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eu não sou de intrigas

tenho cá um pressentimento que esta história do Sócrates comentador político não é bem bem para ser comentador político. já vi o mesmo filme por várias vezes a acontecer dentro do partido socialista: o guterres e o sampaio conspiravam na casa de Algés do antigo primeiro-ministro para mandar a baixo o Soares e no fim das contas, os amigos zangaram-se e o Sampaio bateu couro e o Guterres avançou para as legislativas, deixando ao Sampaio a presidência. quando o Guterres saiu do governo, o Ferro Rodrigues fez figura de palhaço contra Durão Barroso, bateu couro numa oposição muito pobre e depois foi arredado pelas alegações que dele se faziam na sua relação com o escândalo casa pia (confesso que a última frase era para ser foi afastado depois de se saber que também ia ao cú aos meninos) para entrar o sócrates que tratou também ele de despejar o Alegre para fora do partido e ser candidato às legislativas e primeiro-ministro. nas últimas legislativas, o sócrates saiu de cena para Paris, o Seguro ficou com o barco partidário completamente despedaçado, o francisco assis foi queimado pelo caminho e Seguro dançou com Costa, se bem que neste caso, Costa sabia que algo de força maior (o regresso do querido líder) estava a ser preparado. as ilações que se podem tirar destas danças são óbvias: o querido líder não vem de Paris para a RTP para imitar o professor marcelo e dar a machadada final neste pobre (des)governo do PSD e do CDS. vem para buscar o trono perdido. tanto é que com petições e anti-petições, trocas e baldrocas, confusões e enganos, o largo do Rato está novamente em polvorosa e a notícia fez arregimentar num só dia todo um partido embrenhado em tremendas confusões e sectarismos nos últimos meses.

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A Fraude (2)

As minhas notas sobre este 2º capítulo:

1. O BPN como o banco que privilegiava “a busca de ganhar milhões sem risco” – estas afirmaçõs batem certo com as palavras de Oliveira e Costa na Comissão Parlamentar de Inquérito onde este dizia que os bancos tem que inventar lucro. Inventar lucro com investimentos em negócios com um grau interessante de risco como foi o caso do depósito do empresário da construção civil de Fafe, que colocou 900 mil euros em depósitos a prazo de curta duração\maturação.

2. “quando eu tiver livre vamos tomar aí um café” – mais uma vez Oliveira e Costa respondia no parlamento seguro que nada lhe aconteceria.

3. quando Honório Novo explica o esquema de reencaminhamento dos depósitos dos clientes do banco para a malta que mandava no banco, esse esquema fez-me lembrar algumas semelhanças em relação ao método utilizado na mesma altura por Bernard Madoff (esquema Ponzi).

4. As intervenções ríspidas de Nuno Melo (em conjunto com Honório Novo e João Semedo) os únicos deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito que realmente se preocuparam em saber a verdade, faz com que coloque algumas perguntas: na 1ª comissão de esclarcimento a Oliveira e Costa houve pressões junto de deputados do PSD e do PS para não se mexer na ferida do banco? Será que existem deputados ou antigos deputados que também participaram directa ou indirectamente nos ganhos desmedidos do banco? Cavaco Silva, já presidente da República, imiscuiu-se directa ou indirectamente no caso?

5. Outra pergunta que se coloca de forma pertinente foi o futuro de Nuno Melo no CDS. Durante o primeiro governo de José Sócrates, este deputado era um dos mais promissores futuros do CDS\PP. Perdeu preponderância depois desta comissão parlamentar e de possível Ministro em caso de coligação com o PSD ou vitória eleitoral do CDS\PP, não conseguiu sequer chegar a secretário de estado. Será que Melo foi prejudicado pelo seu papel nesta comissão parlamentar?

6. Quem era o principal estratega e quem eram os principais operacionais? Luis Caprichoso, o mestre das offshores? Mais uma vez se pergunta: se era prática corrente a transferência de dinheiro por parte do departamento de Caprichoso para offshores ilegais como é que os inspectores da operação furacão e o Banco de Portugal não interviram na supervisão destas práticas (haviam grandes somas de dinheiro a sair do banco para Cabo Verde e é dito na reportagem que foram criadas mais de 100 off-shores) e não acusaram o banco de evasão fiscal?

7. “escassez de meios técnicos das autoridades judiciais” “a principio só estava uma pessoa envolvida na investigação (…) foram pedidos mais meios e mais pessoas mas a resposta foi negativa” – é por isso que eu não acredito na justiça portuguesa.

8. A resposta para a pergunta deixada na nota 6 e para a evidencia do testemunho citado na nota 7 vem mais à frente.

Ironicamente, a “operação furacão”, operação de investigação do DCIAP a 4 bancos que fugiam ao fisco tinha como “clientes” 3 bancos que actualmente estão a ter consequências nefastas para o sistema financeiro português, para o estado e para os contribuíntes portugueses: o BPN (nacionalizado e recapitalizado com o dinheiro dos contribuíntes), o Finibanco (em graves apuros desde há alguns anos para cá) e o Millenium BCP que ainda esta semana deu 1200 milhões de euros de prejuízo, segundo responsáveis do banco, devido a negócios que correram mal junto da banca Grega devido a uma operação que correu mal com o Piraeus.

Estranhas também são as semelhanças entre o BPN e o Finibanco na medida em que ambos tentaram projectar a sua imagem a partir do futebol. O BPN com Luis Figo e com a Federação Portuguesa de Futebol. O Finibanco com os patrocínios à AAC\OAF e ao Vitória de Guimarães. Outro exemplo é o recém-nacionalizado BANIF, muitos anos patrocinador do Marítimo e do Nacional da Madeira. Ambos os três sempre ofereceram taxas de juro elevadíssimas nos depósitos a prazo, mesmo nos depósitos de curto prazo de maturação. 2 (BPN e BANIF) já sofreram intervenção estatal. O Finibanco tem-se aguentado. Resta saber por quanto tempo.

O que é estranho em tudo isto é que devido à Operação Furacão estavam 4 investigadores do DCIAP a vasculhar de alto a baixo as contas dos referidos bancos, que devidamente avisados por uma voz do DCIAP, faziam desaparecer os documentos antes da chegada dos investigadores e mesmo assim, não batendo as contas dos bancos certo os investigadores não foram capazes de concluir nas suas investigações que não estavam a aparecer os documentos todos relativos ao banco. Falamos de uma investigação judicial que durou 2 anos. Algo me quer parecer que o DCIAP pura e simplesmente não quis levar o processo para a frente e descobrir tudo aquilo que se passava nesses referidos bancos. Mais uma vez, o Banco de Portugal e a CMVM falharam por omissão. Eu ponho as minhas mãos no fogo como Vitor Constâncio estava ao corrente do esquema de pirâmide que se estava a levar a cabo no BPN, no BPN valor, no BPN Créditus e no Banco Insular de Cabo Verde.

