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Já vi desculpas piores

A edição do tour, como não poderia deixar de ser, já ficou manchado por casos relacionados com o doping.

Nos dois dias de descanso, dois controlos surpresa por parte de técnicos especializados da UCI (federação internacional de ciclismo) colectaram duas recolhas muito suspeitas: no primeiro dia de descanso a Remy Di Gregório da Cofidis e no 2º ao luxemburguês Franck Schleck, líder da Radioschack-Nissan que ocupava o 12º lugar na geral.

Schleck acusou uma substância proibida chamada Xipamine, um diurético, que no mundo do ciclismo poderá servir para disfarçar ou esconder uma outra designada por EPO (cera de 3ª geração), substância que serve para aumentar o rendimento do ciclista através da aceleração do seu metabolismo.

Schleck poderia continuar em prova, de acordo com a organização do Tour. O Luxemburguês acabou por sair da prova pelo seu pé, afirmando que foi “envenenado” – a desculpa do costume. A desculpa do Luxemburguês foi claramente pior que a desculpa mais esfarrapada que alguma vez ouvi num caso de doping, caso da desculpa de Fernando Couto, que, aquando de um controlo positivo a nandrolona em 2000 quando estava ao serviço da Lazio afirmou que a substância vinha do uso de um “shampoo”.

Schleck já pediu uma contra-análise à UCI e arrisca-se (em novo controlo positivo) a uma suspensão que vai até aos 2 anos.

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Cobo vence no Anglirú

parte 1

parte 2

Juan José Cobo deu show no Alto do Anglirú. Na etapa raínha da Vuelta deste ano, o homem da Geox deu um salto triunfal para a vitória na prova, roubando a camisola vermelha a Wiggins durante a subida final.

A história da etapa começa na subida anterior ao Anglirú. No alto do Cordal, regista-se logo a primeira baixa entre o top-10 da prova. O Sueco Kessiakoff da Astana ficou muito cedo em dificuldades e hipotecou a sua hipótese de chegar ao top-10. No Cordal saíram alguns ciclistas. Quase todos atrasados em relação ao líder Wiggins. Sastre e Moncoutie foram os homens mais importantes a sair. Moncoutie saiu com o proposito de reforçar a sua liderança no prémio da montanha.

Depois da descida para o Anglirú, foi a Liquigás de Vincenzo Nibali a pegar na corrida com uma aceleração protagonizada por Peter Sagan. O ciclista Italiano estava com ideias de atacar na subida e recuperar o tempo perdido na etapa de ontem, tempo que Nibali justificou por um erro pessoal na alimentação durante a parte final da etapa.

A 12 km do fim, na entrada oficial da subida do Anglirú, o grupo restrito de homens começa a perder as primeiras unidades. Chris Sorensen foi o primeiro a ceder terreno. Jurgen Van der Broeck da Omega-Pharma Lotto também ameaçava cair do grupo principal. No entanto, o experiente belga manteve-se entre os primeiros e acabou por fazer uma etapa interessante.

Sastre continuava com os seus ataques. Na altura, pensei que o veterano estaria interessado em vencer no alto do Anglirú. Tal ataque não seria mais do que uma tentativa de desgaste da Liquigás, pois o seu colega de equipa Juan José Cobo iria atacar de seguida. Denis Menchov da Geox também se encontrava num grupo onde Tiago Machado não era por mim identificado. Maxime Monfort era outra das ausências no grupo de Wiggins. O Belga fez no entanto uma excelente corrida pois conseguiu entrar nos primeiros da etapa. Já Wiggins ia bem acompanhado pelo seu gregário Christopher Froome. 1º e 2º da geral eram rodeados por homens como Cobo e Joaquin Rodriguez.

Quando se pensava que era altura do homem da Katusha lançar o seu ataque, começam os ataques decisivos desta etapa. Sastre ia lá na frente. Juan Manuel Garate da Rabobank saiu com o propósito de abrir caminho para um possível ataque de Bauke Mollema. Igor Antón saiu com o propósito de dar a vitória na etapa à Euskatel e Cobo saiu posteriormente com a vontade decidida de vencer a etapa e chegar à liderança da prova. Em poucos quilómetros, quando a etapa já ditava uma rampa de subida na ordem dos 20%, Cobo acabou por ficar sozinho a ganhar tempo a todos os outros concorrentes. Sastre, Garate e Antón seria ultrapassados pelo homem da Geox. Pelo meio, o Irlandês Daniel Martin da Garmin tambem iria tentar a sua sorte.

Com o ataque de Cobo, o grupo Wiggins acabou por ficar muito reduzido. Com ele seguiram Christopher Froome, Joaquin Rodriguez, Denis Menchov, Walter Poels da Vacansoleil e Vincenzo Nibali. O Italiano haveria de ser o primeiro a ceder. Mollema o 2º. Rodriguez iria ceder a cerca de 5 km da meta. Quem estava ligeiramente mais atrás do grupo Wiggins era Van der Broeck.

Com os olhos na vitória e uma cadência incrível, seria Juan José Cobo a vencer a etapa e a chegar à liderança. Cobo amealhou 48 segundos para Christopher Froome, que nos últimos quilómetros teve ordens para deixar Wiggins sozinho e avançar para perder o mínimo tempo possível para o ciclista espanhol da Geox, para Walter Poels e para Denis Menchov. Este último entrou no top-10, mas já não luta pela vitória na prova. Será o grande braço direito de Cobo para a defesa da vermelha na próxima quarta-feira, altura em que o pelotão ultrapassa a última grande dificuldade de montanha desta Vuelta.

A estes tempos somamos a bonificação de 20 segundos ganha por Cobo.

A 1,21 chegaram Wiggins e Antón. A 1,35m Rodriguez com Mollema, Monfort e Sergey Lagutin, ciclista Uzebeque da Vacansoleil.

Daniel Martin da Garmin perdeu 1,41m. Jurgen Van der Broeck chegou em 14º a 2.17m, tempo que lhe permite entrar no top-10. Seguiu-se a chegada de Vincenzo Nibali com 2.37 de atraso – o italiano pode estar fora da luta pelo pódio. 5 segundos depois chegou Jakob Fulsang.

Chris Sorensen chegou com 3,32 de atraso e disse adeus ao top-10. Sastre perdeu quase 4 minutos. Tiago Machado chegou na 27ª posição com quase 5 minutos e meio de atraso, sendo o primeiro Radioshack a entrar. A radioshack perdeu hoje hipóteses de chegar à liderança colectiva.

Haimar Zubeldia e Janez Brajkovic perderam 9.40. Até à hora deste post, a organização ainda não tinha actualizado as perdas de Kessiakoff.

Na classificação geral, as coisas ficaram assim ordenadas:

1º Juan José Cobo (EspanhaGeox)
2º Christopher Froome (Grã-BretanhaTeam Sky) a 20s
3º Bradley Wiggins (Grã-BretanhaTeam Sky) a 48s
4º Bauke Mollema (HolandaRabobank) a 1.46s
5º Maxime Monfort (BélgicaLeopard-Trek) a 2.37m
6º Denis Menchov (RússiaGeok) a 3.01m
7º Jakob Fulsang (DinamarcaLeopard-Trek) a 3.06m
8º Vincenzo Nibali (ItáliaLiquigás) a 3.27m
9º Jurgen Van der Broeck (BélgicaOmega-Pharma Lotto) a 3.58m
10º Walter Poels (HolandaVacansoleil) a 4.07m
11º Daniel Moreno (EspanhaKatusha) a 4.32m
13º Joaquin Rodriguez (EspanhaKatusha) a 5.17m
15º Chris Sorensen (DinamarcaSaxo Bank) a 6.08m
16º Daniel Martin (IrlandaGarmin) a 6.42m
20º Nicolas Roche (IrlandaAG2R) a 9.16m
21º Carlos Sastre (EspanhaGeox) a 10.07m
22º Janez Brajkovic (EslovéniaRadioshack) a 14.47m
26º Frederik Kessiakoff (SuéciaAstana) a 22.33m
28º Sylvain Chavanel (FrançaQuickstep) a 26.51m
29º Tiago Machado (PortugalRadioshack) a 28.56m

Juan José Cobo tem uma magra vantagem. Terá que se defender nas próximas etapas e se possível ganhar mais tempo para a dupla da Sky. Froome e Wiggins terão que fazer pela vida na próxima quarta-feira para poderem ousar chegar á vitória na prova. Caso contrário, só apenas um milagre nas etapas planas poderá garantir aos ciclistas britânicos a vitória na prova.

Bauke Mollema não é uma carta descartada para a vitória na geral, mas a vida do Holandês está muito difícil. Terá que fazer uma etapa fenomenal na quarta. O Holandês irá querer chegar ao pódio, tomando partido ora de Froome ora de Wiggins.

Com os olhos postos no pódio também estarão Denis Menchov (irá acompanhar Cobo na etapa de montanha e poderá subir mais na geral) e Maxime Monfort. Nibali e Fulsang serão homens que perderão mais tempo até Madrid e pelo meu prisma não tenho dúvidas ao excluí-los da possibilidade de atingirem o pódio final.

Jurgen Van der Broeck, Walter Poels, Daniel Moreno e Joaquin Rodriguez irão lutar pelo top-10. Poels é o único ciclista em que acredito não só manter-se nos 10 primeiros como até poder subir alguns lugares na classificação.

A radioshack deu novamente provas da péssima época que está a fazer. Brajkovic, Zubeldia e até Tiago Machado já andam fora do top-20. A instabilidade quanto ao futuro abala a equipa fundada por Lance Armstrong. Prova disso são as possíveis saídas de alguns ciclistas, entre os quais Paulinho, Zubeldia e Kloden.

Nas outras camisolas:

– Na verde, Rodriguez lidera com 90 pontos contra os 85 de Mollema, os 75 de Peter Sagan e os 71 de Walter Poels. A luta pela camisola está em aberto. Rodriguez não irá querer ficar fora do pódio final. Mollema, Sagan e Poels terão o mesmo intuito que o ciclista espanhol.

– Na montanha, Moncoutie marcou alguns pontos no Cordal e reforçou a sua liderança. Tem 60 pontos e vê o italiano Mattia Montaguti com 38, Daniel Moreno e Cobo com 32. Se nada de excepcional acontecer, o Francês da Cofidis irá levar a montanha para casa.

– No prémio combinado, Cobo é o novo líder. Mollema é 2º e Daniel Moreno o 3º.

– Por equipas, a Geox assegurou praticamente a vitória colectiva. Tem 6,49m de avanço para a Leopard e 25 minutos para a Euskatel.

Amanhã teremos o 2º dia de descanso.

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E Paulinho esteve tão perto

Depois do dia de descanso, a etapa 11 (com final em alto) prometia bastante. Os 167 km que ligavam Verin a Estación de Montaña Manzaneda prometiam mais uma vez a luta pela camisola vermelha, cuja pertença mudou no final da etapa entre ciclistas da Team Sky: Christophe Froome não aguentou a etapa e cedeu a camisola ao seu chefe-de-fila Braddley Wiggins.

A etapa em si foi protagonizada por uma fuga precoce de ciclistas mal-classificados na geral mas de enorme qualidade, onde um dos animadores chamou-se Sérgio Paulinho. O Português andou muito bem até que na súbida final parafraseando-o numa entrevista concedida ao Jornal Record acabou por “pagar o esforço”.

Como companheiros de fuga, Paulinho teve entre outros David Moncoutie, Luis León-Sanchez, Matteo Montaguti e Amets Txurruca. Como podereis ver nas imagens, foi o francês da Cofidis o vencedor da etapa, tendo deixado para trás toda a concorrência. Paulinho terminou na 5ª posição a quase 2 minutos.

Na luta dos homens da frente quem ganhou mais tempo para a geral foi Joaquin Rodriguez. Recuperado do desaire pessoal sofrido no contra-relógio, o espanhol da Katusha conseguiu ganhar 7 segundos a Wiggins, Cobo, Mollema, Kessiakoff, Nibali, Jurgen Van der Broeck e Haimar Zubeldia. Vantagem escassa a meu ver até para voltar ao top-10.

