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É da Nova Zelândia

Antes de passar ao jogo de facto, gostaria de começar com o hino do campeonato do mundo de rugby “world in union” para podermos escutar a grandeza do que vou escrever neste post:

A seguir à África do Sul em Paris, a Nova Zelândia em Auckland, 24 anos depois, no mesmo estádio (Eden Park) e contra a mesma selecção (França).

Na noite de Auckland, tudo começou assim:

Portentoso Haka dirigido por Piri Weepu. Destemida e bela reacção de respeito dos Franceses.

Uma final de muitos números e curiosidades.

De um lado, Marc Lièvremont, o mais contestado seleccionador da história do rugby Francês. Despedido pela Federação antes da equipa rumar à Nova Zelândia. Humilhado quando os Bleus perderam contra Tonga na última jornada da fase de grupos. Ninguém iria acreditar que a França pudesse eliminar a Inglaterra e Gales e chegar à final.
Do outro lado, Graham Henry, consagrado aos 65 anos no seu último jogo no comando dos All-Blacks, com um score total de 87 vitórias em 103 jogos no comando técnico dos All-Blacks.
Para alguns jogadores de ambas as selecções, este jogo também pode marcar a despedida das respectivas selecção dado que o rugby é contrário ao avançar da idade: com o término de uma fase, dá-se início a renovações profundas nas selecções.

Por outro lado, a história que cirandou em particular este clássico do mundial mostrava algo extremamente interessante: a Nova Zelândia, apesar da superioridade de triunfos frente aos Gauleses, venceu o campeonato do mundo de 1987 numa final contra a França neste mesmo estádio mas foi três vezes eliminada pela França (mundiais de 1991, 1999 e 2007). Temia-se o síndrome no Eden Park.

Passando ao jogo em si:

Nos 15 iniciais, poucas surpresas. Do lado Francês haveria de se registar a aposta em Morgan Parra na abertura, em deterimento de François Trinh-Duc. Como veremos mais à frente, Parra acabou por sair para dar lugar ao abertura do Montpellier.

A França entrou no jogo com todo o gás, optando por fazer a circular a bola entre os flancos. Os Franceses queriam evitar um início fulgurante dos Neozelandeses e para isso tentaram preservar a bola na sua posse o máximo de tempo possível. Esta estratégia já tinha sido adoptada nos minutos iniciais do jogo dos quartos-de-final frente à Inglaterra e então, tinha dado enormes resultados aos Franceses. A táctica gaulesa era também a de enervar os Neozelandeses e obrigá-los a cometer faltas que pudessem ser úteis ao enorme potencial e alcance do seu abertura improvisado Morgan Parra.

A Nova Zelândia, equipa muito sábia e muito habituada a lidar sobre pressão, rapidamente tomou posse do jogo e logo aos 5 minutos um offside de um jogador francês (creio que foi Do 8 Harinodoquy) deu a possibilidade ao formação All-Black Piri Weepu de atirar pela primeira vez aos postos. Seria portanto, um dos momentos do jogo, com o formação dos Crusaders a falhar. A penalidade não era fácil pois era a cerca de 30 metros encostada à esquerda. Ficou porém nos momentos do jogo visto que Weepu nunca mais encontrou o ritmo da partida. Os pontapeadores sabem perfeitamente daquilo que falo. Se juntarmos o facto que era o primeiro pontapé de uma final de um mundial, é caso para dizer que a pressão fez-se sentir.

A Nova Zelândia tomava conta do jogo depois do ímpeto inicial Francês. Nos primeiros minutos dava para ver que este, à semelhança de outras finais que me lembro ter visto (de 99 a 2007) ia ser um jogo táctico, decidido em pequenos pormenores e sobretudo, na capacidade resistente das equipas em aguentar os picos de ansiedade ao longo da partida e em conseguirem obter mais uma dose de energia depois do longo desgaste que levam no corpo.