9.  A parte deliciosa deste 2º capítulo “eles precisavam de 5, ele até dava dez. como é possível financiar mortos?” – diz um dos funcionários entrevistados. “a mesma viatura era financiada 3, 4 e 5 vezes” – conclui. Mais uma vez pergunto: como é que é possível deixar passar a ilegalidade desses negócios?

10. Para finalizar, poucas dúvidas me restam: o BPN era uma rede muito complexa. Envolvia banqueiros, empresários, investidores a título individual, governantes, deputados, investigadores, juízes, procuradores, dirigentes de outras instituições de utilidade pública (como é o caso de Gilberto Madaíl e da FPF), altos quadros de entidades de supervisão (Banco de Portugal\CMVM) e até jogadores de futebol como é o caso de um famoso accionista do banco: Luis Figo. Todos participavam ou ganhavam do esquema.

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A falta de vergonha no seu expoente máximo

O CDS\PP aprovou no seu seio a candidatura de Avelino Ferreira Torres à Câmara do Marco de Canavezes.

Só me ocorrem 3 brevíssimas notas em jeito de comentário.

1. A falta de vergonha no seu expoente máximo.

2. Portas já está a tentar criar o seu caminho à margem do governo (já percebeu que o PSD vai cair tão baixo depois desta legislatura que o CDS\PP pode levar por tabela) e esta manobra com Avelino Ferreira Torres é apenas uma das várias manobras que o partido fará nas autárquicas para poder lavar a sua cara e controlar os locais onde a sua popularidade é mais alta. Falo dos distritos de Braga, Porto, Aveiro e Viana do Castelo.

3. O significado de dois termos da língua portuguesa:

3.1 Impunidade: s.f falta de castigo devido, estado de impunidade, tolerância de crimes ou desaforos, estado do que não é punido, dificuldade de exercício da justiça.

3.2 Populismo: adj. 2 g. s. 2 g. Diz-se pessoa amiga do povo. Estilo de governo onde um homem procura tornar-se um líder carismática aos olhos dos seus cidadão. Mobiliza massas e usa a máquina pública para se perpetuar no poder pela concessão de benefícios às classes baixas e médias, podendo efectivamente tais concessões não passarem de pura demagogia.

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Luis?

Há uns meses atrás era assim.

Nos últimos dias tem sido:

e

mais

aparte: olha ali atrás a minha queriducha conterrânea Paula Cardoso quase a dormir.

3 dias antes desta última afirmação em parlamento.

3 dias antes desta última afirmação em parlamento. A dobrar.

Há quem afiance que o Luis já anda a dialogar com os socialistas de modo a ter o consenso total da bancada socialista nas próximas decisões do governo. Não é derivado do facto da coligação com o CDS estar presa por um arame mas sim porque interessa ao governo o tal consenso político-partidário daqui a uns meses quando se fizer a 6ª avaliação do Memorando de Entendimento.

Consenso político-partidário que é dado como certo no último relatório vindo de Bretton Woods. Senão vejamos:

 Sem pejo nenhum, escrevo aqui que o Luis é aquele proto-fascistazito-político-de-trazer-por-casa no qual não se vislumbra qualquer virtude cognitiva que o leve a ter cautela naquilo que profere. Pior que isso, é aquele proto-fascistazito-político-de-trazer-por-casa pago a peso de ouro pelos contribuintes, para, exclusivamente, ser o arauto transmissões de embustes criados pelos seus pares do governo, e de críticas aos tempos de governação socialista. O Luis é aquele proto-fascistazito-político-de-trazer-por-casa que personifica o ditado do “cão que não tem dono”. O Luis não faz política. O Luis quer ser populista mas não se reconhece inteligência para isso. O Luis move-se na especulação. Se o Almada Negreiros fosse vivo seria capaz de escrever algo como “o Luis é burro. pim. O Luis deveria ser amordaço. pim pim. O Luis calado é um poeta. pim”

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e então sr. primeiro ministro?

só neste país é que isto é possível. as empresas do relvas e do passos trocavam favores em troca de formações subsidiadas a autarcas, arquitectos, professores e zés da esquina. As empresas do relvas e do passos obtinham informações privilegiadas no decurso de actividades político-partidárias no que diz respeito a concursos para o ministério das ditas formações. para que as empresas do relvas e do passos pudessem florescer. é claro que em troca, e para isto não é preciso ter dois palminhos de testa, o relvas e o passos, como bons militantes do partido que são, davam em troco o controlo de certos quadrantes sociais para o seu aparelho partidário. o cacique à moda antiga. o relvas e o passos davam formações e em troca, a partir das suas jotas, davam indicações precisas para as jotinhas fazerem a caça ao voto, pura e declarada. nas universidades, nos lares de idosos, nos amigos do clube de futebol de são jorge da murranhanha.

o passos e o relvas, culpados como adão e eva, mantem-se calados. o problema do seu silêncio. a coligação está a ruir. portas, o terceiro na história, deverá querer aproveitar o orçamento de estado (o péssimo orçamento de estado feito em Bretton Woods) para poder sair da coligação de bem com o povo português, hábil a negociar a morte do psd nas próximas eleições. engane-se, portas. esta coligação não terá retrocesso aos olhos do povo.

a própria justiça, no caso “monte branco” já está encarregue de destruir as escutas que envolvem o primeiro-ministro. desde os fatídicos casos do Pinto de Sousa de Paris e do Jorge Nuno que é assim. se for um miserável o escutado, o supremo valida as escutas. se for escutado um poderoso, eliminam-se as escutas do Ministerio Publico, ficando a última cópia para quem um dia precisar de atirar uma sarda à cara dos ditos cujos. por motivos políticos e pessoais. nunca por motivos que engrandeçam a justiça.