Janez Brajkovic continua a confirmar a época para esquecer. Ontem, perdeu 23 segundos para Rodriguez e 16 para o grupo do camisola vermelha. O esloveno arrisca-se a sair do top-10. Não foi o único a perder tempo. O Dinamarquês Jakob Fulsang perdeu 34 segundos para Rodriguez e 27 para o grupo Wiggins, terminando num grupo atrasado com o belga Maxime Monfort, Marzio Bruzeghin, Christopher Froome, Denis Menchov, Carlos Sastre, Michele Scarponi.

O Português Tiago Machado também baqueou nas suas intenções de assaltar o top-10 da prova, tendo perdido 1,05m para Rodriguez e 58 segundos para o grupo principal. O objectivo do top-10 estará muito mais difícil daqui em diante.

No entanto, a extrema competitividade da prova pode fazer com que tudo se altere a qualquer momento. Note-se a classificação geral até ao 14º que é Joaquin Rodriguez Oliver.

Classificação Geral após a 11ª etapa:

1º Braddley Wiggins (Grã-BretanhaTeam Sky)
2º Christopher Froome (Grã-BretanhaTeam Sky) a 7s
3º Vincenzo Nibali (ItáliaLiquigás) a 11s
4º Frederik Kessiakoff (SuéciaAstana) a 14s
5º Jakob Fulsang (DinamarcaLeopard-Trek) a 19s
6º Bauke Mollema (HolandaRabobank) a 47s
7º Maxime Monfort (BélgicaLeopard-Trek) a 1.06m
8º Juan José Cobo (EspanhaGeok) a 1.27m
9º Haimar Zubeldia (EspanhaRadioshack) a 1.53m
10º Janez Brajkovic (EslovéniaRadioshack) a 2.00m
11º Jurgen Van der Broeck (BélgicaOmega-Pharma Lotto) a 2.01m
12º Marzio Bruseghin (MovistarItália) a 2.22m
13º Denis Menchov (RússiaGeox) a 2.42m
14º Joaquin Rodriguez Oliver (EspanhaKatusha) a 2.56m
19º Tiago Machado (PortugalRadioshack) a 4.06m

Nas outras classificações:

– Joaquin Rodriguez Oliver reforçou a liderança nos pontos. Tem 81 pontos contra os 62 de Mollema e aumentou a vantagem em 6 pontos em virtude da sua classificação na etapa.

– Em virtude de ter entrado na fuga, o italiano da AG2R Matteo Montaguti marcou pontos para a montanha mas só lidera por 1 ponto. David Moncoutie tem 32 pontos contra os 33 do Italiano. Daniel Martin continua com 25 e Daniel Moreno com 20.

– Bauke Mollema continua a liderar na camisola do prémio combinado. Daniel Moreno é 2º e Joaquin Rodriguez 3º.

– Por equipas, a entrada de Paulinho na fuga e a sua classificação final permitiram à Radioshack voltar à liderança e gozar alguma vantagem para a Rabobank e Leopard-Trek. A diferença é de 2.08m para a equipa holandesa e de 2.23m para a equipa luxemburguesa.

A etapa de amanhã ligará Ponteareas a Pontevedra, sendo a etapa de descanso entre as montanhas galegas. Tem 2 contagens de 3ª categoria de fácil superação a meio da etapa e dois sprints especiais. Será uma etapa talhada para as fortes pontas finais de homens como Peter Sagan, Alessandro Petacchi, Luis León-Sanchez (caso decida entrar numa fuga) Pablo Lastras, Carlos Barredo, Sebastian Lang, Greg Van Avermaet, Tom Boonen, Stuart O´Grady ou Heinrich Haussler.

Por curiosidade só vi agora que alguns dos ciclistas que deram cartasforam desilusão do Tour deste ano estão na Vuelta, mas com um rendimento de descompressão. São os casos de Rein Taaramae da Cofidis (112º) Andreas Kloden (130º) e Kevin De Weert (138º). Deverá ser uma estratégia clara de treino em alta competição tendo em vista os mundiais de estrada da UCI.

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Quem és tu Christophe Froome?

É a interrogação que é feita por meio mundo ligado ciclismo.

O “semi-desconhecido” Christopher Froome da Team Sky (digo semi-desconhecido visto que na sua página da wikipédia diz que nasceu no Quénia, viveu na África do Sul mas tem nacionalidade Britânica e aos 27 anos a vitória mais importante que alcançou foi numa etapa da Volta ao Japão) lidera a Vuelta quando estão cumpridas 10 das 20 etapas. Hoje foi dia de descanso.

Froome surpreendeu todo o mundo do ciclismo ontem ao ser o único homem no contra-relógio em Salamanca a perder menos de 1 minuto (59 segundos precisamente) para o veloz Tony Martin da HTC. Outros contra-relogistas de classe como o seu companheiro de equipa Braddley Wiggins (perdeu 1.22m) Fabian Cancellara (1.27m) ou Janez Brajkovic (1.57) acabaram por perder mais tempo.

No contra-relógio, os Portugueses surpreenderam. Tiago Machado foi 7º a 1.37m de Martin, tempo que lhe garante para já o 16º lugar a 3.28m de Froome e a escasso minuto e quinze segundos do 10º classificado da prova, o seu companheiro de equipa Haimar Zubeldia.

O jovem bairradino Nélson Oliveira foi 12º no contra-relógio, confirmando as credenciais que o apontam como um dos melhores contra-relogistas do futuro do ciclismo mundial. Perdeu 2 minutos e 19 segundos para Martin.

Na geral individual, é este o panorama à 10ª etapa:

1º Christopher Froome (Grã-BretanhaTeam Sky)
2º Jakob Fulsang (DinamarcaTeam Leopard) a 12 s
3º Braddley Wiggins (Grã-BretanhaTeam Sky) a 20s
4º Vincenzo Nibali (ItáliaLiquigás) a 31s
5º Frederik Kessiakoff (SuéciaAstana) a 34s
6º Maxime Monfort (BélgicaLeopard-Trek) a 59s
7º Bauke Mollema (HolandaRabobank) a 1.07m
8º Juan José Cobo (EspanhaGeox) a 1.47m
9º Janez Brajkovic (EslovéniaRadioshack) a 2.04m
10º Haimar Zubeldia (EspanhaRadioshack) a 2.13m
11º Marzio Bruzeghin (ItáliaMovistar) a 2.15m
12º Jurgen Van der Broeck (BélgicaOmega Pharma-Lotto) a 2.21m
13º Denis Menchov (RússiaGeox) a 2.35m
14º Joaquin Rodriguez Oliver (EspanhaKatusha) a 3.23m
16º Tiago Machado (PortugalRadioshack) a 3.38m
17º Nicolas Roche (IrlandaAG2R) a 3.47m
19º Daniel Moreno (EspanhaKatusha) a 3.59m
22º Michele Scarponi (ItáliaLampre) a 4.22m
28º Carlos Sastre (EspanhaGeox) a 6.48m
33º Luis Léon-Sanchez (EspanhaRabobank) a 10.10m
34º David Moncoutie (FrançaCofidis) a 10.28m
36º Sylvain Chavanel (FrançaQuickstep) a 10.51m
39º Vladimir Karpets (RússiaKatusha) a 14.37m

Froome, Fulsang e Kessiakoff são para mim as grandes surpresas do top-10. Estão a fazer uma excelente Vuelta e pelo que tenho visto, os dois últimos arriscam-se a lutar pelo pódio. Já o actual líder da prova é um homem “semi-desconhecido” cujo potencial ninguém conhece muito bem – veremos se conseguirá aguentar o peso da camisola, a exigência e dureza da prova e a concorrência ou se este resultado foi fruto do acaso.

Maxime Monfort – Estará em grande condição de forma? Se estiver, é um sério candidato à vitória.

Bauke Mollema – Não é à toa que ocupa o 7º lugar da classificação. Na razia que acabou por constituir o Tour para a equipa da Rabobank, foi Mollema o único corredor da equipa a dar nas vistas. É um homem que se sente bem na média montanha e defende-se de forma razoável no contra-relógio. Já envergou a camisola vermelha e o minuto e sete segundos que o separa da liderança não é uma barreira intransponível.

Janez Brajkovic continua por perto. Tem andado algo escondido. No entanto, creio que até Joaquin Rodriguez que é 15º (já venceu nesta Vuelta e já envergou a camisola vermelha) tudo é possível.

Carlos Sastre – Devia mudar o nome para Carlos (De)Sastre. Depois da vitória no Tour e das sucessivas mudanças de equipa, não acerta uma para a caixa. Qualquer dia, anda por aí a correr em estradas portuguesas.

Luis-León Sanchez – Alguém não se apercebe que o espanhol não é corredor para as grandes voltas e que colocá-lo nas grandes voltas mesmo que seja para ganhar etapas é desperdício?

David Moncoutie e Sylvain Chavanel – Mais do mesmo; prometem muito e cumprem pouco. Ainda bem que os franceses tem uma geração melhor a despontar.

Vladimir Karpets – Horrível. Há 10 anos atrás era este o grande talento do ciclismo mundial. Uma carreira que não é mais do que um tiro ao lado.

Nas outras classificações:

– Fruto das vitórias que obteve em duas etapas, Joaquin Rodriguez Oliver da Katusha tem a camisola verde dos pontos. Lidera com 74 pontos contra os 62 pontos de Bauke Mollema e os 50 do Eslovaco Peter Sagan da HTC. Estamos perante uma classificação estranha onde o primeiro sprinter puro é o espanhol Pablo Lastras da Movistar na 6ª posição com 48 pontos.

– A camisola da montanha é pertença do Irlandês Daniel Martin da Garmin com 25 pontos. Lidera contra os 23 do italiano Matteo Montaguti AG2R com 23 pontos e os 20 de Daniel Moreno da Katusha. As grandes etapas de montanha ainda estão para vir.

– A camisola do Prémio Combinado pertence a Bauke Mollema da Rabobank.  O 2º é Joaquin Rodriguez e o 3º Daniel Moreno.

– Por equipas lidera a Leopard-Trek. Roubou a liderança à Radioshack após o contra-relógio. A equipa dos portugueses Tiago Machado, Nélson Oliveira e Sérgio Paulinho está a 7 segundos. A 2.07 está a Rabobank.

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Cavendish e Evans vencem em Paris

E assim terminou a edição deste ano da Grand Boucle. Nos campos elísios em Paris, Mark Cavendish somou a sua 5ª vitória em etapas na edição deste ano e Cadel Evans da BMC logrou sagrar-se o primeiro australiano a vencer a maior prova da época ciclista internacional, obrigando a primeiro-ministro Australiano Julia Gilliard a cumprir o que tinha prometido ontem: conceder feriado nacional no dia 23 de Julho de todos os anos aos cidadãos Australianos pelo feito nacional do seu compatriota em França.

No dia da consagração dos dois atletas, os nossos portugueses em competição Sérgio Paulinho e Rui Costa tentaram a vitória na etapa e consequente ida ao pódio final da Volta à França mas sem sucesso: a HTC-Columbia lá atrás não dava hipótese a qualquer tentativa de fuga na tirada de 95 km que ligou Cretéil (sim, a pequena cidade nos arredores de Paris que é cheia de Portugueses e serve de abrigo à antiga equipa lusa em terras gaulesas dos Lusitanos de Saint-Maur que actualmente se chama Cretéil-Lusitanos) até Paris.

Depois das habituais voltas ao circuito habitual de Paris, Evans superiorizou-se no Sprint a Fabien Cancellara (saiu do Tour sem aparecer na corrida) Edvald Boasson Hagen, André Greipel e Tyler Farrar.

