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Verdades

““Estou a marimbar-me que nos chamem irresponsáveis. Temos uma bomba atómica que podemos usar na cara dos alemães e franceses. Essa bomba atómica é simplesmente não pagarmos. Se não pagarmos a dívida e se lhes dissermos as pernas dos banqueiros alemães até tremem” – Pedro Nuno Santos, demissionário vice-presidente da bancada parlamentar do PS e presidente da Distrital de Aveiro.

Afinal de contas não sou apenas eu aquele que não concorda com a política do bom aluno.

O professor Marcelo até tem razão. Este PS parece o CDS\PP (Partido aos pedaços) dos anos 90. As semelhanças começam a ser muitas:

1. Mudam-se os estatutos de forma a proteger a ténue liderança de quem alinha pacificamente com o governo por via de sucessivas abstenções parlamentares. Paulo Portas eliminou pessoas do partido é certo.
Será Seguro capaz de criar o exílio à sua oposição interna? Estará Seguro a embarcar pelo uso de toques outrora usados por José Sócrates?

2. No Partido Socialista não existe actualmente uma linha de raciocínio quanto mais uma linha de actuação própria quanto mais uma linha de oposição. Existe sim um conjunto de falsos moralismos e uma vasta gama de comportamentos e declarações hipócritas. Paulo Portas transfigurou a linha do CDS\PP que vinha sido traçada até então. Começou a descer ao povo por intermédio de feiras e festas populares. Prometeu ajuda aos reformados e aplicou os seus dotes de populismo. No governo, tudo soa a nacionalismos bacocos.

3. O primeiro que saiu a público em defesa destes novos estatutos do PS foi precisamente Vitor Baptista, antigo governador civil de Coimbra, antigo presidente da Distrital do PS de Coimbra. Vitor Baptista sabe do que fala não fosse ele o mestre dos cambalachos. Em política, quem comete cambalachos, protege cambalachos. Faz-me lembrar Paulo Portas quando protegeu o “exemplo” de Celeste Cardona enquanto ministra da justiça e quando deu palmadinhas nas costas ao então Ministro do Turismo “Telmo Correia” pelos célebres despachos assinados ao domingo. Continua Baptista. Com o Seguro ainda chegarás a Ministro.

4. Ou se é oposição ou… não se anda a fazer rigorosamente nada no parlamento! Estes patetas do PS dormem de espinha direita? Assinaram o Memorando de Entendimento? Aguentem-se com ele. O grande problema coloca-se quando o maior partido da oposição diz amén a tudo o que é proposto pelo governo dentro ou fora do Memorando. Não é apenas um problema. É viver sem ideais. É viver a política com a espinha dobrada. É sinal de fraqueza. É dizer ao governo “façam tudo o que quiserem” porque a “malta está cá mas é como se não estivesse”. É uma profunda falta de respeito pelos eleitores que votaram PS nas últimas legislativas.

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falso

Atento algumas frases das declarações de hoje do primeiro-ministro:

“Senhores da troika, estamos a fazer isto por nós, não por vós”

Mas no entanto grande parte dos cidadãos portugueses não se revê e não concorda com as políticas levadas a cabo por este governo desde o 1º dia de mandato. Depois denota-se que “não estamos a fazer isto por vós” mas “estamos a fazer tudo aquilo que vocês nos mandam” e “temos medo que vocês desaprovem uma única medida que possamos implementar”.

“Não tenho dúvidas que existe consenso nacional quanto a vontade de mudança”

Já eu tenho. E muitas. O primeiro-ministro deveria explicar aqui o que entende por mudança. Mudança para pior? Mudança que implica o aumento da pobreza? Mudança que implica mais desemprego, mais assimetrias de rendimento entre os cidadãos nacionais? Mudança que envolve insolvências de empresas, fome, crises familiares? Qual mudança? A mesma mudança que conduz os Catrogas e as Cardonas nos cargos de luxo? A mesma mudança que continua a reconduzir os mesms gestores nas empresas públicas que dão prejuízo?

“Somos mais ambiciosos, queremos rivalizar cm parceiros internacionais”

Como? Escravizando os trabalhadores, tirando-lhes dias de férias e feriados, subsidios de alimentação e de natal? Desincentivando ao investimento no país? Deixando fugir pessoas como Alexandre Soares dos Santos e os negócios das respectivas fundações para a Holanda? Baixando os salários?

“O país está unido nas mudanças”

Perdão? Unido em que sentido? Unido em quê se todas as medidas estão a ser impostas pelo governo e são “incontestáveis” por parte dos cidadãos?

Para finalizar, deixo apenas duas perguntas: será que este primeiro-ministro e o seu governo já se aperceberam das maldades que estão a fazer a este país e a este povo? Ou será que este primeiro-ministro se saiu um grandesíssimo lambe-cus e disse aos senhores da troika aquilo que eles pretendiam ouvir de um “bom aluno” (ou boa cobaia) como Portugal?

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Favores pagam-se com favores

Sobre as nomeações:

Eduardo Catroga – Funcionou como o cérebro macroeconómico nas negociações com o governo de José Sócrates do Orçamento de Estado de 2011, momento chave em que Pedro Passos Coelho conseguiu granjear o protagonismo suficiente para destruir por completo os restos do malfadado governo socialista e trilhar o caminho para o poder.

Foi o mestre da economia neoliberal do governo de Cavaco Silva e foi o responsável pelo primeiro megaplano nacional de privatizações de empresas públicas.

Celeste Cardona – Não existiu um único “negócio” assinado por Cardona que tivesse sido executado nos trâmites que se exige a um governante. A sua passagem pelo Ministério da Justiça no governo de Durão Barroso foi o claro exemplo de como alguém sem qualquer tipo de capacidades consegue chegar ao poder. No entanto, ser um dos braços direitos de Paulo Portas no CDS\PP vale ouro.

Paulo Teixeira Pinto – Advogado e consultor jurídico, foi chamado a integrar o XII Governo Constitucional, primeiro como subsecretário, até 1992, depois secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, até 1995, acumulando essas funções com as de porta-voz do mesmo Governo. É natural que Eduardo Catroga queira pessoas da sua estrita confiança a seu lado.

Acresce também que é divorciado da Ministra da Justiça Paula Teixeira da Cruz desde 2008, ou seja, as ligações causídicas a este governo levam a que as cunhas se façam sentir nesta nomeação apesar das declarações do primeiro-ministro o negarem.

Várias críticas tem sido feitas. A única que me ocorre neste momento para designar o lobby que se está a formar na EDP é: se Pedro Passos Coelho propôs-se a acabar com o “amiguismo” à volta do Estado, porque é que as nomeações foram precisamente para pessoas cujo amiguismo ao Estado é um dado mais que assente?

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