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Jelle Vanendert vence no Plateau de Beille

Algo tarde, mas aqui vão as minhas ilações sobre a etapa de ontem do Tour.

Não entrarei em pormenores extensivos como nos outros dias, visto que vi a etapa aos bocadinhos devido a afazeres pessoais.

Jelle Vanendert confirmou os credenciais de trepador mostrados na quinta-feira na subida a LuzArdiden, onde apenas foi superado por Samuel Sanchez. Em Plateau de Beille, na despedida do Tour da região dos Pirinéus, os papéis inverteram-se e seria o Belga da equipa de Phillipe Gilbert a deixar o espanhol na 2ª posição (tanto na etapa como na classificação da montanha que é agora liderada pelo Belga).

A etapa começou com uma fuga bastante numerosa que rapidamente se transformou em 2 grupos na frente da corrida. Entre os fugitivos encontrava-se o Português Rui Costa (alcançado apenas na subida de Plateau de Beille pelo grupo de Thomas Voeckler) Sandy Casar (andou metade do percurso na frente da corrida) Manuel Quinziato, Remy Di Gregório, Sylvain Chavanel, Jens Voigt, entre outros. Lá atrás, a Europcar controlava o ritmo do pelotão nas subidas de inferiores categorias e seria, já na subida para Plateau de Beille, rendida pela Leopard-Trek que paulatinamente foi colocando um ritmo muito duro na subida final, com vista à obvia selecção natural dos candidatos.

A própria Leopard-Trek, com Voigt na frente em posição intermédia, quiçá colocado desta forma à espera do seu líder na montanha final, acabaria por sofrer um revés com as duas quedas de Voigt, que haveria de voltar ao pelotão para endurecer o ritmo na subida para Plateau de Beille.

No final, o  Belga Vanendert (já muito atrasado na geral) haveria de ser o grande vencedor da etapa. A 21 segundos chegava Samuel Sanchez, comprovando que está muito forte na alta-montanha e ainda anda no Tour pela lutar pela vitória. O que é um dado meramente possível dado que o Espanhol é bastante melhor contra-relogista que todos os homens do top-10 excepto Cadel Evans.

A 46 segundos chegou Andy Schleck, que aproveitou para ganhar mais uns segundos ao seu irmão Frank, a Alberto Contador, a Thomas Voeckler (que continua com a camisola amarela) Basso, Cunego e Evans.

Voeckler continuou impressionante em Plateau de Beille, mostrando que a sua garra, concentração, esforço e motivação encontram-se totalmente nos píncaros. Muito ajudado novamente por elementos da sua equipa (Pierre Roland é o homem da Europcar que merece uma distinção pelo trabalho que tem feito para o seu líder) Voeckler mostrou um espírito de sacríficio enorme ao continuar firme na resposta aos ataques dos principais adversários e na defesa da camisola amarela.

Resta saber se o homem da Europcar (que está a excitar os franceses) consegue ultrapassar os Alpes. Se os Franceses já sonham com Voeckler de amarelo em Paris (recordo que os Franceses já não vencem o Tour desde 1985Bernard Hinault) já existem vozes dentro do pelotão e fora dele que admitem uma eventual vitória na prova do ciclista Franceses. Um deles é o próprio Lance Armstrong, que ontem twittou na sua página de twitter a seguinte declaração: “Se Voeckler acompanhar os líderes, pode vencer o Tour”.

Quem continuou sem atacar foi Alberto Contador. Segundo fonte da sua equipa (Saxo Bank) o Espanhol continua muito dorido de uma lesão no joelho direito, limitando-se ontem a responder aos ataques dos adversários e não atacar para se preservar para as etapas do Alpes. O que é certo e seguro é que se Contador quiser voltar a envergar a amarela em Paris terá que atacar de forma explosiva na chegada a Gap, facto que dificilmente irá acontecer.

Revendo os números da etapa de ontem:

1º Jelle Vanendert (BélgicaOmega Pharma-Lotto)
2º Samuel Sanchez (EspanhaEuskatel) a 21s
3º Andy Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 46s
4º Cadel Evans (AustráliaBMC) a 48s
5º Rigoberto Uran (ColômbiaTeam Sky) a 48s
6º Alberto Contador (EspanhaSaxo Bank) a 48s
7º Thomas Voeckler (FrançaEuropcar) a 48s
8º Frank Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 48s
9º Jean-Christophe Perraud (FrançaAG2R) a 48s
10º Pierre Roland (FrançaEuropcar)a 48s
11º Ivan Basso (ItáliaLiquigás) a 48s
12º Damiano Cunego (ItáliaLampre) a 1,29m
13º Tom Danielson (EUAGarmin) a 1.59m
14º Kevin De Weert (BélgicaQuickstep) a 1.59m
15º Rein Taaramae (EstóniaCofidis) a 2.23m
18º Haimar Zubeldia (EspanhaRadioshack) a 3.01m
21º Christophe Riblon (FrançaAG2R) a 3.55m
22º Sandy Casar (FrançaFDJ) a 3.55m
23º David Moncoutie (FrançaCofidis) a 3.55m
27º Arnold Jeanesson (FrançaFDJ) a 5.03m
33º Nicolas Roche (IrlandaAG2R) a 6.47m
34º Vladimir Karpets (RussiaKatusha) a 6.47m
36º Sylvain Chavanel (FrançaQuickstep) a 7.26m
37º Christian Vandevelde (EUAGarmin) a 7.31m
39º Levi Leipheimer (EUARadioshack) a 9.45m
53º Rui Costa (PortugalMovistar) a 12.08m
63º Robert Gesink (HolandaRabobank) a 14.59m
68º Phillipe Gilbert (BélgicaOmega Pharma Lotto) a 17.03m