Depois do sensacional contra-relógio ontem em Grenoble, em que Cadel Evans voou para a vitória no Tour. Antes dos comentários finais sobre a classificação-geral, esta ficou assim ordenada na chegada a Paris:

1º Cadel Evans (AustráliaBMC)
2º Andy Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 1.34m
3º Frank Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 2.30m
4º Thomas Voeckler (FrançaEuropcar) a 3.20m
5º Alberto Contador (EspanhaSaxo Bank) a 3.57m
6º Samuel Sanchez (EspanhaEuskatel) a 4.55m
7º Damiano Cunego (ItáliaLiquigás) a 6.05m
8º Ivan Basso (ItáliaLampre) a 7.23m
9º Tom Danielson (EUAGarmin) a 8.15m
10º Jean-Christophe Perraud (AG2RFrança) a 10.15m
11º Pierre Roland (FrançaEuropcar) a 10.43m
12º Rein Taaramae (EstóniaCofidis) a 11.29m
13º Kevin De Weert (BélgicaQuickstep) a 16.29m
14º Jerome Coppel (FrançaSAUR) a 18.36m
15º Arnold Jeanesson (FrançaFDJ) a 21.20m

Há quantos anos é que a França não metia tantos no top-15 na geral final da prova?

Na classificação dos pontos, classificação muito renhida este ano devido às mudanças no sistema de pontuação, Mark Cavendish confirmou o favoritismo que lhe previa no meu post de previsão do Tour ao vencer esta categoria “categoricamente” com 5 vitórias em etapas. Todavia, a prova ficou marcada pela “ausência” de sprinters como Boonen ou Petacchi: estiveram em pouca evidência na prova.

Cavendish venceu com 334 pontos contra os 272 de José Joaquim Rojas da Movistar, 236 de Phillipe Gilbert da Omega Pharma-Lotto (esta equipa animou tanto a corrida que acabou por chegar a Paris sem um lugar no pódio final) 208 para Cadel Evans e 195 de Thor Hushovd.

Samuel Sanchez festeja a vitória da camisola da montanha em Paris. Um bom prémio para a atitude do atleta da Euskatel nas etapas de montanha. Sanchez, leva a camisola das bolinhas e a vitória em LuzArdiden numa prova onde não fosse uma 1ª semana de loucos poderia ter lutado pelo pódio.

Na montanha, Samuel Sanchez confirmou em Alpe D´Huez a vitória na classificação do melhor trepador do Grand Boucle.

Sanchez pontuou 108 pontos contra os 98 de Andy Schleck, os 74 de Jelle Vanendert da Omega Pharma-Lotto, os 58 de Cadel Evans e 56 de Frank Schleck numa categoria que este ano não teve grande interesse devido às mudanças executadas pela organização e mesmo pelo traçado da prova que não privilegiou a montanha como tem privilegiado.

Na habitual foto dos vencedores antes da partida para a última etapa, Pierre Roland mostrou a camisola branca com o símbolo da Europcar como vencedor do prémio da juventude. Se o principal candidato a esta camisola era naturalmente Robert Gesink, tendo como principal rival Roman Kreuziger da Astana, esta classificação acabou por ficar marcada pela intensa luta entre 4 ciclistas que vão dar bastantes cartas no futuro: Pierre Roland (vè o seu esforço e dedicação à preservação da amarela de Voeckler durante 11 dias premiado com a vitória na juventude) Rein Taaramae da Cofidis, Rigoberto Uran e Arnold Jeanesson. Todos poderão ser ciclistas com carreiras bastante interessantes.

Pierre Roland venceu a classificação com 46 segundos de vantagem para o Estoniano Rein Taaramae, 7 minutos e 53 para Jerome Coppel da SAUR e 10 minutos e 37 para Arnold Jeanesson da Française des Jeux.

Tal como tinha afirmado no post de preview, a Garmin apresentava-se nesta volta como a equipa mais completa entre as presentes. Completa porque tinha homens para tudo: Farrar e Hushovd para os sprints e fugas, Vandeveld e Danielson para a montanha. Se Christian Vandeveld desiludiu na alta montanha, Danielson foi destemido e assumiu os gastos da casa ficando no top-10 da prova. Farrar venceu uma etapa e para ele muito trabalhou Hushovd, que à sua conta também lucrou vencer duas etapas com a especialidade de uma delas ter sido em Lourdes depois da difícil passagem pelo Col D´Aubisque onde Hushovd provou ser um ciclista que passa muito bem as montanhas apesar de ser um sprinter, atacando sem dó nem piedade.

Colectivamente, a GarminCervélo, logo no primeiro ano da fusão entre as duas equipas venceu com 11 minutos e 4 segundos de vantagem sobre a Leopard-Trek e 11.20 sobre a AG2R.

Passando à minha opinião geral sobre a Volta:

– Ao nível de traçado o Tour ficou um pouco além das expectativas que desejava para esta edição. Muitas etapas planas acidentadas que desde cedo começaram a tirar candidatosanimadores das etapas de montanha de prova e que começaram a cavar fossos para os principais candidatos como Contador e Samuel Sanchez. Pelo mesmo raciocínio, se a montanha chegou tarde, chegou em força. 4 grandes etapas, 2 etapas de média dificuldade. Por uma questão de competitividade, deveriam ser mais as etapas de montanha, havendo espaçamento entre os pirinéus e os Alpes como se fazia antigamente.

Na geral:

– Muitos dissabores, muitas surpresas. Começando por Contador, acabando em Gesink. Começando pela vitória de Evans acabando no azarado Wiggins. Prefiro personalizaragrupar este comentário:

Abraço colectivo da BMC. Bem podem estar felizes. Evans é o abono de família para esta jovem equipa, da qual o Australiano não precisou para vencer o Tour. Mesmo que precisasse, eles não estariam lá.

Cadel Evans – Tem aqui o seu prémio de carreira. Não foi de todo o ciclista que mais fez para merecer a vitória, porque nesse campeonato quem acabaria por vencer seria um dos Schleck. Pelos menos foram os Luxemburgueses aqueles que mais tentaram a vitória e que mais jogaram ao ataque. No entanto, Evans aproveitou-se da regularidade para fazer forte o que por si e pela sua equipa (BMC) o fazia fraco. Sem equipa e sem argumentos para pedalar nos intensos ataques dos homens da Leopard-Trek geriu muito bem as diferenças que ia tendo para estes e para Alberto Contador. Em Grenoble não perdoou concretizar aquilo que já vinha tentando nos últimos 56 anos.

Andy SchleckFrank Schleck – Saem novamente do Tour como derrotados, ou moralmente, como os primeiros dos últimos. Mais uma vitória moral para os Luxemburgueses que teimam em executar na perfeição o seu jogo de corrida na montanha mas continuam a falhar de forma redundante nos contra-relógios. O treino pelo qual tem passado para melhorar a sua condição nesta variante assim como os seus resultados está a fazer efeito de ano para ano mas continua a ser escasso para vencer a Grand Boucle.

Alberto Contador – Ano difícil para Contador no ano da mudança da Astana para a Saxo Bank. Os intermináveis escândalos de doping que ainda o terão de levar à barra dos tribunais, a dúvida quanto à participação na Volta à França, a vitória folgorosa no Giro que lhe causou algum cansaço na preparação para o Tour, a mudança de equipa que se veio a provar que diminuiu em muito as chances do italiano revalidar o título visto que a sua nova equipa foi uma sombra daquilo que a poderosa Astana lhe oferecia nos últimos anos e sem dúvida a penosa lesão no joelho que o impedia de pedalar no seu estilo cómodo e veloz foram vários dos factores essenciais para a primeira grande derrota do Espanhol no Tour.

Contador nunca esteve ao seu nível, nunca atacou e nunca pode mostrar o seu enorme potencial enquanto ciclista. O 5º lugar é penoso para o Espanhol. E a Saxo Bank terá que pensar em contratar alguém que consiga estar com o homem na montanha, visto que Navarro e Porte falharam redondamente. 

Samuel Sanchez – Não fosse uma primeira semana azarada e o campeão olímpico de Pequim seria pódio com toda a certeza. Acordou na hora certa em LuzArdiden e nunca mais saiu da companhia dos grandes do pelotão internacional. Apanha a camisola da montanha como bónus e dá à Euskatel aquelas vitórias que continuam a moralizar a agora mais antiga equipa em actividade do pelotão internacional em continuar na sua política de investimento em ciclistas da casa.

Ivan BassoDamiano Cunego – O que escrevo para um serve para o outro. São corredores iguais. Sem tirar nem por. A única diferença é a da idade. Enorme potencial na montanha. Não atacam. Parecem não ter ambição e são ambos péssimos no contra-relógio. Não têm equipa que os leve lá acima e endureça o ritmo. Tem uma grande carreira que ficará para sempre recordada como aqueles que nunca levantaram uma palha para vencer um Tour.

Thomas Voekcler- No início da prova quem acreditava em Voeckler para o top-10? Ou se calhar para o top-20? Para a 4ª posição alguém? Não. Voeckler é um excelente ciclista e já tinha andado de amarela, mas, ninguém acreditava que o líder da Europcar voltaria a vestir a amarela e a resistir com ela envergada durante 11 longos dias com enormes etapas de montanha pelo meio. O espírito de sacríficio deste Francês para dar uma alegria aos seus compatriotas foi algo inacreditável e para isso muito contou com a ajuda do seu fiel escudeiro Pierre Roland. As etapas de montanha em que esteve na defesa intransigente da sua camisola elevaram-no ao nível de Virenque. Merecia o pódio.

Peter VeltisTony Martin – São bons ciclistas, ambos ainda muito roladores e muito frescos para atacar os primeiros lugares desta volta. Precisam de amadurecer e treinar em alta montanha para se afirmarem nas grandes voltas.

Vladimir Karpets – Mais uma decepção. Volta a confirmar que é um ciclista que passa ao lado de uma grande carreira.

Levi Leipheimer – O espelho da Radioshack durante a prova. Azarada, escondida, em baixo de forma, sem uma liderança firme após a saída de Brajkovic. Saisaem pela porta do cavalo e é melhor que preparem muito bem a Vuelta senão será uma época para esquecer tendo em conta o investimento feito.

Robert Gesink – Sempre admitiu que não era candidato e acabou mesmo por não o ser. Está a recuperar de lesão e usou o Tour para preparar a Vuelta, prova onde costuma estar forte. Creio que este ano não fugiu à regra. A Rabobank teve um Tour para esquecer – provavelmente um dos piores de sempre dos Holandeses.

Sandy CasarDavid MoncoutieSylvain Chavanel – Quantos mais velhos, estes Franceses não mudam o seu estilo de sempre. O único contra é que estão claramente piores ao nível de performances. Praticam a luta do gato e do rato, limitando-se a escapar e a tentar fazer a diferença vencendo uma ou outra etapa. Serão claramente engolidos pela nova geração do ciclismo Francês constituída por Jeanesson, Roland, Gadret, Riblon ou Perraud. No fim de contas, a sua tarefa também já está cumprida: aparar as pontas e fazer honras à casa na ligação de duas gerações que prometem ser mais importantes que a sua, ou como quem diz, ligar Virenque, Brochard, Jalabert e Moreau à nova geração talentosa que está a emergir no ciclismo Francês.

Luis León Sanchez – Quer andar na montanha mas não tem pernas. Corre bem colinas e devia dedicar-se mesmo a isso: clássicas! Jamais será um corredor da geral e devido a essa consciencialização é que homens como Bettini ou Bartoli nunca correram grandes provas.

Jens Voigt – Não é um homem importante para a geral, mas acaba por ser um homem importante para a geral. Contraditório mas explicável: não é homem de vencer, é homem de ajudar a vencer. 40 anos bem medidos no corpo de um ciclista que até tem umas vitórias muito interessantes como a própria geral da Volta à Alemanha. Até mete pena ver este homem sair, porque no fundo todos gostaríamos que fosse eterno.

