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Los Pumas

Anúncio comercial feito pela Peugeot (patrocinador oficial) para a Selecção Argentina de Rugby, após o brilhante 3º lugar conseguido pelos Pumas no Campeonato do Mundo de Rugby de 2007.

Há 3 anos atrás nada fazia prever que os Pumas (alcunha pela qual é conhecida a Selecção Argentina de Rugby) pudesse conseguir um 3º lugar no Campeonato do Mundo que foi disputado em França.

À entrada para a William Webb Ellis Cup, a Argentina não estava incluída entre os candidatos à vitória. De um lado, apareciam os candidatos principais: as 3 super potências do hemisfério Sul (Nova Zelândia, Austrália e África do Sul) acompanhadas pela Inglaterra que depositava todas as esperanças no brilhantismo do seu médio-de-abertura Johnny Wilkinson, que 4 anos antes tinha calado o público Australiano no Estádio Olímpico de Sydney no prolongamento da final do RWC 2003 frente à selecção da casa com um brilhante pontapé de ressalto que acabaria por dar o título mundial aos Ingleses.
Como outsiders, apareciam a França (a jogar em casa), o País de Gales e a Irlanda de Ronnie O´Gara.

Apresentando-se em França com a sua geração de ouro em estado de plena maturidade: falo de jogadores como Juan Martin Hernandez, Agustin Pichot (o melhor médio-de-formação que alguma vez vi jogar) Juan Leguizámon, MarioLedesma, Ignácio Corleto, Filippo Contepomi, Manuel Contepomi, Horacio Agulla, Juan Fernandez Lobbe, PatricioAlbacete ou Rodrigo Roncero, a Argentina não só não constava da lista principal de favoritos, como eram poucos os analistas que acreditavam que a Argentina poderia passar a fase de grupos num grupo tão terrível onde tinha como adversários a França, a Irlanda, a Geórgia e a Namíbia.
Tudo começou com uma grande vitória no jogo inaugural do torneio contra a equipa da casa, onde Juan Ignácio Corleto (entretanto retirado devido a sucessivas lesões) fez este maravilhoso ensaio:

Vencendo a Namíbia e a Geórgia com ponto de bónus, a Argentina (mesmo perdendo com a Irlanda) beneficiou da vitória dos Franceses frente aos Irlandeses e venceu o grupo avançando para os quartos-de-final onde defrontou e bateu a Escócia.

Todo este sucesso dos Pumas não tinha caído do céu. Com uma boa massa humana, o seleccionador Santiago Phélan apareceu em França com o trabalho de casa bem feito. A Argentina era mortífera no ataque. Demasiado louca quando se balanceava no ataque. Toda esta loucura no ataque era bem compensada por uma agressividade fenomenal nos processos defensivos. Fruto de muito coração (como diz o anúncio) por parte dos avançados Argentinos.
O ataque todo ele assentava numa matriz: Pichot e Hernandez eram os cérebros criativos do ataque. O médio-de-abertura (agora no Leicester de Inglaterra) tanto é capaz de atacar os espaços sabendo que vão cair rapidamente 4 adversários naquela zona (o que usualmente se apelida de se atirar contra os adversários) como era capaz de brindar o público com brilhantes combinações ora de finta de passe, ora de finta de passe seguida de um passe para o avançado mais perto ou para os centros (os irmãos Contepomi) ou para a dupla das pontas AgullaCorleto que em velocidade eram simplesmente fantásticos. Um dos irmãos Contepomi (Filippo) também era importante no jogo ao pé. Para além de jogar muito bem ao pé, era uma das opções de Phélan para a cobrança de pontapés de penalidade, tentativas de pontapé de ressalto e cobranças de conversões de ensaio.
Os avançados Argentinos também tinham um papel importante no ataque. Homens como Roncero, Ledesma, Leguizamon eram fenomenais a executar a táctica do pick-and-go (táctica que no rugby significa um montar de sucessivas fases por parte dos avançados de modo a avançar no terreno através da luta corporal no ruck; no chão) mas era na defesa que tinham a sua principal preponderância, executando uma defesa aguerrida e raramente permeável. Sem qualquer medo de placar, os avançados Argentinos defendiam de forma apaixonada. Como se estivessem a defender o castelo, não se fazendo rogados a placar e a virar adversários roçando os limites da falta.

Era portanto a versão mais exacta da paixão do Tango Argentino no Rugby: um rugby viril mas ao mesmo tempo sensual, que cativava os espectadores.

Nas meias-finais da prova Francesa, acabaria por vir a África do Sul, selecção que se iria sagrar campeã do mundo dias depois no Stade de France contra a Inglaterra de Wilkinson. No jogo das meias-finais, os Pumas acusaram a pressão e perderam. Cometendo muitos erros no ataque e na defesa, os Sul-Africanos recuperaram muitas bolas e na hora exacta capitalizaram todas as falhas crassas do jogo argentino. Os Argentinos não baixaram os braços e no último jogo para muitos com a camisola da Selecção (ver vídeo em baixo com as palavras de incentivo de Pichot aos colegas de selecção antes dessa partida) voltaram a encontrar a França no jogo de atribuição do 3º e 4º lugar, tendo feito (na minha opinião) o melhor jogo de sempre da sua história.

Para concluir, faço minhas as palavras deste sensacional “formação”: O Rugby é mais que um jogo. É um modo de vida, é os amigos, é o clube, é o nosso passado, o nosso presente e o nosso futuro. É motivação, é companheirismo, é bravura, é cavalheirismo, é fair-play, é distinção, é o meu mundo.

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