o mil milhões de euros, o Parlamento Grego votou a aprovação da imposição europeia de um novo pacote de medidas de austeridade, que faz mais cortes na Administração Pública Grega, nas reformas, nas pensões, aumenta os impostos de consumo de forma incisiva, cortes na saúde, na educação e no financiamento ao ensino superior para além das privatizações em quase todas as empresas públicas gregas.

A contestação está a ser feita nas ruas. Embora a greve de 48 horas marcada pelos sindicatos termine oficialmente à meia noite, não é seguro que na capital se comecem a dispersar os tumultos sociais.

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O que é que podemos esperar?

O resgate do Fundo Monetário Internacional (femi para Passos Coelho) Banco Central Europeu e Comissão Europeia à Grécia está a ter resultados catastróficos no país Helénico. Nem perante o resgate, as sucessivas medidas de austeridade promovidas por interesse do Primeiro-Ministro Papandreou e as medidas impostas pelos homens fortes da comitiva que negociou com os Gregos travam a necessidade do Governo Grego renegociar novamente a sua dívida, poder vir a ter que pedir um novo resgate financeiro e acima de tudo, não conseguem travar o avanço de mais pacotes de medidas de austeridade que não estão a ser aceites pelo povo Grego.

É de salientar que as agências de rating voltaram a ter um papel fundamental no agravar de situação do país Helénico, com novas cotações em baixa dos ratings de praticamente toda a banca Grega e do próprio Estado Grego.

O Governo de Papandreou já afirmou que apesar de todas as medidas impostas necessita de um novo resgate financeiro internacional para que o Estado Grego não tenha de se declarar insolvente perante o mundo. Estamos a falar obviamente de um “pedido de oxigénio urgente” por parte do Governo Grego para não declarar o estado financeiro de bancarrota no país.

À semelhança do exemplo Grego encontra-se o exemplo Português. A troika concedeu-nos um resgate financeiro de 78 mil milhões de euros e impôs mais medidas de austeridade do que as que eram previstas no PEC IV que foi chumbado pelo Parlamento, a juntar está claro, às medidas já estão a ser executadas dos restantes PEC´s aprovados e incentivados pelo Governo Socialista em parceria com o PSD.

O Governo Português necessita urgentemente de renegociar a dívida para poder olhar o futuro com mais clareza. Nesse aspecto, um pequeno texto que li de Francisco Louçã dá plena razão à opinião do economista candidato a Primeiro-Ministro pelo Bloco de Esquerda: “Se aceitarmos o FMI, receberemos uma factura gigante, passada aos mais pobres para que os bancos possam manter a sua boa vida. (…) Podemos dizer não ao país, resignados perante as ordens de Bruxelas, como propõem PSPSD e CDS ou dizer SIM à justiça económica, à distribuição da riqueza e ao investimento público para alterar o rumo de Portugal. Um povo que se ergue conquista respeito e capacidade de resposta”

Ora bem, esse respeito e essa capacidade de resposta só podem ser conseguidos se o plenipotenciários poderes de resposta apresentarem com determinação a renegociação da dívida ou uma amostra firme de não pagamento da mesma, à semelhança daquilo que por exemplo fizeram os Islandeses no caso dos erros cometidos pela sua banca contra o Reino Unido e a Holanda.

Caso contrário, se o povo português aceitar de ânimo leve a ajuda pedida pelo bipartidarismo de centro, arrisca-se a ver o seu país insolvente perante 500 mil milhões de dívida no futuro e como tal, gerações atrás de gerações terão que pagar essa mesma dívida durante décadas. Arrisco-me a dizer que com este espectro em cima das nossas cabeças, o que está actualmente a acontecer à Grécia acontecerá na mesma tarimba a Portugal dentro de alguns anos. Pela primeira vez em muitas décadas, a nossa geração viverá pior que a dos nossos pais e as gerações seguintes viverão cada vez pior que a nossa.

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Absolutamente ridículo

Num país em que existem bens de primeira necessidade taxados à tributação máxima IVA de 23%, onde existem bens de primeira necessidade taxados à tributação intermédia de IVA de 12%, onde as taxas moderadoras do Serviço Nacional de Saúde subiram, onde o salário mínimo nacional não ultrapassa os 500 euros, onde as sucessivas medidas de austeridade colocam literalmente os Portugueses sem dinheiro para consumir, onde existem reformados e pensionistas cujas reformas não atingem o salário mínimo nacional, onde a banca paga uma infíma parte de impostos em relação aos seus ganhos anuais, onde gestores públicos são mais bem pagos que Barack Obama, Nicolas Sarkozy e Angela Merkel, onde não existe financiamento nas universidades, onde existem cerca de 600 mil desempregados e 2 milhões de pessoas vivem no limiar da pobreza, eis que o Governo de Sócrates decide espontaneamente baixar a taxa de tributação de utilização de campos de golfe para a taxa mínima de IVA de 6%.

