Tag Archives: Carsten Jancker

daquelas parvoíces de sexta ao almoço

Quando em 2007 Bernd Schuster tomou conta do destino do Real Madrid, uma das primeiras perguntas que fiz a mim mesmo foi precisamente: não me lembro de ter visto Schuster jogar. Até que por ironia do sorteio da Liga Europa, Bayer Leverkusen e Benfica irão defrontar-se e, como não podia deixar de ser, a imprensa deu destaque a este magnífico jogo que remonta à época 1993\1994. Afinal vi Schuster jogar.

Lembro-me deste jogão com alguma clareza até porque estava a torcer pela equipa dos farmacêuticos. A equipa do Benfica, com Schwarz, Kulkov, Yuran, Valdo, Ailton, Abel Xavier, Rui Costa, João Vieira Pinto entre outros, comandada por Toni (o que é que tu queres caralho? Não é falta do Assam caralho?) era uma super equipa e acabou de resto por vencer o campeonato nesse ano. Do outro lado Paulo Sérgio (veio a protagonizar um dos melhores ataques da história do futebol no Bayern de Munique anos mais tarde com Neuville, Jancker, Zickler e Giovanne Elber) Schuster e aquela máquina de golos que a minha memória já me tinha varrido: o panzer Ulf Kirsten.

Ver de novo estas imagens causa-me uma enorme dicotomia: se é certo que actualmente presencio a uma das épocas de ouro do futebol (já começa a ser inquantificável a panóplia de jogadores habilidosos no futebol actual), também é certo que recordo com saudades estes tempos em que o futebol (nacional e internacional) chegava a conta gotas a nossa casa por via das transmissões da RTP 1 e 2 (liga, competições europeias e um joguito da Premier na 1 e na 2 ao sábado à tarde) e posteriormente (já no final da década de 90) pela SIC (alguns jogos da Taça, do campeonato e de ligas estrangeiras nas tardes de semana) e TVI (as habituais noites de domingo em que a estação de Queluz nos brindava com um jogo em diferido da Liga Espanhola e da Serie A). Ainda num destes dias comentei isso com o João Borba: com a revolução das telecomunicações, é raro um dia em que não tenhamos um bom jogo de futebol para ver e temos todas as ferramentas de informação para seguir as incidências do futebol ao minuto. Naqueles tempos, chegávamos até a ver o Sporting para as competições europeias no café pois quando jogava fora apenas conseguíamos apanhar o directo numa televisão estrangeira (lembro-me que em 1994\1995 vi no café do Ti Eduardo o Sporting a jogar em Santiago Bernabéu contra o Real Madrid de Laudrup e Zamorano) e conheciamos os jogadores praticamente por cromos e para sabermos o andamento da coisa tínhamos que chatear o nosso avô a comprar o desportivo. De vez em quando lá os víamos jogar numa competição internacional de clubes ou selecções. A informação contudo não nos agradava porque era escassa. Mas agradavam-nos outros factores: os dias de competições europeias do nosso clube eram vividos desde o acordar até à hora do jogo com muita ansiedade assim como os derbys. Em dia de Benfica vs Sporting ou Sporting vs Porto, acordava louco porque aquele era o dia. Depois, eram as transmissões do Tovar, do Gabriel Alves, do Perestrelo, as suas expressões típicas, as suas calinadas, no caso do Tovar, a sua sabedoria de futebol, sabedoria à qual o Luis Freitas Lobo ainda terá que comer muita sopa para alcançar.

Fica a nota. Assim como fica a memória do jogo em que Rui Costa, no seu estilo elegante, fez 3 assistências.

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História do Futebol #2

Primavera de 1999. Nou Camp, Barcelona. Duas das equipas que marcaram a década de 90. De um lado, o Manchester United, meia selecção Inglesa. De outro lado, o Bayern de Munique, meia selecção alemã. Sir. Alex Ferguson, cravejado de títulos na década contra Ottmar Hitzfeld, na altura, o treinador da moda entre os Germanicos com a proeza realizada em 1997 ao serviço do Borussia de Dortmund.