Os Franceses estavam afoitos a jogar ao pé para as costas dos Neozelandeses. Tentavam sacudir os All-Blacks dos seus 22 e quem sabe ganhar território que lhes permitisse montar boas plataformas de ataque. Aos 11 minutos, dá-se a primeira substituição do jogo: depois de um choque numa placagens a Ma´a Nonu, Morgan Parra é substituído por lesão de sangue por François Trinh-Duc. Para os menos familiarizados com a modalidade, a substituição de sangue é temporária, ou seja, um jogador entra enquanto outro estiver a receber assistência fora-das-linhas (a assistência médica como já devem ter reparado pode entrar dentro do campo com o jogo a decorrer).

Aos 14 minutos, um dos outros momentos da partida: o ensaio de Tony Woodcock a abrir o marcador para os All-Blacks. Numa falta, Piri Weepu chutou a bola para fora dentro dos 22 metros franceses. Na touche, a bola é jogada para Woodcock, que depois de levantar o saltador correu para um espaço vazio da defensiva gaulesa e entrou triunfante para o primeiro ensaio da partida. 5-o para os All-Blacks na noite de Auckland. Os Franceses estavam literalmente a dormir no lance. Piri Weepu voltaria a falhar a conversão.

A França, no compto geral, estava a defender bem. O domínio da bola assim como o domínio territorial era (e acabou por ser como mostram as estatísticas do site do campeonato do mundo) Neo-Zelandês, mas os franceses podiam gabar-se que nos primeiros 20 minutos estavam a defender muito bem as investidas Neozelandesas. Na Nova Zelândia, o destaque inicial ia para Ma´a Nonu – as investidas do centro estavam a ser certeiras, abrindo muitas brechas no cordão defensivo francês. O centro estava sempre inclinado para explorar os espaços vazios e quase sempre conseguia penetrar muito bem. Trinh-Duc haveria de entrar em definitivo aos 22″ para o lugar de um desolado Parra.

O jogo entrou numa fase em que os avançados tentaram brilhar. De lado a lado, sucediam-se os pick and go e a luta nos breakdowns. Aos 25″, uma falta no ruck dos franceses valeria a Piri Weepu mais um pontapé de penalidade. O formação haveria de falhar novamente para desespero de Graham Henry no seu gabinete no topo do estádio. O formação já custava 8 pontos aos All-Blacks. Alimentava a esperança Francesa. Dado caricato desta altura do jogo era o facto da França só ter ído até então por uma vez ao “ninho defensivo de 22” dos All-Blacks.

Aos 33″, nova substituição na partida: Aaron Cruden, 3ª escolha para o lugar de abertura dos Neozelandeses haveria de se lesionar. Muito azar para uma selecção que já tinha perdido por lesão Dan Carter na parte final da fase de grupos e Colin Slade nos jogos das meias-finais, facto que tinha motivado Graham Henry a convocar durante a semana Stephen Donald, antigo 2 de Dan Carter para a partida da final. Donald iria entrar e como se isso não bastasse, iria ser decisivo como iremos ver mais à frente nesta crónica.

Aos 35″, os Franceses voltaram aos 22 da Nova Zelândia e depois de um pequeno trabalho de incursão dos seus avançados, foram precipitados em colocar a bola em Trinh-Duc para o drop. O jogador do Montpellier haveria de falhar. Passados 2 minutos, o abertura haveria de protagonizar uma excelente incursão pelo meio dos homens do hemisfério-sul, galgando perto de 30 metros com bola no meio-campo francês, valendo Piri Weepu numa rasteira de braço (permitido) a parar o Francês. Se Weepu não para o Francês, este poderia ter causado mossa na defensiva All-Black. A França estava portanto num final de primeira parte em que queria equilibrar o marcador.

