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A morte em tribunal

por Peter Singer, sociólogo, professor de bioética na Universidade de Princeton e professor Laureado na Universidade de Melbourne

“Gloria Taylor, canadiana, tem esclerose lateral amiotrófica (ELA), também conhecida por doença de Lou Gehrig. Durante um período de alguns anos, os seus músculos enfraquecerão até que já não possa andar, usar as mãos, mastigar, engolir, falar e, por fim, respirar. Depois ela morrerá. Taylor não quer passar por tudo isso. Ela quer morrer na altura que escolher.

O suicídio não é um crime no Canadá, portanto, como Taylor diz: “Simplesmente não consigo compreender porque é que a lei diz que os doentes terminais fisicamente aptos estão autorizados a disparar sobre si quando já não podem mais, por serem capazes de empunhar uma arma com firmeza, mas porque a minha doença afecta a capacidade de me mover e controlar o meu corpo, não me é permitida uma ajuda compassiva que me permita cometer um acto equivalente utilizando medicação letal.”

Taylor vê a lei como oferecendo-lhe uma escolha cruel: ou terminar a sua vida quando ainda a acha agradável, mas é capaz de se matar, ou abdicar do direito que os outros têm de terminar as suas vidas quando escolhem. Ela foi a tribunal, argumentando que as provisões do Código Criminal que a previnem de receber assistência à morte são inconsistentes com a Carta Canadiana de Direitos e Liberdades, que dá aos canadianos os direitos à vida, à liberdade, à segurança pessoal e à igualdade.

O processo foi notável pela exaustividade com que a juíza Lynn Smith examinou as questões éticas que se lhe apresentavam. Recebeu opiniões periciais de figuras proeminentes em ambos os lados da questão, não apenas canadianos, mas também autoridades na Austrália, Bélgica, Países-Baixos, Nova Zelândia, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos. A gama de competências incluía medicina geral, cuidados paliativos, neurologia, estudos de invalidez, gerontologia, psiquiatria, psicologia, direito, filosofia e bioética.

Muitos destes peritos foram contra-interrogados em tribunal. Juntamente com o direito de Taylor a morrer, décadas de debate sobre assistência à morte foram sujeitas a escrutínio.

No mês passado, Smith emitiu a sua sentença. O caso, Carter vs. Canada, poderia servir como um manual de factos, leis e ética da assistência à morte.

Por exemplo, tem havido muito debate sobre a diferença entre a prática aceite de suspender o apoio de vida ou qualquer outro tratamento, sabendo que o paciente provavelmente morrerá por essa falta, e a prática contestada de ajudar activamente um paciente a morrer. A sentença de Smith estabelece que “uma distinção ética categórica é elusiva”, e de que a ideia de que não existe tal distinção ética é “persuasiva”. Considera, e aceita, um argumento avançado por Wayne Sumner, um distinto filósofo canadiano: se as circunstâncias do paciente são tais que o suicídio seria eticamente permissível se o paciente o pudesse executar, então é também eticamente permissível ao médico fornecer os meios para que o paciente o execute.

Smith também teve de avaliar se existem considerações ao nível das políticas públicas que contem contra a legalização da morte medicamente assistida. A sua decisão concentra-se principalmente no risco de pessoas vulneráveis – por exemplo, os idosos ou os que são inválidos – serem pressionadas a aceitar assistência à morte quando na realidade não a pretendem.

Há pontos de vista conflituantes sobre se a legalização da eutanásia voluntária nos Países Baixos, e da morte medicamente assistida no Oregon, levaram a um aumento no número de pessoas vulneráveis mortas ou assistidas na morte sem o seu consentimento informado e completo. Durante muitos anos, Herbert Hendin, um psiquiatra e perito em suicídios, tem defendido que as salvaguardas incorporadas nestas leis não protegem os vulneráveis. Apresentou provas disto no julgamento.

Também o fez, por outro lado, Hans van Delden, um médico em lares de idosos e bioético holandês que durante os últimos 20 anos tem estado envolvido em todos os principais estudos empíricos de decisões sobre o fim da vida no seu país. Peggy Battin, a mais proeminente bioética norte-americana a trabalhar na morte assistida e na eutanásia, também prestou declarações.

Nesta disputa, Smith apoia firmemente o lado de van Delden e Battin, concluindo que “as provas empíricas colhidas nas duas jurisdições não suportam a hipótese de que a morte medicamente assistida impôs um risco especial a populações socialmente vulneráveis”. Ao contrário, diz: “As provas apoiam a posição do dr. Van Delden de que é possível a um Estado desenhar um sistema que simultaneamente permita a alguns indivíduos o acesso à morte medicamente assistida e proteja socialmente indivíduos e grupos vulneráveis.” (O mais recente relatório holandês, publicado depois de Smith ter proferido o seu julgamento, confirma que não houve um aumento dramático dos casos de eutanásia nos Países Baixos.) Smith declarou então, depois de considerar a lei aplicável, que as provisões do Código Criminal prevenindo a assistência médica à morte violam o direito das pessoas inválidas não apenas à igualdade, mas também à vida, à liberdade e à segurança. Ela abriu assim a porta para a assistência médica na morte para qualquer adulto competente, grave e irremediavelmente doente, sob condições não muito diferentes daquelas que se aplicam noutras jurisdições onde a morte clinicamente assistida é legal.

A decisão será quase certamente contestada, e o resultado final parece provável que venha a depender das interpretações que o tribunal de recurso fizer da lei canadiana. Mas o veredicto de Smith quanto à ética da morte clinicamente assistida – e dos factos relativos às jurisdições, como os Países Baixos ou o Oregon, que a consideram – provavelmente permanecerá firme durante muito tempo.”

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A identidade e a cidade

Por Daniel A. Bell, Avner de-Shalit, Professor na Universidade Jiao Tong, Xangai, e na Universidade de Tsinghua, Pequim

“Qual é o grande acontecimento da nossa época? Depende do dia, mas se contarmos por séculos, então de certeza que a urbanização da humanidade é um forte candidato. Hoje, mais de metade da população mundial vive em cidades, em comparação com os menos de 3% em 1800. Em 2025, só a China deverá ter 15 “mega-cidades”, cada uma com uma população de pelo menos 25 milhões de habitantes. Estão os críticos sociais preocupados com a solidão atomizada da vida nas grandes cidades?

É certo que as cidades não podem fornecer o sentido rico de comunidade que muitas vezes caracteriza as aldeias e as pequenas cidades. Mas uma forma diferente de comunidade evolui nas cidades. As pessoas têm muitas vezes orgulho das suas cidades e procuram sustentar as suas culturas cívicas distintivas.

Ter orgulho da nossa cidade tem uma longa história. No mundo antigo, os atenienses eram identificados pelo etos democrático da sua cidade, enquanto os espartanos orgulhavam-se da reputação que a sua cidade tinha de disciplina militar e de força. É claro que as actuais áreas urbanas são enormes, diversificadas e pluralistas, por isso pode parecer estranho dizer que uma cidade moderna tem um etos que transmite a vida colectiva dos seus moradores.

No entanto, as diferenças entre, digamos, Pequim e Jerusalém, sugerem que as cidades têm tal etos. Ambas são construídas com um núcleo cercado por círculos concêntricos, mas o núcleo de Jerusalém exprime valores espirituais, enquanto o de Pequim representa o poder político. E o etos de uma cidade não molda somente os seus líderes. Pequim atrai os principais críticos políticos da China, enquanto os críticos sociais de Jerusalém defendem uma interpretação da religião que mantém as pessoas, em vez dos objectos inanimados, sagrados. Em ambos os casos, apesar das objecções aos princípios específicos da ideologia dominante, poucos rejeitam o etos.

Ou veja-se o caso de Montreal, cujos moradores têm de navegar na complexa política linguística da cidade. Montreal é um exemplo relativamente bem-sucedido de uma cidade onde tanto os anglófonos como os francófonos se sentem em casa, mas onde os debates linguísticos dominam, contudo, o cenário político – e constrói um etos para os residentes da cidade.

Hong Kong é um caso especial, onde o modo de vida capitalista é tão central que está consagrado na Constituição (a Lei Básica). Ainda assim, o capitalismo de Hong Kong não se fundamenta simplesmente na procura de ganhos materiais. É sustentada por uma ética confucionista que dá prioridade ao cuidado de outras pessoas acima dos próprios interesses, o que ajuda a explicar o porquê de Hong Kong ter a maior taxa de doações no leste da Ásia.

