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facto raro

os governos provisórios do PREC viraram trabalhadores contra trabalhadores. o cavaco silva virou polícias contra polícias. o louçã e o gil garcia da arrentela viraram bloquistas contra bloquistas. o arménio carlos virou o texas.

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O meio-dia serve é para bocejar em frente ao monitor

O Governador do Banco Central Cipriota Panicos Demetriades fez juz ao seu nome e lançou mais o “Panicos” na Zona Euro ao afirmar numa entrevista ao Financial Times que o Chipre estará segundo palavras do mesmo “próximo de pedir um resgate financeiro”  à Europa.

Se há coisa que tenho aprendido nos últimos anos é que os mercados não dormem perante este tipo de afirmações.

Em primeiro lugar porque os líderes europeus tem a estranha mania em serem desbocados sempre que se tratam de assuntos soberanos ao nível orçamental e financeiro como é o caso deste caso específico e de outras centenas de afirmações ditas ao longo deste período de crise por outros chefes de estado e agentes com responsabilidades na área estatal dos países da zona euro.

Em segundo lugar, porque os líderes  europeus (caso de Sócrates e Teixeira dos Santos no anterior governo português; caso actual de Rajoy no governo espanhol) tendem por outro lado a tentar segurar a panelinha tendo em conta o atraso de um resgate que para Bretton Woods e para Bruxelas já é dado como um facto consumado que só necessita da assinatura dos visados para se por em marcha.

E por panelinha entenda-se algo que Portugal não terá acesso até setembro de 2013 que é o acesso aos mercados. Isto é,  o acesso livre aos mercados de emissão de dívida, facto que Portugal tem acesso de facto, mas de forma faseada e mediada pela União Europeia como aconteceu no passado mês de Abril. Um dos grandes problemas factuais da dupla Teixeira dos Santos\José Sócrates foi de facto o recurso aos mercados de forma sistemática no final do seu mandato, forma que devemos considerar como errónea tendo em conta o desfecho que já era como disse facto consumado entre aqueles que nos resgataram financeiramente.

Para corroborar a ideia de que os mercados não dormem, vem-me à memória uma analogia futebolistica. A 22 de Março de 1982, António Oliveira (ex-seleccionador nacional) em vésperas de mais um derby contra o Benfica haveria de tecer uma das frases mais marcantes da história do Sporting: “Por cada leão que cair outro se levantará” – Os mercados operam de forma semelhante: por cada especulador que adormeça antes da afirmação de ruína num país da zona euro, 10 se levantarão para especular contra a ruína desse mesmo país, capitalizando os erros dos seus governantes ou dos seus agentes reguladores.

Panicos “Panicou” e o Chipre segundo começam a rezar internacionalmente estará próximo de levar uma injecção de capital nunca inferior a 42 mil milhões de euros, que servirá não só para regular o excessivo défice das contas públicas gerado pelos anteriores executivos cipriotas como será para regularizar as contas dos principais bancos do país que só este ano já deverão ter perdido de forma irremediável algo como 3 a 4 mil milhões de euros entre crédito mal parado e investimentos não sucedidos.

Em Espanha, o cenário também não está famoso. A Espanha de Rajoy enfrenta uma das mais perigosas taxas de desemprego a que o ocidente assiste desde o crash de 1929: 22% da população activa está no desemprego (cerca de 5,5 milhões de pessoas) não tendo Rajoy dados indicativos (mesmo apesar de ter feito algumas reformas a nível fiscal e de ter feito os já indispensáveis cortes orçamentais) que lhe permitam sonhar com uma redução do número de desempregados  e com a respectiva bitola de crescimento económico\aumento de coesão social visto que para além do excessivo défice herdado de Zapatero, da falta de crescimento e do aumento a olhos vistos da taxa de desemprego, terá que lidar agora com uma falência massiva dos seus principais bancos motivados pelo buraco financeiro de 8 a 12 mil milhões descoberto no Bankia.

Quando o nosso principal parceiro comercial está na situação em que está, precisamos de rezar para que não caia o carmo e a trindade neste país nos proximos meses.

E Portugal segue a toque de caixa da troika e do medo que é cada vez mais evidente do estoiro de uma multiplicidade de factores: da saída descontrolada do euro cada vez mais eminente no caso grego (provavelmente já para o final do mês), de um resgate aos cipriotas, de um resgate aos espanhóis, das fragilidades pelas quais também passam o estado italiano e o estado francês e da incapacidade da Alemanha (que tanto fez sonhar Frau Merkel na busca do desejo de país hegémon da europa) em gerar uma solução que alivie toda esta europa vendida ao défice das contas públicas e ao saque desmedido dos mercados e dos sanguessugas que dele se alimentam.

