Tag Archives: António Guterres

eu não sou de intrigas

tenho cá um pressentimento que esta história do Sócrates comentador político não é bem bem para ser comentador político. já vi o mesmo filme por várias vezes a acontecer dentro do partido socialista: o guterres e o sampaio conspiravam na casa de Algés do antigo primeiro-ministro para mandar a baixo o Soares e no fim das contas, os amigos zangaram-se e o Sampaio bateu couro e o Guterres avançou para as legislativas, deixando ao Sampaio a presidência. quando o Guterres saiu do governo, o Ferro Rodrigues fez figura de palhaço contra Durão Barroso, bateu couro numa oposição muito pobre e depois foi arredado pelas alegações que dele se faziam na sua relação com o escândalo casa pia (confesso que a última frase era para ser foi afastado depois de se saber que também ia ao cú aos meninos) para entrar o sócrates que tratou também ele de despejar o Alegre para fora do partido e ser candidato às legislativas e primeiro-ministro. nas últimas legislativas, o sócrates saiu de cena para Paris, o Seguro ficou com o barco partidário completamente despedaçado, o francisco assis foi queimado pelo caminho e Seguro dançou com Costa, se bem que neste caso, Costa sabia que algo de força maior (o regresso do querido líder) estava a ser preparado. as ilações que se podem tirar destas danças são óbvias: o querido líder não vem de Paris para a RTP para imitar o professor marcelo e dar a machadada final neste pobre (des)governo do PSD e do CDS. vem para buscar o trono perdido. tanto é que com petições e anti-petições, trocas e baldrocas, confusões e enganos, o largo do Rato está novamente em polvorosa e a notícia fez arregimentar num só dia todo um partido embrenhado em tremendas confusões e sectarismos nos últimos meses.

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ora vamos lá ver se nos entendemos

“Com o desemprego já muito elevado e a economia em recessão, as escolhas políticas difíceis que estão a ser feitas estão a testar o consenso politico alargado em torno do programa que existia até à data” – Abebe Selassie, avaliador do Fundo Monetário Internacional para o programa Português.

Perdão? Este senhor não sabe a realidade política do nosso país? Este senhor não sabe que este programa foi negociado por 3 dos 5 partidos? Este senhor não sabe que este programa não foi debatido sequer com 2 partidos políticos que fazem representar a vontade popular na Assembleia da República? Este senhor não sabe que o próprio programa não teve a aprovação do sindicato que representa 95% dos trabalhadores nacionais? Este senhor não sabe que as decisões importantes da vida de um país, principalmente no que toca a ingerência de organizações terceiras nas matérias internas de um país é uma matéria que constitucionalmente terá direito a um referendo? Este senhor não sabe que a democracia é popular é constituída do povo para quem os representa e não, uma obrigação posta pelos representados aos seus representantes? Mas qual consenso político? E já agora, o que é que pensa Abebe Selassie da falta de consenso social em relação a todas as políticas posteriores à assinatura do memorando? Não contam?

Mas em Bretton Woods, eles ainda acham que o povo está satisfeito com a sobretaxa no IRS:

No mesmo relatório, o Fundo Monetário Internacional avisa os governos portugueses (sim porque o nosso governo está a tentar sacudir a água do capote ao nível de responsabilidades) que em 2013 teremos o pico mais alto da dívida pública portuguesa: 123,4% do PIB.

A confirmar-se será o número mais negro da nossa história. Questiono: como é que vamos criar riqueza para podermos pagar esta dívida? e se criarmos, quantos anos andaremos refens desta mesma dívida?

Selassie dá a resposta a partir de Nova Iorque: “A pobreza nos últimos anos é mais efeito do crescimento do desemprego que dos cortes na despesa e dos aumentos de impostos em si mesmos. (…) “Com o desemprego já muito elevado e a economia em recessão, factores dos quais já tínhamos avisado o Estado Português na quinta avaliação do Programa. (…) Tentámos seguir o conselho do Governo quanto às áreas onde se poderia cortar despesa sem sobrecarregar os mais pobres (…)”

“a gente avisou, vocês é que nã nos deram ouvidos, tá? quem criou esse mesmo desemprego? não foi o próprio Fundo através do Memorando e da hedionda medida de revisão do Código Laboral para tornar mais flexíveis as leis laborais neste país de forma que se pudesse despedir de forma mais gratuita? ou será que o Fundo já está a sacudir a água do capote para o governo português como fez nos exemplos da Argentina e do Brasil?

mas no entanto, o governo não soube dizer onde poderia cortar na despesa sem sobrecarregar os mais ricos mas sobrecarregou e de maneira os mais pobres com a subida de escalões do Imposto Sobre o Rendimento.