Roman Kreuziger – Fez uma única aparição na montanha envolvido numa fuga. Não parece o mesmo corredor dos tempos da Liquigás. Também sofreu da patologia que está a afectar o desempenho da Astana. Deverá fazer melhor na Vuelta, ou pelo, esperemos que sim.

Andreas Kloden – Viu que não estava em forma, desistiu. A Vuelta será objectivo para o Alemão.

– Vinokourov, Wiggins, Brajkovic, Van der Broeck,  – Não chegaram a conhecer o sabor da prova por infelicidade nas primeiras etapas. Com os 4 em prova, a montanha seria bem mais animada, o top-10 diferente e a classificação da montanha ganharia mais vivacidade. Disso estou seguro.

Rui Costa – Cumpriu objectivos para a equipa, cumpriu objectivos para o país, cumpriu o seu objectivo. Venceu a sua etapa, atacou na montanha e ainda tentou a gracinha em Paris. Mais um corredor talhadinho para clássicas e cá entre nós, menino para seguir as pisadas de Paulinho nos Olímpicos e quiçá tentar a sua sorte nos mundiais, nas clássicas de colinas na Bélgica, pavé Francês ou em São Remo e San Sebastien. Ele já ameaçou nos últimos jogos olímpicos.

– Sérgio Paulinho: Muito apagado, cumprindo de certa maneira a espécie de fado que foi talhado para a sua equipa neste Tour após a perda dos seus líderes.

Na luta pela verde:

– Mark Cavendish – Palavras para quê? Se realmente a HTC não arranjar um patrocinador para o ano, não faltarão convites ao Britânico.

– José Joaquin Rojas – Uma agradável surpresa. Pode ser um nome interessante para os campeonatos do mundo.

– Phillipe Gilbert – Começou com a corda toda mas perdeu a pica quando começou a subir e rapidamente desistiu da ideia louca de apostar na geral. Não conseguiu a verde mas fica na história desta edição com uma excelente prestação. Também deverá atacar os campeonatos do mundo.

Thor Hushovd – É uma classe de ciclista, como já tinha referido num dos posts que escrevi sobre as suas vitórias em etapa.

Tyler Farrar – Venceu uma etapa, mas teve muito apagado no resto da prova. Nem com a ajuda de Hushovd conseguiu parar o furacão Cavendish.

André Greipel – O mesmo de Farrar, exceptuando o facto do Alemão ter vencido o seu rival e antigo colega de equipa por uma vez, facto que festejou como se de uma Volta se tratasse. Ficou muito tapado pelo protagonismo de Gilbert. 

Edvald Boasson Hagen – Cumpriu o que tinha a fazer. Certinho que nem um motor, tem um futuro enorme e brilhante pela frente. Candidato a campeão do mundo e quem sabe olímpico na companhia de Hushovd, está mais que visto.

Alessandro Petacchi, Stuart O´Grady e Tom Boonen – Estiveram em França nestas últimas duas semanas? Petacchi foi avistado uma vez. Na alta montanha, por mais estúpido que pareça!

Na montanha:

– Jelle Vanendert – O homem que surpreendeu meio mundo ao vencer na montanha e ser segundo noutra etapa atrás de Samuel Sanchez. Aproveitou o protagonismo que lhe foi concedido pela equipa após o abandono de Van der Broeck.

– Jeremy Roy – O mais combativo do Tour. Disso não tenho dúvida. Faltou apenas a vitória numa etapa. Leva 10 mil euros para casa por ter passado no Alto do Tourmalet e do Aubisque. Isto é, se não tiver que dividir os prémios com toda a equipa Française des Jeux.

Para terminar, aqui ficam em vídeo, os highlights da etapa de hoje assim como algumas opiniões expressas por membros da corrida à mesma. Para o ano há mais:

Cavendish fala da vitória em Paris:

Cadel Evans, visivelmente emocionado na chegada a Paris:

Andy Schleck cai de pé no Tour onde novamente se portou como um grande campeão:

Passagem de testemunho entre Contador e Evans:

Momentos felizes: a valente murraçada de Contador no “doutor” como sinal de amizade com o homem que lhe queria fornecer o doping:

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Jelle Vanendert vence no Plateau de Beille

Algo tarde, mas aqui vão as minhas ilações sobre a etapa de ontem do Tour.

Não entrarei em pormenores extensivos como nos outros dias, visto que vi a etapa aos bocadinhos devido a afazeres pessoais.

Jelle Vanendert confirmou os credenciais de trepador mostrados na quinta-feira na subida a LuzArdiden, onde apenas foi superado por Samuel Sanchez. Em Plateau de Beille, na despedida do Tour da região dos Pirinéus, os papéis inverteram-se e seria o Belga da equipa de Phillipe Gilbert a deixar o espanhol na 2ª posição (tanto na etapa como na classificação da montanha que é agora liderada pelo Belga).

A etapa começou com uma fuga bastante numerosa que rapidamente se transformou em 2 grupos na frente da corrida. Entre os fugitivos encontrava-se o Português Rui Costa (alcançado apenas na subida de Plateau de Beille pelo grupo de Thomas Voeckler) Sandy Casar (andou metade do percurso na frente da corrida) Manuel Quinziato, Remy Di Gregório, Sylvain Chavanel, Jens Voigt, entre outros. Lá atrás, a Europcar controlava o ritmo do pelotão nas subidas de inferiores categorias e seria, já na subida para Plateau de Beille, rendida pela Leopard-Trek que paulatinamente foi colocando um ritmo muito duro na subida final, com vista à obvia selecção natural dos candidatos.

A própria Leopard-Trek, com Voigt na frente em posição intermédia, quiçá colocado desta forma à espera do seu líder na montanha final, acabaria por sofrer um revés com as duas quedas de Voigt, que haveria de voltar ao pelotão para endurecer o ritmo na subida para Plateau de Beille.

No final, o  Belga Vanendert (já muito atrasado na geral) haveria de ser o grande vencedor da etapa. A 21 segundos chegava Samuel Sanchez, comprovando que está muito forte na alta-montanha e ainda anda no Tour pela lutar pela vitória. O que é um dado meramente possível dado que o Espanhol é bastante melhor contra-relogista que todos os homens do top-10 excepto Cadel Evans.

A 46 segundos chegou Andy Schleck, que aproveitou para ganhar mais uns segundos ao seu irmão Frank, a Alberto Contador, a Thomas Voeckler (que continua com a camisola amarela) Basso, Cunego e Evans.

Voeckler continuou impressionante em Plateau de Beille, mostrando que a sua garra, concentração, esforço e motivação encontram-se totalmente nos píncaros. Muito ajudado novamente por elementos da sua equipa (Pierre Roland é o homem da Europcar que merece uma distinção pelo trabalho que tem feito para o seu líder) Voeckler mostrou um espírito de sacríficio enorme ao continuar firme na resposta aos ataques dos principais adversários e na defesa da camisola amarela.

Resta saber se o homem da Europcar (que está a excitar os franceses) consegue ultrapassar os Alpes. Se os Franceses já sonham com Voeckler de amarelo em Paris (recordo que os Franceses já não vencem o Tour desde 1985Bernard Hinault) já existem vozes dentro do pelotão e fora dele que admitem uma eventual vitória na prova do ciclista Franceses. Um deles é o próprio Lance Armstrong, que ontem twittou na sua página de twitter a seguinte declaração: “Se Voeckler acompanhar os líderes, pode vencer o Tour”.

Quem continuou sem atacar foi Alberto Contador. Segundo fonte da sua equipa (Saxo Bank) o Espanhol continua muito dorido de uma lesão no joelho direito, limitando-se ontem a responder aos ataques dos adversários e não atacar para se preservar para as etapas do Alpes. O que é certo e seguro é que se Contador quiser voltar a envergar a amarela em Paris terá que atacar de forma explosiva na chegada a Gap, facto que dificilmente irá acontecer.

Revendo os números da etapa de ontem:

1º Jelle Vanendert (BélgicaOmega Pharma-Lotto)
2º Samuel Sanchez (EspanhaEuskatel) a 21s
3º Andy Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 46s
4º Cadel Evans (AustráliaBMC) a 48s
5º Rigoberto Uran (ColômbiaTeam Sky) a 48s
6º Alberto Contador (EspanhaSaxo Bank) a 48s
7º Thomas Voeckler (FrançaEuropcar) a 48s
8º Frank Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 48s
9º Jean-Christophe Perraud (FrançaAG2R) a 48s
10º Pierre Roland (FrançaEuropcar)a 48s
11º Ivan Basso (ItáliaLiquigás) a 48s
12º Damiano Cunego (ItáliaLampre) a 1,29m
13º Tom Danielson (EUAGarmin) a 1.59m
14º Kevin De Weert (BélgicaQuickstep) a 1.59m
15º Rein Taaramae (EstóniaCofidis) a 2.23m
18º Haimar Zubeldia (EspanhaRadioshack) a 3.01m
21º Christophe Riblon (FrançaAG2R) a 3.55m
22º Sandy Casar (FrançaFDJ) a 3.55m
23º David Moncoutie (FrançaCofidis) a 3.55m
27º Arnold Jeanesson (FrançaFDJ) a 5.03m
33º Nicolas Roche (IrlandaAG2R) a 6.47m
34º Vladimir Karpets (RussiaKatusha) a 6.47m
36º Sylvain Chavanel (FrançaQuickstep) a 7.26m
37º Christian Vandevelde (EUAGarmin) a 7.31m
39º Levi Leipheimer (EUARadioshack) a 9.45m
53º Rui Costa (PortugalMovistar) a 12.08m
63º Robert Gesink (HolandaRabobank) a 14.59m
68º Phillipe Gilbert (BélgicaOmega Pharma Lotto) a 17.03m

Sinal Positivo:

– Jelle Vanendert. Aproveitou a ausência de Phillipe Gilbert na frente da corrida e de Van der Broeck por desistência para ser o homem da montanha da Omega-Pharma Lotto. Se em LuzArdiden perdeu no sprint para Samuel Sanchez, ontem saiu do grupo principal directinho para mais uma vitória da equipa Belga.

– Rigoberto Uran. Made in Colômbia. Temos trepador para o futuro e quiçá, o futuro vencedor da juventude desta volta tendo em conta os atrasos de Taaramae e Jeanesson.

– Thomas Voeckler e Pierre Roland. Incansáveis. Merecem o sucesso que estão a ter. Há 78 anos atrás jamais se pensaria que Voeckler era homem para incomodar os “deuses da montanha do pelotão internacional”. Roland está na luta pela juventude.

Sinal Negativo:

– Damiano Cunego: Disse adeus definitivamente ao top-3. Perdeu 41 segundos para os principais favoritos e não se dá bem com os contra-relógios. Muito dificilmente terá hipóteses de chegar ao pódio final.

– Arnold Jeanesson e Nicolas Roche: Os tempos acumulados na etapa de hoje retiram não só a hipótese de chegar ao top-10 aos dois ciclistas como deverá arredar o Francês da luta pela juventude que agora será a dois entre Taaramae e Uran. O Francês estava tão bem…

– Phillipe Gilbert: Desistiu definitivamente da geral para poupar forças para a etapa de hoje. A verde é o objectivo claro.

– Karpets, Kreuziger, Martin, Gesink, Vandevelde, Leipheimer: Mais uma montanhinha, mais uma voltinha, mais um atrasozinho! Deprimente. Da parte de todos.

Classificação geral:

1º Thomas Voeckler
2º Frank Schleck a 1.49m
3º Cadel Evans a 2.06m
4º Andy Schleck a 2.15m
5º Ivan Basso a 3.16m
6º Samuel Sanchez a 3.44m
7º Alberto Contador a 4.00m
8º Damiano Cunego a 4.01m
9º Tom Danielson a 5.46m
10º Kevin de Weert a 6.18m
11º Rigoberto Uran a 7.55m
13º Rein Taamarae a 9.02m
14º Pierre Roland a 9.20m
17º Arnold Jeanesson a 10.05m
18º Nicolas Roche a 10.56m
19º Sandy Casar a 11.54m
20º Jelle Vanendert a 12.06m

Nos pontos, Mark Cavendish continua a liderar com 264 pontos contra os 251 de José Joaquim Rojas. Phillipe Gilbert é 3º com 240. A etapa de hoje é fulcral para esta classificação. É a última oportunidade para os sprinters antes de Paris. 

