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tomorrow

October. 1982. Dublin. Quando havia uma originalidade, um elo que ligava o novo rock britânico às influências célticas características do povo irlandês. Sendo um país cuja população é esmagadoramente católica, as letras de Bono faziam jus a algumas passagens biblícas. Um certo proud of being irish. Os videoclips, como é o exemplo do tema “Pride” (Unforgettable Fire, 1984) começavam quase sempre num lugar mítico da capital irlandesa. Tudo se perdeu. Os próprios U2 assinavam na altura com a Island Records, uma editora fundada na Jamaica que até então funcionava quase exclusivamente para registos reggae vindos da Ilha (foi a editora de Bob Marley) ou para registos do “reggae branco” (mod e ska) que vinha do Norte de Inglaterra (a chamada geração de Coventry de 0nde fizeram parte os Specials por exemplo). Tudo se desvaneceu. O proud of being irish terminou em 87 com o lançamento de Joshua´s Tree. A própria Island desapareceu. Fundiu-se na Universal em conjunto com outra grande independente, a Def Jam de Rick Rubin, a label que lançou meio mundo do hiphop. Seguiu-se a fase de experimentalismo que tentou cruzar brit com electrónica. Nasceram Zooropa, Achtung Baby e Pop. Se bem que o Pop continua a ser o meu álbum favorito. Dublin desapareceu das imagens. Apareceram as imagens de Bono, o humanitário-onde-existam-televisões-a-filmar, em África. Depois veio a Sony e o rubbish.

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” The King of limbs” não me encanta

Desde 1993 (ano do lançamento de Pablo Honey) que os Radiohead nos habituaram a muita coisa:

– A total desilusão que foi o seu álbum de estreia, cujo péssimo primeiro single (Creep) ficou na cabeça de muito boa gente por esse mundo fora.
– O epíteto de melhor álbum de sempre do rock (Ok Computer) sem que o seu antecessor (The Bends) e o seu sucessor (Kid A) merecessem tanto destaque. Continuo a dizer que prefiro o “The Bends” e o “Kid A” ao “Ok Computer” sem no entanto retirar os créditos de excelência ao álbum.
– A uma estratégia de marketing que revolucionou a música aquando do lançamento de “In Rainbows” e que atinge agora o seu auge com o lançamento de “The King of the Limbs”.
– Ao facto de recusarem vir actuar a Portugal há muitos anos.

“The King of  Limbs” foi obviamente recebido por muita expectativa pelo público. Analogamente aquilo que a banda tinha feito com “In Rainbows” em 2007 ressalvando as diferenças existentes ao nível da modalidade de pagamento (em The King of the Limbs os Radiohead atribuíram um preço específico para compra do álbum a partir do seu site) a banda lançou primeiro o álbum na internet do que em edição física, contemplando a edição de um pequeno jornal e a edição de 2 vinys com bónus tracks aqueles que preferíssem comprar a edição “topo de gama” pela quantia de 36 euros.

Obviamente (como se pode constatar na passada sexta-feira) os fans acérrimos de Radiohead “morderam mais uma vez o isco lançado pelo marketing da banda” e nas horas que se seguiram à instalação do álbum no domínio, era praticamente impossível aceder ao site da banda britânica. Passando à frente.

Depois de ouvir várias vezes o álbum, posso concluir (na minha opinião pessoal) que “The King of Limbs” não me encanta. Quer-me parecer que os Radiohead andam a defraudar as expectativas dos fans há 13 anos. Desde o lançamento oficial de “Kid A”.

“The King of Limbs” inicia logo com uma faixa (Bloom) que bem poderia ser lado B tanto de “Kid A” como de “Amnesiac”. De um experimentalismo que há muito deveria ter saído das cabeças da banda. De seguida aparece-nos (Morning MrMagpie, Little By Little e Feral) que não são mais do que a continuação clara do CD2 de “InRainbows”. Mais do mesmo. Boas batidas, pouco conteúdo, pouca guitarra. Na ressaca da apresentação do álbum, o guitarrista da banda Johnny Greenwood afirmou “estar no álbum”. Muito escondido é certo.

Chegamos à 5ª faixa do álbum (Lotus Flower). Um dos singles do álbum. Mais do mesmo. Banal. Demasiado experimental. Até aqui, todos aqueles que ouviram “The King of Limbs” ainda não justificaram os 36 euros dados pelo álbum.

Chegamos à parte final do álbum. O melhor. Nos 3 temas finais ( Codex, Give Up the Ghost, Separator) a banda optou por deixar um “cheirinho” a Amnesiac e a temas como “Pyramid Song”, ” You and Whose Army?” “Knives Out”, “Dollars and Cents” e “Life in a Glass House” o que a bom da verdade acaba por ser aquilo que de certa forma salva este álbum.

Desconfio que “The King of  Limbs” não passa mesmo de isso, de um “isco de Marketing” que foi lançado pela banda. Creio que nos próximos meses teremos mais de Radiohead. Esperemos que de melhor qualidade em relação a  “The King of the Limbs”.

Em Portugal, a grande incógnita consta em perceber se os Radiohead voltam este verão a Portugal.

Para já, a banda não se parece muito interessada em apresentar o novo álbum. No seu site oficial, ainda não existe qualquer data marcada para a tourneé de apresentação do álbum. Creio que dentro de alguns dias teremos as primeiras datas confirmadas pela banda e aí, esperemos que alguma promotora de eventos os volte a trazer ao nosso país. Pelo investimento que estão a fazer nos cartazes deste ano, tanto o Optimus Alive como o Super Bock Super Rock poderão estar na fila da frente para garantir o concurso da banda. Nesse cenário, sou assertivo ao pensar que quem conseguir colocar os Radiohead ao vivo em Portugal terá uma noite de grande sucesso. Isso, dou como garantido…

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