é por isto meus senhores, que a justiça em portugal está cotada como está. somos o 3º pior país ao nível judiciário europeu. ainda vem falar de pressões sobre as privatizações por parte do BESI e de José Maria Ricciardi? claro que existem pressões. não deixa porém de ser irónico cruzar estas pressões com as declarações públicas de Ricardo Salgado, há uns meses atrás, onde este afirmava que o BES precisava de facto de um aumento de capital para que o banco restabelecesse os rácios de capital necessários para a sua administração saudável e de acordo com as imposições do seu regulador, o Banco de Portugal . aqui (a 28 de Março de 2012) e aqui.  embora não tendo recorrido ao fundo de capitalização promovido pelo dinheiro da troika, e relembrando conceitos que todos os economistas deverão ter sempre na ponta da lingua, por rácios de capital designam-se “um nível mínimo de capital que as instituições devem ter em função dos requisitos de fundos próprios decorrentes dos riscos associados à sua actividade. Como tal, este rácio é apurado através do quociente entre o conjunto de fundos próprios designado de “core” e as posições ponderadas em função do seu risco.
O conjunto de fundos próprios “core” compreende o capital de melhor qualidade da instituição, em termos de permanência e capacidade de absorção de prejuízos, deduzido de eventuais prejuízos e de certos elementos sem valor de realização autónomo (vide lista detalhada de elementos elegíveis em anexo), numa perspectiva de continuidade da actividade de uma instituição. Por seu lado, as posições ponderadas em função do seu risco representam uma medida dos riscos decorrentes da actividade financeira, designadamente dos riscos de crédito, de mercado (incluindo requisitos mínimos de fundos próprios quanto aos riscos cambial e da carteira de negociação) e operacional, os quais são calculados nos termos dos Decretos-Leis n.º 103/2007 e n.º 104/2007, de 3 de Abril, e demais regulamentação conexa.”

ora bem, posto isto: um banco que em Março não satisfazia os rácios de capital exigidos pelo regulador da sua actividade e que inclusive, para não recorrer ao fundo de capitalização bancária teve que ir aos mercados financiar-se em 500 milhões de euros (sabe-se-lá a que juros) já tem agora capacidade para investir na compra de empresas que serão privatizadas pelo estado? como é que é possível avançar para um negócio (com elevado grau de risco) em tão pouco tempo? será que os bancos já planeiam a sua actividade de um dia para o outro ou tudo o que Ricardo Salgado foi dizendo acerca da sua holding foi pura especulação ou até pura mentira? o que é que temos aqui que nos está a escapar? que o seu director Ricciardi, sabendo perfeitamente que as indicações do Memorando eram claras (plano de privatizações a troco de peanuts das empresas estatais) já andava a sondar o governo para ter informações privilegiadas sobre as mesmas? sim, era esse o plano. falta apenas dizer que a segunda parte do plano era, a de, inocentemente, vir o proprietário do banco, enfraquecer o próprio banco que administra, para que não desse tanta cana a eventualidade do banco participar na aquisição destas mesmas privatizações. e mais uma vez, temos o relvas e o passos na órbita da cadeia de favores. com um quarto cúmplice, o gaspar.

e já agora, o que se segue? a privatização do negócio da saúde da HPP (Caixa Geral de Depósitos)? será esse o target de Ricciardi? colocar os 9 hospitais que a HPP detém neste momento numa fusão com o sector da saúde do BES?

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a táctica de portas é abrir as portas da defesa

irá censurar em diante todas as medidas danosas ao povo português que vierem dos seus colegas do PSD à semelhança do que já fez no governo de coligação que teve com Durão Barroso e Santana Lopes. mestre na arte do spin-doctoring, não irá derrubar o governo por mãos próprias nem irá querer ficar ligado à austeridade. esperará para capitalizar os erros dos seus colegas de coligação e puxar eleitoado laranja para o seu partido.

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não deixa de ser caricato

A Juventude Popular quer que as máquinas de multibanco voltem a autorizar levantamentos de 5 euros. Tem toda a razão. Com a miséria que o governo deles está a provocar no povo português, poucos são aqueles que tem 5 euros disponíveis no cartão para levantar. É de aproveitar portanto que os que tem gastem o que tem e o que não tem.

 

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fiquem com pistolas novas e submarinos

O CDS\PP sempre optou por responsabilizar o governo socialista de António Guterres pela compra de “4 submarinos” que Paulo Portas, logo que tomou posse no governo de coligação reduziu para “2 submarinos”. O CDS\PP cumpriu portanto com estas declarações as suas intenções populistas, defendendo o querido líder dos ataques da oposição. O que é certo é que os 4 submarinos que se tornaram 2 com Portas ainda estão envoltos em polémica. Da redução de 4 para 2, nada há em concreto visto que a documentação relativa ao contrato subitamente desapareceu do Ministério da Defesa. Blame Sokratis? Talvez volte a ser essa a estratégia dos democratas pouco cristãos. É caso para dizer que é estratégia possível no reino da hipocrisia do CDS\PP: por cada erro que façamos, culpamos os socialistas de 2 mesmo que as acusações sejam sustidas em bases especulativas. Por apurar ainda está o envolvimento do ministro com a ferrostaal e com alegados subornos que poderá terá recebido para dar luz verde ao contrato. Falando de verde, o contrato de compra dos submarinos deu verdinho a ganhar a alguém: o Banco Espírito Santos. Recebeu 750 milhões por ter mediado a operação financeira do negócio, concedendo garantias bancárias ao governo para avançar para a compra dos ditos submarinos.

Creio portanto que ao bom jeito do jornalismo (não esquecer as raízes do querido líder do CDS\PP no jornalismo) que a estratégia do partido assenta na boa moda jornalística do spin-doctoring: manipular a opinião. Manipular a opinião a partir de dados factuais nem sempre comprovados. Manipular a opinião com argumentos falaciosos que indicam que o passado da herança socialista deverá ser entendido pela populi como pior que os erros da governação do presente. O bicho já pegou aos colegas de coligação não fosse o facto de Luis Montengro, líder da bancada parlamentar do PSD iniciar todos os debates quinzenais desta legislatura com as habituais perguntas de retórica ao primeiro-ministro, perguntas essas que habitualmente tentam comparar o passado socialista e o presente e realçar (diria recalcar) os erros desse mesmo passado.

Neste caso específico dos submarinos, não trato de perguntar se há fumo ou fogo porque ambos me parecem evidentes. Tão evidentes como a corrupção activa de agentes governamentais no negócio. Pergunto apenas a simples questão: de que é que está à espera o Ministério Público para investigar este processo a fundo? Pergunto também onde é que tem estado o Ministério Público neste tipo de casos?

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Pela 1ª vez não só não me oponho a uma medida deste governo como a ainda aprovo

Não me oponho em nada à medida de Pedro Mota Soares quanto aos beneficiários do RSI.

Afinal de contas, não existem por aí beneficiários que recebem o RSI porque pretendem viver para sempre às custas do estado? Será que todos os beneficiários do RSI são pessoas inúteis para a sociedade?

