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desculpe?

ulrich

Já nem faço a habitual pergunta de retórica se este senhor sabe o que é estar desempregado ou viver com 500 ou menos euros por mês. Legitimou a luta pela sobrevivência em vez da necessidade da vivência. Interrogo-me apenas se este senhor percebe alguma coisa de economia e finanças públicas. Comparar o caso Grego com o nosso é como misturar água e vinho. Sr. Ulrich, pode ser que este pobre documentário feito pelos gregos lhe ensine algumas coisas.

P.S: não esqueçamos que foi este senhor e o senhor que está no BES (o tal que deve 8,5 milhões ao estado português) que em Março de 2011 soaram o botão de alarme na europa e consequentemente nos puseram a pedir.

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meanwhile

Os invasores de Bretton Woods ainda não conseguiram perceber que o aumento da carga fiscal e da retenção à fonte por parte dos trabalhadores da classe média estão a arruinar por completo o consumo, a criação de emprego e consequentemente a economia do país.

Os Invasores de Bretton Woods ainda não conseguiram perceber que a diminuição de deduções fiscal em sede de IRS irá tirar ainda mais rendimento a quem já não o tem.

Os Invasores de Bretton Woods continuam a insistir que tudo deve ser taxado, inclusive o subsídio de maternidade. Só não são capazes de propor uma taxa sobre as transacções financeiras e sobre as mais valias de quem não quer investir no nosso país. Só não são capazes de instigar a uma averiguação do que se passou no BPP, no BPN e daquilo que se está a passar no BCP, no BPI e no Banif.

Chegamos a um grau asfixiante de incerteza. As pessoas não tem dinheiro.

Diariamente assistimos a uma panóplia de casos chocantes: a crianças são negadas refeições por dívidas dos país ao agrupamento escolar ou à segurança social. Nas Caldas da Raínha, um casal vive dentro de uma carrinha antiga porque não tem onde trabalhar. O ditado diz: “em cada esquina, um amigo” – a realidade de Lisboa diz: “em cada esquina, um mendigo ou um sem-abrigo” – em coimbra, na baixa, existem mais de 50 pessoas nessa situação (vi-as eu no outro dia a dormir ali prós lados do Arnado e da democratica). Chegámos a uma realidade triste onde as pessoas olham para as montras desupermercado e não tem capacidade para prover os bens básicos de que necessitam.

Imaginemos então se o IVA do cabaz básico sobe de escalão. Aquele que vai comprar 2 litros de leite, compra apenas 1. Aquele que comprava 10 pães, compra apenas 5. Aquele que comprava 2kg de carne compra apenas 1. Efeito ciclíco: o produtor de leite que vendia 100000 litros por mês passa a vender metade e dos 10 empregados que tem dispensa 5 e esses 5 terão que receber ajuda do estado. O padeiro que vendia 200000 pães por dia, passa a vender 100o00 e dos 20 empregados que tinha, dispensa 10 e esses 10 passam a depender do estado. O produtor de carne que vendia 10000 kg por mês passa a vender 5000 e dos 50 empregados que tinha, dispensa 25 e esses 25 passam a receber apoio do estado. A cadeia de supermercados que vendia todos estes produtos, como passa a vender menos (e a receber menos comissões pelos produtos que vende) também terá que reduzir o número de trabalhadores e estes passam a dependem da ajuda do Estado. Se o objectivo do estado é diminuir a despesa, não é só a receita que chega por metade por via do consumo como é o extra que sai pela via das ajudas sociais (enquanto as houver). Decidi escrever a última frase a vermelho para que toda a gente saiba que esta é a visãodo falhanço do Consenso de Washington, ou seja, o neoliberalismo falhou, fracassou, morreu.

Fico incrédulo quando leio que estas medidas são fruto da necessidade que o país tem em promover o investimento? Mas qual investimento? Com um mercado interno completamente estagnado, arruinado, quem é que vai investir no quer que seja para fracassa por falta de compradores? Digam-me qual é o investidor que tem neste momento condições para arcar com o risco do seu negócio fracassar pela abismal queda do consumo interno português?

O investimento (ou a falta dele) remete-me a outros factores que me encaminham ao busílis da questão: ainda ninguém percebeu as inconstitucuionalidades promovidas pelo último orçamento de estado? Será que ninguém percebe de leis neste país ao ponto de não se perceber que é as férias pagas são um direito constitucional adquirido, inamovível e inultrapassável? Será que neste país ninguém percebe de leis ao ponto de deixar passar uma medida que cobra impostos de forma retroactiva? Será que os agentes do FMI não percebem que o direito à maternidade (paga) é um direito constitucional e como tal impassível de ser retirado total ou parcialmente?

