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que bolada no meu estomago

Vi, foi uma bolada em cheio e relembrei que já tinha escrito sobre isto neste preciso espaço aqui, aqui.

Os contratos públicos de associação voltam a dar que falar. A minha opinião sobre o assunto, como já manifestei, é totalmente contra o ensino privado e contra este tipo de contratos. Não faz sentido os contribuíntes alimentarem uma máquina de riqueza, a um peso de ouro muito maior do que o financiamento que vai do estado para o ensino público (ao qual este governo lembrou-se de ousar pensar que deverá começar a ser pago para além do tendencialmente gratuito que é o que obriga a constituição) que é utilizada para fins que não os garantidos constitucionalmente. Não me venham com tretas de liberdade de escolha. Toda a gente sabe que o ensino privado é usado para fins educativos que extrapolam a justiça. Toda a gente sabe que existem centenas de encarregados de educação que colocam os seus filhos no privado para que estes, pagando mensalidade, consigam a bela da média para entrar em cursos onde jamais iriam entrar frequentando a escola pública. Convido-vos a irem às faculdades de medicina deste país para ver o ratio de alunos que entraram pela via do ensino privado comparativamente aos que entraram pelo ensino público e ficarão maravilhados com a aldrabice.

Pode haver de facto a artimanha (que foi usada pelos encarregados de educação de alunos do ensino privado) de que metem os filhos no privado porque a oferta no público é escassa na região. Pura mentira. E a ser verdade, caberá ao estado, como provedor de serviços, fazer com que a oferta no ensino esteja próxima de todos. Se não está, culpa do ministro. Mas como a reportagem mostra e como todos sabemos, em todos os lados, por cada escola pública nascem mais colégios. E porquê? Porque os interesses privados em Portugal são mais influentes e poderosos que os interesses públicos. E porque os interesses privados imiscuem-se nos interesses públicos através da política.

A meio da reportagem, aparece a figura de José Manuel Canavarro. Não me espanta o porquê desse nome ter aparecido. Só é pena que este senhor, nos artigos de jornal que assinava, apresentar uma enorme máscara de hipocrisia em relação à defesa do Estado Social, quando, de facto, é o primeiro a delapidar esse mesmo Estado Social. Estavam à espera que ele dissesse que sim, que tinha assinado os contratos? Se estavam à espera que dissesse que sim, aqui fica uma das regras de ouro em política: se fizeres merda no ministério, manda a responsabilidade para o governo seguinte. Mas assinou. Obviamente que assinou e autorizou mais uma delapidação do Estado Português.

No meio da reportagem existe outro doce do qual eu já sabia há muito tempo: os contratos ilegais que os professores assinam. Se acham que os colégios privados tem um corpo docente qualificado, ou mais qualificado que o normal como muitos afirmam na publicidade que fazem da instituição para recrutamento de alunos, isso é uma profunda mentira. Mentira também é o ensino qualificado desses colégios, vistos os termos da sobrecarga de horários e alunos por cada professor. Daí que se efectuem os referidos contratos porque 90% dos professores que leccionam nos privados não tem colocação no ensino público e sujeitam-se a esse tipo de contratos para não cairem em situação de desemprego ou trabalho temporário longe de casa. E no mundo da docência, com o desemprego que é notório, se um não assina, existem 5 disponíveis para assinar.

Sobre o facto dos professores fazerem trabalhos extra-curriculares como limpezas, serviço de café e serviço de cantina, prefiro não comentar porque acho algo surral, mas credível porque até o próprio director o admitiu como “embelezamento da sala”. Cabe ao professor ensinar ou embelezar a sala Sr. Director?

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Olha que dá barraca!

No problema dos contratos de associação com as escolas privadas, sou da mesma opinião que José Sócrates: não se devem dar mais fundos ao ensino privado do que aqueles que são dados pelo Estado ao ensino público. No entanto, sou da opinião que devem ser passíveis excepções a esta problemática, quando considerados casos específicos de alunos que não possam frequentar o ensino público na sua área de residência por falta de existência numa determinada área de estudos e como tal só encontrem no ensino privado essas valências. Nessa excepção, deve ser o estado a assegurar a escolaridade mínima obrigatória gratuita. 

Vou mais longe na discussão: existindo uma rede pública escolar na área de residência e tendo em conta o corte de financiamento do Estado aos privados, deve ser dada em consideração aos encarregados de educação a mudança de escola dos seus filhos ou a continuidade nos estabelecimentos de ensino privados por sua conta e risco. Existindo uma rede escolar pública que assegure a escolaridade aos alunos e uma continuada vontade dos encarregados de educação em persistir na rede privada, estes terão que compreender que o estado não está em condições de oferecer caprichos ou luxos adicionais aos cidadãos. Porque muitas vezes, para os encarregados de educação cujos filhos estudam nos privados, tal não passa de um capricholuxo pessoal e de uma vontade de afirmação social pela vanglória assente na premissa “ah, o meu filho estuda no colegio x ou y”

Dito isto, escusavam de andar à pancada à porta do restaurante em Torres Vedras! Parece que já é sintomático haverem sessões de pancada durante a campanha do Partido Socialista. Deixem o grande líder falar, porque ele já entrou num desespero tal que só falta gerar no domingo uma rede de transportes do partido que vá buscar reformados às suas casas e encaminhá-los às urnas para votar na sua continuidade.

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