Não quero com este discurso afectar o clientelismo que os cidadãos tirar das actividades ou prestações providas pelo Estado. O Clientelismo dos bens ou serviços do Estado serve para aferir a qualidade das prestações sociais providas pelo mesmo. E qualquer que seja o estado que defendo, este não só não se poderá afastar da prestação de ajuda aos cidadãos (a sua responsabilidade social) mais desfavorecidos como ainda deve assumir uma postura que se coadune com as necessidades de solução dos problemas gerados pelos desiquilibrios causados pelo mau funcionamento dos mercados. O que se deve combater de facto (e isso é uma prova inegável do atraso dos estados do sul da europa ao nível de desenvolvimento) é o excessivo clientelismo que alguns cidadãos tiram do que é garantido pelo Estado. Falo do RSI e de outras prestações sociais que são atribuídas a pessoas que têm bom corpo para trabalhar (exercer uma actividade útil para a sociedade não é necessariamente o mesmo que trabalhar; o beneficiário do RSI pode-se tornar útil para a sociedade fazendo por exemplo voluntariado numa IPSS local). Bem sei que o trabalho é algo que escasseia neste país; no entanto, bem sei que as instituições sociais também precisam de voluntários. Mais do que nunca até.

Não sejamos cínicos. Todos sabemos que neste país existem milhares de existentes (acho que é a palavra adequada para alguém que sempre gozou dos rendimentos providos pelo RSI) que não só nunca criaram 1 cêntimo de riqueza para este país como só causaram despesa para o estado, despesa essa que poderia ter servido para o pagamento justo de quem trabalhou vidas inteiras para outrém e tem uma reforma ou pensão miserável ou para aqueles que trabalharam durante décadas e agora se encontram numa situação desfavorável de desemprego e difícil obtenção de emprego no futuro. Estou debruçado portanto perante uma questão de justiça social.

Nos países de regime de estado-providência misto (casos da França, Suiça e Alemanha) esta mesma lei já foi imposta desde os anos 80 e tem um enorme grau de aplicabilidade e resultados para a sociedade. Se não queres trabalhar, teremos que prover à tua subsistência. No entanto, para mereceres a tua própria dignidade, obrigamos-te a seres digno perante quem te dá o rendimento mínimo e o teu sustento. Nada mais correcto, a meu ver. Não me venham com histórias da carochinha que os beneficiários do RSI são todos uns infelizes entrevados no sofá ou na cadeira do café, à espera que a morte os colha. Pelo contrário, na sua maior parte, são pessoas válidas que nunca fizeram um esforço para se integrar nos costumes sociais vigentes, preferindo sustentar os seus hábitos e prazeres por outras vias que não as vias comuns do rendimento por esforço, por humildade e por trabalho.

A mudança da cultura cívica de um povo começa com estes pequenos actos. Espero que esta medida avance e tenha resultados práticos. Pedro Mota Soares está portanto de parabéns.

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pensamento da noite

Como é que um militante do CDS\PP se pode intitular como liberal se o liberalismo moderno de Hayek por si é uma teoria económica que defende que o construtivismo estatal redunda num enorme fracasso porque os estados não conseguem gerir os crescentes fluxos de informação que, de resto, caracterizam as economias modernas e que apenas os mercados descentralizados o poderão fazer, defendendo portanto um Estado modesto, frugal, não-interventivo, um autêntico estado-vigilante face às políticas populistas do partido que sempre defenderam que o Estado deveria ter responsabilidades para com os portugueses (promessa nunca cumprida pelo CDS\PP no governo)? Juro que não consigo enquadrar um liberalista nos moldes de um partido que acusa constantemente a esquerda de ter construído um estado que falhou nas suas responsabilidades e que um estado jamais pode falhar nas suas responsabilidades. Se o liberalismo defende um estado não-actuante porque é que os militantes do CDS\PP ainda acreditam que o estado tem responsabilidades a cumprir?

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faz o que eu digo; não faças o que eu faço

“Lembro-me de o Dr. Paulo Portas [na oposição] ir a Espanha encher o seu depósito para demonstrar a indignação com os aumentos dos combustíveis em Portugal. Por isso, queria trazer um momento de simpatia para com o ministro dos Negócios Estrangeiros, que todo o fim de semana, coitadinho, tem que ir com o seu carrinho até Badajoz continuar coerentemente a sua batalha contra o aumento do preço dos combustíveis.”

Francisco Louçã

 

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Verdades

““Estou a marimbar-me que nos chamem irresponsáveis. Temos uma bomba atómica que podemos usar na cara dos alemães e franceses. Essa bomba atómica é simplesmente não pagarmos. Se não pagarmos a dívida e se lhes dissermos as pernas dos banqueiros alemães até tremem” – Pedro Nuno Santos, demissionário vice-presidente da bancada parlamentar do PS e presidente da Distrital de Aveiro.

Afinal de contas não sou apenas eu aquele que não concorda com a política do bom aluno.

O professor Marcelo até tem razão. Este PS parece o CDS\PP (Partido aos pedaços) dos anos 90. As semelhanças começam a ser muitas:

1. Mudam-se os estatutos de forma a proteger a ténue liderança de quem alinha pacificamente com o governo por via de sucessivas abstenções parlamentares. Paulo Portas eliminou pessoas do partido é certo.
Será Seguro capaz de criar o exílio à sua oposição interna? Estará Seguro a embarcar pelo uso de toques outrora usados por José Sócrates?

2. No Partido Socialista não existe actualmente uma linha de raciocínio quanto mais uma linha de actuação própria quanto mais uma linha de oposição. Existe sim um conjunto de falsos moralismos e uma vasta gama de comportamentos e declarações hipócritas. Paulo Portas transfigurou a linha do CDS\PP que vinha sido traçada até então. Começou a descer ao povo por intermédio de feiras e festas populares. Prometeu ajuda aos reformados e aplicou os seus dotes de populismo. No governo, tudo soa a nacionalismos bacocos.

3. O primeiro que saiu a público em defesa destes novos estatutos do PS foi precisamente Vitor Baptista, antigo governador civil de Coimbra, antigo presidente da Distrital do PS de Coimbra. Vitor Baptista sabe do que fala não fosse ele o mestre dos cambalachos. Em política, quem comete cambalachos, protege cambalachos. Faz-me lembrar Paulo Portas quando protegeu o “exemplo” de Celeste Cardona enquanto ministra da justiça e quando deu palmadinhas nas costas ao então Ministro do Turismo “Telmo Correia” pelos célebres despachos assinados ao domingo. Continua Baptista. Com o Seguro ainda chegarás a Ministro.

4. Ou se é oposição ou… não se anda a fazer rigorosamente nada no parlamento! Estes patetas do PS dormem de espinha direita? Assinaram o Memorando de Entendimento? Aguentem-se com ele. O grande problema coloca-se quando o maior partido da oposição diz amén a tudo o que é proposto pelo governo dentro ou fora do Memorando. Não é apenas um problema. É viver sem ideais. É viver a política com a espinha dobrada. É sinal de fraqueza. É dizer ao governo “façam tudo o que quiserem” porque a “malta está cá mas é como se não estivesse”. É uma profunda falta de respeito pelos eleitores que votaram PS nas últimas legislativas.