Paris, por outro lado, tem um etos romântico. Mas os parisienses rejeitam o conceito banal de Hollywood do amor como sendo uma história que tem sempre um final feliz. A ideia que eles têm de romance centra-se na sua oposição aos valores sóbrios e à previsibilidade da vida burguesa.

Na verdade, muitas cidades têm identidades distintivas das quais os seus residentes se orgulham. O orgulho urbano – ao qual chamamos “civicismo” – é uma característica fundamental das nossas identidades nos dias de hoje. Isto é importante, em parte, porque as cidades que têm um etos claro podem resistir melhor às tendências homogeneizantes da globalização. É preocupante quando os países proclamam os seus ideais intemporais e orgânicos, mas afirmar a particularidade de uma cidade pode ser um sinal de saúde.

As cidades chinesas procuram contrariar a uniformidade através de campanhas para recuperarem o seu “espírito” único. Harbin, por exemplo, orgulha-se do seu historial de tolerância e de abertura aos estrangeiros. Noutros lugares, o site oficial de Telavive celebra, entre outras atracções, o papel progressista da cidade como sendo um centro mundial para a comunidade gay.

O orgulho urbano pode também evitar o nacionalismo extremo. A maioria das pessoas necessita de uma identidade comunitária, mas pode ser melhor encontrá-la através da ligação a uma cidade do que através da ligação a um país que está armado e disposto a envolver-se em conflitos com os inimigos. Os indivíduos que têm um forte sentido de “civicismo” podem tomar decisões baseadas em algo mais do que o simples patriotismo, quando se trata de compromissos nacionais.

As cidades que têm um forte etos também podem cumprir os objectivos políticos que são difíceis de alcançar a nível nacional. A China, os Estados Unidos e até mesmo o Canadá podem demorar anos até implementarem planos sérios para enfrentarem as alterações climáticas. No entanto, cidades como Hangzhou, Portland e Vancouver orgulham-se dos seus etos “verdes” e vão muito além dos requisitos nacionais em termos de protecção ambiental.A urbanização é responsável por uma grande variedade de males sociais modernos, que vão desde o crime e a indelicadeza até à alienação e à anomia. Mas, ao macerar-nos com os seus espíritos únicos e com as suas identidades, as nossas cidades podem, de facto, ajudar a fortalecer a humanidade para enfrentar os desafios mais difíceis do século XXI.”

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RWC (9)

Depois da vitória da Austrália frente à Rússia por 68-22 e da copiosa derrota da França (já apurada) frente a Tonga, nesta madrugadamanhã realizaram-se os últimos jogos da fase de grupos, tendo Gales, Irlanda e Argentina carimbado o acesso aos quartos-de-final da prova.

Num breve sumário:

A Argentina apurou-se no 2º lugar da Pool B como lhe competia. Depois de uma emocionante vitória sobre a Escócia, os Escoceses falharam o assalto do apuramento frente aos Ingleses e os Argentinos bateram a Geórgia com algum grau dificuldade, porém, sem colocar o apuramento em risco.

No jogo contra os Georgianos, e como se previa em qualquer antevisão feita sobre o jogo, prevaleceu a luta dos avançados. Ora no jogo no chão, ora nas melées, ora nos alinhamentos. Os Georgianos efectuaram o típico jogo de pick and go, mas quase sempre esbarraram contra uma aguerrida defesa argentina que teve no 2ª linha Patrício Albacete o seu grande esteio. O 2ª linha do Stade Toulousain ganhou 5 dos 11 alinhamentos ganhos pela sua selecção enquanto o flanqueador Juan Leguizámon executou 11 placagens durante a partida.

Numa primeira parte de muita luta, e onde a Argentina demorou a encarrilar nos trilhos da vitória (os Georgianos estavam a defender bastante bem as investidas dos 34 argentinos) só aos 32″ é que Juan Manuel Imhoff, confirmando o excelente momento de forma que atravessa, conseguiu abrir um furo na defesa dos europeus e voar para o primeiro ensaio da partida. Sol de pouca dura: aos 39″, o médio de abertura Lasha Khmaladze haveria de colocar a Geórgia a vencer ao intervalo por 7-5.

A Argentina teve que assumir outra estratégia na 2ª parte e nas primeiras faltas cometidas pelos Georgianos avançou para os postes, para se distanciar no marcador e sobretudo para não fazer empolgar a turma Georgiana. Em dois pontapés, Filippo Contepomi colocou 2 penalidades e consequentemente o jogo a 11-5. O experiente médio de abertura Argentino haveria aos 68″ de aproveitar um rápido contra-ataque argentino onde um pontapé para a frente de Imhoff haveria de aparecer nas suas mãos para o ensaio tranquilizador da passagem argentina à fase final da prova. Agustin Gosio iria selar a vitória no último minuto.

A Geórgia despede-se deste mundial com objectivo cumprido: venceu a Roménia e discutiu a partida com Argentinos e Escoceses.

Quanto aos Argentinos, Felipe Contempomi foi claro no flash interview ao afirmar que no próximo domingo a sua selecção terá que se esforçar para poder bater a Nova Zelândia.

No dia em que a Nova Zelândia ficou a saber que o seu melhor jogador, o abertura Dan Carter, irá falhar a fase final da prova devido a uma lesão muscular na zona da virilha contraída num treino, o seleccionador Graham Henry, já com o apuramento mais que decidido, não quis arriscar e colocou em campo uma selecção maioritariamente composta por suplentes contra o Canadá.

Jogadores como Owen Franks, Richie McCaw, Richard Kahui, Keven Mealamu, Kieren Read, Ma´a Nonu, Andrew Ellis e Adam Thomson, Isaia Toeava ou Cory Jane não se equiparam.

O Canadá também não ofereceu grandes dificuldades à Nova Zelândia. Foi o habitual jogo de um sentido que haveria de redundar num folgado 79-15. 12 ensaios marcados pelos jogadores Neo Zelandeses. O ponta Zac Gilford (4) o flanqueador Victor Vito (2) Jimmy Cowan, Israel Dagg, Jerome Kaino (2) Sonny Williams e Mils Muliaina marcaram os ensaios dos All-Blacks na partida. Ainda houve lugar para uma grande penalidade de Colin Slade. Do lado Canadiano, até foi Ander Munro que abriu a partida com uma penalidade. Os ensaios Canadianos foram marcados aos 39″ e 42″ pelo ponta Conor Trainor.

No meio deste autêntico massacre, quem esteve muito bem foi o abertura Colin Slade, agradando Graham Henry. Perante a lesão de Dan Carter, o médio de abertura dos Highlanders é claramente a escolha mais provável para o jogo de domingo frente à Argentina.

Mais um jogo de decepção para os Fijianos neste mundo. A selecção Fijiana foi cilindrada por Gales por 66-0 e sai de prova com uma única vitória, alcançada perante a modesta selecção da Namíbia.

Sem grandes poupanças, Warren Gatland não quis colocar o apuramento em causa perante Fiji e os seus jogadores não foram de modas: 9 ensaios – Jamie Roberts (2) Llyod Williams, Scott Williams, Leigh Halfpenny, Sam Warburton, George North, Lloyd Banks, Jonathan Davies e uma penalidade de Rhys Priestland traçaram um jogo muito tranquilo para Gales. A selecção Galesa enfrenta a Irlanda nos quartos-de-final.

No jogo mais esperado do dia, a Irlanda não vacilou perante a Itália e ganhou por 36-6, carimbando o apuramento. Como não consegui ver o jogo nem o resumo do mesmo, fica aqui a transcrição da breve análise que nos é dada pelo site do torneio.

” DUNEDIN, 2 Oct. – Brian O’Driscoll felt right at home during Ireland’s 36-6 victory over Italy on Sunday that clinched their progression into the quarter-finals.

More than 28,000 fans, nearly all of them in green, white and orange, witnessed a first-half performance that held a hungry Italian pack at bay before the Irish kicked away after the break with some expansive rugby.

“That was the best, seeing rows of green everywhere you look,” O’Driscoll said of the support.

“It was like Lansdowne Road – in fact, I have played in Dublin before when it hasn’t been that good.”

Ireland fly half Ronan O’Gara kept the scoreboard busy at a stadium where kickers had previously suffered.
O’Gara, retaining his place ahead of Jonathan Sexton, stroked three penalties in the first 40 minutes as the Irish kept their noses in front despite a tough physical battle against the Italy forwards at Otago Stadium.
An injury to prop Martin Castrogiovanni three minutes before half-time in the final Pool C clash weakened the Azzurri in their key battleground with the score at 9-6.