Ao intervalo, a Nova Zelândia vencia por 5-0. Se por um lado era uma vantagem escassa (Piri Weepu tinha desperdiçado 8 pontos) por aquilo que os All-Blacks fizeram na primeira parte, por outro, era um resultado merecido pelo que os Franceses tinham feito do ponto de vista defensivo, anulando todas as veias criativas dos Neozelandeses. Aceitava-se portanto a vantagem pelo ponto de equilíbrio dos vectores que enunciei. No entanto, os Neozelandeses marcaram, tiveram mais oportunidades para marcar, foram mais fortes no duelo dos avançados, nos rucks e no jogo no chão, e com mais posse de bola e domínio territorial que os Gauleses. No entanto, a França estava fortíssima a placar, principalmente por intermédio da sua 3ª linha de luxo: Dusatoir, Bonnaire e Harinodoquy. De Dusatoir, falaremos mais à frente.

Na 2ª parte, tudo se transfigurou…

Os Franceses entraram mais poderosos e com vontade de transformar os acontecimentos verificados até então… Aos 41″, uma falta neozelandesa leva Dimitri Yachvilli aos postes para tentar uma penalidade. Á falta de Parra, o grande especialista dos franceses nesse departamento, o formação não era má solução para o 3-5. Porém, à semelhança do seu colega de sector na outra equipa, o médio de formação dos Franceses acabaria por desperdiçar.

Passados 3 minutos, uma falta francesa a 30 metros, virada aos postes em posição frontal daria a Stephen Donald a possibilidade de estabelecer o 8-0 para a Nova Zelândia: bom chutador, o experiente abertura não se fez rogado e aumentou o marcador.

A França teria que arriscar para voltar à partida. Digo voltar, visto que com 8-0 no marcador, um ensaio convertido Francês era escasso para empatar a partida. Um erro neozelandes por volta dos 46″ num ruck daria lugar a um turnover para o lado Francês. Trinh-Duc ficaria senhor do esférico numa disputa com Ma´a Nonu. A bola entrou nos 22 com posse Francesa. Depois de uma série de passes para a direita e para a esquerda, e de tentativas de pick and go por parte dos avançados gauleses, seria o flanqueador e capitão de equipa Thierry Dusatoir a entrar sem oposição para marcar um ensaio junto a um dos postes. Yachvilli punha os Neozelandeses a tremer com a conversão colocando o resultado em 7-8.

Aos 49″ saía Piri Weepu para a entrada de Andrew Ellis. Uma fraca partida do formação que foi um dos patrões desta selecção Neozelandesa neste mundial. Os Franceses estavam em alta e queriam mais. Nos minutos seguintes, os Neozelandeses tentaram avançar no jogo de perímetro curto, preservando assim a posse da bola, e, acalmando os ímpetos franceses numa altura crucial da partida. Os Franceses estavam a defender muito bem desde o minuto inicial e estavam claramente em alta. Apenas lhes traía o nervosismo quando tentavam montar o seu jogo ofensivo.

Seguiu-se um período de muitas faltas de parte a parte. Destaque ia claramente para a exibição dos 3 homens da 3ª linha francesa. A Nova Zelândia à conta de um excelente jogo colectivo ia conseguindo estabilizar o jogo, como lhe competia! Aos 63″ mais um momento do jogo quando o experiente capitão, o idolatrado capitão Neozelandês Richie McCaw é apanhado em offside pelo sul-africano Craig Joubert (mais uma grande arbitragem) e é assinalada uma penalidade a favor dos Franceses: Yachvilli vai aos postes do meio-campo (com os postes em posição frontal) e volta a falhar. Desilusão de Lièvremont no gabinete.

A França faz quatro substituições nos avançados para os minutos finais: Entram o talonador Szarzewski, o pilar Barcella, o 2ª linha Julien Pierre e o médio de formação Marc Doussin. Doussin estreia-se na selecção francesa na final do mundial. Drama até ao final. Os Neozelandeses tentam retardar um ataque final com pontapés para as costas dos avançados franceses. Alguns deles chegam inclusive a dar alinhamentos no interior dos 22 franceses. Nesse departamento, a França esteve muito bem perante a Nova Zelândia. Entra Sonny Bill Williams na Nova Zelândia para refrescar a 3ª linha. Até ao final, a Nova Zelândia controlou a bola e sagrou-se pela 2ª vez na sua história campeã do mundo de rugby.