Portugal atravessa neste momento uma frase crítica.

Faz daqui a uns dias um ano em que o povo português confiou a sua governação na mão de meia dúzia de liberais mascarados da social-democracia ali do eixo Avenida de Roma-Restauradores-Massamá. O preço a pagar em ter colocado na liderança de um país na europa num queque de Massamá cujo livro que mais adorou em vida foi o inexistente “Metafísica dos Costumes” de Hegel (palavras do próprio) quando qualquer acéfalo com dois palminhos de testa sabe perfeitamente que a obra é de Kant está à vista…

Na “Metafísica dos Costumes” Kant afirma que a razão deverá ser a base de todos os actos morais, ou seja, a causa maior que guia a acção humana a um estado de moralidade para que esta justifique não só a acção humana mas a própria dignidade dos homens.

É na Metafísica dos Costumes que Kant insere aquele que é talvez um dos seus maiores conceitos:  o imperativo categórico. Um imperativo é uma ordem, é algo que impera sobre todas as vontades ou sobre todos os comportamentos, desde que tenha consigo uma mensagem expressa que deverá ser acatada por todos. Um imperativo categórico segundo o pensamento Kantiano deverá ser entendido como uma ordem racional, ordenada como boa em si, não-hipotético e não-deduzido de forma artificial, que perante dado problema deverá ser aplicada com severidade para que se atinja uma determinada finalidade e só essa finalidade.

Pedrito (o Passos Coelho) é o governante oposto da “Metafísica dos Costumes”, algo que realmente me coloca a dúvida se o primeiro-ministro leu ou não o tal livro que não é de Hegel mas sim de Immanuel Kant.

Primeiro porque é o líder que não justifica moralmente as suas decisões.

Segundo porque é o líder que não justifica moralmente as suas decisões e não respeita a dignidade humana do seu povo na sua tomada de decisões.

Terceiro porque é o líder que não sabe os limites que devem servir de balizas às suas tomadas de decisão. Ir ao parlamento dizer que o seu governo é o reflexo da “ética social da austeridade” é a mesma coisa que ir comprar um cavalo à feira da golegã e o bicho cair ali de morto para os lados de Vila Franca meia-hora depois. É portanto um discurso morto e sem objectivos práticos senão entreter a sua bancada e a bancada dos hipócritas pertencentes ao partido que com o seu partido faz coligação.

O Imperativo Categórico que é lançado a Passos Coelho é simples: ou obedeces ao Memorando de Entendimento ou então és posto fora da carruagem. Nada mais nada menos que um argumento ad-hominem que é tão falso e tão cínico como aquele mito que existe na praxe coimbrã de que “caloiro que não se submete à praxe não poderá usar capa e batina”.

Passos Coelho, o seu sombra frankenstein (sim, o primo direito do Louçã) e o Alvarinho-que-suou-todo-quando-lhe-fiz-uma-pergunta sobre austeridade no ensino superior, conseguiram cometer uma proeza fenomenal que foi ir para além do Memorando de Entendimento em matéria de desflexibilização laboral.

Proeza fenomenal, digo eu. Despedir em Portugal tornou-se mais barato e nem nos tempos da velha senhora em que patronato e trabalhadores eram obrigados a praticar uma velha prática anti-comunista que se chamava alinhamento em coligação nas corporações de forma a evitar o choque de interesses e por conseguinte a luta de classes, o patronato em Portugal sonhou estar melhor ao nível de leis laborais em 2012 do que alguma vez esteve no regime salazarista.

Para acentuar um código do trabalho que extrapolou as páginas do memorando, resta mencionar que o acordo de Concentração Social que o Alvarinho-Vancouveriano lá arranjou teve a mácula de um sindicato ter virado as costas à defesa dos seus ideais e de outro (mais ligado ao Partido Socialista) ter virado o cú para o Ministro em troca de 5 tostões e de um chuto, acto criminoso que ainda hoje deverá envergonhar publicamente João Proença e os seus sindicatos afiliados.