Tough times

And Ireland won virtually every skirmish after the break, running in three tries against an increasingly ragged defence, while the Italians failed to take the few opportunities they had.
O’Gara finished with 16 points, and the scoreline allowed the luxury of a late appearance by Sexton, who was unerring with one penalty and a conversion.
Those scores were built on the foundation of a prize-fighting display from flanker Sean O’Brien, who took the man-of-the-match award.

“We’ve done our job but tough times are to come,” said O’Brien, looking ahead to the quarter-final against Wales in Wellington on 8 October. “We’re halfway there.

“There’s fire in the belly, and that’s what we had tonight.”

O’Brien drew whistles from the crowd when he needed to change his shirt just before half-time, enjoying a moment similar to Sonny Bill Williams’ ‘wardrobe malfunction’ for New Zealand against Tonga as he struggled to force the jersey over his considerable torso.

Bruising run

“I don’t think I really compare to Sonny Bill Williams, I don’t really have the same body,” he said.

“But I was trying to get the shirt on as soon as possible.”

O’Driscoll sprinted through for his first try of the competition on 47 minutes. Another bruising run from him soon after led to the ball being recycled to Keith Earls, who scored in the corner, and Earls added another in the final minute to cap a great night for the Irish. Italy coach Nick Mallett said the Irish support had been a significant factor in the outcome of the match.

“I think every New Zealander had a green shirt on tonight, because I don’t believe there are that many Irish with enough euros to have been here,” he said.

Italy looked a beaten side by the time O’Gara converted Earls’ first try to make it 26-6 after 53 minutes.

Take responsibility

And with the Azzurri making 97 tackles – 38 more than the Irish – fatigue set in as the Irish backs took control.

Italy’s lack of bite was summed up by an overthrown lineout from hooker Salvatore Perugini as they set up for a drive in Ireland’s 22 late in the match, gifting possession back to the men in green.

“We have to be men about it and take responsibility,” said Italy captain Sergio Parisse after their bid for a first quarter-final appearance fell short.

“No-one took a backward step on the pitch. We have to be realistic and say Ireland are a better team than us, and they played at a higher level than us.”

Assim sendo,

1. O grupo A terminou com a Nova Zelândia com 20 pontos (a totalidade de pontos possíveis) a França com 11, Tonga com 9 (se Tonga não tivesse perdido com o Canadá teria chutado a França fora do mundial na fase de grupos) Canadá com 6 e Japão com 2.

O Grupo B terminou com a Inglaterra em primeiro com 18 pontos, a Argentina em 2º com 14, Escócia com 11, Geórgia com 4 e Roménia com 0.

O grupo C foi ganho pela Irlanda com 17 pontos, contra os 15 da Austrália, os 10 da Itália, os 4 dos Estados Unidos e 1 da Rússia.

Já o grupo D foi ganho pela África do Sul com 18 pontos. Gales acabou com 15, Samoa com 10, Fiji com 5 e a Namíbia com 0.

2. Ao nível colectivo:

2.1 A Nova Zelândia foi a selecção com mais pontos marcados na fase de grupos com 240. A selecção com menos pontos marcados foram a Roménia e a Namíbia com apenas 44.

2.2 A África do Sul foi a selecção com menos pontos sofridos. Apenas 24. A selecção com mais pontos sofridos foi a Namíbia com 266.

2.3 A selecção com mais ensaios na fase de grupos foi a Nova Zelândia com 36. As que obtiveram menos ensaios foram a Roménia e a Geórgia com apenas 3. Com mais ensaios sofridos, a Namíbia, com um total de 36.

3. Ao nível individual:

3.1 O jogador com mais pontos somados na fase de grupos foi o médio de abertura Springbok Morné Steyn com um total de 53 (2 ensaios, 14 conversões e 5 penalidades) tendo ficado na 2ª posição o médio de abertura de Tonga Kurt Morath com 45 (6 conversões e 11 penalidades) e em 3º o médio de abertura Irlandês Ronan O´Gara com 39 (9 conversões e 7 penalidades). O 2º já não poderá lutar por esta distinção dado que a sua selecção já foi afastada do mundial.

3.2 Ao nível de ensaios, o jogador com mais ensaios marcados foi Chris Ashton da Inglaterra com 6, sendo que Israel Dagg (Nova Zelândia) Adam Ashley-Cooper (Austrália) Vincent Clerc (França) tem 5. A competição fica em aberto para a fase final da prova.

3.3 Ao nível de conversões, Morné Steyn e Colin Slade (Nova Zelândia) lideram com 14 contra as 12 de James O´Connor da Austrália e as 10 de Stephen Jones de Gales. Esta competição também fica em aberto para os próximos jogos.

3.4 Ao nível de penalidades, Kurt Morath acabou a fase de grupos com 11. O abertura Merab Kvirikashvili da Geórgia alcançou 8 e Dimitri Yachvilli da França, Ronan O´Gara da Irlanda e Chris Patterson da Escócia alcançaram 7. Apenas o francês e o irlandês continuam em prova.

3.5 Ao nível de drop goals, a liderança pertence a Theuns Kotze da Namíbia e Dan Parks da Escócia com 3 drops certeiros. Ambos saíram fora de prova. Johnny Wilkinson,”o rei dos drops”, tem 1 neste momento mas poderá vir a fazer alguns nos próximos jogos.

4. Para finalizar, aqui ficam as datas e respectivos horários do alinhamento dos jogos dos quartos-de-final:

4.1 Sábado teremos às 6 da manhã (hora portuguesa) o Irlanda vs Gales – o jogo disputa-se em Wellington e às 8 e meia da manhã o tão esperado França vs Inglaterra – jogo que se disputa em Auckland

4.2 Domingo teremos às 6 da manhã o Irlanda vs Gales – o jogo disputa-se em Wellington e às 8 e meia da manhã o Nova Zelândia vs Argentina.

Os jogos tem transmissão em directo na Sporttv.

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RWC (8)

A Namíbia despediu-se do mundial com mais uma derrota volumosa. 81-7 contra Gales foi o resultado do adeus dos africanos aos campos da Nova Zelândia. Não há muito a dizer sobre este jogo. No entanto, o comportamento dos Namibianos tem melhorado de campeonato em campeonato: os Namibianos já não perdem jogos por mais de 100 e deram um excelente espectáculo na primeira jornada contra as Ilhas Fiji.

Gales entrou em campo com uma equipa onde não contavam as suas maiores estrelas, principalmente na linha dos 34 e o seleccionar Warren Gatland aproveitou inclusive para dar minutos ao abertura Stephen Jones (vindo de lesão) e para descansar na 2ª parte o 3ª linha flanqueador Sam Warburton, para já, o jogador em mais evidência na equipa Galesa.

Gales acelerou rapidamente o jogo e causou dificuldades aos Namibianos: Stephen Jones testou o seu pontapé com exito logo aos 3″ e até aos 18 minutos, os galeses haveriam de chegar a 3 ensaios por intermédio de Scott Williams, Aled Brew e do 3ª linha centro Toby Faletau.

Na 2ª parte, dois ensaios a abrir: o 2º de Scott Williams e o do pilar Gethin Jenkins. Na resposta, a Namíbia marcou o seu ensaio de honra aos 53 minutos por intermédio do 2ª linha Henry Kohl. Até ao final, a selecção africana ainda haveria de ser penalizada com um cartão amarelo ao pilar Raoul Larsson e haveria de sofrer mais 7 ensaios, todos por cansaço, 3 dos quais motivados pelo cansaço e ausência de um jogador em campo.

Para as estatísticas, os ensaios foram marcados por Georg North (2), Jonathan Davis, Scott Williams (3º) Lloyd Williams, Lee Byrne e Alun Wyn Jones.

No encontro de despedida da selecção Japonesa deste mundial, Canadá e Japão empataram a 23 pontos num jogo bastante bem disputado e emocionante até ao final. A selecção nipónica despede-se com honra de uma participação  (3 derrotas e 1 empate) que deve ser encarada como mais uma experiência positiva para o seu rugby.

Estas equipas já se tinham defrontado no campeonato do mundo de França em 2007 tendo-se registado na altura um empate a 12 pontos.

