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NBA 2012\2013 # 20 – Miami visita a Casa Branca

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A visita anual do campeão da NBA à Casa Branca. Barack Obama, como bom chicagoer que é, é um adepto fervoso dos Bulls.

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“seria mau porque não passa de um adivinho”

“Por ser um inequívoco defensor do interesse público de quem se pode esperar a defesa do sistema de protecção social e de saúde nos Estados Unidos e a aplicação de medidas que criem emprego e vençam o dogma da austeridade em Washington e no mundo, o Nobel da Economia 2012, autor de várias obras e colunista do New York Times Paul Krugman devia ser, para os signatários de uma petição a circular na Internet, a escolha do Presidente norte-americano Barack Obama para a Secretaria de Estado do Tesouro.

(…)

Para o próprio Krugman seria “mesmo uma má ideia”. Além de que o seu nome não seria confirmado pelo Congresso, diz o economista no seu blogue, a principal razão para a sua recusa tácita e antecipada é que uma nomeação e confirmação no cargo o obrigaria a deixar de fazer um trabalho no qual acredita ser bom para passar a fazer um em que seria mau, diz citado no site Politico. “Um cargo na Administração reduziria a minha influência deixando-me na impossibilidade de dizer publicamente o que realmente penso”, acrescenta.”

“seria mau” porque iriam tirar o homem da sua zona de conforto (os típicos bitaites na CNN onde este adivinha qual é a possibilidade dos países do sul da europa ficar na zona euro e outras que tais) para o obrigar a resolver um dos piores cenários económicos da história do país: 16 trillions (35% dessa mesma dívida está nas mãos dos chineses; no entanto não é por aí que cai o carmo e a trindade no país porque o facto dos chineses terem essa dívida pública acaba por ser confortável para os EUA na situação que atravessam), com uma dívida pública que deixou de ser intocável devido a mais um ano de crescimento negativo (outlook negativo do Triple A dos EUA na Fitch de Londres nos próximos 3 meses; o que pode ser mau indicador para a Europa), num país que atravessa graves problemas sociais (desemprego, insolvência das famílias, fome, recurso à caridade de forma abundante) minado pelas diferenças entre Repúblicanos e Democratas, embrenhados em disputas Senado-Congresso no que toca aos limites da dívida norte-americana e ao orçamento de estado de 2013 do país, e com um Tesouro (precisamente) incapaz de emitir mais títulos de dívida em troca de dinheiro da FED.

Moral da história: o homem é Nobel. Até hoje Ninguém sabe como é que o conseguiu ganhar. Por isso não abusem dele.

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Romney, essa cavalgadura (2)

Mitt Romney desenterrou a questão da certidão de nascimento de Obama. ““Nunca me pediram a minha certidão de nascimento. Todos sabem que nasci e cresci aqui”

Existe alguém que lhe possa dizer que não existe de facto um conceito de identidade americana e que a que houve no passado foi completamente exterminada pelos sucessores dos founding fathers?

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A verdadeira tragédia do aborto

Por Peter Singer, Professor de bioética na Universidade de Princeton e professor Laureado na Universidade de Melbourne

“Na República Dominicana, no mês passado, uma adolescente grávida que sofria de leucemia viu adiada a sua quimioterapia, porque os médicos receavam que o tratamento pudesse terminar a gravidez e assim violar a rígida lei antiaborto do país. Depois de conversações entre médicos, advogados e a família da rapariga, a quimioterapia foi iniciada, mas não antes de ter sido mais uma vez dada atenção à rigidez das leis do aborto em muitos países em desenvolvimento.

O aborto recebe cobertura extensiva dos meios de comunicação nos países desenvolvidos, especialmente nos Estados Unidos, onde os republicanos têm usado a sua oposição ao tema para reunir votantes. Recentemente, a campanha para a reeleição do Presidente Barack Obama contra-atacou, lançando um anúncio televisivo onde uma mulher diz que é “um tempo assustador para se ser mulher”, porque Mitt Romney disse que apoia a criminalização do aborto.

Mas muito menos atenção é dada aos 86% de todos os abortos, que acontecem no mundo em desenvolvimento. Embora uma maioria de países em África e na América Latina tenha leis proibindo o aborto na maioria das circunstâncias, as proibições oficiais não impedem elevadas taxas de aborto.

Em África, há 29 abortos por cada mil mulheres, e 32 por mil na América Latina. O número homólogo para a Europa Ocidental, onde o aborto é geralmente permitido na maioria das circunstâncias, é de 12. De acordo com um recente relatório da Organização Mundial de Saúde, o aborto clandestino originou a morte de 47 mil mulheres por ano, sendo que quase todas estas mortes ocorreram em países em desenvolvimento. Mais cinco milhões de mulheres sofrem ferimentos todos os anos, por vezes a título permanente.

Quase todas estas mortes e ferimentos poderiam ser prevenidos, segundo a OMS, se se respeitassem as necessidades de educação sexual e de informação sobre planeamento familiar e contracepção, e se se fornecesse o aborto induzido seguro e legal, bem como os cuidados continuados para prevenir ou tratar complicações médicas. Uns estimados 220 milhões de mulheres no mundo em desenvolvimento dizem que querem prevenir a gravidez, mas têm falta de informação sobre, ou acesso a, contracepção eficaz.

Essa é uma grande tragédia para as pessoas físicas e para o futuro do nosso planeta, já tão povoado. No mês passado, a Cimeira de Londres sobre o Planeamento Familiar, organizada pelo Departamento do governo Britânico para o Desenvolvimento Internacional e pela Fundação Gates, anunciou compromissos para chegar a 120 milhões destas mulheres até 2020.

O jornal do Vaticano respondeu criticando Melinda Gates, cujos esforços em organizar e financiar parcialmente esta iniciativa levarão, estima-se, a quase menos três milhões de bebés a morrer no seu primeiro ano de vida, e a menos 50 milhões de abortos. Poder-se-ia pensar que os católicos romanos veriam estes resultados como desejáveis. (Gates é ela própria uma católica praticante que viu o que acontece quando as mulheres não conseguem alimentar os seus filhos, ou são mutiladas por abortos efectuados em condições perigosas.)

Restringir o acesso ao aborto legal leva muitas mulheres pobres a procurar o aborto praticado de forma insegura. A legalização na África do Sul do aborto a pedido fez decrescer em 91% as mortes relacionadas com abortos. E o desenvolvimento dos medicamentos misoprostol e mifepristona, que podem ser fornecidos por farmacêuticos, torna possível o aborto relativamente seguro e barato nos países em desenvolvimento.

Os opositores responderão que o aborto é, pela sua própria natureza, inseguro – para o feto. Salientam que o aborto mata um indivíduo único e vivente. Esse argumento é difícil de negar, pelo menos se por “humano” queremos significar “membro da espécie Homo sapiens”.

É também verdade que não podemos simplesmente invocar o “direito à escolha” de uma mulher para evitar a questão ética do estatuto moral do feto. Se o feto realmente tivesse o estatuto moral de qualquer outro ser humano, seria difícil argumentar que o direito à escolha de uma mulher grávida inclui o direito de provocar a morte do feto, excepto talvez quando a vida da mulher está em perigo.

A falácia no argumento antiaborto reside no salto conceptual da afirmação cientificamente rigorosa de que o feto é um indivíduo vivente da espécie Homo sapiens para a afirmação ética que o feto tem por essa razão o mesmo direito à vida que qualquer outro ser humano. A pertença à espécie Homo sapiens não é suficiente para conferir a um ser o direito à vida. Nem pode algo como a consciência de si ou a racionalidade garantir maior protecção ao feto que, digamos, a uma vaca, porque o feto tem capacidades mentais que são inferiores às das vacas. Contudo os grupos “pró-vida” que fazem piquetes junto das clínicas de aborto são raramente vistos a fazer piquetes junto de matadouros.Podemos argumentar, de modo plausível, que não devemos matar, contra a sua vontade, seres conscientes de si que querem continuar a viver. Podemos encarar isto como uma violação da sua autonomia, ou como uma frustração das suas preferências. Mas porque deveria o potencial de um ser de se tornar racionalmente consciente de si fazer com que fosse errado terminar a sua vida, antes de ter a capacidade para a racionalidade ou para a consciência de si?

Não temos a obrigação de permitir que todos os seres com o potencial de se tornarem seres racionais realizem esse potencial. Se houver um choque entre os supostos interesses de seres potencialmente racionais mas ainda não conscientes, e os interesses vitais de mulheres realmente racionais, devemos dar sempre preferência às mulheres.”

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A carta Chinesa de Obama?

Por Malcolm Frazer, antigo primeiro-ministro Australiano

“De acordo com a Reserva Federal dos Estados Unidos, o valor líquido dos norte-americanos caiu 40% desde 2007, voltando ao seu nível de 1992. O progresso até à recuperação será lento e difícil, e a economia dos EUA estará fraca durante a corrida presidencial de Novembro e as eleições para o Congresso. Poderá qualquer presidente em exercício – e especialmente o Presidente Barack Obama – assegurar a reeleição em tais condições?

Na verdade, a culpa do mal-estar norte-americano cabe directamente aos antecessores de Obama: Bill Clinton, por encorajar o Fed a descurar a supervisão e regulação dos mercados financeiros, e George W. Bush, pelas suas guerras caras, que aumentaram massivamente a dívida governamental dos EUA. Mas, ao chegar o Dia da Eleição, muitos (se não a maioria dos) norte-americanos provavelmente ignorarão a história recente e votarão contra o presidente em exercício.

Dado isto, não surpreenderia se Obama e outros na sua administração procurassem questões não-económicas para reforçar a sua campanha. Os problemas da segurança nacional em geral, e o desafio colocado pela China em particular, podem estar a tornar-se nessas questões.

A política externa e de defesa de Obama tem sido no mínimo assertiva, especialmente no Médio Oriente e no Pacífico. Sancionou muito mais ataques não-tripulados que Bush; estendeu a intrusão dos serviços de segurança à privacidade dos norte-americanos; permitiu à CIA continuar o seu programa de rendições; aprovou julgamentos de terroristas acusados por tribunais militares irregulares; e não encerrou a Baía de Guantánamo.