Na montanha, novo lider como já tinha referido. Jelle Vanendert primeiro com 74 pontos contra os 72 de Samuel Sanchez. Jeremy Roy é 3º com 45 pontos numa classificação que será vencida por um dos dois primeiros.

Na juventude, Rigoberto Uran lidera com 1 minuto e 7 segundos de vantagem sobre Rein Taaramae, 1 e 25 sobre Pierre Roland da Europcar (entrou na luta pela juventude) e 2.10 sobre Arnold Jeanesson da Française des Jeux.

Por equipas, a Leopard-Trek ocupou novamente o seu lugar “por direito”. Tem 6 segundos de vantagem sobre a Europcar (anda a colocar muito bem os seus homens) e 2 minutos e 32 sobre a AG2R La Mondiale, que também anda a ter os seus homens pelos primeiros 3040 lugares, acabando por fechar rapidamente a sua classificação nesta categoria.

Em relação à etapa de hoje, Limoges a Montpellier numa etapa muito plana. A última oportunidade para os homens da verde marcarem diferenças entre si antes de Paris. A última diferença para os sprinters que ainda não marcaram a diferença neste tour, caso de Alessandro Petacchi.


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Samuel Sanchez vence no alto de LuzArdiden

Com os bascos a inundarem os quilómetros finais da subida para LuzArdiden, Samuel Sanchez deu uma alegria aos seus adeptos, vencendo no alto da primeira etapa dos Pirinéus.

No dia nacional de França, Thomas Voeckler deu uma alegria aos franceses, fazendo uma excelente etapa e segurando a amarela por mais um dia.

Uma etapa muito dura, com uma contagem de 1ª categoria e duas de categoria especial: o inferno do Tourmalet, seguido de LuzArdiden. A selecção natural entre quem está e quem não está para discutir esta volta e muitos pontos para o prémio de melhor trepador.

Uma fuga de 6 ciclistas começou por animar a etapa. Entre os 6 ciclistas, o Britânico Geraint Thomas da Sky, um homem que à partida estava na luta pela camisola da juventude. A fuga, condenada ao insucesso na transição do Tourmalet para LuzArdiden, chegou a ter a meio da tirada uma vantagem de 7 minutos.

Na primeira contagem do dia, a de 1ª categoria, seria a Europcar do camisola amarela Thomas Voeckler a assumir as despesas da perseguição, num ritmo ainda lento e com uma espécie de “contrato entre os principais candidatos de não atacarem não só na 1ª contagem como no Tourmalet”, contrato esse que seria cumprido.

Com os sprinters, a descolarem muito cedo do pelotão, o líder da montanha à partida para este dia (Johnny Hoogerland) atacaria na contagem de 1º categoria, tendo em vista reforçar a liderança que acabaria por perder no fim da etapa para Samuel Sanchez. Hoogerland tinha vontade, mas cedo se percebeu que não é homem para andar por estes terrenos. Mesmo perante as limitações físicas claras, o líder da montanha levou consigo outro homem com desejo de atacar esta camisola: Sylvain Chavanel. O campeão Francês também haveria de ser facilmente alcançado e demonstrou que também não tem pernas para atacar esta camisola.

Com o grupo de 6 na frente (Gutierrez da Movistar, saía, reentrava) e os dois ciclistas no posto intermédio, rapidamente tiveram a companhia de Roman Kreuziger. O checo, irreconhecível nas primeiras 11 etapas (estava a cerca de meia hora de Voeckler) e com a ausência do seu líder Vinokourov, tentou saltar com o intuito não só de também ele lutar pela montanha como quiçá tentar a luta pela etapa. O checo também haveria de quebrar, mostrando-se muito frágil em relação a outras prestações em edições anteriores do Tour, onde foi top-10.

Cedo Hoogerland haveria de ceder ao ritmo de Kreuziger e Chavanel, que tentavam alcançar os homens da frente para pontuarem na 1ª categoria, feito que não iria conseguir pois no topo, seria Mangel a alcançar os 10 pontos da 1ª categoria.

Entretanto, no pelotão, o azar bateria à porta de Luis-León Sanchez a 70 km da meta com uma avaria que ao princípio até indiciava que o corredor da Rabobank estaria a passar mal. Sanchez viria a passar mal numa fase posterior, num dia muito negro para a Rabobank que também veria Gesink a descolar do grupo do camisola amarela muito cedo e não só a hipotecar a hipótese de ficar no top 10 como a perder definitivamente a camisola branca da juventude.

Por falar em azares, no início da descida para o Tourmalet, em menos de 1 km Geraint Thomas haveria de cair por duas vezes: a primeira quando se tentou desviar de um ponto molhado do terreno e a 2ª numa curva com pouca visibilidade. No entanto, em ambos os percalços, o Galês da Sky haveria de passar sem um arranhão e continuar na fuga.

Mais tarde, seria uma queda colectiva no sítio exacto onde Thomas tinha caído. Andreas Kloden acabaria por ficar com algumas marcas numa queda onde o amarela Voeckler também haveria de cair. O respeito imposto no pelotão pela Leopard-Trek para que ninguém atacasse até que Voeckler e Kloden reentrassem levou os dois a reentrarem  no pelotão, mas Kloden também haveria de ceder uns quilómetros mais tarde, já dentro da subida para o Tourmalet. O azar também bateria à porta de Peter Velits da HTC no Tourmalet, que depois de um furo na subida nunca mais viria reentrar no grupo principal. Hoje foi um dia negro para os homens da equipa de Cavendish, visto que tanto Velits como Tony Martin acabaram por perder muito tempo, Tony Martin ainda precisa de muito para poder andar a alto nível na montanha.

No ínicio da subida para o Tourmalet, a situação de corrida mantinha-se com Mangel, Roy, Thomas e 2 companheiros de fuga na frente, Kreuziger e Chavanel em posição intermédia e o pelotão lá atrás ainda liderado pela Europcar de Voeckler.O Tourmalet seria obviamente, pela sua dureza, a selecção natural de quem ficaria e de quem abandonaria a luta pela vitória ou por um lugar de destaque nesta volta.

Logo no ínicio da subida, ficaria Gesink. Carlos Barredo ainda ficou para trás para tentar ajudar o seu chefe-de-fila, mas cedo o Holandês pediu ao espanhol que avançasse para o grupo principal de modo a ajudar Luis-León Sanchez. Em vão, pois numa única etapa, a Rabobank perderia Gesink e Sanchez pela geral, Gesink e Sanchez pela vitória na etapa e Gesink pela luta na liderança da juventude.

Com a aceleração do pelotão no Tourmalet para fazer a selecção natural de candidatos a LuzArdiden, ficaria não só Sanchez para trás como homens como Vandevelde da Garmin, Tony Martin e Linus Gerdemann. Em posição intermédia, continuava Kreuziger e Chavanel, sendo que o Checo facilmente se iria despojar do campeão Francês em prol de uma tentativa de alcançar o grupo da frente e marcar pontos no Tourmalet para o prémio da montanha, o que não viria a acontecer pois seria Roy da Française des Jeux a marcar pontos e a vencer um prémio de 5 mil euros agregado à passagem na primeira posição nesta dura subida.

Sylvain Chavanel, haveria de rapidamente ser alcançado pelo grupo do camisola amarela e passado para trás deste. O campeão Francês não está em forma, definitivamente. Kloden também era a meio da subida para o Tourmalet um homem em apuros, ficando cada vez mais para trás. Ao princípio desconfiava-se de uma avaria mecânica visto que na descida para LuzArdiden Kloden (em conjunto com Karpets) viriam a entrar no grupo principal, mas a subida para a meta haveria de confirmar que Kloden está completamente fora da discussão pela Volta a França. Restavam portanto Leipheimer e Zubeldia da Radioshack neste grupo principal. O basco e o Norte-Americano ainda andaram por ali na subida final, mas com os esticões do fim de tirada haveriam também de perder mais tempo.

Ainda no Tourmalet começaria o carrossel Voigt. O veterano Alemão de 40 anos pode ser letal no trabalho para os irmãos Schleck visto que acelera bastante o pelotão neste tipo de etapas. Perdurou na frente durante largos quilómetros, até ser rendido por colegas de equipa, homens da Saxo Bank de Contador e homens da Europcar que ainda tinham pernas para segurar o seu líder.

Já no final do Tourmalet, Andy Schleck tem uma avaria mas desta feita ninguém ataca no pelotão. Mal Schleck reentra, existe o ataque de Ten Dam da Rabobank para salvar “a honra do convento da equipa Holandesa” num dia muito duro para os seus líderes.

Na descida para LuzArdiden, a situação de corrida era a seguinte: na frente Roy e Thomas. Intermédio Kreuziger, a seguir Ten Dam, depois o grupo Voeckler e Kloden mais atrás. Kloden viria a recolar na descida. A distância do grupo Voeckler para os homens da frente era de 30 segundos e a meio da descida, um momento que iria marcar a subida final e a própria etapa: Phillipe Gilbert (que incrivelmente ainda se mantinha por ali) arrisca na descida e ganha alguns segundos, levando consigo homens como Riblon e Samuel Sanchez. Ao princípio ganham cerca de 25 segundos, tempo que seria letal para Sanchez ampliar a sua vantagem na subida e assim ganhar a etapa.

Mesmo perante os 13,3 km de LuzArdiden a uma inclinação média de 8% e depois de um Tourmalet muito difícil, Gilbert estava a pagar a promessa das afirmações em que “queria estar na frente da corrida da montanha como teste às suas capacidades” – lá está claro também a ideia do Belga em estar na frente para ver se conseguia mais uns pontitos para a verde visto que os Sprinters há muito estavam para trás.

Com a subida final, Kreuziger seria rapidamente alcançado assim como Roy e Thomas. A aceleração lá atrás não perdoava aos escapados. No grupo Voeckler, estavam todos os candidatos excepto Kloden que logo no início da subida haveria de descolar definitivamente.

A 11 km da meta, os ciclistas começam a olhar uns para os outros. Podem surgir ataques a qualquer momento, o que não acontece até aos 3km finais. Samuel Sanchez aproveitava lá na frente na companhia de um homem da lotto amealhar o máximo de tempo possível não só para vencer a etapa como para reentrar na luta pela Volta à França.

A Liquigás passava para a frente do pelotão com Sylvestre Szmid. Esta passagem subita para a frente era indicador que Basso queria o ritmo certo e estava bem para atacar, acto que muito raramente faz na montanha apesar da sua qualidade inegável como um dos melhores trepadores da actualidade. Com a subida da Liquigás para o comando do grupo Voeckler, os dois homens da Radioshack presentes no grupo (Leipheimer e Zubeldia) começaram a perder terreno. A radioshack fora da competição.

Samuel Sanchez e o homem da lotto (Vandendert) continuavam na frente da corrida, com mais de 1 minuto de vantagem, o que era tempo suficiente para vencer no alto. Ou pelo menos pensava-se assim até ao ataque ded Frank Schleck. Gilbert e Ten Dam acabariam por ser apanhados pelo grupo do camisola amarela e ultrapassados pelo mesmo, se bem que o Belga acabaria por cruzar a meta muito perto do grupo principal. Foi uma excelente etapa do campeão de estrada da Bélgica. Ao mesmo tempo que Gilbert era alcançado pelo grupo do camisola amarela, descolava o Irlandês Nicolas Roche, filho do antigo vencedor do Tour nos anos 80 Stephen Roche. Christophe Riblon também descolava, assim como Ten Dam.