Sinal Positivo:

– Jelle Vanendert. Aproveitou a ausência de Phillipe Gilbert na frente da corrida e de Van der Broeck por desistência para ser o homem da montanha da Omega-Pharma Lotto. Se em LuzArdiden perdeu no sprint para Samuel Sanchez, ontem saiu do grupo principal directinho para mais uma vitória da equipa Belga.

– Rigoberto Uran. Made in Colômbia. Temos trepador para o futuro e quiçá, o futuro vencedor da juventude desta volta tendo em conta os atrasos de Taaramae e Jeanesson.

– Thomas Voeckler e Pierre Roland. Incansáveis. Merecem o sucesso que estão a ter. Há 78 anos atrás jamais se pensaria que Voeckler era homem para incomodar os “deuses da montanha do pelotão internacional”. Roland está na luta pela juventude.

Sinal Negativo:

– Damiano Cunego: Disse adeus definitivamente ao top-3. Perdeu 41 segundos para os principais favoritos e não se dá bem com os contra-relógios. Muito dificilmente terá hipóteses de chegar ao pódio final.

– Arnold Jeanesson e Nicolas Roche: Os tempos acumulados na etapa de hoje retiram não só a hipótese de chegar ao top-10 aos dois ciclistas como deverá arredar o Francês da luta pela juventude que agora será a dois entre Taaramae e Uran. O Francês estava tão bem…

– Phillipe Gilbert: Desistiu definitivamente da geral para poupar forças para a etapa de hoje. A verde é o objectivo claro.

– Karpets, Kreuziger, Martin, Gesink, Vandevelde, Leipheimer: Mais uma montanhinha, mais uma voltinha, mais um atrasozinho! Deprimente. Da parte de todos.

Classificação geral:

1º Thomas Voeckler
2º Frank Schleck a 1.49m
3º Cadel Evans a 2.06m
4º Andy Schleck a 2.15m
5º Ivan Basso a 3.16m
6º Samuel Sanchez a 3.44m
7º Alberto Contador a 4.00m
8º Damiano Cunego a 4.01m
9º Tom Danielson a 5.46m
10º Kevin de Weert a 6.18m
11º Rigoberto Uran a 7.55m
13º Rein Taamarae a 9.02m
14º Pierre Roland a 9.20m
17º Arnold Jeanesson a 10.05m
18º Nicolas Roche a 10.56m
19º Sandy Casar a 11.54m
20º Jelle Vanendert a 12.06m

Nos pontos, Mark Cavendish continua a liderar com 264 pontos contra os 251 de José Joaquim Rojas. Phillipe Gilbert é 3º com 240. A etapa de hoje é fulcral para esta classificação. É a última oportunidade para os sprinters antes de Paris. 

Na montanha, novo lider como já tinha referido. Jelle Vanendert primeiro com 74 pontos contra os 72 de Samuel Sanchez. Jeremy Roy é 3º com 45 pontos numa classificação que será vencida por um dos dois primeiros.

Na juventude, Rigoberto Uran lidera com 1 minuto e 7 segundos de vantagem sobre Rein Taaramae, 1 e 25 sobre Pierre Roland da Europcar (entrou na luta pela juventude) e 2.10 sobre Arnold Jeanesson da Française des Jeux.

Por equipas, a Leopard-Trek ocupou novamente o seu lugar “por direito”. Tem 6 segundos de vantagem sobre a Europcar (anda a colocar muito bem os seus homens) e 2 minutos e 32 sobre a AG2R La Mondiale, que também anda a ter os seus homens pelos primeiros 3040 lugares, acabando por fechar rapidamente a sua classificação nesta categoria.

Em relação à etapa de hoje, Limoges a Montpellier numa etapa muito plana. A última oportunidade para os homens da verde marcarem diferenças entre si antes de Paris. A última diferença para os sprinters que ainda não marcaram a diferença neste tour, caso de Alessandro Petacchi.


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