Além disso, os EUA estão a aumentar a sua presença militar no Pacífico numa altura em que já têm mais força militar na região do que todos os outros países juntos. Seis porta-aviões, com as respectivas embarcações de apoio – na verdade, 60% de toda a marinha de guerra norte-americana – estão agora estacionados no Pacífico.

Adicionalmente, o governo de Obama tem conduzido conversações com as Filipinas para aumentar e reforçar a cooperação naval. E Singapura tem sido persuadida a albergar quatro navios de guerra avançados. A Austrália estabeleceu uma base para fuzileiros em Darwin e outra para aviões-espião não-tripulados nas Ilhas Cocos.

Isso não é tudo. Num episódio que recebeu pouca ou nenhuma publicidade, os republicanos do Congresso adicionaram uma cláusula à Lei do Orçamento da Defesa para o próximo ano requerendo que o governo Obama consulte os países no Pacífico Ocidental acerca da instalação de ainda mais forças – incluindo armas nucleares tácticas – na região. O Senador Richard Lugar referiu-me que havendo pouca ou nenhuma objecção à emenda por parte da Casa Branca, não vê razão por que a mesma não passe no Senado.

Numa recente conferência de segurança em Singapura, o secretário da Defesa dos EUA, Leon Panetta, enfatizou o reforço militar norte-americano na região. Depois, foi ao Vietname, alegadamente para discussões sobre o uso pela Marinha dos EUA da Baía de Cam Ranh, uma base norte-americana importante durante a Guerra do Vietname.

Os EUA, como a Austrália, negam que tudo isto somado represente alguma política de contenção dirigida à China. Mas poucos no Pacífico Ocidental o vêem desse modo.

A visita de Panetta ao Vietname seguiu de perto a visita da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, a Pequim para conversações estratégicas e económicas. Essas conversações parecem ter corrido bem, mas está a tornar-se cada vez mais claro que os EUA perseguem uma política de duas vias: conversações, sim, mas crescimento e reposicionamento do poderio militar dos EUA no Pacífico, por via das dúvidas.

Tudo isto acontece numa altura em que a China se prepara para uma mudança de liderança. Eu acredito que a transição política ocorra suavemente. Outros sugerem que será – e já seja – um período difícil de turbulência e incerteza.

A administração Obama pode acreditar que a dureza dirigida à China gerará apoio eleitoral nos EUA. Durante os incidentes ou crises internacionais mais importantes, a América raramente votou contra um presidente em exercício. Mas terá ele considerado adequadamente quão provocatórias são as suas políticas para a China?

Nada disto quer sugerir que a região do Pacífico não precisa da América. Mas, enquanto a América tem obviamente de desempenhar um papel significativo na região, os EUA já deviam ter aprendido que será improvável conseguirem os seus objectivos políticos através de meios militares.Os próprios chineses não querem que os norte-americanos abandonem o Pacífico Ocidental, porque isso aumentaria o nervosismo dos países mais pequenos na periferia da China quanto ao poder chinês. A China é suficientemente madura para entender isto; todavia, um crescimento militar importante dos EUA na região é outro assunto.

Estes são dias perigosos, não só economicamente, mas também estrategicamente. Precisamos realmente de perguntar se Obama está a tentar jogar uma carta chinesa para mudar a balança eleitoral a seu favor. Se for essa a sua intenção, é uma acção que comporta grande perigo.

A Austrália devia dizer aos EUA que não aceitará este cenário. Eu mais depressa anularia o Tratado ANZUS com a Nova Zelândia e os EUA – isto é, eu mais depressa terminaria a cooperação para a defesa com os EUA – do que permitiria a colocação de mísseis nucleares em território australiano.

O actual governo australiano não tomaria tal atitude, e a oposição provavelmente também não o faria. Mas cada vez mais australianos começam a questionar a proximidade e a sensatez dos laços estratégicos com os EUA. Talvez a melhor esperança para estabilidade e paz resida na recusa da China em ser provocada. Os chineses entendem o jogo que está a ser jogado. Suspeito que fiquem de fora durante a campanha eleitoral dos EUA.”

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O nó persa

Por Joschka Fischer, Líder do Partido Verde, foi ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha e vice-chanceler

As negociações entre o Irão e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, mais a Alemanha, sobre o programa nuclear iraniano entraram agora numa nova, e provavelmente decisiva, fase. Estas negociações decorrem há quase uma década, pautadas por longas interrupções e ninguém pode adivinhar se desta vez haverá desenvolvimentos. Mas a situação nunca foi tão séria como agora e a paz está em jogo.

Após a recente visita do primeiro-ministro israelita Binyamin Netanyahu a Washington DC e a do primeiro-ministro Turco Recep Tayyip Erdogan a Teerão, uma situação pouco clara começa a tornar-se mais nítida. Parece que o presidente norte-americano Barack Obama conseguiu ganhar tempo definindo uma meta – o início de um programa explícito de armamento nuclear iraniano – e garantido a Israel a sua prontidão para a acção militar caso as negociações falhem.

Além disso, tendo em conta o perigo de um confronto militar, os Estado Unidos, em conjunto com a Europa e outros parceiros, implementaram novas sanções “inteligentes” e rígidas visando as exportações petrolíferas iranianas – a sua principal fonte de rendimento – e isolaram em grande parte a República Islâmica do sistema de pagamento internacional. O Irão precisa urgentemente da sua fonte de rendimento petrolífera e, sem poder participar no sistema de pagamentos, o seu comércio internacional está a ficar paralisado. As transacções por meio de géneros e malas cheias de dinheiro não são uma alternativa viável. Desta forma, a economia iraniana está a ser abalada até ao âmago.

Além disso, os EUA parecem ter transmitido a gravidade da situação e as suas intenções de forma credível aos líderes iranianos através de vários canais. Por isso, caso esta ronda de negociações também não seja bem-sucedida, poderá ter início uma grande – e completamente previsível – tragédia.

A boa notícia reside no facto de que todos os intervenientes parecerem ter consciência desta situação, o que deverá fazer com que os envolvidos se concentrem num processo de negociações sério e numa solução diplomática. Deverá tornar-se evidente em breve se desta vez o Irão está seriamente disposto a assumir um compromisso, pois existem inúmeras referências para o medir.

O conteúdo desse compromisso é mais ou menos claro: a aceitação por parte do Irão de urânio pouco enriquecido para utilização não militar e salvaguardas melhoradas e verificáveis, tais como a exportação de urânio pouco enriquecido para processamento adicional e direitos de fiscalização mais fortes e abrangentes para a Agência Internacional de Energia Atómica em território iraniano. Por exemplo, a AIEA teria acesso a instalações iranianas vedadas.

É claro que um compromisso não iria abordar a questão do comportamento interno do regime iraniano e as suas ambições regionais – uma fonte de ansiedade partilhada por Israel e pelos estados árabes do Golfo, principalmente a Arábia Saudita. Mas, sem ninguém com vontade de entrar em guerra para obter uma mudança de regime no Irão, especialmente após a desventura no Iraque que durou uma década, não haverá obstáculos às negociações motivados por aspirações fúteis.

Isto aplica-se igualmente ao Irão, onde algumas pessoas influentes ainda pensam que os EUA podem ser expulsos do Médio Oriente, e que o status quo pode ser alterado de forma a instalar o Irão como o poder hegemónico da região. Esta ilusão, não inferior à esperança do Ocidente numa mudança de regime no Irão, só poderá ser seriamente levada por diante correndo o risco inadmissivelmente elevado de guerra e caos regional.

Outros factores significativos irão ter um papel importante no desfecho destas negociações. O primeiro prende-se com a política interna do Irão no que diz respeito à luta pelo poder no seio do regime – uma luta que já antes inviabilizou uma solução diplomática, devido ao facto de nem conservadores nem reformistas estarem dispostos a ceder um triunfo diplomático ao presidente Mahmoud Ahmadinejad. Resta-nos esperar que, à luz da gravidade da situação, esta via para o insucesso esteja vedada.

É provável que os desenvolvimentos na Síria, o último aliado do Irão na região, também venham a ter o seu papel. A queda do regime do presidente Bashar al-Assad seria um fracasso estratégico para o Irão, que se defrontaria com uma frente unida de estados árabes, apoiados pela Turquia, pelos EUA e, de certa forma, por Israel. O Irão teria então dificuldade em manter a sua presença no Líbano e a sua posição tornar-se-ia mais complicada mesmo no Iraque, independentemente da maioria Xiita. Resumindo, a sua procura por um domínio regional iria desabar.Devido à complexidade de factores externos, será importante não sobrecarregar as negociações nucleares com questões para cuja resolução as mesmas não estão preparadas. Os problemas da Síria, do futuro do regime iraniano, da situação no Golfo Pérsico e zona circundante deverão ser abordados a outro nível e noutro momento caso se pretenda conter ou evitar o risco de guerra devido ao programa nuclear do Irão.

Desde o tempo em que Alexandre o Grande resolveu de forma memorável o enigma do nó górdio com apenas um golpe da sua espada, sonha-se com soluções militares simples para resolver problemas complexos. Mas, na maioria das vezes, a aplicação de força militar para resolver um problema origina ainda mais problemas. No Iraque, George W. Bush, Dick Cheney, e Donald Rumsfeld demonstraram que a utilização do poder militar apenas como último recurso é não só um imperativo ético e moral, como também um imperativo baseado numa Realpolitik.

Existem momentos em que a utilização do poder militar se torna inevitável, mas nunca deverá ser uma opção alternativa à diplomacia. Esta constatação é decididamente verdadeira no que respeita o “Nó Persa” actual. No entanto essa escolha – guerra ou diplomacia – confronta agora ambos os lados.

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Boas leituras

Por Robbert Kuttner, Co-founder and co-editor, ‘The American Prospect’

“A couplet keeps running through my head, a sinister variation on the chants from the Madison sit-ins and Zuccotti Park:

Tell me what Bipartisanship looks like
This is what Bipartisanship looks like

This past week, it looked like the JOBS Act. That’s the legislation that sailed through Congress making it easier for investment bankers and start-ups to sell shares of stock to a gullible public without making the usual SEC disclosures, much less following the anti-fraud requirements of the 2002 Sarbanes-Oxley Act.