E o relatório de Bretoon Woods vai mais longe quando se lê:

e…

é o que dá não negociar um programa paralelo que pudesse fomentar a economia de forma a criar riqueza para pagar esta dívida. parece a armadilha da qual a direita (do governo) utiliza para afirmar que o país está no bom caminho: “calma que as exportações aumentaram este ano” – quando de facto, o superavit criado na balança comercial português no ano 2012 não chegará sequer para pagarmos os juros do resgate que nos foi concedido pelos nossos amigos de Bretton Woods e Bruxelas.

prodigiosa também é a última frase. o nosso sucesso a depender do que for construído a nível europeu, quando Merkel, Hollande, Draghi, Monti e companhia ainda não sabem bem o que fazer\não estão em sintonia em diversos aspectos. quando não se sabe o que dizer, atiram-se culpas e responsabilidades para outros organismos.

continuando.

Não iremos voltar aos mercados em 2013 porque tal será perigoso dado o aumento da nossa dívida pública. Recordando o primeiro-ministro lá em Nova Iorque aos gurus da Economia em Abril deste ano:

No entanto Selassie diz “a sobretaxa de 5% sobre o IRS manter-se-à até 2014”

e o relatório do Fundo diz:

Arriscaremos a ir aos mercados em 2013 a 7,5% ou mais, gerando ainda mais dívida que não poderemos pagar durante gerações e gerações…

Cruzando Passos:

quando a nossa recuperação será mais pronunciada a partir de 2014? Quando Selassie afirma que a sobretaxa terá que vigor até 2014

Entra em Cena, Gaspar, o neoliberal:

na comissão de orçamento. com a economia portuguesa a acelerar o crescimento, dizem, só em 2014.

no entanto, era este mesmo ministro que dizia publicamente horas antes a uma rádio:

confesso que até eu me sinto confuso com tanto contrasenso. se o financiamento do estado será feito com recurso ao mercado (na primeira afirmação do ministro; mas já não será, com base na 2ª) porque é que o estado português carregou com os contribuíntes com um escalões tributários mais severos para aumentar a receita pela via de impostos?

a resposta também pode ser dada pelo relatório do Fundo, quando neste se lê:

que as parcerias publico-privadas vão custar muito mais do que as previsões que as projecções do Ministério das Finanças previam…

2013 já não é o ano do crescimento, contrariando aquelas vezes em que ouvimos o primeiro-ministro a dizer que “2013 é que é”, discurso que já vem desde 2011 a dizer que 2012 é que era…

aproveitando a deixa, enquanto como umas torradinhas, para o post não ficar tão duro, esta situação parece aquela situação das contas do Guterres:

continuando.

O relatório do Fundo entra em contradição com as próprias palavras do avaliador da nossa missão Abebe Selassie:

todos já sabíamos que pode haver retrocesso económico caso a Espanha dê, como se diz na gíria “o badagaio” visto que é o nosso maior importador e a economia com o maior fluxo de capital investido no nosso país.
no entanto, é de surprender que o Fundo escreva isto logo a seguir:

então mas… Selassie não dizia que tudo se mantinha de pé graças ao “consenso político e social existente?”

A Solução passará portanto por… típicas privatizações ao estilo Bretton Woods:

que não serão mais do que mais financiamento (empresas a troco de feijões) para o Estado Português!

Perguntam vocês, porque é que a Economia não cresce? O Fundo sacode a responsabilidade para as fracas políticas do Álvaro Canadiano e do Gaspar, o neoliberal:

tendo que ser o estado falido a conceder crédito não-bancário a novos investimentos. Como? não sei. Se é visto frequentemente? não.

ah pois, ainda são formas a serem exploradas pelo estado português! Ou seja: a concessão de crédito para fomento empresarial, criação de emprego, criação de riqueza, e consequente pagamento desta dívida ainda é coisa que está a ser explorada pelo estado português numa conjuntura de autêntico desatre económico e social.