Este Governo Socialista está a passar os limites do razoável. Este Governo Socialista está rapidamente a passar a barreira da lucidez para a demência. Este Governo Socialista está a baralhar todo o meu conceito de ciência política e sistemas políticos. Já não consigo perceber o enquadramento ideológico destas políticas: se no centro esquerda, se no centro-direita, se na direita. É um Governo liderado por um Primeiro-Ministro que se “intitula o paladino do Estado Social” – no entanto, todas as políticas que faz executar são completamente antagónicas ao Estado Social. É um governo Socialista que se intitula de centro-esquerda mas que há muito que anda mascarado de neoliberal.

E não me venham dizer que esta medida contribui para que o estado consiga fomentar a prática de golfe para recolher mais lucros desta, porque se raciocinar-mos um pouco chegaremos à conclusão que nos tempos que correm “a economia” dos campos de golfe representa uma fatia híper residual do nosso Produto Interno Bruto.

Num país em que o poder de compra da classe média está completamente estagnado e onde as classes mais baixas passam fome e têm extremas dificuldades em cumprir as suas obrigações, em vez de optar por políticas que pudessem fomentar o consumo interno por parte dos Portugueses, o Governo Socialista está mais interessado em tornar mais barata a prática de golfe.

Este Governo está a passar das marcas. Sócrates não tem coragem para fazer os ricos pagar a crise em que este país entrou… Sócrates não consegue fazer executar uma política que não destrua ainda mais o pobre rendimento da maioria dos seus contribuíntes. Sócrates está a votar este Portugal a um marasmo nunca antes visto. Ainda falam dos países que vivem no sistema económico socialista – tomara nós neste momento termos um sistema económico socialista neste país. Temos um Partido Socialista no Governo, que de Socialista não têm nada.

Que se lixe a instabilidade política. Que se lixem os mercados e aquilo que pensam de nós. Que se lixe o FMI, a União Europeia e a pressão para que tenhamos de recorrer à ajuda externa. Que se lixem os Alemães, os Franceses. É preciso começar a limpar a casa por dentro. E isso implica que a limpeza comece por Sócrates e por todo este governo que está completamente sem soluções para este país.

Dr. Cavaco Silva do que está à espera para dissolver a Assembleia da República?

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Discurso de tomada de posse do Presidente da República

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Muitos números, muitas estatísticas, muitos índices, muitas opiniões, muitos conselhos, muitas políticas, muitas medidas sociais a adoptar.

Foi assim o discurso de Cavaco Silva. Em maior parte dos pontos enunciados pelo Presidente da República sou obrigado a concordar. Tenho pena que o Dr. Aníbal Cavaco Silva não pensasse de acordo com alguns pontos que travou hoje aquando da sua passagem pelo Governo. Principalmente no que toca a “dar voz à juventude” – onde definitivamente o governo de Cavaco Silva ficará manchado na história do nosso país.

No entanto, no âmbito das competências que lhe são atribuídas pela Constituição, pouco poderá fazer para inverter a lógica das políticas que estão a ser aplicadas pelo Governo Socialista.

A não ser que obviamente o demita.

De resto, o discurso do Dr. Cavaco Silva não veio acrescentar nada em relação aquilo que os Portugueses tanto anseiam: melhores condições de vida, mais emprego, melhores salários, uma melhor assistência social por parte das entidades estatais, mais quantidade e qualidade de serviços públicos, um dispositivo de segurança pública interna eficaz e um sistema judicial mais acessível a todos, mais célere, isento e justo.

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Era tudo uma questão de confiança


O Dr. Aníbal Cavaco Silva, aquando da campanha eleitoral para as últimas presidenciais apelou ao voto na sua re-candidatura, para que os mercados voltassem a restabelecer confiança no nosso país.

Depois do dia 23 de Janeiro, o país não consegue perceber porque é que os mercados ainda não restabelecer a tal confiança que pedia Cavaco Silva no claro apelo ao voto. Os Portugueses ponto e vírgula. Todos aqueles que estão esclarecidos sobre o assunto em questão, substraíndo os militantes do Partido Social Democrata.

Mês e meio passou e o país continua a dar sinais de estar em xeque. Quase xeque-mate. Em poucos meses, a nossa situação económica e financeira passou de falência técnica para bancarrota. Ainda não sabemos bem o que o futuro nos espera. Ainda não sabemos bem se o Governo vai atirar a toalha ao chão e pedir ajuda externa. Eu creio que sim. O que é certo é que os juros dos títulos da dívida pública tanto a 5 como a 10 anos não param de subir – em suma, são os mercados a encurralar o nosso país. Se os 7% eram um número completamente impensável há alguns anos atrás (perante a quantidade de títulos de dívida pública que já emitimos nos últimos meses), a fasquia está mais perto de chegar aos 8% do que de facto baixar novamente os 7. Isto, sem contar que a China anunciou hoje a compra de títulos de dívida pública de 3 países da zona euro: Espanha, Grécia e Portugal, como tudo indica. A quanto? Nem queiram imaginar. Medidas de salvação que tragam capitais frescos ao nosso país, garantem aos Chineses uma pura agiotagem perante estados pequenos como Portugal e Grécia. O caso Espanhol já é outra conversa.