No campo, as duas equipas jogaram sempre para ganhar. Aos 5 minutos depois de uma melée para o lado canadiano, vários jogadores do pack avançado Canadiano ultrapassaram a linha de ensaio japonesa. O árbitro da partida, o sul-africano Jonathan Kaplan teve que recorrer ao videoarbitro para decidir se haveria de conceder ou não ensaio aos Canadianos. O Australiano Matt Goddard negou o ensaio aos representantes do continente norte-americano. Todavia, estes não se ficaram a lamentar no chão e na melée a 5 metros da linha de ensaio que lhes seria concedida por Kaplan, jogaram a bola para o lado esquerdo e em superioridade numérica nesse flanco construíram uma excelente plataforma para o ensaio do ponta dos Glasgow Warriors McKenzie marcar o primeiro ensaio da partida.

Passados 3 minutos, Aos 9 minutos, uma jogada japonesa também obrigou o arbitro principal a chamar o videoarbitro, mas este, ao contrário daquilo que tinha acontecido na área japonesa, deu ensaio ao Japão. Marcado por intermédio de Shota Horie.
Os Japoneses tomavam vantagem na partida por intermédio das boas intervenções de James Arlidge. Passados 3 minutos, o defesa japones Shaun Webb (de origem neozelandesa) arrancou pela esquerda e parou a 1 metro da linha de ensaio. Isto porque antes de pressionar a bola contra o chão foi placado por um jogador canadiano. Mais uma vez Jonathan Kaplan teve que pedir a ajuda do videoarbitro, e como de facto, nota-se no lance que Webb sai fora do campo, o australiano Goddard não teve dúvidas em anular o 2º ensaio aos japoneses.

Aos 38″, com clara superioridade japonesa na partida, o flanqueador Japonês Ryan Nicholls (outro jogador de origem neozelandesa) arrancou em pick and go e gerou uma situação de toque curto para os flancos que quase dá ensaio para a equipa japonesa. A bola sai fora. No alinhamento, o saltador Japonês foi mais lesto a roubar a bola e Alridge combina primeiro como ryan nicholls e depois com Kosuke Endo, rumando posteriormente o ponta Endo para um brilhante ensaio debaixo dos postes do Canadá.

O Japão ia para o intervalo com uma vantagem de 17-5.

Na 2ª parte, as hostilidades começaram com um brilhante ensaio aos 44″ novamente por Phil McKenzie, a léguas o melhor jogador desta selecção do Canadá! McKenzie terminou com uma poderosa arrancada! Dão-se três penalidades pelo meio que colocam o jogo a 23-13: Arlidge marcou 2 penalidades para o Japão enquanto Adan Munroe marcou uma para o Canadá.
Os canadianos acordaram tarde e tarde foram para a frente e tentaram resolver a partir dos seus avançados. O médio de abertura Munro haveria de marcar o ensaio que colocaria o Canadá a 3 pontos do Japão a 5 minutos do fim. Não chegava para que os Canadianos pudessem chegar à vitória. Os homens do Canadá não desistiram e continuaram a pressionar a defensiva Japonesa em busca do ensaio ou de uma falta que desse uma penalidade e como tal um pontapé aos postes que pudesse evitar a derrota. Conseguiram-no a 3 minutos do fim depois de assinalada uma falta por fora-de-jogo de um jogador japonês. Adan Munroe empataria o jogo a 23 pontos. No último minuto, Arlidge ainda tentou um drop kick mas este acabaria por sair ao lado.

Com a missão de ganhar para acalentar a possibilidade de discutir com a Irlanda a passagem aos quartos-de-final e a praticar um rugby de bastante qualidade, o seleccionador italiano de nacionalidade sul-africana Nick Mallett entrou em campo com uma selecção próxima da melhor combinação de jogadores que a Itália pode dar. Mallett não se podia dar ao luxo de arriscar perante uma equipa cuja selecção irlandesa apenas tinha conseguido vencer por 22-10.

Muita luta de avançados nos primeiros minutos. A Itália dominava e tentava estender os seus jogadores no campo. Os EUA eram acutilantes mas Sergio Parisse, à medida daquilo que tinha feito contra a Rússia inaugurava o marcador com um belíssimo ensaio depois de uma assistência do 2ª linha italiano de origem sul-africana Cornelius Van Zyl.
Os EUA partiram imediatamente para o ataque em busca dos pontos para que os italianos não avançassem muito mais no marcador. Aos 16″, uma falta fazia com que os Norte-Americanos colocassem o jogo fora. Depois de ganhar o alinhamento, Paul Emmery entrou numa investida pessoal contra a defesa italiana e depois de ganhar vantagem deu o ensaio ao defesa Chris Wyles para o empate com os Italianos.

A vantagem seria desfeita até ao intervalo: primeiro com um pontapé de penalidade de Mirco Bergamasco. Depois com três ensaios: aos 30″, depois de um mull, o formação italiano Fabio Semenzato iria soltar a bola para o abertura Luciano Orquera furar por completo a bem urdida defesa Norte-Americana; dentro dos descontos e após uma excelente perfuração no chão dos avançados italianos seria Martin Castrogiovani a marcar o seu primeiro ensaio num mundial. Um bom prémio para o pilar que cumpre na Nova Zelândia o seu 3º campeonato do mundo pela selecção italiana. No lance, metade dos créditos pertencem a Luke McLean. O ponta de origem Australiana iria ser decisivo na obtenção deste ensaio.

A 2ª parte seria de claro domínio Italiano. Jogando ora com os avançados ora com os 34, a Itália estava desejosa de obter mais ensaios. Aos 68″ viria o último ensaio da partida para os europeus: novamente através de um mull dinâmico, os avançados italianos empurraram a turma Norte-Americana para a sua área de ensaio tendo clamado por ensaio. O Irlandês George Clancy teve que pedir a ajuda do videoarbitro, o Sul-Africano Shaun Veldsman, que rapidamente disse que não tinha visibilidade suficiente para avaliar a validade do lance. Lance anulado e melée a 5 metros. Novo mull dos italianos que os EUA partiram em falta – como o recurso à falta por parte dos americanos neste tipo de situações já estava a ser recorrente e com um grau elevado de anti-jogo facto que já tinha inclusive punido por Clancy com um cartão amarelo 9 minutos antes ao 3ª linha asa Louis Stancil, levou que o Irlandês assinalasse um ensaio de penalidade a favor dos Italianos.

A Itália ainda sonha com a passagem à fase final da prova. Vencer a Irlanda será uma tarefa complicada, mas, se tiver que o ser será agora graças ao volume de jogo que os italianos tem construído e mesmo à forma física com que se apresentaram neste mundial.

Os EUA despedem-se do mundial com uma excelente prestação. Ganharam o o jogo que lhes competia à russia e bateram-se devidamente contra Italia e Irlanda. Conseguiram um ensaio contra a Austrália, feito que merece ser sempre recordado por qualquer colectivo. Precisam (assim como precisa o Japão, a Namíbia, as Tonga, a Roménia, Rússia a Geórgia, Canadá e outras selecções que não estão aqui presentes mas cuja evolução na modalidade tem sido positiva como são os casos de Portugal, Uruguai, China, Chile, Hong Kong, Moldávia, Zimbabwe, Espanha, Ucrânia, República Checa, Alemanha, Brasil, Coreia do Sul, Holanda e Lituânia, Quénia e Marrocos) de mais jogos contra selecções competitivas (sejam elas as principais, secundárias, sub-23, universitárias ou apenas um XV escalonado pelas respectivas federações) para que o jogo possa evoluir e tornar-se mais competitivo.

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rwc (6)

Depois da esmagadora vitória Australiana frente à modesta selecção Norte-Americana num jogo em que o ponta Adam Ashley-Cooper esteve em destaque, reporto aqui os últimos 4 jogos deste mundial que tenho vindo a seguir com alguma atenção.

À partida para este mundial, previa-se que o jogo de ontem que opôs a Nova Zelândia à França tivesse sido o centro das atenções na Pool A.

Muito resumidamente, o seleccionador Francês Marc Lièvremont comprou o bilhete antecipado para o 2º lugar da França do grupo e por questões de índole física dos seus principais jogadores e moral dos mesmos (não convinha à França largar os seus trunfos frente à selecção da casa perante um estado eufórico e arriscar-se a perder um jogo por muitos) Lièvremont sabotou este clássico do rugby mundial dois dias antes na conferência de imprensa, desiludindo todos os Neozelandeses que pretendiam ver a sua selecção num competitivo jogo contra a 1ª linha do rugby francês, afirmando que ia poupar jogadores.