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A prova dos 9 governamental

Enquanto o professor Marcelo e António José Seguro, António Galamba e Carlos Zorrinho trocam mimos mútuos acerca da nova revisão estatutária do Partido Socialista:

1. O consumo em portugal desce, com novas descidas ao nível de bens alimentares, combustíveis e automóveis.

No entanto, Portugal continua a ser o país mais caro da Europa ao nível dos preço dos combustíveis.

Isso implica necessariamente que o Estado arrecade menos receitas por via do consumo.

2. O desemprego atinge os 15% e pior que nós só a Espanha e a Grécia. O Governo afirma que investiu 2 mil milhões de euros na criação de medidas de emprego mas a própria fonte do patronato (CIP) referiu hoje depois da reunião do Conselho Económico e Social que o governo em nada está a fomentar junto das empresas condições que permitam o crescimento económico e por conseguinte a salvaguarda dos empregos existentes assim como a criação de mais postos de trabalho.

3. Pedro Mota Soares descerra a máscara democrata-cristã e ataca os desempregados, os beneficiários do rendimento mínimo de inserção e aqueles que auferem subsídios por morte do conjûge.

4. Vitor Constâncio afirma do seu cadeirão no Banco Central Europeu que (apesar de não serem necessárias por ora) poderão existir medidas adicionais ao plano de resgate financeiro vigente no nosso país ou até um novo pacote de ajuda a Portugal.

Estão aqui 4 sinais de que as políticas de austeridade que o governo está a implementar estão a levar o nosso país à ruína total.

Um país que não consome é um país falido. Um país que não consome, mostra que não escoa stocks de produção, logo,  não cria condições para as empresas obterem os seus lucros, logo,  não cria condições para as empresas pagarem as suas obrigações perante fornecedores, perante o estado e perante os seus empregados, logo, são empresas que tenderão a despedir para se poderem manter competitivas, logo, são empresas que criam mais desemprego que por sua vez cria mais retracção no consumo e consequentemente menos receitas fiscais por via do consumo para os cofres do estado e mais apoio sociais do Estado aqueles que ficam desempregados.

Ao mesmo tempo que o desemprego aumenta, o Ministro que tutela a Segurança Social ataca as condições de acesso ao subsídio de desemprego e ao rendimento mínimo de inserção. Ou seja, estamos perante um governo de cartilha liberal que não só não fomenta o crescimento económico como começa a querer descartar a responsabilidade de corrigir desequílibrios sociais provocados pela situação negativa dos mercados.

Perante todas as imposições do Memorando e perante os avisos que foram feitos ao governo português por diversos economistas de renome de que a “austeridade por si não chega para resolver a situação problemática da economia portuguesa” o governo obtém como resposta à asfixia que está a cometer perante os seus cidadãos e perante o assassínio económico que está a provocar ao país de que estas medidas poderão não chegar caso se confirmem os piores cenários de recessão previstos para 2012. 

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democracia representativa ou democracia político-partidária?

Ainda sobre a recusa de voto a favor por parte dos deputados do CDS\PP Ribeiro e Castro e Nuno Magalhães à nova legislação laboral.

Algumas notas:

1. O que se previa uma vitória para o governo, acabou por ser uma derrota.

A confusão lançada pela bancada parlamentar do Partido Socialista nos dias que antecederam o debate quinzenal e as votações do novo diploma, onde alguns deputados avisaram a sua bancada que iam votar contra perante as indicações da mesma para se absterem, podia efectivamente dar ao governo a sensação que o principal partido da oposição continua mergulhado numa imensa falta de consenso interno e que a liderança de António José Seguro ainda é frágil. Logo, a confusão lançada pelos socialistas poderia servir de catalisador para o governo tirar partido em acções futuras. Felizmente, a bancada socialista lá se entendeu e deu um cartão amarelo (deveria ser vermelho com o voto contra) a mais um mega pacote de flexibilização laboral “à la carte du liberalism” por parte do Governo.

2. O feitiço virou-se contra o feiticeiro.

O CDS\PP por via de dois dos seus deputados, também passou um cartão amarelo ao governo. Isto porque é o CDS\PP não é só populismo. Também é conservadorismo nacionalista. Mexer no 1 de dezembro é de facto mexer com a história e com a identidade de um povo. No entanto, não é uma medida de estranhar por parte de um governo que já arreou as calças aos poderes estrangeiros.

3. Continuo a não perceber bem o que é a democracia representativa. Serão os deputados nacionais mandatados para os cargos por via da vontade popular expressa nas urnas ou mandatados por vontade expressa dos partidos? Faz-me confusão o facto dos deputados serem instruídos previamente para votar de acordo com as intenções das facções que lideram os partidos. Quem é que os deputados representam? A vontade popular ou os interesses político-partidários? Se o estado pertence à vontade popular e comanda os destinos da vontade popular, porque é que os homens fortes da Nação continuam a agir segundo interesses político-partidários?

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complotzinho ou realidade?

A Fitch anunciou hoje que o governo português terá um derrape nas contas públicas no ano 2012 caso a recessão se confirme em pior escala do que aquilo que foi previsto. No entanto, a agência evidenciou os esforços que o governo português está a fazer no cumprimento do Memorando de Entendimento com a troika.

O Governo Português, na pele do seu Ministro das Finanças continua a descartar o não cumprimento da meta de 4,5% de défice das contas públicas previsto para o final deste ano civil.

Podemos dizer aquilo que nos apetecer. Quando uma agência de rating conota em baixa o quer quer seja na nossa economia ou nas nossas finanças públicas, por defeito, esse abaixamento torna-se real passados uns meses.

Gasparzinho bem pode afirmar publicamente que a Fitch observa as economias dos diversos países mundiais através dos seus cadeirões em Nova Iorque. Gasparzinho bem pode afirmar que estas afirmações não passam de afirmações que visam o assassínio económico do nosso. Complotzinhos para descredibilizar o regaboff que a Troika está a executar no nosso país. O verdadeiro assassínio económico já está a ser executado pelo nosso governo ao deixar que se façam experiências macroeconómicas cujos resultados ainda são desconhecidos. Muitos economistas já tem avisado que não vale a pena cortar na despesa pública por cortar. Muitos economistas já tem afirmado que a austeridade sem políticas de crescimento económico não nos irão levar a lado nenhum. Depois de cortes em todo o sector público, depois do aumento dos impostos, depois da flexibilização laboral, depois das privatizações, depois da criação de legislação que abona a favor do despedimento barato, ainda não conseguimos assistir a uma medida por parte do governo que fosse digna de fomento do crescimento económico. Ainda não vimos uma mega ajuda à exportação empresarial como defende o Ministro da Economia. Ainda não vimos um incentivo ao abate do desemprego jovem. Ainda não vimos um mega pacote de ajuda às PME assim como não vemos a banca a incentivar ao crédito empresarial. Ainda não vimos um governo disposto a fomentar a agricultura e o empreendedorismo dos jovens agricultores. Ainda não vimos uma política que vise restabelecer o consumo.