A compreensão do resto deste relatório, a outros níveis, fica para abordagens futuras!

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lata

Juro que tento perceber mas não consigo.

Vitor Constâncio, o 3º governador de um banco central mais bem pago do mundo, aquele que comandou o Banco de Portugal numa das fases mais negras da sua história, que falhou previsões de crescimento económico atrás de previsões durante anos, que falhou previsões de apuramento do défice das contas públicas, que não soube avisar certos governos da sua cor partidária de que a entrada do euro não significava que a partir dali tudo nos fosse permitido, que fechou os olhos ao envolvimento do BPN em escândalos financeiros internacionais, que autorizou os ruinosos negócios do referido banco em Cabo Verde com o Banco Insular (por exemplo) quando deveria de facto proteger os interesses da agência estatal cuja função é a de regular todo o sector financeiro ainda vem, com toda a lata deste mundo e do outro, avisar-nos que teremos que seguir um plano cujo guião já está escrito desde há muito tempo e cuja aplicação prática desse mesmo plano foi um profundo fracasso na Argentina, na Rússia, no Brasil, na Indonésia, nas Filipinas, na Bolívia, na Grécia, na Turquia, no México e que agora se prepara para culminar num enorme fracasso em Portugal.

“Como noutros países acontece o que importa é que haja um Governo e uma maioria parlamentar que executem os programas e as medidas e o ajustamento continue a ser feito” – cita.

Juro que tento perceber mas não consigo.

Já sabemos que a ida para Bruxelas muda muita gente. Mas não será que este Constâncio porventura estará a esquecer-se (ou provavelmente está a ter um surto epidémico de anacronismo histórico em relação ao seu trabalho enquanto governador do banco de portugal) que estas reformas às quais se designa por “planos de ajustamento” (eu diria que são planos de liberalização de um capitalismo selvagem que está doente) já deveriam ter sido feitas, sem cargas de esforço dramáticas para os cidadãos portugueses, no tempo, em que este Constâncio deixava que governantes do seu partido (e do outro que é igual ao seu partido) esbanjavam rios de dinheiro em parcerias público-privadas, em subvenções estatais completamente ocas e sem qualquer efeito de crescimento para a economia portuguesa mas com largos efeitos de crescimento para a economia daqueles que hoje enriqueceram à custa do estado português?

Será que este Constâncio não foi o mesmo que deveria ter alertado os governos portugueses de António Guterres e Durão Barroso para a necessidade da aplicação em prática de um orçamento de estado que fosse cumprido à risca? Será que este Vitor Constâncio não deveria ter sido aquele que deveria ter estado mais atento à possível hecatombe que o colapso do BPN provocou no sistema financeiro português? Não deveria ser este Vitor Constâncio que deveria ter avisado os referidos governos que a eventualidade de uma crise capitalista global (como a que vivemos) poderia ter uma repercussão estonteante no nosso país em derivado da nossa situação de país atrasado, periférico, e incapaz de conseguir estabilidade ou ganhos nas suas balanças (de pagamentos e comercial)? Não deveria ter sido este Constâncio que deveria ter alertado os referidos governantes sobre os efeitos que um possível colapso da zona euro poderia provocar na nossa realidade?

Quem é este Constâncio?

O falhado Constâncio do Banco de Portugal ou um novo Constâncio que defende os interesses alemães a partir do BCE contra o seu próprio país? 

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fiquem com pistolas novas e submarinos

O CDS\PP sempre optou por responsabilizar o governo socialista de António Guterres pela compra de “4 submarinos” que Paulo Portas, logo que tomou posse no governo de coligação reduziu para “2 submarinos”. O CDS\PP cumpriu portanto com estas declarações as suas intenções populistas, defendendo o querido líder dos ataques da oposição. O que é certo é que os 4 submarinos que se tornaram 2 com Portas ainda estão envoltos em polémica. Da redução de 4 para 2, nada há em concreto visto que a documentação relativa ao contrato subitamente desapareceu do Ministério da Defesa. Blame Sokratis? Talvez volte a ser essa a estratégia dos democratas pouco cristãos. É caso para dizer que é estratégia possível no reino da hipocrisia do CDS\PP: por cada erro que façamos, culpamos os socialistas de 2 mesmo que as acusações sejam sustidas em bases especulativas. Por apurar ainda está o envolvimento do ministro com a ferrostaal e com alegados subornos que poderá terá recebido para dar luz verde ao contrato. Falando de verde, o contrato de compra dos submarinos deu verdinho a ganhar a alguém: o Banco Espírito Santos. Recebeu 750 milhões por ter mediado a operação financeira do negócio, concedendo garantias bancárias ao governo para avançar para a compra dos ditos submarinos.