Perante um estádio cheio de eufóricos adeptos All-Blacks, a selecção da casa não sentiu dificuldades em derrotar a França por expressivos 37-17, confirmando o primeiro lugar do grupo.

Henry Graham não poupou nenhum dos seus jogadores para o embate contra os Franceses, torneando assim a questão que tinha sido levantada em 2007 quando os Neozelandeses (no dia seguinte à eliminação contra a França em Cardiff) queixavam-se que aquela derrota também se tinha verificado em virtude de não terem disputado qualquer jogo de topo até aos quartos-de-final (Os All-Blacks tinham defrontado na fase de grupos a Escócia, a Itália, Portugal e Roménia).

Lièvremont acabou por cumprir metade da promessa que tinha deixado na sala de conferência de imprensa, e no 15 titular da França haveria por não colocar o talonador Servat, o 3ª linha Imanol Harinordoquy (em sua vez jogou o não menos reputado e talentoso Louis Picamoles) o abertura François Trinh-Duc e o defesa Cédric Heymans. Porém, todos estes atletas entraram na 2ª parte. Fora dos convocados haveriam de ficar Nicolas Mas, David Skrela, Alexis Palisson, Romain Millo-Chluski, Fulgence Ouedraogo e David Marty.

A França ressentiu-se desta estratégia do seu treinador e os 34 All-Blacks haveriam de fazer a vida negra aos Franceses. Sempre comandados pelo brilhante Dan Carter, os Neozelandeses chegaram facilmente aos 3 ensaios logo na primeira parte por intermédio do nº8 Adam Thomson, do defesa (neste jogo actuou a ponta) Cory Jane e do ponta Israel Dagg, que na 2ª parte haveria de marcar o 2º ensaio da conta pessoal. Na primeira parte, o melhor que os Franceses conseguiram foi uma penalidade convertida por Dimitri Yachvilli.

A defesa dos Gauleses haveria de acertar na 2ª parte, não sendo tão permissiva às investidas dos homens lá de trás da formação do hemisfério sul mas haveria de cometer mais faltas sobre os mesmos. Como referi, Israel Dagg haveria de marcar mais um ensaio logo a abrir a 2ª parte, Dan Carter continuou a brilhar com um pontapé de penalidade e um drop e o jogo iria terminar com uma França mais afoita, marcando dois ensaios por intermédio do centro Mermoz e do abertura Trinh-Duc sem que a Nova Zelândia concluísse o jogo com o último ensaio da autoria de Sonny Williams.

Com as contas de grupo A e grupo B praticamente fechadas, os All-Blacks irão defrontar a Argentina nos quartos-de-final enquantos Franceses terão pela frente um grande clássico do velho continente contra a Rosa de Inglaterra.

– No duelo das mais fortes selecções do pacífico, Samoa levou a melhor sobre Fiji por 27-7.

Não foi um jogo muito bonito. De um lado, as Fiji quiseram jogar por intermédio da força, técnica e velocidade dos seus 34. Do outro lado, Samoa apostou em muito no poderio dos seus avançados e começou a construir o resultado com imensas faltas ganhas por este dentro do território Fijiano.

O seleccionador Fijiano Samu Domoni fez uma alteração estranha no 15 titular das Fiji. O abertura Serenaia Bai, uma das unidades com melhor rendimento dos Fijianos nos primeiros 2 jogos passou para centro enquanto Nicky Little assumiu (sem grande prestação; é sem dúvida um dos jogadores mais fortes desta selecção mas está abaixo de forma) o lugar de abertura. E o jogo de ataque dos 34 Fijianos com as suas habituais e rápidas trocas de bola e acelerações não funcionaram contra a agressiva selecção Samoana.

O jogo projectado pelo seleccionador de Samoa Titimaia Tafua resultou na perfeição e a sua selecção foi ganhando pontos ao pé: na primeira parte, o abertura Tusu Pisi () converteu 3 penalidades e atirou para valer um excelente drop. Ao intervalo, Tonga cumpria o quadro estratégico delineado na perfeição e vencia por 12-0.

A 2ª parte começou com nova penalidade de Pisi e um ensaio de Kahn Fotoal´i aos 62 minutos, elevando o marcador para 22-0.Canadá

Cereja no topo do bolo foi o ensaio que seguiu, surgido de uma brilhante arrancada do 3ª linha na imagem (George Stowers) culminando uma exibição de ouro (15 placagens efectivas) para o lado Samoano. As Fiji ainda reduziram por intermédio do ensaio de Netani Talei.

– A Irlanda bateu a Rússia por 62-12 em que jogo que veio a confirmar o que se previa: sentido único para a área de ensaio Russa.

Como era previsto, os movimentos muito simples dos Irlandeses cilindraram a pobre Russia, que apesar das derrotas veio a este mundial para aprender com as equipas de nível de classe mundial e fortalecer as suas raízes tendo em conta os jogos dos próximos anos contra as selecções do “seu campeonato” tal como Portugal o fez em 2007. Tanto o fez, que os Lobos, nos últimos 4 anos conseguiram ganhar em território Romeno, empatar na Geórgia e lutar pelo resultado contra equipas com mais estaleca no circuito mundial como o Canadá, Tonga ou Japão.

Os Irlandeses já sabem que irão jogar contra Gales nos quartos-de-final, num jogo que promete muita emoção dado que são duas selecções do mesmo calíbre e cujos jogadores actuam praticamente todos no mesmo campeonato, a Liga Céltica.

A selecção Irlandesa entrou em campo com uma selecção alternativa por opção do seu seleccionador Declan Kidney, preocupado já com o jogo dos quartos-de-final. Mesmo assim os Irlandeses entraram a todo o gás perante mais um jogo em que os russos foram muito imaturos do ponto de vista defensivo, facto que lhes valeu um amarelo (ao médio de abertura Rachkov) e consequentemente os dois primeiros ensaios Irlandeses. Na primeira parte, a Irlanda marcou 5 ensaios (Fergus McFadden, Sean O´Brian, Andrew Trimble, Isaac Boss e Keath Earls) sendo que os últimos 3 foram obtidos nos últimos 5 minutos da primeira parte, numa fase em que os russos acumularam desconcentração com cansaço.

Na 2ª parte, os Russos obtiveram mais 2 ensaios para a sua contabilidade no ano de estreia num mundial mas acabaram por sofrer outros 4. Despedem-se do mundial na próxima jornada contra a selecção Australiana.


No jogo do dia, a Argentina teve a pontinha de sorte que lhe faltou contra a Inglaterra perante a Escócia e assegurou praticamente a passagem aos quartos-de-fina. Só uma vitória larga dos Escoceses frente aos Ingleses poderá ditar azar para os Argentinos.

Num jogo muito fechado e muito lutado a meio campo (as estatísticas mostram 5446 em posse de bola para os Escoceses; 5050 em território; 3,07m dos Argentinos na área de 22 escocesa contra 10,50 dos Escoceses na área argentina) foi o ensaio de Lucas Gonzalez Amorosino (mais uma vez em destaque neste mundial) aos 72″ que deu esta grande vitória à turma Argentina num jogo que foi disputado quase sempre ao pé e nas intensas lutas de avançados onde os argentinos quase sempre levaram a melhor sobre os Escoceses.

No regresso de Filippo Contepomi aos Pumas, coube ao eterno aberturacentro abrir as hostilidades com uma penalidade aos 19 minutos. Num duelo de históricos, a primeira parte teria duas penalidades de Chris Patterson, o eterno defesa escocês.

Na 2ª parte, com 6-3 no marcador a incerteza pairou até ao final mesmo depois da Escócia ter chutado dois drops certeiros (Jackson e Dan Parks) e da Argentina ter respondido com mais um pontapé de Contepomi. Os Pumas não se deram por vencidos e numa grande jogada colectiva haveriam de fechar com um brilhante ensaio de Amorosino e a preciosa conversão de Contempomi. Os Escoceses ainda tentaram ripostar e avançaram no terreno em busca da vitória mas os 10 minutos finais iriam pertencer à maravilhosa garra da defensiva argentina, que conseguiu suportar as investidas finais dos escoceses, principalmente pelo fabuloso Patrício Albacete, homem de 17 placagens durante os 80 minutos.