E a brincar a brincar, onde é que estava a confiança que os mercados depositavam na sua re-eleição Dr. Aníbal Cavaco Silva?

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Inside Job – A verdade da crise

O documentário que venceu a categoria homónima na 83ª edição dos Oscars.

Desta vez opto por não tecer quaisquer tipos de comentários. Prefiro que o visualizem e que tirem as vossas conclusões.


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FMI aumenta linha de crédito à Polónia

A prudência orçamental e a estabilidade e solidez das suas políticas financeiras, permitam à Polónia ver aumentada a sua linha de crédito no FMI para 30 mil milhões de dólares, mais 9 mil milhões em relação ao valor que o país recebeu em Maio de 2009.

O crescimento industrial do país desde que entrou para a União Europeia e a prática de políticas de crescimento sustentável fizeram aumentar a confiança do Fundo Monetário Internacional no governo Polaco.

Isto no dia em que o banco de investimentos Goldman Sachs defendeu um pacote de apoio a Portugal e a abertura de uma linha de crédito a Espanha e a gestora Francesa Axa afirmou que acredita que Portugal receberá ajuda dentro de 2 meses e Espanha dentro de 6.

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Histórico

O desespero económico, social e político da Grécia aumenta de dia para dia.

Primeiro foram as intervenções conjuntas da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional. Seguiu-se a instabilidade política do Governo de Papandreou (acusado internacionalmente de corrupção no país) e social, com as sucessivas revoltas nas ruas do povo Grego e dos movimentos anarquicos Gregos.

Agora, faz-se história na Grécia, à conta das agências de rating internacional. A uma só voz, em poucos dias, a Grécia é um país considerado “lixo económico” pelas três principais agências de rating financeiro: a Fitch, a Standard & Poor´s e a Moody´s. A avaliação de rating do país desceu para BB+, ou seja, para o pior de todos os cenários. Confirma-se a bancarrota e acima de tudo, confirma-se que o governo Grego ainda terá que ter mais controlo e rigor orçamental nos próximos anos.

Nem o fundo de apoio europeu, nem o empréstimo concedido pelo FMI foi capaz de tornar a Grécia um país solvente em relação à sua dívida pública e em relação à sua dívida externa.

Relembremos apenas que estas agências de rating não-institucionais são as mesmas que andam a cortar na credibilidade do Governo Português nos mercados internacionais, vá-se lá saber a mando de quem! Mesmo assim, nem mesmo perante o espectro de uma eventual entrada do FMI no país impede o nosso governo de continuar a acumular dívida atrás de dívida. Nos últimos dias, a emissão de títulos de dívida a 18 meses que os nossos “amigos” Chineses nos compraram sob a batuta de juros usurários bem acima daquilo que actualmente estão a ser pagos a 10 anos, faz com que o nosso país caminhe para o caso Grego e para o caso Irlandês: a bancarrota!

O que ninguém ainda teve coragem de dizer é que estas agências são o verdadeiro lixo da economia. Sozinhas, conseguem manchar irremediavelmente os esforços de qualquer governante e conseguem isolar “economicamente” qualquer país contribuíndo ainda mais para a especulação que as grandes potências mundiais pretendem instaurar neste cenário de crise económica e financeira.

Até quando, é a pergunta que obviamente se faz. No caso do mercado europeu, até quando é que a União Europeia vai continuar a tolerar a especulação negativa que estas agências estão a fazer a alguns dos seus estados-membros em prol dos interesses especulativos das grandes potências?

Quando, é a outra pergunta que se deve fazer. Quando é que a União Europeia forma definitivamente a sua agência de rating?

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Estrangeiros pagam menos nas SCUT

Ficamos hoje a saber que os estrangeiros irão pagar menos para poderem andar nas SCUT.

O governo decretou que os carregamentos obrigatórios para que os estrangeiros possam usufruir das SCUT são menores que os cobrados a cidadãos nacionais. Bela Medida para castigar os contribuíntes Portugueses…

Os 200 euros obrigatórios para veículos pesados passam a ser 20. Os 100 euros para veículos ligeiros passam a ser 10, garantindo o reembolso à saída do país caso este valor não seja cobrado na sua totalidade.

Para as pessoas que precisam destas vias para ir trabalhar, paciência, tem que continuar a pagar… O Governo Social tem mostrado um enorme desrespeito por quem trabalha diariamente para que este país saia da crise.

Depois dos cortes no financiamento às instituições de ensino superior,  na Acção Social Escolar,  dos apoios sociais como o Rendimento Mínimo de Inserção, Subsídio de Desemprego e Abono de Família, dos despedimentos e cortes salariais na Função Pública e nas pesadas medidas que o Código Contributivo vai efectuar em 2011 aos orçamentos das IPSS, a pergunta que vos deixo é a seguinte: que raio de Estado Social é este?

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