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Desculpas de mau pagador

Jorge Jesus culpou hoje a arbitragem da vantagem que o Porto tem no presente campeonato.

Segundo as palavras do técnico encarnado: “Podíamos estar ainda dependentes de nós se os critérios das arbitragens tivessem sido outros, mais equilibrados. Nós também começámos mal. Mas, se nos primeiros cinco ou seis jogos não houvesse equipas prejudicadas e outras beneficiadas, a diferença não seria tão grande. Esta vantagem não se justifica. (…)

No ano passado, o Benfica não só ganhava como dava grandes espectáculos”

Não sendo cego ao ponto de não admitir que a última frase de Jesus está dotada de fundamento, creio que estas afirmações são desculpas de mau pagador. O Benfica desta época está a anos luz do Benfica da época passada. O que deveria ser um facto encarado por normalidade por quem vendeu dois pilares da conquista do título nacional.

Nestas afirmações, Jesus comete erros de avaliação grotescos: o primeiro é o de ser toldado ao facto que o Porto de Villas-Boas tem sido a melhor equipa em Portugal nesta época à semelhança daquilo que foi o Benfica na época passada. A equipa do Porto também dá espectáculos. A equipa do Porto também esmaga. Indiferentemente dos erros de arbitragem que tem beneficiado o Porto nesta época, dado que se deve admitir. Com ou sem erros de arbitragem, nenhuma equipa Portuguesa está ao nível do Porto.

O segundo erro de avaliação de Jesus é o de atirar as culpas do facto de estar em 2º para as arbitragens do rival. Ao admitir publicamente que o Porto está a ser beneficiado esta época pelas arbitragens, Jesus também deveria admitir que na época passada o Benfica também foi muito bafejado por decisões injustas por parte das mesmas e por parte da própria Liga que acabou por castigar jogadores fulcrais em clubes rivais em alturas decisivas sem um fundamento mínimamente lógico que o permitissem. Casos de Hulk e Sapunaru no Porto, casos de Márcio Mossoró no Braga.

O terceiro erro de avaliação de Jesus é o de entrar em suposições. Essa do “se não perdessemos nas primeiras jornadas” e do “se o campeonato nacional começasse à 5ª jornada” – a questão é mesmo essa, o campeonato não começa à 5ª jornada. Como prova de regularidade durante uma época, começa na 1ª e acaba na 30ª. Duas ou três derrotas ao início podem ser cruciais para as aspirações de uma equipa que tem como objectivo o título nacional.

Imaginemos este exemplo: o Porto venceu os últimos 10 jogos da época passada. Se o campeonato para o Porto começasse à 20ª Jornada, seria campeão, visto que teria feito mais pontos nessa jornada que o Benfica.

O quarto erro de avaliação de Jesus é o de empurrar as culpas para factos exteriores ao clube. O Benfica vendeu Di Maria e Ramires. Sejamos francos: perante as saídas, o Benfica não se conseguiu reforçar adequadamente para reforçar o lugar. Exceptuando Gaitan, todas as contratações de Jesus desde Janeiro foram horríveis. Ao nível das contratações à Sporting. Airton, Kardec, Jara, Fabio Faria (talvez merecesse ser emprestado para evoluir mais um pouco) e  Eder Luiz, Sálvio (marcou 2 golos e passou de besta a bestial) foram até agora contratações infelizes.

Pior que contratações infelizes, é necessário que o treinador explique aos seus dirigentes e aos seus adeptos que foram contratações caras por jogadores quase desconhecidos na Europa. Agora, o Benfica quer reforçar-se de modo a tentar balançar o barco na ressaca do título. O problema é que não há dinheiro. Não havendo dinheiro, não há vícios. Terão que vender mais activos.

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