A falar em Partido Socialista, faz também um ano do desaparecimento desse grande charlatão que dava pelo nome de José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa para Paris, onde hoje estuda dívidas que não se pagam de uma vez mas gerem-se e onde hoje vive à grande e à francesa (literalmente) com a choruda pensão que os portugueses lhe pagam pelos seus exímios serviços enquanto governante.

Desde o seu desaparecimento, o Partido Socialista mais se assemelha a um corso funebre. Não se motiva apenas pelo olhar tristonho de António José Seguro nas suas aparições e declarações públicas, mas também pelo facto da vergonha ser tão grande que o partido (principal partido da oposição) só é capaz de participar na morte do país dizendo amén a todas as facadas que o governo vai dando no defunto.

Dr. Frankenstein veio hoje falar em sucesso no 1º ano de implementação do Memorando. O défice baixou, as previsões afinal não eram tão baixas como se esperavam, Portugal vê um furinho para o crescimento económico e a reposição dos rácios de capital de alguns bancos levarão a que o Estado tenha que lhes depositar mais 7 mil milhões, valor esse que fica abaixo daquilo que a troika previa numa fase inicial… o bla bla bla bla do costume, a vitória moral do governo… a vitoria moral de sempre.

Victor Hugo afirmava num dos seus escritos uma frase que me pareceu talhada de uma inteligência que só pertence aos melhores desta espécie: “Saber exactamente qual a parte do futuro que pode ser introduzida no presente é o segredo de um bom governo”.

Um ano passou e nada mudou neste país.

A coesão social foi ameaçada com desemprego, com cortes nos apoios sociais, com cortes severos no provimento dos bens sociais que em larga escala são usufruídos por aqueles cuja carga tributária é a maior e a mais atacada neste país por este governo: o rendimento dos trabalhadores.

Existe fome declarada neste país que não aparece transporta em numeros no Ministério das Finanças.

O desinvestimento é de larga escala e em vários sectores: saúde, educação, segurança social, três sectores fundamentais onde o estado não pode fugir às responsabilidades que lhe são exigidas ao nível de correcção dos desiquilíbrios naturais provocados pela acção dos mercados no rendimento dos cidadãos.

Na relação banca\trabalho, o código laboral não se ficou apenas por um mecanismo de despedimento fácil. A banca e o estado não são capazes em conjunto ou de forma isolada de criar soluções que ponham em marcha uma nova redistribuição do capital que possa fomentar a criação empresarial, o investimento privado e o aumento produtivo com vista a uma necessidade que a economia portuguesa atravessa e é que clara como a água que reside na necessidade de produzir mais, de alimentar mais o consumo interno e de alimentar mais a exportação entre as empresas portuguesas.

A economia portuguesa não crescerá a meu ver com a baixa de salários (será uma medida ruinosa ao nível de coesão social), não crescerá com eurobonds e não crescerá com outros mecanismos que andam a ser associados a muitas analogias que se andam a fazer aí de acordo com parábolas respeitantes a falsos exercícios que visam estender uma ponte entre a economia doméstica e a macroeconomia. A economia portuguesa só crescerá quando existir liquidez para investir, liquidez para arriscar e liquidez para conseguir chegar onde os outros actualmente não chegam.

A liquidez é inclusive um dos problemas que a troika menciona no seu relatório publicado hoje, tanto ao nível estatal como ao nível da banca. Nada de estranhar visto que a remessa que nos foi enviada de Washington e Bruxelas para pouco mais serviu do que pagar umas contas atrasadas de vários governos e tentar manter as contas públicas minimamente em dia.

A troika também aproveitou a ocasião para mostrar o seu descontentamento pela venda ao desbarato do maior activo do estado aos Chineses: a EDP. Mais uma medida que em Dr. Frankenstein apenas pensou a curto prazo, numa tentativa declarada de amenizar o excessivo défice na balança de pagamentos do estado português, vendendo um enorme activo ao desbarato.

Só que em Bretton Woods a venda da EDP aos Chineses contrariou uma das principais regras das reformas estruturais praticadas pelos livre fundamentalistas de mercado: liberalizar sim, mas desde que a liberalização seja sempre em prol de uma empresa amiga como vencedora dos concursos.

Tanto é que depois da venda da EDP às três gargantas, a Goldman Sachs (bem representada pelo nosso amigo António Borges, recentemente entachado com o cargo de consultor no que toca à analise das criminosas parcerias público-privados que o governo herdou de outros governos e quer reduzir) anda por aqui a cheirar a ver o que é lhes pode caber da fatia do bolo que a troika ordena à venda por parte do Estado Português.