Creio portanto que ao bom jeito do jornalismo (não esquecer as raízes do querido líder do CDS\PP no jornalismo) que a estratégia do partido assenta na boa moda jornalística do spin-doctoring: manipular a opinião. Manipular a opinião a partir de dados factuais nem sempre comprovados. Manipular a opinião com argumentos falaciosos que indicam que o passado da herança socialista deverá ser entendido pela populi como pior que os erros da governação do presente. O bicho já pegou aos colegas de coligação não fosse o facto de Luis Montengro, líder da bancada parlamentar do PSD iniciar todos os debates quinzenais desta legislatura com as habituais perguntas de retórica ao primeiro-ministro, perguntas essas que habitualmente tentam comparar o passado socialista e o presente e realçar (diria recalcar) os erros desse mesmo passado.

Neste caso específico dos submarinos, não trato de perguntar se há fumo ou fogo porque ambos me parecem evidentes. Tão evidentes como a corrupção activa de agentes governamentais no negócio. Pergunto apenas a simples questão: de que é que está à espera o Ministério Público para investigar este processo a fundo? Pergunto também onde é que tem estado o Ministério Público neste tipo de casos?

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O louco viciado na austeridade

É inadmissível que o Primeiro-Ministro tome o papel de supremo carrasco de uma sociedade asfixiada pelas medidas do seu governo.

Pedir aos sufocados portugueses que sejam “menos piegas”, quando todos os dias é uma autêntica batalha pela sobrevivência é de loucos.

Do alto do seu pedestral em São Bento, o louco viciado na austeridade que nos tira a educação, o futuro, a saúde, o dinheiro no bolso, a casa, a comida que vinha para o prato e a roupa no corpo não consegue raciocinar de acordo com estes dados históricos:

Na última década, melhor, nos últimos 15 anos as necessidades líquidas de financiamento externo da economia portuguesa (défice da balança corrente e de capitais) aumentaram de 1996 para 2005 de 1,6% do PIB para 8,1%.

Estes dados, sendo supervisionados pelo Banco de Portugal, foram durante esses anos (governos do Eng. Guterres, de Durão Barroso e no início do mandato do Eng. Sócrates) tratados como irrelevantes. Numa monetária como a zona euro, onde todo o mundo económico e financeiro têm os olhos postos em nós, o significado da balança de pagamentos de Portugal significa que tirando os constrangimentos externos causados pelas fases de preparação que nos foram impostas pela adesão ao euro, que cumprimos ainda no tempo do governo socialista do Eng. Guterres, fizeram supor a ideia que depois da adesão ao euro tudo nos seria permitido uma vez desaparecidos esses constrangimentos perante os nossos parceiros monetários externos.

E foi assim que o país se comportou até ultrapassar a barreira dos 10% de PIB de défice.

Durante os últimos 15 anos, os Portugueses foram incentivados a consumir. Principalmente nos governos do Eng. Guterres. Ah Belle Époque! Casas novas, carros com farturas, TV em cabo, charuto a seguir ao jantar.

Durante os últimos 15 anos, Portugal (quer ao nível das famílias, administração pública e parcerias público-privadas) viveu 10 furos acima do tamanho das suas calças. Viveu acima das suas possibilidades. As famílias endividaram-se, o desemprego aumentou, e ninguém acreditou que uma crise financeira despoletada na América com duas falências de seguradoras, nos iria a meter a pedir trocos ao FMI para pagar despesas imediatas. Ninguém em São Bento se preocupou em executar reformas que não fossem as vindas do exterior. Porque as reformas vindas do exterior foram sempre tidas em conta como melhores que as  dos nossos economistas. Ninguém em São Bento se preocupou em reformar o nosso tecido empresarial, em expandir a inovação, as pequenas, médias e grandes empresas, em incutir novas mentalidades educativas e culturais e novas mentalidades empresariais.