Para finalizar, algumas notas específicas sobre o andamento dos grupos, estatísticas colectivas e feitos individuais:

1. No Grupo A, a Nova Zelândia lidera com 15 pontos, contra os 10 da França, os 5 de Tonga e os 4 do Canadá. O Japão não marcou qualquer ponto. O Canadá só tem 2 jogos efectuados e ainda tem hipóteses matemáticas de conseguir o apuramento, mas será algo bastante difícil.

1.1 Os NeoZelandeses são a equipa com mais pontos marcados – 161 no total. Nesta estatística, a África do Sul aparece em segundo com menos 8 pontos e a Inglaterra em 3º com 121.

1.2 Os All-Blacks também são a selecção com mais ensaios na prova: 24. Os Sul-Africanos tem 20 enquanto os Ingleses tem 1.

Os Japoneses são a equipa com mais ensaios sofridos. No total foram 22.

2. No Grupo B, a Inglaterra lidera com 14 pontos contra os 10 dos Argentinos e Escoceses (o score dos Argentinos é 65-33 enquanto o dos Escoceses é de 61-43). Geórgia e Roménia ainda não fizeram qualquer ponto mas os Georgianos apenas realizaram 2 jogos. Os Georgianos jogam contra Argentinos e Romenos enquanto a Escócia joga contra os Ingleses.

2.1 Para passar, a Escócia necessita:

2.1.1 Vencer a Inglaterra com ponto de bónus sem que os Ingleses marquem qualquer ponto, indiferentemente de vitória ou derrota da Argentina.
2.1.2 Vencer a Inglaterra sem ponto de bónus desde que a Argentina perca ou empate o seu jogo.
2.1.3 Empatar com a Inglaterra desde que a Argentina perca com a Geórgia ou apenas marque ponto de bónus defensivo
2.1.4 Perder com a Inglaterra desde que consiga ponto de bónus defensivo e a Argentina não marque qualquer ponto.

2.2 Os Ingleses são a equipa com menos pontos sofridos da prova (22) e em conjunto com a Austrália e África do Sul apenas sofreram 1 ensaio.

3. No Grupo C, a Irlanda lidera com 13 pontos, contra os 10 Australianos, os 5 Italianos, os 4 Norte-Americanos e o ponto que a Rússia conseguiu.

3.1 Cenários para este grupo:
3.1.1 A Irlanda e Austrália passam caso vençam os seus jogos.
3.1.2 A Autrália vence o grupo caso a Irlanda perca contra a Itália e a Austrália vença o seu jogo.
3.1.3 A Itália passa caso vença a Irlanda e o outro jogo, sendo que terá que marcar bónus num dos jogos e não permitir que a Irlanda faça ponto defensivo. Caso a Irlanda faça ponto defensivo contra a Itália, os Italianos são obrigados a vencer com bónus os dois jogos.

4. No Grupo D, a África do Sul lidera com 14 pontos, contra os 10 de Samoa, os 5 de Gales (menos um jogo) os 5 de Fiji e os 0 de Tonga

4.1 Cenários:
4.1.1 A África do Sul passa em primeiro caso ganhe ou empate a partida que lhe resta.
4.1.2 Samoa passa caso vença com pontos de bónus e Gales vença as duas partidas mas não consiga vencer uma delas com ponto de bónus ou caso empate o seu jogo e Gales vença apenas 1 partida ou caso perca e Gales não vença as duas partidas.
4.1.3 Para Gales passar basta vencer duas partidas, uma com ponto de bónus (caso Samoa não atinja ponto de bónus) ou com 2 pontos de bónus caso Samoa o consiga.

5. Ao nível de estatísticas individuais:

5.1.1 O melhor marcador da prova é o médio de abertura Springbok Morne Steyn com 48 pontos (2 ensaios, 13 conversões e 4 penalidades) sendo perseguido por Kurt Morath de Tonga com 31 (5 conversões e 7 penalidades) e Morgan Parra da França com 28 (1 ensaio; 4 conversões; 5 penalidades).
Steyn também lidera a classificação de mais conversões: 13 contra 10 de Colin Slade da Nova Zelândia.

5.1.2 O melhor marcador de ensaios é Chris Ashton da Inglaterra contra 4 de Adam Ashley-Cooper da Austrália, Vincent Clerc da França, Richard Kahui e Israel Dagg da Nova Zelândia e Vereneki Goneva da Ilhas Fiji.

5.1.3 Kurt Morath lidera o ranking de penalidades com 7 contra 6 de Tusi Pisi de Samoa com 6 e 5 de Morgan Parra da França, Chris Patterson da Escócia e James Hook de Gales.

5.1.4 Theuns Kotze da Namíbia lidera a lista de drop goals com 3, todos eles apontados contra as Fiji.

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RWC (5)

Depois das vitórias folgadas de domingo da Inglaterra (41-10 contra a Geórgia) da França (46-19 contra o Canadá) e a vitória sofrida de Gales nos últimos minutos contra Samoa por 17-10 que colocam estas três selecções com o carimbo praticamente confirmado para a 2ª fase da prova, foi com algum interesse a que hoje assisti ao jogo entre Itália e Rússia.

Se a Itália por um lado, conseguiu bater-se muito bem na 1ª jornada frente à Austrália (6-34) e apresenta-se com os olhos postos no jogo contra a Irlanda na última jornada para tentar alcançar os quartos-de-final da prova pela primeira vez, motivava-me por outro lado ver o jogo da Rússia por vários motivos: depois de uma primeira jornada em que a selecção Russa entrou muito nervosa na sua estreia num mundial de rugby e em que tal nervosismo custou duras críticas de várias pessoas ligadas ao rugby mundial quanto ao valor desta selecção para jogar um mundial, interessava-me bastante ver os russos em acção, até num espírito de clara comparação entre a participação dos Russos neste mundial e a participação lusa em 2007.

A prestação dos Russos contra a Itália hoje tanto foi melhor como pior que a Portuguesa em 2007. Em 2007, em Paris, no mítico Parque dos Principes, Portugal averbou uma derrota por 31-5 contra a selecção italiana, selecção que recebeu alguma renovação mas cujas pedras basilares do seu XV continuam as mesmas desde então. Portugal conseguiu um ensaio contra os italianos. Os Russos estiveram substancialmente melhor do ponto de vista ofensivo contra a equipa suplente de Itália, obtendo 3 mas sofrendo penosos 53 pontos resultantes de 9 ensaios italianos. Portugal sofreu 31 pontos mas discutiu o resultado até aos últimos minutos finais. Os Russos, à passagem dos 24 minutos já tinham sofrido 4 ensaios e como tal, já tinham permitido o ponto de bónus ofensivo aos Italianos assim como a vitória da Itália já era dado inquestionável por parte da selecção de leste. 

Nick Mallett, experiente seleccionador Sul-Africano (com nascimento em Inglaterra), homem que já orientou os Springbooks no mundial de 1999 e o Stade Français da Top 14, optou por gerir o esforço dos seus principais atletas com vista às partidas contra Estados Unidos e Irlanda, partidas que serão decisivas para o futuro dos italianos na prova. Assim sendo, contra os Russos, Malett operou uma autêntica revolução no XV principal da sua selecção, fazendo entrar 12 caras novas para o jogo contra os Russos, num claro acto de gestão de esforço dos principais nomes italianos (Alessandro Zanni, Martin Castrogiovani, Mirco Bergamasco, Cornelius Van Zyl, Gonzalo Canale) e de prémio aqueles que tem trabalhado na evolução do rugby da selecção italiana desde muito jovens, caso de Edoardo Gori, Luke McLean (jogador que antes de se naturalizar Italiano chegou a jogar o mundial de sub-20 pela Austrália) Tommaso Benvenuti, Paul Derbyshire e Riccardo Bocchino, jogadores que decerto irão continuar a trilhar os bons resultados da selecção italiana nos próximos anos.

A inspirada selecção italiana entrou em campo com o intuito de resolver cedo o jogo contra a sua congénere russa. Tanto que aos 29″ já vencia por claros 29-0, fruto de 5 ensaios quase seguidos, de um total domínio ao nível de posse de bola, de um domínio territorial esmagador e de muitos erros imaturos vindo do alto nervosismo Russo. O capitão da Selecção Italiana Sérgio Parisse abriu o marcador logo aos 6″. Aos 14″ Giulio Toniolatti rompeu toda a defesa russa com uma poderosa arrancada, finalizando no canto direito. Passados 3 minutos seria o centro Benvenuti a ensaiar num lance em que atacou ao pé a defesa russa e conseguiu dar uma ligeira pressão na bola dentro da área de ensaio. Aos 24″, uma jogada confusa que começou com um alinhamento lateral rápido por parte de Sérgio Parisse em que 5 jogadores russos ainda estavam no chão a recuperar da jogada anterior e a defesa russa estava completamente passiva, Giulio Toniolatti facturava o seu segundo ensaio da noite. Passados 5 minutos, com sucessivas faltas numa melée a 5 metros da área de ensaio por parte dos jogadores da 1ª linha Russa, o árbitro Inglês Wayne Barnes não foi de meias medidas e após avisar os atletas em causa da selecção russa validou um ensaio de penalidade para a Itália.