Its Wall Street and Silicon Valley sponsors baptized it the JOBS Act, a contrived acronym for Jumpstart Our Business Startups — claiming that it would increase jobs. An ill-timed scandal involving accounting misrepresentations by Groupon in its stock pitch nearly rained on the JOBS Act’s parade. But President Obama signed the Act anyway, in a display of… bipartisanship.b

Obama, in a Rose Garden ceremony, called it a “game changer” that would promote hiring by small businesses. More likely, it will promote stock frauds.

Leading GOP legislators were on hand to cheer for Obama’s support for Republican legislation. Standing behind Obama was House Majority Leader Eric Cantor, a sponsor of the Act, who has blocked just about everything else Obama has proposed.

So this is what bipartisanship looks like. All Democrats have to do is embrace Republican ideology and — voila! — bipartisanship.

In this case, Silicon Valley Democrats helped, too. According to the Wall Street Journal, in a now-it-can-be-told piece, a venture capitalist named Kate Mitchell, a Democratic campaign donor, worked behind the scenes with Treasury Secretary Tim Geithner and Republican House Financial Services Committee Chairman Spencer Bacchus to shelter small (under a billion dollars!) companies from the disclosure and reporting requirements that protect investors.

Seeing a way both to ingratiate the White House with the business elite and to cheer Wall Street and Silicon Valley donors, Obama jumped on board. Once the White House signaled that Obama would sign it, most Democrats got out of the way.

This is what bipartisanship looks like.

No serious person thinks waivers from disclosure and accounting rules will generate many jobs. Mainly, they will further deregulate Wall Street and help inflate the next financial market bubble.

Meanwhile, in the tally of jobs, as opposed to JOBS, the economy is not generating nearly enough new employment opportunities. The March jobs numbers, released Friday by the Labor Department, were a disappointment across the board. The economy generated just 120,000 jobs last month, about a third of the rate of job creation we need to get back to full employment.

The recovery is stuck in second gear because of flat or declining consumer purchasing power, the continuing drag of the housing and mortgage mess, and the fact that banks would rather speculate in securities than lend to Main Street businesses. None of this has anything to do with the burden of honest bookkeeping on start-ups.

What else does bipartisanship look like? It looks like premature deficit reduction that will only retard the recovery further.

According to two authoritative reconstructions of the aborted budget negotiations between House Speaker John Boehner and President Obama, which repeatedly fell apart at the eleventh hour, Obama was ready to concede cuts in Social Security and steep retrenchment in domestic spending in order to claim bragging rights on deeper deficit reduction. Only Boehner’s refusal to commit to even modest tax increases on the rich saved Obama from himself.

There have been several near misses on this front, including the bipartisan and deeply conservative Bowles-Simpson Commission, and a budget grand bargain trading Social Security and Medicare cuts for tax increases that was supposed to resolve last summer’s contrived crisis on extending the debt ceiling.

One of these days, there will be a “bipartisan” (i.e. mostly Republican) budget deal that needlessly sacrifices Social Security and hobbles the recovery.

So this is what bipartisanship looks like: Give the Republicans nearly all of what they want, and they will grace your Rose Garden signing ceremony. All you need do is cut the heart out of what Democrats believe in and what the country needs.

Happily, there is an election this fall. And on alternate days of the week, President Obama seems to be realizing that appeasing the far right is a fool’s errand and rediscovering his inner partisan. Here’s what the president said of Rep. Paul Ryan’s draconian budget plan:

It is “so far to the right,” Obama said, that it makes the 1994 Republican-sponsored Contract with America “look like the New Deal.”

“What drags down our entire economy is when there’s an ever-widening chasm between the ultra-rich and everybody else,” Obama added, at his luncheon speech to the American Society of Newspaper Editors. “In this country, broad-based prosperity has never trickled-down from the success of a wealthy few. It has always come from the success of a strong and growing middle class.”

(Tell me what leadership looks like.) This is what leadership looks like.

Given the Republican strategy of take-no-prisoners, the only bipartisanship is capitulation. It’s hard to tack back and forth between leadership and appeasement without looking like a captain who’s not sure where he’s taking the ship. More leadership, please.”

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incongruências

para quem avisava a alto e bom som que Portugal iria regressar aos mercados em 2013, cheira-me que este 2013 passou para 2014. Daqui a uns meses será 2015. Daqui a um ano até poderá ser 2016. Creio que se tal acontecer, este governo já não estará cá para nos narrar essa aventura e Portugal já estará a enfrentar um segundo pacote.

No entanto, hoje voltamos aos mercados de emissão de títulos de dívida. Só é pena que este re-financiamento não seja direitinho para aplicação em obrigações básicas de um estado (acção social escolar por exemplo) mas sim para começar a devolver à troika os juros daquilo que a troika ainda não nos emprestou por completo. Em Junho e Setembro voltaremos a pedir medi(c)ação à União Europeia para pagar os cerca de 1000 milhões de euros de juros das tranches que a troika já nos concedeu.

O Fundo Monetário Internacional desbloqueou-nos hoje mais 5 mil milhões. Christine Lagarde tem-se queixado que lá para os lados de Bretton Woods, os EUA (como principal parceiro, perdão, como principal boss do negócio) terá que ajudar à robustez dos fundos.

Para quem não entende a lógica de Bretton Woods, estas declarações de Lagarde subverteram mais uma vez a lógica do jogo. É imperceptível compreender a lógica FMI-Negócio no meio destas declarações. O fundo quando precisa de emprestar a um dos seus parceiros e quando carece de liquidez, pede emprestado aos restantes parceiros com taxas de juro entre 1% e 2%. Ao resgatado, os juros são cobrados acima de 4%, à Grécia 6%, a Portugal 5%. Pergunta-se portanto a Lagarde para onde é que tem ido os excedentes das intervenções que o Fundo tem realizado nos últimos anos?

Um dos argumentos usados por Lagarde que me saltou à vista foi precisamente quando a directora do Fundo mencionou que a incumbência de dotação do Fundo com mais capitais pertencia aos Norte-Americanos pela lógica de serem os mais interessados no ultrapassar da crise da dívida soberana europeia.

Vamos lá por partes.

De acordo com os estatutos do Fundo Monetário Internacional

À luz do artigo 3º dos estatutos do referido fundo, a operação mencionada por Lagarde é uma operação que não infringe os mesmos.

Secção 1. Quotas e pagamento de subscrições.

Será fixada uma quota para cada membro expressa em direitos de saque especiais. As quotas dos membros representados na Conferência Monetária e Financeira das Nações Unidas que aceitem ser membros antes de 31 de Dezembro de 1945 serão as indicadas no anexo A. As quotas dos outros membros serão determinadas pela Assembleia de Governadores. A subscrição de cada membro será igual à sua quota e será integralmente paga ao Fundo no depositário competente.

Secção 2. Ajustamento de quotas.

a) A Assembleia de Governadores procederá de cinco em cinco anos, pelo menos, a uma revisão geral das quotas dos membros e, se o julgar apropriado, proporá o seu ajustamento. Poderá também, se o entender oportuno, considerar, em qualquer outro momento, o ajustamento de determinada quota, a pedido do membro interessado.
b) O Fundo poderá, em qualquer momento, propor um aumento das quotas dos membros do Fundo que o eram em 31 de Agosto de 1975 proporcionalmente às suas quotas nessa data, numa importância cumulativa que não exceda as importâncias transferidas, ao abrigo do artigo V, secção 12-f), i) e j), da conta «Desembolso especial» para a conta «Recursos gerais».
c) Será necessária uma maioria de 85% do total dos votos para qualquer modificação de quotas.
d) A quota de um membro não será alterada sem o consentimento desse membro e sem que o pagamento tenha sido efectuado, a não ser que se considere que o pagamento foi efectuado em conformidade com a secção 3-b) do presente artigo.

Secção 3. Pagamento aquando da modificação das quotas.

a) Todo o membro que consinta no aumento da sua quota, ao abrigo da secção 2-a) do presente artigo, deverá, no período estipulado pelo Fundo, pagar a este 25% do aumento em direitos de saque especiais, mas a Assembleia de Governadores poderá estipular que este pagamento seja feito, na mesma base para todos os membros, no todo ou em parte, nas moedas de outros membros indicadas pelo Fundo, com o acordo dos mesmos, ou na própria moeda do membro. Um membro não participante pagará nas moedas de outros membros indicadas pelo Fundo, com o acordo dos mesmos, uma parte de aumento correspondente à proporção a pagar em direitos de saque especiais pelos participantes. A restante parte do aumento será paga pelo membro na sua própria moeda. Os haveres do Fundo na moeda de um membro não poderão, por virtude dos pagamentos efectuados por outros membros ao abrigo desta disposição, ser aumentados para além do nível a partir do qual ficariam sujeitos ao pagamento de comissões, nos termos do artigo V, secção 8-b), ii).
b) Os membros que consistam num aumento da sua quota, nos termos da secção 2-b) do presente artigo, considerar-se-ão como tendo pago ao Fundo uma importância da subscrição igual a esse aumento.
c) Se um membro aceitar uma redução da sua quota, o Fundo pagar-lhe-á, no prazo de sessenta dias, uma importância igual à da redução. O pagamento será feito na moeda do membro e em direitos de saque especiais ou nas moedas de outros membros indicadas pelo Fundo, com o acordo dos mesmos, na importância necessária para evitar que os haveres do Fundo nessa moeda se tornem inferiores à nova quota, sob reserva de que, em circunstâncias excepcionais, o Fundo poderá reduzir os seus haveres nessa moeda a uma importância inferior à nova quota, por meio da entrega ao membro da sua própria moeda.
d) Será necessária uma maioria de 70% do total dos votos para qualquer decisão tomada ao abrigo do parágrafo a) acima, excepto quando se trate de determinação de qualquer período ou de prescrição de moedas nos termos dessa disposição.

Secção 4. Substituição de moedas por títulos.