Espero bem que desta vez a Fitch tenha razão e que tudo o que afirmou para o mundo seja realidade. Pode ser que Portugal ainda possa ser um país a salvo destes senhores da Troika e sobretudo destes senhores do PSD.

Nota final: quanto à avaliação da zona euro, temos assistido a muitas movimentações por parte das agências de rating. A Fitch foi a agência que na semana passada colocou a economia Francesa novamente sobre vigilância negativa. 17 países Europeus estão sobre vigilância, alguns deles sob vigilância negativa, entre os quais Portugal. As agências continuam a por e dispor das economias europeias a seu bel-prazer. Já era tempo dos países europeus avançarem para a criação de uma agência de rating europeia. Já se fala da possibilidade da criação de uma através de um tratado há 2 anos. No entanto, ainda nada vimos ao nível de encetação de esforços por parte dos 27. A competitividade europeia está na lama e continua a ser claramente prejudicada por via destes alarmes vindos de Nova Iorque.

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cantinadas (balanço)

Durante todo este fim-de-semana estive de plantão na cantina dos grelhados (num ambiente responsável, pacífico e animado) a zelar pelo cumprimento efectivo dos direitos que assistem à comunidade estudantil coimbrã.

O fecho das cantinas ao fim-de-semana no início deste ano lectivo (assim como o fecho da lavandaria dos SASUC) causou um transtorno gravíssimo a todos os nossos colegas, que, impossibilitados de ir a casa todos os fins-de-semana deixaram de poder usufruir de dois serviços sociais vitais para o seu quotidiano. Acresce porém que o fecho das cantinas aos fins-de-semana acarretou perdas irremediáveis para a comunidade estudantil: a mudança de um regime de alimentação saudável praticado à semana que se alterou ao fim-de-semana para aqueles que não sabem cozinhar ou que acabaram por preferir ir almoçar e jantar a estabelecimentos de fast food e sobretudo, a dificuldade de muitos fazerem face às despesas de alimentação geradas aos fins-de-semana pelo fecho das cantinas e pela adesão a outros estabelecimentos comerciais (supermercados; restaurantes) aqueles que neste momento vivem numa situação de carência económica.

Para tal efeito, deliberou-se em Assembleia Magna uma proposta da Direcção-Geral que visava ocupar simbolica e pacificamente a cantina dos grelhados durante todo o fim-de-semana como forma de protesto.

Que fique aqui vincado que sou da opinião que estas acções simbólicas por si só não irão conseguir avanços para o objectivo traçado que é a reabertura dos serviços e a execução de uma política de acção social escolar que vá de encontro ao que é pretendido pelos estudantes de Coimbra. No entanto, também sou de acordo, ao contrário de sectores mais à esquerda, que a forma mais convencional de protesto (a manifestação) por si também não será capaz de alterar nada no que toca a esta problemática. Prova disso foram as enúmeras manifestações que os estudantes de Coimbra fizeram a Lisboa nos últimos anos e as falsas vitórias que se cantaram no fim de todas essas manifestações. A última grande manifestação acabaria por exemplo por tirar a acção social escolar das garras do nefasto decreto-lei 70\2010 para a colocar nas garras da decrépita lei 15\2011, lei cuja iniciativa pertenceu à bancada do CDS\PP enquanto oposição.

Acredito sim que a luta (atenção aqueles que tem gozado com a palavra luta) dos estudantes de Coimbra deverá ser continuada, irreverente e criativa. As manifestações deverão existir, quando for o timing para tal e quando a Academia mobilizar o suficiente para se ir em larga escala para Lisboa, para o Porto ou até para as ruas de Coimbra. Com ou sem os trabalhadores mas nunca apoiando partidos políticos ou sindicatos. Assim como as ocupações, as greves de zelo, as passadeiras vermelhas no largo D.Dinis e outras mais iniciativas de protesto que já revelei a alguns elementos da Direcção-Geral deverão ocorrer de forma ordeira, assertiva, pensada, apoiada, mobilizada e sustentadas em timings oportunos.

Voltando ao evento.

Na sexta-feira, os estudantes de Coimbra ocuparam as cantinas dos grelhados e só saíram de lá às 21 horas de domingo. Pelo meio realizaram-se debates sobre o ensino superior (um com a presença do incontornável professor Elísio Estanque) distribuição de flyers, dezenas de reportagens e testemunhos para os meios de comunicação social e muita camaradagem coimbrã. Pena foi o facto da mobilização (como a deliberação de magna foi na madrugada de quinta-feira) não ter sido possível para que se pudesse ter mais do que 6 ou 7 dezenas de estudantes em permanência na cantina dos grelhados. No entanto, costumamos dizer que só faz falta quem cá está.

Pena também me causou a ausência de alunos que pautam por um discurso ideológico mais à esquerda. Aqueles que usualmente vem a Assembleias Magnas alimentar a vontade de partir com toda a pujança para a rua, optaram por ficar em casa a “lutar”, perdão “dormir” pelos direitos dos seus colegas mais carenciados. Eu, que sempre pautei por um discurso crítico contra as sucessivas direcções-gerais, eu, que sou céptico em relação aos resultados de formas de protesto mais ortodoxas, não tive qualquer problema em juntar-me aos colegas que representam a Académica em prol de uma causa que penso ser comum a todos nós.

No fim da noite de hoje, aquando da presença de alguns deputados do Partido Socialista e do Partido Social-Democrata entre os quais o antigo presidente da AAC Emídio Guerreiro também fiquei triste pela ausência de deputados tanto do Bloco de Esquerda (se bem que Ana Drago vem amanhã a Coimbra para ouvir os estudantes e para um debate promovido pela DG no Santa Cruz às 21h) como do PCP, como do CDS\PP, aquele partidozeco que fez a lei e que agora se esconde por detrás de um manto de hipocrisia no que toca a acção social escolar, com ideias mirabolantes que tratam esta lei 15\2011 como uma forma justa de distribuir ou negar migalhas entre aqueles que um dia constituirão o futuro do país. (ou não se entretanto abandonarem os seus estudos).

Para finalizar, resta-me agradecer individualmente a alguns que permaneceram estoicamente durante as 48 horas da ocupação (ou grande parte delas), casos do Sasuke Ribeiro, do Mário Gago, do Rui “Ben” Sobral, do João Amorim, da Sara São Miguel, do Pita, da Joana, do Zé Ribeiro, da Rita Andrade, do Eduardo Barroco de Melo, do João Seixas, Ricardo Morgado, Joel Gomes, Tiago Martins, Pedro Tiago, João Couceiro e Castro, Ana Rita Mouro, Paulo Ferreira, Mariana Mesquita, Angela Ferreira, Leticia Gomes e dos sempre bem dispostos e solidários Miguel Franco e João Almeida que apareciam todas as manhãs para espalhar o seu charme, perdão, terror.