Chegámos a uma realidade onde milhares de famílias não sabem o que lhes espera o dia de amanhã ou sabem que o dia de amanhã poderá trazer miséria e fome. Chegámos a uma realidade onde a insatisfação leva à frustração, a frustração à criminalidade, a frustração à insegurança, a frustração à fome e qualquer dia a fome rebentará numa onda de violência sem precedentes neste país.
Cada vez acredito que este país terá o destino (sufragado democraticamente) que merece. Este povo está a ter a paga que merece por ter eleito esta corja de bandidos. Se eu fosse membro do governo teria medo. Está a criar um povo que já não tem nada a perder. Eu sei que são situações diferentes, promovidas por contextos histórico-sociais diferentes mas não tejo qualquer pejo em afirmar que a revolução francesa começou pela falta de pão. E um povo que já não tem nada a perder, com fome, pode tornar-se violento.

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Que Arma! Que Critica

Descobri o blog da wordpress de João Rendeiro, o antigo administrador do Banco Privado Português.

No mundo dos negócios devemos aprender com quem sabe. Ou melhor, com quem sabe demais da poda.

No meio de tanta sapiência lá vi que Rendeiro vai escrevendo com arte e qualidade. Senão vejamos:

(Clique para aumentar)

Rendeiro escreve “a módica quantia”. Uau. A módica quantia. João Rendeiro sabe do que fala. Não fosse ele o senhor que também fez desaparecer das contas do banco que administrava só em títulos de retorno absoluto (não falamos de depósitos mas antes de investimentos feitos por clientes em fundos detidos pelo banco cujo reembolso com os juros devidos terão que ser restabelecidos na íntegra pelo banco no fim do prazo acordado entre a instituição e o cliente) a módica quantia de 1250 milhões de euros. Se bem se lembram esta burla aniquilou com as poupanças de anos de 2000 clientes. Se bem se lembram, este senhor foi o administrador de um banco que colocou esse mesmo banco na órbita de esquemas internacionais como o escândalo Madoff .Se bem se lembram este banco teve que sofrer intervenção governamental para garantir um reembolso parcial aos seus clientes, reembolso esse que foi assegurado em 2010 pelo Ministro das Finanças Teixeira dos Santos.

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funcionários de 7ª linha

Pela primeira vez concordo com a opinião de um banqueiro.

Fernando Ullrich, presidente do BPI pediu o fim das conferências de imprensa da troika, ou seja, daqueles que designa como “funcionários de 7ª linha de um organismo que não é eleito democraticamente”.

Tem toda a razão. Merece um aplauso.

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Fitch corta rating de 6 bancos portugueses

A agência de rating Fitch cortou o rating de 6 bancos Portugueses.

Montepio, Banif e Finibanco foram considerados “junk” pela agência Norte-Americana

Se já era conhecido que 3 deles estão em estado de possivel ruptura (o caso do Montepio e do Banif são os mais crassos), CGD, Millenium-BCP e BPI viram os seus ratings descidos por arraste das descidas verificadas nos ratings de outras agências financeiras e pela instabilidade provocada pela descida dos ratings do próprio estado português.

Isto num tempo em que os juros implícitos da dívida pública a 5 anos ascenderam aos 10% nos mercados secundários.


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Engraçado…

No dia em que a Standard and Poor´s reduziu o rating de 5 bancos Portugueses (CGD, BES, BPI, Santander-Totta, e BCP) voltei a fazer um review da entrevista que Pedro Passos Coelho deu à SIC na última quinta-feira.

A agência de rating considerou a cotação em baixa do rating dos respectivos bancos com base no chumbo do PEC 4 na Assembleia da República, facto causador de instabilidade política e económica no país e maior dificuldade de refinanciamento.

Passos Coelho apresentou como uma das medidas para superar a crise uma nova privatização da CGD. Com a CGD em clara queda ao nível de confiança nos mercados internacionais, esta medida de Pedro Passos Coelho deverá perder algum efeito. Afinal de contas, se internamente se tem considerado que não existem investidores portugueses capazes de investir, não será com cotações em baixa e perdas de confiança dos mercados no banco do estado um sinal de que haverão investidores estrangeiros prontos a investir na CGD “caso o PSD no governo” decida privatizar parte das acções do banco.

No entanto desconfio que a Standard and Poor´s não quis revelar outro dos importantes factos que constituem o descrédito do maior banco do estado nos mercados internacionais, que não é mais do que a ajuda que foi prestada pelo banco do estado a mando do governo socialista no buraco negro em que se tornou o BPN depois de nacionalizado. Facto que demonstra que não só não se culpabilizaram judicialmente aqueles que provocaram a manobra fraudulenta nos negócios do BPN que motivaram a sua bancarrota, como uma atitude que é por demais passiva do Estado Português perante a banca.

Em tempos em que o governo aplica sucessivas medidas de austeridade que vão directamente aos bolsos daqueles que menos rendimentos têm, a banca continua a ter lucros abissais e a não prestar os impostos que legalmente lhes devem ser tributados, sob o falso pretexto que estes não detêm neste momento a capacidade negocial necessária para investirconceder crédito para fomentar de novo a economia Portuguesa.

Esta notícia surge no dia em que grupos de jovens fizeram acções simbólicas nas sedes do BPN em todo o país.

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