Até que veio o momento essencial da tirada: os ataques dos irmãos Schleck já perto da meta. Frank começou com 2 largos esticões que ameaçaram partir o grupo e fizeram a selecção final da subida para um grupo constituído por Contador, Evans, Andy Schleck, Ivan Basso, Damiano Cunego e Thomas Voeckler acompanhado do seu colega de equipa Pierre Roland, que fez um trabalho incansável para o seu líder de equipa. Daí que na linha de meta, assegurado o objectivo da manutenção da amarela, Voeckler tenha logo abraçado o seu colega de equipa por o ter acompanhado.

Os irmãos Schleck estavam obviamente ao ataque, sabendo que Contador não estava a passar bem. Ora Voeckler, ora Basso, ora Evans iam fazendo o elo de ligação do grupo a estes ataques. No entanto, à 3ª Frank haveria de descolar em busca do duo da frente, duo que chegou mesmo a ver a cerca de 500 metros da meta. Por momentos pensou-se que o mais velho dos Schleck seria capaz de discutir a vitória na etapa, só que um safanão do belga Vandedert em Samuel Sanchez (numa excelente leitura da corrida) acabaria por despertar o espanhol na linha de meta, após 6 horas de uma dura, muito dura etapa.

Numa de parada e resposta continuava o grupo lá de trás, até que o trio composto por Basso, Evans e Andy Schleck haveria de livrar-se de Alberto Contador e ganhar-lhe uns segundos.

Síntese da etapa feita, vamos ver as distâncias ao nível do cronómeto nesta primeira etapa de montanha:

1º Samuel Sanchez (EspanhaEuskatel)
2º Jelle Vanendert (BélgicaOmega Pharma-Lotto) a 7s
3º Frank Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 10s
4º Ivan Basso (ItáliaLiquigás) a 30s
5º Cadel Evans (AustráliaBMC) a 30s
6º Andy Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 30s
7º Damiano Cunego (ItáliaLampre) a 35s
8º Alberto Contador (EspanhaTeam Saxo Bank) a 43s
9º Thomas Voeckler (FrançaEuropcar) a 50s
10º Pierre Roland (FrançaEuropcar) a 50s
11º Tom Danielson (EUAGarmin) a 1.03m
12º Arnold Jeanesson (FrançaFDJ) a 1.19m
14º Levi Leipheimer (EUATeam Radioshack) a 1.25m
17º Nicolas Roche (IrlandaAg2R) a 2.02m
18º Laurens Ten Dam (HolandaRabobank) a 2.10m
20º Haimar Zubeldia (EspanhaTeam Radioshack) a 2.53m
24º Phillipe Gilbert (BélgicaOmega Pharma-Lotto) a 3.19m
25º Rein Taaramae (EstóniaCofidis) a 3.25m
28º David Moncoutie (FrançaCofidis) a 3.55m
31º Peter Velits (EslováquiaHTC) a 4.15m
32º Christophe Riblon (FrançaFDJ) a 4.15m
35º Vladimir Karpets (RussiaKatusha) a 4.57m
36º Geraint Tomas (Grã-BretanhaSky) a 5.20m
44º Andreas Kloden (AlemanhaRadioshack) a 8.26m
46º Maxime Monfort (BélgicaLeopard-Trek) a 8.26m
48º Tony Martin (AlemanhaHTC) a 9.03m
53º Christian Vandevelde (Estados UnidosGarmin) a 10.20m
60º Sylvain Chavanel (FrançaQuickstep) a 15.03m
73º Roman Kreuziger (Rep. ChecaAstana) a 17.28m
74º Luis-León Sanchez (EspanhaRabobank) a 17.28m
75º Sérgio Paulinho (PortugalRadioshack) a 17.28m
77º Robert Gesink (HolandaRabobank) a 17.44m
163º Rui Costa (PortugalMovistar) a 33.05m

Sinal positivo:

– Samuel Sanchez: Acreditou que era o seu dia depois de alguns azares na 1ª semana. Aproveitou a boleia de Gilbert na descida para se colocar em ponto intermédio entre os da frente e o grupo do camisola amarela e aproveitou claramente a confusão no grupo da frente nos quilómetros da frente para vencer a etapa e mostrar que está presente pelo menos para lutar pelo top-3. É um bom trepador e aguenta-se muito bem no contra-relógio. Vamos ver como se porta amanhã sem o efeito surpresa.

– Jelle Vanendert: Desconhecido de uma equipa que perdeu o seu chefe-de-fila (Van der Broeck) e que tem a sua grande inspiração na pele de Phillipe Gilbert. Andou por ali à procura de qualquer coisa e não fosse o facto de apanhar o campeão olímpico de estrada pela frente teria ganho mais uma etapa para a Omega-Pharma-Lotto.

– Frank Schleck: Se Andy está marcado, Frank avançou. Contador e os restantes tem um duplo problema com os irmãos Schleck: não podem acorrer ao ataque de um e depois ao outro. É desse facto que os luxemburgueses se aproveitam. Se Andy é o principal candidato, não dêem muita corda a Frank, pois não é muito diferente do seu irmão mais novo. Quase disputou com Sanchez o final de etapa, não fosse o Belga Vandendert ter lido bem a corrida e ter lançado o sprint mais cedo. Ganhou tempo à concorrência e está merecidamente na 2ª posição da prova.

– Ivan Basso, Andy Schleck e Cadel Evans: tiveram pernas, foram pacientes e livraram-se de Contador, ganhando-se 13 segundos. Qualquer segundo agora é precioso. Podemos contar com o Italiano e com o Australiano na discussão da prova. 

– Thomas Voeckler: o menino bonito dos Franceses por ora. Superou com distinção esta etapa e continua com uma margem interessante sobre os seus rivais. Vamos ver como se comporta amanhã. Se é certo que quebre fisicamente pois não é homem para aguentar a pressão nestes dias, o que é certo é que hoje com a ajuda do seu colega de equipa esteve à altura do desafio, respondendo rapidamente a todos os ataques da concorrência. É sério candidato ao Top-10.

– Arnold Jeanesson: excelente corrida do jovem francês que dentro em diante lutará pela juventude. É sério candidato a ostentar a branca na final em paris com a quebra de Gesink hoje e é um diamante em bruto que os franceses devem lapidar para o futuro do seu ciclismo.

Sinal Negativo:

Uma dose para Kloden, Vandevelde, Karpets, Gesink, León-Sanchez e Kreuziger. Se bem que o checo tem desculpa.
Não tiveram pernas. Estão fora. Kloden não creio que desista porque devido à redução pelo que passa a Radioshack é necessária a sua presença para tentar uma fuga ou uma etapa em que ande entre os melhores e tente almejar a vitória, de modo a salvar a honra da equipa de Armstrong. Karpets andará no mesmo objectivo, assim como León Sanchez. Gesink deverá abandonar para começar a preparar a Vuelta. Kreuziger também não tem margem de manobra: perante a desfalcadíssima Astana é um dos únicos homens capazes de vencer numa etapa.

Alberto ContadorTeam Saxo Bank: Acredito perfeitamente que as dores no joelho de que o Espanhol se tem queixado nos últimos tempos sejam motivo suficiente para não ter força para atacar e o impeçam de ir mais longe do que ido agora. No entanto, notou-se um Contador muito nervoso na 1ª semana aquando das quedas ligeiras que teve e nota-se um Contador algo desconfortável e lento a reagir aos ataques adversários. Se Contador quiser a 4ª, terá que atacar já amanhã. Para o seu estado actual em muito contribuiu a falta de ajuda da sua equipa, que até tem homens talhados para lhe fazer o serviço como Daniel Navarro, ou Richie Porte. No entanto, até a sua equipa desapareceu. Já que Contador não pode fazer a diferença por si, ao menos que a equipa o prepare nas subidas.

Classificação-geral:

1º Thomas Voeckler
2º Frank Schleck a 1,49m
3º Cadel Evans a 2.06m
4º Andy Schleck a 2.17m
5º Ivan Basso a 3.16m
6º Damiano Cunego a 3.22m
7º Alberto Contador a 4.00m
8º Samuel Sanchez a 4.11m
9º Tom Danielson a 4.35m
10º Nicolas Roche a 4.57m
11º Kevin DeWeert (BélgicaQuickstep) a 5.07m
12º Phillipe Gilbert a 5.24m
13º Arnold Jeanesson a 5.50m
14º Peter Velits a 6.03m
15º Haimar Zubeldia a 7.17m
16º Rein Taaramae a 7.23m
17º Levi Leipheimer a 7.51m

Para amanhã:

– Vamos ver novamente a prestação de Voeckler na alta-montanha. Poderá o Francês aguentar o peso da amarela, ou cedê-la aos irmãos Schleck, a Cadel Evans ou a Ivan Basso? Alberto Contador, pelo que tem mostrado não chegará a amarela amanhã. Teremos ataque de Contador? Voltaremos a ter uma postura de ataque dos irmãos Schleck?

– Estou curioso também para ver Samuel Sanchez amanhã. Acabou-se o efeito surpresa. Será o homem da Euskatel homem para andar entre os primeiros?

– Quanto à Radioshack: Será que depois de um dia mau poderemos ter Kloden ou Leipheimer dispostos a honrar a casa e vencer uma etapa? A mesma pergunta ponho à Rabobank.

Na camisola dos pontos, nenhuma alteração em relação a ontem. Cavendish primeiro com 260, Rojas 2º com 242 e Gilbert terceiro com 234.

Na camisola da montanha, Samuel Sanchez sucede a Johnny Hoogerland. Quiçá o bonus de hoje pela vitória no alto de LuzArdiden seja mais um objectivo para a equipa basca: levar Sanchez ao pódio como homem da montanha. Sanchez lidera com 40 pontos, Jelle Vanendert é 2º com 32 pontos e terá também a ambição de pontuar nas contagens de montanha e em 3º Jeremy Roy com 24 pontos, fruto da fuga de hoje.

Na Juventude, Arnold Jeanesson sucede a Robert Gesink. Está com 1 minuto e 37 de diferença para Rein Taaramae da Cofidis e a luta à priori será entre estes dois. À espreita, estará o Colombiano Rigoberto Uran da SAUR (a 2.05) e o seu colega de equipa Jerome Coppel a 3.17m. Robert Gesink disse adeus a esta camisola.

Por equipas, como se previa a Leopard-Trek passou para a frente. Soma 1 minuto e 5 perante a Europcar (muito dificilmente ficará em 2º amanhã) e 2 minutos e 21 segundos sobre a AG2R La Mondiale.

Amanhã, etapa de montanha entre Pau e Lourdes na distância de 152 km. Mais uma etapa duríssima nos Pirinéus, embora com menos dificuldade que a de hoje e sem chegada ao alto.
Nos primeiros 65 km, duas contagens de montanha e 1 sprint especial: uma de 3ª e uma de 2ª categoria. A meio da etapa, contagem especial no sempre difícil Col d´Aubisque, faltando depois uma descida e uma fase em plano de cerca de 40 km até à meta, sabendo que tudo se irá decidir no Col D´aubisque com um grupo já reduzido, podendo até eventualmente haver ciclistas a recuperar na descida.

É portanto uma etapa propícia a que um dos homens que perdeu hoje muito tempo acabe por tentar uma fuga.

Para finalizar, os highlights do fim da etapa de hoje no único vídeo para já disponível no Youtube. Se me for possível tentarei colocar um video mais alargado ainda esta noite:

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Le Tour de France 2011 (Preview)

Ultrapassadas algumas memórias passadas da competição, aceito o desafio lançado pelo meu amigo Aron Von Meurs para fazer um preview da edição deste ano do Tour de France, cuja apresentação das equipas realizou-se hoje e cuja competição começa no sábado (contrariamente ao tradicionalismo de começo de competição) com uma etapa em linha que liga Gois La Barre-de-Monts a Mont des Alouettes Les Herbiers.

Em primeiro lugar quanto às etapas:

– O Tour começa com uma etapa em linha e logo no domingo teremos o espectáculo de um contra-relógio por equipas que poderá estabelecer as primeiras diferenças entre favoritos. Serão 23 km em Les Essarts.