Eram portanto muitos erros a um nível de exigência e competitividade grande como é o do mundial de rugby.

Descontente com o começo avassalador dos Italianos, o seleccionador Nikolai Nerush decidiu mudar na equipa, com sorte, para melhor: tirou de campo o lento formação Shakirov e colocou Yanuyshkin, rápido formação que revolucionou por completo o jogo ofensivo russo e conseguiu com que a sua selecção saísse da sua área de 22 para o pleno uso da posse de bola no meio-campo italiano.

A substituição surtiu grande efeito: Yanyushkin marcou um belo ensaio aos 34″ (o primeiro ensaio russo num campeonato do mundo) numa jogada em que perante várias fases na área dos 22 italiana decidiu pegar na bola e furar adversários até à linha de ensaio. O intervalo iria terminar com mais um ensaio italiano, concretizado por Edoardo Gori.

Na 2ª parte, Tommaso Benvenuti acabaria por marcar o seu 2º ensaio pessoal no jogo. A Rússia iria responder com outro ensaio, desta vez um ensaio irregular em que o árbitro da partida não conseguiu ver que o último passe para as mãos do ponta Mikhail Ostroschko foi feito claramente para a frente.

Até ao final, mais dois ensaios para a Itália: o Australiano naturalizado Luke McLean iria fazer uma enorme arrancada pelo flanco direito e Alessandro Zanni iria entrar para marcar numa jogada colectiva italiana. Yanyushkin haveria de também arrancar para o 3º ensaio russo, fazendo com que a bola terminasse nas mãos do centro Alexei Makovetskyi.

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RWC (4)

Depois de alguns dias de ausência destas crónicas, volto a escrever sobre aquilo que se tem passado no mundial de Rugby.

Já para a 2ª jornada da fase de grupos, enquanto estivemos ausentes, o Canadá facturou uma interessante vitória sobre Tonga (25-20) a Escócia teve grandes dificuldades em bater a Geórgia (mostra que as selecções emergentes estão cada vez mais próximas de competir com as grandes selecções; a Escócia não conseguiu lograr um único ensaio), Samoa entrou a vencer no Mundial depois de derrotar a Namíbia por 49-12 e a Nova Zelândia, numa noite em que a organização homenageou todas as vítimas das catástrofes que abalaram o Japão neste ano de 2011, bateu a selecção nipónica com bastante facilidade (83-7).

Nesta madrugada, a história foi diferente:

A Irlanda bateu a Austrália no jogo grande do grupo C. Com a vitória frente aos Australianos, a Irlanda assegurou praticamente a passagem no 1º lugar do grupo.

15 – 6 espelha bem aquilo que foi o jogo. Demasiado fechado, demasiado táctico, demasiado aberto à luta corporal e à vontade de não ceder barata a vitória. Os Irlandeses, com o vigor do costume, executaram bem a táctica planeada para a partida e anularam por completo os Wallabies.

No primeiro test-match a doer para a selecção comandada por Robbie Deans, denotou-se a falta de um criativo. Denotou-se a falta de um jogador “abre-latas”. E esse jogador estou seguro que era Giteau. Por mais que jogadores como o formação Will Genia, o abertura Quade Cooper e o ponta Kurtley Beale tentassem mexer o jogo para os 34 Australianos, o resultado acaba por ser o esbarramento contra a forte muralha defensiva Irlandesa. Foi na acutilância e agressividade defensiva que resultou o sucesso da selecção europeia: os avançados irlandeses não deram espaço para o jogo dos avançados australianos (Ben Alexander, James Horwill e Rocky Elson costumam ser avançados que gostam de penetrar com a bola nas mãos) e da exibição dos 34 australianos pouco ou nada se viu de destaque. Mesmo com uma posse de bola dividida (51% para os Irlandeses49% para os Australianos e um domínio territorial Australiano (54%, sendo que os Australianos tiveram um tempo de 10,34m dentro da área de 22 metros irlandesa) nada acabou por sair bem aos Wallabies perante a agressividade defensiva Irlandesa. Os números são rosto desse facto.

O 3ª linha James Horwill foi peremptório ao afirmar na zona mista instalada dentro do Eden Park em Auckland a frustração do colectivo Australiano: “Ireland did well and we played some dumb rugby. We were not good enough” – e de facto, vimos uma selecção Australiana muito atípica. Sem grande energia e criatividade no ataque, os Irlandeses aproveitaram todos os erros defensivos dos Australianos e como é seu tímbre pela dádiva de terem excelentes executantes de penalidades (no caso deste mundial, do abertura Jonathan Sexton e do mítico veterano Ronan O´Gara) com o jovem abertura a efectivar duas penalidades e um drop e o experiente veterano a fechar a vitória irlandesa.

A Austrália terá que reforçar as suas bases caso queira discutir a vitória. A Irlanda agradou-me bastante depois de uma primeira partida pouco conseguida frente aos Estados Unidos.

– No grupo D, depois de uma vitória muito sofrida perante Gales, a carreira da Selecção Sul-Africana está claramente em ascendente neste ano de 2011. Os Sul-Africanos confirmaram as minhas palavras e aquilo que é de conhecimento público: em campeonato do mundo são crónicos candidatos ao título mundial e mesmo com poucas credenciais exibidas nos test-matches efectuados no último ano, não há tempo nem espaço para contemplações.

49-3 com a marcação de 6 ensaios, ponto de bónus ofensivo, carimbo do 1º lugar do grupo (a nada que algo de supra excepcional possa acontecer nos restantes jogos) e muito indolor para as aspirações das Fiji no grupo.

Num jogo bem disputado em que os Springboks não foram de meias medidas e ao intervalo já venciam por 23-3 com dois pontapés e duas conversões executadas por Morne Steyn e dois ensaios por intermédio do primeira linha Steenkamp e do centro Jacque Fourie, as Fiji bateram-se com honra mas foram completamente impedidas que usar o seu rugby de velocidade e força pela defesa Sul-Africana, que hoje, não permitiu veleidades aos fortes centros e pontas da selecção do Pacífico.

Na 2ª parte, num ritmo de cruzeiro, a África do Sul não tirou o pé do acelerador (como de resto não poderia tirar frente a uma selecção do calíbre da Fijiana) e obteve mais quatro ensaios por intermédio do centro François Steyn (na imagem) do médio de abertura Morne Steyn (que jogador fenomenal) do pilar Mtwarrira e do 3ª linha centro Danie Roussouw, que apesar das 21! (sim, 21!!!) placagens efectuadas pelo seu colega de sector Henrich Brussow, acabou por ser eleito o homem da partida. As Fiji acabaram por sair da partida com um tímido pontapé de penalidade do seu médio de abertura Serenaia Bai, e como Gales conseguiu um ponto defensivo perante a África do Sul, Fiji vê-se obrigada a vencer os Gales ou empatar com ponto de bónus ofensivo para anular a desvantagem pontual provocada pelas partidas contra os Springboks. Isto, se nada de extraordinário acontecer nos jogos de Gales e da selecção Fiji contra a Selecção de Samoa, que perante tais resultados também poderá tentar dar uma perninha pela qualificação num grupo que de resto nota-se ser o mais forte e equilibrado da prova. No entanto, sou da opinião que Gales irá passar como 2º classificado deste grupo, porque é de facto muito mais selecção que Fiji ou Samoa.


– No grupo B, depois da nada desprestigiante derrota no jogo inaugural contra os Ingleses, a Argentina não permitiu veleidades à Roménia do género das que os Escoceses tinham permitido no jogo inaugural do grupo e cilindraram os Romenos por 43-8, dando sinal à Escócia (a jogar bastante mal) que os Argentinos irão colocar os Escoceses fora da fase final sem esforços de maior.

Ao bom estilo de Nani Corleto, o defesa do Leicester Tigers Lucas González Amorosino (na imagem) foi o jogador em destaque no lado Argentino.