O Fundo aceitará de qualquer membro, em substituição de uma importância da moeda desse membro detida na conta «Recursos gerais» que, no parecer do Fundo, não seja necessária para as suas operações e transacções, promissórias ou obrigações análogas emitidas pelo membro ou pelo depositário por este designado nos termos do artigo XIII, secção 2, as quais não serão negociáveis, não vencerão juros e serão pagáveis à vista, pelo seu valor nominal, por lançamento a crédito da conta do Fundo no depositário designado. As disposições da presente secção aplicar-se-ão não só às moedas correspondentes às subscrições, mas também a quaisquer moedas devidas ao Fundo ou por este adquiridas que devam ser levadas à conta «Recursos gerais».

Vamos ao referido Anexo A para verificar a quota Norte-Americana no fundo

ANEXO A
Quotas

(Em milhões de dólares)

Austrália

200

Bélgica

225

Bolívia

10

Brasil

150

Canadá

300

República Checa\Eslováquia

80\40

Chile

50

China

550

Colômbia

50

Costa Rica

5

Cuba

50

Dinamarca

(ver nota a)

Egipto

45

Equador

5

Estados Unidos

2750

Etiópia

6

Filipinas

15

França

450

Grécia

40

Guatemala

5

Haiti

5

Honduras

2,5

Índia

400

Irão

25

Iraque

8

Islândia

1

Jugoslávia

60

Libéria

0,5

Luxemburgo

10

México

90

Nicarágua

2

Noruega

50

Nova Zelândia

50

Países Baixos

275

Panamá

0,5

Paraguai

2

Peru

25

Polónia

125

Reino Unido

1300

República Dominicana

5

Salvador

2,5

República da África do Sul

100

Rússia e restantes repúblicas soviéticas

1200

Uruguai

15

Venezuela

15

A quota actual Norte-Americana no Fundo é de 2750 milhões de dólares. Perante a falta de liquidez que os EUA atravessam e a necessidade exponencial da economia Norte-Americana crescer às custas da falta de competitividade do parceiro europeu, será viável a Administração Obama reconhecer o argumento de Lagarde?

Pode dar-se o argumento que os Estados Unidos necessitam de apoiar um determinado modelo expansionista na Europa. Nesse cenário, os próprios EUA entrariam num dilema: expansão europeia às custas de retracção da competitividade industrial Norte-Americana ou continuação de uma política de expansão norte-americana às custas de um fraco desenvolvimento competitivo das economias europeias? Não prevejo, por muito mais interesses subliminares que a Administração Obama tenha na Europa, uma opção que vá de encontro à tutela de uma iniciativa expansionista que deverá ser da responsabilidade dos motores económicos da região. Não prevejo que a Administração Obama se importe muito com os países da periferia europeia e com o seu miserabilis clientelismo das organizações internacionais. Portugal e a Grécia são o rosto do paradigma europeu. Caberá à Europa decidir o nosso destino e o destino dos Gregos.

Vejo sim, uma Administração Obama mais preocupada em lidar com os países da BRIC, esses sim detentores de um poder emergente que já derrotou em larga escala o poder competitivo norte-americano, sem esquecer porém que cerca de metade da dívida pública norte-americana está nas mãos dos Chineses. Tomando esse pressuposto e tomando em conta o facto de Obama ter eleições à porta, notou-se a cordialidade do presidente Norte-Americano na última visita à Rússia. Não importou para essa cordialidade uma mera tentativa de gestão das crescentes intenções de domínio geopolítico Russo. Há mais por detrás da cortina. Existe teatro. E do bom.

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“Terroristas” em casa

Por Naomi Wolff, activista e defensora da “terceira via” no feminismo.

Na semana passada, apresentei um depoimento de apoio a um processo importante movido pelo repórter Chris Hedges e outros, incluindo Daniel Ellsberg e Noam Chomsky, contra o presidente dos EUA, Barack Obama e o seu secretário de Defesa, Leon Panetta.

O processo visa impedir a implementação da nova e horrenda Lei de Autorização de Defesa Nacional, também conhecida como “Homeland Battlefield Bill”, que Obama aprovou em Dezembro. Como resultado, a “guerra ao terror” do governo dos Estados Unidos bateu-nos à porta: qualquer americano pode agora ser detido indefinidamente, sem acusação ou julgamento, em qualquer lugar, em qualquer momento, para sempre.

Como Hedges escreveu recentemente numa explicação arrepiante da razão pela qual moveu o processo, as frases cruciais da Lei de Autorização de Defesa Nacional são “substancialmente apoiada” “e” forças associadas”. Estas duas frases, argumenta, permitem ao governo expandir a definição de terrorismo para nela incluir grupos que não estiveram envolvidos nos ataques terroristas do 11 de Setembro de 2001 e que podiam mesmo nem sequer existir quando os referidos ataques aconteceram. Segundo Hedges, “a lei pode ser usada para deter pessoas que não são membros de organizações terroristas, mas que tenham fornecido, nos termos do projecto de lei, apoio substancial até mesmo a forças associadas”.

Como Hedges aponta, nenhum destes termos está correctamente especificado; nem a lei define o que é um acto de terrorismo, ou quais as actividades daqueles que estão alegadamente “envolvidos em hostilidades contra os Estados Unidos.” Como Hedges refere, “é por isso que, especialmente com a proliferação dos actos de desobediência civil, a Lei de Autorização de Defesa Nacional é tão aterradora.”

Ele tem toda a razão e o seu depoimento explica pormenorizadamente a forma como a Lei de Autorização de Defesa Nacional e legislações semelhantes estão a ser usadas para obstruir as suas investigações e para intimidá-lo pessoalmente. Relata que foi detido por agentes da autoridade norte-americanos enquanto fazia um trabalho de reportagem no exterior e foi informado de que estava numa lista de observação. Hedges também tem consciência, tal como poucos jornalistas americanos têm, de que foi utilizada legislação semelhante para aterrorizar e intimidar jornalistas noutros países.

Hedges, ex-jornalista do The New York Times foi testemunha disso em El Salvador. Mas leis quase idênticas foram utilizadas para impedir a comunicação e a publicação de notícias e para perseguir, intimidar e até mesmo prender jornalistas, na Itália fascista, no início da Alemanha nazi, na ex-União Soviética e nos regimes militares do Chile, Argentina e Equador.

Em 29 de Março, juntei-me aos apoiantes da ação judicial num tribunal de Nova Iorque, para determinar se seria concedida aos queixosos legitimidade para contestar as acções previstas pelo governo. Katherine O’Brien, também jornalista, descreveu a forma como foi intimidada por alguém que se identificou como agente Federal e a cofundadora do movimento Occupy London, Kai Wargalla, conta que num memorando da polícia de Londres os membros do seu grupo eram qualificados como “terroristas”.

O decorrer da audiência foi duro com o interrogatório da Juíza Federal Katherine B. Forrest aos advogados do governo. Pediu-lhes várias vezes que definissem os termos “substancialmente apoiada” e “forças associadas”, mas não obteve resposta, apesar de repetir a pergunta sete ou oito vezes.

Forrest também pediu reiteradamente – pelo menos cinco vezes – garantias de que a Lei de Autorização de Defesa Nacional não iria abranger pessoas nas mesmas condições dos demandantes: jornalistas envolvidos em trabalho de jornalismo e cidadãos envolvidos em protesto pacífico. Novamente, os advogados de Obama e Panetta disseram sempre que não lhe poderiam fornecer tais garantias. No final do mês de Abril, as duas partes irão apresentar novos dados a juíza irá anunciar a próxima etapa do processo, após deliberar sobre a nova matéria.

Agora sabemo-lo através dos próprios advogados do governo dos EUA: esta lei pode colocar em risco os jornalistas, ou pelo menos os advogados recusam-se explicitamente a excluir esta opção para o seu cliente – e, tal como Forrest refere, eles têm “um cliente de peso”.Os termos definidos de forma vaga são uma parte integrante do conjunto de ferramentas totalitário e começam sempre, como observa Hedges, com legislação que subverte o Estado de direito, permitindo o exercício arbitrário do poder. Esses termos ludibriam sempre, no início, jornalistas, editores e editores de jornais com ameaças de que estão colocar em risco “a segurança nacional” ou, através de relatórios que afirmam que eles estão a “apoiar” forças ilegais e funestas.

O meu próprio depoimento está de acordo com o argumento de Hedges de que os jornalistas norte-americanos já estão a modificar o seu comportamento em resposta a tais leis – e aos recentes e assustadores exemplos que têm sido feitos de editores controversos como Julian Assange da WikiLeaks. Descrevo exemplos de histórias que eu própria não explorei, devido à intimidação oficial que essas leis representam: a decisão de não me encontrar em Londres com os prisioneiros libertados de Guantánamo, ou de divulgar uma angariação de fundos para um documentário importante sobre o bombardeamento de civis em Gaza. Houve também uma decisão recente que foi bastante penosa – legalmente inevitável, mas que, como jornalista, me fez sentir desonesta e envergonhada – não concretizar um encontro pessoal proposto com Assange, enquanto este se encontrava em prisão domiciliária perto de Cambridge.

Eu sei que muitos outros jornalistas norte-americanos estão a tomar decisões semelhantes como resultado da Lei de Autorização de Defesa Nacional e espero que se unam a este processo, quer seja através dos seus próprios depoimentos ou enquanto requerentes. Tais leis fazem como que os jornalistas conscienciosos hesitem em fazer o que é correcto do ponto de vista profissional.

Não é apenas o jornalismo norte-americano que sofre quando uma lei como a de Autorização de Defesa Nacional ameaça jornalistas e editores. Com a legislação dos EUA e as reivindicações da autoridade executiva a dar cada vez mais poder aos presidentes dos Estados Unidos para fazer guerras, declarar toda a América como um campo de batalha, assassinar cidadãos americanos e não americanos por todo o mundo, manter presos cidadãos afegãos, iraquianos e paquistaneses indefinidamente, sem acusação ou julgamento e acusar editores australianos de espionagem, o resto do mundo necessita de jornalismo americano destemido e rigoroso. Este é o primeiro passo para responsabilizar os líderes dos EUA à luz da legislação nacional e internacional. Infelizmente, tal responsabilização é necessária agora mais do que nunca.

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A Cimeira das intenções silenciosas

Por Jorge Castañeda, antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros do México (2000-2003) e Professor  de Política e Estudos Latino-Americanos na Universidade de Nova Iorque.