Goldman Sachs rules the world, já dizia o outro.

Ate porque uma eventual baixa dos salários não irá resolver a nossa crassa pequenez ao nível de competitividade nos mercados internacionais. O nosso produto é caro (tendo em conta o preço dos produtos dos países do Sudeste Asiático, da América Latina e dos países emergentes), é mal produzido, é produzido em séries minúsculas tendo em conta a produção de países industrializados e emergentes, e ainda por cima carece de aplicação nos mercados dos outros porque nos vários mercados mundiais, antes do Português conseguir negociar a venda do seu produto já os Chineses (por exemplo) estão a entafulhar o mercado desse país com o seu produto. Daí que outra das coisas que considere inúteis são aquelas faustosas viagens governamentais com empresários de algibeira a toque de caixa (sim, aqueles empresários que tiveram tudo para se modernizar nos tempos dos fundos comunitários) ao estrangeiro, cujo resultado final da visita redunda sempre no empresário x ou y a dizer que “até correu bem a viagem, beberam-se umas caipirinhas com os empresários locais e até se estabeleceram umas portas de entrada no país ao nosso material” mas “não temos capacidade para aumentar a produção” ou porque “não existe capital para investir” ou porque “as linhas concedidas pelo estado para a exportação ou para as PME´s não chegam para que possamos aumentar a produção e exportar mais daquilo que actualmente exportamos” – a conversa termina quase sempre onde começou…

Outro dos pontos que é visado no relatório da troika e que eu acho muita piada é a necessidade que eles vêem de nós efectivarmos uma reforma que eles há muito pedem que é a reforma no sistema judicial. Mexer na justiça para quê meus senhores? Para prenderem de vez gente honesta e trabalhadora como o José Eduardo Simões?

Ao oposto do que Vitor Hugo afirmava, este governo português não consegue vislumbrar a decisão do futuro no presente porque está condicionado por terceiros a dar um passo de cada vez… como dizia o ronaldo para o queiroz “ó carlos, assim não vamos lá”…

Assim não vamos lá…

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hiper-democracias ou a falta dela.

Quando penso sobre o valor Democracia e sobre o valor Liberdade, confesso que começo a ficar confuso.

Pegando nesses valores como inseparáveis, já não consigo perceber a diferença entre a ditadura e uma democracia tosca, falsa e mal institucionalizada.

A única diferença que consigo vislumbrar entre as duas reside no facto da ditadura ser instituída por métodos que tornam previsíveis aos cidadãos as consequências dos seus actos e a democracia falsa ser instituída de forma a criar um grau de imprevisibilidade nesses mesmos actos em relação às suas consequências práticas. Quero com isto dizer em duas pinceladas que a ditadura, pela imposição e utilização de todo o tipo de meios, instrumentos legais e instituições repressivas, faz com que o cidadão necessite de repensar as consequências dos seus actos antes de agir concretamente perante dado caso (p.e num país onde não há liberdade de expressão e onde opinar dá direito a sanção penal, o cidadão tenderá a comportar-se adequadamente a esta imposição legal) e numa falsa democracia, pela criação de um institucionalismo tosco, tendencioso, imprevisível, lobbysta e pela criação legal que permite a distinção prática entre as elites e o povo, a atitude e os comportamentos do cidadão não só tendem a ser mais liberais e abrangentes como as respostas do poder governativo e administrativo podem ser transmitidas nos moldes da resposta dada pela polícia aos manifestantes de ontem.

Esta introdução remete-me obrigatoriamente para um texto delicioso escrito pelo sociólogo português Boaventura de Sousa Santos e pelo sociólogo brasileiro Leonardo Avritzer intitulado “Para âmpliar o cânone democrático”.

Podendo ler esse texto na íntegra aqui, Santos e Avritzer dão uma autêntica lição discursiva sobre as intensas batalhas que a democracia teve que ultrapassar no século XX. A meio do texto, os dois autores discursam de forma exemplar sobre a dificuldade da implantação e institucionalização democrática nos países europeus saídos de ditaduras (como Portugal) e nos países do hemisfério sul no período de pós-colonização, onde os mesmos tiveram que construir uma experiência democrática a partir da estaca zero, muitas vezes ultrapassando os problemas decorrentes da tosca aplicação democrática pelas necessidades de abertura aos mercados decorrentes de entrada numa economia global.

