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Assim não Assis

Na passada quarta-feira, escrevi aqui neste espaço as seguintes palavras sobre o novo candidato à Secretaria-Geral do Partido Socialista Francisco Assis: “Nunca fui fã de Assis. Assis fala demais e quando fala opta por discursos completamente ridículos, deixando as pessoas na dúvida se ele acredita mesmo no que está a dizer ou se as declarações não passam de mais um período pouco lúcido de confusão intelectual da sua cabeça.”

Não retiro uma única palavra. Melhor dizendo, acentuo ainda mais a péssima opinião que tenho do antigo líder da bancada parlamentar socialista depois de ler alguns dados sobre estas eleições internas e ter visto algumas declarações do cabeça de lista pelo Porto às últimas legislativas.

Partindo do princípio  que António José Seguro é o fiel co-religionário da linhagem da liderança socialista (se o candidato não fosse Seguro poderia ser Pedro Silva Pereira) e que 11 das 21 federações distritais manifestam garantir-lhe apoio nas eleições, contra as 3 que pendem para o lado de Assis e as 7 que ainda se encontram indecisas, afirmar constantemente nas televisões que será o primeiro-ministro socialista dentro de 4 anos uma semana depois de umas eleições que redundaram numa tremenda derrota para um dos maiores líderes internos que o partido teve até hoje revela que Assis não só não têm a mínima noção do que é o seu partido nem tem a mínima noção do período temporal e da realidade política em que vive.

O discurso de Assis parece o discurso do povo Brasileiro quando a sua selecção não consegue atingir a vitória num campeonato do mundo: daqui a 4 anos é que é. No entanto, até lá tem que existir trabalhos e as estratégias precisam ser afinadas. Será que Assis terá capacidade para chegar lá? Não.

Não. Porque não consegue ter discursos minimamente coerentes. Não, porque é demasiado agressivo nas suas declarações. Não, porque nem sequer domina o seu partido. Não, porque difícilmente vencerá as eleições internas do seu partido. Não, porque não terá capacidade suficiente para formar uma oposição coesa ao novo governo. Não, porque o acordo com a troika assinado por um governo socialista será sempre o escudo defensivo do novo governo.

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Que futuro para o PS?

A meu ver, a vitória do PSD nas eleições legislativas trouxe outro factor que o partido não estava habituado: uma liderança coesa.

Depois de uma série de anos em que o PSD não conseguia encontrar um líder que reunisse consenso entre os principais rostos (Menezes, Manuela Ferreira Leite, Marques Mendes) ao vencer, Passos Coelho tornou-se o líder que reúne (bem ou mal) o consenso dos principais rostos dirigentes do partido.

Já com o PS deu-se o efeito contrário. Saídos da forte liderança de José Sócrates, o futuro começa a tornar-se muito negro para o partido na oposição.

Se por um lado torna-se necessário ao PS a eleição de um líder forte, capaz de assumir perante o governo os compromissos que o partido estabeleceu na éra Sócrates e capaz de se mostrar como alternativa ao governo na discussão de determinadas políticas, não creio que Francisco Assis ou António José Seguro sejam os líderes que o partido necessita.

Nunca fui fã de Assis. Assis fala demais e quando fala opta por discursos completamente ridículos, deixando as pessoas na dúvida se ele acredita mesmo no que está a dizer ou se as declarações não passam de mais um período pouco lúcido de confusão intelectual da sua cabeça.

Seguro é um pão sem sal do Partido Socialista. É um dos “boys” que a bom da verdade mais promete fazer do Partido Socialista uma “mosquinha morta” no Parlamento do que num partido “acutilante” a fazer oposição.

E a bom da verdade, perante estas duas opções venha o diabo e escolha.

António Costa, Ferro Rodrigues, Augusto Santos Silva ou Pedro Silva Pereira seriam melhores opções para a liderança do Partido Socialista. Mas…

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