A Cimeira das Américas, que se realiza sensivelmente todos os três anos, pode ser vista como o tipo de extravagância Latino-Americana que reúne chefes de estado por alguns dias, tanto a sul como a norte do Rio Grande, para fazer discursos intermináveis que não levam a lado algum. Mas de vez em quando, a Cimeira – uma iniciativa Americana lançada pelo Presidente Americano Bill Clinton em 1994 – efectivamente ajuda a colocar assuntos essenciais na mesa hemisférica.

Um desses assuntos foi a chamada Área de Comércio Livre das Américas, que foi proposta pelo antigo Presidente Americano George H. W. Bush em 1990, e que depois se desmoronou na cimeira de Mar del Plata na Argentina em 2005. Irritado pela presença do filho de Bush pai, o Presidente George W. Bush, o Presidente Venezuelano Hugo Chávez reuniu milhares de manifestantes anti-Americanos para protestar contra o acordo.

A Cimeira das Américas serve assim como um indicador das relações Estados Unidos – América Latina, mesmo quando não consegue resultados de grande significado.

A cimeira deste ano, que tomará lugar em Cartagena, na Colômbia, em meados de Abril, já gerou controvérsia. Dois assuntos tradicionalmente polémicos dominarão as discussões: Cuba e droga.

Cuba nunca foi convidada para a Cimeira das Américas, porque a reunião foi desenhada para incluir apenas membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) e presidentes democraticamente eleitos (embora o então presidente do Peru, Alberto Fujimori, tenha participado em 1998, apesar de ter suspendido a constituição do país num “auto-golpe” em 1992).

Em Fevereiro, o presidente do Equador, Rafael Correa, declarou que se o Presidente Cubano Raúl Castro não fosse convidado para a Cimeira, os países ALBA (Cuba, Venezuela, Equador, Nicarágua, Bolívia, e algumas das ilhas das Caraíbas) não participariam. Isto foi uma clara intenção de provocar os EUA, Canadá, e um punhado de outros países que se opunham à sua presença.

Vários líderes e comentadores Latino-Americanos recomendaram que o Presidente dos EUA Barack Obama participasse, não obstante a presença de Castro, para confrontá-lo com o défice democrático em Cuba. Obama não mordeu o isco: uma oportunidade fotográfica acidental ou um debate público com Raúl Castro no meio de uma campanha eleitoral não ajudam um presidente dos EUA a vencer um segundo mandato.

O Presidente Colombiano Juan Manuel Santos tentou desarmar o assunto confirmando primeiro se os Cubanos queriam realmente ser convidados. Ao enviar o seu ministro a Havana para esse efeito, recebeu uma resposta surpreendente: Cuba queria participar, apesar de ter rejeitado em 2009 um convite para voltar à OEA.

Era claro para Santos que, se Castro participasse, a cimeira de Cartagena tomaria lugar sem Obama, o Primeiro-Ministro Canadiano Stephen Harper, e talvez alguns outros chefes de estado. Se, por outro lado, Castro não participasse, alguns dos membros da ALBA, incluindo dois vizinhos com os quais a Colômbia espera melhorar relações – Equador e Venezuela – poderiam também não aparecer.

No final, Santos, como os seus predecessores em anteriores organizações da Cimeira, não teve escolha para além de informar os Cubanos pessoalmente que não eram bem-vindos, por “não haver consenso relativamente à sua participação.” Apesar de falarem da crescente independência Latino-Americana e das recentes reformas de Castro, a maior parte dos países, quando forçados a escolher entre Cuba e os EUA, escolhem os últimos. Na verdade, até os supostos aliados de Cuba na região se abstiveram de instigar Santos a convidar Castro.

Portanto Castro não participará, Obama sim, e os líderes da ALBA estarão provavelmente divididos. Os participantes tentarão garantir que Cuba seja convidada para a próxima cimeira em 2015, mas é difícil prever o que acontecerá. Cuba permanece por agora a ovelha negra da América Latina.

Porque Obama estará presente, outros líderes poderão aproveitar a oportunidade para partilhar com ele as suas opiniões sobre o que é cada vez mais chamada de “guerra falhada contra a droga,” o programa anti-droga originalmente lançado pelo Presidente Americano Richard Nixon em 1971. O recentemente empossado Presidente Guatemalteco Otto Pérez Molina, juntamente com Santos e outros chefes de estado, questiona a abordagem actual, devido aos seus enormes custos e magros resultados, e propõe uma estratégia diferente: a legalização.Obama enviou o Vice Presidente Joe Biden ao México e à América Central há algumas semanas atrás para dar conhecimento desta tendência, e pode tê-lo conseguido parcialmente. Contudo, enquanto apenas um punhado de líderes políticos e de intelectuais advogaram a legalização no passado, hoje em dia funcionários saem “do armário” aos magotes relativamente à questão da droga. Os que diziam antes que preferiam um debate sobre o assunto apoiam agora a legalização; aqueles que se lhe opunham aceitam agora a necessidade para um debate; e aqueles que continuam a opor-se à legalização fazem-no por fundamentos morais em vez de racionais.

Mas Obama tem outras prioridades. Os seus desafios de política externa, com a excepção do programa Iraniano de enriquecimento nuclear e da reacção de Israel ao mesmo, estão em segundo lugar relativamente à saúde económica dos EUA, e do impacto que esta tem na sua reeleição. A América Latina – ou mesmo o México – não estão neste momento no ecrã do seu radar.

Não obstante, Obama irá a Cartagena, como deveria. Os EUA já aprenderam que os melhores interesses da nação incluem uma atenção cuidadosa aos seus vizinhos meridionais.

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obamacare

A reforma que Barack Obama está a tentar implementar no sistema de saúde Norte-Americano permitirá a 32 milhões de cidadãos Norte-Americanos (11% da população desse Estado) obterem finalmente o direito a um sistema nacional de saúde público e universal. No entanto, o plano do presidente Norte-Americano obriga todos os cidadãos Norte-Americanos a ter um seguro de saúde até 2014 sob pena de uma pesada multa.

No Congresso, os Repúblicanos das Health Care´s e das grandes megacorporações que lucram milhões com a saúde dos americanos consideraram que a proposta que começa a ser discutida hoje no Supremo Tribunal Norte-Americano é uma proposta inconstitucional. Só em Junho é que o órgão com sede em Washington se irá pronunciar sobre a legalidade do acto.

Depois de 26 estados se terem pronunciado contra ou com dúvidas quanto ao diploma e de o terem encaminhado para julgamento de constitucionalidade no Supremo, várias vozes se tem mostrado indignadas quanto ao decidendo do Presidente Norte-Americano pelo facto deste violar as liberdades civis dos cidadãos.

Inconstitucional considero o mais rico país do mundo ter um sistema de saúde de 1ª e um sistema de saúde de 2ª. Já nem se pode considerar de 2ª visto que quem não tem um plano de saúde à conta de uma megacorporação não tem sequer direito a um dos mais básicos direitos humanos.

É caso para se perguntar à luz deste facto que moral detêm os americanos quando denunciam violações dos Direitos Humanos por parte de outros países?

O plano de saúde não trata exclusivamente de alargar a rede de cuidados básicos aos até agora excluídos pelo sistema liberal. Trata também de extender esses mesmos cuidados a lares de idosos, de fazer beneficiar jovens até aos 26 anos dos cuidados ao abrigo dos planos de saúde dos seus pais e de beneficiar idosos na compra de medicamentos.

É engraçado observar o antagonismo entre a Administração Obama e a Europa no que toca à saúde. Enquanto o Presidente Norte-Americano tenta tornar mais flexível, mais público e mais universalista um sistema liberal de saúde, na Europa assiste-se ao contrário. Exceptuando os países nórdicos onde o regime escandinavo de estado-providência ainda é uma realidade (e mesmo nos países nórdicos o sistema de saúde universalista e totalmente gratuito já teve melhores dias) e o Reino Unido (com um modelo idêntico ao Norte-Americano) tanto os regimes conservadores de estado-providência (Alemanha; França) como os regimes da Europa do Sul (altamente clientelistas de um sistema de saúde custeado praticamente pelo Estado) querem mexer nas actuais regras com que regem o seu sistema de saúde com uma tendência expressa para o privatizar ao estilo Norte-Americano.

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austeridade.

Neste blog nunca existirá uma austeridade nas palavras.

Há uns anos, no final de um conhecido tema dos Ornatos Violeta, Manuel Cruz deu um toque de charme ao que por si já era bom com um trecho em spoken-word de Vitor Espadinha, onde o interprete e autor declamava algo como isto:

“A cidade esta deserta
E algum escreveu o teu nome em toda a parte
Nas casas, nos carros,
Nas pontes, nas ruas…
Em todo o lado essa palavra repetida ao expoente da loucura
Ora amarga,ora doce
Para nos lembrar que o amor uma doenca
Quando nele julgamos ver a nossa cura”

É um trecho interessante para analisar e analogar a palavra austeridade no nosso país.

Perdõem-me os linguistas, neste momento mais interessados em analisar, vangloriar ou criticar aquele monstro sem amigos que é o Novo Acordo Ortográfico para referir que a palavra Austeridade foi uma das palavras que esteve em voga durante o ano de 2011. Os motivos são simples e conhecidos (diria em demasia) do comum cidadão português.

As cidades não estão desertas, mas a austeridade vê-se escrita em toda a parte. Estamos doentes e na austeridade os nossos governantes vêem a nossa cura. Ainda hoje, Pedro Passos Coelho e Vitor Gaspar assim o declamaram ao publicar o 3º relatório de cumprimento do chamado Memorando de Entendimento, aquele a quem a direita critica a esquerda de não ter assinado e de assim ter fugido ao compromisso de defender uma política não-patriótica que torna a vida dos cidadãos portugueses um autêntico inferno.

Nos últimos meses, os ditos programas de ajustamento obrigaram o nosso estado a um conjunto de medidas absolutamente danoso para o rendimento dos cidadãos portugueses e que compromete em muito o crescimento económico de um país toldado pela falta de produtividade, pela crescente disparidade de rendimento médio dos cidadãos e consequentemente pela disparidade das diferenças sociais que esse gap acarreta em qualquer sociedade.