– Até à 12ª etapa nada de montanha. A 9 e 10  de Julho, as primeiras etapas acidentadas. No dia Nacional de França, a chegada à terrível estância de Sky de LuzArdiden no primeiro teste de alta-montanha nos Pirinéus. Na etapa seguinte, a Ligação entre Pau e Lourdes cruza os Pirinéus e no dia seguinte o mais duro dos testes com chegada final a Plateau de Beille. Estas 3 etapas farão perceber quem está e quem não está na prova.

– Nos Alpes, a chegada a Gap na 16ª etapa pode causar problemas assim como as etapas seguintes (Pinerolo, Serre Chevalier e o mítico Alpe D´Huez). Este ano a prova não vai ao terrível Mont Ventoux.

– Para terminar e antes da equipa da consagração, um contra-relógio de 42,5 km em Grenoble que promete ser de uma dureza ímpar.

Para fazer esta preview, em vez de enunciar os eventuais favoritos à vitória e às respectivas camisolas prefiro fazer uma cobertura equipa a equipa.

Assim sendo:


Alberto Contador parte o Tour de 2011, em busca da sua 4ª vitória na prova, num ano que foi muito conturbado para o ciclista Espanhol.

Primeiro pela mudança mais que prevista da Astana para a Team Saxo Bank, após a contratação (também prevista há muito) dos irmãos Schleck por parte de uma nova equipa do pelotão pro-tour chamada Team Leopard-Trek, cuja sede é no Luxemburgo.

Depois pelas sucessivas interrogações sobre a presença do Espanhol no Tour devido aos escândalos de doping em que pressupostamente existiram provas de que esteve envolvido, mas cujo ciclista espanhol saiu ilibado das acusações que pendiam sobre si. O arrastar das batalhas judiciais que Contador travou este ano só deram frutos quanto a uma participação no Tour há poucos meses atrás, mas nem por isso deixa cair o favoritismo principal do Espanhol à vitória até porque venceu a passada edição do Giro de Itália com uma facilidade que espantou toda a gente.

Atrás de si, traz uma excelente equipa da Team Saxo Bank, preparada para auxiliar o seu chefe de fila nesta missão. Bons aguadeiros como Benjamin Noval, Daniel Navarro, o Australiano Richie Porte (poderá ser o plano B da equipa caso Contador falhe na montanha, visto que o Australiano tem-se mostrado um ciclista bastante completo e embora tenha a missão de ajudar o espanhol à vitória neste Tour, andará sempre ali por perto à semelhança do trabalho que já tinha feito para Contador no Giro onde seria 7º classificado e camisola da Juventude) os irmãos Sorensen e Matteo Tosatto.

Uma equipa muito forte aquela que Contador leva para terras francesas. O seu director desportivo é o antigo ciclista Britânco Bradley McGee.

Inseparáveis. Irmãos Schleck.

Contra Contador, correrão os irmãos Schleck. Andy é o 2º favorito à conquista da prova e quererá desforrar-se da vitória do Espanhol do ano passado, tendo todas as capacidades para tal visto que é um excelente trepador como Contador e ao nível do contra-relógio as suas forças equilibram-se.

A sua nova equipa (Leopard-Trek) também apresenta uma equipa capaz de trabalhar em prol do seu líder, com Linus Gerdemann (um homem que para além de ter a missão de ajudar Schleck é capaz de ter ordens para fazer umas escapadas em algumas tiradas com o intuito de vencer etapas) Jens Voigt (um veterano de luxo para trabalhar para Contador e com a mesma missão de Gerdemann) Frank Schleck (inseparável do irmão) e o veterano sprinter Stuart O´Grady para as etapas em linha (poderá em muito beneficiar do excelente trabalho que Voigt faz no final dessas equipas) e para a discussão da camisola dos pontos, onde o Australiano não sendo um dos principais favoritos poderá muito bem ter uma palavra a dizer.

A Eskautel Euskadi aparece em cenário no Tour com Samuel Sanchez como chefe-de-fila. Sanchez é sempre um nome a ter em conta para a geral, mesmo sabendo que logo no 2º dia devido às condições da sua equipa deverá perder algum tempo no contra-relógio por equipas.

No entanto Samuel Sanchez está em grande forma, é um trepador nato e não se dá mal com contra-relógios longos. Já venceu a Vuelta e já provou ser capaz de bater Contador em várias ocasiões durante os últimos anos. Caso não lute pela geral por qualquer motivo que o impeça, é sempre um nome a ter em conta para vitórias individuais em tiradas de montanha.

Terá companhia de uma renovada Euskatel, que tem como 2º corredor Egoi Martinez. A equipa é dirigida por Igor Gonzalez Galdeano, outro ex-ciclista que conhece muito bem as etapas e a dureza do Tour.

A Omega Pharma-Lotto é uma equipa completamente virada para a discussão das etapas em linha e da camisola dos pontos. Aparecendo Jurgen Van Der Broeck como falso chefe-de-fila, as principais vedetas são o Sprinter André Greipel (um dos principais candidatos à vitória na camisola verde dos pontos) o Belga Phillipe Gilbert, que poderá ser candidato a fugir numa etapa e a vencer e que decerto será o melhor classificado da equipa na geral visto que é um homem que consegue andar sempre pelos 20 primeiros na montanha

A Rabobank traz Robert Gesink. O Holandês já provou em outras grandes voltas (caso das últimas 3 edições da Vuelta) ser um homem talhado para a discussão das mesmas. É um excelente trepador que pode andar ali pelas primeiras posições mas dúvido que seja capaz de lutar taco a taco pela vitória na geral visto que é pior no contra-relógio que Contador e Schleck. No entanto, as suas hipóteses de chegar ao pódio final em Paris são imensas: tanto nos 3 primeiros como com a camisola da Montanha envergada. Deverão ser esses os propósitos da equipa Holandesa para Gesink: camisola da montanha, lugar no pódio e vitórias individuais em etapas de montanha.

Para acompanhar o ciclista Holandês, a equipa montou uma interessante equipa que compõe Juan Manuel Garate, Carlos Barredo (corredor que pode surpreender numa fuga; se bem se lembram foi aquele que uma vez deu um murro no nosso ciclista Rui Costa) e Luis-Leon Sanchez que saiu da acabada Caisse D´Epargne para a Rabobank. O Espanhol poderá ter um contributo interessante para Gesink ou poderá ser alternativa a Gesink visto que também é um corredor que se safa muito bem na média e alta montanha. Leon Sanchez era até à uns meses atrás o líder do ranking UCI.

Thor Hushovd – Um dos melhores sprinters da última década. O meu favorito.

Outras das equipas mais fortes e sobretudo mais completas é a americana Garmin.

A Garmin traz como chefe-de-fila o experiente sprinter Norueguês Thor Hushovd. Embora os resultados de Hushovd tenham vindo a decair este ano após a vitória em 2010 no campeonato do mundo de estrada, o experiente sprinter de 32 anos é sempre favorito à vitória no sprint e à camisola verde. No entanto os resultados do Noruguês tem deixado a desejar no ano 2011 onde apenas ganhou a 4ª etapa da Volta à Suiça e ficou no 8º lugar do Paris-Roubaix e não existem certezas quanto à possibilidade de vermos um Hushovd ao seu melhor nível.

Se olharmos para os restantes nomes de Garmin vemos porque é que é a equipa mais completa da prova. Hushovd não é o único sprinter de renome na Garmin, existindo também as hipóteses Tyler Farrar (este em melhor forma depois de ter vencido uma etapa no Tirreno-Adriático, a classificação por pontos da Volta ao Algarve, o Troféu de Palma de Maiorca e de ter sido 3º na clássica Gent-Welwegem) e Ryder Hesjdal que em princípio trabalhará para Hushovd e Farrar não esquecendo que também é um bom rolador e um bom finalizador de etapas.

Ao nível da montanha e da classificação geral, os Norte-Americanos trazem Christian Vandevelde, David Zabriskie e David Millar. Vandevelde e Zabriskie são homens para andar nos terrenos mais duros e quiça espreitar a vitória em etapas de montanha e o top 5. Millar será aposta nos contra-relógios.

A Astana aparece com outra face no Tour deste ano após saída de Contador. Alexandre Vinokorouv, actual rosto da Astana teve de montar uma nova equipa de modo à equipa sem competitiva depois de anos em que ter super-esquadras com Contador, Armstrong, Kloden e Leipheimer.

Vinokourov será sempre um nome a ter em conta para as etapas de montanha, para a geral e para a equipa lutar por um ou outra etapa. No entanto, creio que toda a equipa estará em torno do verdadeiro líder que é o Checo Roman Kreuziger, um ciclista em ascensão no panorama ciclista mundial que já provou estar incluído no lote dos possíveis favoritos à vitória. Para o ajudar terá Vinokourov, Di Gregório, Fofonov e Paolo Tiralongo.

Kloden – Qual o seu papel na Radioshack. Suporte a Brajkovic, suporte a Leipheimer ou correrá por conta própria?

A seguir aparece a Radioshack, outra das fortíssimas formações nesta prova.

Basicamente, quase toda a Astana dos últimos 2 anos à excepção de Contador e do retirado Armstrong.

Uma equipa muito forte que promete dar luta na montanha. Como chefe de fila o Eslovaco Janez Brajkovic, à semelhança de Kreuziger outra das promessas confirmadas do ciclismo mundial. O Eslovaco tem imenso talento e pertence à nova geração de ciclistas daquele país, mas experiencias passadas na Vuelta mostraram que pode liderar provas por etapas mas que falha nos momentos decisivos. Veremos se Brajkovic (com a super equipa que dispõe) aguenta-se neste tour. A equipa não dependerá apenas de Brajkovic para atingir os seus objectivos (vencer o Tour, vencer o maior número de etapas) visto que tem homens como Levi Leipheimer, Andreas Kloden (qualquer um deles poderá discutir a prova) Christopher Horner, Murayev, Sérgio Paulinho, Popopych e Haimar Zubeldia – estes últimos trabalharão para os primeiros 3 mas qualquer um é capaz de dar ares da sua graça na prova numa vitória em etapa, por exemplo.

A Team Radioshack é de longe a equipa mais virada para a montanha. Johann Bruyneel assume o comando da equipa.

Rui Costa – espero que o possamos ver na montanha ou numa fuga. Esperamos que possa dar uma vitória numa etapa ao nosso país como deu Sérgio Paulinho no ano transacto.

A Movistar (ainda Caisse D´Epargne) surge à semelhança da sua antecessora como uma equipa outsider no meio de tanta qualidade que se pode evidenciar aqui no Tour.

David Arroyo é o seu líder. É um corredor que já fez sucesso em Portugal ao serviço da extinta LA-PECOL e da sua sucessora. Um bom corredor de montanha, razoável contra-relogista que poderá entrar facilmente no top 10 da prova. Mais que isso será pedir demasiado ao ciclista espanhol.

Para além de Arroyo, a Movistar tem alguns corredores interessantes como o Português Rui Costa, Imanol Erviti, Vasil Kirienka e Jose Joaquim Rojas, todos eles muito talhados para fugas (especialmente o Português e Rojas).


Segue-se a Liquigás de outro dos principais candidatos: Ivan Basso. Melhor, de um dos eternos candidatos: Ivan Basso. As características de Basso na montanha são inegáveis; no Contra-Relógio tem melhorado em muito. Este é um dos anos do “now or never” para o Italiano.

Para o secundar, estarão o polaco Maciej Bodnar, Fabio Sabatini e Sylvestre Szmid.

A AG2R Mondiale entra no Tour com o propósito do costume: vencer etapas! Para isso conta com o Irlandês Nicolas Roche (filho do mítico vencedor Stephen Roche) um homem talhado para fugas e que mesmo na média montanha não se dá nada mal.