Portugal é um belo exemplo de um país onde a experiência democrática está a ser aplicada às 3 pancadas.

Ainda ontem, na manifestação decorrente da greve nacional convocada pela CGTP, tivemos este belíssimo exemplo de um governo que começa a temer a contestação promovida pelo povo.

Qual constituição, qual quê? Porrada neles.

Os agentes do corpo de intervenção da Polícia de Segurança Pública, agentes que são pagos pelo nosso dinheiro para manter a segurança e a ordem pública, acabaram por libertar de uma vez só a frustração de anos e anos de profissão em que não conseguem combater males maiores à sociedade como a prostituição por coacção de terceiros, o desmantelamento de redes de narcotráfico nas grandes cidades, o crime organizado e as máfias estrangeiras que operam em Portugal para descarregar umas boas bastonadas em cidadãos que livre e pacificamente reinvindicavam os seus direitos perantes os cortes anti-democráticos que o nosso governo de direita faz segundo o mando desse documento chamado Memorando de Entendimento com o Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia.

Como diria Pedro Rosa Mendes, “não somos a voz do dono de ninguém” – somos sim, donos do nosso próprio destino e donos do nosso próprio país! A Democracia constroi-se a partir das nossas instituições e não a partir daquilo que as instituições regionais e mundiais pensam que é bom para o nosso presente e para o nosso futuro.

Feliz ou infelizmente, a democracia já ultrapassou a era do contrato social iluminista. No entanto, o contrato social ainda pode explicar muita coisa nos tempos que correm. Como a confiança do povo nas mãos dos seus governantes tenderá a ser praticamente nula, quando o povo já não demonstra essa confiança, os governos terão que cair. O Sérgio Godinho explicava muito do contrato social quando cantava “a paz, o pão, habitação, saúde, educação” em prol da Liberdade. O Estado, deveria por defeito ser o garante desses 5 pilares. Em Portugal, o estado deixou de ser garante dos 3 primeiros e tenderá a extender-se progressivamente para fora dos dois últimos.

Ocorre-me ainda perguntar quem foi o indíviduo que deu ordem para este acto hediondo. Se foi alguém da tutela responsável pelas forças policiais, diria que tal recorrência à força para este tipo de eventos já é um acto paralelo à própria história de um dos partidos do governo. Assim aconteceu quando os polícias se viraram contra os polícias e quando os estudantes foram corridos à lei do bastão no aumento de propinas nos anos 90. Assim aconteceu por exemplo quando Alberto Martins pediu a palavra nas Matemáticas em 1969 perante o Ministro da Educação em nome dos estudantes de Coimbra. Semelhanças com o modus operandi do Estado Novo só me fazer reflectir para a ideia que vivemos numa democracia falsa.

Chegamos a um ponto neste país onde as pessoas não tem direito a uma vida condigna. Escasseia o emprego, escasseia o rendimento das famílias para fazer face às suas obrigações, o nível de vida subiu abruptamente assim como a carga fiscal imposta pelo estado e o acesso aos bens sociais que o estado deveria assegurar (como manda a constituição) como “tendencialmente gratuitos”.

Pior que esse facto é o facto de vivermos num país onde o ordenamento jurídico nos autoriza a liberdade de expressão e o direito à greve, mas onde empresários aparecem de caçadeira em punho nas suas empresas para aterrorizar os seus trabalhadores e persuadi-los pela força a não fazer greve e onde as próprias instituições do estado são as primeiras a usar a violência para reprimir esses mesmos direitos.

Vivemos num país sem rei nem roque. O poder é transversal. Pertence ao povo não aos governos, não aos partidos políticos. No mesmo sentido em que se elegem representantes, o povo é livre para destituir dos cargos esses mesmos representantes quando não se sentir satisfeito. O povo é digno de entrar pacificamente pela Assembleia da República e terminar a pouca vergonha que os partidos políticos por lá fazem. O povo é digno de mudar o rumo do seu país se assim o pretender.

Caberá a cada cidadão zelar pelos seus interesses. Caberá a cada cidadão consciencializar-se daquilo que pretende para a sua vida. Sei que são cada vez mais os revoltados com o presente e com o futuro do país. A única coisa que peço é que esqueçam os partidos políticos e as ideologias. Lutem pela vossa vida. Ergam-se e lutem por algo melhor. Façam a revolução. Para bem desta tosca democracia. Para bem deste país.