Vimos os ministérios a fechar janela após janela os investimentos no sector público em prol do rigor orçamental e do equílibrio das contas públicas.

Vimos um ataque vil à educação e por conseguinte à formação de novos quadros técnicos para o nosso país. Corta-se o financiamento das universidades. Corta-se o acesso à acção social. Corta-se o futuro a milhares de jovens como ontem tive oportunidade de referir num debate no qual participei. Corta-se o acesso a uma vida condigna aqueles que continuam a sobreviver no ensino superior. Corta-se o princípio da solidariedade do Estado perante o seu cidadão. Corta-se o princípio da dignidade humana, princípio importantíssimo de um Estado de Direito.

Temos visto também um ataque vil à saúde por via de cortes no Sistema Nacional de Saúde, por via do aumento das taxas moderadoras (principalmente para a denominada classe média, sector mais propenso ao consumo) por via dos cortes nos hospitais, por via da diminuição global nas comparticipações nos medicamentos e nos tratamentos, por via até, de uma desumanidade vil nas comparticipações de tratamentos e medicação para pessoas com doenças raras, para pessoas com doenças cujo tratamento é complexo ou pessoas cujos rendimentos são escassos para fazer face ao custo exorbitante que tem na medicação obrigatória que efectuam mensalmente, casos dos reformados e pensionistas.

Temos visto um ataque vil à criação de emprego. Meia dúzia de programas criados por este governo quanto à criação de emprego jovem não tem sido programas de impeçam a criação de mais desemprego. O desempregou aumentou a níveis nunca antes vistos com este governo, cifrando-se actualmente na faixa dos 14% em todo o país. Tendencialmente, este número deverá aumentar ainda este ano. Mais uma vez a austeridade faz o seu estrago. Se as pessoas não tem dinheiro para consumir, logo, não tem dinheiro para que as empresas possam escoar os seus stocks – tal consequentemente será redundado em dívidas a fornecedores, em lucros esperados que não entram, em insolvências, em mais despedimentos e em mais precariedade social.

Temos visto outros ataques ao comum cidadão como as perdas salariais registadas na função pública, as perdas totais e parciais do subsídio de natal e do subsídio de férias, as falhas de regularização de um sistema uniforme na segurança social que vá de encontro ao auxílio dos mais carenciados, a diminuição de verbas para a cultura, os cortes nos transportes e o encarecimento dos passes sociais, entre outros cortes menores que vão sendo camuflados com a inserção de pequenas regalias que acabam por ser invisíveis aos nossos olhos.

Estamos perante um governo viciado na austeridade que não consegue apresentar soluções que vão de encontro à necessidade de políticas expansionistas, que alías, foram defendidas recentemente no nosso país por dois grandes economistas do nosso tempo: Paul Krugman e Joseph E. Stiglitz.

De Krugman tivemos a ideia há alguns dias atrás de quem não se limita apenas a dar os seus palpites sobre economia a partir dos estúdios da CNN.

Krugman tem muitas falhas é certo. Para quem o conhece através dos mídia, assemelha-se a uma espécie de cruzamento entre uma Maya da bola de cristal e um bitaiteiro de bordel como Miguel Sousa Tavares. Krugman é mais que isso, não fosse o facto de em 2008 ter recebido o Prémio Nobel da Economia. Haja respeito.

O espectro Krugmaniano mais recente a que observamos foi quando no clash da crise dos sub-primes e das terríveis falências de bancos e seguradoras norte-americanas, afirmou na CNN, que a dívida não era um mal pois alguém futuramente seria responsabilizado pelo pagamento. Atrevo-me portanto a dizer que os estados observaram aquilo como um “calma, a maior medida para saírmos disto é o aumento da despesa pública porque como dizia o Sócrates pá, as dívidas não se pagam de imediato e quem pensa isso é uma criança pá, as dívidas gerem-se” – basicamente, o maior fate da doutrina de Krugman é o seu limite quando experimentado na prática. A recém eleita administração Obama estava de olhos postos na CNN e tratou de por em marcha como primeira bandeira uma policy que visava por em prática um plano público de saúde capaz de libertar do estigma liberal da saúde americana aqueles cujos rendimentos não chegavam para terem direito aos ultraliberais seguros de saúde e consequentemente a uma saúde universalista e de acordo com a dignidade do ser humano. Essa policy foi obviamente posta em prática com um parecer negativo da direita norte-americana e encontrou resistências no Congresso.

Quando afirmo que o maior fate da doutrina de Krugman é o seu limite quando experimentado na prática, falo obviamente do pensamento de um economista que não é fã da austeridade mas que não se coibe noutros moldes de bitaitar a favor da austeridade em casos-limite de pouco acesso aos mercados, como é actualmente o caso português.

As incongruências em Krugman atingem o seu pico quando este, em Portugal, afirma que a austeridade não é uma solução definitivamente para a superação das dificuldades do caso português, mas aconselha que Portugal baixe os seus salários. “Não ao nível da China” – disse. Se estivessemos para baixar ao nível de China, digo eu, baixaríamos dos actuais 850 euros médios, 500 de mínimo para uma malga de arroz em troca de 12 horas de trabalho árduo à lei da Chibata.

Em Portugal, Krugman, também fez questão de brindar com o saque repentino da sua bola de cristal do bolso e afirmar que as probabilidades de Portugal ficar na zona euro nos próximos 4 anos é de 75%. Gostava de saber se Krugman também consegue prever os resultados da selecção portuguesa para o próximo Euro. Seria benéfico para saber se vale a pena gastar mais dinheiro para enviar os rapazes até à Polónia ou se perante o espectro de uma eliminação precoce no denominado grupo da morte, será de melhor cumprimento do Orçamento de Estado deixá-los passar o mês de Junho em Portugal.

Do errado passamos ao certo.

Krugman não quis que os portugueses lhe perguntassem uma comparação da realidade portuguesa à realidade irlandesa. Disse apenas “não queiram ser a Irlanda” e disse-o bem.

Quem conhece a história do denominado Tigre Celta, saberá o porquê desta afirmação. Vamos então recuar duas décadas:

Nos anos 90, a Irlanda registava um dos piores PIB per capita da Europa tal e qual Portugal.

De um momento para o outro, um fluxo estrangeiro de capitais inundou a Irlanda. Construíram-se estradas, escolas, pontes, aeroportos, embelezou-se a sua capital para receber um enorme fluxo de turistas. Embelezaram-se as áreas urbanas porque de facto como vieram a constatar os próprios governantes irlandeses, a parte feia da Irlanda ficou na mesma. Conforme se avançava de Dublin para a periferia, a qualidade das estradas não era a melhor, a qualidade dos serviços hospitalares, dos serviços educacionais e dos serviços de transportes também ia piorando.

De um momento para o outro, a Irlanda, começou a apostar num mega programa de qualificação técnica, até como imperava o bom uso dos fundos comunitários. A Irlanda, com uma taxa de analfabetização no fim de século extremamente alta (tal e qual como Portugal) e com uma taxa de trabalhadores qualificados extremamente baixa (como Portugal) apostou no desenvolvimento de cérebros e não se deu mal com o investimento público na área da educação, do ensino superior e da qualificação profissional, porque, de um momento para o outro começou a ser um destino apetecível para o investimento estrangeiro, vindo, de grosso modo, dos Estados Unidos da América. As grandes multinacionais como a Apple, como a Citygroup, como a JP Morgan, como a AMD, como a Microsoft, como a KFC ou a Taco Bell começaram a virar-se para a Irlanda derivadamente instruídas por um conjunto de estatísticas que traçam uma evolução profícua do desenvolvimento do país: crescente número de quadros técnicos altamente qualificados, salários ligeiramente baixos tendo em conta o Reino Unido, a Alemanha, a França, a Itália, a Suécia, a Finlândia e ligeiramente mais altos que países menos produtivos do que Portugal e a Grécia e crescentes ajudas à implantação de unidades produtivas por parte do Estado Irlandês. Tal crescimento económico, fez da Irlanda e dos Irlandeses um país a nadar em dinheiro, em emprego, em crédito, em empolgamento na construção de equipamentos e bens sociais e num país onde todos tinham casa própria, algo que para o povo irlandês tem um significado muito especial.

O PIB per capita Irlandês por conseguinte, subiu a níveis iguais ao do Alemão e próximos dos do microestado do luxemburgo.

O rombo provocado pela crise dos subprimes e a necessidade urgente de liquidez por parte das empresas-mãe norte-americanas sediadas em território Irlandês vieram como se sabe a ser o principal problema da Irlanda em 2007. Os Norte-Americanos retiraram os capitais investidos em território Irlandês, fechando as unidades produtivas que outrora tinham implantado. O desemprego disparou em flecha, o consumo diminuiu e a banca ressentiu-se com o aumento do crédito mal-parado na habitação. Milhares de pessoas foram despejadas por incumprimento e a Irlanda ainda não se levantou.

A segunda premissa certa de Krugman no seu honoris causa pelas 3 universidades de Lisboa foi a opinião sobre a Alemanha. Há uns dias atrás, em Berlim, uma jovem activista impunha um brilhante cartaz que diria: “Desculpem Gregos pela atitude do nosso governo” – Krugman criticou aquilo que toda a gente critica: a tentativa imperial da Alemanha assentar o cumprimento das suas regras com base em padrões éticos assentes num moralismo puritano e numa frugalidade de habitos e usos que os próprios alemães, internamente, nunca utilizaram. Nada mais que um pan-germanismo hipócrita. No entanto, a solução prevista por Krugman para a zona euro reside na política do hegémon: Portugal baixa os salários mas a Alemanha como hegémon do sistema, aumenta os salários e pratica uma política expansionista que seja alvo de contágio para todos os restantes países da zona euro. Nada mais do que uma hipócrisia Krugmaniana. Certeira a meu ver, mas hipócrita e incongruente com que o economista defendia noutras declarações.