As necessidades de financiamento externo da nossa economia agravaram-se a partir de 2009. Com este agravamento, cresceu o endividamento externo do país, sem que cá dentro se pensassem soluções para reduzir despesa ou para renegociar a dívida. Veio o FMI. Veio a tecnocracia. E o zé povinho passou obrigatoriamente a gastar menos, porque não têm por onde gastar.

Ao nível de balança financeira, Portugal continuou a reflectir a manutenção de um elevado deficit de poupança e investimento. Esse deficit foi financiado por uma redução de activos sobre o exterior de aproximadamente 13% do PIB, verificando-se uma queda nos passivos face ao exterior de cerca de 2% do PIB. Esta nova forma de financiamento, conjugada com as alterações feitas nos fundos de pensões contrasta com a dos anos anteriores e reflecte uma alteração de vulto no papel das instituições financeiras não-monetarizadas no financiamento da balança de pagamentos, sem excluir a intervenção da troika, que dizem os de São Bento ter equilibrado a mesma nos anos 2011 e 2012.

Perante tais factos, o PM deveria ter mais cuidado quando nos apelida de piegas. A competitividade não é algo que se mude a curto prazo quando a nossa balança de pagamentos deu em 2010 e 2011 sinais muito negativos aos mercados. A competitividade não se alcança com desemprego, cortes nas prestações sociais e aumentos. Não se alcança com austeridades. A competitividade alcança-se sim com sinais de euforia económica vinda de São Bento e com optimismos.

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É bom vê-los ladrar!

O Primeiro-Ministro José Sócrates afirmou há uns dias que “não deixa nenhum ministro para trás”. Interrogado sobre a ausência do Ministro das Finanças nas listas de candidatos à Assembleia da República, o Primeiro-Ministro justificou a ausência do Ministro das Finanças como a necessidade de renovação das listas e das caras do Partido Socialista.

O que me saltou mais à vista desta declaração foi quando Sócrates no seu alto de pedestral afirmou que existe um tempo de duração para todos. Pelos vistos, há ministros que ficam para trás, caso de Luis Amado. E o tempo de duração na política existe para os outros mas para Sócrates é eterno.

Hoje, escutei com atenção as intervenções de José Sócrates na TSF Rádio Notícias em duas horas em que o Primeiro-Ministro se disponibilizou para responder a perguntas dos ouvintes. Quando questionado sobre os problemas fulcrais do país, Sócrates esteve exímio em apontar as mais variadas estatísticas do país nos últimos anos e em comparar as condições do país quando chegou à governação em 2005 e as condições com que se deparou depois da crise económica em 2008. Situações incomparáveis é certo. Perante aqueles que desafiaram questionar assuntos mais delicados como défice das contas públicas, dívida pública, dívida externa e estado social, Sócrates levantou a voz por várias vezes ao microfone, pensando decerto que estaria em algum comício do Partido Socialista. A todos aqueles que lhe apontavam defeitos, a justificação foi clara de alguém que não aceita críticas: O Sr. também anda a servir os interesses de uma oposição que só sabe destruir e não apresenta medidas para construir. O complot continua vivo na cabeça de Sócrates.

Sobre o programa de governação do Partido Socialista caso vença eleições só tenho a referir duas palavras começadas por p. Não são em calão, se bem, que me apetecia dizer uma frase em calão onde duas palavras começam por p. Mantenho alguma ética neste post. As palavras são: propaganda e populismo. O dom da palavra leva à propaganda – a propaganda leva ao populismo. O partido é uma máquina. Quem está à frente do partido é alguém que quer votos. Do povo.
Duvido que a troika aceite que se implementem algumas das medidas que Sócrates se propõe a não cumprir novamente, à semelhança do que já fez por exemplo quando prometeu 150 mil empregos e apareceram quase 200 mil novos despedimentos.

No Porto, Francisco Assis foi entregar as listas de candidatos do Partido Socialista ao circulo eleitoral. Voltou a falar do Estado Social e da promoção deste por parte do Partido Socialista. Assis, no seu jeito demagogo esteve bem ao dirigir as matrizes correctas do Estado Social. Depois, estragou a pintura toda ao tentar associar algumas das medidas dos governos de Sócrates em prol da preservação deste Estado Social. Nada a ver. Não serão os sucessivos PEC´s o total contrário do Estado Social, ó Sr. Deputado? Um governo que corta 600 mil abonos de família, que governa um país com 700 mil desempregados (maior parte deles a verem cortadas prestações sociais vitais para o seu sustento enquanto não arranjam emprego) que desinveste em sucessivos anos na investigação e no ensino superior vetando o direito ao ensino de qualidade a milhares e milhares de jovens, que vota os reformados a míseras reformas que não dão nem para pagar cuidados de saúde e alimentação básica de subsistência, que aumenta as taxas moderadoras no Serviço Nacional de Saúde, que pretende pagar obras públicas faraónicas através da imposição de taxas ridículas como nas SCUT, que limita o acesso a comparticipações justas nos medicamentos vitais será um governo defensor do Estado Social?