Peço desculpa a todos os outros que permaneceram e cujos nomes não fixei.

Costumo dizer que é neste tipo de situações que se prova quem gosta da Académica. Independentemente de cargos, tachos ou responsabilidades na Academia.

P.S: Também foi lindo ver o Núcleo de Estudantes de Economia a ter reunião na cantina dos grelhados horas antes da presença de deputados do PSD nas instalações. Prova que o NEE adora surprender e adora deslocalizar as suas reuniões quando mais lhes convém, não sendo o seu presidente Dino Alves (já elogiado pelo seu trabalho neste blog) em simultâneo o líder da concelhia de Coimbra da JSD. Haja paciência Dino Alves. Já elogiei bastante o teu trabalho enquanto presidente do núcleo neste blog, mas creio que hoje soaste a pechisbeque. Isso de te mostrares muito solidário com a Academia para tomar partido na presença de líderes políticos do teu partido e ao mesmo tempo dares a impressão que és mesmo solidário com a Academia comigo não pega.

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Dia 27

Convido todos os leitores deste blog a aparecer! Principalmente estudantes. Na próxima segunda-feira, na sede do CDS\PP a convite do Núcleo de Estudantes Populares da Universidade de Coimbra. Em discussão, o novo regulamento de atribuição de bolsas de estudo e outros assuntos relativos à acção social escolar.

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Ao Professor Elísio Estanque

Via Denúncia Coimbrã.

Começo por escrever que acho bastante estranho que um sociólogo há muitos anos radicado na cidade de Coimbra e conhecedor profundo da realidade do associativismo estudantil e dos jogos político-partidários que se movem na cidade e que acabam por influenciar também a AAC só agora tenha dito de plena consciência aquilo que muitas centenas de estudantes (inclusive eu que já escrevi aqui neste blog sobre o assunto variadíssimas vezes) pensam sobre a AAC.

Não descurando o excelente texto do Sr. Professor, sou obrigado a desconstruir\acrescentar alguns items à sua teia argumentativa.

1. Quando se lê: “Uma parte das gerações mais jovens desinteressou-se da política…”

Na minha óptica tal não é verdade.

É certo que os actos eleitorais, indiferentemente dos órgãos que são o móbil do escrutínio na nossa democracia tem-se revelado autênticos buracos de abstenção, abstenção essa que tem uma enorme fatia nas gerações mais jovens. A abstenção é obviamente um dos piores inimigos da democracia. Em democracia e no mundo global em que vivemos tal não deveria ser uma realidade dada a informação que é bombardeada aos jovens através dos canais educativos e dos média. Estes dois canais deveriam obviamente contribuir para que a informação chegasse aos jovens de forma a que estes, por via da reflexão, moldassem as suas preferências político partidárias através da construção pessoal de uma crença ideológica fundada.

No entanto, e não descurando os argumentos do parágrafo anterior creio que as gerações mais jovens não tem demonstrado desinteresse pela política e até pelo contrário, tem mostrado mais interesse na entrada do mundo da política através das juventudes partidárias, fenómeno de criação política que desde o virar do século para cá tem sofrido um aumento exponencial de aderentes e de pequenas tricas entre si que tem minado instituições como a Associação Académica de Coimbra e outras associações de estudantes. Arriscar-me-ia a dizer que a influência das juventudes partidárias estende-se por vezes até núcleos de estudantes de faculdade. Prova desses factos é a existência em Coimbra de associações de estudantes  socialistas (com ligações claras às estruturas do PS) e de estudantes populares, estes últimos, com ligações claras à Juventude Popular e ao CDS\PP.

2. “As estratégias eleitorais para a Direção Geral (DG-AAC), onde a abstenção é da ordem dos 60 por cento ou mais, a fidelização dos votantes e as vantagens eleitorais definem-se segundo dois critérios essenciais: quem angaria mais apoios financeiros; e quem conseguiu criar uma máquina de cacicagem mais eficiente. Basta olhar as centenas de pelouros e “coordenadores” que os programas exibem em cada eleição, por baixo da respetiva foto, para se perceber o que mais motiva e fideliza os jovens a uma dada candidatura (uma das listas tinha cerca de 800 nomes no seu organigrama).”

É a mais profunda realidade de gozo à democracia que encontramos na AAC é certo.

 No entanto caro professor, deixe-me ser idealista ao presumir uma premissa essencial do que os anos de Universidade me deram enquanto ser humano e enquanto futuro profissional deste país.

Creio que uma das maiores virtudes do ensino superior, seja ele aqui neste país ou em qualquer outro país do estrangeiro é a maturação das mentes daqueles que tem o privilégio de avançar para o grau máximo de exigência antes do mundo do trabalho que é efectivamente o ensino superior. O que é que pretendo dizer com isto? Pretendo dizer que em primeiro lugar (salvo excepções que são conhecidas do professor do público que lê este blog) só entram no ensino superior jovens maiores de idade ou cuja maioridade será atingida num curto espaço de tempo. Não sou cínico ao ponto de afirmar que um jovem de 18 anos não tem ideais próprios ou não sabe distinguir o bem do mal. É certo que entre os que entram pela primeira vez no ensino superior existe um dado deslumbramento de todas as estruturas que o compõe (incluíndo a AAC como estrutura principal do associativismo estudantil na cidade de Coimbra) e existe sobretudo um deslumbramento próprio da inocência de quem cai de para-quedas numa realidade a que não estava habituado nas pessoas. Daí que estudantes mais velhos inseridos no associativismo estudantil que detenham a arte de uma boa oratória sejam para os alunos mais novos espécies de exemplos que devem ser por eles seguidos e até canais convenientes de entrada no mundo do associativismo estudantil.

Agora, como referi e muito bem, não creio que esta inocência dure para sempre. É um dado assente que observei ao longo dos tempos, a quantidade de jovens estudantes que se colaram à sombra dos mais velhos nos primeiros tempos e conseguiram através destes entrar no “sistema” de sucessão geracional dentro das instituições como a AAC e também a quantidade de jovens, que, após terem crescido e terem maturado os seus ideais e as suas perspectivas em relação aos seus mentores se afastaram irremediavelmente do caminho destes.