Man of the Match, Thierry Dusatoir, capitão francês, frustrado pela derrota mas com um jogo de encher o olho a qualquer amante de rugby: 21 placagens e cerca de 60 metros ganhos com bola, algo extraordinário!

Pela negativa: viu-se pouco dos pontas de ambas as equipas (principalmente Alexis Palisson na França e Richard Kahui na Nova Zelândia) e do defesa neozelandês Israel Dagg, uma das vedetas do torneio.

No flash-interview, o seleccionador Neozelandês era um homem contente: “It´s Wonderful. I´m so proud of being a neo zealander tonight. We dreamt with this triumph many many years. Now on, we can rest in peace” – começou por dizer Henry no flash-interview realizado pela organização logo após o jogo acabar. Henry realçou o apoio do público da casa na organização do evento e no apoio incansável aos seus rapazes.

O mesmo sentimento era partilhado pelo homem que iria erguer a taça minutos mais tarde, Richie McCaw. A alegria estampada no rosto dos neozelandeses nesta imagem:

E com esta imagem, me despeço, depois de vividas as emoções do 7º campeonato do mundo da IRB. Daqui a 4 anos, estaremos com os olhos virados no Japão.

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rwc (6)

Depois da esmagadora vitória Australiana frente à modesta selecção Norte-Americana num jogo em que o ponta Adam Ashley-Cooper esteve em destaque, reporto aqui os últimos 4 jogos deste mundial que tenho vindo a seguir com alguma atenção.

À partida para este mundial, previa-se que o jogo de ontem que opôs a Nova Zelândia à França tivesse sido o centro das atenções na Pool A.

Muito resumidamente, o seleccionador Francês Marc Lièvremont comprou o bilhete antecipado para o 2º lugar da França do grupo e por questões de índole física dos seus principais jogadores e moral dos mesmos (não convinha à França largar os seus trunfos frente à selecção da casa perante um estado eufórico e arriscar-se a perder um jogo por muitos) Lièvremont sabotou este clássico do rugby mundial dois dias antes na conferência de imprensa, desiludindo todos os Neozelandeses que pretendiam ver a sua selecção num competitivo jogo contra a 1ª linha do rugby francês, afirmando que ia poupar jogadores.

Perante um estádio cheio de eufóricos adeptos All-Blacks, a selecção da casa não sentiu dificuldades em derrotar a França por expressivos 37-17, confirmando o primeiro lugar do grupo.

Henry Graham não poupou nenhum dos seus jogadores para o embate contra os Franceses, torneando assim a questão que tinha sido levantada em 2007 quando os Neozelandeses (no dia seguinte à eliminação contra a França em Cardiff) queixavam-se que aquela derrota também se tinha verificado em virtude de não terem disputado qualquer jogo de topo até aos quartos-de-final (Os All-Blacks tinham defrontado na fase de grupos a Escócia, a Itália, Portugal e Roménia).

Lièvremont acabou por cumprir metade da promessa que tinha deixado na sala de conferência de imprensa, e no 15 titular da França haveria por não colocar o talonador Servat, o 3ª linha Imanol Harinordoquy (em sua vez jogou o não menos reputado e talentoso Louis Picamoles) o abertura François Trinh-Duc e o defesa Cédric Heymans. Porém, todos estes atletas entraram na 2ª parte. Fora dos convocados haveriam de ficar Nicolas Mas, David Skrela, Alexis Palisson, Romain Millo-Chluski, Fulgence Ouedraogo e David Marty.