United com um onze de luxo: Schmeichel na baliza (seria o último jogo oficial do gigante dinamarquês nas balizas do clube de Manchester antes de se transferir para o Sporting) Gary Neville à direita da defesa, Ronny Johnson e Jaap Stam ao centro, Dennis Irwin, o pequenino irlandês a completar a defesa na esquerda. Meio-campo de sonho. Na falta (nesse jogo) do implacável Roy Keane, Nicky Butt era aquele que tinha como missão movimentar o meio-campo. Butt não era um talento extraordinário, antes era aquele trinco que sabia sair a jogar e na calada de momento, dava o equilíbrio necessário que a equipa necessitava do ponto de vista defensivo. Giggs jogava a 10. Jesper Blomqvist era o médio-esquerdo e David Bechkam era o senhor dos cruzamentos na direita. Na frente, dois bulldozers; Dwight York e Andy Cole.

No lado alemão, o gigante Oliver Kahn enchia a baliza. A defesa era composta por Marcus Babbel na direita, Thomas Linke na esquerda, Lotthar Matthaus (já retirado a central) e Samuel Kuffour no centro do terreno. No meio-campo, triplo-pivot defensivo com Tarnat, Jens Jeremies e Mario Basler. Mais à frente, Effenberg era o grande motor do ataque bávaro, que tinha então, como expoentes máximos duas traves: Carsten Jancker e Alexander Zickler.

No banco de ambos os lados, jokers, que iriam\poderiam decidir a partida. Do lado do United, os avançados Solskjaer e Sheringham. Do lado do Bayern, o elegante Mehmet Scholl (o único médio tecnicamente perfeito do Bayern dessa década) estranhava a titularidade e só haveria de entrar aos 71″ quando Hitzfeld queria defender a vantagem de 1-0 construída com o golo de Mario Basler aos 5 minutos.

Lembro-me perfeitamente da forma como o Bayern vulgarizou por completo o Manchester United de Ferguson. 3 bolas que bateram com estrondo na barra. Um manchester completamente encostado às cordas durante 90 minutos, ofegante, sem soluções. A dada altura da partida, Gabriel Alves, na altura o comentador de serviço da RTP esgrimia algo como “Ferguson deve-se dar muito por contente porque pelo caudal de jogo do Bayern será uma sorte não sair de Nou Camp goleado”. Não saiu.

Sheringham, o alto e fino avançado que anos antes tinha provado o amargo alemão no Euro 96, perante Sua Majestade de tribuna vip em Wembley frente a alguns destes mesmos alemães nas grandes penalidades que haveriam de afastar os ingleses do sonho do título europeu, iria entrar aos 68″ para 22 minutos mais tarde assinar o golo do empate numa fase em que o Manchester já atirava a sua sorte para um monte de jogadores na área em puro desespero.

Seria mesmo no final, Peter Schmeichel a baralhar as contas aos alemães. Subiria à area adversária para baralhar as marcações e causar pânico à defesa de Hitzfeld. Com exito. O segundo suplente a sair do banco de Ferguson, Solskjaer, haveria de estar no sítio certo para dar mais uma Liga dos Campeões ao clube de manchester.

Hitzfeld não queria acreditar como tinha perdido aquela final. A história haveria de o compensar anos mais tarde com uma vitória na competição em final disputada contra os espanhóis do Valência, clube cuja ingratidão com a competição é mais que muita dado o facto de terem perdido duas finais consecutivas.

Hitzfeld tem o seu nome inscrito na história do Bayern a letras de ouro. 5 Bundesligas, 1 Liga dos Campeões, 3 taças da alemanha e 1 campeonato do mundo de clubes em 7 épocas efectivas de Bayern. A juntar a mais 2 bundesligas e 1 liga dos campeões ao serviço do Dortmund, é um dos gloriosos alemães. Mas a história não se esquece que poderia ter mais uma vitória na Liga dos Campeões se aquela noite de Barcelona não tivesse atingido um profundo estado de sonho e depressão…

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