Krugman e a Escola de Barcelona, de onde faz parte Santiago Nino Becerra, apontam um caminho Keynesiano como solução expansionista para o grave problema da crise da dívida soberana dos países europeus. É preciso que se aumente a despesa pública, tendo em conta que esta iria aliviar o rendimento dos cidadãos e canalizar esse aumento de rendimento para um crescente aumento do consumo, logo, para a manutenção e obtenção de uma política de pleno emprego, logo, para nova excitação do consumo, logo, para que todo o tecido empresarial dos países possa não só sair do risco de incumprimento das suas obrigações perante fornecedores e perante o estado como até aumentar a produção visto que está a ser escoada nos mercados, logo, para um aumento da receita fiscal do estado por via do consumo. A lógica parece-me bastante correcta. Aparecem-me apenas, na prática, alguns entraves: terão os estados capacidades de racionalizar todos os recursos que dispõem para por em marcha um plano que a curto prazo carece de fundos, de liquidez? Esta é a primeira pergunta que coloco, tendo em causa as próprias condições de liquidez dos estados da periferia como Portugal e Grécia, alvos de financiamento externo forçado. A segunda pergunta que me coloco é: estarão os estados da periferia capazes de por em marcha planos que iriam desmanchar os maiores clientes da manutenção de autênticos monopólios? A terceira pergunta que coloco é: será benéfico para quem tem aspirações ao poder tirar aos ricos para dar aos pobres? Esta é uma pergunta que cada vez faz mais sentido tendo em conta o caso português.

De Krugman passamos a Stiglitz.

Stiglitz é um respeituoso Nobel da Economia. Para mim, o mais brilhante dos economistas vivo. Questões de gosto.

Stiglitz não é igual a Krugman. Pelo menos a sua linha de pensamento ao longo das décadas tem-se mostrado uniforme, crítica e sagaz.

A sua crítica à actuação do Fundo Monetário Internacional é das coisas mais belas que qualquer não-liberal gosta de ler. A sua crítica aos agentes e dirigentes económicos (como os do FMI) centrada no postulado de que estes são demasiado crentes de que os mercados por si só são capazes de estabelecer ajustes automáticos que sejam capazes de superar todos os problemas económicos, ou como quem troca por miúdos, uma crítica aos fundamentalistas de livre-mercado, está a ter o seu apógeu na era em que vivemos. Ora os mercados, ora os estados, por via de políticas monetárias (excluídas da zona euro por impossibilidades impostas pelos tratados) económicas, financeiras e orçamentais, não estão a conseguir sair do ciclo vicioso iniciado em 2007.

Stiglitz sempre acusou o Fundo Monetário Internacional de empurrar os países pobres a abrir seus mercados à competição externa antes da posse de uma democracia e de um institucionalismo estável que permita a defesa dos interesses dos seus cidadãos. E para isso, Stiglitz não se coibiu de referir o efeito globalização como a causa da necessidade tremenda que existe no mundo ocidental de empurrar o hemisfério sul às três pancadas para os mercados sem a consolidação democrática dentro das suas fronteiras territoriais, algo, cuja experiência do ocidente comprovou serem precisos séculos de experiências, avanços, recuos e até alguns derramamentos de sangue (guerras civis, guerras inter-estaduais) para o efeito.

Na sua aula magna em Estocolmo, Stiglitz foi mais brilhante ao corar toda a plateia com este simples parágrafo: “Suponha que durante uma aula, como por milagre, 100 notas de 50 euros caem do bolso do casaco, cada uma exatamente no pé esquerdo de cada aluno. Evidentemente os alunos poderiam esperar que a aula terminasse para apanhar o dinheiro a seus pés. Essa espera não alteraria em nada os seus benefícios. Mas isso não seria um Equilíbrio de Nash se todos os alunos fizessem isso, poderia ser beneficiado qualquer “espertinho” se agachasse imediatamente e apanhasse todas as notas que conseguisse do chão. Cada aluno individualmente, percebendo essa possibilidade, se abaixa para apanhar as notas ao mesmo tempo. O equilíbrio assim obtido não coloca nenhum dos alunos, nem a classe toda, em uma situação melhor do que se tivesem todos aguardado o fim da aula para apanhar o dinheiro – mas criou um “custo social imenso”; nesse exemplo, representado pela interrupção da aula. Existem potencialmente muitas outras ineficiências geradas pela aquisição da informação”

Tomando o caso português e os ditames de Stiglitz sobre o mesmo:

Stiglitz, ao contrário de Krugman, afirmou que Portugal e Espanha vivem actualmente debaixo de um imenso de risco de falência. Stiglitz afirmou que a Alemanha by herself, terá que ajudar o Estado Português com um financiamento extraordinário ou então com a renegociação da dívida pública portuguesa perante privados Alemães, alvo do que por exemplo tem sido negociado nos últimos meses entre o governo grego e os privados alemães no caso Grego. Há dois anos, Stiglitz temia que Portugal tivesse que recorrer à emissão nos mercados de títulos de obrigações. Porquê? Porque se veio a comprovar que depois da Grécia seria Portugal a ser o alvo de especulação dos mercados através da asfixia provocada pela subida dos juros nos mercados secundários essencialmente. Há dois anos, Stiglitz afirmava que Portugal e a Grécia seriam piores exemplos que a Argentina em 2001. E como sabemos, a Argentina colapsou depois das experiências liberais promovidas na década de 70 e 80 pelo Fundo Monetário Internacional como reacção ao aumento da despesa pública promovida pela intensidade dos choques petrolíferos e incapacidade dos estados dependentes do petróleo fazerem face ao aumento do mesmo tendo em conta as necessidades petrolíferas das suas unidades produtivas. Qual foi a solução portuguesa? Deitar a toalha ao chão e recorrer aos préstimos do Fundo.

Comparar o caso português ao caso argentino revela porém um conhecimento de causa que se torna magnífico pelas experiências megalómanas e ultraliberais que o estado argentino levou a cabo nas últimas décadas. Pelas experiências mal efectuadas no campo das sucessivas desvalorizações monetárias que o peso e que o criado “Austral” tiveram na economia argentina, com a medida do El Corralito, levada a cabo no inicio deste século pelo Presidente Fernando de La Rua que teve o objectivo de restringir o livre usufruto de capitais num prazo fixo em contas correntes, evitando a saída de capitais do sistema bancário e por conseguinte o colapso deste sistema, com os sucessivos pedidos de ajuda ao Fundo Monetário Internacional e os sucessivos planos de ajustamento promovidos pelo mesmo, incluíndo o mítico plano MegaCanje que visava reduzir o défice externo dos bancos privados argentinos a troco de 29,5 mil milhões de dólares.

Comparar o caso português ao caso grego é de uma simplicidade tremenda tomando em conta os dois exemplos: dois países que se pautaram pelo que Ferrara apelidou como regimes de estado providência do sul: altamente devedores ao estrangeiro, altamente ineficientes ao nível de produção, dominados pelas elites, altamente burocratizados, altamente inflexíveis ao nível de leis laborais, altamente dependentes de investimento externo na sua produção, com um cidadania altamente clientelista dos bens providos pelo Estado, altamente movidos por teias de corrupção no sector público, democraticamente instáveis e altamente deficitários ao nível de infra-estruturas e ao nível de formação profissional.

Dois países que como se pode constatar, estão na corda bamba da zona euro. Dois países cujos actuais governos vivem mergulhados na execução de políticas de austeridade e sem qualquer capacidade de se expandirem economicamente.

Voltando a Stiglitz e à sua observação do caso português:

” Austeridade é receita para suicídio económico” – dizia o economista há alguns meses atrás em Portugal.

“É preciso perceber-se que a austeridade por si só não vai resolver os problemas porque não vai estimular o crescimento…Temo que se centrem na austeridade, que é uma receita para um crescimento menor, para uma recessão e para mais desemprego. A austeridade é uma receita para o suicídio económico”

São declarações que vem portanto de encontro aquilo que já referi lá atrás.

Quanto aos salários, Stiglitz foi cáustico e directo: “Se baixamos os salários, vai piorar a procura e a recessão. É necessário que a flexibilidade seja acompanhada por “compensações do lado da segurança para os trabalhadores.”

Qual a solução que Stiglitz apresentou para a crise?

“”Em economia, há um princípio elementar a que se chama efeito multiplicador do orçamento equilibrado: se o governo sobe os impostos mas, ao mesmo tempo, gasta o dinheiro que recebe dos impostos, isto tem um efeito multiplicador sobre a economia” – ou seja, vem de encontro ao aumento da despesa pública.

O que é que o governo português está a fazer? Início de post: desinvestir em tudo, cortar em tudo, excepto na banca. Liberalizar o sector público de forma gradual a troco de mais financiamento externo e a troco de mais umas migalhas de liquidez. Como? Entregando o sector público, ainda monopolizado em vários sectores, como é o caso do sector eléctrico, a capital estrangeiro.

Tendo como base alguns destes pressupostos, o caminho que está a ser trilhado por este governo, o caminho de austeridade até pode na cabeça da tutela ser o caminho capaz de nos tirar o obstáculo austeridade do caminho, mas, pelo que lemos dos históricos económistas que nos visitam, o caminho deve ser trilhado ao contrário.

É certo que Portugal apresentou na última década, com especial incidência a partir de 2007, registos muito negativos ao nível das balanças: tanto da balança comercial como da balança de pagamentos. É certo que fomos despesistas em demasia, daí que se afirme e bem que “andamos a viver um pouco acima das nossas possibilidades”. É certo também que vivemos anos e anos em que o investimento externo no nosso país foi nulo. É certo porém também afirmar que esta onda de reformas que nos estão a ser impostas para regressar aos mercados já deveriam ter sido reformas impostas de forma gradual desde há 20 anos a esta parte.

Para já viveremos com o fardo da austeridade. Não irá resolver nada a meu ver, teremos então que nos preocupar para sobreviver.

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Perdoa lá o perú pá!

É tão engraçado ver o Nobel da Paz, no dia mais representativo e especial para as famílias Norte-Americanas, ter o dom de perdoar um perú e o dom de mandar para a caçarola outro.

 

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Dead or alive

Uma cena tão americana.

Khadafi vivo ou morto.

Os Americanos já chegaram ao truque de pedir que se possam desbloquear os 1500 milhões de dólares congelados ao Estado Líbio para apoiar os rebeldes na entifada final ao regime.