A França ressentiu-se desta estratégia do seu treinador e os 34 All-Blacks haveriam de fazer a vida negra aos Franceses. Sempre comandados pelo brilhante Dan Carter, os Neozelandeses chegaram facilmente aos 3 ensaios logo na primeira parte por intermédio do nº8 Adam Thomson, do defesa (neste jogo actuou a ponta) Cory Jane e do ponta Israel Dagg, que na 2ª parte haveria de marcar o 2º ensaio da conta pessoal. Na primeira parte, o melhor que os Franceses conseguiram foi uma penalidade convertida por Dimitri Yachvilli.

A defesa dos Gauleses haveria de acertar na 2ª parte, não sendo tão permissiva às investidas dos homens lá de trás da formação do hemisfério sul mas haveria de cometer mais faltas sobre os mesmos. Como referi, Israel Dagg haveria de marcar mais um ensaio logo a abrir a 2ª parte, Dan Carter continuou a brilhar com um pontapé de penalidade e um drop e o jogo iria terminar com uma França mais afoita, marcando dois ensaios por intermédio do centro Mermoz e do abertura Trinh-Duc sem que a Nova Zelândia concluísse o jogo com o último ensaio da autoria de Sonny Williams.

Com as contas de grupo A e grupo B praticamente fechadas, os All-Blacks irão defrontar a Argentina nos quartos-de-final enquantos Franceses terão pela frente um grande clássico do velho continente contra a Rosa de Inglaterra.

– No duelo das mais fortes selecções do pacífico, Samoa levou a melhor sobre Fiji por 27-7.

Não foi um jogo muito bonito. De um lado, as Fiji quiseram jogar por intermédio da força, técnica e velocidade dos seus 34. Do outro lado, Samoa apostou em muito no poderio dos seus avançados e começou a construir o resultado com imensas faltas ganhas por este dentro do território Fijiano.

O seleccionador Fijiano Samu Domoni fez uma alteração estranha no 15 titular das Fiji. O abertura Serenaia Bai, uma das unidades com melhor rendimento dos Fijianos nos primeiros 2 jogos passou para centro enquanto Nicky Little assumiu (sem grande prestação; é sem dúvida um dos jogadores mais fortes desta selecção mas está abaixo de forma) o lugar de abertura. E o jogo de ataque dos 34 Fijianos com as suas habituais e rápidas trocas de bola e acelerações não funcionaram contra a agressiva selecção Samoana.

O jogo projectado pelo seleccionador de Samoa Titimaia Tafua resultou na perfeição e a sua selecção foi ganhando pontos ao pé: na primeira parte, o abertura Tusu Pisi () converteu 3 penalidades e atirou para valer um excelente drop. Ao intervalo, Tonga cumpria o quadro estratégico delineado na perfeição e vencia por 12-0.

A 2ª parte começou com nova penalidade de Pisi e um ensaio de Kahn Fotoal´i aos 62 minutos, elevando o marcador para 22-0.Canadá

Cereja no topo do bolo foi o ensaio que seguiu, surgido de uma brilhante arrancada do 3ª linha na imagem (George Stowers) culminando uma exibição de ouro (15 placagens efectivas) para o lado Samoano. As Fiji ainda reduziram por intermédio do ensaio de Netani Talei.

– A Irlanda bateu a Rússia por 62-12 em que jogo que veio a confirmar o que se previa: sentido único para a área de ensaio Russa.

Como era previsto, os movimentos muito simples dos Irlandeses cilindraram a pobre Russia, que apesar das derrotas veio a este mundial para aprender com as equipas de nível de classe mundial e fortalecer as suas raízes tendo em conta os jogos dos próximos anos contra as selecções do “seu campeonato” tal como Portugal o fez em 2007. Tanto o fez, que os Lobos, nos últimos 4 anos conseguiram ganhar em território Romeno, empatar na Geórgia e lutar pelo resultado contra equipas com mais estaleca no circuito mundial como o Canadá, Tonga ou Japão.