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O “Caralho da Silva” quer ir para Belém

Nesta manhã, aos microfones da TSF, o antigo secretário-geral da CGTP quando interrogado pela possibilidade de se candidatar à Presidência da República nas próximas eleições presidenciais afirmou “ter disponibilidade e querer ajudar a sociedade”.

Está tudo dito. Pelo PCP Camarada?

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concertação social?

Antigamente o Nasser, o Tito e o Nehru juntavam-se numa coisa séria a que chamavam o movimento dos não-alinhados. Perante o cenário geopolítico de tentativa de hegemonia bipolar, a Federação Jugoslávia, a Índia e o Egipto proclamavam a sua neutralidade no cenário mundial.

A concertação social portuguesa faz jus a algo antagónico: é o movimento dos alinhados com o governo.

Nas palavras do meu amigo João de Araújo Correia na sua página de facebook, João Proença foi “comido de cebolada” na última reunião da Concertação social. Com todo o respeito, a UGT bateu no fundo com o acordo alcançado na reunião dessa falsa câmara de concertação social. Não que a UGT tivesse o poder para o modificar porque não tem e historicamente sempre teve um papel muito bem definido: defender os trabalhadores alinhados com o bipartidarismo rotativo que tão bem conhecemos no pós 25 de Abril.

Quando era miúdo, desfilei várias vezes junto com o meu avô em manifestações e dias do trabalhador com o meu avô e com os sindicatos afectos à CGTP. Com o passar dos anos e com as lembranças e assimilações teóricas e legais do que representavam os sindicatos não percebi porque é que à UGT era conferido o estatuto de importância quando a UGT detém apenas 3% dos trabalhadores sindicalizados do país. Olhando profundamente para os sindicatos que representa comecei a perceber o porquê: com alta finança e funcionalismo público ao barulho tudo me ficou mais claro. Defendem os mais fortes, perdão, alinham os mais fortes nas decisões tomadas pela elite governativa.

No que toca a este acordo saído da Concertação, melhor, da (des)concertação social, estamos perante mais um ataque aos trabalhadores e provavelmente poderemos não ficar por aqui visto que não tenho a menor dúvida em afirmar que em 2012 ainda iremos ver o governo a cortar o subsídio de férias por metade ou até por inteiro a todos os trabalhadores do privado e quiçá o subsídio de natal por inteiro este ano.

E no meio de uma razia de mortos, Carvalho da Silva decidiu voltar a abandonar a reunião ainda nem esta ia a meio. Eu por um lado até percebo: não vale a pena lutar por algo que já vem preparado para ser aplicado. Não vale a pena lutar por uma solução que seja de acordo com os trabalhadores quando o trabalho de casa vem feitinho nos trinques e o governo descarta por completo o diálogo com a CGTP e a inserção de pontos de interesse da confederação nos seus acordos. Por outro lado, defendo que pelo menos Carvalho da Silva deverá ficar até ao fim nas reuniões nem que seja para meter nojo e para bater o punho na mesa sempre que discordar de algo que lese os interesses dos seus sindicatos. É o mínimo que pode oferecer aos seus afiliados: a luta de cabeça erguida até ao fim.

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abandono

Carvalho da Silva abandonou a reunião da concertação social marcada para hoje e deixou os afiliados dos sindicatos da CGTP sem uma voz activa na luta contra a retirada de direitos.

Mais uma razão que me leva a aumentar a não concordância com as tomadas de posição da CGTP.

Se Carvalho da Silva quisesse realmente vincar o descontentamento dos seus afiliados perante uma decisão que revolta, que tira os direitos aos trabalhadores portugueses teria ficado até ao fim da reunião, mantendo a sua posição de discordância. Mas não, abandonou. Virou as costas à luta e deu mais razões para que a concertação social leve avante a medida.

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Em Viana do Castelo

400 postos de trabalhos suspensos nos Estaleiros Navais. 400 postos de trabalho suspensos, mais 400 famílias em desespero nos tempos futuros, mais 400 famílias em dificuldades financeiras.

Concordo com as palavras proferidas por Carvalho da Silva hoje em Viana do Castelo. 

O Governo pretende criar mais postos de emprego. Podem começar por resolver esta questão.

E o Presidente da República, armado ao pingarelho,  qual paladino-princípe D. Henrique fala fala fala da importância do Mar para a economia nacional e ainda não foi capaz de se pronunciar sobre este autêntico flagelo que se abate entre os trabalhadores do Estaleiro Naval de Viana do Castelo.