Desbloqueiem o que não é americano, está claro. Os rebeldes irão precisar de armas. Obama irá vendê-las. Os rebeldes deixarão dinheiro nos cofres americanos e irão dar uma ajudinha à indústria de guerra e os americanos irão agradecer. Ficarão com o business do petróleo e da reconstrução do país. Irão instalar uma democracia podre que levará à guerra civil (à semelhança do que ainda acontece no Iraque e no Afeganistão) entre as tribos líbias e venderão ainda mais armas. Boa maneira de combater o défice da balança comercial.

Estratagemas brilhantes para recuperar uma economia em queda.

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Declaração de inconsciência

Barack Obama deixou um recado ao coronel Khadafi: “O poder de Khadafi chegou ao fim, mas ele ainda tem hipótese de travar o banho de sangue se abandonar o poder.”

O Nobel da Paz (não só foi ridícula a atribuição do Nobel da Paz a Barack Obama sem que este tenha feito o quer que seja em prol da paz do mundo como é completamente absurdo atribuir este galardão a qualquer presidente Norte-Americano) também é capaz de evitar o banho de sangue noutras paragens do planeta, caso o país que governa deixe de ser o maior vendedor de armas no mundo.

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Em que ficamos?

Os Órgãos de Soberania dos Estados Unidos da América não se entendem quanto ao tecto da dívida.

Os Estados Unidos da América estão em risco de claro default. Barack Obama já veio a público alertar sobre as consequências de não se chegar a um acordo que seja favorável ao aumento do tecto da dívida.

A sua dívida continua cotada pelas agências de rating com o fantástico Triple AAA (cotação que ainda garante ao governo Norte-Americano que todo o mundo olhe a compra da sua dívida como um investimento apetecível e de riscos reduzidos) faz com que à análise mais clara da situação do país e do excesso de emissão de moeda fictícia pela Reserva Federal por troca de títulos de tesouro que criam ainda mais dívida (dívida essa que jamais será liquidada e fará o sistema monetário entrar num ciclo vicioso irreversível de criação de mais dívida) gerem a conclusão que existem três caminhos possíveis a seguir, redundando os dois numa situação catastrófica:

1. O sistema monetário internacional continua a servir os propósitos do “establishment” e continuará a actuar nas linhas em que tem actuado até à ruina total do sistema capitalista, gerando a insolvência de todo o tecido económico e financeiro mundial.

2. As agências de rating fazem o favor de baixar o rating da dívida Norte-Americanos já como fizeram à Grécia, Portugal, Irlanda e prolongam esta crise capitalista a um ponto de miséria nunca antes visto pelo homem e com consequências que nem o pior dos péssimistas quer imaginar.

Se a segunda opção for a escolhida, estamos perante um cenário em que países cuja legislação apenas permite investir em dívida cotada como Triple A e que neste momento detém enormes somas de dinheiro para investir resultantes por exemplo de fundos monetários vindos dos resultados positivos da exploração petrolífera como é o caso da Austrália e do Brasil não irão investir nos Estados Unidos, que como tal, estarão impossibilitados pela lei de constituir mais dívida para além do actual limite e haverão menos investidores interessados em comprar a dívida Norte-Americana. Logo será mais que certo que os Norte-Americanos voltem a retirar capital investido no estrangeiro, num efeito bastante parecido com o da Grande Depressão, estalando portanto a pior crise capitalista à escala mundial até hoje vivida.

3. O homem altera as regras do jogo económico ou lança uma ordem alternativa à actual. Porque não a ideia da economia de recursos? Será obviamente complicado pensar como é que a este nível se vão alterar as regras do jogo económico, dado o grau de vício dos agentes económicos e os mecanismos que a economia usa para enfrentar todos os cenários, sejam eles de evolução ou de regressão.

Nesta questão, o mais ridículo é o facto de empresas como a Apple terem mais dinheiro em caixa que o próprio Estado Norte-Americano.

Quando pensamos no Estado Norte-Americano, pensamos numa grandeza macro-económica infinita, inesgotável. Uma multinacional como a Apple tem mais dinheiro em caixa do que o governo Norte-Americano. Graças ao inenarrável truque de aumento da oferta monetária feita entre o governo e a Reserva Federal, que faz com que haja mais dinheiro em circulação do que aquele que realmente tem existência física e que por conseguinte faz que com se exerça ad-eternum o fenómeno de geração de mais dívida, dívida essa que jamais será paga.

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A Standard & Poor´s pois claro

Ameaça descer ainda mais o rating dos pobres Gregos.

Risco de default dizem eles.

No entanto, os Estados Unidos da América também estão em risco de default, mesmo que o Congresso aprove a revisão constitucional que permita ao Governo Norte-Americano aumentar o plafond de contracção de dívida. A Standard & Poor´s ameaça mas logo recolhe a ameaça após declarações do presidente Obama.

E o rating americano continua num magnífico Triple A. Um triple A que continua a permitir que algumas potências emergentes com leis que apenas permitem que os fundos de investimento resultantes da exploração petrolífera possam comprar títulos de dívida de países bem cotados pelas Agências de Rating. Casos do Brasil, da Austrália, de Timor-Leste.

Dois pesos, duas medidas. Para uns, convém afundar. Outros permitem-se a manter.

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Eduardo Souto de Moura

Eduardo Souto de Moura ganhou o Prémio Pritzker 2011, o prémio anual de maior distinção da arquitectura mundial.

Num país de fado, fátima e futebol não me causa nenhum espanto o facto de tamanha distinção quase passar por despercebida.

Numa disciplina onde Portugal têm bons profissionais, Souto de Moura teve a honra de merecer algumas palavras por parte do presidente dos Estados Unidos da América Barack Obama.

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Caricato

Quando surgem notícias sobre decisões das agências de rating, Fitch, Standard & Poor´s e Mood, já não consigo reagir com espanto.

Quando se tratam de minúsculos países devedores como Portugal, os Srs. consultores das agências de rating não têm qualquer pejo em cotar como lixo o Estado, os bancos e as empresas públicas. Por mais minúsculos que sejam os países e frágeis as suas economias, estas agências não têm piedade em tornar mais complicada a vida destes nos mercados no que toca por exemplo à transacção de títulos de dívida pública e ao efectivo crescente da taxa de juro que os títulos portugueses tem sofrido nos últimos meses.

Perante os Estados Unidos da América, o supra-sumo do liberalismo económico e o país que mais deve no mundo, a falha na concertação política no que toca ao aumento da possibilidade de contrair dívida e a possibilidade do país entrar em default (incumprimento) caso não reduza o défice das suas contas públicas apenas agora suscita interesse por parte das referidas agências de rating, que só agora ousam ameaçar a administração Obama de um corte de rating que continua a ser da Triple A para o país do Tio Sam.

No mesmo relatório publicado ontem a Moody´s também pensa em cortar o rating a 3 bancos americanos, entre os quais o famoso Citygroup.

O mundo económico ainda não se apercebeu do carácter malicioso que estes ratings representam para a especulação económica.

Vejamos uma situação concreta:

Há uns meses atrás, colocava-se a hipótese de certos países investirem na nossa dívida pública. São países que detém bons fundos para investir, casos do Brasil, do Qatar e de Timor-Leste.

Lembro-me perfeitamente das palavras de Dilma Rousseff na sua visita a Portugal. Quando questionada por um jornalista português sobre a eventualidade do seu país poder investir na dívida pública do nosso país, Dilma foi peremptória: “a legislação apenas nos deixa investir em triple A”

Pois bem, esses fundos pertencentes a esses países apenas confiam no que é triple A para as maliciosas agências de rating. Portugal é junk, a Grécia é junk. Não passam de países minúsculos, insolventes é certo mas cuja dívida é ridícula tendo em conta a dívida actual dos Estados Unidos da América perante o mundo. Mas são junk e os EUA (mesmo em risco de default como estão Portugal e Grécia) continuam a ser Triple A.

O que é junk não presta. O que é triple A é bom. Não interessa contestar uma agência de rating: Triple A é bom, por isso, é mais que garantido o investimento. Depois, queixam-se que o sistema estoira como estoirou em 2008. Aguentem-se…

Tal diferenciação de pesos e medidas sobre as economias dos países que enfrentam graves crises de défice nas suas contas públicas só me faz elucidar que estas agências de rating só servem para promover mais confusão económica e para alimentar a especulação financeira. Se as mesmas já tiveram o seu dedo na eclosão da crise económica e financeira de 2008 não sei do que é que os governos e instituições mundiais estão à espera para lhes retirar o protagonismo imerecido que têm.

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Osama Bin Laden declarado morto

Esta é a foto que circula em todo o mundo que dá conta da morte de Osama Bin Laden.

A Administração Obama declarou esta madrugada a morte do líder da Al-Qaeda num raide militar das tropas americanas no Paquistão.

Osama Bin-Laden (nascido em 1957 em Riade na Arábia Saudita) foi o fundador da Al-Qaeda, organização terrorista pela qual perpetrou o mortífero ataque terreno às torres gémeas em Nova Iorque em 2001, vitimando milhares de cidadãos de várias nacionalidades que trabalhavam nos escritórios do World Trade Center.

O Presidente dos Estados Unidos da América Barack Obama congratula-se com o sucedido, afirmando ter-se feito justiça para as famílias que perderam os seus entes mais queridos no pior ataque terrorista da história: ““Há quase 10 anos, sofremos o pior ataque de nossa história. Um dia que nunca sairá de nossa memória. Hoje, para as famílias que perderam alguém na guerra contra o terror, podemos dizer que a justiça foi feita”

Bin-Laden encontrava-se com a família num enorme complexo na capital do Paquistão. Durante meses, os serviços secretos estudaram o local e prepararam o ataque num pequeno helicoptero. Osama Bin-Laden deverá ter morrido em consequência de um tiro na cabeça, depois de ter tentado resistir ao ataque promovido pelas tropas Norte-Americanas.

O Governo Norte-Americano colocou em alerta as embaixadas Norte-Americanas no estrangeiro para a possibilidade de represálias da Al-Qaeda nos próximos dias ou semanas.

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