Os Irlandeses já sabem que irão jogar contra Gales nos quartos-de-final, num jogo que promete muita emoção dado que são duas selecções do mesmo calíbre e cujos jogadores actuam praticamente todos no mesmo campeonato, a Liga Céltica.

A selecção Irlandesa entrou em campo com uma selecção alternativa por opção do seu seleccionador Declan Kidney, preocupado já com o jogo dos quartos-de-final. Mesmo assim os Irlandeses entraram a todo o gás perante mais um jogo em que os russos foram muito imaturos do ponto de vista defensivo, facto que lhes valeu um amarelo (ao médio de abertura Rachkov) e consequentemente os dois primeiros ensaios Irlandeses. Na primeira parte, a Irlanda marcou 5 ensaios (Fergus McFadden, Sean O´Brian, Andrew Trimble, Isaac Boss e Keath Earls) sendo que os últimos 3 foram obtidos nos últimos 5 minutos da primeira parte, numa fase em que os russos acumularam desconcentração com cansaço.

Na 2ª parte, os Russos obtiveram mais 2 ensaios para a sua contabilidade no ano de estreia num mundial mas acabaram por sofrer outros 4. Despedem-se do mundial na próxima jornada contra a selecção Australiana.


No jogo do dia, a Argentina teve a pontinha de sorte que lhe faltou contra a Inglaterra perante a Escócia e assegurou praticamente a passagem aos quartos-de-fina. Só uma vitória larga dos Escoceses frente aos Ingleses poderá ditar azar para os Argentinos.

Num jogo muito fechado e muito lutado a meio campo (as estatísticas mostram 5446 em posse de bola para os Escoceses; 5050 em território; 3,07m dos Argentinos na área de 22 escocesa contra 10,50 dos Escoceses na área argentina) foi o ensaio de Lucas Gonzalez Amorosino (mais uma vez em destaque neste mundial) aos 72″ que deu esta grande vitória à turma Argentina num jogo que foi disputado quase sempre ao pé e nas intensas lutas de avançados onde os argentinos quase sempre levaram a melhor sobre os Escoceses.

No regresso de Filippo Contepomi aos Pumas, coube ao eterno aberturacentro abrir as hostilidades com uma penalidade aos 19 minutos. Num duelo de históricos, a primeira parte teria duas penalidades de Chris Patterson, o eterno defesa escocês.

Na 2ª parte, com 6-3 no marcador a incerteza pairou até ao final mesmo depois da Escócia ter chutado dois drops certeiros (Jackson e Dan Parks) e da Argentina ter respondido com mais um pontapé de Contepomi. Os Pumas não se deram por vencidos e numa grande jogada colectiva haveriam de fechar com um brilhante ensaio de Amorosino e a preciosa conversão de Contempomi. Os Escoceses ainda tentaram ripostar e avançaram no terreno em busca da vitória mas os 10 minutos finais iriam pertencer à maravilhosa garra da defensiva argentina, que conseguiu suportar as investidas finais dos escoceses, principalmente pelo fabuloso Patrício Albacete, homem de 17 placagens durante os 80 minutos.

Para finalizar, algumas notas específicas sobre o andamento dos grupos, estatísticas colectivas e feitos individuais:

1. No Grupo A, a Nova Zelândia lidera com 15 pontos, contra os 10 da França, os 5 de Tonga e os 4 do Canadá. O Japão não marcou qualquer ponto. O Canadá só tem 2 jogos efectuados e ainda tem hipóteses matemáticas de conseguir o apuramento, mas será algo bastante difícil.

1.1 Os NeoZelandeses são a equipa com mais pontos marcados – 161 no total. Nesta estatística, a África do Sul aparece em segundo com menos 8 pontos e a Inglaterra em 3º com 121.

1.2 Os All-Blacks também são a selecção com mais ensaios na prova: 24. Os Sul-Africanos tem 20 enquanto os Ingleses tem 1.

Os Japoneses são a equipa com mais ensaios sofridos. No total foram 22.