Na Madeira, Jardim sente-se humilhado e ameaça novamente o continente. Não é o único a sentir-se humilhado. Os contribuíntes do continente também se sentem humilhados quando vêem os seus impostos serem gastos em milhões de foguetes na Madeira.
Jardim afirma que quer ser ouvido pela troika do FMI, Comissão Europeia e BCE e que caso tal não aconteça, legitima que a Madeira não irá aceitar as medidas que forem impostas pelos mesmos. Por um lado Jardim têm razão, por outro é caso para dizer: que lata!

Na comemoração do aniversário da Constituição da República Portuguesa, Carlos Costa afirmou que o país deve começar a responsabilizar a classe política e a classe dos gestores públicos pelos danos que eventualmente causem à economia e às finanças do país em prol do seu trabalho. Carlos Costa mostrou-se lúcido mas eventualmente acordou tarde para algo que o povo português há muito que pede. A primeira pessoa a quem Carlos Costa se deveria referir será obviamente o seu antecessor no Banco de Portugal Vitor Constância. Caso Carlos Costa não saiba, foram sucessivas falhas de supervisão de Constâncio que criaram o monstro BPN, indevidamente saneado com dinheiros públicos sob a égide da Caixa Geral de Depósitos. Também faço caso de perguntar onde anda Dias Loureiro? Pois… em Cabo Verde… pois! E Constâncio? pois… pisgou-se para um bom tacho na europa… pois está claro! E o engenheiro António Guterres? pois… refugiou-se nos refugiados… pois, estamos bem! E o mítico Durão Barroso? pois… na Comissão Europeia, pois bem, estamos bem de saúde! E os grandes Bagão Félix, Manuela Ferreira Leite, Paulo Portas? Pois… andam por aí sempre vivos a criticar os outros quando têm telhados de vidro no que toca a este tipo de responsabilidades. E o magnífico Dr. Aníbal Cavaco Silva? Pois… é mais viciado no facebook que eu ou que os leitores deste blog.

Pedro Passos Coelho, Miguel Macedo e Miguel Relvas andam aí atarefados a montar grupos de intelectuais para finalmente apresentarem o seu programa de governação. Até agora, dúvido que exista algum no PSD! Passos Coelho já atarrachou a corda no pescoço e está pronto para se suicidar dia 5 de Junho. Algo previsível. Quem os manda ter um líder que não sabe tocar no coração do povo?

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Hilariante

Não me saem da cabeça aquelas imagens da confusão que houve com a entrada de José Sócrates no congresso do PS.

O olhar para a camara daquele segurançamilitante do PS é pura e simplesmente hilariante.

Com este congresso, o PS provou ter uma máquina eleitoral demolidora. Os tolinhos dos militantes da província (camaradas) aparecem lá no congresso com as suas bandeiras e cachecóis pelo cheiro de meia dúzia de bifanas no pão, como se o Partido Socialista fosse efectivamente um grande clube de futebol prestes a atingir a final da Champions League.

Não existem muitas críticas nem oposição interna no partido. Acusam os outros de andar a reboque das grandes instâncias financeiras mundiais mas na verdade, todos aqueles que se deslocaram a Matosinhos estão nas palminhas da mão de um líder falacioso, egocêntrico, inverosímel e acima de tudo autista, visto que não é capaz de respeitar os princípios mais básicos da convivência e do diálogo entre os homens (não aceita críticas) e os princípios basilares do jogo democrático.

Tenho pena deste Partido Socialista de Sócrates. Não é o mesmo partido de Soares, Alegre, Sampaio ou António Guterres. É uma sombra. É uma nódoa. É um poço inesgotável de políticos inúteis. E como tal, será julgado em eleições pelo povo sem qualquer tipo de piedade.

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