Cavaco Silva deve definitivamente deixar-se de proferir discursos ao belo estilo Salazarista e consequentemente deixar de  recomendar mais sacrifícios ao povo. Sacríficios, anda o povo português a fazer na última década. E não se avizinham melhorias. O povo quer emprego, o povo quer melhorias de vida, o povo está-se nas tintas para as dívidas que são acumuladas pelos governantes centrais e locais e pelos gestores públicos. O povo está-se a borrifar para os erros na gestão dos bancos privados. O povo quer um bom sistema de saúde, um bom sistema de ensino, qualificação profissional, pleno emprego, aumentos salariais, o direito a um sistema de segurança social que lhe garanta uma reforma que lhe permita ter um nível aceitável de vida de acordo com o princípio da dignidade humana e protecção em caso de invalidez ou infortúnio.

Cavaco deve ser mais poupado nas palavras.

Melhor, por vezes mais vale estar calado. Porque por vezes, já diz o ditado que “pela boca morre o peixe”.

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Estagiários com direito a Subsídio de desemprego

Depois de todos os cortes na despesa pública, no Orçamento de Estado, dos sucessivos pacotes de medidas de austeridade e da subida de impostos, este poderá ser o maior avanço promovido pelo Partido Socialista no Governo no que respeita ao Estado Social.

Há muito que as centrais sindicais (CGTP e UGT) reclamavam que o Ministério do Trabalho pudesse discutir o tema com os seus parceiros sociais e legislar sobre o mesmo.

Segundo fonte do Ministério do Trabalho, todos os jovens que a partir deste ano frequentem um estágio profissional, poderão (ao abrigo da medida) ter direito a subsídio de desemprego no final desse mesmo estágio. Assim, um jovem que tenha feito um estágio profissional de 2 meses poderá aceder ao subsídio de desemprego, sem que isso tenha custos acrescidos para a entidade patronal que o albergou em estágio profissional.

E isso meus amigos, é uma solução que vem de encontro a todos os jovens licenciados que saem das universidades com medo de terem que trabalhar anos e anos em vários estágios profissionais de curta duração, sem que porém tenham direito a subsídio de desemprego depois do fim do prazo dos mesmos.

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Salário Mínimo Nacional

Hoje realiza-se a reunião de concertação quanto à possível subida do Salário Mínimo Nacional para o pico histórico de 500 euros mensais.

Para que um cidadão remunerado com o salário mínimo nacional actual, possa ter mais 25 euros de rendimento mensal, quase que é preciso que se cerre os punhos com toda a força e se grite “ah benfica”!

O Governo apresentou um estudo, em que defende que esta subida terá consequências graves ao nível da competitividade das empresas Portuguesas, ou seja, numa óptica racional, tenho em crença que se o ordenado mínimo subir agora, haverá mais desemprego nos próximos meses.

A lógica desta problemática é simples: Se o empresário capitalista for obrigado a aumentar os gastos da sua empresa com capital variável, este aumento não só terá repercussões graves ao nível do custo de produção e consequentemente do preço do produto que produz como tornará o seu produto menos apelativo tendo em conta os actuais mercados de concorrência. Logo, este aumento poderá trazer riscos ao nível da exportação. Logo, as margens de lucro dos empresários poderão descer e este ameaçado na reprodução da actividade produtiva, poderá encerrar unidades e levar ao despedimento dos seus trabalhadores, caso a actividade produtiva não seja rentável.

Infelizmente, a situação de mais despedimentos é um cenário extremamente injusto tendo em conta que pedir 25 euros de aumento para todos os trabalhadores que recebam o salário mínimo não é muito perante a situação de crise e perda de poder de compra que vivemos.

Várias entidades estão na cabeça do processo. A típica estratégia do “amigo não empata amigo”. O Governo pretende um aumento faseado até ao final de 2011, as unidades sindicais pretendem que o aumento se efectue já. O patronato continua a manter a sua firme posição de ceder aumentos ao nível da inflacção (2,2%). Tudo isto vai redundar numa intensa luta de forças, sabendo de antemão que o trabalhador será sempre prejudicado em relação ao jogo de forças entre o valor que cria com a sua mão-de-obra e o valor que aufere de salário.