2. No Grupo B, a Inglaterra lidera com 14 pontos contra os 10 dos Argentinos e Escoceses (o score dos Argentinos é 65-33 enquanto o dos Escoceses é de 61-43). Geórgia e Roménia ainda não fizeram qualquer ponto mas os Georgianos apenas realizaram 2 jogos. Os Georgianos jogam contra Argentinos e Romenos enquanto a Escócia joga contra os Ingleses.

2.1 Para passar, a Escócia necessita:

2.1.1 Vencer a Inglaterra com ponto de bónus sem que os Ingleses marquem qualquer ponto, indiferentemente de vitória ou derrota da Argentina.
2.1.2 Vencer a Inglaterra sem ponto de bónus desde que a Argentina perca ou empate o seu jogo.
2.1.3 Empatar com a Inglaterra desde que a Argentina perca com a Geórgia ou apenas marque ponto de bónus defensivo
2.1.4 Perder com a Inglaterra desde que consiga ponto de bónus defensivo e a Argentina não marque qualquer ponto.

2.2 Os Ingleses são a equipa com menos pontos sofridos da prova (22) e em conjunto com a Austrália e África do Sul apenas sofreram 1 ensaio.

3. No Grupo C, a Irlanda lidera com 13 pontos, contra os 10 Australianos, os 5 Italianos, os 4 Norte-Americanos e o ponto que a Rússia conseguiu.

3.1 Cenários para este grupo:
3.1.1 A Irlanda e Austrália passam caso vençam os seus jogos.
3.1.2 A Autrália vence o grupo caso a Irlanda perca contra a Itália e a Austrália vença o seu jogo.
3.1.3 A Itália passa caso vença a Irlanda e o outro jogo, sendo que terá que marcar bónus num dos jogos e não permitir que a Irlanda faça ponto defensivo. Caso a Irlanda faça ponto defensivo contra a Itália, os Italianos são obrigados a vencer com bónus os dois jogos.

4. No Grupo D, a África do Sul lidera com 14 pontos, contra os 10 de Samoa, os 5 de Gales (menos um jogo) os 5 de Fiji e os 0 de Tonga

4.1 Cenários:
4.1.1 A África do Sul passa em primeiro caso ganhe ou empate a partida que lhe resta.
4.1.2 Samoa passa caso vença com pontos de bónus e Gales vença as duas partidas mas não consiga vencer uma delas com ponto de bónus ou caso empate o seu jogo e Gales vença apenas 1 partida ou caso perca e Gales não vença as duas partidas.
4.1.3 Para Gales passar basta vencer duas partidas, uma com ponto de bónus (caso Samoa não atinja ponto de bónus) ou com 2 pontos de bónus caso Samoa o consiga.

5. Ao nível de estatísticas individuais:

5.1.1 O melhor marcador da prova é o médio de abertura Springbok Morne Steyn com 48 pontos (2 ensaios, 13 conversões e 4 penalidades) sendo perseguido por Kurt Morath de Tonga com 31 (5 conversões e 7 penalidades) e Morgan Parra da França com 28 (1 ensaio; 4 conversões; 5 penalidades).
Steyn também lidera a classificação de mais conversões: 13 contra 10 de Colin Slade da Nova Zelândia.

5.1.2 O melhor marcador de ensaios é Chris Ashton da Inglaterra contra 4 de Adam Ashley-Cooper da Austrália, Vincent Clerc da França, Richard Kahui e Israel Dagg da Nova Zelândia e Vereneki Goneva da Ilhas Fiji.

5.1.3 Kurt Morath lidera o ranking de penalidades com 7 contra 6 de Tusi Pisi de Samoa com 6 e 5 de Morgan Parra da França, Chris Patterson da Escócia e James Hook de Gales.

5.1.4 Theuns Kotze da Namíbia lidera a lista de drop goals com 3, todos eles apontados contra as Fiji.

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