3. O que é que pretendo dizer com isto?

Uma das maiores experiências e dos maiores feitos que levamos de Coimbra ou do mundo universitário para a vida é exclusivamente a capacidade de entrar no ensino superior a pensar por cabeça própria e não pela cabeça dos outros. Daí ao facto de nas eleições para os órgãos de gestão estudantil acabarem por ganhar as listas com maiores apoios financeiros, mais cacique e organigramas mais recheados de fotos de estudantes é uma questão que poderá ser alterada pela mudança do paradigma de pensamento dos estudantes. Costumo dizer que só se deixa influenciar quem quer e só se deixa fotografar quem quer e só entra em pré-conceitos quem quer. Que eu saiba, nas eleições para estes órgãos o voto é secreto – portanto, só alimenta estas máquinas de cacique quem quer. Isto leva-me a um grau de pensamento mais transcendente: serão as máquinas de influência coisas tão gigantescas ou o tal paradigma de pensamento que falo entre a comunidade estudantil faz com que os jovens do ensino superior em Coimbra em vez de avançar para a construção de uma consciência ideológica própria sejam autómatos das redes de influência de que o Sr. professor fala? Estaremos a evoluir neste país ou estaremos a regredir?

Creio que o Sr. Dr. chega perto deste pensamento quando escreve:

“O caloiro chega, imaturo e frágil, e vê-se envolvido num mundo novo (não falo aqui das minorias e dos residentes nas “Repúblicas”, que são a exceção). Um mundo de jogos e rituais, onde, deslumbrado com tanto hedonismo e aventura para usufruir, é levado a participar
ativamente, pois a sua integração na comunidade passa por aí. Esse momento inaugural é reconhecido como decisivo na estruturação das futuras identidades de grupo do novato. O padrinho, o mais velho, que o inicia e lhe incute o espírito praxista, que fala melhor, que tem
influência junto da turma, dos “amigos dos copos” e por vezes junto das “meninas” que o elegem como o seu fã, torna-se uma referência.”

Mas cuidado, este argumento não é assim tão linear. Em todas as guerras, existem os vencedores e os derrotados. Aqueles de que o Sr. professor fala neste trecho são os “vencedores” – no entanto para chegarem ao topo da hierarquia, existem dezenas de derrotados, derrotados esses cuja derrota é feita através de um leque variadíssimo de truques baixos.

4. Todavia, aparecem-me perguntas cujo interesse me leva a que o Sr. professor me responda: depois de todas as variáveis argumentativas que apresentou, não será uma instituição como a AAC usada como instrumento narcisista do culto da personalidade de uns em detrimento de um trabalho cívico em prol de uma comunidade? Não será a AAC um péssimo tubo de ensaio para a não consolidada democracia participativa que se pretendeu em Portugal no pós-revolução de Abril através da existência deste tipo de fenómenos e comportamentos? Não será que a sua missão, enquanto professor da Universidade de Coimbra, num curso como o de Sociologia que é um curso que realça a análise de fenómenos ligados à política, consciencializar os seus estudantes para a mudança deste paradigma (ou da existência dele) de pensamento acerca do que deve ser a democracia em portugal?

5. Para finalizar um último argumento e uma última pergunta: como sabe Sr. Professor, a experiência democrática tomando como exemplo os primeiros estados modernos da Europa é algo que não foi conseguido e consolidado às três pancadas. Houveram muitos avanços e recúos, muitas lutas que acabaram em derramamento de sangue, muitas iniciativas legais, muita luta pela existência de iniciativas legais que consagrassem na lei direitos, liberdades fundamentais, garantias aos cidadãos, protecção da lei aos cidadãos em relação a possíveis abusos por parte da Instituição estado e a própria limitação do Estado e do poder político-governativo pela lei. É certo que esta experiência democrática redunda na democracia como um sistema político imperfeito e nisso concordo que não existem sistemas políticos perfeitos.

No entanto, para um país como Portugal, saído de 2 séculos recheados de convulsões histórico-sociais (absolutismo; passagem do absolutismo para o cartismo e para o constitucionalismo; revoluções atrás de revoluções, mudança da monarquia para uma república tosca, reviralhismo; passagem de uma república tosca para uma república fascizada, fascismo puro que promoveu atrasos de todos os níveis no país, no reviralhismo com uma nova revolução, passagem rapida à esquerda e consequente bipolarização governamental pós-25 de Abril) não será exagerado pedir que o que demorou 8 séculos a ser construído em estados como o Reino Unido, 4 em Estados como a França, 2 em Estados como os Estados Únidos da América (se bem que a democracia americana é para mim a forma mais tosca de democracia) possa ser concretizado em 37 anos em Portugal, quando sabemos que as variáveis ao nível de mentalidades neste país ainda estão dominadas pelo pensamento tacanho de aldeia, pelo provincianismo\bairrismo puro e duro e pela existência de pré-conceitos em relação a certas ideologias políticas, quando sabemos que ainda temos uma população demasiado atrasada ao nível de competências e atributos educativos, ideológicos e até técnico-profissionais e quando sabemos que ao nível económico o nosso povo ainda não chegou a um limiar aceitável de condições materiais de vida?

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Favores pagam-se com favores

Sobre as nomeações:

Eduardo Catroga – Funcionou como o cérebro macroeconómico nas negociações com o governo de José Sócrates do Orçamento de Estado de 2011, momento chave em que Pedro Passos Coelho conseguiu granjear o protagonismo suficiente para destruir por completo os restos do malfadado governo socialista e trilhar o caminho para o poder.

Foi o mestre da economia neoliberal do governo de Cavaco Silva e foi o responsável pelo primeiro megaplano nacional de privatizações de empresas públicas.

Celeste Cardona – Não existiu um único “negócio” assinado por Cardona que tivesse sido executado nos trâmites que se exige a um governante. A sua passagem pelo Ministério da Justiça no governo de Durão Barroso foi o claro exemplo de como alguém sem qualquer tipo de capacidades consegue chegar ao poder. No entanto, ser um dos braços direitos de Paulo Portas no CDS\PP vale ouro.

Paulo Teixeira Pinto – Advogado e consultor jurídico, foi chamado a integrar o XII Governo Constitucional, primeiro como subsecretário, até 1992, depois secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, até 1995, acumulando essas funções com as de porta-voz do mesmo Governo. É natural que Eduardo Catroga queira pessoas da sua estrita confiança a seu lado.

Acresce também que é divorciado da Ministra da Justiça Paula Teixeira da Cruz desde 2008, ou seja, as ligações causídicas a este governo levam a que as cunhas se façam sentir nesta nomeação apesar das declarações do primeiro-ministro o negarem.

Várias críticas tem sido feitas. A única que me ocorre neste momento para designar o lobby que se está a formar na EDP é: se Pedro Passos Coelho propôs-se a acabar com o “amiguismo” à volta do Estado, porque é que as nomeações foram precisamente para pessoas cujo amiguismo ao Estado é um dado mais que assente?

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Salta pocinhas

O que interessa é o tacho.

Quando o seu coração era CDS\PP olhava com desdém o povo. Agora, o punho e a rosa são os seus melhores amigos.

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