Vivemos assim num Estado Social podre e caduco. Quando os governantes ousam em retirar poder de compra aos seus cidadãos pelo intermédio de impostos, taxas e outros embustes, criam-se logo leis e decretos-lei na hora para que o povo tenha que pagar a crise de uns. Quando o trabalhador, a força motriz da economia deste país reinvindica por um pouco de “ar fresco” perante o sufoco da crise, “a porca torce o rabo” e aparecem mil e um motivos que o impede de ter uma vida mais condigna.

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Vergonhoso

O país está praticamente parado! A Greve Geral dos Trabalhadores, segundo números da CGTP e da UGT está perto dos 80% em todo o país.

Os trabalhadores saíram às ruas para se manifestar contra o actual panorama da vida social e económica Portuguesa. Centenas de escolas, aeroportos, serviços judiciais, hospitais, fábricas e serviços públicos estão encerrados. Dezenas de voos de Portugal para o estrangeiro e do estrangeiro para Portugal foram cancelados, assim como foram suprimidas dezenas de carreirasviagens nos serviços municipais de transporte, metro e comboio das principais cidadeslinhas do país.

O povo está a mostrar a sua força como nunca perante a aberração do governo socialista e perante as políticas que cortam o direito a uma vida condigna.

Neste vídeo, gravado durante a madrugada de hoje é vergonhoso ver os polícias de intervenção rápida a fazer um cordão para empurrar os piquetes de greve dos CTT sem que nada o justificasse. É uma imagem triste, que relembra o Portugal da Velha Senhora em que ninguém podia expressar livremente as suas opiniões e actuar de acordo com a sua própria consciência.
São imagens tristes que mancham o nome dos Polícias em causa, também eles cidadãos fustigados pelos efeitos dos sucessivos pacotes de austeridade que o denominado “Estado Social da fachada” que o nosso primeiro ministro tende a anunciar a todos os lares Portugueses.

Até quando é que vão continuar a defender um governo como o fizeram na passada manifestação estudantil na Assembleia da República? Vão continuar a defender o governo quando os vossos filhos não tiverem comida na mesa? Vão continuar a defender o governo quando forem despedidos de um dia para o outro? Vão continuar a defender o governo com os sucessivos cortes salariais que sofrem quase todos os meses? Vão continuar a defender o governo quando os vossos filhos chegarem a casa derrotados porque não tem emprego nem futuro neste país?

Tenham vergonha! Quem se sente capaz de executar as medidas que executou pelo tesão do poder, que agora saía à rua e sofra na cara o protesto popular. José Sócrates e o seu executivo deveriam sair à rua sem polícia para testemunhar na pele a indignação, a revolta, a miséria, a fome, a falta de emprego, a falta de poder de compra, a falta de qualidade de vida, a falta de futuro para os jovens, a falta de um ensino de qualidade.
José Sócrates e o seu executivo deveriam ser obrigados a sair à rua e sentir na pele as consequências dos seus actos!

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Greve Geral


Se o sistema em que vivemos faz com que este país seja para uns, que esses tomem conta dos país sozinhos!

Por isso, cabe-me obviamente apelar a todos os trabalhadores, estudantes, desempregados e reformados deste país para que amanhã dia 24 de Novembro que faltem aos seus empregos e às aulas e saiam à rua para paralisar todos os sectores deste país, mostrando aos Orgãos de Soberania deste país, que sem mão-de-obra trabalhadora, o país não vai a lado nenhum! A força está do lado de quem trabalha! A força está do lado do futuro deste país!

Sem os trabalhadores, não existe lucro, não existe luxo para os grandes magnatas do capitalismo nem receitas para um Governo que está a castigar excessivamente um povo.

Vamos sair todos à rua em todas as cidades do país, contra os sucessivos PEC, contra os sucessivos pacotes de medidas de austeridade, contra a asfixia no poder de compra dos cidadaos, contra a fome, contra a exclusão social, contra a vida marginal que este governo faz sentir a partir das suas medidas.

Vistas as coisas, esta merda de governos do Bloco Central não dão uma vida condigna à força de trabalho que faz evoluir a economia. Esta merda de governos do Bloco Central não oferecem um futuro aos jovens que estão a gastar fortunas no Ensino Superior para oferecer uma melhor especialização técnica aos diversos sectores, ajudando assim para que este país avance no retrocesso em que está mergulhado. Por isso, vamos para a rua, temos que nos revoltar contra o actual ponto de situação, temos de nos revoltar contra a miséria que estes governos nos tem votado.

Vamos sair à rua e mostrar que o povo está mais unido que nunca! É o apelo que vos deixo.

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