As premissas que explicam a vitória dos Argentinos são fáceis de evidenciar e explicar:

1. Com a coragem e o sangue quente do costume, os Argentinos entraram mandões na partida e com vontade de resolver o problema cedo de modo a que os Romenos, pela proximidade do marcador não ganhassem alento à semelhança daquele que tiveram no jogo contra a Escócia. Madrugadores, os Pumas abriram rapidamente as hostilidades com dois ensaios: Santiago Fernandez aos 5″ e Juan Leguizámon aos 9. Mais dois se seguiriam ainda dentro do 1º tempo com Juan Figallo e Amorosino. Os Romenos respondiam com uma penalidade de Dimofte e um ensaio de Ionel Cazan. Na 2ª parte, Juan Imhoff e Genaro Fessia haveriam de chegar ao ensaio nos minutos finais quando o seleccionador Santiago Phelan já optava por fazer descansar os seus principais jogadores e rodar os menos experientes de modo a prepará-los para qualquer eventualidade que surja durante a prova.

2. Os Argentinos anularam por completo o forte Romeno, ou seja, o poder de penetração dos seus avançados no pick and go. Quando alguém o consegue fazer, bloqueia por completo as soluções de jogo dos Romenos. Eventualmente, o leitor mais atento e interessado pergunta-se porque é que Portugal não monta soluções para parar as investidas de jogo dos avançados romenos e bloquear as soluções de jogo dos Romenos. A resposta é simples: não desprezando por completo a qualidade e o notório esforço e luta que os avançados portugueses entregam ao jogo, estes estão a anos luz da vivacidade e da virilidade de homens como Leguizámon, Ledesma, Fernandez Lobbe, Juan Figallo, Patricio Albacete, Rodrigo Roncero ou Martín Scelzo. Se os Romenos são duros de roer, os avançados Argentinos ainda mais duros são. Aqui está o segredo do rugby argentino.

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RWC 2011

A Nova Zelândia entrou a ganhar no mundial. 41-10 com 6 ensaios para o lado Neo-Zelandês (o que corresponde a ponto bónus) por intermédio do ponta Richard Kahui, do centro Ma´a Nonu, do defesa Israel Dagg, e pelo asa Jerome Kaino. Dan Carter converteu 4 desses ensaios e ainda marcou uma penalidade. Tonga marcou um ensaio apenas mas portou-se muito bem frente à selecção anfitriã. Foi inclusive o melhor resultado de Tonga frente aos Neo-Zelandeses.

A Nova Zelândia não fez uma exibição de encher o olho. Alguns furos abaixo das exibições que fez no Torneio das 3 Nações frente a Austrália e África do Sul. No entanto, o jogo na fase de grupos contra a França irá ser o primeiro teste a esta fortíssima selecção. Se em 2007, os Neo-Zelandeses se queixavam que uns dos motivos da sua eliminação precoce no mundial desse ano foi a ausência de jogos competitivos na fase de grupos (jogaram contra a Itália, Escócia, Roménia e Portugal) neste mundial, irão medir forças com a França na 3ª jornada da fase de grupos, e, já sabem que não irão enfrentar os franceses nos quartos-de-final.

Para esta madrugadamanhã de sábado, 4 jogos muito interessantes:

Fiji vs Namíbia – As Fiji não terão grandes dificuldades frente à selecção mais fraca deste mundial.

Escócia vs Roménia – Repetição do duelo da fase de grupos em 2007. A Roménia é uma selecção mais frágil. A Escócia deverá ganhar por margem de 40 pontos.

Japão vs Canadá – Um jogo que promete um pouco de equilíbrio. Equipas com potencial semelhante, com ligeiro ascendente para a equipa Canadiana.

Argentina vs Inglaterra – O primeiro jogo a doer. Tenho curiosidade em saber o potencial desta renovada selecção Argentina. A Inglaterra será favorita mas terá que suar para bater os Argentinos.

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O toque de Button a Hamilton

Jenson Button venceu o Grande Prémio do Canadá, disputado no domingo em Montreal.

Sob investigação dos comissários da F1 continua o toque (ver video) que deu ao seu colega Lewis Hamilton quando este o pretendia ultrapassar na recta da meta.

Dada a rivalidade entre os dois colegas de equipa da McLaren e a estratégia deliberada da equipa em não fazer distinção entre piloto principal e piloto secundário, creio que se trata de um desvio de direcção claramente voluntário para que Hamilton não só não ultrapassasse Button como (dada a próximidade de Hamilton do muro de protecção) propositada para o fazer desistir.

A luta entre pilotos da mesma equipa por vezes é marcada por este tipo de incidentes. Lewis Hamilton já é um repetente neste tipo de quezílias – durante um ano andou às turras com Fernando Alonso, na altura seu colega de equipa. O resultado dessa quezília haveria de ser o campeonato perdido na última prova para Kimi Raikkonen, na altura ao serviço da Ferrari.

Já Button também não é um piloto com feitio fácil de lidar. Até 2009, Button era um piloto de escuderias de meio da tabela. O melhor que tinha conseguido era então um 3º lugar na geral do campeonato em 2004 ao serviço da extinta BARHONDA. Após o título vencido pela Brown (actual Mercedes) Button também tem protagonizado acesas discussões com outros pilotos, inclusive Rubens Barrichello e Felipe Massa.


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Deturpação Histórica

“The Tudors – 1ª Temporada – 4º episódio” – co-produção IrlandesaCanadiana,  filmada na Irlanda e exibida em exclusivo entre 2007 e 2010 pela TV3 Irland, BBC 2 e CBC.

Foi assim que um punhado de argumentistas, produtores e historiadores de uma das séries com mais rigor histórico das ilhas Britânicas (The Tudors) descreveu o nosso Rei D. Manuel I no ano da sua morte em 1521: um velho caduco, histérico, perverso, cheio de doenças e maleitas no corpo e com uma péssima pronuncia na língua Portuguesa. Não havia orçamento para levar a Dublin um actor Português ou tudo se baseou numa ideia preconceituosa?

Ainda no mesmo episódio, a série mostra a cena de um casamento que não aconteceu na realidade. Na ficção, o rei viúvo casa-se com a Princesa Margarida, a irmã de Henrique VIII. De facto, rezam os historiadores da época que o Rei D. Manuel I ficou viúvo em 1517, tendo-se casado novamente em 1519 com D. Leonor de Aragão.

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Mais à frente, a ficção deu a entender a toda a gente que viu a série, que o Rei Português é assassinado pela irmã de Henrique VIII quando de facto morreu em 1521 de velhice, existindo ainda a hipótese que a sua morte se deveu à peste instalada na época na capital do Reino.

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Viagem de Luísa César ao Canadá custou 27 mil euros

É caso para dizer que foram umas mini-férias de luxo, os 5 dias que Luísa César (esposa do presidente do governo regional Açoreano Carlos César) passou no Canadá.
Pressupostamente a título institucional, a esposa do presidente Açoreano foi ao Canadá a convite da Liga Solidária da Mulher Portuguesa de Manitoba,  gastando 27500 euros do orçamento público em 5 dias, viajando apenas na companhia de 2 assessores da presidência regional Açoreana. Um autêntico luxo que não está ao alcance de todos os Portugueses.

Atrapalhado com a situação, o presidente do Governo Açoreano veio a público tentar distorcer toda esta polémica, com uma declaração no site oficial do governo onde se podia ler estes pequenos trechos: “Luísa César é remunerada de acordo com o seu vencimento de funcionária pública e acrescenta que “quer nas suas deslocações nas suas funções de coordenadora na Presidência do Governo – onde não recebe complemento remuneratório – quer na qualidade institucional de cônjuge do Presidente do Governo, Luísa César, por dever e obrigação, de frequentes deslocações na Região e fora dela, raramente aufere as ajudas de custo a que tem direito(…) todo o procedimento da deslocação em causa foi tornada pública e aplicados os princípios de transparência e legalidade, um exemplo que deveria ser seguido por todas as entidades regionais e autárquicas.”

O que o Sr. Carlos César se esquece é que existem Portugueses que não vão “comer a ladaínha do costume” e que vão tentar investigar onde foi gasto o dinheiro. Porque gastar 25 mil e 700 euros em 5 dias é mesmo obra e está ao nível dos gastos de um jogador de futebol.
Para quem há uns meses atrás estava com medo do impacto da nova lei das finanças regionais nas suas ilhas, agora mostra que afinal existe muito dinheiro para gastar nos Açores.

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