Para a montanha, a AG2R apresenta dois homens: Christophe Riblon e John Gadret. Este último tem conseguido resultáveis bastante aceitáveis na alta montanha, estando no top 10 do Giro deste ano. Poderá ser um joker a usar para uma classificação no top 10 e quem sabe algumas vitórias na alta montanha.

A Sky apresenta-se com o chefe-de-fila do costume: o Britânico Braddley Wiggins – muito regular, Wiggins poderá intrometer-se na luta pelo pódio. Mais que isso creio ser improvável.

Na sua equipa tem Flecha (um especialista nas fugas e consequentemente excelente finalizador de etapas nesse aspecto) Simon Gerrans (idem aspas) o Sprinter Edvald Boasson Hagen (um homem que se pode intrometer nos Sprints e quiçá lutar pela verde) e Xavier Zandio, um homem para acompanhar Wiggins na montanha.

A Quickstep apresenta  novamente como seu chefe-de-fila Sylvain Chavanel, o homem em que todos os Franceses depositam a confiança de vitória no 14 de Julho, dia nacional Francês. Chavanel dispensa apresentações e todos sabemos o que é capaz de fazer. No entanto, creio que não será desta que os Franceses poderão sonhar em ver em Francês vestido de amarelo em Paris. Chavanel será um forte candidato à camisola de melhor trepador. 

A Quickstep tem também dois dos melhores sprinters em prova: Tom Boonen e Gerald Ciolek, dois favoritos a etapas discutidas ao sprint e à camisola verde.

A BMC tem Cadel Evans, outro dos crónicos candidatos ao Tour. Evans terá aqui também uma das últimas oportunidades de se consagrar vencedor em Paris. A sua equipa tem uma equipa interessada montada à sua volta com Burghardt, Hincapie, Moinard e Quinziato. Terão que se redobrar em esforços para levar o seu líder ao máximo onde puderem.

A Française Des Jeux não apresenta nada de novo. Uma equipa totalmente francesa com o líder a ser novamente Sandy Casar. Objectivo: vencer pelo menos uma etapa.

A Cofidis apresenta-se em prova com o Estoniano Rein Taraamae como chefe-de-fila. É mais um para se envolver nas lutas com os mais fortes dessa variante e quiçá trazer uma vitória de etapa para a equipa Francesa. Será muito difícil a tarefa do Estoniano tendo em conta nomes como Boonen, Cavendish, Petacchi, Ciolek…

Ao nível da montanha, a equipa poderá contar com o Colombiano Leonardo Duque (terá interesse na camisola da montanha e quiçá numa boa classificação na geral) e David Moncoutie, à partida um homem para ficar nos 20 primeiros e tentar a sua sorte numa fuga.

A Italiana Lampre apresenta-se com Damiano Cunego, outro dos homens a ter em conta para a montanha. As últimas prestações de Cunego no Tour deixaram a desejar. Vamos ver se é desta que o ciclista Italiano confirma as suas credenciais de trepador.

Petacchi é o homem da equipa para a luta pela vitória nas etapas em linha e quem sabe a camisola verde, se o Italiano desta vez tiver com disposição para ultrapassar as montanhas, coisa que raramente acontece.

O mesmo se pode dizer de Mark Cavendish, o principal candidato a limpar as primeiras etapas de Tour. Dispensa apresentações.

Numa equipa com bons ciclistas de trabalho (HTC Columbia) como Bernard Eisel (talvez mais que um homem de trabalho) Peter Velits (também finaliza muito bem) Mathew Goss (pode  ganhar uma etapa caso entre em fugas) Mark Renshaw e Tony Martin, a Columbia tentará sair do Tour com o máximo de vitórias possíveis. 

Para terminar, as 4 formações mais débeis do pelotão do Tour:

– a Francesa Team Europcar com Thomas Voeckler, um nome sempre a ter em conta para umas vitórias de etapa, visto que já chegou a andar de amarelo em duas edições do Tour.

– A Team Katusha líderada por Vladimir Karpets, talvez um dos ciclistas que mais potencial apresentava na última década e que passou ao lado de uma grande carreira. Karpets também é um nome a ter em conta para uma eventual etapa de montanha. A Katusha também traz Mikail Ignatiev e Alexandr Kolobnev, dois homens muito perigosos no que toca a fugas.

– A Vacansoleil e a SAUR-Sojasun, equipas que me são desconhecidas ao nível de potencial.

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Memórias do Tour (Lance Armstrong)

Vencedor por 7 vezes do Tour. Até hoje, o ciclista com mais vitórias, num registo que demorará decerto muitas décadas a ser batido.

Há um antes e um depois na vida de Lance Armstrong.

Por um lado, quando Armstrong surgiu para o ciclismo profissional na extinta Motorola, ninguém jamais tinha em crença que o Norte-Americano viria a fazer a história que fez na prova francesa.

Lance era desde cedo um ciclista talhado para conseguir algumas vitórias (tanto que foi campeão do mundo de estrada em 1993 aos 22 anos) sendo indubitavelmente um bom finalizador, um contra-relogista interessante e um corredor que se aguentava na médiaalta montanha mas que jamais teria a hipótese de lutar com os melhores da altura (Indurain, Riis, Zulle, Rominger).

Em 1996, uma inflamação na virilha seria diagnóstico de cancro nos testículos e de dois tumores gravíssimos  no pulmão e no cérebro. Lance estava condenado mas sempre se mostrou capaz de lutar contra a doença, que viria a ultrapassar num grande exemplo de luta pela vida. Em 1997 voltaria à estrada pela Francesa Cofidis num acto de puro amor pela sua profissão.

O cancro fortaleceu Armstrong. As longas sessões de quimioterapia deram-lhe uma resistência à dor e ao sofrimento que seria importante nas vitórias do Tour enquanto o peso que perdeu durante a fase da doença deram-lhe a desenvoltura necessária para se tornar num excelente trepador.

Um estudo realizado à sua capacidade aérobica (há quem afirme que Ullrich tinha ainda mais capacidades aeróbicas que Lance) provava que Armstrong tinha uma capacidade de 83,8 mLkgmin (VO2 Max) ou seja, superior à de uma pessoa normal (40-50) e ao nível de outros grandes ciclistas do passado como Indurain (88) e Greg LeMond (92,5).

Até que veio a fase da US PostalDiscovery Channel. 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005. Lance Armstrong e a US Postal contra tudo e todos. Disputas espectaculares contra Jan Ullrich, Iban Mayo, Joseba Beloki, Tyler Hamilton (que seria um dos seus gregários nas primeiras vitórias do Tour) e mais tarde contra Iban Basso e Alberto Contador (que seria seu rival na mesma equipa após o regresso à competição em 2009).

Por outro lado, as suspeitas de doping que recaíram sempre sobre Armstrong e a sua equipa nunca se vieram a confirmar. Nem mesmo quando descobriram seringas e substâncias dopantes num frigorífico da casa de Armstrong em Granada (Espanha). Relacionado com as suspeitas de doping, a sua página da Wikipédia é bastante esclarecedora, contendo relatos e links sobre todo o historial de acusações, testes e peritagens realizadas aos sítios onde treinava e às suas casas no Texas, em França e Espanha. Contudo qualquer das acusações lançadas não foi provada.

Individualmente, Lance era um fenómeno. Lembro-me do Tour de 2001 (o menos concorrido para Armstrong) em que este na terrível subida para o Alpe D´Huez atacou cedo e fazia uma média de 115 pedaladas por minuto, facto extraordinário para um trepador perante a dureza da montanha dos Alpes.

Porém também é certo dizer que a preparação de Lance era criteriosa: para o Tour, preparava-se na Volta à Suiça, no Tour da Romandia e no Critério Dauphiné-Libère. Neste último algumas das contagens de montanha são as mesmas da Volta à França. A sua época competitiva começava em Março e terminava no Tour, ou seja, era um ciclista que se dedicava apenas a uma grande prova por etapas por época. Também é certo afirmar que tanto na US Postal como na Discovery Channel, Lance era secundado por uma equipa de gregários constituída à sua volta: Rubiera, Beltran, Heras (passou de chefe-de-fila a ajudante de Armstrong) Tyler Hamilton, George Hincapie, Popovych, José Azevedo: todos eles tiveram uma quota parte no sucesso do Norte-Americano. A US Postal funcionava na perfeição nas etapas de montanha: comandavam muito bem as operações e iniciavam um trabalho desgastante para os adversários que a pouco e pouco iam gerando grupos muito reduzidos onde ficava o Americano e HamiltonAzevedo e dois ou três adversários, pura e simplesmente, os melhores (Ullrich, Kloden, Mayo, Basso, Beloki).

O Tour mais difícil seria o de 2003, quando Ullrich decidiu mudar de equipa para a Team Bianchi. A vitória de Lance esteve presa por um fio, não fosse o Alemão cair no contra-relógio final. Foi a diferença mais escassa nos duelos entre ambos: 1 minuto e 1 segundo. Foi também o Tour, onde Ullrich esperou por Lance após este ter caído numa etapa de montanha devido à interferência de uma bandeira de um espectador na sua roda.

Neste capítulo Lance teve imensa sorte: o respeito que imperava sobre o seu poder no pelotão internacional fazia com que os adversários esperassem por si quando tinha que sair da bicicleta para urinar ou quando caía. Todo o pelotão desejava bater Armstrong mas em situações de corrida sem incidentes. Já o Americano nunca se importou de vencer a todo o custo: o célebre caso da descida em que ia com Beloki (também no Tour de 2003)  em que os dois  saíram fora da estrada e o espanhol ficou gravemente ferido provou um Lance Armstrong que nem sequer olhou para trás para saber do estado do colega de profissão. Beloki jamais iria recuperar os seus dotes de trepador.

2005 marcaria a sua retirada do ciclismo profissional. Os anos seguintes seriam bastante conturbados no Tour: Lance Armstrong e Ullrich estavam fora e uma nova fornada de ciclistas entrava no panorama mundial (Llandis, Contador, Basso, os irmãos Schleck, Valverde). Haviam tantos candidatos a suceder ao Americano em Paris como escândalos de doping no Tour. O caso de Llandis em 2006 foi prova disso. No entanto, jamais algum destes ciclistas (mesmo Contador que já soma 3 triunfos) deverá chegar ao palmarés de 7 vitórias na geral e 22 etapas no Tour do ciclista Norte-Americano.

Voltaria à competição em 2009 para atacar novamente o Tour, depois de ter passado por experiências na maratona e no Triatlo. Incluído primeiro na Astana com Alberto Contador, teve problemas com o Espanhol no primeiro Tour chegando mesmo a pedir aos colegas que não apoiassem o Espanhol nas etapas de montanha, que de resto, este venceria com toda a classe. Decidiu fundar a Team Radioshack, uma equipa voltada para si mas a participação no Tour de 2010 seria um desastre por completo e Armstrong anunciava em Outubro passado a sua retirada definitiva da estrada.

O seu estilo era completamente inigualável. Mal a equipa preparava o seu grupinho para o resto da subida, era extremamente controlador: ora respondia a quem atacava, ora controlava a corrida deixando ir quem não lhe interessava responder. Nos momentos cruciais, lançava o seu ataque demolidor, sendo um primor no contra-relógio. Creio que foram mais as vezes que bateu Ullrich no contra-relógio do que o contrário, se bem que Ullrich era substancialmente melhor nessa variante da modalidade.

Para finalizar, aqui fica o video daquela que é considerada a melhor corrida feita pelo Norte-Americano no Tour, em 2001 no Alpe D´Huez (se clicarem no video poderão ver as 5 partes que compõem a integra da subida):

Esta subida para Alpe D´Huez foi onde Armstrong deu baile a toda a concorrência.

Outro dos momentos míticos foi em 20o3 na subida para LuzArdiden, a célebre subida em que Armstrong caiu devido à interferência de um espectador e em que Ullrich e os restantes esperaram pelo regresso do Norte-Americano:

A queda de Joseba Beloki, também no Tour de 2003:

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